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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Finalmente Um Bom Exemplo na Nossa Política! Se tudo Fosse Assim...

O Senado cassou o mandato de Demóstenes Torres por um placar bastante eloquente: 56 votos a 19, com 5 abstenções. Um único senador, que já estava de licença, não votou. Ninguém faltou à sessão. Está proibido de se candidatar a cargo eletivo por oito anos a partir do fim do seu mandato, que expiraria em 2018 — foi reeleito em 2010. A punição se estende até 2026, e ele só poderá se apresentar ao eleitorado, mantido o atual calendário, em 2028, já que não há eleições em 2027. Na prática, foi banido das urnas por 16 anos. Termina de modo melancólico — e emblemático — a carreira política de um homem que parecia talhado para tarefas até maiores do que as compreendidas num mandato parlamentar.

Havia, no entanto, dois Demóstenes no Senado: Dr. Jekyll costumava abraçar as boas causas, afinadas com o estado democrático e de direito e se mostrava implacável com os desmandos da República, com os arroubos autoritários do Executivo e com as agressões aos direitos individuais. Era, por isso, admirado por muitos, inclusive por alguns adversários ideológicos, que reconheciam nele as virtudes da coerência e da firmeza. Mas ninguém sabia da existência de Mr. Hyde, aquele que trocava telefonemas frequentes com o contraventor Carlinhos Cachoeira e que atuava como uma espécie de despachante dos interesses de um grupo que se esgueirava nas sombras, do qual fazia parte.

Ainda que não tivesse sido cassado por seus pares, Demóstenes sabia que já tinha sido cassado por juízes bem mais severos: o seu eleitorado, que jamais o perdoaria ou perdoará. Quando recuperar seus direitos políticos, José Dirceu vai se apresentar aos petistas e se elegerá deputado. Eles se orgulham das porcarias que seu líder faz. Os eleitores do senador que teve o mandato cassado nesta quarta são, na esmagadora maioria, pessoas honradas. Não reconhecem naquele senhor das gravações o seu representante.

Esse é o aspecto que chamei “emblemático” do caso Demóstenes. É claro que as esquerdas e os petistas procuraram inflar as suas lambanças; é evidente que o fato de ele ser considerado um político conservador, “de direita”, pesou no processo de satanização; é inquestionável que a patrulha ideológica colaborou para fazer do agora ex-senador o inimigo público número um do país. Mas atenção! Nada disso tira o peso daquilo que ele efetivamente fez. Não foram os seus adversários que o impeliram ou o convidaram a se comportar como mero esbirro de um esquema que, tudo indica, frauda licitações, compra o mandato e o voto de políticos, torna irrelevantes os instrumentos de controle do uso do dinheiro público.

E aqui começo a tratar da segunda parte do título deste post, aquela que remete ao STF. Vamos ver.

Não se iludam. Demóstenes Torres não era o único braço de um esquema a atuar no Senado ou, se quiserem, no Parlamento. Seu caso provoca especial constrangimento porque parte das atividades de Cachoeira é clandestina. Há outros que se comportam como despachantes de interesses privados no Legislativo, no Executivo e, infelizmente, também no Judiciário. É certo que o nome do grande esquema, de que o contraventor é mera expressão local, é Delta. Refaço aqui algumas perguntas: quem é, por exemplo, o Cachoeira do Rio? Vale indagar: quem é o despachante de Fernando Cavendish nesse estado? Quem é o Cachoeira do governo federal, o maior cliente da empreiteira? Tudo indica que nem Polícia Federal nem CPI fornecerão essas respostas. Nesse particular aspecto, Demóstenes é um bom bode expiatório: era um político de perfil conservador, defendia em seus discursos valores afinados com a austeridade (que agora são tachados de “falso moralismo”) e perdeu sua base social, uma vez que seus eleitores não moverão uma palha para defendê-lo. E o STF com isso?

No começo de agosto, tem início o julgamento do mensalão — que é criminal, não político, como o do Senado, que avaliou se Demóstenes quebrou ou não o decoro. Seria interessante indagar ao senador Humberto Costa (PT-PE), relator implacável do caso Demóstenes no Conselho de Ética do Senado, que destino ele espera para seus pares petistas no Supremo. Não perderei um dos mindinhos se apostar que ele os considera a todos inocentes, puros como as flores. Aquela que foi a mais grave ameaça institucional aos fundamentos da República — a compra de partidos políticos e de parlamentares, acenando para a tentativa de criar um Congresso paralelo — certamente parecerá coisa de pouca importância ao duríssimo Costa, convicto, a exemplo da esmagadora maioria dos petistas, de que os adversários são sempre criminosos, mesmo quando inocentes, mas que os aliados são sempre inocentes, mesmo quando criminosos.

Reparem, senhoras ministras e senhores ministros do Supremo: Demóstenes Torres foi cassado — e responderá por seus atos também na esfera criminal —, e ninguém sai por aí a alardear uma tramoia política para desestabilizar um ativo parlamentar da oposição. Porque a suposição seria mesmo descabida, e ninguém, entre os antigos admiradores do trabalho do então senador, tem essa cara de pau. Os defensores dos mensaleiros (vejam que até a CUT entrou na defesa deles), no entanto, na política e também na imprensa, não se vexam de afirmar que o julgamento do Supremo representará o confronto entre as forças reformistas — os petistas — e os conservadores. Um articulista como Janio de Freitas, por exemplo, da Folha, escolheu essa vereda.

Não, não! As convicções de Demóstenes — aquelas que ele alardeava ao menos — não foram cassadas; tampouco foram julgadas. Nem faria sentido! Em nove anos e meio de mandato, ele defendeu, reitero, os fundamentos do estado democrático e os direitos individuais. Não caiu por isso. Da mesma sorte, O SUPREMO NÃO VAI JULGAR O DISCURSO OFICIAL DO PT, O SEU PROPALADO AMOR PELA JUSTIÇA SOCIAL E SUAS PREOCUPAÇÕES COM A REDUÇÃO DAS DESIGUALDADES — sempre destacando que há muito de mistificação e picaretagem nessa conversa. Não será, em suma, isto a que chamam “progressismo” que estará em julgamento.

É claro que alguns vigaristas votaram em favor da cassação de Demóstenes também como vingança. Em si, isso não tem grande importância. O que interessa é o fato de a instituição ter deixado claro que certos comportamentos, se descobertos, são inaceitáveis. Temos é de cobrar sempre mais transparência do Poder Público e exigir que as evidências de falcatruas sejam investigadas. Cumpre listar no caderninho da rede mundial de computadores os políticos que estão tentando impedir que a Delta seja investigada. O caso de Raul Filho (PT), prefeito de Palmas, é por demais eloquente. O acordo, conforme revelam as fitas, foi feito com Cachoeira, mas a empreiteira é que foi beneficiada por contratos sem licitação. A cassação de Demóstenes é positiva, ainda que insuficiente. Cumpriu-se um dever, mas, como se vê, e como Palmas evidencia, ainda não se cumpriu a tarefa.

Como instituição, o Senado sai engrandecido desse embate. Em agosto, será a vez de o Supremo dizer que Brasil espera nossos filhos e nossos netos. Vamos saber, em suma, se as instituições que acabaram com a carreira política de Demóstenes Torres seguirão na trilha do bem ou serão expostas à sanha e aos métodos de José Dirceu.

Celso de Mello, Marco Aurélio Mello, Gilmar Mendes, Ayres Britto, Cezar Peluso, Joaquim Barbosa, Ricardo Lewandowski, Carmen Lúcia, Dias Toffoli (???), Luiz Fux e Rosa Weber vão dizer se os crimes dos petistas são crimes ou são virtudes. O Senado que há, se aproximou um pouco mais de um bom Brasil a haver.

O STF vai decidir se o empurra ou não para a lama.

Por Reinaldo Azevedo

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Supremo Retoma o Julgamento das "Cotas Raciais"

O Supremo Tribunal Federal deve retomar hoje o julgamento sobre as cotas raciais nas universidades públicas. Eis mais um tema que desperta paixões e que se abre a todo tipo de feitiçaria interpretativa da Constituição. Não há juízo neste mundo, NÃO À LUZ DA CONSTITUIÇÃO AO MENOS, que consiga dar sentido alternativo ao que vai no caput do Artigo 5º da Constituição, uma cláusula pétrea:

“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade (…)”

Causa finita est. Ou deveria ser ao menos. “Todos” quer dizer “todos” — brancos, mestiços, pretos, amarelos, vermelhos… Se as circunstâncias, em razão de uma gama enorme de fatores, torna desiguais os homens, desiguais eles são na vida social. E a política existe justamente para que se organizem e busquem viver na prática essa igualdade. NÃO SERÁ DESIGUALANDO-OS DIANTE DA LEI E JOGANDO FORA A CONSTITUIÇÃO QUE SE VAI PRODUZIR A IGUALDADE! O resto é o que chamo feitiçaria interpretativa. Em 2008, o ministro Ayres Britto, agora presidente do tribunal, fez uma afirmação de apelo supostamente poético, que seria endossada por qualquer representante de modelos totalitários do século 20, a saber:

“A verdadeira igualdade consiste em tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais”.

Não! Essa é só a verdadeira desigualdade. O jogo de palavras esconde um conceito terrível: alguns homens estão — os considerados, em princípio, “desiguais” — acima ou fora das leis. Repete, assim, na prática, o primado daquela tal Associação Juízes para a Democracia. O que precisa ser melhorado no Brasil é a escola pública. Ainda que fosse verdade — existem a respeito mais mistificações do que dados — que o regime de cotas amplia o número de negros nas universidades, isso não poderia se dar suprimindo direitos de terceiros, tenham que cor tiverem. Há três ações no Supremo. Uma delas destroça o aspecto supostamente virtuoso da frase da Britto. Explico.

