terça-feira, 31 de março de 2009


Terrorismo Nunca Mais - Eles Continuam Negando...

Veja o vídeo abaixo. Comento depois.

Ufa! É sempre um saco comentar as patacoadas esquerdistas... Mas vamos lá!

Como sempre, a distinta senhora Elizabeth Silveira, vice-presidente do grupo "Tortura Nunca Mais", que aparece no vídeo - como todos os esquerdistas - distorce a História em favor das mentiras esquerdistas. E o tal narrador, um jornalista que certamente foi doutrinado em uma das centenas de faculdades apinhadas de comunistas, diz que "para os militares, os ativistas de esquerda eram terroristas".

Não! Não era "para os militares". Era para a sociedade! Já mostrei aqui várias vezes! Pesquisem! Vejam especialmente o post A Nação que Salvou a Si Mesma.

A passeata que pediu a cabeça de Jango, por estar envolvido até a testa (já havia passado do pescoço havia muito) com os ideais - bem como patrocinando - comunistas, foi organizada pela sociedade civil. Foi ela que pediu a intervenção militar! E os militares, como salvaguardas da Nação, interviram. E enfrentaram os terroristas até 1975, quando os liquidaram no Araguaia. Depois, foi-se fazendo, paulatinamente, a abertura política do país - também através do clamor popular. Mas o pior ainda está por vir...

Vejam que a digníssima senhora, diz que "terroristas são eles [os militares]! Eles, sim, implantaram o terror! Quem matou, quem trucidou, foram eles! Se aconteceram algumas mortes de civis etc., elas se deram por acidentes (...) Nenhum dos militantes que lutavam contra a ditadura entravam em casa de ninguém prá sequestrar ninguém, prá levar preso, prá torturar! Isso não existe!"

Realmente, até onde se sabe, nenhum dos terroristas da época invadiu residência alguma para prender alguém. Mas há muitos relatos de invasão de residências e comércios para protegerem-se contra a polícia. E, não!, eles não lutavam contra a ditadura (o que faria um incauto crer que lutavam a favor da democracia, como a idiota esquerdista diz ao final da repotagem)! Eles lutavam para impor uma ditadura ainda pior, nos moldes da cubana ou da chinesa - afinal, cada "aparelho" revolucionário tinha seu modelo de ditadura.

E sim! Sequestraram, mataram, jogaram bombas! O sequestro do embaixador dos EUA, com fins totalmente políticos, e o assassinato do soldado Mário Kosel Filho por um carro repleto de bombas, ambos referidos pelo General Gilberto Figueiredo, foram amplamente documentados pelos jornais e revistas da época! Não são "acidentes" como diz a senhora comunista - a qual, como todos os comunistas, mente de forma contumaz! E o pior ainda está por vir!

Ao finalizar seu palavrório, a senhora comunista fala que "se tinha um governo democraticamente eleito, e que se deu um golpe, se retirou um governo e se impôs uma ditadura que governou com atos institucionais! Então, que é isso? Como é que isso pode ser considerado uma democracia?"

Não! O regime instituído à época não podia ser considerado uma democracia! Mas salvaguardou a sociedade e as instituições que, anos depois, viriam a recolocar o país no rumo democrático - e não foi graças aos comunistas-terroristas da época.

E não! Apesar de o governo de João Goulart ter realmente sido eleito de forma democrática (na verdade, fora eleito Jânio Quadros, que renunciou), os meandros políticos daquele governo estavam apinhados de comunistas que estavam prontos para impor seu regime milhões de vezes mais facinoroso que os "anos de chumbo". Os brasileiros não comprometidos com o ressentimento dos comunistas, sabem que os militares, ao longo de toda nossa historia, sempre estiveram ao lado da ordem e do progresso que juraram defender. E naquele momento a ordem estava seriamente ameaçada.

A História Oficial de 1964

Se houve na história da América Latina um episódio sui generis, foi a Revolução de Março (ou, se quiserem, o golpe de abril) de 1964. Numa década em que guerrilhas e atentados espoucavam por toda parte, seqüestros e bombas eram parte do cotidiano e a ascensão do comunismo parecia irresistível, o maior esquema revolucionário já montado pela esquerda neste continente foi desmantelado da noite para o dia e sem qualquer derramamento de sangue.

O fato é tanto mais inusitado quando se considera que os comunistas estavam fortemente encravados na administração federal, que o presidente da República apoiava ostensivamente a rebelião esquerdista no Exército e que em janeiro daquele ano Luís Carlos Prestes, após relatar à alta liderança soviética o estado de coisas no Brasil, voltara de Moscou com autorização para desencadear – por fim! – a guerra civil no campo. Mais ainda, a extrema direita civil, chefiada pelos governadores Adhemar de Barros, de São Paulo, e Carlos Lacerda, da Guanabara, tinha montado um imenso esquema paramilitar mais ou menos clandestino, que totalizava não menos de 30 mil homens armados de helicópteros, bazucas e metralhadoras e dispostos a opor à ousadia comunista uma reação violenta. Tudo estava, enfim, preparado para um formidável banho de sangue.

Na noite de 31 de março para 1o. de abril, uma mobilização militar meio improvisada bloqueou as ruas, pôs a liderança esquerdista para correr e instaurou um novo regime num país de dimensões continentais – sem que houvesse, na gigantesca operação, mais que duas vítimas: um estudante baleado na perna acidentalmente por um colega e o líder comunista Gregório Bezerra, severamente maltratado por um grupo de soldados no Recife. As lideranças esquerdistas, que até a véspera se gabavam de seu respaldo militar, fugiram em debandada para dentro das embaixadas, enquanto a extrema-direita civil, que acreditava ter chegado sua vez de mandar no país, foi cuidadosamente imobilizada pelo governo militar e acabou por desaparecer do cenário político.

Qualquer pessoa no pleno uso da razão percebe que houve aí um fenômeno estranhíssimo, que requer investigação. No entanto, a bibliografia sobre o período, sendo de natureza predominantemente revanchista e incriminatória, acaba por dissolver a originalidade do episódio numa sopa reducionista onde tudo se resume aos lugares-comuns da "violência" e da "repressão", incumbidos de caracterizar magicamente uma etapa da história onde o sangue e a maldade apareceram bem menos do que seria normal esperar naquelas circunstâncias.

Os trezentos esquerdistas mortos após o endurecimento repressivo com que os militares responderam à reação terrorista da esquerda, em 1968, representam uma taxa de violência bem modesta para um país que ultrapassava a centena de milhões de habitantes, principalmente quando comparada aos 17 mil dissidentes assassinados pelo regime cubano numa população quinze vezes menor. Com mais nitidez ainda, na nossa escala demográfica, os dois mil prisioneiros políticos que chegaram a habitar os nossos cárceres foram rigorosamente um nada, em comparação com os cem mil que abarrotavam as cadeias daquela ilhota do Caribe. E é ridículo supor que, na época, a alternativa ao golpe militar fosse a normalidade democrática. Essa alternativa simplesmente não existia: a revolução destinada a implantar aqui um regime de tipo fidelista com o apoio do governo soviético e da Conferência Tricontinental de Havana já ia bem adiantada. Longe de se caracterizar pela crueldade repressiva, a resposta militar brasileira, seja em comparação com os demais golpes de direita na América Latina seja com a repressão cubana, se destacou pela brandura de sua conduta e por sua habilidade de contornar com o mínimo de violência uma das situações mais explosivas já verificadas na história deste continente.

No entanto, a historiografia oficial – repetida ad nauseam pelos livros didáticos, pela TV e pelos jornais – consagrou uma visão invertida e caricatural dos acontecimentos, enfatizando até à demência os feitos singulares de violência e omitindo sistematicamente os números comparativos que mostrariam – sem abrandar, é claro, a sua feiúra moral – a sua perfeita inocuidade histórica.

Por uma coincidência das mais irônicas, foi a própria brandura do governo militar que permitiu a entronização da mentira esquerdista como história oficial. Inutilizada para qualquer ação armada, a esquerda se refugiou nas universidades, nos jornais e no movimento editorial, instalando aí sua principal trincheira. O governo, influenciado pela teoria golberiniana da "panela de pressão", que afirmava a necessidade de uma válvula de escape para o ressentimento esquerdista, jamais fez o mínimo esforço para desafiar a hegemonia da esquerda nos meios intelectuais, considerados militarmente inofensivos numa época em que o governo ainda não tomara conhecimento da estratégia gramsciana e não imaginava ações esquerdistas senão de natureza inssurrecional, leninista. Deixados à vontade no seu feudo intelectual, os derrotados de 1964 obtiveram assim uma vingança literária, monopolizando a indústria das interpretações do fato consumado. E, quando a ditadura se desfez por mero cansaço, a esquerda, intoxicada de Gramsci, já tinha tomado consciência das vantagens políticas da hegemonia cultural, e apegou-se com redobrada sanha ao seu monopólio do passado histórico. É por isso que a literatura sobre o regime militar, em vez de se tornar mais serena e objetiva com a passagem dos anos, tanto mais assume o tom de polêmica e denúncia quanto mais os fatos se tornam distantes e os personagens desaparecem nas brumas do tempo.

Mais irônico ainda é que o ódio não se atenue nem mesmo hoje em dia, quando a esquerda, levada pelas mudanças do cenário mundial, já vem se transformando rapidamente naquilo mesmo que os militares brasileiros desejavam que ela fosse: uma esquerda socialdemocrática parlamentar, à européia, desprovida de ambições revolucionárias de estilo cubano. O discurso da esquerda atual coincide, em gênero, número e grau, com o tipo de oposição que, na época, era não somente consentido como incentivado pelos militares, que viam na militância socialdemocrática uma alternativa saudável para a violência revolucionária.

