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quarta-feira, 17 de março de 2010

A Diplomacia do Nhambu

Em visita a Israel, Lula, com efeito, deu demonstrações da sua enorme capacidade de ser um “novo interlocutor” no Oriente Médio. No Parlamento de Israel, suas críticas foram dirigidas exclusivamente ao país. No encontro com autoridades palestinas, os isaelenses apanharam de novo. “Ah, mas e as 1.600 casas?”, poderia indagar alguém. A crise é um tanto mais antiga, não é mesmo?

Um “negociador” tenta encontrar um meio-termo entre os litigantes; os mais sagazes sabem que uma de sua tarefas é reduzir a pauta de reivindicações, em vez de ampliá-la. Lula aproveitou a visita à Autoridade Nacional Palestina para pedir a derrubada do muro que separa a Cisjordânia de Israel, o que não está sendo cogitado, no momento, nem por Mohamoud Abbas. É como apagar incêndio com gasolina, para usar imagem popular sofisticada perto de outra a que Celso Amorim, o Megalonanico, recorreu. Já falo a respeito.

Talvez não tenham informado a Lula que o tão detestado muro reduziu a praticamente zero os atentados terroristas em território israelense praticados por palestinos oriundos da Cisjordânia. O nosso gênio da negociação sempre poderá dizer que este não é melhor caminho. Claro que não! O melhor é pôr fim aos atentados terroristas. Mas Lula não tocou no assunto, preferindo destacar o sofrimento do povo palestino com o muro e o bloqueio. As razões por que existem uma coisa e outra foram solenemente ignoradas.

Hoje, Lula depositará flores no túmulo de Yasser Arafat, o histórico líder palestino, que tinha as mãos inequivocamente sujas de sangue. Levará as flores que se negou a deixar sobre o campa de Theodor Hezrl, o fundador do Movimento Sionista, que nunca matou ninguém.

EIS O PERFIL ACABADO DO HOMEM QUE PRETENDE SER UM NOVO ATOR NAS NEGOCIAÇÕES NO ORIENTE MÉDIO.

Lula visitou o Museu do Holocausto em Jerusalém. Fez o discurso de praxe, afirmando que aquilo nunca mais pode se repetir etc e tal. E dramatizou: “Nunca Mais, nunca mais, nunca mais!”, como uma litania. Daqui a dois meses, encontra-se com um contumaz negador do Holocausto, Mahmoud Arhmadinejad. Na visita do facínora ao Brasil, o governo brasileiro deixou claro que Lula não tocaria no assunto. E o próprio Demiurgo se encarregou de resumir: como chefe de estado, não tinha de se meter nos conflitos entre judeus e árabes — ele pensava que iranianos fossem árabes…

Esse é o grande negociador que chegou ao Oriente Médio! Ele se quer “uma alternativa”. Israel está sob fogo cerrado. Ontem, a Casa Branca confirmou o cancelamento da visita ao país do enviado para o Oriente Médio, George Mitchell, prevista para sexta. A decisão acentuou a crise entre os dois países. Indagado a respeito, Amorim deu uma resposta iluminada: “Em briga de jacu, nhambu não entra. Não vou me meter nas discussões entre Hillary Clinton e Binyamin Netanyahu”.

Lula volta a se encontrar com Mahamoud Abbas nesta quarta. Uma das suas intenções é promover o entendimento entre os terroristas do Hamas, que deram um golpe na Faixa de Gaza, e o Fattah. Vai tentar emprestar a sua tecnologia “companheira” de negociação. Deve imaginar que isso é mais ou menos como fazer um acordo por aqui entre a CUT e a Força Sindical…

Lula já tinha revelado ao mundo seu real tamanho na questão cubana. Em Israel, dá seqüência à obra. Daqui a dois meses, ele faz um arremate abraçando Ahmadinejad.

É a diplomacia do nhambu!

por Reinaldo Azevedo

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Mensagem aos Anti-Israelenses: Hisbollah e Hamas Juntos Para Sempre!

O grupo armado libanês Hizbollah, xiita, admitiu pela primeira vez fornece "todo tipo de apoio" ao sunita Hamas, que controla o território palestino de Gaza. Sem detalhar a natureza da assistência, a afirmação foi feita pelo número 2 do Hizbollah, xeque Naim Qassem ao jornal "Financial Times".

Embora houvesse suspeita de vínculo entre as facções, que compartilham a meta de combater Israel e são apoiados por Irã e Síria, nunca o Hizbollah confirmara oficialmente apoiar o Hamas.A declaração de Qassem surge semanas após o Egito prender 49 pessoas supostamente ligadas ao Hizbollah, acusadas de preparar ataques contra alvos turísticos.

Tido como terrorista pelo Ocidente, o Hizbollah também é responsabilizado pelos cem mortos nos atentados contra alvos judaicos em Buenos Aires nos anos 90.

O Hizbollah reconheceu ter um papel regional em plena campanha para as legislativas de 7 de junho. O grupo xiita tem boas chances de reforçar sua presença no Parlamento libanês -hoje em 56 das 128 cadeiras.

Na Folha

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

A Resposta Está no Mundo Real

Mestre Reinaldo Azevedo, como sempre, faz uma análise primorosa do problema Israelense.


"Ah, você é contra um estado palestino".

Não! Eu sou favorável à existência de um estado palestino desde que fiquei sabendo, bem novinho, que esse confronto existia. Defendo dois estados na região. E sou contrário à expansão dos assentamentos na Cisjordânia — que é o que promete o Likud se vencer as eleições (sustenta que não tem como evitar a sua expansão; logo...).

A questão não é ontológica — não está na natureza essencial de judeus e árabes viver em guerra. Também não é epistemológica: se eles mudasse a maneira de ver o mundo, então tudo se aclararia (ainda que seja essa uma perspectiva sedutora).

Ehud Barak, primeiro-ministro de Israel, e Yasser Arafat, então líder da Autoridade Nacional Palestina (ANP), fizeram a pergunta certa em 2000 e encontraram a resposta certa.

A pergunta: "O que é preciso para que haja dois estados?"

A resposta: "que os palestinos ponham fim ao terror e que Israel devolva os territórios ocupados". Quase se chegou lá, não fosse o recuo de Arafat, que fez exigências que Barak não tinha como garantir sem que fosse deposto do governo de Israel. Mesmo sem acordo, ele caiu. Já escrevi [no blog do Reinaldo Azevedo] aqui a respeito.

Como bem lembra Thomas L. Friedman no New York Times, enquanto houver o risco de um Hamas governar a Cisjordânia e, aí sim, causar graves danos a Israel com seus foguetes, não haverá a desocupação da Cisjordânia. É uma ilusão estúpida cobrar que os israelenses reconheçam o Hamas porque ele venceu as eleições. Isso não torna o movimento legítimo ou aceitável aos olhos daquele que os sectários querem destruir.

Ora, é evidente que a existência de dois estados passa por Israel deixar a Cisjordânia e pelo fim dos assentamentos — não apenas pela interrupção de sua expansão. Não é tarefa fácil, não. Poderia assumir a proporção de uma pequena guerra civil. A saída total de Gaza já foi traumática. Não se fará da noite para o dia, de uma vez só. Será necessário um longo período de negociação e de construção da confiança.

Mas essa construção é política. Enquanto o Hamas não renunciar ao terrorismo, nada feito. O “obamocentrismo” quer acreditar que o passeio de George Mitchell pela região vai ser útil? Pois que acredite. Gosta-se de alimentar a versão de que Israel não age a não ser com autorização dos EUA, o que é uma tolice.

Acho chato juntar “obamocentrismo”, George Mitchell e eleições em Israel num só parágrafo. Mas sou obrigado, não é? Se Mitchell emitir qualquer sinal ambíguo, que flerte longinquamente com o inaceitável para Israel — negociar com o Hamas —, estará dando um estímulo e tanto à vitória do Likud, que já é o favorito. Vocês sabem: as divergências entre Hamas e Fatah se resolvem com balas e execuções sumárias. As divergências entre os israelenses se resolvem com eleições.

O nefelibatismo jornalístico acredita que as limitações da realidade sabotam as chances de paz. Eu acredito que a realidade é a melhor saída. Por que não se começa por garantir o que Israel nunca teve nos últimos 61 anos: segurança? Em 1967 e em 1973, o país vislumbrou o próprio fim. Reagiu e venceu. A segurança que tem hoje não deriva do acordo com os árabes. Foi garantida com armas, não apenas com superioridade moral. Esse confronto não reproduz o simbolismo do ovo e da galinha. O novelo tem um fio, tem um começo: o fim do terrorismo. INCONDICIONALMENTE. E, então, se pode avançar.

