terça-feira, 30 de setembro de 2008

Semelhanças...

Você vê alguma semelhança entre as duas figuras ao lado?

Note a estrela circunscrita na medalha da extinta URSS. Veja, dentro dela, com que letras se parecem a foice e o martelo.

Não parecem P (a foice) e T (o martelo)? Mera coincidência? Não. Pode crer, não é!

Já vimos, aqui, numa trabalho de pesquisa levado a cabo por Georgi Marchenko, que Marx fora educado num dos grandes colégios cristãos, e, tão logo saiu, tornou-se não somente ateu mas foi doutrinado por Moses Hess (cujo nome real era Moritz Hess, um judeu apóstata, 1812/1875), que ficou conhecido como o primeiro dentre os "jovens hegelianos" a admitir ser um comunista e que, antes disto, praticava ritos satânicos, particularmente a Missa Negra (vide "Marx & Satan", Living Sacrifice Book Co;1986, ISBN: 0891073795).

Existem várias versões da Missa Negra, entretanto, todas são praticadas por marginais que não se integraram na sociedade ocidental e que a praticam como uma manifestação de sua rejeição aos princípios da civilização ocidental.

A Missa Negra é uma paródia obscena da missa católica, objetivando obter poderes mágicos, geralmente com objetivos pérfidos. É o ritual mais impressionante dos ritos satânicos e dramatiza uma radical adoração do mal e uma rejeição absoluta dos valores judaico-cristãos. O que é considerado o "BEM" para a Civilização Ocidental", para eles é considerado o "MAL" e vice-versa. Na Missa Negra fazem tudo ao contrário. O crucifixo é exibido de cabeça para baixo e o símbolo do demônio é o pentagrama, ou seja, a estrela de cinco pontas, em cor vermelha, cor do sangue, símbolo do inferno, morada do demônio. Na missa negra o Padre Nosso é rezado de trás para diante. A imagem adorada, em vez de Jesus, é a do diabo. As roupas rituais são pretas e vermelhas e o avental do "sacerdote" exibe o demônio, sob a forma de um bode, com chifres e sangue escorrendo da boca. Praticam o batismo com água suja e a mesa da missa é substituída por uma mulher nua e a vagina é o tabernáculo, onde se coloca uma hóstia roubada de alguma igreja.

Pouquíssimas pessoas conhecem a importantíssima influência satânica de Moses Hess sobre Marx e Engels. Segundo o pastor romeno Richard Wurmbrand, prisioneiro dos comunistas por quatorze anos, autor de vários livros, ambos, antes de estudarem economia, iniciaram-se nos mistérios do satanismo, por meio de Moses Hess. Depois, se conheceram em Paris e iniciaram uma associação duradoura, que viria a mudar o mundo e fazer do Século XX o mais sangrento e conturbado de toda a História da Humanidade.

No Brasil, agora em poder da esquerda, ou seja, dos adoradores do mal, pelo menos desde a fraudulenta constituição de 88 a criminalidade tem crescido exponencialmente, pois não existe "vontade política" para combatê-la, devido à inversão dos valores. Agora os bandidos são heróis satânicos! O MST, por exemplo, uma organização paramilitar, proibida pela constituição, age com a maior desenvoltura, com todo o apoio do governo, inclusive financeiro e o presidente até exibiu na cabeça o boné vermelho do MST, posando para a mídia. O pentagrama, símbolo do satanismo, do PT e do comunismo internacional, encontra-se até entronizado no jardim do Palácio do Planalto. Enquanto isso, o Ministério Público, "defensor da sociedade", que parece também contaminado com a inversão dos valores, enfia a cabeça na areia, como avestruz e finge que não vê a atividade criminosa do MST, incluindo quase duas mil escolas ensinando terrorismo e satanismo, sob o disfarce de marxismo. Seus heróis são os maiores e mais cruéis assassinos da história: Lênin, Stálin, Mao Tsé-tung, Guevara, Fidel Castro.

Como convém aos adoradores de Satan, o governo, sob a proteção do pentagrama satânico vermelho, está até desarmando a população honesta, para facilitar o trabalho dos bandidos. Alguém já teve notícia de algum bandido devolvendo a arma ao governo?

Tenho um conhecido comunista que saltou e dançou de alegria quando desabaram os prédios do World Trade Center, quando morreram quase três mil pessoas (mais do que em Pearl Harbor) e um certo ex-frei, paladino da "Teologia da Libertação" lamentou que não fossem 25 os aviões utilizados nos atos de terrorismo pois, segundo ele, se morressem mais americanos, "melhorariam as condições das favelas do Rio de Janeiro". Estas manifestações demonstram como o comunismo/satanismo é uma patologia mental gravíssima. Comunistas perdem toda a sensibilidade para com o sofrimento alheio, a ponto de Stálin ter declarado que a morte de milhões de pessoas não passa de mera estatística. Todo comunista é um "serial killer" em potencial.

Dois dos maiores assassinos de todos os tempos, Hitler e Stálin, parecem ter perdido toda a sensibilidade para com o sofrimento alheio devido a traumas pessoais. A sobrinha de Hitler, a grande paixão de sua vida, suicidou-se para livrar-se do monstro. Hitler vingou-se na humanidade. A primeira mulher de Stálin também se suicidou, com as mesmas conseqüências.

Sob os auspícios do Ministério da Educação, o satanismo há muito chegou às salas de aula. O ensino dos valores judaico-cristãos foi substituído pelo marxismo, um disfarce do satanismo. Os grandes heróis nacionais, tais como o grande Duque de Caxias, são esquecidos, e bandidos como Lamarca, Marighela, Prestes, Olga Benário, Guevara, Fidel Castro, são exaltados.

Os marginais dos anos sessenta, que tinham por objetivo entregar o Brasil a União Soviética, além de implantar a mais cruel ditadura e dizimar os patriotas, cometeram assaltos, seqüestros, assassinatos, torturas, propaganda maciça enganosa e, em vez de serem submetidos à corte marcial, por traição à Pátria, estão ocupando altos cargos na Nomenklatura petista e recebendo, por seus crimes, recompensas que já se aproximam dos dois bilhões de reais. Alguns chegaram até a ministros... da Justiça!

Após o fragoroso fracasso da União Soviética, em associação com o caquético ditador comunista Fidel Castro, assassino de milhares de patriotas, os comunistas do Brasil e de muitos outros países resolveram ressuscitar na América Latina o "Império do Mal" (a União Soviética), realizando anualmente o Foro de São Paulo. A primeira etapa seria conquistar a presidência de cada nação latino-americana. E a missão está quase cumprida. Em seqüência, o governo, impregnado dos ideais satânicos, além de desarmar a população honesta, quer controlar a mídia, o cinema, os livros didáticos (doutrinação satânica) e breve toda a produção intelectual.

Porém, parece que o mais perigoso covil onde se abriga, no Brasil, os mais peçonhentos representantes do comunismo satânico são as Comunidades Eclesiais de Base, que parecem ser a mola propulsora de TODOS os movimentos comunistas do Brasil, desde o PT e a CUT até as invasões dos bandidos disfarçados em "sem-terra".

Aliás, a Igreja Católica, no Brasil, em quase sua totalidade, parece ter-se bandeado para as hostes do mal, o que não seria de estranhar, pois todos eles já foram excomungados automaticamente, segundo proclamação, de 1949, do papa Pio XII, aplicável a todos aqueles que, DE QUALQUER MANEIRA, ajudarem movimentos comunistas. Breve encontrão o demo, cara a cara, de acordo com suas crenças. Não é à toa que tantos católicos estão se bandeando, cada vez mais, para denominações protestantes e evangélicas. Já que o Brasil está perdido, querem, ao menos, salvar a alma...

Socialismo Selvagem

Uma série de notícias. Depois, comentários.


O Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), órgão ligado ao governo, lidera os seis primeiros lugares dos 100 maiores desmatadores da floresta amazônica. Além do instituto, há várias empresas de agropecuária, cooperativas e pessoas físicas entre os principais destruidores do ambiente na Amazônia Legal.

A lista com os 100 maiores desmatadores, elaborada pelo Ministério do Meio Ambiente, é divulgada no mesmo dia em que o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) informou sobre o aumento de 134% da região desmatada em agosto em comparação a julho deste ano.

A multa mais elevada será cobrada pelo Ministério do Meio Ambiente ao Incra, no valor de R$ 50 milhões, e a menor é de R$ 197 mil, que deverá ser paga por uma pessoa física.

O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) afirmou que há uma força-tarefa de sua pasta em parceria com a AGU (Advocacia-Geral da União) e o MPF (Ministério Público Federal) "para levar todos estes 100 para o banco dos réus".

De acordo com o ministro, a área média desmatada por cada um deles é de 1.500 a 1.800 hectares. Para Minc, não pode haver flexibilização no sistema de fiscalização ambiental no período das eleições.

por Renata Giraldi, na
Folha de São Paulo, em 29/09/2008


Depois de divulgar que o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) lidera a lista dos grandes desmatadores do país, o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) evitou nesta segunda-feira responsabilizar os assentamentos pelo aumento do desmatamento na Amazônia legal. Segundo ele, o problema é causado pela falta de um plano de manejo e a ausência de concessão de licenças ambientais legais.

"O Incra aparece em oito citações entre os 100 maiores desmatadores. É bom esclarecer que estamos tomando medidas. São medidas para acelerar o licenciamento ambiental para que os assentamentos tenham sustentabilidade ambiental e econômica", disse Minc.

Ao ser questionado se não era inusitado um órgão do governo liderar as irregularidades, o ministro respondeu que a fiscalização é realizada de forma isenta. "Não é a primeira vez que isso ocorre [houve com a Petrobrás], nós temos de correr atrás do nosso prejuízo", afirmou.

De acordo com Minc, o objetivo é acabar com a chamada "impunidade ambiental". "Hoje em dia de cada 100 grandes, dez vão a juízo e um é condenado. Isso é a impunidade ambiental. Vamos tomar medidas contra a todos eles. Vamos ser duros. Também seremos duros no sentido de medidas urgentes", afirmou.

Após apontar as eleições municipais como uma das vilãs do desmatamento no país, Minc minimizou o discurso, informando que a dificuldade está na cobrança de ações efetivas por parte dos governadores e prefeitos no período eleitoral.

"Aumenta [o desmatamento em ano eleitoral] porque os governadores e prefeitos não querem ser antipáticos com ninguém. Não querem multar nem punir ninguém", afirmou.

Segundo o ministro, para evitar essas dificuldades é que o governo terá mais autonomia na fiscalização ambiental em todo país especialmente na Amazônia legal. "Vamos ter uma força federal que nos vai dar autonomia. Vamos ampliar o número de portais e barreiras porque as atuais estão insuficientes. Vamos intensificar o trabalho com os órgãos [estaduais e municipais]", disse.

Minc ressaltou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou a intensificação das ações de fiscalização. '" fiscalização feita surtiu efeito. Agora mais que dobrou em relação ao mês passado e nós atribuímos a uma série de fatores. Por isso nós pedimos ao presidente Lula esse reforço e o presidente disse 'sim'", afirmou.

por Renata Giraldi, na
Folha de São Paulo, em 29/09/2008


O presidente do Incra, Rolf Hackbart, disse que vai recorrer das multas por desmate: "Estamos recorrendo de todas as multas, elas são indevidas".

O principal argumento do Incra é que o corte de árvores nos assentamentos é anterior à criação dos projetos de reforma agrária. Os assentamentos multados foram criados no governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). E, até 2001, imóveis localizados no bioma amazônia ainda podiam desmatar até metade da área e não apenas 20%, como foi definido já na reta final do governo FHC.