Durante toda a história da esquerda mundial, os comunistas voltaram a seus concorrentes, os socialdemocratas, um ódio muito mais profundo do que aos liberais e capitalistas. Mas o tempo deu ao "renegado Kautsky" a vitória sobre a truculência leninista. E, se os nossos militares tudo fizeram justamente para apressar essa vitória, por que continuar a considerá-los fantasmas de um passado tenebroso, em vez de reconhecer neles os precursores de um tempo que é melhor para todos, inclusive para as esquerdas?

Para completar, muita gente na própria esquerda já admitiu não apenas o caráter maligno e suicidário da reação guerrilheira, mas a contribuição positiva do regime militar à consolidação de uma economia voltada predominantemente para o mercado interno – uma condição básica da soberania nacional. Tendo em vista o preço modesto que esta nação pagou, em vidas humanas, para a eliminação daquele mal e a conquista deste bem, não estaria na hora de repensar a Revolução de 1964 e remover a pesada crosta de slogans pejorativos que ainda encobre a sua realidade histórica?

por Olavo de Carvalho

Torturador do Khmer Vermelho Pede Perdão aos Sobreviventes

Vejam a reportagem do Estadão que vai abaixo. Comento depois.


O chefe do principal centro de torturas do Khmer Vermelho, Kaing Guek Eav, conhecido como Duch, aceitou nesta terça-feira, 31, a responsabilidade na tortura e morte de milhares de cambojanos e pediu perdão a suas vítimas perante o tribunal que o julga por esses crimes. Ele é acusado de crimes contra a humanidade e genocídio cometidos na prisão S-21, onde 14 mil homens, mulheres e crianças foram presas, torturadas e mortas entre 1975 a 1979, sob seu comando.

Duch, hoje com 66 anos, é o primeiro membro da cúpula do Khmer a ser julgado desde a queda do regime ultracomunista que provocou a morte de pelo menos 1,7 milhão de cambojanos, o equivalente a um quinto da população do país na época. O regime do Khmer é acusado de promover um dos mais sangrentos massacres do século 20, considerando o porcentual da população afetada pelas execuções, prisões e tortura.

"Reconheço minha responsabilidade nos crimes cometidos (...). Eu gostaria de expressar meu arrependimento", disse o ex-diretor da prisão Tuol Sleng, de Phnom Penh. Por esse centro de detenção passaram cerca de 14 mil pessoas que foram interrogadas, torturadas e executadas entre os muros do recinto ou no campo de extermínio de Choeung Ek, a cerca de 15 quilômetros da capital.

"Espero que me permitam pedir perdão aos sobreviventes do regime e aos parentes queridos daqueles que morreram brutalmente", assegurou Duch, no segundo dia de seu comparecimento perante a corte. Duch é o membro do Khmer Vermelho de menor categoria julgado neste tribunal e o único dos cinco acusados que reconheceu sua participação nos crimes.

O responsável pela prisão de Tuol Sleng, também conhecida como S-21, dirigiu as penitenciárias de M-13 e M-99, situadas na selva do noroeste do Camboja e afastadas da frente de combate. Os investigadores acreditam que cerca de 20 mil cambojanos morreram nessas duas prisões.

Duch e sua máquina de matar simbolizam o genocídio cometido pelo Khmer Vermelho entre abril de 1975 e janeiro de 1979, período no qual um quarto da população do Camboja foi executada ou morreu de crise de fome ou por doenças nos imensos campos de trabalhos forçados. Apesar do número de mortos, apenas outros quatro influentes ex-dirigentes do regime maoista estão presos e acusados de cometer crimes similares aos quais Duch é acusado. Este, ao contrário do resto dos acusados, que negam ter tido conhecimento das atrocidades e inclusive da existência de Tuol Sleng, admitiu sua culpa e aceitou sua responsabilidade pelas ações realizadas.

A criação do tribunal internacional foi estipulada em 2003, após vários anos de difíceis negociações entre as Nações Unidas e o governo do Camboja, que o administram conjuntamente, introduzindo elementos da legislação internacional e nacional. Desde que iniciou os procedimentos judiciais, o tribunal auspiciado pela ONU foi alvo de críticas por comprometer os padrões da justiça internacional e por sua vulnerabilidade à manipulação por parte do primeiro-ministro e "homem forte" do Camboja, Hun Sen, que desertou do Khmer Vermelho para se unir às tropas do Vietnã que invadiram o Camboja.

O partido Khmer Vermelho esteve no poder no Camboja entre 1975 e 1979 e foi responsável por um dos maiores episódios de assassinato em massa do século 20. Algumas estimativas colocam o número de vítimas em até 2 milhões, mortos de fome, por excesso de trabalho ou vítimas de execuções. O Camboja pediu à Organização das Nações Unidas (ONU) e à comunidade internacional para ajudar no estabelecimento de um tribunal para julgar o genocídio há mais de uma década. Um tribunal conjunto finalmente foi estabelecido em 2006 depois de muita negociação entre o governo cambojano e a ONU. Recursos impetrados, procedimentos para a criação do tribunal e outros problemas atrasaram ainda mais o início do julgamento, que é presidido por juízes cambojanos e internacionais.


Eis aí, como sempre agiram os comunistas: tortura, mortes, população extremamente empobrecida e famélica!

Claro, os militontos esquerdistas nada dirão a este respeito, afinal não é uma ditadura de direita. E vejam o mais interessante: o tal Kaing comandava as prisões S-21, M-13 e M-99. Na primeira, foram exterminados 14 mil pessoas em apenas quatro anos de regime; nas outras duas, cerca de 20 mil. Quatro anos! Nossa "ditadura", que os bocós até hoje fazem questão de lembrar como terrível e truculenta, matou pouco mais de 300 panacas socialistas - o que não quer dizer que seja pouco - e prendeu pouco mais de 2 mil, segundo dados obtidos até o momento.

Mas vejamos a discrepância: durante a época do regime comunista no Cambodja, havia cerca de 8,5 milhões de habitantes, sendo que aproximadamente 1/5 (20%) foi exterminada pelo regime "mais feliz do mundo" (como diz a nova propaganda política do PC do B na televisão); no Brasil, em vinte anos de ditadura, foram pouco mais de 300 pessoas, para uma população dez vezes maior! Ou seja, nossa ditadura matou 0,000375% da população do país (levando-se em conta a população do início dos anos setenta do século passado). Ou seja: a ditadura comunista foi 53 mil vezes mais assassina! E só estou contando o número de mortos por ambos os regimes!

E vejam mais: a tortura, que também fez parte do nosso regime, era uma instituição do Estado Comunista! Todos sempre souberam que isto ocorria. No Brasil, todos os casos de tortura que foram descobertos e documentados à época, houve punição severa aos torturadores.

Mas não vamos tão longe assim. Vejamos o caso de amor dos esquerdistas brasileiros, principalmente aqueles que hoje estão no governo: a ilha-cárcere dos Castro, o paraíso esquerdista no Caribe. Pelos dados hoje conhecidos - afinal, os dados da ilha são muitíssimo mais difíceis de extrair do que os documentos militares da nossa ditadura -, Fidel Castro, o maior assassino em massa do continente, responde por 100 mil vítimas! E isso ainda não terminou até hoje, mas nossos esquerdistas acham Fidel e Raul (e o porco fedorento, Che) os heróis do "outro mundo possível".

segunda-feira, 30 de março de 2009

Moradias Populares

O presidente da República estufa o peito e anuncia a construção de 1 milhão de casas para as pessoas de baixa renda. Mas ao mesmo tempo alerta que não adianta cobrar quando esse número será alcançado. Diz que o ideal seria em 2009, mas pode ser em 2010 ou mais pra frente.

Alguns jornalistas que não lêem ou propositalmente fazem questão de ignorar, chegam a afirmar que nunca se fez tanta casa popular no Brasil.
Algumas considerações: Fui Coordenador de Comunicação Social do Ministério do Interior, a convite do Ministro Mário David Andreazza, durante o ano de 1979, sendo Secretário Geral Augusto Cézar de Sá da Rocha Maia e presidente do BNH José Lopes de Oliveira. Acompanhei, contudo, todo o trabalho do extraordinário brasileiro que foi Andreazza até 1985, quando o General João Baptista de Oliveira Figueiredo deixou a Presidência da República, sendo sucedido por José Sarney.
No Governo Figueiredo, sob o comando do Ministro Andreazza, somente para pessoas de baixa renda foram construídas 1 milhão e 500 mil moradias em todo o Brasil. O programa denominava-se PROMORAR e teve enorme repercussão.
O BNH, durante o tempo que existiu durante os governos militares, construiu 3 milhões de moradias. Não está computada, aí, a construção provavelmente de outro tanto ou mais de residências para as pessoas das classes média e rica, que iam ao Sistema Financeiro de Habitação obter financiamento.
Muito importante ressaltar que havia um seguro pago pelo financiado segundo o qual ao término do PRAZO acordado com a entidade financiadora, a Caixa Econômica Federal à frente, NADA MAIS tinha a ser pago, independentemente do saldo devedor. Isto era ser justo, isto era pensar nos cidadãos, isto era não privilegiar os banqueiros glutões.
Rocha Maia, hoje apenas como observador da cena nacional - mas bem que poderia ser um conselheiro - recorda-me que o mais importante era o sistema de água e esgoto. Todas as casas eram entregues com saneamento. Água de boa qualidade, esgotos sanitários, o que vale dizer, SAÚDE.
O financiamento era do Banco Mundial (BIRD), com recursos também do Governo Federal e do Banco Nacional da Habitação. As moradias foram construídas em mais de 1.600 municípios. O presidente da entidade que conduz a Construção Civil atualmente - cujo nome não me ocorre agora - disse recentemente, a propósito do lançamento do novo programa do atual governo, que "até 20 anos atrás 600 mil residências eram construídas por ano".
Quando integrantes do atual governo foram projetar o novo programa habitacional para 1 milhão de moradias, foram recomendados pelo próprio Governo Federal a irem conhecer o programa realizado pelo México. Lá, receberam, com surpresa, a informação de que o programa deles fora copiado do programa do Brasil, executado pelo BNH, com ênfase no Governo Figueiredo.
A própria Ministra da Casa Civil disse que "nos últimos 20 anos nada foi feito (nesse caso). Tudo o que se tem de moradias populares foi antes dos últimos 20 anos". Eu completo: no período dos governos militares. Naquela época havia planejamento, visão de futuro. (...)

por Luiz Mendonça, jornalista.



