quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Os Filhos do Brasil

A PRISÃO na Polícia do Exército da Vila Militar, em setembro de 1971, era especialmente ruim: eu ficava nu em uma cela tão pequena que só conseguia me recostar no chão de ladrilhos usando a diagonal. A cela era nua também, sem nada, a menos de um buraco no chão que os militares chamavam de “boi”; a única água disponível era a da descarga do “boi”. Permanecia em pé durante as noites, em inúteis tentativas de espantar o frio. Comia com as mãos. Tinha 17 anos de idade.

Um dia a equipe de plantão abriu a porta de bom humor. Conduziram-me por dois corredores e colocaram-me em uma cela maior onde estavam três criminosos comuns, Caveirinha, Português e Nelson, incentivados ali mesmo a me usar como bem entendessem. Os três, porém, foram gentis e solidários comigo. Ofereceram-me logo um lençol, com o qual me cobri, passando a usá-lo nos dias seguintes como uma toga troncha de senador romano.

Oriundos de São Paulo, Caveirinha e Português disseram-me que “estavam pedidos” pelo delegado Sérgio Fleury, que provavelmente iria matá-los. Nelson, um mulato escuro, passava o tempo cantando Beatles, fingindo que sabia inglês e pedindo nossa opinião sobre suas caprichadas interpretações. Repetia uma ideia, pensando alto: “O Brasil não dá mais. Aqui só tem gente esperta. Quando sair dessa, vou para o Senegal. Vou ser rei do Senegal”.

Voltei para a solitária alguns dias depois. Ainda não sabia que começava então um longo período que me levou ao limite.

Vegetei em silêncio, sem contato humano, vendo só quatro paredes -“sobrevivendo a mim mesmo como um fósforo frio”, para lembrar Fernando Pessoa- durante três anos e meio, em diferentes quartéis, sem saber o que acontecia fora das celas. Até que, num fim de tarde, abriram a porta e colocaram-me em um camburão. Eu estava sendo transferido para fora da Vila Militar. A caçamba do carro era dividida ao meio por uma chapa de ferro, de modo que duas pessoas podiam ser conduzidas sem que conseguissem se ver. A vedação, porém, não era completa. Por uma fresta de alguns centímetros, no canto inferior à minha direita, apareceram dedos que, pelo tato, percebi serem femininos.

Fiquei muito perturbado (preso vive de coisas pequenas). Há anos eu não via, muito menos tocava, uma mulher. Fui desembarcado em um dos presídios do complexo penitenciário de Bangu, para presos comuns, e colocado na galeria F, “de alta periculosia”, como se dizia por lá. Havia 30 a 40 homens, sem superlotação, e três eram travestis, a Monique, a Neguinha e a Eva. Revivi o pesadelo de sofrer uma curra, mas, mais uma vez, nada ocorreu. Era Carnaval, e a direção do presídio, excepcionalmente, permitira a entrada de uma televisão para que os detentos pudessem assistir ao desfile.

Estavam todos ocupados, torcendo por suas escolas. Pude então, nessa noite, ter uma longa conversa com as lideranças do novo lugar: Sapo Lee, Sabichão, Neguinho Dois, Formigão, Ari dos Macacos (ou Ari Navalhada, por causa de uma imensa cicatriz que trazia no rosto) e Chinês. Quando o dia amanheceu éramos quase amigos, o que não impediu que, durante algum tempo, eu fosse submetido à tradicional série de “provas de fogo”, situações armadas para testar a firmeza de cada novato.

Quando fui rebatizado, estava aceito. Passei a ser o Devagar. Aos poucos, aprendi a “língua de congo”, o dialeto que os presos usam entre si para não serem entendidos pelos estranhos ao grupo.

Com a entrada de um novo diretor, mais liberal, consegui reativar as salas de aula do presídio para turmas de primeiro e de segundo grau. Além de dezenas de presos, de todas as galerias, guardas penitenciários e até o chefe de segurança se inscreveram para tentar um diploma do supletivo. Era o que eu faria, também: clandestino desde os 14 anos, preso desde os 17, já estava com 22 e não tinha o segundo grau. Tornei-me o professor de todas as matérias, mas faria as provas junto com eles.

Passei assim a maior parte dos quase dois anos que fiquei em Bangu. Nos intervalos das aulas, traduzia livros para mim mesmo, para aprender línguas, e escrevia petições para advogados dos presos ou cartas de amor que eles enviavam para namoradas reais, supostas ou apenas desejadas, algumas das quais presas no Talavera Bruce, ali ao lado. Quanto mais melosas, melhor.

Como não havia sido levado a julgamento, por causa da menoridade na época da prisão, não cumpria nenhuma pena específica. Por isso era mantido nesse confinamento semiclandestino, segregado dos demais presos políticos. Ignorava quanto tempo ainda permaneceria nessa situação.

Lembro-me com emoção - toda essa trajetória me emociona, a ponto de eu nunca tê-la compartilhado - do dia em que circulou a notícia de que eu seria transferido. Recebi dezenas de catataus, de todas as galerias, trazidos pelos próprios guardas. Catatau, em língua de congo, é uma espécie de bilhete de apresentação em que o signatário afiança a seus conhecidos que o portador é “sujeito-homem” e deve ser ajudado nos outros presídios por onde passar.
Alguns presos propuseram-se a organizar uma rebelião, temendo que a transferência fosse parte de um plano contra a minha vida. A essa altura, já haviam compreendido há muito quem eu era e o que era uma ditadura.

Eu os tranquilizei: na Frei Caneca, para onde iria, estavam os meus antigos companheiros de militância, que reencontraria tantos anos depois. Descumprindo o regulamento, os guardas permitiram que eu entrasse em todas as galerias para me despedir afetuosamente de alunos e amigos. O Devagar ia embora.

São Paulo, 1994. Eu estava na casa que servia para a produção dos programas de televisão da campanha de Lula. Com o Plano Real, Fernando Henrique passara à frente, dificultando e confundindo a nossa campanha.

Nesse contexto, deixei trabalho e família no Rio e me instalei na produtora de TV, dormindo em um sofá, para tentar ajudar. Lá pelas tantas, recebi um presente de grego: um grupo de apoiadores trouxe dos Estados Unidos um renomado marqueteiro, cujo nome esqueci. Lula gravava os programas, mais ou menos, duas vezes por semana, de modo que convivi com o americano durante alguns dias sem que ele houvesse ainda visto o candidato.