"Até agora não obtivemos do Ibama uma informação precisa sobre quando ocorreu o desmatamento... Todos os imóveis rurais que o Incra obteve para a reforma agrária estavam degradados, isso é coisa antiga." As multas aplicadas pelo Ibama à autarquia somam R$ 265,6 milhões. A área total de corte de árvores somam 2,3 mil km2.

A Folha não conseguiu localizar ontem Léo Andrade Gomes, apontado pelo Ibama como responsável pela maior área de abate de árvores depois dos assentamentos. No endereço que consta nos documentos do Ibama não havia ontem nenhuma pessoa com esse nome.

da
Folha de S.Paulo, em Brasília, em 30/09/2008


Puxa vida! Que legal, não? Depois do "capitalismo" selvagem que os esquerdistas tanto degradam, temos o socialismo selvagem. Quem diria...

O Incra, órgão do governo responsável pelos assentamentos dos sem-terra na famigerada Reforma Agrária - essa estrovenga socialista - é comandada pelo tal Rolf (não sei porque, mas esse nome me lembra minha cadelinha, que é da raça fila brasileiro) Hackbart, um dos comandados por João Pedro Stédile, que também indica os diretores regionais do órgão.

Hein? Stédile, aquele comunista safado (perdoem-me o pleonasmo vicioso) que faz parte do conselho editorial da América Libre, revista do Foro de São Paulo? Isso. Esse mesmo.

Então, quando a mídia apaniguada fala em Incra, fala em MST, MAB, Via Campesina, MSLT, MXY, PT, PQP e todas estas siglas comunistas.

E se fizermos as contas dos desmatamentos, veremos que estes assentamentos feitos pelo MST, digo, Incra, são responsáveis por 44% da área total - e seis "projetos" são os maiores desmatadores. Ou em outras palavras, os vagabundos do MST, financiados pelo corrupto governo socialista do PT, com o dinheiro tirado na marra dos trabalhadores brasileiros que suam quase meio ano somente para pagar impostos, são os maiores responsáveis pelo acelerado desmatamento no país.

E o que disse Minc, o ex-terrorista e hoje ministro do Meio Ambiente? Que é tudo culpa das eleições, razão pela qual os governadores e prefeitos não fiscalizam, mas que o governo vai ser duro com os desmatadores - mas, claro, vai ter um carinho todo especial com o pessoal do MST, tomando "medidas para acelerar o licenciamento ambiental para que os assentamentos tenham sustentabilidade ambiental e econômica". Ou seja: o MST vai poder continuar desmatando à vontade e ainda vão ganhar por isso. Mas os apoiadores do "imperialismo", detentores do "grande capital" e "expropriadores da mais-valia dos proletários" (todos os outros que não pertençam a algum "movimento social"), vão se dar mal.

E Rolf (rolf.. rolf, rolf, rolf) vai mais longe e culpa, também, o "neoliberalismo" de FHC, culpado pelo desmatamento das áreas em que o MST tomou posse, numa clara conspiração contra a reforma agrária.

E por que ele faz isso? Porque, seguindo as orientações de seu chefe (Stédile), ele também é contra o agronegócio, que gera emprego e traz divisas para o país. E foi adiante: aproveitou para acusar outro organismo federal de desmatar ainda mais do que o Incra: a Funai. Segundo ele, em terras indígenas, a situação é muito pior.

E preste ainda especial atenção na zombaria que ele prentende fazer com os mais desavisados, quando diz que "os assentamentos multados foram criados no governo Fernando Henrique Cardoso. E, até 2001, imóveis localizados no bioma amazônia ainda podiam desmatar até metade da área e não apenas 20%, como foi definido já na reta final do governo FHC."

Entendeu a canalhice? O desmatamento destas áreas, que foram implantadas DURANTE o governo de FHC, não mais ocorreu depois, quando Lula assumiu.

Estamos diante de uma máquina de fabricar mentiras, mentiras e mais mentiras. Sempre se disse que os sem-terra não têm qualquer compromisso com a chamada preservação ambiental. E será tanto pior quanto mais se investir na mistificação pilantra de que todo mundo que “quer” terra tem direito a "ter" terra.

Temos que acabar com essa farra parando de transferir terras e recursos para “movimentos sociais” que, na verdade, não passam de parasitas. Até quando vamos aturar a baderna, destruição, pilhagem, invasão e também derrubada irresponsável de árvores por parte desses revolucionários comunistas? O orçamento do Ministério do Desenvolvimento Agrário previsto para 2008 é de quase R$ 4 bilhões! É o trabalhador urbano ralando e suando para bancar as barbaridades cometidas pelos criminosos do MST.

Diante desses fatos sobre o desmatamento, já conhecidos, mas somente agora divulgados oficialmente, qual vai ser a desculpa da esquerda? Será que vão apenas ignorar a realidade, adotando uma vez mais a velha máxima "quando os fatos negam a teoria, pior para os fatos"? Vão insistir na defesa dessa "reforma agrária" fajuta, ao mesmo tempo em que condenam os latifúndios pelo desmatamento?

Igualdade

Democracia e socialismo não têm em comum senão uma palavra: igualdade. Mas repare-se na diferença: enquanto a democracia procura a igualdade na liberdade, o socialismo procura a igualdade na repressão e na servidão

Alexis de Tocqueville

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Ainda Sobre a Liberdade de Imprensa

A liberdade da imprensa não faz sentir o seu poder apenas sobre as opiniões políticas, mas também sobre todas as opiniões dos homens. Não modifica somente as leis, mas os costumes (...) Amo-a pela consideração dos males que impede, mais ainda do que pelos bens que produz.
Alexis de Tocqueville

O ato de censurar é um atentado contra a liberdade de expressão. Segundo Flaubert, o mais exigente de todos os escritores, a censura impõe-se como um crime de lesa-alma, algo pior que o homicídio. Mas o governo Lula não pensa em outra coisa. Nele, a proposta permanente e subversiva, tramada nos bastidores do poder sob qualquer pretexto ou razão, é a de o governo, em vez de ser fiscalizado, fiscalizar a imprensa.

O cuidado é excessivo. De fato, o governo, por meios diversos, já domina cerca de 80% do noticiário, obtendo, no caso do jornalismo opinativo, a submissão de uns 90% (ou mais) dos chamados "formadores de opinião". Mas para o governo petista a "quase totalidade" é pouco - ele quer o controle total da informação.

Agora mesmo, diante do escândalo que aponta a ABIN (Agência Brasileira de Inteligência, órgão subordinado ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República) como responsável pelo grampeamento de aparelho telefônico de Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro da Defesa, Nelson Jobim (em depoimento prestado na CPI do Grampo, no Congresso) sugeriu nova legislação para punir os responsáveis pelo vazamento de informações obtidas em escutas telefônicas - entre eles, os jornalistas que as tornem públicas.

Ao provocar os parlamentares, o Ministro da Defesa foi explícito: "Os senhores terão de prestar atenção não só ao interceptador ilícito, mas também no vazador de informações. Se os senhores não fecharem as duas pontas, vai continuar a acontecer o que está acontecendo".

O tresvariado Jobim não faz por menos: com a adesão do próprio Lula, agora dotado de poderes extraterrestres, pretende liquidar o sigilo da fonte, instrumento básico não só para a consecução do direito de informar à opinião pública, mas da própria sobrevivência da democracia. Na ordem prática das coisas, extinta na atividade jornalística a inviolabilidade do sigilo da fonte prevista na Constituição, só haverá punição para aqueles que divulguem, por imperativo do ofício, os crimes e as falcatruas cometidos (em abundância) pelos que governam o país.

Mas a coisa não fica por aí. Como resposta ao julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) de uma ação em que a atual Lei de Imprensa tem sua constitucionalidade contestada, por excessiva, o governo, por intermédio do seu Ministério da Justiça, enviou ao Congresso projeto de lei para punir jornalistas e órgãos da imprensa que tornem público o conteúdo de escutas telefônicas. Ou seja: a máquina totalitária do governo, reincidindo nas propostas anteriores levadas a efeito pelo Conselho Federal de Jornalismo e pela Ancinav, em vez da enaltecida transparência, quer estabelecer o silêncio pelo ato nefando da intimidação e censura.

Desde que se instalou em Brasília, em 2003, o governo Lula tem sido um colossal repositório de escândalos, sempre envolvido na armação de falsos dossiês, escutas telefônicas, dezenas de denúncias de fraudes, roubos, desfalques, argüição de falsidade ideológica, desvios de verbas oficiais, peculato - na generalidade dos casos sem nenhuma punição aparente. Os intermináveis processos de investigação que arrolam os acusados caminham, em geral, a passo de tartaruga, sendo que um número considerável de denunciados, em vez de castigo, ganha elogios, tapinhas nas costas, homenagens e, segundo o "expert" Anthony Garotinho, generosas "boquinhas ricas" no entorno dos fartos negócios oficiais.

Diante de um quadro assim, tão vergonhoso quanto patético, o que resta à opinião pública nacional mais consciente? Bem, invocando o Dr. Sacher Masoch, respondo: o sofrido, porém necessário direito de saber o que está se passando às suas barbas, se possível pela informação, ainda que incompleta, dos jornais. Claro, o saber-se dos delitos das autoridades governamentais não é uma solução, mas, quando menos, consola. E, por vezes, leva à inconformidade e, daí, à insubordinação.

Pois muito bem: é justamente o restrito consolo de conhecer a triste realidade dos fatos que a máquina do governo quer ver por terra, a partir da ação de Tarso Genro e as palavras de Nelson Jobim. Teria a máquina do governo, de posse de quase todos os instrumentos de repressão, inclusive os fiscais, algum medo (primitivo) da insubordinação do homem comum?

No mesmo instante em que o Ministério da Justiça enviava ao Congresso o seu projeto de lei contra a liberdade de imprensa, o relatório anual da Organização Transparência Internacional dava conta de que o Brasil continua sendo um dos países mais corruptos do planeta, ocupando posição elevada no ranking mundial na decomposição dos negócios públicos. Na variação entre o número zero (muito corrupto) e dez (livre de corrupção), que escalona o grau de corrupção global, o Brasil aparece com 3, 5 pontos, numa lista em que a Somália está catalogada na classificação inversa como dos mais corruptos, com 1 ponto.

Serão necessários mais argumentos para esclarecer a razão pela qual se pretende quebrar o sigilo da fonte e punir jornalistas e órgãos de imprensa que veiculem denúncias captadas nas escutas telefônicas?

por Ipojuca Pontes, no Mídia Sem Máscara

A Visão da Esquerda

Tanto conservadores quanto esquerdistas ficariam indubitavelmente mais felizes vivendo no tipo de mundo sonhado pela esquerda. Muito poucas pessoas têm interesses pessoais ou uma preferência ideológica por um mundo em que haja muitas desigualdades. Menos ainda prefeririam um mundo em que grandes somas de dinheiro tenham de ser direcionadas para a defesa militar, quando tanto beneficio adviria se tais recursos fossem aplicados na pesquisa médica.

Não é surpresa que os jovens prefiram a esquerda. A única razão para rejeitarmos a visão da esquerda é que o mundo real em que vivemos é muito diferente do mundo que a esquerda percebe hoje e sonha para o amanhã. A maioria de nós aprende com a experiência - mas experiência é precisamente o que os jovens não têm.