O resto é mistificação do obamocentrismo.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Os Três "Antis"

Israel tem muitos inimigos, é sabido. Há os anti-semitas explícitos, que vêem nos judeus o mal do mundo e pregam abertamente o fim daquele país. Há o anti-semitismo mitigado, que vai assumindo as mais variadas feições (desde que os judeus percam no fim do jogo), procurando fugir da caracterização racista, e há o antiisraelismo como variante do antiimperialismo (vocês sabem, esse “imperialismo” que Obama viria agora humanizar...). Todos esses inimigos de Israel inventaram a tese de que o país atacou os terroristas do Hamas para indispor os palestinos com aquela facção e, assim, enfraquecê-la. E, agora, dizem: “O Hamas saiu fortalecido; logo, Israel se deu mal”. Na seqüência, aparece a turma do “Não falei? O melhor teria sido negociar”.

Trata-se de uma farsa formidável. No fato e na retórica. Qual é a evidência ou indício de que Israel pretendia indispor a população de Gaza com o Hamas? Será que o país não acumulou experiência o suficiente para saber que seria visto como o vilão pelos palestinos? Haveria alguma outra possibilidade? Pode-se não gostar dos israelenses pelos mais diversos motivos. Mas que não se os acuse de estúpidos. E é uma farsa retórica porque, no suposto interesse de Israel, aponta-se a inutilidade da guerra. É mesmo? Israel, como se vê, sem saber o que é bom para si mesmo (e o que será, hein?), já sai jogando bombas. Trata-se de disfarçar o anti-semitismo, o anti-israelismo ou anti-imperialismo (quiçá as três coisas juntas) numa suposta crítica de natureza política e estratégica. Fosse uma crítica intelectualmente honesta, convenham que estaríamos diante de especialistas realmente ambiciosos: eles saberiam o melhor caminho para Israel se defender, coisa que aquele estado não teria aprendido até hoje...

Nota antes que prossiga: indago acima o que os tais críticos acham que seria “o bom” para Israel. Ora, “o bom” para Israel seria negociar com o Hamas, que se atribui a missão divina — NOTEM BEM: DIVINA — de destruir Israel. E aqui uma observação importante: considera-se que trazer o Hamas para o terreno da política — enquanto eles jogam foguetes e treinam homens-bomba — repete o que já se fez com o Fatah, que foi do terrorismo è negociação e hoje reconhece a existência de Israel. O paralelo é falacioso. O Fatah é um grupo laico. Para ele, recorrer ou não ao terrorismo é uma escolha terrena. Com o Hamas é diferente. Basta ler a sua carta de fundação. SEM A DESTRUIÇÃO DE ISRAEL, O HAMAS NÃO TEM RAZÃO DE SER. Logo, os finos estrategistas pedem que Israel fortaleça quem quer destruí-lo. Como se vê, o país tem bons motivos para ignorar tais conselheiros, não?

Israel atacou o Hamas porque estava sendo atacado — porque, em oito miseráveis meses, foi alvo de 1.386 foguetes. Israel atacou o Hamas para diminuir o poder de fogo do terror. Eis bons motivos para reagir. Poderia tê-lo feito de forma "proporcional e simétrica", jogando 1.386 foguetes em Gaza, também a esmo. Dada a densidade demográfica da região e a forma como os fanáticos tratam as crianças, haveria muitos milhares de mortos. Preferiu uma guerra com alvos escolhidos, vitimando, infelizmente, também civis porque a CARNE PALESTINA FOI TORNADA BARATA PELOS TERRORISTAS DO HAMAS, QUE USAM OS CIVIS COMO ESCUDOS, DIANTE DO SILÊNCIO CÚMPLICE DA ONU. ONU? É aquela entidade que tem como representante na região um sujeito que acredita que o 11 de Setembro foi uma armação dos próprios americanos só para jogar a culpa nos radicais islâmicos...

Essa história de que Israel acabou atuando contra seus próprios interesses é só uma das faces do anti-semitismo, do antiisraelIsmo ou do antiimperialismo. Ou das três coisas somadas.

por Reinaldo Azevedo

O Nazismo é Inevocável

Tenho ouvido insistentemente, na imprensa, entre meus alunos e também entre alguns amigos, comparações entre a ação recente de Israel na faixa de Gaza e o Nazismo.

"Estado nazissionista", montagens de fotos justapondo terrores do nazismo com aparente correspondência exata aos horrores sofridos pelos palestinos. Tudo isso é absolutamente inaceitável e, creio, revelador.

Não quero aqui me posicionar sobre a ofensiva israelense que é, certamente, controversa sob muitos pontos de vista, mas falar sobre esse frenesi comparativo entre o nazismo e Israel. O que quero, essencialmente, dizer, é que nada, nada, é comparável ao nazismo.

A não ser que surja uma nova campanha nacional e continental contra uma raça, simplesmente pelo fato de ela ser uma raça e não outra; a não ser que haja uma ação consensual, coletiva e institucional, de eliminação sumária e calculada de um povo inteiro, das formas mais cruéis e sádicas possíveis, perpetradas por um exército que parecia gozar no exercício de seus pequenos poderes (campeonatos para ver quem mata mais prisioneiros com um tiro só, troca de fetos por ratos, inserção de órgãos doentes no lugar de órgãos saudáveis etc.), a não ser que haja um certo silêncio da parte de outros países em relação a práticas ocultas mas também ostensivas, da extinção de um povo inteiro, a não ser que isso aconteça novamente, nunca, e repito, nunca mais se pode chamar qualquer outra ofensiva de nazista.(...)

Comparar Israel com o nazismo é como dizer: "eles não aprenderam a lição; estão praticando exatamente aquilo que sofreram".

Ou seja: comparar a ação de Israel com o nazismo é usar o próprio argumento racista do nacional-socialismo: "os judeus merecem o sofrimento" ; é justificar subconscientemente os acontecimentos da segunda guerra (...).

Comparar o nazismo à ação de Israel é, na verdade, uma prática antissemita, racista e ignorante. Uma ignorância orgulhosa, vingadora e recalcada, como talvez todas as grandes ignorâncias sejam, culpadas pela perpetração de barbaridades atrozes e injustificáveis.

por Noemi Jaffe, Na Folha de São Paulo



Embora seja muito pertinente a crítica feita por Noemi Jaffe, ao citar o absurdo da crítica feita por aqueles que comparam a ação de Israel com a ação nazista, é importante frisar que não há como dizer que "nada, nada, é comparável ao nazismo".

Há, sim, e o próprio Hitler já o havia dito a Hermann Rauschning (em Hitler m'a dir, publicado em Paris, em 1939): o socialismo.

Tanto que o "Deutsch Arbeit Partei" (Partido dos Trabalhadores da Alemanha), fundado em 1904, tornou-se o "Nazional Sozialism Deutsch Arteit Partei" (partido Nacional Socialista dos Trabalhadores de Alemanha), sob o comando de Hitler.

Hitler confessou a Rauschning, entre muitas outras coisas que o que mais adorava eram "os ensinamentos da revolução, eis todo o segredo da nova estratégia. Eu os aprendi dos bolchevistas e não tenho vergonha de dizer isso, porque é sempre dos inimigos que se aprende mais."

A diferença é que Hitler elevou à enésima potência todo o racismo de Marx, atacando mais brutalmente os judeus - muitos dos quais já eram grandes empresários à época da ascensão do Nazismo e reagiram à nacionalização das propriedades e das empresas.

O racismo não era uma idiossincrasia da doutrina comunista, mas era um aspecto constitutivo em sua origem. Com o tempo, o que houve foi apenas o deslocamento do ódio racial para a "lógica" da guerra de classes. Mas o chauvinismo russo (como o Chinês, ainda hoje) e o "complô dos médicos judeus" inventado por Stálin às vésperas de sua morte em plenos anos 50 deixam claro que o racismo sempre esteve lá, um pouquinho abaixo da superfície do comunismo. Engels, o industrial burguês que sustentou o parasitismo de Marx a vida toda, escreveu artigos chamando os povos rurais europeus de "volkerabfalle" - lixo racial - e afirmando que esse "lixo" teria de ser eliminado, já que não haveria como fazê-los ascender ao estágio "civilizacional" do comunismo. Povos não-europeus, então, nem sequer existiam para Marx e Engels.

Assim é que os socialistas nacionalistas - os nazistas e fascistas - seguiram ao pé-da-letra os "ensinamentos" de Marx e Engels.

Marx já ensinava que "as classes e as raças fracas demais para dominar as novas condições de vida devem retroceder (...) Elas devem perecer no Holocausto revolucionário", que aconteceu sob o comando de Stalin - e foi muito pior que o genocídio alemão.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Quem Sou Eu?