Dizia-me da importância do primeiro encontro, em que tentaria formatar a psicologia de Lula, saber o que lhe passava na alma, quem era ele, conhecer suas opiniões sobre o Brasil e o momento da campanha, para então propor uma estratégia. Para mim, nada disso fazia sentido, mas eu não queria tratá-lo mal. O primeiro encontro foi no refeitório, durante um almoço.
Na mesa, estávamos eu, o americano ao meu lado, Lula e o publicitário Paulo de Tarso em frente e, nas cabeceiras, Espinoza (segurança de Lula) e outro publicitário brasileiro que trabalhava conosco, cujo nome também esqueci. Lula puxou conversa: “Você esteve preso, não é Cesinha?” “Estive.” “Quanto tempo?” “Alguns anos…”, desconversei (raramente falo nesse assunto). Lula continuou: “Eu não aguentaria. Não vivo sem boceta”.


Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de “menino do MEP”, em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir. Ficara surpreso com a resistência do “menino”, que frustrara a investida com cotoveladas e socos.

Foi um dos momentos mais kafkianos que vivi. Enquanto ouvia a narrativa do nosso candidato, eu relembrava as vezes em que poderia ter sido, digamos assim, o “menino do MEP” nas mãos de criminosos comuns considerados perigosos, condenados a penas longas, que, não obstante essas condições, sempre me respeitaram.

O marqueteiro americano me cutucava, impaciente, para que eu traduzisse o que Lula falava, dada a importância do primeiro encontro. Eu não sabia o que fazer. Não podia lhe dizer o que estava ouvindo. Depois do almoço, desconversei: Lula só havia dito generalidades sem importância. O americano achou que eu estava boicotando o seu trabalho. Ficou bravo e, felizmente, desapareceu.

Dias depois de ter retornado para a solitária, ainda na PE da Vila Militar, alguém empurrou por baixo da porta um exemplar do jornal “O Dia”. A matéria da primeira página, com direito a manchete principal, anunciava que Caveirinha e Português haviam sido localizados no bairro do Rio Comprido por uma equipe do delegado Fleury e mortos depois de intensa perseguição e tiroteio. Consumara-se o assassinato que eles haviam antevisto.

Nelson, que amava os Beatles, não conseguiu ser o rei do Senegal: transferido para o presídio de Água Santa, liderou uma greve de fome contra os espancamentos de presos e perseverou nela até morrer de inanição, cerca de 60 dias depois. Seu pai, guarda penitenciário, servia naquela unidade.

Neguinho Dois também morreu na prisão. Sapo Lee foi transferido para a Ilha Grande; perdi sua pista quando o presídio de lá foi desativado. Chinês foi solto e conseguiu ser contratado por uma empreiteira que o enviaria para trabalhar em uma obra na Arábia, mas a empresa mudou os planos e o mandou para o Alasca. Na última vez que falei com ele, há mais de 20 anos, estava animado com a perspectiva do embarque: “Arábia ou Alasca, Devagar, é tudo as mesmas Alemanhas!” Ele quis ir embora para escapar do destino de seu melhor amigo, o Sabichão, que também havia sido solto, novamente preso e dessa vez assassinado. Não sei o que aconteceu com o Formigão e o Ari Navalhada.

A todos, autênticos filhos do Brasil, tão castigados, presto homenagem, estejam onde estiverem, mortos ou vivos, pela maneira como trataram um jovem branco de classe média, na casa dos 20 anos, que lhes esteve ao alcance das mãos. Eu nunca soube quem é o “menino do MEP”. Suponho que esteja vivo, pois a organização era formada por gente com o meu perfil. Nossa sobrevida, em geral, é bem maior do que a dos pobres e pretos.

O homem que me disse que o atacou é hoje presidente da República. É conciliador e, dizem, faz um bom governo. Ganhou projeção internacional. Afastei-me dele depois daquela conversa na produtora de televisão, mas desejo-lhe sorte, pelo bem do nosso país. Espero que tenha melhorado com o passar dos anos.

Mesmo assim, não pretendo assistir a “O Filho do Brasil”, que exala o mau cheiro das mistificações. Li nos jornais que o filme mostra cenas dos 30 dias em que Lula esteve detido e lembrei das passagens que registrei neste texto, que está além da política. Não pretende acusar, rotular ou julgar, mas refletir sobre a complexidade da condição humana, justamente o que um filme assim, a serviço do culto à personalidade, tenta esconder.

por César Benjamin, na Folha de São Paulo, 27/11/2009

Se Depender das Esquerdas, Seremos Todos "Meninos do MEP"

Seis centrais sindicais — só falta avisar os trabalhadores da existência de algumas delas — divulgaram um manifesto, calculem!, protestando contra o artigo de Cesar Benjamin na Folha. É o texto em que ele revela que, em 1994, Lula lhe confessara ter tentado violar um companheiro de cela — chamou o rapaz de “O Menino do MEP” — quando esteve preso, em 1980.

O Planalto disse que não se manifestaria a respeito, mas anunciou que Lula não tem a disposição de processar Benjamin. O “Menino do MEP” tem hoje 60 anos e se chama João Batista. Indagado se confirmava a tentativa de violação, ele não diz nem que sim nem que não. Limita-se a afirmar que pertence a uma religião que o proíbe de mentir. Ora, ele poderia seguir a sua religião, por exemplo, negando o fato — desde que o fato seja falso, certo?

Assinam o documento Antonio Neto (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil), Artur Henrique (Central Única dos Trabalhadores), José Calixto Ramos (Nova Central Sindical de Trabalhadores), Paulo Pereira da Silva (Força Sindical), Ricardo Patah (União Geral dos Trabalhadores) e Wagner Gomes (Central de Trabalhadores do Brasil).

No texto, os valentes questionam a Folha de S. Paulo por ter publicado o artigo e vêem objetivo eleitoral na iniciativa… Huuummm… Estariam acusando o esquerdista Cesar Benjamin de vínculos com o PSDB ou com o DEM? Justo ele que rompeu com o partido pela via esquerda? Como se nota, Lula preferiu não se defender porque há quem faça isso por ele. E, como esses caras são quem são, vão logo indagando o direito que a imprensa tem de ser… imprensa.

Por eles, seríamos todos “meninos do MEP”! Só que sem resistência.

Essa é a independência das centrais sindicais no Brasil. Respondam rápido: como instituição, o que é que os sindicatos têm a ver com essa história? Eu sei o que elas têm a ver com Lula: ele viabilizou o projeto que garante a essas entidades “independentes” uma parcela do pornográfico Imposto Sindical e vetou o artigo que as obrigava a prestar conta ao Tribunal de Contas da União.

Assim, elas realmente ficaram independentes: são independentes da lei e dependentes de Lula. Vale dizer: estão na cela por sujeição voluntária.

por Reinaldo Azevedo

Dilma é a Nossa Raul Castro

Todos assistimos nos últimos três anos à mitificação final de Fidel Castro. O crápula recolheu-se ao isolamento motivado por uma doença desconhecida, mas de lá continua mandando e dominando a feroz ditadura cubana, especialmente no que se refere à política internacional.