"Experiência" é freqüentemente apenas uma palavra pomposa para os erros que, tardiamente, percebemos que cometemos, somente depois que as realidades do mundo nos fizeram pagar um doloroso preço por estarmos errados. Aqueles que estão isolados da dor - por terem nascido em famílias ricas, por estarem protegidos pelo estado de bem-estar social, ou isolados pela estabilidade de emprego na universidade ou no judiciário - podem permanecer num estado de imaturidade perpétua.

Indivíduos podem se recusar a crescer, especialmente quando circundados, no trabalho e na vida social, por outros indivíduos na mesma situação e com o mesmo universo mental. Até pessoas nascidas em famílias comuns, mas que tiveram a oportunidade, pelo talento ou pela sorte, de ascenderem ao estrelato e à riqueza, podem, de forma similar, se colocar na posição invejável de poder escolher se vão crescer ou não.

Aqueles de nós que se lembram de como foi sua adolescência devem saber que crescer pode ser uma transição dolorosa do mundo protegido da infância. Não importa o quanto sonhamos com a liberdade dos adultos: há muito menos entusiasmo em assumirmos a carga das responsabilidades da idade adulta e em pesarmos os dolorosos prós e contras num mundo que nos cerceia de todos os lados, muito depois de estarmos liberados das restrições de nossos pais.

Devemos nos surpreender com o fato de que os mais ardorosos apoiadores da esquerda são encontrados na juventude, no mundo acadêmico, dentre os ricos esquerdistas de limusines, celebridades da mídia e juízes federais? Esses não são os proletários de Karl Marx, que supostamente fariam a revolução. A classe trabalhadora está hoje entre os mais céticos sobre a visão da esquerda.

A agenda da esquerda é boa para o mundo que eles acreditam existir hoje e para o mundo com que eles sonham para o futuro. Esse é um mundo que não é cerceado por todos os lados por restrições e pelos dolorosos compromissos que as restrições implicam.

No mundo deles há "soluções" atrativas, em que todos ganham, em vez daqueles horríveis compromissos que se tem de fazer no mundo em que o resto de nós vive. No mundo deles, nós podemos tão somente conversar com as nações inimigas e resolver a situação, em vez de ter de derramar toneladas de dinheiro na construção de equipamentos militares para mantê-las acuadas.

A esquerda chama isso de "mudança", mas, de fato, é um conjunto de noções que já foi tentado pelas democracias ocidentais nos anos de 1930 - e que nos levou à mais catastrófica guerra da história.

Para aqueles que se preocupam em estudar história, foram precisamente as políticas opostas nos anos 1980 - derramar toneladas de dinheiro na construção de equipamentos militares - que pôs fim à Guerra Fria e à suas ameaças de um aniquilamento nuclear. A esquerda lutou amargamente contra aquela "corrida armamentista" que, de fato, aliviou o peso da ameaça soviética, em vez de nos levar à guerra, como as elites alegavam.

Pessoalmente, eu preferiria que Ronald Reagan pudesse ter convencido os soviéticos a serem mais bonzinhos, em vez de ter gastado todo aquele dinheiro. Somente a experiência nos faz mais céticos sobre o ponto de vista "mais bonzinho e gentil" e a visão que o fundamenta.

Vítimas

A questão indígena tem sido envolta numa tão espessa névoa ideológica que se torna, muitas vezes, difícil descortinar o que está realmente em questão. Os protagonistas se confundem, agentes históricos de atrocidades se eximem de suas responsabilidades e novas vítimas surgem. Pegue-se, por exemplo, uma publicação intitulada "Outros 500. Construindo uma nova história, do Conselho Indigenista Brasileiro - Cimi/CNBB".

Nela, em sua apresentação, dom Pedro Casaldáliga considera toda a história brasileira como uma história de usurpação, carregando inclusive nos termos ao assinalar que se trata de uma história "etnocida, genocida, suicida". Ora, o grande problema, como o próprio livro, aliás, assinala em várias partes, consiste em que essa história é de responsabilidade da Igreja e do Estado brasileiro. Os missionários exterminaram culturalmente os indígenas, destruindo as suas diferentes cosmogonias, a sua religião e a sua cultura em geral, por meio de conversões forçadas ao cristianismo. Foram também partícipes de massacres e de reclusões em missões, quando não diretamente de escravidão. Assinale-se, porém, que esses mesmos atores também lutaram pela proteção dos índios, integrando-os à nova civilização, contra as próprias políticas do Estado brasileiro.

O livro oferece vários exemplos. Na região amazônica, entre os séculos 17 e 18, "a corrupção era prática corrente nos resgates oficiais e envolvia desde funcionários encarregados da fiscalização até governadores, como Francisco Coelho de Carvalho, que exportava escravos do Pará para o restante do país e até para as Antilhas. Missionários entregavam índios para serem escravos, cedendo às ameaças das tropas ou favorecendo seus próprios interesses". Ou ainda: "Os religiosos costumavam participar das tropas de resgate como capelães, para evitar abusos. Mas existiam também outros que ajudavam na escravidão."

Observe-se, numa outra perspectiva, que os índios viviam em guerra constante entre si, não se podendo caracterizar o seu modo de vida como sendo o de um idílico estado de natureza a la Rousseau ou o do comunismo primitivo no sentido de Marx e Engels. Não se pode compreender a colonização portuguesa senão sob o prisma de uma disputa entre povos indígenas, que se digladiavam até a morte. Da mesma maneira, na fase das bandeiras, no século 17, havia sempre o envolvimento de indígenas contra indígenas, como no caso dos tupis aliados aos bandeirantes contra os guaranis. E se os portugueses conseguiram se estabelecer nessas terras foi porque índios colaboraram com eles, combatendo outros índios. Trata-se de um grande equívoco histórico considerar a existência de uma concórdia indígena originária, quando a realidade é bem outra.

Logo, a questão diz respeito à responsabilidade da Igreja naquilo que o Cimi chama de "genocídio". A Igreja, conforme a orientação esquerdizante do livro, teria seguido essa política até 1972, quando o próprio Cimi foi criado, tentando, via conversão ao marxismo e à Teologia da Libertação, reverter ideologicamente esse quadro. A partir desta data, o Cimi/CNBB, graças a essa "conversão", passa a pregar, ao arrepio dos fatos, a volta a um estágio primitivo, dito de natureza, como se este tivesse alguma vez existido. Desconsidera a história brasileira, feita de miscigenação racial e étnica, baseada na integração de culturas. Estamos diante de uma reviravolta da Igreja em relação à sua própria história, como se estivesse expiando um incontornável sentimento de culpa.

O problema se torna mais paradoxal pelo fato de o Cimi, em vez de assumir a sua própria responsabilidade, com o Estado brasileiro, transferir essa responsabilidade para os produtores rurais, que, hoje, nada têm que ver com o acontecido. Compraram as suas terras, tendo títulos de propriedade perfeitamente estabelecidos, registrados em cartório. Não cometeram nenhuma violência. Ora, são essas pessoas que se tornam alvos do Cimi/CNBB, como se fossem os responsáveis pelo que foi feito pela própria Igreja e pelo poder público. Ambos, na verdade, pretendem devolver a "terra roubada" por meio de um outro roubo, o cometido contra os produtores rurais.

A transferência de responsabilidades se faz mediante o recurso a Rousseau e Marx. O marxismo serve de instrumento de sua luta contra a propriedade privada. E Rousseau comparece como aquele que, além de denunciar a propriedade privada, teria estabelecido uma comunidade originária de homens intrinsecamente bons. A volta a Rousseau significa um ocultamento da Igreja e do Estado brasileiro, via Funai, de suas respectivas histórias. Num toque de mágica, o direito de propriedade e os produtores rurais passam a ser considerados os responsáveis por todos os malefícios da história brasileira.

Cria-se, então, uma situação inusitada: para reparar uma injustiça, comete-se outra. O trágico desta situação consiste em que os indígenas sofreram uma grande injustiça, cometida por diferentes atores históricos, dentre os quais se destacam a Igreja e o Estado brasileiro, em suas diferentes fases de constituição, em particular a relativa à escravidão. Os produtores rurais, por sua vez, são igualmente vítimas dessa situação, pois não são responsáveis pela conversão forçada das tribos indígenas pelos missionários nem pelas atrocidades cometidas pelo Estado brasileiro. Acontece, porém, que o Cimi e a Funai procuram reparar uma injustiça histórica com uma outra injustiça, que afeta pessoas inocentes. Tanto a Igreja quanto o Estado brasileiro não assumem as suas respectivas responsabilidades e as transferem a um terceiro, no caso os proprietários rurais. Pregam justiça com recursos alheios.

Se a justiça fosse o eixo de suas ações, deveriam comprar terras pelo valor de mercado e distribuí-las. E não expropriar terceiras pessoas que não responsáveis por essa história.

por Denis Lerrer Rosenfield, professor de Filosofia, no Estadão, em 29/09/2008

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Está na Hora de Perder a Paciência

As pesquisas de opinião indicam que a nova "constituição socialista e bolivariana" do Equador será aprovada, folgadamente, no referendo de domingo. Mas o presidente Rafael Correa não brinca em serviço. Para garantir a vitória, ele já gastou soma inédita em campanhas eleitorais no país - tudo dinheiro público, é claro. Também abriu a temporada de concessão de empréstimos e financiamentos por instituições oficiais de crédito a pessoas e organizações selecionadas. Só faltava, para garantir uma vitória estrondosa, um acontecimento que unisse a nação em torno de seu presidente.

É isso o que explica a assinatura, a quatro dias do referendo, do decreto de "estado de emergência preventiva" que, a pretexto de evitar um provável colapso do fornecimento de energia no país, fechou as operações da Odebrecht no Equador, congelou seus ativos e suspendeu direitos constitucionais de quatro cidadãos brasileiros, executivos daquela empresa, proibindo-os de deixar o país. Além disso, o presidente Rafael Correa mandou unidades do Exército, especializadas em operações especiais, ocuparem os escritórios e canteiros de obras da construtora. Também ameaçou não pagar um empréstimo de US$ 200 milhões, contraído para a construção da Hidrelétrica de San Francisco.

Essa usina, construída pela Odebrecht, foi entregue em julho de 2007, nove meses antes do prazo fixado e, no dia 6 de junho último, teve de deixar de operar porque apresentava problemas estruturais. A Odebrecht se dispôs a fazer os consertos necessários e, como o projeto da obra é do governo equatoriano, propôs que a responsabilidade pela paralisação do fornecimento de energia fosse definida por arbitragem da Câmara de Comércio Internacional, como prevê o contrato entre a construtora e o Equador. Para tanto, faria uma caução de US$ 43,8 milhões.

Mas não interessava ao presidente Rafael Correa resolver uma questão comercial pelos meios regulares. Ele precisava criar um factóide para ampliar sua base de apoio. Já havia usado essa mesma tática, nos primeiros dias de seu governo, quando escolheu dois "inimigos externos" para combater. Os primeiros foram o FMI e o Banco Mundial, ameaçados de um calote que nunca ocorreu. O segundo foi a Petrobrás, que tinha a concessão de dois campos de petróleo na Amazônia equatoriana, dos quais finalmente teve de abrir mão.

O presidente Rafael Correa considera que a intervenção na Odebrecht não terá repercussões negativas sobre o relacionamento entre o Equador e o Brasil. Afinal, o chanceler Celso Amorim declarou - à semelhança do que fizera quando Evo Morales mandou tropas para as refinarias da Petrobrás, na Bolívia - que o governo equatoriano tem o direito de proibir a atuação da construtora no país. E o Itamaraty não esboçou a menor reação à aberrante violação dos direitos de quatro cidadãos brasileiros, dois dos quais estão refugiados na embaixada em Quito.