Às vezes pego-me perguntando: por que não consigo ser um ser humano normal, politicamente correto, do tipo seguidor da corrente, da multidão, esperançoso, sem muitas opiniões e sempre pronto a dizer alguma coisa edificante em qualquer ambiente e para qualquer platéia?

Por que não guardo minhas opiniões, principalmente as políticas, para mim mesmo e não deixo os "intelectuais" tecerem seus loas às políticas ditas sociais feitas pelos esquerdistas humanistas e humanitários - afinal, já diz o ditado popular que "política, religião e futebol não se discute"?

Por que não paro de criticar Lula, por suas bobagens proferidas e feitas, e o PT por seu desejo ferrenho de implantar o igualitarismo socialista entre nós, apesar de terem feito "pequenos desvios" como o mensalão, os dólares na cueca, criado os vampiros, os sanguessugas, os dossiês contra a oposição (e eu já ia dizer "nem tão oposição assim", mas vou abster-me de tecer tal comentário), abrigar e empregar terroristas, entre "otras cositas más"? E por que não paro de criticar os membros do Foro de São Paulo, entidade fundada pelo PT, na figura de Lula, e pelo PC Cubano, sob a batuta de Fidel Castro, que congrega a maioria das esquerdas latino-americanas - mais recentemente tem tido, em suas reuniões, até membros dos países muçulmanos?

Por que não consigo fechar os olhos, como a manada que me circunda, e simplesmente condenar Israel pelo abusivo ataque à Palestina, ao invés de condenar os terroristas do Hamas só porque eles, durante muitos anos, desrespeitaram a trégua que havia sido estabelecida lançando, em menos de três anos, mais de 3.500 foguetes sobre a cabeça das crianças israelenses sem qualquer reação por parte de Israel (e eu ia dizer que todos estes que agora condenam Israel ficaram absolutamente calados durante todo este tempo, mas não vou)?

Por que não falo mal de Álvaro Uribe, presidente da Colômbia - o "lacaio do império" -, que vem combatendo os pobres coitados dos narco-terroristas das FARC ao invés de apiedar-me destes e querer, como todos os humanistas e progressistas, que aquele governo bole uma solução pacífica para o problema (e eu ia dizer que todas as vezes que os presidentes colombianos, antecessores de Uribe, promoveram tais soluções, as FARC aprofundaram seus ataques à população e fizeram mais reféns ainda, mas não vou)?

Por que continuo criticando Fidel (cujo apelido entre os "cubanos descalços" é Esteban, uma forma abreviada de "Este Bandido") e Raul Castro - e todos aqueles que apóiam o regime cubano pós-revolução de 1959 -, já que há, na ilha, nenhum analfabeto e os melhores médicos do mundo (e eu já ia, com essa minha mania, dizer que, apesar disso, Fidel foi operado por um médico Espanhol que NÃO ESTUDOU EM CUBA, mas não vou)?

Por que me escandalizo e vejo um claro viés ideológico numa atitude como a do nosso Ministro da Justiça, Tarso Genro, quando ele abriga pessoas como o "Cura" Medina, militante das FARC, ou Cesare Batisti, ex-chefe do PAC (Proletários ARMADOS pelo Comunismo) que, entre outros crimes, cometeu dois homicídios e foi o mandante em outros dois (e eu ia citar o caso da extradição dos dois boxeadores cubanos que aqui pediram asilo e sequer tiveram o benefício da análise do caso, tendo sido deportados no dia seguinte num avião VENEZUELANO, mas, novamente, não vou)?

Por que não me emociono com a posse de Barack (Sadam) Obama Hussein, chegando mesmo às lágrimas pelo "momento histórico" e por aquilo que ele vai fazer pelo mundo todo, preferindo, ao invés, temer suas ações, só porque ele ainda não provou ser um cidadão norte-americano, nascido nos EUA, como determina a Constituição daquele país (e eu ia dizer que, talvez por isso, ele tenha engasgado na hora do juramento que todo presidente faz, de respeitar e defender o país, mas não vou)?

Por que, como um verdadeiro humanista, não defendo a demarcação contínua da Reserva Raposa do Sol e a expulsão dos arrozeiros (e eu ia dizer que isto tudo é contra a vontade da maioria dos índios da região, mas não vou)?

Ou por que, como um progressista, não admito que as cotas raciais são sensacionais por fazerem "justiça social" para com a população "afro-descendente" que se auto-declara negra (e eu ia dizer que, assim, eles não precisam se esforçar para ingressar numa faculdade, muito embora as melhores conquistas estejam justamente no mérito das coisas que fazemos bem feitas, mas não vou)?

E por que não consigo olhar candidamente e com piedade para a massa ignara do MST, bovinamente doutrinada por seus mestres comunistas para invadir e depredar a propriedade alheia, uma vez que eles só querem um pedacinho de terra para plantar (e eu ia dizer que há nenhuma terra, das já doadas pelo governo e ocupadas, produzindo um pé de alfafa, que seja, e a maioria das terras já foram vendidas e que agora os membros deste movimento atacam o agro-negócio e as empresas que geram riquezas para o país, mas não vou)?

Talvez eu seja um sabotador da esperança. Um fascista reacionário vilipendiador do divino direito de outrem em ser apenas mais um membro da maravilhosa manada mudial. Ou como disse-me uma vez um outro comentarista esquerdista, numa crítica que fiz a uma reportagem num prestigiado jornal, talvez eu seja somente um "porco direitoso"!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

PTontos Contra Isreal II

Ministros, parlamentares e militantes do PT divulgaram nota nesta segunda-feira contra a posição do partido a respeito dos ataques israelenses na faixa de Gaza. O grupo, integrado por 36 petistas, se mostra contrário à nota do PT na qual o presidente da legenda, Ricardo Berzoini, afirmou que "a retaliação contra civis é uma prática típica do Exército nazista".

Entre os petistas contrários à nota de Berzoini estão os ministros Carlos Minc (Meio Ambiente), Tarso Genro (Justiça), Fernando Haddad (Educação), Paulo Vanucchi (Direitos Humanos), a ex-prefeita Marta Suplicy (PT-SP) e o senador Aloizio Mercadante (PT-SP).

Direcionada a Berzoini, a nova nota afirma que o grupo deseja se manifestar publicamente desacordo ao comunicado da legenda por considerar que o texto "posiciona equivocadamente o PT em relação a um conflito de notável complexidade".

Os petistas afirmam que a nota de Berzoini ignorou a posição histórica do partido que "sempre se pautou pela defesa da coexistência pacífica dos povos", além de banalizar e distorcer o "fenômeno histórico do nazismo". Segundo o grupo, o presidente do partido também não registrou a necessária condenação ao terrorismo nem afirmou o reconhecimento ao "direito de existência de Israel negado pelo Hamas".

Em um tom duro, o grupo de petistas afirma que a nota de Berzoini "queima, ao invés de construir, pontes para o entendimento" e não está de acordo com a posição assumida pelo governo brasileiro sobre os conflitos na região. "Estamos convictos de que o Brasil, conforme propõe o governo Lula e com base na convivência exemplar das duas comunidades em sua sociedade, pode contribuir para o engajamento das partes na busca de uma paz duradoura", argumenta o grupo.

Os petistas afirmam que o partido pode "desempenhar um papel importante no aprofundamento do debate e na defesa, junto às partes e à sociedade brasileira, do caminho do cessar-fogo imediato e do desbloqueio da entrada de ajuda humanitária".

Nota
Em nota divulgada no início do mês, o PT criticou a ofensiva de Israel na faixa de Gaza e declarou seu "integral apoio à causa palestina". O texto, assinado pelo presidente do PT nacional, classifica a ofensiva de Israel contra grupos radicais palestinos de "terrorismo de Estado".

"Não aceitamos a 'justificativa' apresentada pelo governo israelense, de que estaria agindo em defesa própria e reagindo a ataques. Atentados não podem ser respondidos através de ações contra civis. A retaliação contra civis é uma prática típica do exército nazista", afirmou o PT. "O governo de Israel ocupa territórios palestinos, ao arrepio de seguidas resoluções da ONU."

A nota gerou reação indignada de entidades judaicas. A Confederação Israelita do Brasil divulgou nota registrando "profundo espanto" com o comunicado do PT. A nota do PT também foi alvo de contestação da seção latino-americana do Centro Simon Wiesenthal, que luta pela punição a criminosos de guerras nazistas, com sede em Buenos Aires. A entidade disse que o comunicado do PT é "escandaloso" e "demonstra solidariedade com o antissemitismo".

por Gabriela Guerreiro, na Folha Online


Já dizia meu falecido pai que "quanto mais se mexe, mais fede a merda". Estes PTontos que assinaram esta nota contra a posição anti-semítica do PT fazem o quê da vida? Estão num universo paralelo? Têm autismo? Ou serão somente falsos e mentirosos mesmo?