É ele quem recebe os presidentes e ministros em Cuba, para o beija-mão. Continua sendo, para todos os efeitos, o secretário geral do partido. Ninguém duvida que Raul Castro é apenas o seu carrasco, como sempre foi: um substituto sem carisma, sem relevância, sem alma, frio, gelado, pronto para matar.

Aqui no Brasil, o mesmo começa a acontecer com Lula. Não tendo conseguido impor a ditadura do terceiro mandato, vai recolher-se ao exílio involuntário por força da lei, após oito anos. No seu lugar, tentará impor um carrasco escolhido a dedo: Dilma Rousseff.

Na hipótese de vitória, ninguém duvida que será ele a comandar o país, na companhia de José Dirceu e outros mensaleiros da sua mais estrita confiança.

Lula sairá do poder como um semideus, com direito a filme em vida, coisa que nem Fidel ousou fazer, sempre delegando ao guerrilheiro finado Che as honras poéticas da assassina revolução cubana.

Lula não escreverá cartas semanais como Fidel, pois não sabe escrever, mas a romaria ao seu escritório em São Bernardo do Campo será constante, com plantonistas da imprensa à porta. Por lá continuarão passando presidentes e ministros. Lula está forte como um jumento, não padece de nenhuma enfermidade. Obviamente, terá que tomar cuidado com as alegrias proporcionadas pelo copo, mas poderá dormir até mais tarde, sem problemas com o bafo e as olheiras.

Se conseguir impor o seu Raul Castro, o nosso Fidel vai estar lá, de plantão, mandando e pronto para voltar em 2014. Se não conseguir, teremos quatro anos para destruir o mito, para que não volte nunca mais.

Em ambos os casos, não será uma tarefa fácil para a oposição que temos.

no Coturno Noturno

O Verdadeiro Marx

As cartas de Marx mostram que ele era imperialista, colonialista, racista, genocida, que queria a destruição dos povos miseráveis e “sem história”, os quais chama de “piolhentos”, de “anões”, de “suínos” e que não mereciam existir. Esse é o Marx de verdade, não o da nossa fantasia, não o do nosso delírio, mas o sem retoque, o Marx tragicamente autêntico.

Nelson Rodrigues

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A Formiga Direita

Era uma vez, uma formiga que trabalhava duro, no sol escaldante de verão, construindo sua toca e acumulando suprimentos para o longo inverno que se aproximava.

O gafanhoto, vendo-a trabalhar daquele jeito, pensou:

- Que idiota!

E passou o verão dando gargalhadas, cantando e dançando como nunca.

Ao chegar o inverno, o gafanhoto, tremendo de frio, armou uma barraca de lona na entrada da toca da formiga e convocou toda a imprensa para uma entrevista e exigiu explicações! Todos da imprensa compareceram à manifestação, tirando muitas fotos do gafanhoto trêmulo de frio e com sinais de desnutrição!

- Por que é permitido à formiga, uma toca aquecida e boa alimentação, enquanto os gafanhotos estão expostos ao frio e morrendo de fome ?

As imagens dramáticas na televisão, mostraram um gafanhoto em deplorável condição, sentado num banquinho, debaixo de uma barraca plástico preto... E, mais adiante, mostraram a formiga, em sua toca confortável, com uma mesa farta e variada!

A BBC de Londres, manda ao Brasil, uma equipe para fazer uma reportagem especial a ser distribuída em rede para toda a Europa! A CBS, nos EUA, interrompe uma entrevista coletiva sobre as ações no Iraque, para mostrar como anda a cidadania dos gafanhotos brasileiros...

A notícia recebe apoio imediato do PT, com a ressalva de que os recursos devem ser dirigidos ao programa Fome Zero do governo Lula. E cogita, numa Emenda Constitucional, que se aumente os impostos para as formigas e ainda obriga as comunidades a promoverem a integração social dos gafanhotos.

A formiga, multada por supostamente não entregar sua quota de folhas verdes ao Ministério das Folhas e não tendo como pagar todos os impostos e contribuições que foram apurados retroativamente, pede falência!

Enquanto a Câmara Federal instala uma comissão de inquérito para investigar a falência fraudulenta de inúmeras formigas abastadas, o Ministério das Folhas nomeia uma comissão de auditores fiscais, suspeitando que as formigas tenham desviado recursos do FF5( folhas frescas nº 5 do Banco Central ) e suspeitas de lavar folhas.

O gafanhoto decide invadir a toca da formiga e lá acampa!

A formiga, pede ajuda da polícia e esta informa que além de não dispor de efetivo para atender ocorrências desta natureza, não pode atuar por orientação do Ministro da Justiça - que diz desejar evitar confronto com o MOVIMENTO DOS SEM TOCA.

A formiga entra na justiça para obter a reintegração da toca, mas,o pedido é negado! O juiz invocou um novo ramo do direito, "O ECONÔMICO", e sentencia que a formiga não provou a produtividade da Toca!

O Ministério da Reforma Agrária desapropria a Toca da Formiga, por não cumprir sua função social e a entrega ao friorento e desnutrido gafanhoto...

O Ministério da Justiça examinando exemplares dos jornais Última Hora e Hora do Povo, descobriu que o gafanhoto foi preso no passado, por promover algumas greves, assaltos e seqüestros, os quais ele classifica como crimes políticos, conforme lhe dissera o próprio gafanhoto.

E, assim, o gafanhoto conseguiu sua inclusão no grupo dos perseguidos políticos com direito à indenização federal e pensão vitalícia!

Agora, começa novamente o verão, as formigas trabalham e os gafanhotos continuam cantando e dançando com o dinheiro gerado pelos impostos das formigas. E vão, aos poucos dominando tudo e ganhando todas as propriedades que as formigas têm.

Moral da História? VOCÊ DECIDE!

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Mensalão de Arruda ou do DEM?

O desastre protagonizado por José Roberto Arruda faz aflorar o enorme preconceito que parte importante da imprensa tem contra o DEM — considerado “de direita”. É preciso ser muito energúmeno para afirmar que o Democratas é direitista. Mas os energúmenos estão à solta… Por que escrevo isso? Porque já se chama o esquema de falcatruas do Distrito Federal de “mensalão do DEM”. Calma lá!

Quem exerce hoje no DEM a função que José Genoino exercia no PT quando estourou o mensalão petista? É o deputado Rodrigo Maia (RJ). Ele está metido na lambança do DF como Genoino estava na do PT? Não que se saiba. Quem seria o articulador político do DEM, fazendo, na legenda, o trabalho — refiro-me ao trabalho legal — que José Dirceu fazia no PT? Eu diria que é Jorge Bornhausen. Ele está metido na lambança do DF como Dirceu estava na do PT? Não que se saiba. Quem é o líder do DEM na Câmara, como João Paulo Cunha liderava o PT? É Ronaldo Caiado (GO). Ele está metido na lambança do DF, como Cunha estava na do PT? Não que se saiba.