1. Deixemos de lado as fontes de financiamento. Analisemos a estrutura interna proposta. Estados: deverão reduzir o ICMS sobre materiais de construção e também apresentar terrenos para a construção. Como diferenciar o material de construção do pacote, do que vai para as demais pessoas? Como controlar? Quem avaliza. Precisa de lei que terá que prever todos os elementos de controle. E os municípios entram, compulsoriamente, com os 25% que lhes cabem do ICMS. Melhor seria dar crédito no ICMS contra a comprovação das notas do material usado.

2. Os Estados e Municípios doarão os terrenos. Estes têm que ser selecionados e depois aceitos por quem vai construir. Não tendo disponibilidade, terão que ser comprados com os cuidados de avaliação e desapropriação. Os Municípios deverão reduzir em 50% o ITBI e o ISS dos projetos para 0,1%. Outra vez se requer lei e tramitação, com todos os cuidados relativos à incidência do ITBI, por uma só vez. O Governo Federal pretende enviar ao Congresso uma Medida Provisória para agilizar a aprovação das medidas que necessitem do aval do Legislativo. Outra tramitação.

3. Os Municípios serão os responsáveis pelo cadastramento das famílias e pela procura de terrenos para as construções. Devem focalizar em terrenos privados (serão valorizados), pois a cessão de terrenos 'as pessoas exigirá uma lei ou o terreno continuaria a ser propriedade pública.

4. A CEF será a responsável pela operacionalização, no modelo de atuação que já realiza com o PAR. O empreendedor fará o projeto diretamente junto à CEF, excluindo os 3 níveis de governo da execução das obras. O sistema do PAR funciona bem, pois todas as garantias do comprador fazem parte do processo. E quando os compradores pobres não tiverem como oferecer garantias? Que sistema garantidor será estabelecido? Sem ele a CEF não pode tramitar. Concessões de licenças ambientais deverão ter agilização, mas observando a legislação ambiental.

5. O pacote aponta para a construção de conjuntos habitacionais e elimina a possibilidade de construção em áreas disponíveis ou disponibilizáveis em favelas, pelas formalidades exigidas. Em resumo, se tudo der certo, o programa só entra em 2010. E os TREs devem fiscalizar para que os cadastros não sejam instrumento de captação de votos, criando expectativas em ano eleitoral.

por Cesar Maia

quinta-feira, 26 de março de 2009

E o Papa Estava Certo...

Na semana passada, em 17/03/2009, o sumo pontífice da igreja católica, Papa Bento XVI, viajou à África e declarou que - vejam que coisa! - a aids "não pode ser derrotada pela distribuição de preservativos" e acrescentou que "eles só aumentam o problema".

O mundo revoltou-se contra o prelado e, claro, lembraram-se de todos os males que aquela igreja já causou ao mundo, principalmente durante a Idade Média, quando queimavam bruxas e até apoiavam a escravidão.

A África é a região do planeta mais afetada pela aids. De acordo com estimativas elaboradas em 2008 pela Organização das Nações Unidas (ONU), de 30 milhões a 36 milhões de pessoas estão contaminadas pelo vírus HIV, sendo que pelo menos 22 milhões estão na África.

Os governos "progressistas" atuais fazem farta distribuição de preservativos à população. E o que tem acontecido? O número de casos de contaminação tem crescido ainda mais!

O Vaticano encoraja a abstinência sexual como forma de combater a disseminação da doença, o que tais "progressistas" - e a população em geral tem seguido tais ideias - vêem como uma abominação. Até cientistas têm-se posicionado contra tais declarações.

Mas vejamos um caso específico, que ocorre na própria África, em que o número de contaminações pelo HIV tem diminuído expressivamente: Uganda. Este é um caso que, claramente, você não verá na imprensa brasileira porque, coalhada de esquerdistas "progressistas" como ela está atualmente, pouco importa o que diz uma autoridade religiosa - ou mesmo científica - se, mesmo sendo uma verdade profunda, não coincide com a metafísica politicamente correta que os "progressistas" adotam. Assim, como estes sempre fazem, pior para a verdade.

Uganda é um país que se tornou um exemplo raro de sucesso na luta contra a Aids na África, ao reduzir significativamente a incidência que já foi das mais altas do continente. "Se outros países tivessem seguido o exemplo de Uganda, milhões de vidas teriam sido poupadas.", afirma Rand Stoneburner, ex-epidemiologista da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Enquanto alguns outros países baseiam suas políticas de combate à Aids unicamente em custosas campanhas de distribuição de preservativos, com eficácia duvidosa, Uganda apresenta uma fórmula de sucesso que tem despertado a atenção de especialistas de todo o mundo.

A revista Seleções Reader's Digest, por exemplo, em sua edição de Janeiro de 2004, publicou a reportagem "Contra a Aids" mostrando que enquanto a epidemia devasta o sul da África, matando milhões, Uganda está mudando esse panorama. E que é possível, sim, mudar a mentalidade de toda uma nação. Seguem partes dessa reportagem, com alguns trechos sublinados:

Julius Lukwago e Fiona Kyomugisha têm 24 anos e formam um jovem casal moderno - com uma diferença: são e pretendem continuar virgens até o casamento. É assim que o amor funciona na Uganda de hoje: prudentemente. Motivo? A Aids.

O vírus HIV está devastando os países vizinhos, no sul da África, onde se estima que 2,4 milhões de pessoas tenham morrido no ano passado e quase 30 milhões estejam infectados. O vírus compromete a produção de alimentos, superlota hospitais, reduz a expectativa de vida e gera milhões de órfãos.

Em Uganda, no entanto, o índice de mortes e de infecção vem decrescendo. Agindo com cautela, mantendo-se fiéis e recusando-se a lidar com a Aids como uma vergonha pessoal, os ugandenses estão se tratando com uma poderosa e eficiente "vacina social", segundo Rand Stoneburner, ex-epidemiologista da Organização Mundial de Saúde (OMS).

"Ela provavelmente é mais potente do que as vacinas biomédicas que os cientistas esperam desenvolver no futuro", acredita Stoneburner. "Se outros países tivessem seguido o exemplo de Uganda, milhões de vidas teriam sido poupadas."

É interessante notar como foi possível mudar o comportamento de grande parte da sociedade ugandense. Com os atuais níveis assustadores de pornografia na sociedade, em geral as pessoas tendem a achar que trata-se de um quadro irreversível.

A reviravolta é conseqüência de mudanças de comportamento. "O trunfo da abordagem ugandense foi não ter se concentrado apenas nos remédios ocidentais e no uso de preservativos", diz Edward Green, pesquisador sênior de Harvard e membro do conselho presidencial para a Aids. "Custa muito pouco. E mostra que, com medidas firmes e inteligentes, a Aids pode ser evitada."

Quando o presidente Yoweri Museveni subiu ao poder à frente de um exército rebelde, em 1986, herdou um país entorpecido por 15 anos de ditaduras, terror e guerrilha, onde mais de meio milhão de pessoas havia morrido. Os serviços de estradas, energia, água e saúde estavam arruinados.

Enquanto isso, todo mês, milhares morriam de doenças relacionadas à Aids, como tuberculose e pneumonia. Ainda criança, Fiona Kyomugisha foi ao enterro de cinco parentes vítimas da doença. Embora soubessem que algo estava terrivelmente errado, as pessoas tinham medo de falar.

"Os médicos me disseram que a doença não tinha cura, mas fiquei aliviado", lembra Museveni. "A Aids não é tão contagiosa quanto a Sars ou o Ebola. Não se pega no ônibus ou num aperto de mão. A Aids é uma doença de estilo de vida, disseminada principalmente pelo sexo desprotegido. Se as pessoas soubessem disso, poderiam evitá-la. Então batemos os tambores e demos o alarme."

O rufar dos tambores - o tradicional sinal de alarme das aldeias - anunciava boletins informativos do rádio e da televisão sobre a Aids várias vezes ao dia, sempre martelando a mensagem: A Aids é transmitida por relações sexuais... Você precisa se proteger... Não vale a pena morrer por sexo.
O programa de prevenção se resumia a um trinômio: Abstinência, Fidelidade ou Camisinha.

Museveni tirou o problema das mãos dos profissionais de saúde e montou uma unidade especial no seu gabinete. Agora batizada de Comissão de Aids de Uganda, a unidade foi a primeira do tipo em todo o mundo. Seus veículos tinham o lema "Voltinhas Zero" pintado na lateral. Criado pelo presidente, significa "fique com seu parceiro".

Todos os segmentos da sociedade se envolveram, de equipes esportivas a grupos musicais e curandeiros tradicionais. Ensinavam-se fatos sobre Aids em quase todas as salas de aula. As igrejas lançaram campanhas para convencer os jovens a adiar a experiência sexual.
"Eu sabia de tudo aos 11 ou 12 anos", recorda Julius Lukwago. "Aprendi a usar camisinha em seminários de conscientização sobre a Aids na própria aldeia, mas não parecia certo fazer sexo porque nosso medo da doença era muito grande."

O resultado dessa franqueza foi extraordinário. "As pessoas acordaram e pararam de se arriscar", diz Lawrence Marum, dos Centros para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, que trabalhou em Uganda durante a década de 90. "Isso provocou mudanças radicais num lugar fundamental: o quarto."