Como sabemos que o PT abrange todo e qualquer tipo de cara de concha que queira a derrocada da democracia e a instalação do comunismo, a terceira opção é a única correta. Hipócritas, enquanto todos - exceto o camarada
Zé Dirceu, que apoiou veementemente, e em nome de todos os militontos do partido, a estrovenga produzida pelas hostes anti-liberdade do PT - esbravejavam contra a nota assinada por Berzoini, o que faziam estes PTontos?

Marta, flagorosamente derrotada nas urnas, ainda devia estar se ressentindo de ter exposto seu preconceito com a "ala gay" do partido, quando
questionou a opção sexual de Kassab; Tarso estava ocupadíssimo com o processo de refúgio político ao terrorista italiano Casari Battisti; Vanucchi devia estar estudando um meio de reverter, junto com Tarso, claro, os benefícios da Lei de Anistia - mas somente para os torturadores, não para os terroristas que causaram o aparecimento daqueles; já Minc, Haddad e Mercadante deviam estar "voando" como sempre. O restante devia estar planejando um encontro com a FARC ou trabalhando com o MST e a Via Campesina, ou planejando o próximo encontro do Foro de São Paulo ou uma viagem a Cuba ou à Venezuela.

Agora, duas semanas depois, após protestos de gente séria e amante da verdade e da democracia, estes PTontos vêm posar de paladinos e voltam-se contra o próprio partido, a fim de tentar livrar suas caras de concha perante a opinião pública.

Mas o governo do PT é um dos arautos da condenação de Israel na Comissão de Direitos Humanos da ONU; o PT é associado a um partido palestino-comunista que também condena Israel; o governo do PT - e o próprio partido - condenam as ações de Israel, porém sequer emitem qualquer nota repudiando as ações terroristas do Hamas, simplesmente porque não consideram aquela organização como sendo o que ela é: terrorista, e, por isso, não censura seus métodos de ação contra Israel - o que é um claro flerte como o terror!

Ademais, sendo Tarso Genro um dos signatários da tal nota, há de se convir que realmente a mesma é, como se dizia antigamente, "só para inglês ver". Ele, que escancara nossas portas para o terrorista italiano, que quer mandar os torturadores para o xilindró - mas se orgulha de seu passado terrorista -, e que deporta os boxeadores cubanos para a ilha-cárcere sem sequer examinar o pedido de asilo, torna a nota completamente inválida, qualquer que seja o teor da mesma.

O PT e seus quadros cortejam com todo e qualquer estupidez que queira acabar com a liberdade e a democracia - mesmo que sejam as ditaduras islâmicas, africanas ou caribenhas (e também as quase ditaduras sul-americanas).

É por tudo isto e muito mais que há um ditado que diz: "é pelas obras que devemos conhecer os homens, não apenas pelas palavras".

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Vergonha de Ser Brasileiro

O Conselho de Direitos Humanos da ONU, dominado por Estados muçulmanos e seus aliados, condenou Israel na segunda-feira por "violações graves" dos direitos humanos da população da Faixa de Gaza.

Uma resolução redigida por países árabes, asiáticos e africanos também pediu o envio urgente de uma missão internacional para investigar as ações israelenses na região e pediu que Israel coopere com ela.

Mas a resolução não obrigatória, aprovada por 33 votos, com 13 abstenções e um voto contra, foi tachada por Israel de unilateral e reflexo do "mundo de conto de fadas" do Conselho, que conta com 47 países e tem no Estado judaico seu alvo principal.

Segundo o documento, o Conselho "condena fortemente as operações militares israelenses em curso ... que resultaram em violações expressivas dos direitos humanos do povo palestino e na destruição sistemática da infra-estrutura palestina".

A resolução, cujos termos, segundo diplomatas, foram abrandados a pedido de enviados palestinos, num esforço para chegar a um consenso no Conselho, teve a oposição direta do Canadá, enquanto países europeus, Japão e Coréia do Sul se abstiveram de votar.

Os Estados Unidos não fazem parte do Conselho e não participaram das discussões.

O Canadá se queixou de que o texto, que pediu a retirada imediata das forças israelenses, não reconheceu que Israel agiu visando acabar com o disparo de foguetes contra seu território desde a Faixa de Gaza, controlada pelo Hamas.

A Alemanha, falando em nome dos membros do Conselho pertencentes à União Européia, disse que se absteria de votar pelo mesmo motivo.

Mas a resolução também pediu o fim do "lançamento de foguetes contra civis israelenses que resultou na perda de quatro vidas civis", embora observando que os ataques israelenses já mataram cerca de 900 palestinos e feriram outros 4.000.

Num debate anterior sobre a resolução, o Paquistão, falando em nome da Organização da Conferência Islâmica, que tem 57 membros, denunciou o que chamou de "uso irrestrito da força e morte de civis inocentes" por parte de Israel, além de violação de lugares seguros da ONU.

A resolução teve o apoio da Rússia, China e membros latino-americanos do Conselho, incluindo a Argentina e o Brasil.

da Reuters


A isso que se vê acima, Celso Amorim disse "sim". O Brasil não apenas votou contra a condenação do Sudão como foi um dos líderes do esforço para proteger os genocidas. A foto registra uma mulher dando início à construção de uma nova cabana depois que sua aldeia foi bombardeada pela Força Aérea sudanesa. Nesse ataque aéreo, Brasil não vê nada demais. Já são mais de 300 mil mortos e de três milhões de refugiados.

Celso Amorim limpa os pés numa história até bastante virtuosa: a da diplomacia brasileira. Mais uma vez, a o Brasil vota contra Israel no tal Conselho de Direitos Humanos da ONU, uma biboca lastimável, como quase tudo que pertence a essa ONG cara e inútil, coalhada de ditaduras vagabundas e populistas ordinários.

Em dezembro de 2006, esse monturo que se diz Conselho de Direitos Humanos da ONU ficou reunido três dias para decidir se condenava ou não o governo do Sudão pelo massacre de Darfur. Isto mesmo: TRÊS DIAS. Duzentas mil pessoas já haviam sido assassinadas por milícias a mando do governo gorila do país. Os mortos, hoje, superam os 300 mil. Há nada menos de três milhões de refugiados.

E o que fez o Conselho de Direitos Humanos da ONU, hein? Transcrevo para vocês o relato de Jamil Chade, do Estadão, publicado então pelo jornal. Volto em seguida:

Depois de três dias de negociações, o Conselho de Direitos Humanos da ONU conseguiu aprovar por consenso uma resolução enviando uma missão de especialistas para avaliar a crise na região de Darfur, no Sudão, onde 200 mil pessoas teriam morrido em conflitos desde 2003. No entanto, por causa da oposição de países africanos e árabes, China, Cuba e Brasil, o documento não critica o governo do Sudão nem fala de responsabilidades pelo massacre. O acordo evitou que os países tivessem de votar entre uma proposta dos países ocidentais e uma africana, mais favorável ao Sudão. O consenso evitou uma saia-justa para o governo brasileiro. Brasília evitava apoiar a proposta dos países ocidentais e qualquer condenação ao governo do Sudão, apesar das indicações do envolvimento de Cartum no massacre.

Pela proposta aprovada, cinco especialistas serão enviados à região para investigar a situação e propor medidas. No entanto, só anunciarão o resultado da missão em março. Houve forte reação de ativistas, segundo os quais 40 mil pessoas são obrigadas a deixar suas casas a cada semana por causa do conflito.

Voltei
É isso mesmo que vocês leram. O Brasil foi um dos líderes da resistência na proteção ao governo do... Sudão! Ali, sim, estamos falando de um governo homicida. Os meliantes morais enviaram os tais observadores ao país, e nada aconteceu. Vejam a foto que está neste post. Nesse caso, o governo de Sua Excelência o Apedeuta não vê nada demais. O governo do Brasil não dá bola para 300 mil inocentes mortos. Mas se condói sobremaneira quando terroristas tombam tentando destruir Israel. Sob o pretexto de combater o sionismo, sejamos claros: a posição do Brasil alimenta a suspeita de uma política deliberadamente anti-semita.