O mensalão petista foi justamente classificado de “petista” porque a cúpula dirigente estava comprometida com ele. Não é o caso, até onde se sabe, das lambanças de Arruda. Enquanto não surgir uma evidência ao menos de que direção do partido tivesse ciência do esquema ou fosse sua beneficiária, chamar a coisa de “Mensalão do DEM” ou é manifestação do tal preconceito ou é prestação de serviços ao petismo.

E se Arruda for expulso do partido? Será, ainda assim, “mensalão do DEM” ??? No caso petista, não custa notar, os “Arrudas” estão de volta. E ocupam de novo a cúpula do partido.

por Reinaldo Azevedo

De Volta a Honduras

O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) é membro da Comissão de Relações Exteriores da Câmara e um dos mais de 300 observadores estrangeiros que acompanharam a eleição em Honduras neste domingo - o único brasileiro. Abaixo, ele conta o que viu e ouviu em Honduras quando esteve lá em setembro e agora. Os grifos são meus.



Estive em Honduras no fim de setembro chefiando uma missão parlamentar da Câmara dos Deputados. Naquela oportunidade, encontrei-me com toda a cúpula política do país - Corte Superior de Justiça, presidente, mesa diretora e líderes da Assembléia Nacional, Comissão Nacional de Direitos Humanos, presidente da República e presidente deposto, além de diplomatas, sociedade civil e jornalistas. Agora, estou de volta à capital hondurenha, Tegucigalpa, como observador internacional do processo eleitoral, o único do Brasil.

Acho que aprendi algo sobre o que se passou e se passa aqui e me chama atenção a repetição, como um mantra, de erros grosseiros, factuais ou de interpretação, sobre a crise em que foi mergulhado esse país. Resolvi então selecionar os dez mais comuns e contestá-los no intuito de desfazer equívocos e informar corretamente.

01. EM HONDURAS OCORREU UM GOLPE
Se, por um golpe, tomamos algo que se dá contra a Constituição de um país ou à margem dela, certamente não. A deposição do Presidente Zelaya e a posse do presidente Roberto Micheletti se dão de acordo com a Carta hondurenha. Todas as instâncias legais foram observadas, e todas as instituições - Corte Suprema, Procuradoria Geral, Advocacia da União e Congresso - se manifestaram como manda o rito constitucional. E, em todas elas, o sr. Zelaya foi condenado jurídica e politicamente.

02. MICHELETTI É UM PRESIDENTE DE FACTO E GOLPISTA
O Sr. Micheletti é o presidente constitucional de Honduras e não de fato ou interino. Ele chegou à Presidência por comando claro da Constituição, dado que era o sucessor legal e que o vice se afastara para concorrer às eleições. Ele deverá passar o cargo ao seu sucessor no prazo previsto, 27 de janeiro de 2010. Golpista nenhum torna-se presidente e deixa de sê-lo de acordo com o que manda a Constituição.

03. O PRESIDENTE ZELAYA NÃO TEVE DIREITO DE DEFESA
Sigamos a cronologia dos fatos. Em fevereiro de 2009, o Sr. Zelaya torna pública a sua intenção de realizar um plebiscito, o que feria a letra da Constituição. Em abril, a Fiscalia de la Republica (Procuradoria Geral) lhe manda uma primeira carta alertando-o para a flagrante inconstitucionalidade de tal ato. Zelaya desdenha. Ainda em abril, uma segunda carta pública lhe é enviada pela Fiscalia com o mesmo resultado, pois o presidente, também publicamente, reitera suas intenções. Então, a Fiscalia oficia, em maio, para que se pronuncie o Advogado Geral do Estado, e este o faz reforçando a tese da inconstitucionalidade. Nesse momento, a Fiscalia requer à Justiça de primeira instância que instaure processo, do qual resulta a condenação de Zelaya, que recorre ao Tribunal de Apelação, que igualmente o condena, com novo recurso à Corte Superior de Justiça - com o mesmo resultado dos anteriores. É então que, no dia 23 de março, o presidente Zelaya publica um decreto convocando uma Constituinte, o que colide frontalmente com um outro artigo da Carta.

Entra em cena o Congresso Nacional, que usando de suas prerrogativas, julga a conduta do presidente e, por 123 votos a 5, inclusa a maioria do seu partido, decide afastar o presidente Zelaya. Duplamente julgado e condenado, tendo tido amplo direito de defesa, ele é afastado, tem os seus direitos políticos cassados e sua prisão decretada pelo presidente da Corte Superior de Justiça no dia 28 de junho. Onde, portanto a ausência de contraditório e o amplo direito de defesa?

04. ZELAYA É UM HOMEM DE ESQUERDA E POPULAR
Nada, na biografia e trajetória do presidente deposto, autoriza essa constatação. Filho de um rico fazendeiro (envolvido em uma chacina de camponeses), eleito pelo Partido Liberal, de direita, privatista e antiestatista, o Sr. Zelaya se elegeu com um programa pró-mercado e de reformas. No poder, cai nas graças de Hugo Chávez, ingressa na ALBA, a Alternativa Bolivariana Para as Américas , assumindo posturas e projetos populistas e assistencialistas. Por essa “conversão”(?!), torna-se um ídolo para uma certa esquerda de pouco tino e senso histórico.

05. ZELAYA NÃO VOLTOU AO PODER POR CONTA DA DITADURA GOLPISTA
Nada mais falso. Em primeiro lugar, todas as instituições hondurenhas estão abertas e funcionando normalmente, o que, convenhamos, é esquisitíssimo em se tratando de um golpe de Estado. Em segundo, contando com o esmagador apoio de toda a comunidade internacional, da OEA e a ONU, e se dizendo popular e com o apoio dos hondurenhos, por que “Mel” não retorna ao poder? Por dois motivos: a totalidade das instituições de Honduras está definitivamente contra ele, e a maioria do seu povo, também. Tivesse esse último a seu favor, manifestações de massa - inexistentes - e uma greve geral, mais o apoio externo, teriam derrubado o atual governo.

06. O RESULTADO DAS ELEIÇÕES NÃO SERÁ ACEITO DEVIDO À DITADURA
As atuais eleições foram convocadas e datadas antes da atual crise. Todos os partidos puderam apresentar candidatos e debater seus programas nas praças, rádios e TVs. Os hondurenhos podem votar livremente, e o Tribunal Superior Eleitoral, órgão independente, supervisiona e fiscaliza o pleito.

Apenas 0.5% dos mais de 15 mil candidatos inscritos atenderam ao apelo do Sr. Zelaya para boicotarem as eleições, e o principal partido de esquerda, a UD, está na disputa, rachando e minguando a base de apoio do ex-presidente deposto. Se o povo hondurenho acorrer às urnas e se o pleito for limpo, segundo os mais de 300 observadores internacionais, as eleições e seu resultado serão legítimos.