Estudos realizados por diversos especialistas em saúde pública mostraram mudanças dramáticas. Numa escola, o número de meninos com idade entre 13 e 16 anos que faziam sexo despencou de 61% em 1994 para 5% em 2001, enquanto o número de meninas sexualmente ativas caiu de 24% para 2%. "A abstinência é difícil", admite Fiona Kyomugisha. "Tive várias oportunidades de ter relações sexuais, mas não cedi. Os riscos eram grandes demais."

Fidelidade virou norma - A "vacina social" usada por Uganda, além de não ter contra-indicações, produz um efeito benéfico em toda a sociedade, como, por exemplo, a maior estabilidade do matrimônio, ao passo que as campanhas de difusão do chamado "sexo seguro" produzem o efeito contrário: erotização da sociedade, aumento das doenças sexualmente transmissíveis, dos casos de gravidez indesejada e dos casos de separação entre os casais por infidelidade. Por essa razão, o exemplo de Uganda desperta sobressaltos naqueles que lucram com o mercado da pornografia.

Em 1995, pouco mais da metade dos adultos era fiel a seus parceiros, segundo a Pesquisa Demográfica e de Saúde de Uganda. Em 2000/2001, eram fiéis 97% dos homens casados e 88% das mulheres casadas, um pouco menos entre os solteiros. "Dos estudantes que conheço, cerca de três quartos se abstêm ou são fiéis aos parceiros", garante Julius.

O número de homens que admitiam ter relações sexuais casuais entre 1989 e 1995 caiu em mais de 50%, segundo o Programa Global de Aids em Genebra. Mesmo grupos sexualmente ativos como jovens soldados ficaram mais cautelosos.

No começo, como não eram muito acessíveis, os preservativos não tiveram papel fundamental no programa de prevenção ugandense, exceto entre grupos de alto risco, como as prostitutas. "Ouvimos que há apenas uma borracha fina entre nós e a morte de nosso continente", disse Museveni numa conferência da OMS em 1991. "No entanto, em países como o nosso, a mãe às vezes precisa andar 30 quilômetros para conseguir uma aspirina e dez para encontrar água. Então os problemas práticos de obter e usar camisinhas talvez jamais se resolvam. Os preservativos desempenham um papel importante, mas por si só não bastam." Com efeito, os países africanos que ofereciam maior acesso aos preservativos, como Botsuana e Zimbábue, têm hoje os índices mais altos de Aids.

Com o número cada vez maior de pessoas querendo saber se estavam infectadas, um grupo de profissionais de saúde e assistentes sociais criou um serviço de exames na sala de um hospital, em 1990. O Centro de Informações sobre Aids, como foi batizado, logo se tornou uma rede com mais de 80 unidades.

Nos arredores de Entebe, acompanhei William e Patience [nomes fictícios] quando foram fazer o exame, pelo qual pagaram dois dólares cada um. Durante a meia hora de espera pelo resultado, eles contaram sua história a uma conselheira.

Eles haviam se conhecido e se apaixonado na igreja, mas se abstiveram de ter relações sexuais porque ambos tinham segredos. William, 23 anos, jardineiro, mantivera relações com algumas mulheres anos antes. Patience,19 anos, empregada doméstica, fora estuprada pelo patrão. Eles mal conseguiam olhar quando o envelope pardo chegou do laboratório. A conselheira leu os documentos. "Os exames dos dois deram negativo", disse ela. O casal riu de alívio. "Agora podemos ser fiéis com segurança!", alegrou-se Patience.

As pessoas infectadas são encaminhadas à Organização de Apoio à Aids, também criada por voluntários, que luta contra o estigma da doença e ajuda os pacientes a viver de forma positiva. Anne Kaddumukasa - funcionária da Organização cujo marido morreu de Aids - afirma: "Quando as pessoas infectadas com o HIV cuidam de outras vítimas da doença, elas vivem mais, permanecem no trabalho, cuidam da família durante mais tempo e ainda ajudam os outros dizendo: <>"

Turmas escolares recebem tablóides mensais gratuitos com títulos como "Papo direto" e "Papo jovem", que discutem a saúde sexual. Eles se vinculam a programas de rádio transmitidos em cinco línguas. A abordagem é franca.

Reconhecimento internacional:
"Nós enfatizamos as opções do trinômio, mas nunca nos esquivamos às perguntas", garante Betty. "O mais importante é estar aberto e deixar os jovens falar. Tentamos convencê-los de que ter desejo sexual não significa que precisam se apressar em ter relações sexuais."

Embora aclamada pelas Nações Unidas como o maior sucesso da África, Uganda ainda tem muitos problemas. Um milhão de pessoas morreram, deixando um milhão de órfãos. O índice de Aids foi reduzido em dois terços, para 5%, mas ainda contrasta com o de 0,3% da Europa Ocidental. Mais de 250 ugandenses são infectados todos os dias.

Entretanto, a situação é muito pior em outros países do sul da África. Segundo números do Programa de Aids da ONU, 20,1% das pessoas com idade entre 15 anos e 49 anos na África do Sul, 33,7% no Zimbábue e 38,8% em Botsuana estão infectadas.

O presidente Museveni não entende por que o exemplo de Uganda foi ignorado por tanto tempo pelos outros países. "Como a Aids é um problema sexual, as pessoas têm vergonha de enfrentá-lo", diz ele. "Mas o que é pior: ficar constrangido ou morrer?"

Um exemplo que passa a ser seguido por outros países:
Outros países, como Quênia e Zâmbia, passaram a seguir o modelo ugandense e a mesma medicina moral está começando a dar resultados entre as gerações mais novas.

No começo, Uganda ganhou poucos admiradores entre as agências humanitárias ocidentais que promoviam a expedição de preservativos para combater a Aids. Isso, porém, está mudando agora, quando se vê que os programas que preconizam mudanças de comportamento, como fidelidade e abstinência, podem de fato funcionar.

Como diz Peter Piot, diretor-executivo do Programa de Aids da ONU: "Conquistas como a de Uganda mantêm viva a esperança de que o mundo não está impotente diante da epidemia."

Durante a 15ª Conferência Internacional de Aids, realizada em julho/2004 em Bangcoc na Tailândia, o presidente de Uganda, Yoweri Museveni, reafirmou que a abstinência sexual, não o uso de preservativos, era a melhor maneira de impedir a disseminação do vírus da Aids. E ele tem um exemplo concreto para provar isso.

Edward Green, diretor do Projeto de Investigação e Prevenção da AIDS (APRP, na sigla em inglês), do Centro de Estudos sobre População e Desenvolvimento de Harvard, é uma das maiores autoridades mundiais no estudo das formas de combate à expansão da AIDS.

Green concedeu uma entrevista sobre o tema. E o que ele disse? O PAPA ESTÁ CERTO. AS EVIDÊNCIAS EMPÍRICAS CONFIRMAM O QUE DIZ SUA SANTIDADE. Ora, como pode o papa estar certo?

Em entrevista aos sites National Review Online (NRO) e Ilsussidiario.net, Green afirma que as evidências que existem apontam que a distribuição em massa de camisinha não é eficiente para reduzir a contaminação na África. Na verdade, ao NRO, ele afirmou que não havia uma relação consistente entre tal política e a diminuição da contaminação. Ao Ilsussidiario, assumiu claramente a posição do papa:

"O que nós vemos de fato é uma associação entre o crescimento do uso da camisinha e um aumento da AIDS. Não sabemos todas as razões. Em parte, isso pode acontecer por causa do que chamamos 'risco compensação' — literalmente, nas palavras dele ao NRO: "Quando alguém usa uma tecnologia de redução de risco, freqüentemente perde o benefício (dessa redução) correndo mais riscos do que aquele que não a usa".

Green também afirma que o chamado programa ABC — abstinência, fidelidade e, sim, camisinha (se necessário), que está em curso em Uganda — tem-se mostrado eficiente para diminuir a contaminação. E diz que o grande fator para a queda é a redução de parceiros sexuais. Que coisa, não?

NÃO É MESMO INCRÍVEL QUE SEXO MAIS RESPONSÁVEL CONTRIBUA PRA DIMINUIR OS CASOS DE CONTAMINAÇÃO? Pois é...

Bento 16 apanhou que deu gosto. Apanhou pelo que não disse — e ele jamais disse que a camisinha facilita a contaminação de um indivíduo em particular — e pelo que disse: a AIDS é, sim, uma doença associada ao comportamento de risco e, pois, às escolhas individuais. Sem que se mude esse comportamento, nada feito.

O sexo deliberado, descompromissado e impessoal leva ao caos. O combate à proliferação da aids passa pela fidelidade conjugal, a castidade e a abstinência sexual. Nossos pais e avós não tinham dúvida a esse respeito. A distribuição de camisinhas pode ser comparada à distribuição de pedaços de pau em meio a um conflito: dá a sensação de que estamos protegendo os demais e nós mesmos, mas, ao contrário, estimula a proliferação da violência e do caos.

(contém trechos de post de Reinaldo Azevedo)

segunda-feira, 23 de março de 2009


Das Esquerdas e Seus Métodos

Lula foi a uma escola conversar com as criancinhas, acompanhado de uma comitiva. Depois de apresentar todas as maravilhosas realizações de seu governo, disse às criancinhas que iria responder as perguntas. Uma das crianças levantou a mão e o Lula perguntou:

- Qual é o seu nome, meu filho?

- Joãozinho.

- E qual é a sua pergunta?

- Eu tenho três perguntas. A primeira é, "Onde estão os milhões de empregos prometidos na sua campanha presidencial?". A segunda é, "Os gastos com o cartão de crédito da Dona Marisa são pagos pelo governo?". E a terceira é, "Porque o senhor insiste em dizer que não sabia nada sobre a roubalheira do seu partido?".

Lula fica todo desconcertado, mas neste momento a campainha para o recreio toca e ele aproveita dizendo que continuará a responder depois do recreio.