Ah, sem dúvida, o gigante Celso Amorim cuida dos nossos interesses. Depois que o Brasil liderou a defesa de um governo genocida, recebeu o agradecimento público do governo facinoroso do Sudão. Leiam trecho de outra reportagem de Jamil Chade:

Depois de conseguir o apoio do Brasil para não ser condenado na Organização das Nações Unidas (ONU) por violações aos direitos humanos, o governo do Sudão deixa claro que essa atitude será compensada. Em entrevista ao Estado, o diretor do Departamento de Cooperação do Ministério das Finanças do Sudão, Abdel Salam, revelou que espera, em poucos meses, fechar um acordo com a Petrobras, além de contratos no setor de açúcar. 'As portas estão abertas ao Brasil', afirmou. Nas últimas semanas, o Brasil tem surpreendido ativistas e governos ocidentais por não seguir a posição de pedir que as autoridades sudanesas sejam investigadas por causa da pior crise humanitária do mundo na atualidade, na região de Darfur. A ONU já deixou claro que tem provas de que o governo do Sudão tem participado do conflito que causou a morte de 200 mil pessoas desde 2003. França, Reino Unido e vários outros países europeus pediam que uma investigação fosse realizada e que os autores do massacre não fossem deixados impunes. Mas com o apoio de Brasil, Cuba, China e dos governos africanos e árabes, o Sudão conseguiu evitar uma condenação na ONU.

Foi só desta vez?

Em 2006, durante a guerra contra o Hezbollah (que foi quem deu início ao conflito com Israel), o Brasil já havia votado contra Israel. Em março de 2007, diante de uma pletora de evidências de transgressão aos direitos humanos no Irã, o que fez o Brasil de Apedeutakoba? Vestiu o turbante negro e preferiu se abster. Brasília também se opõe a qualquer tentativa de condenar a ditadura cubana.

Política externa não é um convento de freiras. Está submetida a interesses objetivos, todos sabemos. Mas há um limite que distingue pragmatismo de delinqüência. E o governo brasileiro já não conhece mais essa diferença. Quem condena Israel, que se defende do ataque de milhares de foguetes do inimigo, mas defende o Sudão fez uma escolha: em favor do terrorismo e do genocídio.

Amorim conduziu a política externa brasileira para a lata do lixo. E isso só demonstra a sabedoria de todos aqueles que fizeram ouvidos moucos quando Apedeutakoba começou a espernear para o Brasil ser membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. Sim, a organização já está quase à baixura do país, mas ainda falta perder muito tamanho.

Está dado: o Brasil condena um país que se defende do terrorismo, mas protege a ditadura assassina de Cuba e tirania genocida do Sudão. Eis a política externa do PT.

por Reinaldo Azevedo

Condenando Israel Por quê?

Os líderes do Hamas na Faixa de Gaza declararam na segunda-feira que sua vitória contra Israel está "mais próxima do que nunca", apesar dos estragos e das mais de 900 mortes provocadas por 17 dias de ofensiva israelense.

Em nota à imprensa, o gabinete do Hamas disse que continua funcionando como governo, e condenou Israel pela "reocupação" da Faixa de Gaza, acrescentando que as forças invasoras em breve serão expulsas.

"Confirmamos ao nosso povo que a vitória está mais próxima do que nunca. Confirmamos nossa intenção de continuar a trabalhar para conter a guerra dos terroristas contra o nosso povo, para acabar completamente com o cerco e para conseguir a reabertura dos acessos."

da Reuters

O Povo é Responsável Por Suas Escolhas

Eu acredito em eleições. E acredito que o povo sempre tem a capacidade de julgar o que considera bom para si. Isso não quer dizer que o povo acerte sempre: não são poucas as vezes em que a decisão mostra-se errada no futuro. Não importa, no momento em que comparece às urnas, certo ou errado, o povo é responsável por suas escolhas.

Por que essa conversa? Porque isso não me sai da mente quando vejo, chocado, os bombardeios em Gaza. Em 2006, houve eleições para escolha do primeiro-ministro palestino. Era um contexto em que os EUA clamavam pela democratização do mundo árabe. Quando o Hamas saiu-se vitorioso, muita gente, diante dos lamentos dos americanos, riu, dizendo algo assim: “Ora, não queriam democracia? Agora o povo vota, escolhe o Hamas e os EUA lamentam? Então democracia só vale quando ganham os aliados?” Na época, escrevi que a simples presença do Hamas nas eleições mostrava que aquilo não era uma democracia: porque democracia não é o regime em que todas as tendências disputam o voto; democracia é o regime em que todas as tendências que aceitam a democracia disputam o voto. Como o Hamas prega uma teocracia, um sistema político que o aceita como legítimo aspirante ao poder não pode ser chamado de democracia. Seja como for, tendo sido democráticas ou não, aquelas eleições expressaram a vontade do povo: observadores internacionais atestaram que o pleito transcorreu sem fraudes.

E o que pregava o Hamas na campanha de 2006? Antes, para entender o linguajar, é importante lembrar que o Hamas não aceita a existência do Estado de Israel, chamado de “Entidade Sionista”. Assim, quando se refere à “Palestina”, o Hamas engloba tudo, inclusive Israel. Destaco aqui três pontos do programa eleitoral (na disputa, o grupo deu-se o nome de “Mudança e Reforma”):

“A Palestina é uma terra árabe e muçulmana”;
“O povo palestino ainda está em processo de libertação nacional e tem o direito de usar todos os meios para alcançar esse objetivo, inclusive a luta armada”;
“Entre outras coisas, nosso programa defende a “Resistência” e o reforço de seu papel para resistir à Ocupação e alcançar a liberação. A ‘Mudança e Reforma’ vai também construir um cidadão palestino orgulhoso de sua religião, terra, liberdade e dignidade; e que, por elas, esteja pronto para o sacrifício.”

Deu para entender? O Hamas propôs um programa segundo o qual não há lugar para judeus na “Palestina”, o uso da luta armada deve ser reforçado para se livrar deles e os cidadãos comuns devem estar preparados para se sacrificar (morrer) pela religião, pela terra, pela liberdade e pela dignidade.

Havia alternativa? Sim, apesar da ambigüidade eterna, o Fatah do presidente Mahmoud Abbas (e, antes, de Yasser Arafat), na mesma eleição pregava a saída de Israel dos territórios ocupados em 1967, a criação de um Estado Palestino com sua capital em Jerusalém e uma solução para os refugiados de 1948 com base em resoluções da ONU, uma agenda que só parece moderada porque é comparada à do Hamas. Embora estimulasse e declarasse legítima a resistência à ocupação, a novos assentamentos judaicos e à construção do muro de proteção que Israel ergue entre a Cisjordânia e seu território, o Fatah declarava expressamente: “Quando o imortal presidente Arafat anunciou em 1988 a decisão do Conselho Nacional Palestino, reunido naquele ano, de adotar a ‘solução histórica’, que se baseia no estabelecimento de um Estado independente Palestino lado a lado com Israel, ele estava de fato declarando que o povo palestino e suas lideranças tinham adotado a paz como um opção estratégica.”E qual foi a decisão dos palestinos? Num sistema eleitoral que adota o voto distrital misto, o Hamas ganhou tanto no voto proporcional quando nos distritos, abocanhando 74 dos 132 assentos do parlamento. Ou seja, diante do desgaste de 40 anos do Fatah, e das denúncias de corrupção que pairavam sobre o movimento, os palestinos deixaram a paz de lado e optaram pela promessa de pureza divina e dos foguetes do Hamas. Meses depois, uma luta interna feroz entre os dois grupos teve lugar e resultou numa divisão territorial: o Fatah ficou com a Cisjordânia, onde a situação é de calma, e o Hamas ficou com Gaza, de onde continuou pregando o programa aprovado pelos eleitores: enfrentamento armado, mesmo tendo consciência do que isso acarretaria.

Diante disso, dá para dizer que os palestinos de Gaza são inocentes vítimas do jugo do Hamas e de uma reação desproporcional dos israelenses?Olha, eu deploro a guerra, lamento profundamente a morte de tanta gente, especialmente de crianças, vítimas de uma guerra de adultos. Vejo as bombas, e fico prostrado, temendo que o bom senso nunca chegue. Mas isso não me impede de ver que a guerra, com suas consequências, foi uma escolha consciente também dos palestinos de Gaza. Retratá-los como despossuídos de todo poder de influir em seus destinos não é mais uma verdade desde 2006.Parecerá sempre simplificação qualquer coisa que se diga num espaço tão curto, em que é preciso deixar de lado as raízes desse conflito e a trama tão complicada que distribuiu culpa e vítimas por todos os lados. Mas não consigo terminar este artigo sem dizer: para que haja paz, os dois lados têm de ceder em questões tidas como inegociáveis, o apelo às armas têm de ser abandonado, o Estado Palestino deve ser criado ao lado de Israel, cujo direito a existir não deve ser questionado. Se isso acontecer, muitos árabes e israelenses daquela região não se amarão, terão antipatias mútuas, mas viverão lado a lado.