Em Nova York, onde estava para a sessão de abertura dos trabalhos da ONU, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com a calma paternal que tem exibido quando interesses brasileiros legítimos são afrontados pelos hermanos, bolivarianos ou não. Disse não estar preocupado com a ameaça do calote ao BNDES e acrescentou que esperava um telefonema de Rafael Correa para conversarem como "dirigentes civilizados". Como sempre, nessas ocasiões, usou a metáfora do irmão mais velho. O Equador seria o "irmão menor", que, mesmo sem razão, fica fazendo cobranças ao mais velho, que precisa encarar a situação com paciência. Finalmente, lembrou que "no Equador há eleições domingo. Vamos deixar a bola passar para resolver esse problema. Esse é o papel do Brasil".

Não é. A excessiva tolerância do governo petista aos abusos cometidos por governos populistas da região contra empresas e interesses brasileiros quando muito pode ajudar os "irmãos menores" a ganhar eleições. Mas Lula não foi eleito presidente do Brasil para isso. Cabe-lhe zelar, em primeiro lugar, pelo interesse nacional, exigindo que o Brasil seja respeitado de fato pelos países vizinhos. Hoje, os populistas que controlam os países da vizinhança vêem o Brasil como um gigante de pés de barro, que pode ser desafiado à vontade, pois tem uma paciência inesgotável para aceitar desaforos e tolerar esbulhos.

Já passou da hora de perder a paciência.

em 26 de Setembro de 2008 , na
Opinião do Estadão


A grande mídia, em geral, tem um grave problema: não querer dar nomes aos bois. Esbraveja contra Correa e contra Lula como se ambos fossem chefes de Estados democráticos, na mais clara acepção da palavra.

Não são. Assim como não são Chávez, Evo, Bachelet, Kirshner, Lugo. São fruto das maquinações feitas por todos os membros do Foro de São Paulo, do populismo barato de seus discursos, da incitação da população mais carente contra a menos carente e/ou mais abastada, numa eterna luta de classes disfarçada pela demagogia destes líderes.

Todos, sem exceção, querem somente implantar o comunismo na América Latina - aquilo que se perdeu no Leste Europeu, segundo o documento de abertura do 1o. Foro de São Paulo, em 1990, assinado por Lula e Fidel Castro.

Lula e Amorim somente dão-nos uma desculpa esfarrapada para o novo roubo, praticado por Correa desta vez, contra o povo brasileiro - afinal, o dinheiro do BNDES vem do trabalhador brasileiro e deveria ser usado em benefício do mesmo e não para financiar eleições que irão perpetuar um proto-ditador no poder de uma nação sofrida.

Lula realmente não foi eleito para isso e deveria atentar para o interesse nacional ante a agressão externa; mas seu "irmão menor" é companheiro de luta bolivariana - um novo nome para comunista -, então, tudo é permitido.

Ah! Se fosse os Estados Unidos que tivesse feito esta fanfarrice...

A Nova República Ruralista do MST

Documentos secretos do MST (apreendidos no Rio Grande do Sul) descrevem a preparação de uma nova etapa do movimento. Comandando as instituições do Estado que administram o mundo rural, pensa agora em controlar o uso da terra pela política.

por Denis Rosenfield, em 25/09/2008, no Diário do Comércio

O aparelhamento do Incra, da Fundação Palmares (questões quilombolas) e da Funai (questões indígenas) gerou este processo de relativização da propriedade privada no campo, que agora é conduzido pelos próprios órgãos estatais.

A polícia militar do Rio Grande do Sul encontrou, em 17 de junho de 2008, quando do cumprimento de um mandato de desocupação da área denominada Acampamento Jandir, em Coqueiros do Sul, vários documentos lá abandonados quando da saída dos emessistas. Eles exibem uma radicalização do movimento, retomando, com outras palavras, mas com os mesmos conceitos, a experiência comunista do século XX. Nada aprenderam com a História, procurando repeti-la, seguindo, agora, os passos da "revolução bolivariana" de Chávez e Morales.

Em um deles, intitulado Estratégia e Tática, Movimento Social Popular, é colocado como Estratégia Política: caminho pelo qual deve ser canalizada a luta de classes em vista da transformação da sociedade. – Objetivo estratégico final: derrota da burguesia (controle do Estado) e implantação do socialismo.

Não se trata, nesta perspectiva, de melhorar a condição dos agricultores e trabalhadores, nem de distribuir terras, com títulos de propriedade, aos que não as tenham e queiram nelas trabalhar, mas de manipular e instrumentalizar essa massa de sem-terra no caminho de implantação do socialismo. As lutas emessistas têm, portanto, um objetivo de transformação da sociedade incompatível com uma economia de mercado e com as relações contratuais próprias do Estado de Direito.

Neste sentido, melhorar a condição dos assentados por intermédio de venda de produtos no mercado, segundo a livre escolha desses, se torna algo que deve ser a todo custo evitado em nome de um objetivo maior: "a derrota da burguesia".

Observe-se que a derrota da burguesia deve-se fazer mediante o controle do Estado, o que significa apoderar-se da máquina estatal para o cumprimento de seus objetivos. Isto se traduz pelo aparelhamento do INCRA – e também da Fundação Palmares (questões quilombolas) e da FUNAI (questões indígenas) –, que passa a responder a essa orientação por membros dos movimentos sociais lá colocados. Compreende-se melhor todo o processo de relativização da propriedade privada que tem sido conduzido por esses órgãos estatais.

A discussão sobre a revisão dos índices de produtividade se situa nesta perspectiva de relativização do direito de propriedade, empreendida por ministérios que passariam a responder a essa orientação "socialista" do MST, graças aos seus apoios partidários, em particular nas correntes mais à esquerda do PT.

O mesmo ocorre com a proliferação de terras indígenas em Roraima e Mato Grosso do Sul, que fragilizam os direitos individuais de propriedade, alguns de várias décadas, senão séculos. A finalidade consiste em amputar esses estados de partes consideráveis de seu território.

A questão quilombola se inscreve também neste caminho que está sendo trilhado graças a essas orientações estratégicas do MST.

Em seus próprios termos, segundo um outro documento intitulado A Reforma Agrária necessária: por um projeto popular para a agricultura brasileira: Demarcação de todas as terras indígenas, de remanescentes de quilombolas e as terras comuns de faxinais, pastos e serras de acordo com a tradição de cada região.

Em particular, esse último documento se caracteriza por um forte teor anticapitalista, apregoando uma política soviética, comunista, de planejamento estatal, com o Estado devendo se colocar a serviço do MST. Evidentemente, esse Estado assim controlado por essa organização – que repetiria o receituário leninista e stalinista – estabeleceria, num primeiro momento, o controle total do uso da terra para, depois, estabelecer as condições mesmas de funcionamento do Estado para outras áreas da economia e da sociedade.

A política "bolivariana" deveria nortear as ações do Estado brasileiro. Assim como Chávez e Evo Morales, o MST defende a limitação do "tamanho máximo da propriedade rural. E desapropriar todas as fazendas acima desse módulo, independente da produção". Note-se que foi abandonado o discurso do latifúndio improdutivo, doravante substituído pelo da luta contra a moderna propriedade rural, contra o agronegócio, independentemente de sua produtividade ou de sua repercussão econômica e social para o País. E aqui não se trata somente do produtor rural, mas da desapropriação de toda propriedade rural que pertença a "empresas estrangeiras, bancos, indústrias, construtoras e empresas que não dependem da agricultura para suas atividades.

O objetivo consiste em minar as bases mesmas do agronegócio, os fundamentos mesmos de uma economia de mercado, de tal maneira que o mundo rural passaria a ser controlado totalmente pela política anticapitalista, socialista, do MST ditando a conduta do Estado brasileiro. Vejam o planejamento soviético. Para nenhum leninista botar defeito. "Todos os recursos naturais e a madeira serão controlados pelos trabalhadores, em conjunto com o Estado, para que beneficie a todo povo brasileiro. Não poderá ser objeto de exploração lucrativa. É proibida a exportação de madeira e a prática da bio-pirataria na Amazônia".

Observe-se o controle que passaria a ser exercido sobre o meio ambiente, o que suporia, evidentemente, o aparelhamento emessista do IBAMA e das fundações estaduais do meio ambiente. E isto se faria mediante uma atuação conjunta dos "trabalhadores", isto é dos militantes do MST, e do Estado, isto é, das instâncias estatais a mando dessa organização.

Ou seja, haveria um planejamento total da atividade agrícola pelo Estado, que passaria a tudo regular, não exercendo o mercado mais nenhum papel. O lucro seria totalmente banido, o que significa dizer eliminar o motor mesmo que move uma economia de mercado. Mais especificamente, o setor de florestas plantadas (eucaliptos e pinus), papel e celulose deveria passar para o planejamento estatal, sendo, inclusive, proibida a exportação de madeira. Evidentemente, árvores transgênicas estariam terminantemente proibidas também.

A "nova" reforma agrária é um passo atrás na história!

O Chávez Tá Putin!

O primeiro-ministro russo Vladimir Putin declarou nesta quinta-feira, 25, que as relações de seu país com a America Latina serão a maior prioridade de Moscou. Ele também disse ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, que está em visita a Rússia, que está disposto a compartilhar com Caracas o uso pacífico de energia nuclear. "Estamos todos prontos para considerar a possibilidade de operar na esfera da energia atômica pacífica", declarou Putin durante o encontro com Chávez na residência do premiê em Novo-Ogariovo, nos arredores de Moscou, informaram as agências russas.

O premiê também anuncio que a Gazprom - companhia de gás russa - está pronta para começar a explorar hidrocarbonetos na costa venezuelana no final de outubro. "Estou muito contente de informar que está planejado o lançamento da primeira torre de perfuração da Gazprom para o fim de outubro", declarou.

Chávez, por sua vez, disse considerar que a manutenção de relações mais próximas entre Caracas e Moscou ajudará a fortalecer um mundo multipolar. A oferta de apoio ao presidente venezuelano, um forte crítico ao governo americano, aparece dias depois da Rússia bloquear um encontro entre chanceleres de grandes potências nas Nações Unidas em Nova York para discutir sanções contra o Irã por seu programa nuclear.

"Eu não posso deixar de agradecer você pela cordialidade na recepção da equipe de nossos aviões bombardeiros estratégicos que passaram vários dias na Venezuela", disse Putin a Chávez. Ainda nesta quinta, Moscou anunciou um empréstimo de US$ 1 bilhão à Venezuela para que o país latino compre armas russas.

A Venezuela já comprou caças de combate, tanques e rifles da Rússia. O país também quer adquirir sistemas de defesa aérea, outros modelos de tanques e mais equipamento de combate, informou o jornal Kommersant.

Em uma segunda manobra militar, navios de guerra da Rússia dirigem-se ao Caribe para se juntarem em exercícios militares com a Venezuela. Moscou deixou claro que os recentes exercícios são uma resposta aos EUA, que no mês passado enviaram navios de guerra à Geórgia com ajuda humanitária, o que foi altamente criticado pelo Kremlin.

O cruzador nuclear "Pedro, o Grande" encabeça a frota russa que segue para Venezuela. O envio é a maior mostra do poderia militar russo na região do continente americano desde o fim da Guerra Fria. A Rússia intensificou recentemente seus contatos com Venezuela, Cuba e outros países latino-americanos, ao mesmo tempo em que aumentam as tensões entre Moscou e Washington.