O estudante Giovane Pasqualito Fialho, branco, foi reprovado num vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, embora tenha tido nota superior à de alunos que ingressaram pelo regime de cotas. A frase do ministro Britto, que pretende chamar de “desiguais” os negros, sugerindo que a “desigualdade” de tratamento é necessária para torná-los, então, iguais, ignora que uma outra desigualdade perante a lei se produziu: gente como Fialho teve seu direito suprimido. Entender que um negro ou mestiço tem direito especial a uma vaga, mesmo com nota inferior ao candidato em questão, faz de Fialho, que é branco, o responsável por uma desigualdade que não foi produzida nem por ele nem pelo vestibular da UFRGS, certo? Por que Fialho deveria pagar pessoalmente por isso? Porque é branco? Isso é democracia racial, ministro Britto?

Só há uma resposta para isso, a saber: o bem geral que a lei de cotas produziria, infelizmente, faria mesmo algumas injustiças pontuais no meio do caminho. É outro mimo do pensamento totalitário: alguns terão de pagar pela grandeza e pelo triunfo de algumas ideias, ainda que com seus direitos individuais. Não há como respeitar a Constituição e aceitar as cotas raciais ao mesmo tempo.

Lembram-se do casamento gay?
Embora a Constituição seja explícita AO ESPECIFICAR que união civil é aquela celebrada entre homem e mulher — e, salvo engano, homem é homem, e mulher e mulher, pouco importando a destinação que deem àquilo que Britto chamou o “seu regalo” —, o que fez o Supremo (e por unanimidade)? Apelou ao Artigo 5º da Constituição e determinou que o fundamento da igualdade obrigava a reconhecer a união civil também entre homossexuais. E o próprio Britto foi entusiasta dessa tese.

Muito bem! Mesmo contra a letra explícita de um artigo, apela-se ao fundamento geral da igualdade para aceitar a união civil homossexual. Na hora de decidir sobre as cotas, o que é igualdade no artigo 5º deve ser entendido como “tratar desigualdade os desiguais”? Vale para um caso (mesmo contra a literalidade de um artigo), mas não vale para outro? Muito bem: no argumento de Britto, recorre-se ao tratamento desigual diante da lei para tornar, então, nas suas palavras, os negros iguais aos brancos. Ocorre que esse raciocínio tem uma sobra lógica: os brancos preteridos, embora com nota maior, são, então, iguais a quem ou quê? Ainda que todo branco fosse herdeiro dos escravocratas — inclusive os descendentes de imigrantes que vieram se lascar nas lavouras de café ou na nascente indústria brasileira, enfrentando uma vida maldita de privações —, deveriam pagar as, vá lá, faltas de seus ancestrais? Que diabo de conceito jurídico é esse?

Manifesto antirracialista
Em abril de 2008, 113 pessoas enviaram um manifesto aos ministros do Supremo Tribunal Federal. Sou um dos signatários. O título é este: “Cento e treze cidadãos antirracistas contra as leis raciais”. Abaixo, transcrevo alguns trechos. A íntegra está aqui. Que fique claro: não tenho a menor esperança de que se vá fazer a coisa certa. Essa é uma das questões que integram o rol das ações politicamente corretas. Ter a ousadia de debatê-la já arma espíritos. É a “democracia” segundo o entendimento de alguns… Bem, não será assim aqui, como vocês sabem muito bem. Seguem trechos do manifesto.

(…)
Nós, intelectuais da sociedade civil, sindicalistas, empresários e ativistas dos movimentos negros e outros movimentos sociais, dirigimo-nos respeitosamente aos Juízes da corte mais alta, que recebeu do povo constituinte a prerrogativa de guardiã da Constituição, para oferecer argumentos contrários à admissão de cotas raciais na ordem política e jurídica da República.

Na seara do que Vossas Excelências dominam, apontamos a Constituição Federal, no seu Artigo 19, que estabelece: “É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si”. O Artigo 208 dispõe que: “O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um”.

(…)
Apresentadas como maneira de reduzir as desigualdades sociais, as cotas raciais não contribuem para isso, ocultam uma realidade trágica e desviam as atenções dos desafios imensos e das urgências, sociais e educacionais, com os quais se defronta a nação. E, contudo, mesmo no universo menor dos jovens que têm a oportunidade de almejar o ensino superior de qualidade, as cotas raciais não promovem a igualdade, mas apenas acentuam desigualdades prévias ou produzem novas desigualdades:

- As cotas raciais exclusivas, como aplicadas, entre outras, na Universidade de Brasília (UnB), proporcionam a um candidato definido como “negro” a oportunidade de ingresso por menor número de pontos que um candidato definido como “branco”, mesmo se o primeiro provém de família de alta renda e cursou colégios particulares de excelência e o segundo provém de família de baixa renda e cursou escolas públicas arruinadas. No fim, o sistema concede um privilégio para candidatos de classe média arbitrariamente classificados como “negros”.

- As cotas raciais embutidas no interior de cotas para candidatos de escolas públicas, como aplicadas, entre outras, pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), separam os alunos proveniente de famílias com faixas de renda semelhantes em dois grupos “raciais” polares, gerando uma desigualdade “natural” num meio caracterizado pela igualdade social. O seu resultado previsível é oferecer privilégios para candidatos definidos arbitrariamente como “negros” que cursaram escolas públicas de melhor qualidade, em detrimento de seus colegas definidos como “brancos” e de todos os alunos de escolas públicas de pior qualidade.

(…)
Raças humanas não existem. A genética comprovou que as diferenças icônicas das chamadas “raças” humanas são características físicas superficiais, que dependem de parcela ínfima dos 25 mil genes estimados do genoma humano. A cor da pele, uma adaptação evolutiva aos níveis de radiação ultravioleta vigentes em diferentes áreas do mundo, é expressa em menos de 10 genes! Nas palavras do geneticista Sérgio Pena: “O fato assim cientificamente comprovado da inexistência das ‘raças’ deve ser absorvido pela sociedade e incorporado às suas convicções e atitudes morais. Uma postura coerente e desejável seria a construção de uma sociedade desracializada, na qual a singularidade do indivíduo seja valorizada e celebrada. Temos de assimilar a noção de que a única divisão biologicamente coerente da espécie humana é em bilhões de indivíduos, e não em um punhado de ‘raças’.” (”Receita para uma humanidade desracializada”, Ciência Hoje Online, setembro de 2006).

Não foi a existência de raças que gerou o racismo, mas o racismo que fabricou a crença em raças. O “racismo científico” do século XIX acompanhou a expansão imperial europeia na África e na Ásia, erguendo um pilar “científico” de sustentação da ideologia da “missão civilizatória” dos europeus, que foi expressa celebremente como o “fardo do homem branco”.

(…)
A meta nacional deveria ser proporcionar a todos um ensino básico de qualidade e oportunidades verdadeiras de acesso à universidade. Mas há iniciativas a serem adotadas, imediatamente, em favor de jovens de baixa renda de todas as cores que chegam aos umbrais do ensino superior, como a oferta de cursos preparatórios gratuitos e a eliminação das taxas de inscrição nos exames vestibulares das universidades públicas. Na Universidade Estadual Paulista (Unesp), o Programa de Cursinhos Pré-Vestibulares Gratuitos, destinado a alunos egressos de escolas públicas, atendeu em 2007 a 3.714 jovens, dos quais 1.050 foram aprovados em concursos vestibulares, sendo 707 em universidades públicas. Medidas como essa, que não distinguem os indivíduos segundo critérios raciais abomináveis, têm endereço social certo e contribuem efetivamente para a amenização das desigualdades.

(…)
A propaganda cerrada em favor das cotas raciais assegura-nos que os estudantes universitários cotistas exibem desempenho similar ao dos demais. Os dados concernentes ao tema são esparsos, contraditórios e pouco confiáveis. Mas isso é essencialmente irrelevante, pois a crítica informada dos sistemas de cotas nunca afirmou que estudantes cotistas seriam incapazes de acompanhar os cursos superiores ou que sua presença provocaria queda na qualidade das universidades. As cotas raciais não são um distúrbio no ensino superior, mas a face mais visível de uma racialização oficial das relações sociais que ameaça a coesão nacional.

A crença na raça é o artigo de fé do racismo. A fabricação de “raças oficiais” e a distribuição seletiva de privilégios segundo rótulos de raça inocula na circulação sanguínea da sociedade o veneno do racismo, com seu cortejo de rancores e ódios. No Brasil, representaria uma revisão radical de nossa identidade nacional e a renúncia à utopia possível da universalização da cidadania efetiva.

*

Eis alguns dos 113 signatários da carta:
Aguinaldo Silva, Alba Zaluar, Antonio Cícero, Bolivar Lamounier, Caetano Veloso, Demétrio Magnoli, Edmar Lisboa Bacha, Eduardo Giannetti, Eduardo Pizarro Carnelós, Eunice Durham, Ferreira Gullar, Gerald Thomas, Gilberto Velho, João Ubaldo Ribeiro, José Augusto Guilhon Albuquerque, José de Souza Martins, [José Ricardo Weiss], Lourdes Sola, Luciana Villas-Boas, Lya Luft, Maria Sylvia Carvalho Franco, Nelson Motta, Reinaldo Azevedo, Roberto Romano da Silva, Ruth Correa Leite Cardoso, Wanderley Guilherme dos Santos e Yvonne Maggie.

Por Reinaldo Azevedo

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O País em que Queremos Viver

Enquanto não nos empenharmos em cumprir as nossas promessas, dar o exemplo aos nossos filhos, cobrar as explicações necessárias dos nossos governantes, manifestar a nossa insatisfação na imprensa, na internet e nas ruas e passarmos a nos comportar como verdadeiros cidadãos responsáveis pelo país em que queremos viver, podemos ter a certeza de que muito pouco vai mudar – e, mesmo assim, muito lentamente.