Após o recreio, Lula diz:

- OK, onde estávamos? Acho que eu ia responder algumas perguntas. Quem tem perguntas?

Um outro garotinho levanta a mão e Lula aponta para ele.

- Pode perguntar, meu filho. Como é seu nome?

- Pedrinho. Eu tenho cinco perguntas: A primeira é, "Onde estão os milhões de empregos prometidos na sua campanha presidencial?". A segunda é, "Os gastos com o cartão de crédito da Dona Marisa são pagos pelo governo?". A terceira é, "Porque o senhor insiste em dizer que não sabia nada sobre a roubalheira do seu partido?". A quarta é, "Porque a campainha do recreio tocou meia hora mais cedo?". E a quinta é, "Cadê o Joãozinho?"

A Moral dos Imorais - Pomar não quer Delúbio no PT

"Reintegrar Delúbio será fornecer farta matéria-prima para os ataques da direita, ajudando a reavivar a ofensiva lançada contra nós durante a crise de 2005."


A frase acima é de Valter Pomar e está publicada no Painel de ontem, da Folha. Pomar é secretário de Relações Internacionais do PT e fina flor da extrema esquerda do partido. Também é secretário executivo do Foro de São Paulo, aquela entidade fundada por Lula e pelo Coma Andante Fidel Castro, que reúne partidos de esquerda da América Latina. Mas vamos à sua frase, com uma observação prévia. Nem toda vigarice intelectual é de esquerda, é certo. Mas não se é um esquerdista sem a vigarice. Terá Pomar atentado para os frutos lógicos que derivam de seu pensamento? Vamos ver.


1) Se o principal entrave ao retorno de Delúbio Soares ao PT é a exploração que a direita faria do fato, tem-se que não há — e eu concordo, então, com Pomar — qualquer natural incompatibilidade entre o partido e aquele gigante moral. Mas estamos só no começo.


2) Se a volta de Delúbio ao partido “fornece farta (atentem para o “farta”) matéria-prima à direita”, somos obrigados a concluir que a direita é, então, avessa àquilo que Delúbio representa. O que, desde logo, confere a essa direita um atestado de boa conduta. Já o PT, conforme o demonstrado, poderia muito bem abrigá-lo, sem incompatibilidade nenhuma, não fosse a eventual patrulha dos adversários. Sigamos.


3) Se a direita é o entrave à volta de Delúbio Soares, supõe-se que ela procuraria evidenciar as artes de Delúbio, que o PT tenta esconder. Logo, trata-se do confronto entre quem quer a verdade e quem quer a mentira.


4) Observem que Pomar não diz que a direita vai “inventar” uma farta matéria-prima. Segundo diz, Delúbio é que vai "fornecê-la".


5) Pomar, no entanto, como bom esquerdista, reconhece os pecados da sua turma, mas prefere acusar os adversários. Notem que ele chama o mensalão de “ofensiva lançada contra nós”. Quando o escândalo estourou, ele foi um dos petistas que tentaram usar o episódio para, digamos, “desdirceuzar” o PT. O partido passou a acusar, então, a tentativa de um “golpe”. Pomar adere à teoria. Também para ele, então, o mensalão não existiu, e Delúbio é um injustiçado.


6) Se é assim, se tudo não passou de uma “ofensiva da direita”, manter o homem longe do partido é uma injustiça, ainda que ele “forneça farta matéria-prima” aos adversários. Como conciliar as duas coisas? O cérebro de um esquerdista permite diagnóstico, mas não cura.


7) Sendo Delúbio quem é, com a sua longa biografia — fora aquela “não-contabilizada”, que a gente desconhece —, só posso concluir que a direita estaria, então, fazendo um bem ao PT caso passasse a atacar o partido.


8) É uma pena que a direita praticamente não exista. Se eu soubesse onde ela "mora", iria até lá para dizer: “Por favor, não toque no assunto; deixe Delúbio voltar. Com ele, o PT fica entregue à sua real natureza, e isso é bom para o país”. Não sei se fui muito sutil...


9) A fala de Pomar é também pouco corajosa. Como não quer comprar briga com setores do partido, usa esse adversário imaginário — a direita — como bicho-papão.


10) E, para concluir, pode-se escrever a sua frase de outro modo: “Por mim, ele até voltaria, mas o problema são os nossos inimigos. Não é a minha moral que se choca com a de Delúbio, é a moral da direita”.


Vejam só: comecei a escrever este texto para criticar Pomar e, depois de 10 itens, concluo que ele está certo. Nada há de contraditório entre Delúbio e o PT. O tesoureiro não combina mesmo é com a direita.


por Reinaldo Azevedo

sexta-feira, 20 de março de 2009

Datafolha - Aprovação a Lula cai pela 1ª vez no 2º mandato

Com a crise econômica, a avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofreu a primeira queda desde o início do segundo mandato. A taxa de aprovação caiu de 70%, em novembro do ano passado, para 65%, em pesquisa concluída ontem pelo Datafolha.(...)

De 0 a 10, a nota média atribuída ao governo Lula também caiu - de 7,6, em novembro, para 7,4, índice que ainda supera os 7,0 da pesquisa de setembro.

O presidente permanece com grande aprovação entre os eleitores que tem a escolaridade fundamental - 68% de ótimo/bom (quatro pontos a menos que na pesquisa anterior. No estrato com escolaridade superior, a taxa permaneceu rigorosamente estável em 64%.

Entre os brasileiros de menor renda, a avaliação positiva caiu de 71% para 66%. Também houve queda na faixa superior de renda - de 63% para 58%.

Em termos regionais, o Nordeste continua sendo a principal área de apoio a Lula, com 77% de aprovação - quatro pontos a menos que no levantamento anterior. A região concentra, como afirmou recentemente a ministra Dilma Rousseff, 52% dos beneficiários do Bolsa Família e 40% dos atendidos pelo Luz para Todos.

A seguir aparecem as regiões Norte/Centro-Oeste, com 64% de aprovação (nove pontos a menos); o Sudeste, com 60% (seis pontos a menos); e o Sul, com 57% (dois pontos a menos que na pesquisa de novembro).(...)

Crise
O Datafolha revela que, desde novembro, o percentual de brasileiros que tomaram conhecimento da crise aumentou de 72% para 81%. Destes últimos, porém, somente 19% dizem estar bem informados a respeito. A taxa dos que não tomaram conhecimento da crise recuou de 27% para 19%.

Também cresceu bastante a percepção de que o Brasil de um modo geral será muito prejudicado pela crise financeira mundial, que subiu de 20% para 31%. Ainda predomina, porém, a opinião de que o país será um pouco prejudicado pela crise, embora essa taxa tenha se reduzido de 58% para 55%.

Apesar disso, a queda na aprovação de Lula não é proporcional à gravidade da crise. Esse descolamento parcial entre a piora no cenário econômica e a avaliação do governo federal já tinha ficado evidente na pesquisa de novembro - quando a redução da atividade econômica já provocava um recuo de 7,2% na produção industrial somente naquele mês.

Isso acontece porque a avaliação do desempenho do presidente Lula diante da crise continua positiva, ainda que em um grau menor que antes. Em novembro, 49% aprovavam a atuação de Lula no combate aos efeitos da crise. Agora, essa taxa diminuiu para 43%. Já a taxa de reprovação ao seu desempenho subiu de 9% para 13%, assim como a avaliação regular, que passou de 30% para 36%.

da Folha de São Paulo



No post acima, estão os números do Datafolha sobre a popularidade de Lula. O mais importante: A taxa de aprovação caiu de 70%, em novembro do ano passado, para 65%.

Petralha, como um ser óbvio, imagina, claro, que vou dizer aqui que a derrocada do Apedeuta começou, que agora é ladeira baixo, daí para o oblívio. Mas eu direi quase o contrário: os números só demonstram como Lula foi eficiente em se descolar da crise. Hesitou um pouco, tentou negar o óbvio, com a sua “marolinha”, e depois se empertigou, deu-se conta do tamanho do desastre da economia mundial e se dedicou a seu esporte predileto: encontrar culpados. Ensaiou uma demonização do empresariado, que começou a demitir, mas logo mirou nos Estados Unidos e nos especuladores. E está sendo bem-sucedido.

Antes que continue numa análise que é política, cumpre observar que, com efeito, a dinâmica da economia brasileira faz com que o tombo do crescimento seja grande, mas, para as camadas mais pobres, o pouso tem sido e continuará lento. A crise faz cair a inflação, o que garante o poder de compra do salário mínimo, que voltou ao topo se medido em cesta básica. É evidente que isso tudo conta na avaliação positiva. E há, sabemos, o, chamemo-lo assim, talento de Lula para a política nas circunstâncias e condições em que ela é feita no Brasil (não esqueçam deste ponto porque vou retomá-lo adiante).

Tudo isso explica a pequena variação negativa no seu prestígio, elevadíssimo ainda assim. A questão nem tanto é saber por que caiu um pouco, mas por que continua tão alto. A resposta, nesse caso, é bem mais simples. Em primeiro lugar, a oposição não tem rosto, e os rostos personalizados da oposição, nas questões que contam, são quase todos variações em torno do mesmo Lula. Fica-se diante de um círculo que se vai auto-alimentando: ninguém bate em Lula porque ele é popular, e, em parte ao menos, ele é popular porque ninguém bate em nele. Jamais um presidente foi tão preservado de seus erros como o petista. O governo surge, inclusive em boa parte da imprensa, como aquele que só acerta.