Quando acabou a União Soviética, não se ouviu um único choro da Cortina de Ferro pra lá. Era impossível colher uma só lágrima de descontentamento — a não ser de uma parte do antigos aparelhos de estado que foram desmobilizados; outra se adaptou bem depressa ao novos regimes, uns mais, outros menos democráticos. Onde o fim do socialismo foi mais pranteado? Onde as carpideiras se vestiram de negro para encomendar o defunto? Onde intelectuais se declararam de luto para lastimar um mundo unipolar? Ora, no Ocidente, é claro, especialmente nas democracias. Há 17, 18 anos, não se tinha clareza ainda de uma China emergindo como potência global. E se vislumbrou, então, um mundo terrível, inteiramente entregue à hegemonia americana.

Pois bem. As carpideiras podem agora relaxar, não é mesmo? O mundo unipolar era só uma fantasia do antiamericanismo. Temos a China como a grande alavanca da economia dos países emergentes. E, mundo afora, é grande a torcida para que o regime que entronizou o terror e a tirania como método não sofra qualquer abalo. Somos todos mais ou menos dependentes daquele quase um quarto da população mundial que vive debaixo de vara.

E a Rússia está de volta ao cenário mundial, como se viu com a sua ação tão, como direi?,convincente na Geórgia. E agora vem dar em águas latino-americanas, aproveitando para fazer chicana com um bandoleiro como Hugo Chávez. Acordo nuclear para fins pacíficos? Com um doidivanas? Talvez seja mesmo a hora de os EUA elegerem um presidente havaiano. Quem sabe ele consiga manter um diálogo “construtivo” com Rússia e Venezuela, e o primeiro país decida manter a sua influência no continente, “mas só um pouquinho”, como na lábia dos antigos sedutores...

Não se cumpriu a fantasia do mundo unipolar, é evidente. O que temos aí é um mundo, com efeito, multipolar, quem sabe um quadrilátero, com EUA, Europa, Rússia e China. Um do lados é uma tirania explícita. Outro recorre a todos os instrumentos do regime democrático para solapar a democracia. A Europa, por mais que se esforce, não consegue sair da irrelevância — quem dá bola para o que pensam os europeus? Às vezes, nem os europeus... E há os EUA, que continuam, não raro, a ser objeto de ódio no próprio Ocidente.

Nunca consegui saber o que as democracias ocidentais perderiam de importante com a possibilidade do tal mundo unipolar, que provocava tantos sustos. Mas sei o que estamos ganhando com o atual multipolaridade: um Irã que continua a desenvolver o seu programa nuclear, protegido por Rússia e China; uma Venezuela que caminha para a ditadura explícita buscando ancorar-se nos russos, e, o mais grave de tudo: a aceitação tácita, também entre nós, de que a democracia é só uma das escolhas entre outros sistemas aceitáveis e eficientes. E já há quem desconfie se é mesmo a melhor escolha, agora que se sabe que economia de mercado com ditadura é bem mais fácil de ser manejada.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

A Bolsa ou a Vida

Em sua última coluna [para assinantes], segundo Lula, Diogo Mainardi cometeu um crime. Um crime que ele, Lula, comparou a um "roubo". E Diogo confessa: roubou. Pior: se surgir a oportunidade, roubará de novo. Ele se diz um impenitente. A bolsa ou a vida, Lula.

Que crime ele, Diogo, cometeu? Simplesmente reproduziu um grampo feito pela PF em que Marcelo Sato promete usar seu reconhecido talento para azeitar o processo de um usineiro junto à ANP. Para quem perdeu a memória: Marcelo Sato é o genro de Lula, casado com sua filha Lurian. Lula declarou que, quando a imprensa publica o conteúdo de um grampo, como Diogo fez com o de Marcelo Sato, ela está cometendo um crime análogo a um roubo. Curiosamente - o brasileiro é mesmo um tipo muito curioso -, ninguém se interessou em perguntar ao presidente da República o que ele pensa sobre os negócios suspeitos de seu genro. O que se sabe é que, em seu sistema de valores - um sistema de valores que ele quer transformar agora em emenda constitucional -, o verdadeiro criminoso é quem denuncia o crime.

Antes do genro de Lula, houve o compadre de Lula. Antes do compadre de Lula, houve o irmão de Lula. Antes do irmão de Lula, houve o filho de Lula. O episódio envolvendo Marcelo Sato é tão corriqueiro que Diogo nem lhe deu muita bola. Usou-o apenas como um modesto retrato de nossa miséria institucional. Nesta semana, a ONG Transparência Internacional avaliou que o combate à corrupção, no Brasil, "parece ter estancado". Estancou mesmo. Só sobraram uns passadistas, uns retrógrados, uns golpistas de direita que continuam em sua bolorenta Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Para os petralhas - tomando emprestado o termo cunhado por
Reinaldo Azevedo -, Diogo representa a Dona Leonor de Barros do lulismo. E Reinaldo Azevedo é visto como uma espécie de padre Peyton, com sua Cruzada Mundial do Rosário. Nós - eu, Diogo, Reinaldo - brandimos anacronicamente os mesmos cartazes de meio século atrás: "Queremos governo honesto", "A melhor reforma é o respeito à lei", "Senhora Aparecida iluminai os reacionários". O fato é que o Brasil inteiro estancou. A Folha de S. Paulo mostrou que o programa Bolsa Família tornou-se um instrumento para garantir o voto de cabresto. Se Diogo - e eu - é aborrecidamente passadista, é só porque a gente estancou no passado.

Um adendo absolutamente desimportante: Marcelo Sato prometeu ajudar a Agrenco a acelerar um processo na ANP. No site da ANP, há um documento pedindo impugnação de um leilão de biodiesel com o argumento de que a Agrenco, apesar de uma greve dos auditores da Receita Federal, conseguiu obter um "registro especial". Não sei exatamente o que isso significa. Só sei que é melhor investigar agora, antes que investigar o assunto seja considerado um crime, um roubo.

por
Diogo Mainardi, em seu blog

Ainda a Tortura do Terrorismo Esquerdista

O ministro da Justiça, Tarso Genro, teve a sua hora como guardião dos direitos humanos e amarelou. Em agosto do ano passado ele deportou os boxeadores cubanos Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara, que abandonaram a delegação do seu país durante os jogos do Pan.

Rigondeaux, bicampeão olímpico, foi excluído da equipe enviada Pequim. Erislandy fugiu de novo, está na Alemanha e de lá informou:

“Não tivemos nenhum apoio e, sem ninguém para contactar, fomos obrigados a pedir para voltar para Cuba”.

Há algo de oportunismo e de caça ao evento na auto-investidura do comissário Genro como perseguidor de torturadores. Sua estatura como ocupante da cadeira onde sentou-se Diogo Feijó (1831-1832) cabe numa frase dita por ele: “O presidente pode dar um puxão de orelha em qualquer ministro. Isso é da sua competência, mas eu não levei puxão de orelha.” Mesmo assim, Tarso Genro esteve certo em relação aos torturadores.

A tortura foi uma política de Estado durante a ditadura, particularmente entre 1969 e 1977. Como disse o general Vicente de Paulo Dale Coutinho às vesperas de assumir o Ministério do Exército, em 1974: “Ah, o negócio melhorou muito. Agora, melhorou, aqui entre nós, quando começamos a matar.” Como reconheceu um estudo do Centro de Informações do Exército, praticaram-se “ações que qualquer justiça do mundo qualificaria de crime”. Os torturadores cumpriam determinações de seus superiores. Prova disso foi a concessão da Medalha do Pacificador ao delegado Sérgio Fleury, ícone do Esquadrão da Morte e do porão paulista.

A história segundo a qual a tortura e a prática sistemática de assassinatos foi produto de excessos, indisciplina ou deformação moral de subalternos é uma patranha destinada a polir a biografia dos comandantes militares e dos presidentes da República da ocasião.

Se a família de uma vítima da máquina repressiva dos generais, almirantes e brigadeiros, vai à Justiça em busca da responsabilização dos oficiais que comandavam o porão, esse é seu direito. Caberá ao Judiciário decidir se a anistia ampara a outra parte. Pena que fiquem de fora os finados comandantes que mandaram capitães e majores torturar e matar brasileiros.

Há um aspecto relevante nesse debate. É a postura dos atuais comandantes diante da herança maldita da ditadura. Em vez de exorcizá-la, reconhecendo um erro cometido há mais de trinta anos, cavam duas trincheiras. Uma é a do debate inoportuno. Outra é a da negativa da responsabilidade dos hierarcas. Ambas são falsas e o debate é necessário. O desconforto e irritação dos comandantes militares com a tortura é o único tema dos anos 60 e 70 que não desaparece da agenda política nacional. O país já se livrou da inflação e da Telerj, mas a sombra soberba dos DOI-Codi continua aí.

Algo como se o doutor Henrique Meirelles fosse obrigado, hoje, a defender a inflação dos seus antecessores remotos no Banco Central.

Quem vive preso ao passado não são os órfãos do DOI, são os protetores de sua memória.
Os comandantes militares carregam na mochila crimes alheios. (A tortura, assim como o seqüestro, pode ter sido coberta pela anistia, mas crime foi.) Não são as vítimas nem seus parentes que devem calar. São os comandantes que devem se acostumar ao convívio com a História.

por Elio Gaspari, em 13/08/2008, no Globo


Alguns jornalistas desfrutam de relativa fama de bons analistas políticos, em razão de serem tidos por progressistas, rótulo dado àqueles que acreditaram, por ingenuidade ou miopia, na utopia da doutrina comunista. Os militares, vitoriosos da Guerra Revolucionária travada em forma de guerrilhas urbana e rural, se descuidaram em relação à comunicação, essencial para a conquista psicológica da população. Como conseqüência, na mídia, nas universidades, nos sindicatos e entre os formadores de opinião, a verdade dos fatos para a História foi sendo continuamente deturpada, ao longo dos anos, aproveitando o mutismo dos vencedores.

Aqueles que na clandestinidade traíram a pátria; seqüestraram Autoridades; assaltaram bancos; praticaram atentados contra quartéis; roubaram armas e munições; mataram militares e civis inocentes; detonaram explosivos em vias públicas ferindo transeuntes; assassinaram companheiros como justiçamento, e praticaram torturas física e moral, intrínseca nos crimes de seqüestros, foram transformados em heróis.

Os sobreviventes da luta armada, terroristas que em ações ensandecidas destinadas a implantar o comunismo no Brasil, em razão da Lei da Anistia, se deram muito bem, pois, hoje, como figurões do Governo petista, desfrutam de indenizações milionárias concedidas por uma espúria Comissão que, sem a menor noção de decoro e de imparcialidade, impunemente tem praticado extorsão contra o Tesouro Nacional.

Enquanto os militares que representavam e defendiam o Estado e a lei foram transformados em vilões e comparados a nazistas, estuprando a História urdiram a versão bisonha de lutarem pela restauração da Democracia, versão felizmente já desmentida, inclusive pelas declarações e entrevistas de alguns ex-participantes de organizações terroristas.

É lamentável, e denotativo de mediocridade e de total falta de imaginação, a freqüência inoportuna e monótona como jornalistas retornam ao assunto tortura, que já não sensibiliza, motiva ou revolta os leitores, face o abuso da repetição nada mais acrescentar ao desgastado tema.

Agora, após a tentativa fracassada, do medíocre Ministro Tarso Genro, de tentar julgar e apenar o crime de tortura, do qual são acusados os militares, olvidando toda uma série de crimes sórdidos e hediondos praticados pelos terroristas, vem o jornalista Elio Gaspari de publicar um Artigo intitulado: "A tortura é a verdadeira herança maldita".