Roberto Civita

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Vidas Separadas

Vidas separadas – é o que significa apartheid, regime oficial que perdurou na África do Sul até 1994. Contra ele, Nelson Rolihlahla Mandela se rebelou. Por isso, em 1964, foi condenado à prisão perpétua.

Em 1990, cedendo a pressões internacionais, o Presidente Frederic de Klerk solicitou sua libertação. Durante os vinte e seis anos em que permaneceu preso, Mandela tornou-se o símbolo da antissegregação. Mesmo na prisão, enviou cartas para incentivar a luta, tendo recebido apoio de governos de todo o mundo.

Em 1993, ele e de Klerk dividiram o Prêmio Nobel da Paz. Em 1994, foi eleito o primeiro presidente negro da África do Sul. Governou até 1999, sendo responsável pelo fim do apartheid.

Ele poderia ter conduzido uma caça às bruxas. Poderia ter mandado procurar ossadas, que não são poucas. Poderia, até, ter criado um “bolsa-apartheid”, sustentado pelo diamante extraído em abundância das minas sul-africanas. Teria inúmeras razões e tinha poder para isso. Seu espírito humanista e sua visão de estadista, porém, levaram-no a pensar na nação como um todo e buscar sua reconciliação.

Entre as inúmeras frases de Mandela, uma talvez explique o porquê de sua decisão: “Sonho com o dia em que todas as pessoas levantar-se-ão e compreenderão que foram feitas para viver como irmãs”.

A presença, mesmo que por apenas alguns minutos, de Nelson Mandela no campo do Soccer City foi um dos momentos mais emocionantes da Copa do Mundo recentemente encerrada. Quando ele sorriu seu sorriso de paz e acenou do alto dos seus 92 anos de idade, recebeu a ovação de carinho e respeito da multidão.

As milhares de pessoas de todo o mundo que estavam lá, provavelmente, tinham na mente outra de suas frases famosas: “A luta é minha vida. Continuarei a lutar pela liberdade até o fim dos meus dias”. Então, que ele demore a chegar!

por Hamilton Bonat

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Contra a Ruptura do Estado de Direito

O grupo "Por Um Brasil Melhor" encabeça petição a ser apresentada ao TSE. A organizadora Cristina Rocha Azevedo responde ao Mídia@Mais sobre o que é a petição "Em defesa do Estado de Direito no Brasil".

Qual o motivo da petição a ser entregue ao TSE?
A idéia da petição surgiu em decorrência dos inúmeros abusos que temos assistido nesta campanha eleitoral, por vezes verdadeiros atentados à Constituição Brasileira, que estão sendo tratados com extrema benevolência e tolerância pelos agentes que deveriam zelar pelo cumprimento das leis. Creio que isto se deva a alta popularidade de Lula e de seu governo, porém nada disso concede licença para passar por cima do Estado de Direito.

Reza o estado de Direito, que é principio basilar da Democracia, que "nenhum indivíduo, presidente ou cidadão comum, está acima da lei. Os governos democráticos exercem a autoridade por meio da lei e estão eles próprios sujeitos aos constrangimentos impostos pela lei." e ainda: "as leis devem expressar a vontade do povo, não os caprichos de reis, ditadores, militares, líderes religiosos ou partidos políticos auto-nomeados. No Estado de Direito, um sistema de tribunais fortes e independentes deve ter o poder e a autoridade, os recursos e o prestígio para responsabilizar membros do governo e altos funcionários perante as leis e os regulamentos da nação."

Tolerar transgressões ou a omissão dos agentes fiscalizadores diante destes princípios é o caminho para o totalitarismo, a morte da democracia.

Quantas assinaturas virtuais são necessárias e qual o prazo pretendido para entregá-la?
Não existe um número obrigatório para a aceitação de uma petição. Esperamos, porém, alcançarmos as 10 mil assinaturas, ainda antes de 10 de setembro, quando encaminharemos a primeira leva delas ao TSE. A coleta se assinaturas prosseguirá, e as que forem feitas depois, serão anexadas posteriormente. Este é um movimento que não se liga a esta ou àquela eleição ou processo político.

Há alguma instituição apoiando a petição?
Não temos apoio de nenhuma instituição. A idéia surgiu entre amigos do grupo, gente que escreve a jornais, discute política entre si, e tenta exercer sua cidadania de forma ativa e participativa. Resolvemos fazer e fizemos, "na cara e na coragem".

Nesses tempos de invasão de sigilo, é seguro o uso do RG pelo signatário?
Sobre o uso do RG para identificação, não vimos qualquer risco. Só o RG, não possibilita a fraude em sites de compras, nem nada parecido. Porém, como se trata de uma petição a ser encaminhada a um órgão público, é necessário que tenhamos o número de documento dos signatários. Muitos temem represálias, temem ser perseguidos, ou algo assim, se se identificarem com o RG. O que é mais um bom motivo para assinar! Pois, se chegarmos a ponto de temermos assinar um documento pedindo a aplicação das leis do nosso país, com medo de perseguição, é porque algo estaria realmente muito mal com nossa democracia, não é? Quantos mais assinarem e se identificarem, melhor. Não há o que temer. Ou melhor: não devemos temer, não podemos temer.

Gostaria de comentar algo mais sobre a iniciativa?
Esperamos que as pessoas que ainda têm a indignação viva dentro delas, que ainda têm a capacidade de discernir o certo e o errado, nos apóiem. Gente comum, como nós, cidadãos sem atuação partidária ou política nenhuma, e que simplesmente sabem o valor de uma democracia sólida, porque já viveram sem ela ; as pessoas que têm senso de ética, de honestidade, de moral, que têm princípios e que, afinal, querem que o seu país seja seguro, bom e justo. Aqueles que sonharam e sonham com um Brasil em que a lei valha para "Chico e Francisco", da mesma maneira, onde saibamos que "pão é pão e queijo é queijo", e que isso não vai depender da "cara do freguês".

Não é possível construirmos nada em meio a tanta ilegalidade consentida, ao cinismo, a hipocrisia, as chicanas jurídicas, a enganação. Nenhum país se torna moderno e desenvolvido em um ambiente assim. É impossível.

Por fim, esperamos que, entregue a petição ao TSE, os juízes que, afinal de contas, têm a missão constitucional de fazer aplicar as leis, de zelar por elas, ajam. Ajam com firmeza, com rigor e com sabedoria. Que eles se lembrem que os governos, todos eles, passam. O país, continua. Que cumpram o seu papel, a missão para que foram designados.

Assine a petição clicando aqui.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Agora, Só Pagando!

Antônio Carlos Atella Ferreira, o sujeito que foi ao posto da Receita em Santo André com uma procuração falsa de Verônica Serra e que obteve lá documentos sigilosos que depois alimentaram a canalha dos dossiês, deu há pouco uma entrevista à CBN.

Bem, ele é quem é, como viram. E agora afirmou que quer se dar bem. Em entrevista à Folha, havia afirmado não se lembrar quem lhe fez a encomenda criminosa porque tem muitas agendas; afinal, diz, é um homem bem-sucedido.

Há pouco, na rádio, disse que pretende arrumar a vida com essa história. Se quiserem nomes, vão ter de pagar muito bem. Sim! É isso mesmo que vocês leram. O cinismo não parou por aí. Falou à repórter que ela deveria se sentir “agraciada” porque aquela seria sua última entrevista gratuita.

Há um indício aí de que ele está recebendo ajuda “profissional”. A verdade interessa a que lado? À vítima — no caso, Verônica Serra. Os que faziam dossiês ilegais — os petistas da campanha de Dilma — preferem o imbróglio. Ora, o que quer que diga agora, por vontade própria, para elucidar o caso pode ser considerado parte de um negócio. Numa democracia normal, apostaríamos no trabalho da Polícia Federal.

Por que um sujeito afronta com essa desfaçatez a lei — na verdade, a Constituição — e ainda faz chantagem à luz do dia? Certeza da impunidade! Digam-me:

- ele é diferente de Otacílio, o Cartaxo do PT, secretário da Receita?;

- ele é diferente da Corregedoria da Receita, que sabia, prova-o o Estadão, que tudo indicava um crime e, ainda assim, participou da pantomima com Cartaxo?;

- ele é diferente da candidata Dilma Rousseff, para quem tudo isso não passa de factóide?;

- ele é diferente dos dirigentes todos do PT, que dizem, cinicamente, ser este um “problema de Serra”?;

- ele é diferente de Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República, para quem tudo se resume ao crime de “falsidade ideológica”?;

- ele é diferente da cúpula do Ministério Público Federal, que assiste a um crime contra a Constituição e a cidadania e, mesmo tendo a prerrogativa de agir, se cala?;

- ele é diferente de alguns “colunistas” que, curiosamente, resolveram voltar suas baterias contra o PSDB; para os quais nada existe além de pesquisas de opinião, num esforço desesperado de guardar seu lugarzinho no coração daquele que já consideram o “futuro governo”?

Não! Ele é igual a toda essa gente. Tornou-se uma personagem desse tempo.

Por Reinaldo Azevedo

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

DILMA x SERRA

Eu tenho um punhado de razões para não confiar em José Serra e mesmo não gostar de seu estilo autoritário. Nem do seu socialismo, que impiedosamente elevou impostos em São Paulo e impôs decisões perfectibilistas e autoritárias sobre os costumes da população em banalidades, como o hábito de fumar. Nem de seu projeto de poder, que faz do Estado um monstro que quer servir de instrumento de distribuição de renda, sacrificando a ética da propriedade privada e da meritocracia, instituindo o roubo institucional. Minha própria visão de Estado é aquela que vigorou na Era Vitoriana e bem sei que ela foi soterrada pelo aterrorizante século XX, tempo em que o Estado liberal foi assassinado pelos socialistas de todos os matizes.