Utopia?


por Ali Kamel

Israel está Unido

Leiam reportagem de Ethan Bronner, no New York Times sobre como Israel está vendo a guerra. Dia desses, Janio de Freitas, que acusou o “genocídio” (!!!) em Gaza, solidarizou-se com os bons judeus que seriam contrários à guerra. Pois é... O relato de Bronner deve decepcionar um tanto o colunista da Folha. Israel está unido na defesa do país. Manifestação de judeus contra a guerra reuniu, no máximo, mil pessoas. A organização Paz Agora recebeu mensagens de seus apoiadores pedindo que não participasse dos atos contra a ação militar em Gaza. Um editorial do jornal Jerusalém Post, nesta segunda, indaga se os israelenses realmente acreditam que todos [os que censuram o país] estão errados, e eles próprios, certos. A resposta: “Sim”.

Compreensível, creio. Yoel Esteron, editor de um jornal de negócios, resume assim: “É realmente frustrante não sermos compreendidos. Quase 100% dos israelenses entendem que o mundo é hipócrita. Onde estava o mundo quando nossas cidades eram atingidas por foguetes ao longo de oito anos, e nossos soldados, seqüestrados? Por que nós deveríamos nos importar agora com o que pensa o mundo?

Bronner observa que uma sociedade tradicionalmente dividida no enfrentamento da questão palestina se mostrou surpreendentemente unida nas duas últimas semanas. “As bandeiras estão hasteadas. Celebridades estão visitando escolas em áreas de risco (...) vizinhos estão preocupados com famílias cujos pais são reservistas”. Questionada sobre a decisão das Forças Armadas de impedir a entrada da imprensa em Gaza, a população responde “Deixe as Forças Armadas fazerem o seu trabalho”.

“Esta é uma Guerra justa, e não nos sentimos culpados quando civis que não pretendemos ferir são feridos porque nós sabemos que o Hamas usa esses civis como escudos humanos”, afirma Elliot Jager, que cuida da página editorial do Jerusalém Post.

Leiam a reportagem. Mesmo os militantes favoráveis aos direitos humanos, desta vez, não encontram facilidades para censurar o governo. Dos quase 1,5 milhão de árabes com cidadania israelense, só seis mil compareceram na maior manifestação contra a guerra. Pesquisas indicam, segundo a reportagem, que 90% da população do país apóia a ação contra o Hamas. Tanto melhor! O mundo pode protestar à vontade. E Israel, vítima do terrorismo, vai fazer o que achar certo.

por Reinaldo Azevedo

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

A Polêmica Sobre a Nota do PT e o Conflito na Palestina - ou "Mais Mentiras Esquerdistas"

José Dirceu - esse mesmo, o mensaleiro que foi treinado em táticas de guerrilha em Cuba, nos anos 60 - publicou um mimo de tentativa de justificar a nota anti-semítica (e, óbvio, anti-americana) que o PT publicou em seu site. Fala, então, Zé. Comento depois.


A semana que se encerra foi marcada por intensa polêmica desencadeada a partir de uma nota, pela qual o partido que integro posicionou-se sobre o conflito árabe-israelense na Faixa de Gaza. Entidades judaicas acusaram o PT de negar o direito de auto-defesa de Israel e até de defender o terrorismo.

Falo sobre o conflito com vocês, e centro nessa polêmica, porque sobre a questão em si não há novidade. Acompanho pela mídia que a ONU aprovou mais um cessar fogo. E que Israel e o Hamas, como tantas vezes o fizeram antes, solenemente o ignoraram e continua a carnificina que completa duas semanas desde o início do ataque israelense a Gaza, com um trágico saldo de 13 israelenses e 784 palestinos mortos - um terço, 257, crianças.

Nem o prosseguimento das hostilidades, a despeito da determinação pró-trégua aprovada pela ONU é novidade hoje. Afinal, perdeu-se a conta do número de resoluções da ONU desrespeitadas desde o surgimento da entidade (1945) e do Estado de Israel (1948), a começar pela tomada na Assembléia Geral da organização, presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha, que deu origem em 1948 ao Estado de Israel.

Ela estabelecia que a partilha da Palestina se faria com a criação de dois Estados, que se reconheceriam e respeitariam mutuamente, um judeu e um palestino. Mas, este jamais teve possibilidade de se concretizar e parte dos palestinos, também não aceita, até hoje, a legitimidade do Estado de Israel.

Sobre as acusações contra as posições assumidas pelo PT na nota, nada mais distorcido. O que o partido fez foi externar a posição, consenso entre todos os povos, nações e países do mundo (além de inserida em dispositivos incorporados à vasta legislação internacional) de que nenhum país, a pretexto de auto-defesa, pode praticar terrorismo de Estado. O PT condena o terrorismo, venha ele de onde vier.

O partido não ataca Israel. Apenas dá prosseguimento à sua posição histórica, firmada ao longo de suas quase três décadas de vida, de defesa intransigente da paz. Com a nota, nós do PT somamos nossa voz à condenação dos ataques perpetrados pelas forças armadas de Israel contra o território palestino. Ecoamos o protesto de milhões dentro de Israel e em todo o mundo, que também criticam o ataque contra Gaza e o assassinato indiscriminado de civis.

Além disso, lembro que o PT sempre defendeu a existência do Estado de Israel e seu direito à segurança e auto defesa, posição histórica de nossa diplomacia e política externa, e sempre foi contra transferir para o país e nossas comunidades árabe e israelense o conflito árabe-palestino-israelense. Tanto é verdade que no partido convivem judeus, árabes e palestinos brasileiros.

Pessoalmente uno minha voz a esse consenso internacional expresso na nota do PT, de que atentados não podem ser respondidos através de ações contra civis, prática nefanda do exército nazista. E, como o meu partido, condeno os ataques do exército de Israel contra o território palestino e cobro que as duas partes cumpram o que foi decidido pela ONU.

por José Dirceu, também conhecido como "Daniel" à época da ditadura, ex-membro do PCB, da Ala Marighella, da AC/SP (Agrupamento Comunista de São Paulo ), da ALN (Ação Libertadora Nacional), do MOLIPO (Movimento de Libertação Popular), todas organizações de esquerda que apoiavam o terrorismo como forma de tomada de poder pelos comunistas. Em 05/09/1969 foi banido para o México, em troca da vida do embaixador dos EUA, que havia sido seqüestrado no dia anterior, no Rio de Janeiro, pela ALN e pelo MR-8 e seguiu para Cuba, onde, durante o ano de 1970, a partir de maio, participou de um Curso de Guerrilhas, ficando 18 meses na ilha-cárcere - razão pela qual tem especial predileção pelo "Coma Andante" Fidel Castro -, tendo voltado clandestinamente ao país como Carlos Henrique Gouveia de Mello.


Ah! Daniel, Daniel! Você e a patota do Partido Totalitário com sua indolência causam-me verdadeiro asco!

Após um primor de "vale a pena ver de novo" sobre o Estado de Israel, valeu-se daquilo que as esquerdas melhor sabem fazer: mentir, mentir e mentir! Onde? Olha lá, você diz:
  1. "Sobre as acusações contra as posições assumidas pelo PT na nota, nada mais distorcido": onde está a distorção, cara de concha? A nota compara o legítimo direito de defesa do Estado de Israel - que já sofre, praticamente sem responder, há quase oito anos seguidos ataques de foguetes e bombas dos terroristas do Hamas - com o que fazia o exército nazista, que também queria, como o Hamas, exterminar os judeus da face da terra. E qual foi a posição do seu partideco durante todo este tempo? Qual foi a nota de rodapé de jornal de quinta categoria que o presiMente do seu partido emitiu a respeito da agressão do Hamas contra Israel? Nada! Somente o mais absoluto silêncio.
  2. "O partido não ataca Israel": não mesmo, Daniel? Nem quando diz que "o Partido dos Trabalhadores soma sua voz à condenação dos ataques que estão sendo perpetrados pelas forças armadas de Israel contra o território palestino ", sabendo que o Hamas nunca respeitou qualquer proposta de paz na região? Mesmo quando diz que vocês, PTontos, não aceitam "a 'justificativa' apresentada pelo governo israelense, de que estaria agindo em defesa própria e reagindo a ataques", o que é o mesmo que dizer que você apóiam completamente o Hamas e torcem para que os judeus sejam mesmo exterminados - e que os palestinos que o fizerem têm total apoio do PT?
  3. "Ecoamos o protesto de milhões dentro de Israel e em todo o mundo, que também criticam o ataque contra Gaza ": quantos milhões dentro de Israel, caro amante de Fidel Castro, o ditador mais longevo do mundo? Tirando as notícias de jornais com tendências esquerdistas - nos quais, aliás, vocês esquerdistas são como enxames de moscas, como Antônio Gramsci preconizou -, a mídia que realmente está cobrindo o conflito sabe que Israel está unido e que, mesmo lá, durante as manifestações que ocorreram, dos quase 1,5 milhões de árabes com cidadania israelense, só seis mil compareceram na maior manifestação contra a guerra.
  4. "O PT condena o terrorismo, venha ele de onde vier": eis aí, a maior mentira da História! O PT fundou o Foro de São Paulo junto com o "dono dos cubanos", Fidel Castro. No Foro, até poucos anos atrás, as FARC eram participantes ativas dos encontros. As FARC são uma facção esquerdista que usa o terrorismo como arma e o tráfico de drogas como forma de financiamento de sua guerrilha que já dura quase 40 anos. O PT, em todas as notas do Foro que apoiavam a "causa" das FARC, jamais foi contra; pelo contrário, sempre assinou embaixo; o PT lamentou a morte de Raul Reyes, de "Tirofijo" e tantos outros terroristas; e o massacre de Darfur pelo governo do Sudão? Qual a mísera nota que o PT escreveu condenando, aí sim, o "terrorismo de Estado" que massacrou mais de 300 mil pessoas?