Arvorando-se de intérprete do pensamento dos brasileiros e de conselheiro dos atuais Chefes militares, numa tentativa ridícula de lançar a discórdia e a insídia no meio castrense, escreveu Gaspari: "Os comandantes militares precisam aprender a conviver com os crimes de seus antecessores". Em outro trecho afirma: "Os comandantes militares carregam na mochila crimes alheios. (A tortura,assim como o seqüestro, pode ter sido coberta pela anistia, mas crime foi.) Não são as vítimas, nem seus parentes que devem calar. São os comandantes que devem se acostumar ao convívio com a história."

Não, jornalista! Felizmente, nem os Comandantes atuais, nem os demais militares pensam assim, estando atentos, pois, hoje, como os seus antecessores faziam, acompanham, analisam e interpretam a conjuntura em todas as expressões do Poder Nacional, tendo um exato conhecimento do momento nacional, bem como dos reais fatos ocorridos no passado, razão de não se deixarem levar ou impressionar por factóides gerados para produzir determinado efeito político, nem por artigos, traduzindo opiniões de analistas que gravitam na mediocridade, sem credibilidade alguma, por faltar-lhes seriedade e imparcialidade nas análises consubstanciadas nos artigos que assinam, sobrando-lhes em facciosidade o que lhes falta em credibilidade, virtude indispensável ao mais bisonho dos jornalistas.

Não, jornalista Gaspari! Os Comandantes sabem que a Revolução de 64 evitou que não apenas o Brasil, mas, todo o Continente da América do Sul sucumbisse à agressão comunista. Sabem que os ex-Comandantes salvaram os brasileiros do infortúnio, desenvolveram o país e tentaram, pelo exemplo, reciclar moralmente a Pátria. Sabem que os cinco militares no exercício da Presidência da República foram honrados e dignos, sendo o patrimônio legado aos familiares inequívocas provas de honestidade, razão de nenhum haver tido o nome atrelado à corrupção. Sabem, também, da não existência de nenhuma instrução, ordem ou documento autorizando, permitindo ou recomendando a tortura como forma ou instrumento de luta revolucionária.

Não, jornalista! Os Comandantes, como os demais brasileiros não estão interessados em fatos ocorridos faz décadas, pois sabem que os militares representavam e defendiam o Estado agredido por fanáticos traidores da Pátria. Sabem que os seus antecessores, companheiros de farda e de ideal, lutaram em defesa da Democracia, da liberdade e da filosofia de vida reinante no mundo ocidental. Sabem que, mesmo exagerando, o somatório do total de mortos dos dois lados, em razão da guerra revolucionária travada, não chegou a 500, número bem menor, se proporcionado à soma das vítimas do crime organizado num trimestre, apenas no eixo Rio- São Paulo. Sabem que a classe militar, faz anos, é vítima de revanchismo e de discriminação, tendo os Ministérios militares sido arbitrariamente prejudicados na operacionalidade, por terem sido submetidos a uma inanição orçamentária sem precedentes.

Não, jornalista! Os Comandantes não estão querendo um furo jornalístico seu, informando, por exemplo, o que a Ministra e ex-terrorista Dilma fez com o dinheiro proveniente do assalto e furto do cofre do falecido Ademar de Barros, pois isso pertence a um passado anterior à Anistia, além do que, sabem faltar-lhe tutano para tanto. Cooperando com o jornalista, opino que deva se atualizar no tempo, pois fato ligado ao período revolucionário não mais é herança maldita, pois, tudo já é do conhecimento do leitor.

Os leitores estão interessados não é em heranças, mas, em fatos malditos que maculam a imagem do Governo petista, ex-guardião da honra, da decência e da moralidade. O que a Nação almeja saber, é qual foi o exato envolvimento do presidente Lula no escândalo do mensalão. Na era petista denúncias em forma de escândalos são sucessivas. Que tal procurar esclarecer a verdade sobre as acusações de corrupção que teriam enriquecido o filho do presidente Lula?

Não, jornalista! O ontem é passado! O hoje, por ser presente, é o que importa! Herança maldita já é História e apenas serve para reciclar a memória. Fato maldito, ao contrário, é ato doloso de um Governo corrupto, cujo prosseguimento, para ser impedido, requer ação de todos os seguimentos vivos da Nação. Já que os atuais Comandantes não se sentem atingidos, nem prejudicados por nenhuma herança maldita legada pelos antecessores, sugiro que escreva algo de realmente útil, clamando pela apuração dos despudorados fatos malditos, consubstanciados nas vergonhosas maracutaias que estigmatizam e enlameiam o Governo do apedeuta Lula da Silva.

por Márcio Matos Viana Pereira - Cel. Reformado - EB, no
Portal Ternuma

A Mala Argentina ou o PT dos Outros é tão Corrupto Quanto o Nosso

O empresário venezuelano Guido Antonini Wilson complicou ontem a situação do governo de Cristina Kirchner no escândalo que ficou conhecido como "caso da mala". Ele confirmou o envio clandestino, em agosto de 2007, de US$ 6 milhões de Caracas para Buenos Aires (e não mais US$ 5 milhões, como havia afirmado antes), divididos em duas maletas, e disse que o destino do dinheiro era a campanha eleitoral de Cristina, eleita presidente da Argentina em outubro.

Diante da Justiça Federal americana em Miami, Antonini confirmou as conversas gravadas secretamente pelo FBI entre ele e agentes do governo do presidente venezuelano, Hugo Chávez. Segundo Antonini, o total de dinheiro estava dividido em uma maleta com US$ 790 mil, que ele carregava, e outra com US$ 4,2 milhões. O envio dessa verba seria um indício das conexões irregulares entre o governo Chávez e o casal Kirchner.

Antonini disse que as malas foram embarcadas em Caracas em um vôo fretado por funcionários do governo do então presidente argentino Néstor Kirchner. As malas foram colocadas no avião por Claudio Uberti, homem de confiança dos Kirchners, e Rafael Reiter, chefe de segurança da estatal venezuelana petrolífera PDVSA.

O "caso da mala" veio à tona em agosto do ano passado, quando Antonini tentou desembarcar em Buenos Aires com os US$ 790 mil. Acompanhado por executivos da PDVSA, o empresário chegou à cidade em um vôo fretado pela estatal energética argentina Enarsa.

MALA CONFISCADA
Um dos passageiros argentinos, Claudio Uberti (diretor do organismo de fiscalização de pedágios, mas que na prática atua como negociador entre empresas venezuelanas e a Argentina), teria pedido a Antonini que carregasse uma mala para ele. Ao passar pela Polícia Alfandegária, o venezuelano foi então interrogado e disse que havia livros na mala, que foi confiscada em seguida.

Mesmo após o escândalo, Antonini foi ao palácio presidencial, para participar de um coquetel. Ele diz que ali foi apresentado ao ministro do Planejamento da Argentina, Julio De Vido, que nega conhecer o empresário. Após três dias em Buenos Aires, Antonini partiu para Miami, onde foi convencido pelo FBI a colaborar. O organismo gravou conversas do empresário (que mora há 15 anos em Miami e tem cidadania americana) com agentes venezuelanos, que tentavam convencê-lo a manter silêncio.

Antonini - que há 10 meses vive em um lugar secreto na Flórida, protegido pelo FBI - afirmou na terça-feira que, para não contar o que sabia, o governo argentino lhe ofereceu "o que quisesse". Suas declarações estão prejudicando a visita de Cristina a Nova York, onde pretendia recuperar a confiança dos mercados na Argentina, durante a Assembléia-Geral das Nações Unidas.

O "caso da mala" acabou, por um lado, esfriando as relações entre Buenos Aires e Chávez. Por outro, proporcionou mais munição à oposição argentina, que agora pede que a Justiça investigue irregularidades no financiamento da campanha de Cristina. O escândalo também prejudicou a popularidade da presidente.

O caso também abalou as relações de Cristina com o governo dos EUA. Diversos assessores da presidente argentina afirmaram que as acusações não passavam de uma "operação suja" promovida pelo FBI.

ESCÂNDALOS DA ERA KIRCHNER
Caso da Mala: Presidente Hugo Chávez teria enviado pelo menos US$ 5 milhões para a campanha de Cristina no ano passado.

Caso Skanska: Escândalo envolve empreiteiras argentinas e estrangeiras - entre elas a sueca Skanska - no superfaturamento das obras de dois gasodutos no país. Denúncias indicam subornos de US$ 5 milhões.

Fundos de Santa Cruz: Nos anos 90, o então governador de Santa Cruz, Néstor Kirchner, enviou US$ 500 milhões para o exterior. Com o dinheiro fora do país, a província salvou-se da crise financeira de 2002. Kirchner prometeu que, quando fosse eleito presidente, o dinheiro voltaria ao país. A Justiça, porém, indica que não há provas da volta desse dinheiro à Argentina.

Trem-bala: Oposição acusa governo de irregularidades no contrato assinado com a empresa francesa Alstom para a construção de um trem-bala.

Enriquecimento ilícito: Oposição, advogados independentes e a imprensa acusam os Kirchners de enriquecimento ilícito nos últimos anos.

por Ariel Palacios, em 25 de Setembro de 2008, no
Estadão



Êpa! Olha aí a turma "democrática" e "ética" aprontando mais uma das suas! E desta vez, envolvendo financiamento de campanha na Argentina.

Lembram-se da promessa das FARC de doar US$ 5 milhões à campanha do PT no Brasil para a eleição de Lula? Ou dos "dólares de Cuba"?

Ah! Mas isso é só "suposição", vão dizer os esquerdopatas. "Suposição"? O caso Venezuela-Argentina só evidencia o tipo de "suposição" que essa gente pode fazer.

Não podemos nos esquecer - e não há mais como os esquerdiotas abafarem esta Verdade - que todos estes governantes de esquerda pertencem ao Foro de São Paulo. Até no site do Planalto há
discurso de Lula tecente loas a esta famigerada instituição que quer solapar a democracia na América Latina para implantar "o que foi perdido no Leste Europeu" após a queda do Muro de Berlim, ou seja, o comunismo nos moldes da URSS.

A diferença entre os governantes deste eixo de “países solidários” do continente - e solidários, clero, somente com os países cuja esquerda governa - é somente de método de dominação: Lula, Kirshnar e Bachelet, por exemplo, utilizam os ditos de Gramsci, enquanto Chávez, Evo e Correa, preferem Lenin e Trotski - ou assim demonstram. E, como já disse, não para fortalecer a democracia, mas justamente para solapá-la sob a aparência de respeito às leis e à vontade das urnas - principalmente quando as oposições, que representam a maioria (silenciosa, mas respeitadoras das liberdades e das leis) da população.

Reitero: essa gente toda está abrigada sob o guarda-chuva do Foro de São Paulo, que tem como líder máximo, na região, Lula. Como país que exerce, naturalmente, a liderança regional, em vez de lições de democracia e institucionalidade, o Brasil condescende com o que eles têm de pior.

Ou será que o apedeuta, uma única vez que fosse, fez o contrário do que digo?

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Quem Pode, Paga...

Saúde, educação, segurança são direitos básicos. Todo brasileiro deveria ter acesso a eles, mas faltam eficiência e qualidade. Quem paga a conta de todos esses maus serviços é o trabalhador. Cinco meses de trabalho vão para os impostos.

No resto do ano, tudo que entra na conta é gasto com os mesmos serviços na rede particular. Quem pode paga, mas a maioria tem mesmo que enfrentar um tormento diário. Na saúde, então, os gastos são surpreendentes. Quando se pára e faz as contas acaba se assustando.