Nem por isso vou gostar da alternativa posta para a continuidade lulista de Dilma Rousseff. O projeto de poder do PT é muito mais atroz, muito mais monomaníaco, tem propósitos claramente totalitários. Cada um dos defeitos e maus propósitos de José Serra e seu PSDB são multiplicados e piorados pelo projeto político do PT a níveis inimagináveis, aparentado que é com o projeto de Lênin. O PT lidera o consórcio entre as forças revolucionárias que restaram dos anos sessenta, do sindicalismo mais mafioso formado nos anos oitenta e dos interesses da plutocracia rentista inescrupulosa. Não ao acaso abundam recursos na campanha da Dilma Rousseff e mínguam na de José Serra. Dilma é a candidata dos muito ricos.

Então não podemos confundir ambas as candidaturas na sua capacidade malfazeja para a liberdade e o respeito aos direitos individuais. Sem qualquer sombra de dúvida o projeto do PT é malicioso e pernicioso sob todos os aspectos, com o agravante de que o PT não deseja e tentará impedir por todos os meios a alternância de poder. Não querem mais largar a rapadura. O PT, se puder, imporá uma ditadura.

Tenho a convicção de que o projeto totalitário do PT chegará ao apogeu com Dilma Rousseff. A fase de acumulação de força terá sido superada e o PT, com a grande bancada que, parece, fará, terá o seu comando no futuro Congresso Nacional, poderá realizar todas as modificações que inventar, inclusive aquelas de natureza constitucional. Os democratas do Brasil correm perigo, as liberdades correm perigo. Eu sinto que caminhamos para um período tenebroso da nossa vida política com a possível vitória da candidata da situação.

Uma quase impossível vitória de José Serra daria continuidade ao que está posto, mas sem o anseio totalitário do PT. Por isso é um erro absoluto achar que é indiferente se um ou outro ganhar, por mais que alguns aspectos formais do seu socialismo se aproximem, bem como a união da origem comum de muitas de suas lideranças. A ala patrimonialista que apóia Dilma, aquela do PMDB de Sarney, Collor e Renan Calheiros, não teria nenhum problema moral de aderir a Serra, mesmo antes da posse. Serra mudaria integralmente a política exterior e cortaria qualquer cooperação com forças políticas revolucionárias ativas, como as FARC. E reaproximaria o Brasil dos EUA. Veja-se que são matérias substantivas as que separam ambas as candidaturas.

por Nivaldo Cordeiro

Democracia Pela Metade

Esqueçam a saúde. Ou a educação. Ou a segurança. Ou a situação calamitosa das estradas. O maior problema do Brasil é a inexistência de uma alternativa política aberta e claramente de direita.

Basta ligar a televisão por esses dias para constatar essa realidade. Nada mais monótono do que eleições no Brasil. E não me refiro somente ao show de horrores e desfile de bizarrices chamado enganosamente de "horário eleitoral gratuito". É que as eleições por aqui já viraram um concurso de esquerdismo, em que cada candidato se esforça por parecer mais antiliberal, mais anticapitalista do que o outro. No Brasil, "direita" é insulto pessoal, e não categoria política. Não surpreende, pois, que o debate político - se é que se pode chamar assim - seja tão raso, tão superficial. Os candidatos passam ao largo de qualquer questão substancial e ficam discutindo quem vai fazer mais operações de varizes e de próstata. É um deserto de idéias, feito de marketing e de bom-mocismo, ou de porralouquice.

A idéia de democracia vigente no Brasil de hoje é uma assembléia de esquerdistas acusando uns aos outros de serem de direita. Que o diga José Serra. Faz uns dias, ao responder alguma barbaridade dita por Lula, o candidato do PSDB à Presidência da República afirmou que quem apóia ditaduras como a de Mahmoud Ahmadinejad no Irã é um "troglodita de direita". OK, Serra. Troglodita é mesmo como deve ser chamado quem apóia regimes em que mulheres são apedrejadas por adultério. Mas por que o "de direita"? Desde quando ser a favor de ditaduras é privilégio da direita? Basta comparar os ídolos da esquerda - Stálin, Mao, Fidel Castro, Che Guevara - com as figuras exponenciais da direita liberal no século XX - Winston Churchill, Ronald Reagan, Margaret Thatcher. Digam-me quem, nessas duas listas, é troglodita e quem é democrata. Aproveitem e me digam que país que se preza não tem um partido forte de direita.

Ah, é de ditadores militares que se está falando, como Franco, Médici ou Pinochet? OK, não há dúvida de que eram tiranos homicidas. Mas quem disse que a direita é sinônimo de regime militar (ou, ainda pior, "fascista")? Tão vítimas dessas ditaduras quanto os esquerdistas, e até mais do que estes, foram muitos liberais e conservadores. Estes, ao contrário daqueles, tiveram um papel muito mais importante na restauração das liberdades democráticas. Não me consta que Tancredo Neves e Ulysses Guimarães fossem esquerdistas. Sem falar no fato irrefutável de que tais ditaduras, por mais horrores que tenham cometido, não chegaram aos pés, em termos de brutalidade e número de vítimas, do mais brando regime comunista.

Essa é a grande tragédia da política brasileira: não há um partido de direita. Há partidos de esquerda, de centro-esquerda, até de extrema-esquerda (geralmente, nanicos que entram nas eleições apenas para denunciar a "democracia burguesa" e fazer proselitismo em favor da revolução). Há partidos para quase todos os gostos, inclusive os inevitáveis picaretas, para os quais as ideologias valem tanto quanto uma nota de 3 reais (há um Partido Liberal, mas que está na base de apoio do governo...). Há de tudo, só não há direita. Onde está uma agremiação política que defenda e pratique, efetivamente, o ideário liberal e conservador, advogando claramente as teses de Hayek e de Milton Friedman? Esta não existe, nem como partido nanico. E não me venham dizer que o DEM, que está até mesmo cogitando fundir-se ao PSDB, é de direita. Em lugar nenhum do mundo um partido que ostenta a expressão "social-democracia" no nome é considerado de direita. Só no Brasil.

Antes que digam: não, não estou dizendo isso porque eu sou um, como diriam Lula e Serra, troglodita de direita. Digo porque a ausência de um partido de direita nas eleições é um fator que explica o baixo nível das campanhas eleitorais. O Brasil deve ser o único país em que nas eleições se discute tudo, menos política. Tentei acompanhar o debate presidencial na Band, há alguns dias. Serra e Dilma ficaram o tempo todo discutindo números e maltratando a língua portuguesa. Marina Silva posou de Marina Silva, um personagem criado por ONGs. A nota dissonante veio de um nanico de ultra-esquerda, que passou o tempo todo acusando os demais de não serem esquerdistas o suficiente. Mudei de canal.

Se você ainda não está convencido da gravidade da coisa, e acha que isto é só muxoxo de um "reaça" inconformado, então preste atenção para esse fato: nem na época da ditadura militar havia uma situação parecida. Durante o regime de 64, havia censura, ou seja, a imprensa não poderia publicar certas notícias e assuntos que desagradavam aos governantes de plantão, mas havia a possibilidade de um pensamento político discordante. Havia uma oposição legal, o MDB - tolhida, intimidada, mas havia. Hoje, a oposição se esforça para parecer o menos oposicionista possível. Evita bater nos petistas e em Lula, pois afinal este é popular. O general Médici também era muito popular.

Diante disso, a frase de Lula - "Que bom que não teremos trogloditas de direita nas eleições" - adquire um ar de ainda maior boçalidade. Ela pode ser lida como um elogio ao pensamento único, o contrário da diversidade política. Pelo menos mentalmente, já vivemos uma ditadura ideológica de esquerda. E isso é louvado pelo supremo mandatário da nação! E o pior: ele é aplaudido!

Já escrevi antes e repito: não é normal uma eleição sem um candidato de direita. Não é normal, nem desejável. É um sinal de uniformização ideológica, de ausência de pluralidade. É desse material que se constroem os regimes totalitários.

Uma democracia sem direita é uma democracia pela metade. Isso equivale a uma ditadura pela metade. É algo tão falso quanto uma democracia que não tivesse partidos de esquerda. Não se trata sequer de pedir votos para candidatos que ostentem posições liberais ou conservadoras. Trata-se tão-somente de garantir o fundamento mesmo da democracia: a pluralidade.

Já tivemos o troglodismo fardado. Agora temos o troglodismo de esquerda. Essa é a ideologia oficial do Brasil.

por Gustavo Bezerra

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Discursos de Serra e Dilma Dizem o Que é Cada Um

Segue abaixo trechos dos discursos que Serra e Dilma fizeram para se despedir de suas funções e oficialmente - digo oficialmente porque sabemos que Dilma, o encosto lulático, vem fazendo campanha ilegal há algum tempo - tornarem-se candidatos.

E o que se pode constatar em cada discurso? O discurso de Serra é o de alguém autônomo, que deve a sua candidatura à sua própria biografia; já o de Dilma, por sua vez, é o de uma subordinada, um mero fantoche de Lulovski Apedeutovich, citando-o 57 vezes durante a fala e chamando-o de "senhor" 28 vezes.

E esse é justamente o grande trunfo de Dilma: ser um boneco de ventríloquo de Lula. Sua não existência como "grande gestora", como quer o presiMente, é sua maior qualidade. Afinal, Lula já disse que não sairá da vida pública - terá que "governar" no lugar de sua autômata.

Vê-se todos os dias, em todos os veículos de comunicação, que a maior força da candidatura petista é a promessa de continuidade: o terceiro mandato de Lula, apostanto na brutal transferência de votos que o apedeuta teria, qualquer que fosse o candidato.