Convenhamos: também esta não tem sido das mais críticas — parece haver um questionamento mais ou menos silencioso que poderia ser assim expresso: “Se a oposição não se opõe, por que a imprensa vai fazer esse trabalho?” Não é uma indagação infundada. Querem um exemplo? Há dois meses, Lula, Mantega e Dilma diziam que o país iria crescer 4%. Hoje, a expectativa oficial é de 2%, e poucos acreditam nela. Nem oposição nem imprensa cobram do governo o erro de análise. Unida, a nação se dá por satisfeita se não houver recessão. Essa passou a ser a nova medida do acerto. Numa variante do patriotismo, estamos todos contra a crise, é claro. E há um certo sentimento de que a convicção firme pode afastar o perigo. É mais fácil, em certos círculos, acreditar em pensamento positivo do que em Deus...

Isso é ruim?Esse "patriotismo" nem é, em si, ruim. Mas convenham: é uma situação nova, não? Só Lula pôde experimentá-la. Como era com os outros presidentes — com FHC em particular? Quando foi que o PT, então na oposição, deixou de atribuir ao tucano a inteira responsabilidade pelas crises? Nunca! Elas estouravam lá fora, e logo se dizia que o Brasil padecia porque, por aqui, só havia ou incompetentes ou salafrários. Em cinco meses, vimos evaporar mais de 700 mil empregos. Mas não havia ninguém para encostar Lula na parede.

O PT CONSTRUIU UM LUGAR ÚNICO NA POLÍTICA BRASILEIRA, QUE LHE FOI FACULTADO PELAS LICENÇAS ESPECIAIS QUE LHE CONCEDEM OS ADVERSÁRIOS. Caso se eleja um tucano em 2010, e o país passe a enfrentar dificuldades vindas de fora, alguém aí dúvida de que os petistas botarão a boca no trombone, acusando o presidente de incompetência e/ou desvios éticos? Alguém aí duvida de que, fosse um tucano ou um democrata o presidente, as mais de 700 mil vagas fechadas teriam se transformado em passeatas da CUT, com acusações as mais severas ao mandatário?

Ninguém duvida. E não! Eu não acho esse um bom modo de fazer política. Essa é uma das minhas muitas contraposições ao partido — que, atenção!, nesse particular, continua rigorosamente o mesmo. “Sorte deles”, alguém diria. “Se são competentes no trato da coisa política, fazer o quê?” Não é bem assim. O uso, por exemplo, da máquina sindical para endossar governos aliados e atingir governos adversários é puro lixo ético.

Silêncio e 2010
Volto ao ponto. Que, dado o contexto, Serra e Aécio evitem enfrentar o governo — ou enfrentar Lula —, compreende-se. Que os oposicionistas no Congresso, o PSDB em particular, façam o mesmo, aí já me parece um caso de inapetência. O governo é senhor absoluto da agenda — e a crise, no que respeita à política propriamente, tem sido até positiva para o Planalto: o clima é de “não podemos nos dividir”.

Então 2010 já está no papo, e Lula faz seu sucessor, já que nem a nova desordem mundial parece abalar o seu prestígio? Bem, aí a coisa já é um tanto diferente. O tal “talento” de Lula, de que falo no segundo parágrafo, é um ativo político gigantesco, mas também traz contratempos. Ele é um fenômeno irrepetível. Transferirá, sim, parte do seu prestígio para o candidato (ou candidata) do governo, mas não tem um sucessor político natural. E não há como construí-lo artificialmente. Os petistas gostariam que a luta de 2010 se desse entre “o (a) escolhido (a) por Lula” e o anti-Lula, mas não creio que seja possível consolidar esse confronto, especialmente se o candidato das oposições for José Serra. Sua biografia política, vejam só, está mais ajustada à metafísica do social, tornada tão influente, do que a da própria Dilma Rousseff.

Mas que se note: o fato de o prestígio de Lula não implicar eleição fácil da candidatura que ele ungir não dispensa a oposição de fazer oposição. Se continuar de bico calado, os eleitores ficam sem distinguir cítara de flauta, como diria o Apóstolo Paulo.

por Reinaldo Azevedo

quarta-feira, 11 de março de 2009


A Armadilha da Responsabilidade Social

Antes de começar a discorrer, necessito informar que nada tenho contra um indivíduo ou grupo de indivíduos que, em uma ação isolada ou organizada de forma permanente, pratiquem a caridade e a ajuda às pessoas necessitadas; isto porque a livre associação de pessoas para a conquista de quaisquer fins que não representem a agressão à vida, à liberdade e à propriedade de outrem é a própria essência do pensamento liberal.

A doutrina liberal tem no seu âmbito econômico apenas uma face da amplidão filosófica que abrange; na verdade, o que ela protege é o direito de cada ser humano de perseguir seus sonhos e sua felicidade, e entende que isto só pode ser possível se esta pessoa for livre e puder dispor de seus próprios recursos, adquiridos de forma originária ou contratual.

As coisas vistas dessa maneira adquirem cores totalmente novas em relação à arraigada idéia prevalecente hoje de que um empresário busca somente o lucro, pois então haveremos de admitir quantas coisas boas foram criadas por pessoas que se deram à produção de algo por amor ou convicção, sendo o respectivo negócio apenas um meio de realizar o objeto de seus projetos de forma sustentada. Aliás, bem se diga, ousaria dizer que são justamente estes indivíduos os que mais têm proporcionado bem-estar à humanidade, de modo que o sucesso financeiro que desfrutam caracteriza antes uma conseqüência do que uma causa.

Bill Gates, o dono da Microsoft, tem sido um ardoroso visionário e profetizando que cada lar viesse a ter um micro-computador, já cumpriu seu projeto nos países desenvolvidos e está a poucos passos de repeti-lo nos emergentes como o Brasil. Foi a sua determinação em construir softwares amigáveis, que qualquer um pudesse operar o que tem possibilitado isto. Como ele, são incontáveis os casos de indivíduos que têm no seu negócio uma realização pessoal: pessoas que gostavam de se reunir com os amigos para degustar charutos abriram tabacarias; outras que eram elogiadas por suas habilidades culinárias abriram restaurantes ou churrascarias; e assim por diante.

Como ensina Ludwig von Mises, existe este sistema de trocas - o sistema capitalista - em que uma pessoa dá a outra algo em retribuição por algo diferente que ela deseja. Neste sistema, ninguém é obrigado a seguir sob coação as ordens de ninguém e qualquer um pode cooperar da forma como quer e de acordo com seus talentos, disponibilidades e possibilidades. Além deste, não bastante, existe também um outro, que caminha de forma paralela, no qual pessoas se unem voluntariamente para propiciarem o bem-estar de outras sem delas cobrar nada em troca.
Um sistema alimenta o outro, e o mais interessante: ambos dependem do financiamento - e portanto da aprovação – da população. Uma padaria que não se empenha em produzir os melhores pães está condenada à falência, do mesmo modo que a entidade filantrópica pode perder seus patrocinadores se eles vierem a descobrir que seus recursos são desviados ou mal empregados. Muitas vezes, estas atividades se confundem em uma só, como é o caso do médico consagrado que vai à periferia atender os menos afortunados ou da escola que distribui bolsas. Trata-se, portanto, de um complexo e intricado mutirão.

Porém, nada disso envolve a figura do que tem sido chamado de “responsabilidade social”. Responsabilidade implica “responsabilização”, tal como aquele que é “responsabilizado” (demandado) civil ou penalmente. Trata-se, portanto, de uma imputação de culpa, de delito, de má-conduta, e conforme prospere este entendimento, há ainda de se tornar uma figura juridicamente concretizada no direito positivo, se é que já não foi, tenha-se em vista a previsão constitucional de que a propriedade “atenderá a sua função social”, como estabelecido no art. 5º, inciso XXIII da nossa confusa carta magna.

A responsabilidade social nada mais é do que um conceito de origem marxista, fincado na idéia de que o empresário é uma figura maligna, que causa pobreza e exclusão social por intermédio de sua atividade e que deve pelo menos tentar expiar parcialmente a sua culpa empenhando-se na nas ditas “causas sociais”, na esperança (vã) de obter com isto a piedade de seus detratantes. Uma ilustração muito real desta visão foi proporcionada pelo próprio presidente Lula quando, logo no início de seu governo, proferiu em entrevista à imprensa televisiva nacional, por ocasião de um grande evento sobre responsabilidade social ocorrido no Nordeste, que “nem todo empresário é um sujeito ruim”. Ora, o que ele pretendia dizer com isto, senão afirmar, como um nazista, que nem todo judeu é um “sujeito ruim”?

A responsabilidade social atende a dois objetivos de uma só vez: primeiro, transfere aos empresários a responsabilidade de realizarem aquelas coisas que os políticos prometiam fazer a pretexto de aumentarem os impostos, na mesma medida em que os liberam de tais afazeres para que possam dedicar-se exclusivamente... à política, oras! Em seguida, faz com que os empresários financiem a própria destruição, já que, nos programas que patrocinam, empregam militantes que doutrinarão os seus assistidos justamente contra eles próprios, e que no futuro, ocupando posições relevantes na sociedade, exponenciem toda sorte de investidas contra a sociedade livre, seja como operadores de direito, acusando ou julgando contra os empresários, sejam como professores, detratando-os perante seus alunos, sejam como políticos ou eleitores, promulgando leis anticapitalistas.

Os empresários precisam compreender este ardil e modificá-lo a seu favor. Para tanto, nenhum jovem precisa ser alijado da escola, muito menos nenhum doente de um hospital. Tudo o que precisa ser feito é que seja protagonizada uma mudança de mentalidade, e a primeira atitude a ser tomada é justamente a extinção da denominação “responsabilidade social”, juntamente com a imputação de culpa que no conceito vem embutido. Troquem-na por exemplo, por “ação humana”, “ação empresarial”, ou o título que seus melhores profissionais de marketing sugerirem. Em seguida, mudem o script: ensinem aos assistidos sobre os valores da responsabilidade e do mérito individual, da cooperação humana, e do valor do trabalho e da atividade empresarial.