Tudo custa muito: escola particular, plano de saúde, previdência privada ou transporte particular. Quando o serviço público, que deveria atender a todos os brasileiros, não funciona ou funciona mal, quem resolve pagar pelos serviços essenciais tem um rombo no orçamento doméstico.

O consultor Marcelo Braga tem R$ 2 mil de impostos por mês descontados do salário, dois filhos na escola particular e um plano de saúde privado.

“Hoje eu tenho que pagar os meus impostos, uma carga tributária alta, e tenho que ainda pagar pela saúde e pela educação dos meus filhos. Tudo isso se torna alto para nós”, diz o consultor.

Dados do IBGE mostram que o contribuinte de classe média gasta mais com saúde do que o governo. Em 2005, foram R$ 103 bilhões com consultas, exames e remédios. O setor público investiu R$ 66 bilhões em hospitais e atendimento.

“Pago muito imposto pelo pouco que eu tenho”, aponta o consultor Marcelo Braga.

De acordo com um estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), o contribuinte trabalha, em média, 157 dias por ano só para pagar impostos. São mais de cinco meses. Ao todo, 40,5% de tudo que o trabalhador receber este ano vai entregar ao governo até o fim de dezembro por meio de impostos, tributos e contribuições.

“Após pagar todos os tributos, essa classe média tem que trabalhar para comprar serviços privados em substituição aos serviços públicos: segurança privada, educação privada, previdência privada, saúde privada. Isso também consome uma parcela significativa da renda da classe média”, explica Gilberto Amaral, presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT).

Os ministros do Planejamento, Paulo Bernardo, e da Fazenda, Guido Mantega não quiseram comentar a pesquisa. Por meio da assessoria de imprensa, o governo informou que tem aumentado os investimentos em saúde e em educação, o que tem melhorado os indicadores sociais do país.

Tem Gente Levando a Sério

Aos pouquinhos, vai ruindo o papo furado de que o Brasil está imune à crise. O Banco Central, por exemplo, não dá ouvidos à parolagem.

Submetido à evidência de que o mercado de crédito perigava virar um Saara, o BC tratou de mexer no depósito
compulsório dos bancos.

O compulsório é uma das ferramentas de que dispõe o BC para regular o volume de dinheiro em circulação na economia.

Os bancos são obrigados a recolher às arcas do BC um pedaço do dinheiro que recebem de sua clientela na forma de depósitos e aplicações financeiras.

Quando quer “enxugar” a praça, restringindo o crédito, o BC sobe o compulsório. Quando é necessário injetar dinheiro na economia, como agora, o BC abre a torneira do compulsório.

Em
nota, o BC informou que as providências adotadas nesta quarta têm um “caráter pontual.” O texto não deixa dúvidas quanto ao ponto que se deseja atingir:

As medidas visam “preservar o sistema financeiro nacional dos efeitos da restrição de liquidez que vem sendo observada no sistema financeiro internacional.”

Bom saber que, sob a camada de discursos vazios, tem gente no governo levando a crise a sério.



Em parecer enviado ao STF, o procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza tachou de “inconstitucional” a lei que deu mais dinheiro às centrais sindicais.

Trata-se da lei que, a pretexto de regular o funcionamento das centrais, obrigou o governo a destinar a elas parte do imposto sindical pago pelos trabalhadores.

Aprovada pelo Congresso em março, a lei foi sancionada por Lula no início de abril. Em petição assinada por seu presidente, Rodrigo Maia, o DEM foi bater às portas do STF.

Abriu-se no Supremo um processo, que caiu na na mesa do ministro Joaquim Barbosa. Como manda a praxe, Joaquim requisitou a opinião do Ministério Público.

Daí o envio ao Supremo do texto que traz a chancela do procurador-geral da República. Um texto que, na essência, concorda com a alegação do DEM.

Para Antonio Fernando de Souza, uma alteração da “magnitude” da que foi imposta pela nova lei só poderia ter sido feita por meio de uma emenda à Constituição.

Se for seguida pelo STF, a manifestação do procurador-geral vai azedar uma sobremesa recém-servida às centrais sindicais: o acesso ao quindim do imposto sindical.

É uma mordida compulsória, da qual os trabalhadores não têm como fugir. Já vem subtraída do contra-cheque de quem tem carteira assinada.

Rende anualmente algo como R$ 1 bilhão. A nova lei empurrou cerca de R$ 100 milhões desse doce para dentro das arcas das centrais sindicais.

Antes, só os sindicatos, as federações e as confederações de trabalhadores tinham acesso à partilha.

A inclusão das centrais é, no dizer de Antonio Fernando, uma “afronta à estrutura vigente.” Constitui uma “intervenção estatal indevida em favor de entidades privadas.”“Em resumo”, diz o procurador-geral, “a contribuição sindical compulsória é destinada ao custeio do sistema confederativo de representação sindical, no qual não se incluem as centrais sindicais...”

“...Ademais, não há respaldo constitucional para que certa associação seja contemplada com contribuições de caráter compulsório, uma vez que tal situação caracteriza, em última análise, filiação compulsória [do trabalhador], vedada pelo princípio da liberdade de associação.”

Munido do parecer do mandachuva do Ministério Público, o ministro Joaquim Barbosa vai agora redigir o voto que será submetido à deliberação do STF.

Não há, por ora, data prevista para o julgamento. De concreto, tem-se apenas o seguinte: subiu no telhado a lei que foi fesjada nos salões do Congresso com um coquetel patriconado pela Força Sindical do deputado Paulinho (PDT-SP).

por Josias de Souza

O Vírus Fascista

Nunca acreditei na "política". Sempre suspeitei de grande parte dos colegas na faculdade que tinham "consciência política". Muitos deles eram maus alunos que aproveitavam a "missão" de salvar o mundo para matarem as aulas. No cotidiano invisível das relações humanas, manipulavam os colegas para seus fins políticos.

Evidentemente que alguns eram pessoas de boa fé. Falas como "o pensar para o coletivo" sempre me pareceram modos sofisticados de servir a uma certa farsa. O "pensar para o coletivo" adora burocracias e autos-de-fé. Essas palavras são ditas contra quem é mais livre do que a "consciência política" gosta. O espírito coletivo detesta a liberdade. E a liberdade não é necessariamente bela.

Esse sentimento se revelou uma consciência filosófica diante do fascismo. Hoje sei que, como me disse certa feita o filósofo alemão Peter Sloterdijk numa conversa regada a vinho, charutos, cachimbos e um delicioso frango que sua esposa faz, "não se enganem, ninguém venceu o fascismo". E por quê?

O fascismo está inscrito na relação entre o Estado moderno e as tentativas de "construção política da vida correta e do bem-estar social". Por isso sua íntima e bem-sucedida relação com a propaganda para "conscientização das massas". Um exemplo de fascismo é o constrangimento do idioma pelo "politicamente correto".

O fascismo não é uma marca restrita de Mussolini, Fidel Castro, Stalin ou Hitler. Essa é sua versão totalitária. O fascismo é um traço da sociedade moderna na "sua forma de construir um mundo melhor" por meio da máquina do Estado e das políticas públicas que moldam os comportamentos.

Explico-me: quando o coletivo age moralmente, ele é sempre fascista. Não importa se seus representantes são eleitos ou impostos diretamente pela força. O poder, às vezes desastroso, criado pela ciência e pela técnica é vastamente investigado pela história. A crescente burocracia do Estado moderno merece a mesma "desconfiança" porque ela parece querer controlar os mínimos detalhes da vida, distribuindo o "Bem".

Não sabemos o que é "o Bem", por isso devemos conviver com práticas diversas "dele". Entre a ciência, os tribunais, os sistemas de comunicação e de controle burocrático, a liberdade desaparece quando o Estado se faz "agente moral". A soma disso nos leva ao controle dos comportamentos. Há sempre uma relação explosiva entre a intenção de eficácia social e o risco fascista.

Quando a política vira moral, estamos diante desse risco. O Estado hoje entra na sua vida na velocidade da luz. O próximo passo é entrar na sua alma, na sua cama, no seu amor, na criação dos seus filhos, na sua fé e na sua boca. O governo não deve fazer cartilhas "éticas".

Aléxis de Tocqueville no seu magistral livro "Democracia na América", antídoto contra a fé cega na democracia, nos chama a atenção para os "detalhes da liberdade". Defendemos mais a liberdade quando impedimos que o governo entre no cotidiano das pessoas (família, escola, igrejas, sentimentos, virtudes e vícios) do que quando definimos "A Liberdade" em grandes idéias ou políticas públicas.

Quanto mais "cega" é a política para os detalhes da vida, menos perniciosa ela é. A tendência à "tirania dos detalhes" é típica do Estado democrático porque ele se acha um representante legítimo das pessoas (a maioria o elegeu), por isso pensa que deve "definir" o cotidiano delas. Seu modo de legitimação produz sua forma de tirania invisível.

A mania pela saúde, pelo bem comum, pela igualdade, pelo novo, pela construção social de hábitos saudáveis de vida, o ódio à religião (competidora do Estado moderno pela educação das almas) são paixões ancestrais do fascismo. Típico do espírito fascista é seu amor puritano pela "humanidade correta" ao mesmo tempo em que detesta a diversidade promíscua dos seres humanos.

Por isso sua vocação para idéia de "higiene científica e política da vida": supressão de hábitos "irracionais", criação de comportamentos "que agregam valor político, científico e social". O imperativo "seja saudável" pode adoecer uma pessoa. Na democracia o fascismo pode ser invisível como um vírus.

Quer um exemplo da contaminação? Votemos uma lei: mesmo em casa não se pode fumar. Afinal, como ficam os pulmões dos vizinhos? Que tal uma campanha nas escolas para as crianças denunciarem seus pais fumantes?

por Luis Felipe Ponde, na Folha de São Paulo

O Libertário de Ontem é o Ditador de Hoje

Millor Fernandes disse há trocentos anos que o perigo maior dos comunistas é quando eles aprendem a contar dinheiro. Vide a fortuna de Fidel Castro, as apropriações dos líderes europeus do Leste, as narco-finanças das Farc e os mensalões e cuecões do PT no Brasil.

Meu amigo paraibano Bráulio Tavares concluiu anos depois do decano filósofo do humor que "a direita nunca me enganou. A esquerda, já". E lá por volta dos anos 1980, meu lado cazuzo-publicitário ainda vivo compôs o adesivo "Ideologia, eu quero uma pra vender".

Longe do conhecimento de nosotros brasileiros e ignorada pela imprensa tupiniquim preocupada em pregar a queda do império americano e a falência do capitalismo, a pobre Nicarágua virou uma aldeia abandonada ao deusdará, uma sesmaria ideológica onde a família Ortega constrói fortuna e destrói a democracia.

O senhor Daniel Ortega [um dos membros do famigerado Foro de São Paulo], o ex-guerrilheiro que comandou a reação ao ditador Anastácio Somoza nos anos 1970, conseguiu em várias administrações provocar no pequeno país uma hecatombe maior do que o grande terremoto que devastou Manágua em 1972 e levou 10 mil vidas em apenas 30 segundos.

Quando Ortega e seus guerrilheiros combateram a dinastia Somoza, com ataques a la vietcongs e foram acusados pelo governo de violentos, saiu em defesa deles um senhor grisalho, cinquentão, querido pelo povo por sua importância religiosa e cultural: o então arcebispo Ernesto Cardenal.

O religioso foi o responsável por um conceito que tirava da luta armada qualquer culpa no campo divino: "não deporemos Somoza com orações, mas com balas". Uma versão brasileira foi composta pelo bispo Pedro Casaldáliga: "Erradicar a fonte da violência não é violência".