Em seu discurso, diferentemente do fantoche lulático, Serra falou e portou-se como um verdadeiro líder. E ainda lembrou o antigo lema de São Paulo, que ainda permanece no brasão da capital: "NON DUCOR, DUCO" ("Não sou conduzido, conduzo"). Dilma, com seus 28 "senhor", mostra exatamente o contrário: "NON DUCO, DUCOR" ("Não conduzo, sou conduzida").

E eis os discursos...

Abaixo, trechos do discurso com que Dilma se despediu da Casa Civil para disputar a presidência da República por uma coligação encabeçada pelo PT.

Queria dizer para vocês que eu fiz um imenso esforço para falar de improviso, mas se eu falar de improviso, presidente, vai acontecer uma coisa, ou duas coisas: uma parte eu vou esquecer. E a outra parte eu vou chorar muito. Então, vou seguir um roteiro, pode ser que continue esquecendo e chorando, mas pelo menos eu tenho roteiro aonde eu vou me segurar.

(...)
O governo do senhor é um momento muito importante porque é um momento de ápice, um momento de vitória, talvez o mais longo momento de vitória que todos esses que lutaram experimentaram ao longo de suas vidas. Sim, presidente, com o senhor nós vencemos. E vamos vencendo a cada dia. Vencemos a miséria, a pobreza, ou parte da miséria e da grande pobreza desse país. Vencemos a submissão, vencemos a estagnação, vencemos o pessimismo, vencemos o conformismo e vencemos a indignidade. Talvez nós tenhamos vencido, inclusive, esse pesado resquício da escravidão que esse país carrega, ou que carregou tão forte. E aí o ministro da Integração Racial, ele sabe do que eu estou falando, porque nesse processo nós continuamos vencendo mais de 400 anos de peso e de exclusão que pesa e que oprime o nosso país. Vencendo, sim, porque esse país aprendeu que a melhor forma de crescer é distribuir. Que a melhor forma de desenvolver é fazer com que todos participem dos fruto do desenvolvimento.

(...)
Vencemos, presidente, e nesse processo aprendemos muita coisa com o senhor, com esse encontro que o senhor, o mais autêntico dos líderes populares desse país, propiciou que nós tivéssemos com o povo brasileiro. E o povo brasileiro, ele sempre nos ensina a ser forte, mas no governo nós aprendemos também a ser persistentes. Com a alegria do nosso povo, nós aprendemos muito. Com o senhor, nós aprendemos que temos que ser otimistas. Nós aprendemos também com o nosso povo que nós temos que ter resistência, e com o senhor nós aprendemos que temos que ser corajosos.

(...)
Também, presidente, nós que amamos o nosso planeta, que temos consciência da importância do Brasil na questão da mudança do clima, estamos orgulhosos por termos reduzido a emissão de gases de efeito estufa no Brasil nos últimos períodos. Aliás, na Amazônia, o desmatamento foi reduzido como nunca depois que se começa a fazer a medição nos últimos 22 anos. A presença do Brasil em Copenhague nos orgulha a todos. Mas presidente, nós aprendemos uma coisa com o senhor que, por trás de cada obra, edifício, de cada projeto de infraestrutura, de cada uma das nossas ações, estavam pessoas, suas vidas privadas e seus dramas.

(...)
Se o presidente convive com líderes mundiais, discute problemas complexos da crise econômica, a questão relativa à crise financeira do mundo, os problemas da crise financeira do mundo, se discute toda a questão de infraestrutura do nosso país, o problema do desenvolvimento produtivo, ele nunca abandonou esses desvalidos, os catadores de papel. Os hansenianos, os portadores de deficiências, a importância que o senhor deu aos cegos e aos seus cães guias, não só em termos de recebê-los aqui no Palácio, aliás, ali em frente no Palácio, mas também todas as ações de afirmação, cidadania e dignidade que o governo sempre reconheceu a eles. Por isso, presidente, eu repito: o povo brasileiro nos ensinou a acreditar no futuro. Mas, com o senhor, nós juntos, aprendemos a construí-lo.

(...)
Nós nos despedimos, mas não somos aqueles que estão dizendo adeus, somos aqueles que estamos dizendo até breve. Nós não vamos nos dispersar. Nós, cada um dos ministros aqui presentes, temos um legado a defender, onde quer que estejamos, exercendo a militância que tivermos que exercer. Sob a sua inspiração, presidente, quem fez tanto está pronto para fazer muito mais e melhor. Estamos simplesmente dizendo até breve. Hoje sabemos que o Brasil é um país pronto para dar um novo passo de prosperidade ao desenvolvimento econômico e social, trilhando rotas já abertas, explorando novas riquezas, como o pré-sal. Sempre buscando gerar milhões de novos empregos.

(...)
No seu governo criamos uma base sólida. Com ela, nós podemos erradicar a miséria e nos tornar a quinta economia do mundo dentro de alguns anos. É mais do que a minha geração podia sonhar. Não que a minha geração não sonhasse alto, mas é mais do que ela podia sonhar olhando para as possibilidades reais sob as quais nós vivemos. Mais uma vez eu repito, presidente, o senhor nos deu, pela primeira vez, aquele gosto de vitória que se tem só depois não da vitória fácil, mas da vitória que só se tem depois de muito suor, muito esforço e muita dificuldade. É a crença também no diálogo que nós aprendemos. O senhor sempre dialoga, é a crença no acordo, é a crença na democracia Como o senhor sempre disse, e sempre eu gostei muito dessa síntese que o senhor faz: que a democracia não é a consolidação do silêncio, mas a manifestação de múltiplas vozes. É por tudo isso que nós podemos dizer em alto e bom: nós nos orgulhamos de ter participado do seu governo. Eu falo por todos os ministros, os que saem e os que estão entrando e os que estão ficando.

(...)
Querido presidente, o senhor também é uma pessoa alegre, afetiva, com senso de humor, que mostra que acima de tudo a gente pode enfrentar os revezes, as dificuldades. Na hora que a coisa endurece, como diz os jovens, o bicho pega, nós temos que ter coragem e alegria de enfrentar a vida, a política e achar sempre as soluções. Eu tive o privilégio de conviver com o senhor, de privar dos momentos duros e dos momentos de vitórias e conquistas. Ser honrada por sua confiança. E quero dizer que eu, como os outros ministros, saímos maiores e melhores do que entramos.

(...)
Para finalizar, presidente, eu gostaria de agradecer também a todos aqueles que nos ajudaram a realizar essa travessia e que eu vejo aqui presentes. A base aliada, os movimentos sociais, os empresários, os trabalhadores que acreditaram que era possível construir o novo Brasil. Em meu nome, e em nome de todos os ministros que participaram e participam desse processo, só tenho a dizer: obrigado, presidente Lula, pela oportunidade de nos fazer parceiros do maior projeto de transformação econômica e social que esse país viu nas últimas décadas. Obrigado também por permitir esse encontro com o povo brasileiro, que fez o Brasil mais próximo do seu povo, por provar aquilo que sempre acreditamos, que o nosso povo é um povo extraordinário, que só precisava de apoio, oportunidade e atenção para mostrar do que é capaz, para mostrar a sua capacidade, a sua inventividade, a sua criatividade, o seu empreendedorismo. Este é o principal sentimento que nós levamos conosco, o de ter lutado ao lado de um grande líder, em favor de um grande povo. Obrigada, presidente.

Abaixo, trechos do discurso do governador José Serra ao anunciar que deixa o governo de São Paulo para ser candidato à Presidência da República por uma coligação encabeçada pelo PSDB.

Eu venho de longe. E se tive, ao longo da vida, uma obsessão, sou considerado um grande obsessivo. Mas a minha maior obsessão sempre foi servir aos interesses gerais do Estado de São Paulo e do meu país, o Brasil.

(...)
Eu estou convencido que o governo, como as pessoas, tem que ter honra. E assim falo não apenas porque aqui não se cultiva escândalos, malfeitos, roubalheira, mas também porque nunca incentivamos o silêncio da cumplicidade e da conivência com o mal feito.Agora, nós fizemos um governo honrado também porque não fraudamos a vontade popular. Nós honramos os votos dos paulistas, seu espírito empreendedor. Este povo que é amante da justiça, que tem disposição de enfrentar desafios e de vencê-los com trabalho sério e consequente. Os paulistas, hoje, são gente de todo o Brasil. Aqui estão todos os brasileiros trabalhando pela riqueza de São Paulo e do nosso país.

(...)
Nós repudiamos sempre a espetacularização, a busca da notícia fácil, o protagonismo sem substância que alimenta mitologias. Este governo sabe que não tem nenhuma contradição entre minorar as dificuldades dos que mais sofrem e planejar o futuro.Muitos, ao longo da vida, ao longo da minha vida pública, me aconselharam, digamos assim, a ser mais atirado, a buscar mais os holofotes, a ser notícia. Dizem alguns que o estilo é o homem. E o meu estilo, se me permite, é este. Eu procuro ser sério, mas não sou sisudo. Quem me conhece sabe disso. Realista, mas não sou pessimista. Calmo, mas, não omisso. Otimista, mas não leviano. Monitor, não centralizador. Aqui está todo o meu secretariado para dar o testemunho de que eu não sou centralizador.

(...)
Mas eu acho também que o governo, como as pessoas, tem que ter alma, minha gente. Aquela força imaterial que os impulsiona e diz a forma, alma. A nossa alma, a alma deste governo que inspira todas as nossas ações, essa vontade de melhorar a vida das pessoas que querem uma chance, que dependem de um trabalho honesto para viver, que estão desamparadas, é essa vontade de criar condições para que todos possam se realizar na plenitude das suas possibilidades, que tenham oportunidade de estudar, de ter acesso à cultura, de trabalhar com saúde física e espiritual. Essa é a vontade, esta é a nossa alma, é a alma do nosso governo.