07. O RESULTADO DAS ELEIÇÕES NÃO SERÁ RECONHECIDO NO EXTERIOR
Será por uns e por outros. Do lado do reconhecimento, estarão os EUA, Colômbia, Israel, Peru, Panamá, Canadá, Alemanha e Itália até o momento. Contra, teremos o Brasil, a Argentina, Venezuela, Equador, Uruguai, Chile, Paraguai, Bolívia, Suriname e, certamente, os demais países da comunidade européia. Porém, com o passar do tempo, caso as eleições sejam limpas, o primeiro grupo irá paulatinamente crescer, e o segundo, minguar. Lembrando que aqui o voto não é obrigatório e a abstenção é costumeiramente altíssima, atingindo mais de 50%.

08. O GOLPE EM HONDURAS AMEAÇA A DEMOCRACIA NA AMÉRICA DO SUL
Como espero haver demonstrado, não houve golpe em Honduras. Houve, sim, e isso não pode ser esquecido ou tolerado, uma abominável agressão ao Sr. Zelaya. Quando ele já não era mais presidente, foi retirado de sua casa de madrugada e enviado para fora do país. Os responsáveis por isso têm de ser exemplarmente punidos, na forma da lei, para que tal crime jamais se repita, em Honduras ou qualquer lugar.

Agora, o que ameaça a cláusula democrática no subcontinente é o meio compromisso com a democracia. Se o Sr. Zelaya foi apeado do poder segundo as regras constitucionais do país, e foi sucedido em linha com as mesmas regras pelo Sr. Micheletti, chamar a isso de golpe de Estado é atentar contra a democracia. E isso vale, em especial, para uma certa esquerda, para a qual, sendo o atual governo de direita, ele é inaceitável, como se a esta não fosse permitido chegar ao poder, no que incorre em duplo erro.

Em primeiro lugar, porque foi a Constituição, que colocou a “direita” na presidência. Em segundo, é o Sr. Manuel Zelaya o golpista de fato, ao atentar contra a Carta Constitucional e as instituições hondurenhas. Portanto, é ele quem ameaça a democracia na America do Sul, e não o contrário.

09. LULA ERROU AO RECEBER ZELAYA NA EMBAIXADA BRASILEIRA
Não, ele agiu certo. É tradição humanitária do Brasil receber em nossas embaixadas quem nos procura em situação de risco. O erro foi dar status de “abrigado” ao Sr. Zelaya quando o correto, jurídica e diplomaticamente, seria lhe conceder asilo. Ao lhe dar abrigo e não asilo, o ex-presidente pôde legalmente usar a embaixada brasileira como palanque político, interferindo na política hondurenha, o que constitui gravíssimo erro e desrespeito à soberania hondurenha.
Imaginem se, ao ser deposto, o presidente Collor se abrigasse numa embaixada de um país qualquer e de lá convocasse uma insurreição contra o governo de Itamar Franco. Como nos sentiríamos?

10. A POSIÇÃO DO BRASIL FOI CORRETA DIANTE DA CRISE
Antes de mais nada, a América Central, e Honduras em particular, jamais foi importante ou área de influência do Brasil, donde resulta em erro o calibre e engajamento da resposta. Em duzentos anos de relações diplomáticas, um único presidente nosso esteve lá, Luis Inácio Lula da Silva. Nossas relações comerciais são irrisórias, e a região tem com os EUA 70% da sua pauta comercial. Sendo que Honduras fecha as suas contas nacionais com remessas que lhe são enviadas dos Estados Unidos pelos que para lá imigraram.

Ao ver golpe aonde houve desrespeito aos direitos humanos e, em seguida, ao defender o retorno do Sr. Zelaya ao poder, erramos de novo. Por fim, ao dar a este a condição de abrigado e não de asilado, permitimos o uso da nossa embaixada como palanque. Com essa seqüencia de equívocos, perdemos a condição de mediadores, deixando de ser uma fonte de soluções para nos tornarmos parte do problema.

Caso as eleições de hoje sejam limpas e o Brasil teime em não reconhecê-las, erraremos de novo e em definitivo.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Envolvidos no Mensalão Voltam à Cena no PT

Em tom de conciliação, a ministra Dilma Rousseff disse ontem que é "normal" a volta de antigos dirigentes do PT envolvidos no caso do mensalão ao comando do partido. Após votar na eleição interna da legenda, ela observou que até o momento não há uma conclusão dos julgamentos no Supremo Tribunal Federal. "Acho normal que essas pessoas exerçam seus direitos políticos", afirmou. Ontem, petistas de todo o País escolheram um candidato a presidente e uma chapa para a direção partidária. O resultado sairá dentro de dois ou três dias.

Em entrevista na sede do partido, em Brasília, a candidata petista à sucessão de Lula avaliou que o PT está agindo corretamente ao aceitar a presença dos citados na crise que derrubou a cúpula do partido e o então ministro da Casa Civil, José Dirceu. Sobre a possibilidade de a oposição aproveitar o retorno dos citados nas denúncias ao comando do partido, ela disse que não se pode cassar direitos que não foram cassados.

Empenhada em buscar adesões para sua campanha à Presidência, Dilma chegou a defender a posição dos partidos aliados no processo de escolha de candidatos aos governos estaduais. Questionada se os interesses regionais deveriam ser sacrificados por um projeto nacional, ela respondeu: "Sempre acho que a gente não pode ser fundamentalista. Tem essa ótica nacional que se sobrepõe, mas há que se levar em conta as realidades locais, porque os interesses locais são legítimos".

Mais comedida que Lula, a ministra observou que o PT ainda não lançou sua candidatura. Ela disse que a partir do congresso nacional do partido, em fevereiro, haverá maior definição das linhas de campanha e das alianças. Mas antes disso poderá definir quando deixará o governo para ajudar na campanha presidencial do partido.

Em São Paulo, o ex-ministro José Dirceu negou a existência do esquema de compra de votos de parlamentares e descreveu o episódio como "caixa 2" para financiar campanhas eleitorais. Quatro anos depois da maior crise política do governo Lula, Dirceu rechaçou a tese de que seu provável retorno à direção petista signifique que o partido tenha enterrado o assunto. Mas reclamou da diferença no tratamento dado ao senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), também acusado de usar recursos não contabilizados ao disputar o governo Minas, em 1998.

Ontem, Dirceu e outros petistas se esforçaram para negar que a sigla tenha esquecido o mensalão. Mas o clima era o de que o episódio ficou no passado.