Ao justificar a ação guerrilheira do movimento sandinista, Cardenal estava pondo em prática as pregações do bispo colombiano Camilo Torres, um ícone católico da esquerda latina naquela época. Torres dizia que "o dever de todo cristão é ser revolucionário e o dever de todo revolucionário é fazer a revolução". Mais automático que a escrita de Breton.

A Nicarágua de hoje é mais um retrato da farsa marxista pregada pela esquerdopatia mundial. Uma nação destroçada, empobrecida, violentada nos mínimos direitos de cidadania, governada por um ex-guerrilheiro com todos os componentes de chefe de quadrilha, um corrupto, um carrasco sanguinário e sem escrúpulos.

Me assusta quando vejo um radical sentar a bunda no poder. Sua primeira ação é quase sempre passar uma borracha na própria condição pregressa. O Luiz Inácio que hoje ameaça nas ruas um líder que faz oposição no Parlamento, é aquele mesmo que fez oposição radical e até votou contra a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Quando liderou a oposição no tempo dos governos Sarney, Itamar, Collor e FHC, o senhor Luiz Inácio foi respeitado como manda o protocolo de uma democracia. Com exceção dos arroubos do alagoano, nenhum chefe de Estado subiu em palanques ou nas tamancas para desancar a outra banda da sociedade.

Voltemos à Nicarágua. Entre os muitos perseguidos pelo sacripanta Daniel Ortega está um senhor octogenário, cansado de tanta esperança, teimoso na sua fé de uma nação para o povo. Seu sofrimento diante da ditadura atual é o mais frio e cruel retrato do espírito amoral das esquerdas. O corsário comunista persegue Ernesto Cardenal.

por Alex Medeiros, no
Jornal de Hoje

Lágrimas de Bom Senso

O fim do homem como instrumento da construção da história e do seu próprio legado acontece quando ele perde três capacidades: a de sonhar, a de amar e a de se indignar. Nesse tripé de sentimentos se sustenta o verdadeiro sentido da vida. Fora disso, tudo é ilusão de percurso, acúmulo de bens fúteis.

Fica cada vez mais óbvio que o brasileiro vem perdendo - numa velocidade preocupante - todas essas capacidades que ainda se mantêm pilares essenciais de outros povos. É incrível como a vida e os conceitos morais se banalizaram no Brasil. Tudo virou apenas subproduto de retórica politiqueira, tanto de autoridades quanto de cidadãos comuns.

Honra, ética e moralidade se tornaram discurso de marketing pessoal, verborragia de amorais.A consciência brasileira se sustenta em atos isolados daqueles poucos que ainda conseguem navegar se esquivando da lama que nos inunda a alma. Nada mais nos indigna. Contemplamos a violência e a corrupção impassíveis como um gato defecando no passeio público. É a vida e a dignidade se esvaindo na TV, sem choro nem vela; só a fita amarela do patriotismo esportivo piegas.

O pobre motorista executado com direito a replay. A menina abatida na frieza do monstro. A criança esquartejada enquanto cada um se vira em busca do nada. Atingimos aquele estágio do velho samba de Max Bulhões e Milton de Oliveira: "quero chorar, não tenho lágrimas, que me rolem na face, pra me socorrer". Os governantes agem com a "filosofiadaputa" do "não adianta chorar o leite derramado". Acham que podemos relaxar e gozar diante de tudo.

A esperança de que ainda podemos repor o Brasil no caminho de uma civilização está em gotas das lágrimas do nadador potiguar Adriano Lima, chorando a alegria de futuro com os olhos na tristeza de um passado de operário acidentado. As lágrimas sinceras do brigadeiro Jorge Kersul Filho derramadas diante das famílias dos mortos no avião da Gol, aquelas mesmas lágrimas que quase verteram dos seus olhos na sessão da CPI do Caos Aéreo, quando revelaram o conteúdo da caixa-preta do vôo da TAM.

No Brasil, a morte tem seu cine clube. Nesse país de choros contidos e ausência de indignação, de desesperança coletiva, a saída pode estar nos olhos de quem ainda expressa um sentimento de angústia, de revolta e de reação ao fosso de incertezas que se abre sob os alicerces morais da pátria. Florbela Espanca cantava em sua poesia, "e o Sol altivo e forte, ao fim de um dia, tem lágrimas de sangue na agonia". E essa agonia não pode virar imparcialidade, fuga individual, há de se transformar em indignação coletiva, num grito sentido - mesmo quase surdo - de que ainda podemos reagir.

Vendo na TV o choro do militar e do atleta, resta a esperança de que a construção de uma vergonha nacional seja composta por água, cloreto de sódio e albumina. Mais do que nunca, o samba antigo retumba em nosso peito, "a lágrima sentida é o retrato de uma dor".

por Alex Medeiros

A Culpa dos Especuladores

A crise econômica foi o tema principal do discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na abertura da 63ª Assembléia Geral das Organizações das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Logo no início, o presidente afirmou que "a crise financeira é dura realidade. A euforia dos especuladores transformou-se em angústia dos povos, após a sucessão de naufrágios financeiros que ameaçam a economia mundial." Ele criticou a ajuda aos investidores, destacando uma frase do economista Celso Furtado: "é inadmissível que os lucros dos especuladores sejam sempre privatizados e suas perdas invariavelmente socializadas".

Em clara referência ao pacote de socorro implementado pelo governo norte-americano, o presidente observou que as "indispensáveis intervenções" realizadas pelo Estado mostram que "é chegada hora da política". "Somente ação determinada dos governantes, em especial de países que estão no centro da crise, será capaz de combater a desordem que se instalou nas finanças internacionais, com efeitos perversos na vida cotidiana de milhões de pessoas".

Lula criticou que a ausência de regras "favorece os aventureiros e oportunistas", em prejuízo das verdadeiras empresas e dos trabalhadores. Ele defendeu mecanismos de prevenção, controle e total transparência das atividades financeiras. "Uma crise de tais proporções não será superada com medidas paliativas", acrescentou. "Os organismos supranacionais carecem de autoridade e instrumentos para coibir a anarquia especulativa", disse, destacando a necessidade de "reconstruí-los em bases completamente novas".

Segundo ele, o caráter global da crise demanda que as soluções que venham a ser adotadas deverão ser também globais, "tomadas em espaços multilaterais legítimos e confiáveis, sem imposições". Da ONU, disse ele, deve partir a "convocação para uma resposta vigorosa às ameaças que pesam sobre nós".

Ouça ou leia o discurso na íntegra.

Por Nalu Fernandes, no Estadão


Em seu discurso na ONU, o presidente Lula resolveu culpar o bode expiatório de sempre pela crise financeira atual: os especuladores. O presidente afirmou que “a euforia dos especuladores transformou-se em angústia dos povos”. O que não ficou muito claro é quem o presidente considera especulador. Afinal, a palavra vem do latim, e seu significado é algo como “tentar enxergar o futuro com os dados presentes”. Em outras palavras, todos nós somos especuladores!

Quando uma empresa se recusa a reduzir os preços imediatamente, acumulando estoques, ela está especulando que a demanda irá melhorar no futuro. Quando alguém recusa um novo emprego, está especulando que poderá ganhar mais no atual. Quando alguém sai de casa com um guarda-chuva, pois existem nuvens no céu, está especulando que poderá chover. Enfim, o futuro é incerto, e por isso estamos o tempo todo especulando. Mas parece razoável assumir que a crítica de Lula era voltada aos especuladores de Wall Street apenas. A questão que surge, então, é qual o motivo disso? Afinal, boa parte da crise tem sua origem nos excessos cometidos por muitos compradores de casas. De forma resumida, o Federal Reserve, ao manter as taxas de juros baixas por tempo demais, estimulou o mercado de crédito imobiliário. Novos produtos de securitização foram criados, permitindo que muitos pobres tivessem acesso às hipotecas. Gente que não sonhava ainda com a casa própria passou a comprar casas com preços crescentes, praticamente sem colocar capital próprio no negócio, usando apenas alavancagem. A pergunta que devemos fazer ao presidente é: esses especuladores estão sendo acusados pela crise também? Ou será que apenas especuladores ricos merecem críticas?

Comprar uma casa cujo preço está subindo faz tempo, sem colocar um centavo do próprio bolso, não é uma mega-especulação? O epicentro da crise está justamente nesse setor de hipoteca, estimulado pelos baixos juros do governo, e financiado por empresas que desfrutavam de garantia estatal, usando, como conseqüência, um grau absurdo de alavancagem. Não são esses especuladores todos – os compradores de casas e o próprio governo – que merecem mais críticas? Curiosamente, todos preferem concentrar a munição apenas nos especuladores de Wall Street. É mais fácil ter um bode expiatório, especialmente se ele for rico. No entanto, o fato é que muitos pobres especularam pesado, fazendo com que as hipotecas subprime atingissem um patamar insustentável. O castelo de cartas um dia tinha que desabar.

Até mesmo os especuladores que vendiam ações a descoberto, apostando corretamente no estouro da bolha, foram alvos de duros ataques, inclusive de medidas legais para impedir ou dificultar suas ações. As pessoas sempre mostraram uma tendência irracional de atirar no mensageiro da má notícia. Muitos leigos resolveram comprar ações aproveitando o oba-oba dos preços em alta, ignorando que se tratava de uma aposta arriscada, e quando chega a crise, partem para a busca de um culpado. Claro, são os “especuladores”. Mas por que será que esses que apostavam na eterna alta das ações não se enxergam como especuladores também? Ajudaram a jogar lenha na fogueira, e quando o fogo esquenta, a culpa é dos outros? Muitos compraram ações dedicando menos tempo e estudo do que quem compra um refrigerador. E depois não querem assumir responsabilidade alguma pelos seus atos?

Voltando ao discurso do presidente Lula na ONU, o “fundamentalismo de mercado” foi atacado também, e a solução proposta foi mais política. Por que o presidente ignora que a impressão digital da política está em todas as cenas do crime? Foram justamente nos setores mais regulados que os problemas foram maiores. Os “hedge funds”, com menos regulação, estão sobrevivendo, e alguns inclusive ganhando dinheiro com a venda de ações, que a política pretende vetar agora. As gigantes Fannie Mae e Freddie Mac eram semi-estatais, foram criadas pelo governo, e operavam com a garantia do governo. Os bancos de investimento eram bem mais regulados do que os “hedge funds”, e perderam muito mais. Logo, não faz sentido falar em mais política para resolver o problema e evitar crises futuras. O que precisamos é de menos política e mais livre mercado. E não devemos esquecer que os especuladores, ricos ou pobres, devem ser responsáveis pelos seus atos. Somente assim ficarão mais atentos aos riscos, e pensarão duas vezes antes de “comprar” uma casa usando 100% de crédito, ou especular nas bolsas como quem joga na roleta.

A culpa é dos especuladores? Em parte sim. Mas não apenas daqueles que o presidente Lula e todos os demais populistas usam como bodes expiatórios. E sim vários especuladores, incluindo sonhadores que acham que é fácil ficar rico num piscar de olhos sem ter que correr graves riscos, como até mesmo a bancarrota. Sem falar do principal especulador, o governo, cujos estragos podem ser bem maiores. Como disse Roberto Campos, “o bem que o Estado pode fazer é limitado; o mal, infinito”. Por isso devemos limitar ao máximo o poder de especulação dos agentes do governo. São esses que podem causar uma crise sistêmica.

por
Rodrigo Constantino