Não, sr. Carlos Henrique Gouveia de Mello, o PT não é contra o terrorismo. Nunca o foi. O PT é contra a democracia e a liberdade daqueles que não querem essa ideologia maldita chamada "socialismo"; e porque não acreditamos mais em papai noel e coelho da páscoa e sabemos o que o socialismo colheu - afinal somente podemos comparar a realidade com a realidade - e sabemos o que os terroristas islâmicos causaram estes anos todos é que sabemos que vocês mentem!

E é por causa de partidos como o seu, socialistas e comunistas, que cada vez mais as pessoas de bem deste país sentimos vergonha de sermos chamados de brasileiros.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Sim ou Não à Existência de Israel?

Reinaldo Azevedo é um mestre. Como sempre, faz suas análises com eloqüência e racionalidade. Segue, abaixo, o que ele diz sobre o conflito de Israel. De minha parte, concordo com ele plenamente. Basta estudar a história e as convicções da "causa palestina" que Berzoini e os petralhas apóam.

O Hamas rompeu a trégua com Israel — a rigor, nunca integralmente respeitada —, e aqueles que ora clamam pelo fim da reação da vítima — e a vítima é Israel — fizeram um silêncio literalmente mortal. Hipócritas, censuram agora o que consideram a reação desproporcional dos israelenses, mas não apontam nenhuma saída que não seja o conformismo da vítima. É desnecessário indagar como reagiria a França, por exemplo, se seu território fosse alvo de centenas de foguetes. É desnecessário indagar como responderia o próprio Brasil. O Apedeuta e seus escudeiros no Itamaraty — que vive o ponto extremo da delinqüência política sob o comando de Celso Amorim e Samuel Pinheiro Guimarães — aceitam, de bom grado, que Evo Morales nos tungue a Petrobras, mas creio que defenderiam uma resposta militar se o Brasil passasse a ser alvo diário de inimigos. Há dias, Lula afirmou que o Brasil precisa ser uma potência militar se quiser ser respeitado no mundo. Confesso que, dada a moral ora vigente no Planalto e na diplomacia nativa, prefiro que o país tenha, no máximo, aqueles fogos Caramuru, os únicos que, no nosso caso, não podem dar xabu... Lula merece, no máximo, ter um rojão ou aqueles fósforos coloridos de São João para brincar.

É dever de todo governo defender o seu território e a sua gente. Mas, curiosamente (ou nem tanto), pretende-se cassar de Israel o direito à reação. Por quê? O que grita na censura aos israelenses é a voz tenebrosa de um silêncio: essa gente é contra a existência do estado de Israel e acredita que só se obteria a paz no Oriente Médio com a sua extinção. Mas falta a essa canalha coragem para dizer claramente o que pretende. Nesse estrito sentido, um expoente do fascismo islâmico como Mahamoud Ahmadinejad, presidente do Irã, é mais honesto do que boa parte dos hipócritas europeus ou brasileiros. Ele não esconde o que pretende. Aliás, o Hamas também não: o fim da Israel é o segundo item do seu programa, sem o qual o grupo terrorista julga não cumprir adequadamente o primeiro: a defesa do que entende por fé islâmica.

Será que exagero? Que outra consideração estaria na origem da suposição de que um país deve se quedar inerme diante de uma chuva de foguetes em seu território? “Não, Reinaldo, o que se censura é o exagero, a reação desproporcional”. Tratarei desse argumento, essencialmente mentiroso e de ocasião, em outro post. Neste artigo, penso questões mais profundas, que estão na raiz do ódio a Israel. Como se considera que aquele estado é essencialmente ilegítimo, cobra-se dele, então, uma tolerância especial. Aliás, exigem-se dos judeus duas reações particulares, de que estariam dispensados outros povos.

Como os hipócritas do silêncio consideram que a criação de Israel foi uma violência, cobram que esse estado viva a pedir desculpas por existir e jamais reaja. Seria uma espécie de suicídio. Israel faria por conta própria o que várias nações islâmicas — em grupo, em par ou isoladamente — tentaram sem sucesso em 1956, em 1967 e em 1973: eliminar o país do mapa. Dói na consciência e no orgulho dos inimigos do país a constatação de que ele adquiriu o direito de existir na lei e na marra, na diplomacia e no campo de batalha.

A segunda reação particular guarda relação com o nazismo. Porque os judeus conheceram o horror, estariam moralmente proibidos de se comportar como senhores: teriam de ser eternamente vítimas. Ao povo judeu seria facultado despertar ódio ou piedade, mas jamais temor. Franceses, alemães, espanhóis, chineses, japoneses e até brasileiros cometeram ou cometem suas injustiças e violências — e todos esses povos souberam ou sabem ser impressionantemente cruéis em determinadas ocasiões e circunstâncias. Mas os judeus?! Eles não!!! Esperam-se passividade e mansidão pouco importa se são tomados como usurpadores ou vítimas. A anti-semitismo ainda pulsa, eis a verdade insofismável.

Tudo seria mais fácil se as posições fossem aclaradas. Acatar ou não a legitimidade do estado de Israel ajudaria muitas nações e muitas correntes político-ideológicas a se posicionar e a se pronunciar com clareza: “Sim, admito a existência de Israel e penso que aquele estado, quando atacado, tem o direito de se defender”. É o que pensa este escriba. Ou: “Não! Fez-se uma grande bobagem em 1948, e os valentes do Hamas formam, na verdade, uma frente de resistência ao invasor; assim, quando eles explodem uma pizzaria ou um ônibus escolar ou quando jogam foguetes, estão apenas defendendo um direito”. Mas os hipócritas não seriam o que são se não cobrissem o vício com o manto da virtude. Como não conseguem imaginar uma solução para alguns milhões de israelenses que não o mar — e, desta feita, sem Moisés para abri-lo —, então disfarçam o ódio a Israel com um conjunto pastoso de retóricas vagabundas: “pacifismo”, “antimilitarismo”, “reação proporcional”, “direito à resistência” etc.

Na imprensa brasileira, um jornalista como Janio de Freitas chegou a chamar o ataque aéreo a Gaza de “genocídio”, dando alguma altitude teórica à militância política anti-Israel — embora o próprio Hamas admita que a maioria das vítimas seja mesmo composta de militantes do grupo. Trata-se, claro, de uma provocação: sempre que Israel é acusado de “genocida”, pretende-se evocar a memória do Holocausto. Em uma única linha, sustenta-se, então, uma farsa gigantesca:
a) maximiza-se a tragédia presente dos palestinos;
b) minimiza-se a tragédia passada dos judeus;
c) apaga-se da história o fato de que o Hamas é a força agressora, e Israel, o país agredido;
d) equiparam-se os judeus aos nazistas que tentaram exterminá-los, o que, por razões que dispensam a exposição, diminui a culpa dos algozes;
e) cria-se uma equivalência que aponta para uma indagação monstruosa: não seria o povo vítima do Holocausto um tanto merecedor daquele destino já que incapaz de aprender com a história?

E pouco importa se os que falam em genocídio têm ou não consciência dessas implicações: o mal que sai da boca dos cínicos não vira virtude porque na boca dos tolos.

Em junho de 2007, esse mesmo Hamas foi à guerra contra o Fatah na Faixa de Gaza. E venceu. O grupo preferiu não fazer prisioneiros. Os que eram rendidos ou se rendiam eram executados com tiros na cabeça — muitas vezes, as mulheres e filhos das vítimas eram chamados para presenciar a cena. “O que ocorreu no centro de segurança [as execuções] foi a segunda liberação da Faixa de Gaza; a primeira delas foi a retirada das tropas e dos colonos de Israel da região, em setembro de 2005", disse então Sami Abu Zuhri, um membro do Hamas. “Estamos dizendo ao nosso povo que a era do passado acabou e não irá volta. A era da Justiça e da lei islâmica chegou", afirmou Islam Shahawan, porta-voz do grupo. Nezar Rayyan, também falando em nome dos terroristas, não teve dúvida: “Não haverá diálogo com o Fatah, apenas a espada e as armas. Desde 2006, quase 700 palestinos foram assassinados por rivais... palestinos.