Hoje, entre os assistidos, destacam-se não os melhores profissionalmente, mas sobretudo aqueles que melhor dominam a arte da política, que nada mais é do que arregimentar a força e a vontade dos outros para seus objetivos próprios e na perseguição aos seus inimigos e rivais. Com a mudança do paradigma aqui sugerido, logo os que vão se destacar serão aqueles que, dotados de mérito e reconhecimento pelos seus pares, conhecem a fundo seu ofício e se empenham a servir aos demais – especialmente os consumidores. Agindo assim, em poucas gerações uma mentalidade mais simpática à liberdade individual e à atividade empresarial há de florescer, com gigantescos benefícios a toda a sociedade.

Portanto, caro amigo empresário, tome esta iniciativa: faça deste limão uma limonada! Reúna-se com seus sócios e amigos e modifique urgentemente esta situação!

por Klauber Cristofen Pires

Nós que Somos Traço

Sim, o presidente Lula tem uma série de dons. Sua comunicação com quem escolhe presidente por semelhança consigo mesmo o converte num candidato sempre forte. Convence bêbado que água mineral é champanha. E convence abstêmio que champanha é água mineral. Ao longo de seis anos conseguiu não apenas transformar em mérito próprio tudo aquilo que seu antecessor lhe deixou servido numa bandeja como ainda inverteu a situação e lhe devolve a continuidade em forma de ônus. Coisa de deixar o mágico David Copperfield embasbacado.


Quando o governo se encontrou encalhado no mensalão e no Caixa 2, Lula se declarou traído e descobriu ali, entre os odores da crise, a fórmula perfeita para o sucesso: fatura tudo que é bom e joga as encrencas no colo dos demais. E faz isso como política de governo, coisa oficial, que só não virou Medida Provisória porque ele achou preferível adotar como conduta definitiva. Quanto mais tal velhacaria repugna as consciências bem formadas, mais se afirma o fato de que estas são traço nas pesquisas CNT/Sensus.


Só estou me dando ao trabalho de lembrar que as coisas são assim porque até as consciências bem formadas acabam se acostumando e não mais percebendo as constantes manifestações desse procedimento. Agora mesmo, no cenário da borrasca econômica, tudo se repete. E se repete com agravante: a culpa está saindo da esfera política, deixando Brasília de ontem e de hoje, onde estão os culpados de cada vez, e está sendo jogada para cima de certa parcela da sociedade. A artimanha, desta feita, assume claro intuito ideológico.


O leitor certamente sabe que durante os últimos três anos, com o crescimento das atividades econômicas, o número de empregos formais aumentou num ritmo muito positivo em nosso país. Milhões de novos postos de trabalho foram criados. Números realmente impressionantes. O agronegócio (não o negócio do MST) ia bem, as exportações cresciam, o mercado interno se expandia, o PIB aumentava, a indústria rodava em três turnos e as empresas ampliavam seus quadros.


Quem faturou com isso? O Lula. Não eram as empresas, não era cada empresa, cada empreendedor, que estava decidindo ampliar suas atividades e recrutando mais recursos humanos. Não, não. Quem criava empregos era ele, o Lula. Os méritos não cabiam à criatividade empresarial, aos que organizam os fatores de produção, mas à pessoa física do presidente. Pode? Pode, sim. Tanto pode que foi exatamente disso que as pessoas se convenceram. A fé em Lula ficou quase igual à fé em Jesus Cristo. Duvidam? Olhem as pesquisas. Quanto mais as empresas criavam empregos mais aumentava a popularidade de Lula, esse empregador. Agora, com a crise se instalando em proporções alarmantes, as empresas reduzem suas atividades e, consequentemente, seus quadros de pessoal. E a culpa é de quem? Do Lula? Absolutamente não. Ele já deixou claro que a culpa é do maldito empresariado nacional, incompetente para produzir sem mercado e incapaz de pagar a folha de pessoal sem faturamento. Com esse tipo de estrupício dirigindo negócios um país não pode ir para frente, não é mesmo?


Você e eu, nós aqui, traço no CNT/Sensus, ainda nos atrevemos a balbuciar que não é bem assim. No entanto, no grosso da tropa, se instala a idéia de que seria muito melhor transformar o país numa grande empresa entregue a Lula, esse homem sem pecado, de méritos infinitos.


por Percival Puggina

Enquanto Isso, na Reública dos Bananas...

Veja a notícia abaixo. Comento depois...


Apesar de o País ter 47,5 milhões de brasileiros sem acesso a coleta de esgoto e 19 milhões viverem sem água tratada, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu na semana passada devolver R$ 134 milhões (US$ 57 milhões) ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e acabar com o Programa de Ação Social em Saneamento (PASS). Assinado em 2004, o contrato de financiamento previa - com a contrapartida do Orçamento brasileiro - investimentos totais de R$ 224,4 milhões (US$ 95,5 milhões) para atender 129 municípios. Em quatro anos o governo conseguiu usar o dinheiro do BID em uma única cidade, Limoeiro do Norte (CE), e realizar licitações em apenas outras duas.

A história do fim do PASS e a devolução do empréstimo tomado no BID mede bem a distância entre as metas estabelecidas pelos governos e os objetivos efetivamente alcançados. É também um retrato do funcionamento precário da burocracia que não consegue viabilizar os investimentos públicos, mas está renovando as promessas de, com as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), redimir o País nas áreas de habitação e saneamento. Os R$ 224,4 milhões do PASS eram para obras de esgoto e tratamento de água e, também, para estruturar empresas de gerenciamento, fiscalização e manutenção nos municípios.

Um ano foi gasto para que a União realizasse licitação para a contratação de empresa que iria gerenciar o programa, uma exigência do BID. Em 2006 começou a seleção dos municípios - que precisariam ter entre 15 mil e 75 mil habitantes, estarem localizados nas Regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, no Espírito Santo ou norte de Minas Gerais e ter baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Mas 2007 foi gasto em um debate sobre manter o programa independente ou vinculá-lo ao PAC.

No ano passado, a conclusão foi deixar o PASS com apenas seis cidades - além de Limoeiro do Norte (CE), Quixeramobim (CE), Assu (RN), Ipojuca (PE), Santa Cruz do Capibaribe (PE) e Surubim (PE). Uma obra foi iniciada, duas licitações realizadas, o restante dos editais preparado. Mas, mais uma vez, tudo foi suspenso. A decisão, tomada em conjunto pela equipe econômica e o staff do ministro das Cidades, Márcio Fortes - responsável pelo PASS -, foi a de encerrar o contrato com o BID e passar tudo para o PAC, inclusive as obras em andamento.

Depois de todo esse tempo, o governo concluiu que seria caro manter o empréstimo para fazer o trabalho em apenas seis cidades. Oficialmente, diz que o Brasil não precisa mais de empréstimos para construir infraestrutura e pode arcar com a despesa.

COMPROMISSO
Nos quatro anos em que o Brasil manteve o empréstimo com o BID, foram retirados apenas US$ 2,5 milhões. O problema é que o dinheiro tem custo - há uma taxa de compromisso cobrada pelo BID quando o crédito é contratado, mas não é usado. No caso do Banco Interamericano, essa taxa representa 1% do valor financiado ao ano - foram pagos de taxa de compromisso US$ 570 mil a cada ano.

Os seis municípios que estavam na meta do PASS já têm recursos garantidos no PAC. Os outros 123 ainda não estão nem mesmo definidos e a possibilidade de atendimento perde-se no horizonte. Um dos temores dos técnicos é que nada do que foi feito até agora seja aproveitado, como as licitações, e tudo atrase ainda mais.

O Ministério das Cidades afirma que o programa foi encerrado porque o contrato expiraria nesta semana - na verdade, poderia ser prorrogado por pelo menos mais dois anos - e as obras foram então repassadas para o PAC "sem prejuízo do cronograma". O Estado questionou o governo sobre a falta de interesse em usar recursos contratados e disponíveis, mas o ministério disse que o responsável pela área (de saneamento) não estava disponível para responder.

O CASO
Início do projeto: setembro de 2004

Valor inicial: US$ 95,5 milhões, sendo 60% do BID e o restante da União

Meta inicial: atender 129 municípios, sendo 41% do semiárido nordestino

Final do projeto: março de 2009

Valor usado do BID: US$ 2,5 milhões

Municípios atendidos: 1 - Limoeiro do Norte (CE)

População com acesso a água tratada: 90% - 19 milhões de pessoas não têm água tratada

População com acesso a coleta de esgoto: 75% - 47,5 milhões de pessoas não têm coleta de esgoto
por Lisandra Paraguassú, no Estado de São Paulo


Pergunte-se: se o (des)governo Lula tinha dinheiro para fazer as tais obras de saneamento básico, por que não as fez? Para incluí-las no PAC e dizer que não precisou de "dinheiro estrangeiro"?
Então, você pode crer: estas obras jamais serão feitas, uma vez que somente 16% do dinheiro prometido ao tal PAC foi empenhado até agora. É isto mesmo: o PAC está emPACado!
Se medirmos o número de obras que efetivamente estão sendo feitas, em nada difere dos governos anteriores. A única diferença é o número de inaugurações de "obras a serem feitas", de "pedras fundamentais", de "papéis de lançamento", entre outras baboseiras político eleitoreiras para lançar a candidatura da ex-terrorista Dilma Rousseff à presidência.
Assim, devolvemos toda esta dinheirama que poderia ter sido realmente usada para sanar os problemas de milhões de brasileiros, ajudando, inclusive a melhorar a saúde deles, para ficar com as idéias dos cabeças de vento que abominam o capitalismo e querem que o Estado, num surto de nacionalismo estabulado, resolva todos os problemas - afinal, é muito mais fácil desviar dinheiro do Estado do que do BID, pois a prestação de contas para este é extremamente meticulosa.
E assim, cresce a popularidade de Lula, mesmo fazendo absolutamente nada, só prometendo e papagaiando suas asnices!