"O PT deve ser o primeiro a querer esclarecer o que foi que aconteceu de caixa 2, não de mensalão. Fomos acusados de corrupção e de formação de quadrilha. Mas o senador Eduardo Azeredo não é acusado de corrupção nem de formação de quadrilha. Então, ganhou um caráter político a questão que acabou levando o nome de mensalão", afirmou Dirceu.

Pela primeira vez desde 2005, ele integra a chapa da corrente antes conhecida como o Campo Majoritário do PT, hoje chamada Construindo um Novo Brasil. O grupo lançou como candidato à presidência do PT o ex-senador José Eduardo Dutra (SE). Se vencer, como é esperado, Dirceu tende a recuperar assento no Diretório Nacional petista. Meses atrás, ele disse que não aceitaria entrar na chapa, mas voltou atrás após o que descreveu como "um apelo unânime" de seu grupo.

Concorrem também à presidência da legenda os deputados José Eduardo Martins Cardozo (Mensagem ao Partido), Geraldo Magela (Movimento PT) e Iriny Lopes (Articulação de Esquerda) e os militantes Markus Sokol (O Trabalho) e Serge Goulart (Esquerda Marxista).



O PT está hoje muito maior, muito mais consolidado, mais calejado, muito mais senhor da situação. Não existe na história da humanidade, na história política do mundo, um partido que estando no poder não tenha cometido erros. Isso aconteceu no mundo inteiro e aconteceu no PT. O que nós precisamos é ter clareza que os erros cometidos devem servir de ensinamentos para que a gente não erre outra vez.”

A fala acima, vocês certamente não tiveram de recorrer à adivinhação, é do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele a pronunciou ontem, quando foi votar no processo eleitoral interno que escolhe a nova direção do partido. José Eduardo Dutra, ex-senador e ex-presidente da Petrobras, será eleito. A questão é saber se ganha no primeiro turno, o mais provável, ou disputa o segundo com o atual secretário-geral, José Eduardo Cardozo, ligado ao ministro da Justiça, Tarso Genro. Com Dutra (e também seria assim com Cardozo), voltarão ao comando do partido José Dirceu, José Genoino e João Paulo Cunha, todos réus, entre outros, no processo do mensalão.

A fala de Lula é essencialmente indecorosa e dá conta do laxismo moral que vigora no partido. Não se trata, como é notório, de avaliar ações impróprias de indivíduos na esfera privada — embora estas tenham, sim, importância se colidirem com o discurso público do político; já escrevi muito sobre isso; não faltarão boas chances para fazê-lo de novo em futuro próximo. Estamos falando, nesse caso, de atos cometidos por políticos envolvendo dinheiro público, instituições públicas, políticas públicas. Lula, “o filho do Brasil”, realmente pariu um modo nefasto de fazer política: as ações bem-sucedidas de seu governo — ou simplesmente o cumprimento de obrigações, já que está lá para aplicar o dinheiro que o estado toma da sociedade — ganham logo o ar de ineditismo: “Nunca antes na história destepaiz…”

Quando seu governo acerta, nunca se viu nada igual, e os que vieram antes dele só fizeram bobagens e prejudicaram o Brasil. Quando se está diante do erro, da vigarice, da mais descarada sem-vergonhice, bem, então aí “JÁ SE VIU ISSO ANTES NESTEPAIZ”. Não só “nestepaiz”. Também “estemundo” assistiu a coisas semelhantes. Para Lula, no que acerta, o PT é único; no que erra, nada mais faz do que repetir procedimentos alheios.

Ora, não é nenhuma surpresa o fato de que a verdade está no exato contrário. O que há de bom no governo Lula não é novo, e o que ele fez de realmente novo não é bom. E estou me lixando se os 80% que o aprovam sabem ou não disso. Não sou político. Não preciso poupar Lula para não perder voto. Eu até diria que é o inverso: quanto mais os seus entusiastas discordarem do que escrevo, mais sinto que devo escrever para que essa discordância se aclare. É assim que me sinto testando o limite deles, bem pequeno, de tolerância com a crítica.

Como sabem todos os que se dedicam a um exame objetivo da situação política e econômica do Brasil, o maior acerto de Lula está na continuidade, e sua grande sorte, como notou a revista The Economist no especial sobre o Brasil, foi suceder FHC, que arrumou a economia com o Plano Real e estabeleceu o tripé da estabilidade: disciplina fiscal, política de metas de inflação e câmbio flutuante. Não há aqui questão de gosto, mas de fato. Mesmo os programas sociais são a ampliação de políticas herdadas do antecessor — se expandi-las brutalmente, como se fez, foi um acerto dará um bom debate um dia. O “nunca antes nestepaiz” de Lula é, com efeito, um “déjà-vu” robustecido pela máquina de propaganda.

Mas o petismo, com efeito, também se realizou o famoso “nunca antes na história destepaiz”. O mensalão, com efeito, foi coisa inédita. A conversa mole de que se trata de uma reutilização do chamado “valerioduto mineiro” é conversa de mentirosos, de vigaristas. Não que o tal esquema que vigorou em Minas tenha sido algo honrado, que doure a política com brocados morais. Foi uma sem-vergonhice também. Mas foi outra sem-vergonhice: ali, com efeito, se deu o que Delúbio Soares, num rasgo poético, classificou de “recursos não-contabilizados de campanha” — ou seja: caixa dois. O mensalão petista, sem deixar de ser também isso, foi muito mais do que isso como testemunharam muitos de seus participantes — e o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), que botou a boca no trombone, é sua testemunha mais eloqüente. O esquema montado partiu para a compra de partidos de porteira fechada; o esquema buscava influenciar votações no Congresso. Se tivesse prosperado, avançado, isso significaria que as leis no Brasil seriam definidas num fórum paralelo, clandestino.

Uma ova!!! Nunca antes na história destepaiz e destemundo se viu algo parecido. Talvez a antiga máfia italiana. Essa inovação criminosa é tipicamente petista, e, agora, os seus protagonistas estão de volta, abençoados pela atual cúpula partidária e, de fato, pela única instância decisória do PT: Lula. TENHO DE OBSERVAR AQUI QUE JAMAIS ACREDITEI QUE ELE PRÓPRIO NÃO SOUBESSE DO ESQUEMA; SÓ SE FOSSE IDIOTA, E EU JÁ ESCREVI QUE O CONSIDERO NOTAVELMENTE INTELIGENTE.

Diz o presidente que partidos que estão no poder cometem erros no mundo inteiro. Eu diria que os cometem até fora dele. Mas, nas democracias exemplares, os que erram, quando flagrados, são punidos. O exemplo mais saliente é Helmut Kohl, o ex-chanceler alemão que comandou o complicadíssimo processo de reunificação das duas Alemanhas. Admitiu que seu partido recebeu uma doação irregular de campanha de US$ 1 milhão —uma ninharia para padrões brasileiros. Sua carreira política morreu ali.