Ódio a Israel
O ódio a Israel espalhado em várias correntes de opinião no Ocidente é caudatário da chamada “luta contra o Império”. O apoio ao país nunca foi tão modesto — em muitos casos, envergonhado. Não é coincidência que assim seja no exato momento em que se vislumbra o que se convencionou chamar de “declínio americano”. Israel é visto como uma espécie de enclave dos EUA no Oriente Médio. As esquerdas do mundo caíram de amores pelos vários sectarismos islâmicos, tomados como forças antiimperialistas, de resistência. Eu era ainda um quase adolescente (18 anos)— e de esquerda! — quando se deu a revolução no Irã, em 1979, e me perguntava por que os meus supostos parceiros de ideologia se encantavam tanto com o tal aiatolá Khomeini, que me parecia, e era, a negação, vejam só!, de alguns dos pressupostos que deveriam nos orientar — e o estado laico era um deles. Mas quê... A “luta antiimperialista” justificava tudo. O que era ruim para os EUA só poderia ser bom para o mundo e para as esquerdas. No poder, a primeira medida de Khomeini foi fuzilar os esquerdistas que haviam ajudado a fazer a revolução...

É ainda o ódio ao “Império” que leva os ditos “progressistas” do mundo a recorrer à vigarice intelectual a mais escancarada para censurar Israel e se alinhar com as “vítimas” palestinas. Abaixo, aponto alguns dos pilares da estupidez.

Mas o que é terrorismo?
Pergunte a qualquer “progressista” da imprensa ou de seu círculo de amizades se ele considera o Hamas um grupo “terrorista”. A resposta do meliante moral virá na forma de uma outra indagação: “Mas o que é terrorismo?” A luta “antiimperialista” torna esses humanistas uns relativistas. Eles dirão que a definição do que é ou não terrorismo decorre de uma visão ideológica, ditada por Washington, pela Otan, pelo Ocidente, pelo capitalismo, sei lá eu...

Esses canalhas são capazes de defender o “direito” que os ditadores islâmicos têm de definir os seus homens viciosos e virtuosos — “democracia não se impõe”, gritam —, mas, por qualquer razão que não saberiam explicar, acreditam, então, que Washington, a Otan, o Ocidente e o capitalismo não podem fazer as suas escolhas. E essas escolhas, vejam que coisa!, costumam ser justamente aquelas que garantem as liberdades democráticas. Se você disser que explodir bombas num ônibus escolar ou num supermercado, por exemplo, é terrorismo, logo responderão que isso não é diferente da ação de Israel na Faixa de Gaza, confundido a guerra declarada (e reativa!!!) com a ação insidiosa contra civis. Para esses humanistas, a ação contra Dresden certamente igualou os Aliados aos nazistas... Falei em nazistas? Ah, sim: os antiisraelenses gostam de comparar as ações do Hamas, do Hezbollah ou das Farc aos atos heróicos dos que lutaram contra o nazismo. Ao fazê-lo, não só igualam, então, os vários “terrorismos” como também os várias “estados da ordem”. No caso, o nazismo não se distinguiria dos governo de Israel, da Colômbia ou de qualquer outro estado que sofra com a ação terrorista.

Só querem a paz
Aqui e ali, leio textos indignados em nome da “paz”. E penso que o pacifismo pode ser uma coisa muito perigosa. Chamberlain e Daladier, que assinaram com Hitler o Acordo de Munique, que o digam. Como observou Churchill, entre a desonra e a guerra, escolheram a desonra e tiveram a guerra. Argumentos que remetem ao nazismo, sei disto, costumam desmoralizar um tanto o debate porque apelam sempre a uma situação extrema, que se considera única, irreproduzível. A questão, então, é como Israel pode fazer a paz com quem escolheu o caminho da guerra e só aceita a linguagem das armas e da morte. O Hamas é o inimigo que mora ao lado — e, com freqüência, dentro de Israel. Mas há os que estão um pouco mais distantes, como o Irã por exemplo. O que vocês acham que acontecerá quando (e se) os aiatolás estiverem prestes a ter uma bomba nuclear? Em nome da paz, senhores pacifistas, espero que Israel escolha a guerra. E ele escolherá, fiquem certos, concordem os EUA ou não.

A ação de Israel só fortalece o Hamas
Israel deixou o Sul do Líbano, e o Líbano foi entregue — sejamos claros — aos xiitas do Hezbollah. Israel deixou a Faixa de Gaza, e o Hamas expulsou de lá os corruptos moderados da Fatah, não sem antes fuzilar todos os que foram feitos prisioneiros na guerra civil palestina. Isso indica um padrão, pouco importa a vertente religiosa dos sectários. A guerra desastrada contra a facção xiita no Líbano, muito mais poderosa do que o inimigo de agora, significou, de fato, uma lição amarga aos israelenses: se a ação militar não cumpre o propósito a que se destina, ela, com efeito, só fortalece o inimigo. Na prática, é o que pedem os que clamam pela suspensão dos ataques à Faixa de Gaza: querem que Israel dispare contra a sua própria segurança.

O argumento de que os ataques só fortalecem o Hamas porque fazem do grupo heróis de uma luta de resistência saem, não por acaso, da boca de intelectuais palestinos ou de esquerda. Cumpre perguntar se, no status anterior, havia algum sinal de que os palestinos de Gaza estavam descontentes com os terroristas que os governam. Mais uma vez, está-se diante de uma leitura curiosa: a única maneiras de Israel não fortalecer o Hamas seria suportar os foguetes disparados pelo... Hamas! Como se vê, os argumentos passam pelos mais estranhos caminhos e todos eles cobram que os israelenses se conformem com os ataques.

A volta a 1948
Aqui e ali, leio que o estado de Israel só é defensável se devolvido à demarcação definida pela ONU em 1948. Digamos, só para raciocinar, que se possa anular a história da região dos últimos 60 anos... Os inimigos do país considerariam essa condição suficiente para admitir a existência do estado judeu? A resposta, mesmo diante de uma hipótese improvável, é “NÃO”. Mesmo as facções ditas moderadas reivindicam a volta do que chamam “os refugiados”, que teriam sido “expulsos” de suas terras — terras que, na maioria das vezes, foram compradas, é bom que se lembre. Tal reivindicação é só uma maneira oblíqua de se defender que Israel deixe de ser um estado judeu — e, pois, que deixe de ser Israel. E isso nos devolve ao começo deste texto.

Aceita-se ou não a existência de um estado judeu? Israel está muito longe, no curtíssimo prazo, dos perigos que, com efeito, viveu em 1967 e em 1973. Não obstante, sustento que nunca correu tanto risco como agora. Desde a sua criação, jamais se viu tamanha conspiração de fatores que concorrem contra a sua existência:
- a chamada “causa palestina” foi adotada pela imprensa ocidental — mesmo a americana, tradicionalmente pró-Israel, mostra-se um tanto tímida;
- o antiamericanismo, exacerbado pela reação contra a guerra no Iraque, conseguiu transformar o terrorismo em ação de resistência;
- os desastres da era Bush transferem para os aliados dos EUA, como Israel, parte da reação negativa ao governo americano;
- os palestinos dominam todo o ciclo do marketing da morte e se tornaram os “excluídos” de estimação do pensamento politicamente correto: o que são 300 mil mortos no Sudão e 3 milhões de refugiados perto de 500 mortos na Faixa da Gaza, a maioria deles terroristas do Hamas? A morte de qualquer homem nos diminui, claro, claro, mas a de alguns homens excita mais a fúria justiceira: a dos sudaneses não excita ninguém...;
- um estado delinqüente, como é o Irã — que tem em sua pauta a destruição de Israel —, busca romper o isolamento internacional aliando-se a inimigos estratégicos dos EUA;
- a Europa ensaia dividir a cena da hegemonia ocidental com os EUA sem ter a mesma clareza sobre o que é e o que não é aceitável no que concerne à segurança de Israel;
- atribui-se ao próprio estado de Israel o fortalecimento dos seus inimigos, num paradoxo curioso: considera-se que o combate a seus agressores só os fortalece, ignorando-se o motivo por que, afinal, ele decidiu combatê-los...

Sim ou não à existência de Israel? Sem essa primeira resposta, não se pode começar um diálogo. Ou romper de vez o diálogo. Sem essa resposta, o resto é conversa mole.

por Reinaldo Azevedo