(...)
Os governos, como as pessoas, têm de ser solidários e prestar atenção às grandes questões que dizem respeito ao futuro do país e do mundo. Mas também adotar as medidas que respondem aos problemas aparentemente pequenos das pessoas. Para elas, como eu disse sempre, aqueles pequenos problemas são sempre muito grandes. Olha, um dos momentos mais emocionantes do meu governo foi quando eu visitei um projeto habitacional que nós criamos, as Vilas Dignidade. Moradias decentes para idosos abandonados tomarem conta da suas vidas com assistência das prefeituras locais.Lembro me também, e este foi insuperável, das plataformas nas praias, das cadeiras especiais que permitem às pessoas com deficiência tomar um banho de mar. Até isso nós fizemos. Vão dizer: É uma coisa pequena… Pois, para essas pessoas, é uma coisa imensa! Quem dera a vida fosse para todos nós o primeiro banho de mar.Governos, como as pessoas, têm que ter compromisso com a responsabilidade e com a felicidade. Este é o fio condutor da nossa ação. Sabem qual foi o outro grande momento do nosso governo?

(...)
E os professores e servidores estão ganhando mais, ganharão mais e progredirão na carreira, segundo o seu próprio esforço e o seu desempenho. Nós demos prioridade à melhoria da qualidade do ensino, que exige reforçar o aprendizado na sala de aula. Sala de aula esta onde eu estive presente, sempre, na Prefeitura e no Estado dando aula para a quarta série do ensino fundamental. Cada vez numa escola. Foi lá que, fora a teoria, a leitura e as observações, eu me convenci de que o problema número um do ensino é o aprendizado na sala de aula: prédios, merenda, transporte escolar, uniformes, material escolar. Tudo isso é muito importante, mas nada substitui a qualidade da sala de aula. Isso eu aprendi dando aula para a garotada. Inclusive os materiais de estudo e os guias para professores que nós preparamos vieram desta minha observação direta. Porque os alunos não tinham por onde estudar e os professores não tinham um guia que pudesse orientá los. Este fez parte do grande Programa Ler e Escrever, da Maria Helena Guimarães de Castro e tão bem consolidado e ampliado pelo Paulo Renato.

(...)
Eu acredito que a essência do Governo… Qual é a essência do Governo? É garantir a vida. É garantir os bens. Garantir a liberdade. Estes são direitos fundamentais do cidadão e da cidadã nos marcos do Estado de Direito. Agora, o direito à vida envolve muitas coisas, várias dimensões. Uma delas é a da preservação e a promoção da segurança pública. Nesta dimensão eu quero reafirmar que São Paulo inverteu, desde o final da década passada, dos anos 90, o aumento da criminalidade que é uma tendência nacional. Em dez anos, a redução da taxa de homicídios foi de 63%. Ou, segundo outros cálculos, até mais do que isso. Nos últimos três, foi de 27% o declínio. O esforço financeiro que nós fizemos nessa área tem sido enorme. O orçamento da Secretaria da Segurança Pública aumentou em mais de 40% do começo do nosso governo para cá.

(...)
Orgulho-me também da relação de respeito, cooperação e diálogo com o Tribunal de Justiça, com o Ministério Público de São Paulo e com o nosso Tribunal de Contas. Devo dizer, inclusive, que esta relação envolveu a substancial e possível expansão de obras e recursos orçamentários visando a modernização das suas práticas e serviços, tão essenciais à vida das pessoas e à nossa democracia. Mas quero, acima de tudo, hoje aqui dizer obrigado São Paulo. Pela chance que me foi dada… De governar um Estado como esse… Obrigado aos brasileiros que aqui nasceram ou que aqui residem por terem me dado a chance de tornar melhor a vida de milhões de pessoas. E de ter me tornado, por isso, eu acredito, um homem melhor do que eu era. Eu aprendi muito nesses 39 meses.

(...)
Porque eu sempre apreciei o valor da humildade intelectual. Humildade que foi muito bem sugerida por Guimarães Rosa. Nosso grande escritor mineiro disse: “Mestre não é quem ensina, mestre é quem, de repente, aprende”. Eu exerci o poder neste Estado sem discriminar ninguém. Os prefeitos sabem que sempre encontraram neste governador um interlocutor cujo norte era a defesa de políticas de Estado, independentemente da coloração partidária. No meu governo, nunca se olhou a cor da camisa partidária de prefeitos ou de parlamentares. Nunca. A cor da camisa do time de futebol até que se olhou, mas sem conseqüências, como demonstra o fato de que nesse secretariado há apenas dois palmeirenses. Dois. Três. Mas, voltando, nossos parlamentares, nossos opositores sabem desta nossa postura. Nossos administradores municipais não deixaram de testemunhar nossa atitude voltada a servir o interesse público. No Governo, a gente serve ao interesse público, nosso às máquinas partidárias, não à máquina do partido. Nós governamos para o povo e não para partidos.

(...)
Na minha vida pública, eu já fui Governo e já fui oposição. Quando nós criamos o PSDB, éramos oposição por todos os lados. Mas, de um lado ou do outro, nunca me dei à frivolidade das bravatas. Nunca investi no “quanto pior melhor”. Os meus colegas de partido sabem disso. Nunca exerci a política do ódio. Sempre desejei o êxito administrativo dos adversários quando no poder, pois isso significa querer o bem dos cidadãos, dos indivíduos. Uma postura que nunca me impediu de apresentar sugestões, até aos adversários quando no poder, e estimular que os nossos aliados fizessem, nos fóruns adequados, o embate político e o exercício democrático das diferenças.Estes mesmos adversários, além dos aliados, podem atestar, jamais incentivei o confronto gratuito. Jamais mobilizei falanges de ódio. Jamais dei meu apoio a uma proposta, a uma ação política, porque elas seriam prejudiciais aos meus oponentes. Não sou assim. Não ajo assim. Não entendo assim o debate político.E nisso não vou mudar. Ainda que venha ser alvo dessas mesmas falanges. Ao eventual ódio, eu reajo com serenidade de quem tem São Paulo e o Brasil no coração.

(...)
E que ninguém confunda esse amor com fraqueza. Que ninguém confunda esse amor com fraqueza. Ao contrário, esse amor é a base da minha firmeza, é a base da minha luta, ele orienta as minhas convicções. Outro dia me perguntaram se eu estaria triste de deixar este Governo e esta equipe também. Como é que eu poderia não estar triste? Gostaria até de prorrogar uns dias mais, mas estão aí os tribunais eleitorais devidamente rigorosos. Mas, dessa maneira eu não poderia deixar de estar triste pela saída. Mas, olhem, considerando o que a gente tem pela frente, considerando a tranquilidade que eu tenho na condução do Governo de São Paulo pelo(Alberto) Goldman e a nossa equipe, considerando os desafios que vamos encontrar, aí eu também me sinto alegre. Quando olho para trás e vejo que foi minha vida até agora repleta de muitas incertezas, riscos, desafios, meu espírito, francamente, se fortalece.

(...)
Até 1932, nosso Estado, em seu brasão, ostentava aquela frase em latim “não sou conduzido, conduz”. Esse era o lema de São Paulo, até a Revolução Constitucionalista de 32. Mas, desde então, a divisa mudou. A divisa passou a ser: “Pelo Brasil, façam-se as grandes coisas”. É o papel, é o destino de São Paulo, construído por brasileiros de todas as partes do Brasil. E esta é também a nossa missão. Vamos juntos, o Brasil pode mais!

quarta-feira, 17 de março de 2010

Caia Fora, Vannuchi!

Paulo Vannuchi, ministro dos Direitos Humanos, havia assegurado que se demitiria sumariamente se o governo alterasse uma linha do “Programa Nacional-Socialista dos Direitos Humanos”. Não vai mudar uma, mas muitas.

Bem, gente, vamos dar todo apoio a Vannuchi: ele realmente não pode aceitar uma ofensa dessas, não é mesmo? Tem de se demitir imediatamente!

Afinal, que direito humano poderá cobrar quem não tem nem palavra?

Ministro, o senhor tem todo o meu apoio para cair fora! Em nome da honra!

sexta-feira, 12 de março de 2010

Um Presente para Kelly, a Comentarista Socialista

A imagem ao lado é um presente para a Kelly, que, num comentário, afirmou que "não há liberdade quando o ser humano em nome do capital não consegue compreender a dependência que tem em relação à natureza e polui o próprio meio em que vive ".


Kelly, querida, esta imagem é recente. É uma usina na periferia de Moscou, herança da implementação do socialismo na extinta URSS. Como eu disse num post anterior, Kelly, só podemos comparar a realidade com a realidade.


Pelo visto, os socialistas russos também não compreendiam a dependência que tinham em relação à natureza, não é mesmo? Mesmo tendo a "liberdade", pois não eram seres humanos que agiam em nome do capital, mas da, como é mesmo?, ah!, sim, "coletividade".


É realmente difícil, né, Kelly? A gente fica sonhando acordado, flertando com o paraíso na terra que os socialistas prometem e, depois, vem essa gentinha vil e egoísta e deturpa a, se eu lembro bem como você disse, "experiência verdadeiramente socialista". É mesmo um acinte, né?


Mas, se lhe serve de consolo, Kelly, há dois lugares onde você poderá viver essa "experiência realmente socialista" que parece tanto desejar: no sonhos e no pensamento. E sabe por que? Porque somos humanos, diferentes, competidores por natureza, desejosos de uma série de coisas - e muitas delas, até desnecessárias, eu diria. Mas é assim que somos. Não cupins, formigas ou abelhas. Somos leões, jaguares, tartarugas, golfinhos, orcas, girafas, zebras, asnos até!


Demarcamos nossos territórios. Brigamos pelo acasalamento. Temos machos alfa. E até fêmeas alfa. E assim, desde que a humanidade surgiu, sempre foi. E sempre será. E sempre haverá aqueles que querem dominar a tudo e a todos - mesmo falando que todos devem ser iguais.