E no Brasil de Lula, aquele que fala lá no alto? Em 2002, o publicitário Duda Mendonça fez cinco campanhas para o PT, incluindo a de Lula. Cobrou, ao todo, R$ 25 milhões. Pois o partido depositou em uma conta secreta de Duda, nos EUA, a bagatela correspondente a R$ 10,5 milhões. Depósito feito em dólares em nome de uma empresa de fachada chamada Düsseldorf. Vejam que amador era o pobre, punido e esquecido Helmut Kohl, o homem que venceu o muro. Profissional é o PT! E Duda se explicou na CPI: “O dinheiro era claramente de caixa dois. Nós sabíamos, mas não tínhamos outra opção. Queríamos receber”.

Então Lula não venha com a história de que o seu partido fez o que qualquer partido no mundo faz. Como já se escreveu aqui — e o trecho foi parar em Máximas de Um País Mínimo, meu novo livro, que está estourando por aí —, “há, vocês sabem, muitas diferenças entre o que se chama ‘Primeiro Mundo’ e o tal ‘Terceiro Mundo’. Entre as mais evidentes, está o que eles fazem com os seus bandidos e o que nós fazermos com os nossos. Eles põem os deles na cadeia; nós pomos os nossos no poder.

PS - Claro, vocês não pode esquecer: Dilma também se regozijou com a volta desses companheiros. Se for eleita presidente, esses moralistas do mensalão certamente estarão dividindo com ela a difícil tarefa de governar… José Dirceu já é um dos manda-chuvas da campanha.

por Reinaldo Azevedo

Refúgio de Bandidos

O nosso STF, a um formidável custo de dinheiro e de recursos intelectuais, levou meses estudando o caso Battisti. Por fim, depois de horas a fio esfregando flanela no próprio saber e ostentando seu lustro jurídico, os membros da corte deliberaram que sua decisão valia tanto quanto a opinião do senhor que abastecia de água o copo do ministro Gilmar Mendes.

A esquerda vibrou! Após anos de empenho para retornarmos ao Estado Democrático de Direito, a esquerda vem mostrando o quanto o despreza. Ao expressar seus apoios, deixa evidente que, para ela, coisas como devido processo e cumprimento das leis são papo de burguês. Bom mesmo é meter o pé na porta e puxar o gatilho. Não exagero, não. Ela está para o caso Battisti, para as FARC, para o MST, para o terrorismo islâmico, para o chavismo, etc., assim como a torcida do Flamengo está para o Flamengo.

Há um poderoso lobby de apoio às ações criminosas desenvolvidas por tais grupos. Cresce, no Brasil, a indulgência de setores da mídia, das instituições de Estado. Esse abraço protetor procede, também, de boa parte do mundo acadêmico, dos cursos de doutorado, da Igreja e do universo da cultura. Azar, leitor, se um grupo invadir propriedade sua, destruir seus bens e o submeter a cárcere privado. Azar seu! Mas se houver intervenção judicial ou policial, imediatamente se erguerão vozes para denunciar a tal “criminalização dos movimentos sociais”. De modo ardiloso, invertem os critérios de juízo e a função das instituições. Transformam os réus em vítimas e as vítimas em réus.

Eu pensei que essa esperteza fosse criação da malandragem brasileira. Não é. Procurei no Google as palavras “criminalization of social movements”, e encontrei, para espanto meu, mais de 200 mil referências. Em português a coisa saltou para 1,2 milhão. E, em espanhol, passou de dois milhões! Creio que isso basta para evidenciar a força de convencimento que se associa à persistente reiteração de chavões. Ou, dizendo melhor, às estratégias de mistificação para dissuasão.

Descobri que no Paraguai, na Colômbia e no Peru é a mesma coisa. Mas nosso país vai além. Está se transformando em valhacouto da bandidagem nacional e internacional. Aqui as FARC têm “embaixador”. Aqui se concede refúgio a qualquer delinqüente que exiba no currículo a integração a alguma organização criminosa esquerdista travestida de “social”.

Quando as forças colombianas bombardearam, em território equatoriano, um reduto das FARC, acabaram apreendendo o famoso notebook de Raúl Reyes. Foi um corre-corre mundial porque havia de tudo ali, informações sobre tráfico, remessas de dinheiro venezuelano, afetuosas mensagens de Reyes para o presidente do Equador, e por aí vai. Entre essas peças, um email do paraguaio Partido Patria Libre celebrando a acolhida proporcionada pelo nosso governo aos companheiros Juan Arrom, Anuncio Martí e Victor Colman.

Quem são eles? Os três pertenciam ao Partido Patria Libre (PPL). Esse grupo, depois de promover vários crimes no Paraguai, deu origem a outro gentil movimento, o Exercito Popular Paraguaio (EPP). Como estavam querendo criminalizá-los por coisas triviais como assalto a banco e sequestro uns fugiram para a Argentina, que lhes deu um pé no traseiro, e outros para o Brasil, que os acolheu de braços abertos. Aqui, só devolvemos, mesmo, perigosos atletas cubanos.

por Percival Puggina, no Zero Hora, em 22/11/2009

Até Onde Vai o "Racismo"...

Um leitor deste blog, de origem nipônica, enviou um comentário assaz interessante a respeito do preconceito que sofre em nosso país.

Depois, inclusive, fez outro comentário em que dizia: "Autorizo o proprietário desse blog, a resumir, acrescentar, ou modificar o comentário anterio, conforme o necessário". Mas o necessário é todo o comentário. É o que ele passa num país que, dominado pelas esquerdas, vem olhando somente para a população dita "negra" - e que exclui propositadamente os mestiços, judeus, asiáticos, etc. - que diz sofrer com a discriminação por causa da cor da pele.

Vejam abaixo. Comento depois.

Sempre ouvimos falar de racismo, preconceito e discriminação, envolvendo pessoas de decendência africana. Poucas pessoas percebem que há uma outra raça no Brasil, que também sofre muito preconceito.

Se você prestar atenção, vai ver que não aparece nas novelas, nem nas propagandas nenhum decendente de japonês exercendo algum papel principal, e quando aparece, costuma fazer o papel daqueles japoneses que não sabem falar português. A televisão, costuma mostrar um japonês bobo e inferior sexualmente. Nem as piadas, nem os comentários maldosos sobre o tamanho de nosso pênis sofrem algum tipo de censura. Isso reflete de forma negativa, pois já virou cultura brasileira, ridicularizar o japonês. Existem até blogs que fazem comentários extremamente racistas, e não sofrem nenhum tipo de censura. Veja no blog
http://cammilaeabusca.blogspot.com/2009/05/ao-gosto-do-cliente.html até onde vai a discriminação contra o japonês:

"Tem varios japoneses aqui em minas gerais, eles são todos feios, burros, despresiveis!Japones é uma raça filho da P! deviam desaparecer da face da terra! Vamos torcer pra gripe suina dizimar essa racinha asía atica.-16 de Agosto de 2009 12:23"


E todo mundo fala do preconceito que existe contra o negro, até criaram uma cota para negros na universidade, alegando que eles competem no mercado de trabalho e nos estudos, de forma desigual.