Você, que cursa biologia - não sei se já se formou -, deveria saber disso: é uma cadeira chamada etologia, que compara o comportamento humano ao dos animais ditos irracionais. O paralelismo entre ambos os comportamentos é impressionante. Só isso já lhe diria o por quê é impossível o socialismo. A dica está dada, mas eu deixo o restante prá você descobrir sozinha, como lição de casa, tá?

quarta-feira, 10 de março de 2010

País Curioso, de Poderes Confusos

Desde a promulgação da Constituição de 1988, argumenta-se que o Estado brasileiro tornou-se, definitivamente, um Estado Democrático de Direito, com a eliminação de diferenças e de discriminações e com a implementação de uma sociedade solidária, estando a lei assegurada pela independência e autonomia dos Três Poderes.

Apesar de tais desideratos estarem plasmados no texto constitucional, a realidade não tem correspondido à intenção dos constituintes. De início, não conseguem, o governo federal e os governos estaduais, fazer com que determinados movimentos respeitem a Carta Magna. MST, Vila Campesina e outros vivem, exclusivamente, da violação da Constituição e da lei, com o beneplácito e a colaboração, principalmente do governo federal, por meio de financiamentos e desapropriações, parte delas barrada nos Tribunais.

A destruição da Câmara dos Deputados, de pesquisas científicas, de terras, de lavouras, por tais movimentos repudiados pela população e que se negam a fazer o teste das urnas, tem sido uma constante e clara demonstração de que determinadas autoridades são coniventes com tais maculações da lei maior.

Por outro lado, magistrados de Tribunais Regionais, inclusive da Suprema Corte, criticam o excesso de prisões preventivas – muitas vezes arbitrárias – de pessoas, sem haver processos ou autos lavrados, quase sempre lastreadas em trechos pinçados de gravações telefônicas.

A imprensa publicou manifesto de eminentes desembargadores, que ficaram estupefatos quando souberam da existência de 409.000 escutas telefônicas autorizadas no Brasil, em 2007, tendo, inclusive, o ministro Sepúlveda Pertence, em depoimento na Câmara dos Deputados , tecido duras críticas a tais abusivas ações. Nem Orwell imaginaria, em seu dramático 1984, uma tal violação de privacidade.

Uma interpretação equivocada – a nosso ver – da Constituição, são os artigos 231 CF e 68 da ACDT, que ofertam direitos aos índios e aos quilombolas sobre terras que, no momento da promulgação da lei suprema, ocupariam e não que ocuparam no passado. Isso gera problemas. Pela interpretação oficial, o presente do indicativo do texto maior passou a ser o pretérito perfeito e onde se lê "ocupam" passou-se a ler "ocuparam".

Com isso, para aproximadamente 700 mil índios, nascidos no Brasil ou nos países vizinhos, estão sendo entregues 13% de território nacional. Aos declarados quilombolas – e são poucos aqueles que descendem efetivamente dos quilombos coloniais e vivem naquelas terras históricas – houve tal extensão conceitual do termo que a maior parte dos afro-descendentes passou a ser considerada quilombola.

Por outro lado, à luz de uma exegese controversa do que seja o neoconstitucionalismo, ou seja, dar praticidade aos princípios constitucionais – tese de rigor que deu origem ao constitucionalismo americano e francês, não sendo, portanto, novo, mas apenas mais uma tentativa de adaptar-se o "construtivismo" americano à realidade social –, o Poder Judiciário tem-se outorgado o direito de se transformar em legislador positivo, não poucas vezes, sobrepondo-se ao Poder Legislativo no suprir o que entende ser omissão daquele poder.

Por seu lado, o Poder Executivo continua utilizando-se das medidas provisórias, que só foram colocadas no texto constitucional – pois a Constituição de 1988 deveria ser para uma República Parlamentar do Governo – tornando-se, de rigor, no verdadeiro legislador.

Temos, portanto, um Brasil curioso. O Poder Executivo assumiu funções legislativas, por meio das medidas provisórias. O Poder Legislativo, diminuído em suas funções, por meio das CPIs transformou-se em Poder Judiciário. E o Poder Judiciário, de legislador negativo – ou seja, de não dar sequência às normas constitucionais –, assume, mais e mais, à luz de estranha concepção do neoconstitucionalismo, a função de legislador positivo.

É, neste País de contradições e de preconceitos às avessas, que os privilégios das cotas universitárias e para pessoas de opções sexuais diversas estão a refletir discriminações contra a grande maioria dos demais cidadãos comuns. Dessa forma, a juventude busca alternativas para o futuro, não encontrando, entretanto, nos seus líderes atuais, um modelo paradigmático a ser seguido.

Nossa esperança reside na educação e no trabalho daqueles que ainda acreditam no ensino e estão dispostos a tentar influenciar as futuras gerações com ideias não contaminadas, sem preconceitos, sabendo que solidariedade não se faz com o semear do joio, nem se cria uma grande nação com ódio e preconceitos, favorecendo grupos contrários ao Estado de Direito, ou beneficiando aqueles que se enquistam no poder, não para servir à sociedade, mas para dela se servir.

Infelizmente, gerar conflitos sociais encontra-se na base do PNDH-3.

por Ives Gandra Martins e João Ricardo Moderno

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Passeata no Rio Contra a Ditadura do PNDH III

Veja a convocação para uma passeata que irá ocorrer no dia 28 de fevereiro, às 10h, no começo da praia do Leblon.

A passeata será contra o programa autoritário chamado PNDH III.

Vamos dar um basta a esta tentativa deste governo comunista de colocar o Brasil no caminho da servidão que se encontra a Cuba, Coréia do Norte, China e, caminhando a passos largos, a Venezuela.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Até Onde Vai o "Racismo"...

Um leitor deste blog, de origem nipônica, enviou um comentário assaz interessante a respeito do preconceito que sofre em nosso país.

Depois, inclusive, fez outro comentário em que dizia: "Autorizo o proprietário desse blog, a resumir, acrescentar, ou modificar o comentário anterio, conforme o necessário". Mas o necessário é todo o comentário. É o que ele passa num país que, dominado pelas esquerdas, vem olhando somente para a população dita "negra" - e que exclui propositadamente os mestiços, judeus, asiáticos, etc. - que diz sofrer com a discriminação por causa da cor da pele.

Vejam abaixo. Comento depois.

Sempre ouvimos falar de racismo, preconceito e discriminação, envolvendo pessoas de decendência africana. Poucas pessoas percebem que há uma outra raça no Brasil, que também sofre muito preconceito.

Se você prestar atenção, vai ver que não aparece nas novelas, nem nas propagandas nenhum decendente de japonês exercendo algum papel principal, e quando aparece, costuma fazer o papel daqueles japoneses que não sabem falar português. A televisão, costuma mostrar um japonês bobo e inferior sexualmente. Nem as piadas, nem os comentários maldosos sobre o tamanho de nosso pênis sofrem algum tipo de censura. Isso reflete de forma negativa, pois já virou cultura brasileira, ridicularizar o japonês. Existem até blogs que fazem comentários extremamente racistas, e não sofrem nenhum tipo de censura. Veja no blog
http://cammilaeabusca.blogspot.com/2009/05/ao-gosto-do-cliente.html até onde vai a discriminação contra o japonês:

"Tem varios japoneses aqui em minas gerais, eles são todos feios, burros, despresiveis!Japones é uma raça filho da P! deviam desaparecer da face da terra! Vamos torcer pra gripe suina dizimar essa racinha asía atica.-16 de Agosto de 2009 12:23"


E todo mundo fala do preconceito que existe contra o negro, até criaram uma cota para negros na universidade, alegando que eles competem no mercado de trabalho e nos estudos, de forma desigual.

Eu acho que também sofremos desigualdades, pois ao sermos discriminados sexualmente, nossa estima fica muito baixa e isso atrapalha em nossos estudos e também em nossa carreira profissional. Além disso, cria traumas, revolta e acaba com nossa confiança.

Não tenho culpa nenhuma de ter nascido com o pênis pequeno, mas isso acaba com minha estima, pois não tenho condições de atrair sexualmente uma mulher, e isso é um fato que me deixa muito triste. Além de passar por tudo isso, ainda tenho que ouvir as pessoas tirando sarro e me humilhando todos os dias, e não tenho como protestar contra isso sem ser mais ridicularizado e humilhado mais ainda.

Engraçado, pois o brasileiro, não acha normal tirar sarro de um problema alheio, como de um aleijado por exemplo, ou de um cego, mas acha super normal tirar sarro de uma pessoa que já está com a auto estima muito feridaa, e que já não tem mais nenhum motivo para viver.


O "politicamente correto" hoje em dia, é, realmente, tratar do problema dos descendentes de negros, desde que eles se assumam sua "negritude" e digam sofrer discriminação.

Já mostrei aqui o problema que isto envolve: uma mestiça que ganhara uma bolsa através do sistema de cotas para negros perdera-a por não se dizer "discriminada racialmente".

O preconceito existe, sim, no país. E não somente contra negros. Assim como nosso leitor acima, o gaúcho também é discriminado: nosso preconceituoso presiMente Lula, certa vez, em uma entrevista, quando perguntado sobre o que ele achava das exportações de Pelotas disse que aquela cidade era “pólo exportador de viado” e riu.

Mas a tratativa das esquerdas em relação ao negro se deve ao fato de que houve, no passado do país, uma relação entre senhores de engenho, brancos, e escravos, negros.

É óbvio que estes senhores esquerdistas não citam o fato de que os próprios negros africanos escravizavam e comerciavam os membros de tribos vencidas em conflitos: os próprios negros eram preconceituosos com relação àqueles que não tinham suas características físicas (bantos, ashantis, iorubás são essenciamente diferentes).