Eu acho que também sofremos desigualdades, pois ao sermos discriminados sexualmente, nossa estima fica muito baixa e isso atrapalha em nossos estudos e também em nossa carreira profissional. Além disso, cria traumas, revolta e acaba com nossa confiança.

Não tenho culpa nenhuma de ter nascido com o pênis pequeno, mas isso acaba com minha estima, pois não tenho condições de atrair sexualmente uma mulher, e isso é um fato que me deixa muito triste. Além de passar por tudo isso, ainda tenho que ouvir as pessoas tirando sarro e me humilhando todos os dias, e não tenho como protestar contra isso sem ser mais ridicularizado e humilhado mais ainda.

Engraçado, pois o brasileiro, não acha normal tirar sarro de um problema alheio, como de um aleijado por exemplo, ou de um cego, mas acha super normal tirar sarro de uma pessoa que já está com a auto estima muito feridaa, e que já não tem mais nenhum motivo para viver.


O "politicamente correto" hoje em dia, é, realmente, tratar do problema dos descendentes de negros, desde que eles se assumam sua "negritude" e digam sofrer discriminação.

Já mostrei aqui o problema que isto envolve: uma mestiça que ganhara uma bolsa através do sistema de cotas para negros perdera-a por não se dizer "discriminada racialmente".

O preconceito existe, sim, no país. E não somente contra negros. Assim como nosso leitor acima, o gaúcho também é discriminado: nosso preconceituoso presiMente Lula, certa vez, em uma entrevista, quando perguntado sobre o que ele achava das exportações de Pelotas disse que aquela cidade era “pólo exportador de viado” e riu.

Mas a tratativa das esquerdas em relação ao negro se deve ao fato de que houve, no passado do país, uma relação entre senhores de engenho, brancos, e escravos, negros.

É óbvio que estes senhores esquerdistas não citam o fato de que os próprios negros africanos escravizavam e comerciavam os membros de tribos vencidas em conflitos: os próprios negros eram preconceituosos com relação àqueles que não tinham suas características físicas (bantos, ashantis, iorubás são essenciamente diferentes).

Mas para suas tendências totalitárias, é necessário que haja a cisão da sociedade, facilitando seus planos de dominação e implantação do "socialismo" - o primeiro passo, já dizia Marx, para o comunismo. Este é o método gramsciano de dominação, baseado num dos corolários do decálogo de Lenin.

É óbvio que todos querem um tratamento melhor numa sociedade tão díspar como a nossa; porém, o único modo de conseguirmos superar tais diferenças é a educação e o civismo: o apredizado de que não somente temos direitos, como temos visto dia-a-dia em todos os lugares - com as esquerdas encabeçando o pedido de mais direitos a esmo para tudo e todos -, mas também que temos DEVERES para com a Pátria, para com outrém, para conosco mesmos.

Sem este aprendizado, a verdadeira moral e a verdadeira ética vão-se escoando pelo esgoto fétido do esquerdismo "social", que somente implanta mais e mais diferenciações entre a população, a fim de dominá-la.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Pura Coincidência!

Os setores onde temos mais controle e intervenção do governo: estradas, segurança pública, saúde pública, energia, educação pública, proteção da Amazônia, garantia do "império da lei", etc.

"Por acaso", são justamente os setores que apresentam mais problemas; a insatisfação é garantida! Tudo isso custa muito caro, e costuma ser uma PORCARIA.

Por outro lado, o jornal chega bem cedo na porta de sua casa depois de comentar as notícias mais recentes, o mercado tem incrível variedade de produtos para todos os bolsos e gostos, o avanço tecnológico torna obsoleto o produto que ontem parecia moderno, a segurança do shopping center costuma realmente afastar bandidos, as vias sob gestão privada quase não têm buracos, os laboratórios apresentam remédios novos para todo tipo de doença, etc.

Mas claro, isso tudo é "pura coincidência". Não tem nada a ver com a forma intrínseca de ser do governo. E, naturalmente, a solução para os problemas existentes... é MAIS governo!!!

Seria cômico, não fosse trágico.

por Rodrigo Constantino

Pedido de Desculpas

Uma organização de direitos humanos na Nigéria pediu aos líderes tradicionais africanos que peçam desculpas pelo papel que desempenharam no comércio de escravos.

O Congresso dos Direitos Civis diz ser altura de os líderes africanos copiarem os EUA e a Grã-Bretanha que já lamentaram o sucedido.

Numa carta endereçada a líderes tradicionais, o Congresso dos Direitos Civis disse que estes não podiam continuar a culpar os homens brancos quando os seus próprios ancestrais haviam ajudado a capturar e a raptar comunidades indefesas, vendendo-as depois aos americanos e aos europeus.

Detetive de Comédia Italiana

“Não sei de nada”, fantasiou Lula quando o escândalo do mensalão explodiu. Sabia desde a conversa com o governador goiano Marcone Perillo, que lhe transmitiu em primeira mão a notícia endossada dias depois pelo deputado Roberto Jefferson.

“Fui traído”, desconversou mais tarde. Quem se queixa publicamente de alguma traição sem identificar os traidores ou gostou de ser traído ou tem culpa no cartório.

“O PT fez o que todos fazem”, disse em seguida o metalúrgico enviado pela Divina Providência para salvar o Brasil dos partidos que fazem o que fez o PT como nunca antes neste país qualquer partido conseguira fazer.

Neste domingo, quem assistir ao programa É Notícia, da RedeTV, será apresentado à versão mais recente da metamorfose delirante: ”O mensalão foi uma tentativa de golpe no governo. Foi a maior armação já feita contra o governo”. Isso mesmo. Está gravado.

“Na época não falei que era golpe, mas tinha consciência do que tinha acontecido”, explica Lula. Ele prefere esperar o fim do governo para desvendar o caso por inteiro. “Depois que eu deixar a Presidência, vou querer me inteirar um pouco mais disso. Como presidente, não vou ficar futucando”. Só futucou o suficiente para descobrir que, por trás de tudo, estão os suspeitos de sempre. ” Marcos Valério não vem do PT, vem de outras campanhas”, insinua o detetive de comédia italiana.

Delúbio Soares, tesoureiro do PT e gerente do mensalão, afirmou que, em pouco tempo, o caso iria virar piada de salão. Lula está tentando provar que o amigo a quem se referia como “o nosso Delúbio” tinha razão.

por Augusto Nunes