Mas para suas tendências totalitárias, é necessário que haja a cisão da sociedade, facilitando seus planos de dominação e implantação do "socialismo" - o primeiro passo, já dizia Marx, para o comunismo. Este é o método gramsciano de dominação, baseado num dos corolários do decálogo de Lenin.

É óbvio que todos querem um tratamento melhor numa sociedade tão díspar como a nossa; porém, o único modo de conseguirmos superar tais diferenças é a educação e o civismo: o apredizado de que não somente temos direitos, como temos visto dia-a-dia em todos os lugares - com as esquerdas encabeçando o pedido de mais direitos a esmo para tudo e todos -, mas também que temos DEVERES para com a Pátria, para com outrém, para conosco mesmos.

Sem este aprendizado, a verdadeira moral e a verdadeira ética vão-se escoando pelo esgoto fétido do esquerdismo "social", que somente implanta mais e mais diferenciações entre a população, a fim de dominá-la.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Viva Honduras!


Muitos não sabem onde fica Honduras, mas vão se lembrar que Honduras disse NÃO AO SOCIALISMO E AO COMUNISMO.

Somos um país pobre e pequeno, mas amamos nosso país e apoiamos nossas Forças Armadas e nosso novo Presidente

Declaração de Cidadãos Hondurenhos

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Vale a Pena Ler de Novo: A Morte do Bom Senso

Hoje choramos o falecimento de um velho amigo muito querido, o Bom Senso, que esteve em nossa companhia durante muitos anos. Ninguém sabe com certeza qual era a sua idade já que seu registro de nascimento foi perdido há muito tempo nos meandros da burocracia.

Ele será lembrado como alguém que cultuava algumas lições de valor como: saber quando sair da chuva; Deus ajuda a quem cedo madruga; a vida nem sempre é uma festa; e quem sabe a culpa é minha? Bom Senso tinha uma vida simples baseada em fundamentos econômicos sólidos (não gastar mais do que se ganha) e estratégias confiáveis (são os adultos que mandam, não as crianças).

Sua saúde começou a se deteriorar rapidamente quando regulamentos excessivamente autoritários, embora bem intencionados, foram criados. Notícias de que um menino de seis anos fora acusado de assédio sexual por ter beijado uma coleguinha; adolescentes foram suspensos das aulas por usarem líquidos contra o mau hálito após o almoço; e um professor foi despedido por ter repreendido um aluno insubordinado. Tudo isto contribuiu para piorar sua saúde.

Bom Senso perdeu o chão quando pais atacaram professores por fazerem o que eles não tinham feito: disciplinar seus filhos. Piorou mais ainda quando as escolas foram obrigadas a pedir o consentimento dos pais para usar protetores solares ou dar uma Aspirina aos alunos; mas não podiam informá-los quando uma aluna engravidava ou queria abortar.

Bom Senso perdeu a vontade de viver quando as igrejas se tornaram balcões de negócios; e criminosos passaram a receber melhor tratamento que suas vítimas.

Sentiu-se agredido quando soube que não poderia mais se defender de um assaltante que invadiu sua casa e que, caso tentasse, o meliante poderia processá-lo por agressão. Bom Senso finalmente desistiu de viver quando uma mulher se queimou por não perceber que o café estava quente demais, entornou um pouco na sua roupa e imediatamente processou o restaurante que teve que pagar a ela uma enorme indenização.

Bom Senso morreu depois de seus pais, Verdade e Confiança; de sua mulher, Discrição; de suas filhas, Responsabilidade e Razão. Sobreviveram a ele seus irmãos adotivos: Eu Conheço Meus Direitos, Eu Quero Já, O Outro é o Culpado e Eu Sou Uma Vítima.

Poucos compareceram ao seu enterro porque só uma minoria percebeu que ele havia morrido. Se você ainda se lembra dele, re-envie esta notícia. Caso contrário junte-se à maioria e nada faça.

terça-feira, 12 de maio de 2009

O Exército do Ódio

A paz e a prosperidade dos brasileiros andam ameaçadas neste momento de crise, em que deveríamos estar mais do que nunca unidos no ideal da ordem e do progresso presentes em nossa bandeira e na formação cívica de boa parte da sociedade. A harmonia não pode ser ameaçada pela ação deletéria dos que carregam os ressentimentos dos equívocos cometidos na mocidade em nome de ideais revolucionários e totalitários. Ideais estes que os levaram a irresponsáveis atos de violência, com mortes, sequestros, em que não faltaram atos de delação sob pressão e dos chamados "justiçamentos" em julgamentos sumários. Na maioria das vezes, por motivos injustificados, como matar quem por razões de arbítrio pessoal queria abandonar a vida clandestina e sem nenhum sentido. Temos de esquecer estes anos de confronto!

Esses brasileiros, que foram manipulados na juventude por profissionais treinados nos centros internacionais financiados pela então União Soviética, receberam a mais generosa e ampla anistia do século 20. Depois, parte deste grupo chegou ao poder com o governo FHC, quando se iniciou a indústria das indenizações, que já atinge a cerca de R$ 3 bilhões e que parece longe de se esgotar, em chocante venda de ideais.

Prova está no número significativo dos que se negam a reivindicar pagamento em troca de sonhos sinceros. Falta-se com o razoável ao se falar em reparação para quem deserta da vida militar, rouba, saqueia, assalta, sequestra, como se não soubesse dos riscos. Todos tinham idade suficiente para saberem em que estavam entrando. E todos sabiam manusear bem uma arma, como atestam os livros de autores insuspeitos como Jacob Gorender, Daniel Aarão Reis e Alfredo Sirkis.

O mesmo grupo atua com desenvoltura e, por vezes, segundo consta, com recursos oriundos do erário, por meio de projetos de ONGs, que por serem não-governamentais deveriam ser proibidas de receber recursos públicos. Querem dividir brasileiros por raças, contrariando nossa formação multirracial e fraterna, mostrada por Gilberto Freyre e nunca contestada. Usam geralmente da boa técnica de acenarem com novas formas de indenizações a minorias raciais por supostas responsabilidades do Estado, em que parte do território nacional é a moeda de troca. São as reservas indígenas, cada vez maiores, e as destinadas a sucessores de escravos denominados "quilombolas", que inquietam a vida do brasileiro que trabalha no campo. Seria cômico, se não fosse trágico. O governo quer dar terras que têm donos legítimos.

O pior é que dividir brasileiros, lançando as sementes do ódio racial, não é tudo. Tem mais. Querem barrar o desenvolvimento nacional, pois combatem equivocadamente o capital, punindo o trabalhador que precisa do progresso do país e de emprego para melhorar de vida. Em nome do meio ambiente, os projetos de alto interesse nacional na infraestrutura são sabotados, encarecidos, por vezes inviabilizados, diante de prolongada paciência do governo, interessado maior nas obras que contrata ou delega por concessão. O governo é, ao mesmo tempo, culpado por omissão e vítima de sua postura conivente com os agentes do atraso. Até o PAC tem sido vítima desta gente.

Vivemos até aqui em singular harmonia. Herdamos do período que vai de 1815, quando nos tornamos Reino Unido, a 1889, com a República, a unidade nacional, a paz racial e social, protegidos especialmente por dois dos maiores nomes de nossa história, imperador Pedro II e Duque de Caxias. Tudo se passou sem maiores traumas, como o salto político e social representado pela Revolução de 30 e pelos Anos Vargas. E mais: a arrancada desenvolvimentista de JK, os anos dourados do planejamento e das grandes obras dos militares e a reconstrução democrática, com José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, FHC e, por fim, o presidente Lula.

As forças vivas da nacionalidade – trabalhadores, empresários, intelectuais, profissionais liberais – deveriam se unir contra esse exército do ódio e do atraso que nos ameaça, em momento gravíssimo por que passa a humanidade. A cruel divisão não é a racial; e sim aquela entre famílias que têm o que comer, vestir e habitar e os que vivem à margem da sociedade. Poluição maior é a pobreza, a doença, a falta de educação pelo mau uso dos recursos públicos, que são suficientes, mas sordidamente desperdiçados, como se sabe, numa cultura da irresponsabilidade de impunidade.

A história mostra que nas crises tanto pode-se encontrar lideranças do bem como demagogos irresponsáveis.

Vamos amar mais e promover a união no lugar do ódio de frustrados e ressentidos, que, se sofreram – e quando sofreram –, foram os únicos responsáveis. A história mostra que nas lutas entre irmãos, nas guerras civis, revoluções, no campo da violência todos se nivelam.

O Brasil é maior do que esta postura.

por Aristóteles Drummond, jornalista – Opinião do Correio Braziliense

segunda-feira, 13 de abril de 2009

A Verdadeira Civilização

A verdadeira civilização é aquela onde todo mundo dá à todos os demais os direitos que reclama para si mesmo.

Robert G. Ingersoll

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Quedou-se Esquecido o Pendão da Esperança

O "pendão da esperança" jaz num canto do Congresso sábado, 26 maio 2007.

A cena foi captada pelas lentes do repórter Lula Marques. Deu-se às 19:40h desta quarta-feira (23). O auriverde símbolo desta terra em que já nem o sabiá se arrisca a cantar, com receio de que o pio seja captado pela escuta ambiental da PF, jaz, amarfanhado e esquecido, num canto ermo do Salão Nobre da Câmara. Em pensar que Olavo Bilac um dia escreveu:

"Salve, lindo pendão da esperança, Salve, símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança. A grandeza da pátria nos traz."

O pendão, é certo, continua lindo. Mas a esperança, até ela, já nos foi roubada. O símbolo, por mais augusto e nobre, já não consegue evocar senão a grandeza da vergonha. Um sentimento penoso, que emerge das vísceras, expostas a golpes de navalha e humilhação.

por Josias de Souza, no A Verdade Sufocada