MST Investe na Impunidade

As invasões e depredações realizadas por 6,5 mil mulheres do Movimento dos Sem-Terra (MST) e associados, como o Via Campesina, em oito Estados e no Distrito Federal, em "comemoração" ao Dia Internacional da Mulher e sob o pretexto de protestar contra o "modelo de agronegócio" brasileiro e a "paralisia da reforma agrária", fazem parte de uma rotina que até seria monótona, pela repetição, caso não apresentasse sempre maiores abrangência e violência.

Desde que seu objetivo principal deixou de ser a reforma agrária, e passou a ser claramente político - mesmo que baseado numa geleia ideológica "revolucionaria" de confusa natureza -, o Movimento dos Sem-Terra (MST) tem investido, fundamentalmente, na impunidade. As invasões de fazendas produtivas, as derrubadas de cerca, as depredações de sedes, as matanças de animais, as colocações de empregados rurais em cárcere privado, assim como os saques e as destruições de cabines de pedágio, as ocupações e depredações de prédios públicos, os acampamentos e interdições de estradas tudo tem dado margem à prática, pela entidade e seus seguidores, dos mais variados crimes comuns, inclusive os de homicídio. O problema é que a maioria esmagadora desses crimes permanece à espera de julgamento.

Os processos envolvendo integrantes do MST e grupos assemelhados, como Via Campesina, Movimento pela Libertação dos Sem-Terra (MLST) - incluindo aí o do notório dissidente emessetista José Rainha Junior, "dono" dos esbulhos possessórios do Pontal do Paranapanema -, têm caminhado a passos lentos demais no Judiciário. Assim, as críticas que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, tem feito tanto ao governo - por repassar verbas públicas para o MST e assemelhados - quanto ao Ministério Público (MP), por não cobrar o respeito à lei, são extensivas ao próprio Judiciário. "Na verdade, temos de sempre eleger prioridades. Esta é uma questão que está se acumulando, que está se adensando, e que muitas vezes gera, maximiza conflitos" - disse o presidente do Supremo.

Entendemos, pelas palavras do ministro Mendes, que mesmo sendo a Justiça estruturalmente morosa, há certas questões que merecem grande prioridade de julgamento, sob pena de resultarem nas piores consequências sociais - caso dos "investimentos em impunidade" que fazem MST e assemelhados. As 400 mulheres que ocuparam o 9º andar do Ministério da Agricultura, em Brasília, fizeram questão de dizer que não tinham interesse algum em encontrar-se com o ministro. O que queriam era só protestar contra o "modelo agrícola" vigente no Brasil. Há pouco tivemos, comandado pelo dissidente Rainha, o "Carnaval Vermelho" - ele tem, sistematicamente, escolhido datas e meses "vermelhos" para suas operações violentas, cujo único objetivo é desmoralizar as instituições democráticas.

Nada menos do que 650 processos penais foram abertos contra integrantes do MST, desde 1995. A quase totalidade deles ainda não teve julgamento definitivo - transitado em julgado:
  • o assassinato do policial Luiz Pereira, em 2005, pelo qual 11 sem-terra foram presos, o Ministério Público os denunciou por homicídio triplamente qualificado e o processo aguarda julgamento da Justiça no Recife;
  • a interrupção, no ano passado, da Estrada de Ferro Carajás, no Pará, pelo que a Justiça Federal condenou o MST a pagar R$ 5,2 milhões à Vale - mas, interposto recurso pelo MST, ainda falta o pronunciamento final da Justiça;
  • a invasão e destruição, em 2006, do viveiro da Aracruz Celulose, no Rio Grande do Sul, quando o Ministério Público denunciou 37 invasores e o processo aguarda julgamento no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul;
  • a invasão do Congresso por integrantes do Movimento de Libertação dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MLST), em que mais de 100 pessoas foram denunciadas pelo MP por lesões corporais, crimes contra o patrimônio e formação de quadrilha - e o processo aguarda julgamento na Justiça Federal;
  • os muitos processos - inclusive por crime de morte - tendo como réu José Rainha Junior - que aguardam julgamento em definitivo.

Eis apenas alguns exemplos. De onde é para se concluir que, até agora, os investimentos em impunidade, feitos pelo MST, só lhe têm trazido ótimos dividendos.

em "Opinião", do Estado de São Paulo

A Nova Inquisição

O texto a seguir contém partes do post "A Nova Inquisição" do Gustavo Bezerra, no Blog do Contra. Ele, apesar de dizer-se ateu, fala com propriedade sobre os recentes ataques esquerdistas à Igreja Católica e seus dogmas.

Muito barulho causou nos últimos dias o caso da menina de nove anos violentada pelo padrasto em Pernambuco, e que, por causa do estupro, teve de abortar de gêmeos. O que causou maior escândalo não foi tanto o estupro da menina por um membro da própria família - uma realidade que, infelizmente, é corrente nesse imenso e semi-bárbaro Brasil -, nem o trauma adicional do aborto, mas a decisão do arcebispo católico de Olinda e Recife de cumprir prontamente o que determina o Direito Canônico em casos como esse. Em outras palavras: a excomunhão dos médicos que realizaram o aborto em Recife e da mãe da menina, que o permitiu.

(...) Não há como não ver no caso uma tentativa orquestrada de difamar uma religião e tentar submetê-la a uma visão ideológica, disfarçada de progressista, mas hipócrita em seus meios e totalitária em seus objetivos.

O caso está sendo apresentado como uma luta contra o reacionarismo e o obscurantismo de uma instituição religiosa, que estaria fechando os olhos para uma questão de saúde pública. Na verdade, não é nada disso. A questão não é sobre a intransigência da Igreja, nem se a excomunhão é correta ou não, não é sequer sobre o aborto. É se os católicos têm ou não o direito a continuar a ser católicos. É se a Igreja tem ou não o direito a ser o que é. É essa a questão.

Os inimigos da Igreja viram no caso um prato cheio para dar vazão a seus ataques antirreligiosos. Atacaram a decisão de excomungar a mãe e os médicos, captando nela um claro odor de Inquisição, e submeteram o arcebispo de Olinda e Recife a um linchamento moral. Logo se ouviu o coro de vozes "progressistas" clamando contra o clérigo tacanho e reacionário, que teria agido como um inquisidor, um moderno Torquemada. Nada mais falso.

A intensa propaganda anticatólica com que fomos bombardeados na TV e a pretensa unanimidade forjada em torno do caso são falsas pelos seguintes motivos: primeiro, não foi o arcebispo fulano de tal que excomungou as pessoas envolvidas no aborto - foi a Igreja católica. Mesmo se o quisesse, o arcebispo não poderia agir de forma independente, nesse ou em qualquer outro caso semelhante. No caso de aborto, a excomunhão é automática. É pecado, e ponto final. Não foi o arcebispo que inventou isso. A imprensa não ter apontado esse fato, atribuindo a decisão da excomunhão à arbitrariedade de um arcebispo em particular, é algo que demonstra ignorância ou má-fé - ou ambas.

Segundo, a excomunhão diz respeito aos membros da Igreja católica, e a eles somente. Ninguém é obrigado a acreditar que o aborto é um pecado mortal, nem a concordar com isso. Acredita e concorda quem quiser. É assim que é num país onde existe - felizmente - uma coisa chamada separação legal entre a religião e o Estado. Do mesmo modo, a democracia assegura a plena liberdade religiosa. Há quinhentos anos, os médicos que realizaram o aborto e a mãe da menina já teriam virado cinzas, após serem queimados num auto-de-fé. Hoje em dia, quando vivemos em uma democracia, onde teoricamente todos são livres para crerem no que quiserem, não resta outra coisa à Igreja católica, como a qualquer outra religião, senão proclamar os seus dogmas para quem neles quiser acreditar. E um desses dogmas é que o aborto é pecado, e quem o pratica deve ser excomungado. Ou seja: será expulso da Igreja, não poderá comungar nem frequentar a missa, pelo menos não até arrepender-se. Será excluído, definitivamente ou não, do convívio com os demais fiéis, e não preso, torturado ou queimado numa fogueira. Para todos os que não acreditam nesse dogma, ou seja, para os não-católicos, isso não faz a menor diferença, e a vida continua. Em suma, a separação entre religião e Estado é de mão dupla: a Igreja não dá palpite nos negócios públicos e o governo não se mete nos assuntos da Igreja. Como diz aquela musiquinha infernal, cada um no seu quadrado.

Outra mentira que foi sistematicamente repetida nesses dias é que o tal arcebispo, transformado em símbolo de obscurantismo pela propaganda abortista, teria justificado o estupro de que a menina de nove anos foi vítima, pois excomungou (mais uma vez: não foi ele, o arcebispo, mas a Igreja...) a mãe e os médicos, mas não o padrastro estuprador. "Estupra mas não mata", pareceram querer dizer, ressuscitando a frase antológica daquele político picareta. Mais uma vez, uma tentativa tosca e descarada de manipulação. É claro que o estupro é um crime terrível, e o arcebispo deixou isso bem claro em suas declarações. Mas onde está escrito, na lei da Igreja, que é um pecado contra a vida? O padrasto estuprador será punido, pois para isso existe a Lei dos homens, e espera-se que seja punido com todo rigor e severidade. Já os que praticam aborto, e sendo católicos, o mínimo que devem esperar é o anátema da Igreja, a excomunhão. O estupro é uma questão legal, ou melhor, criminal. O aborto, pelo menos nesse caso, é uma questão teológica.

(...) Não me considero católico, logo não me importo se um dia eu vier a ser excomungado. Para mim, que não partilho dos dogmas da Igreja, isso não faria a menor diferença, não perderia meu sono por causa disso. Exatamente por esse motivo, ou seja, por não estar sujeito às leis da Igreja, não consigo entender como alguém que se diz católico, mesmo num país de catolicismo extremamente frouxo como o Brasil, ao mesmo tempo se escandaliza diante da aplicação do que está na lei canônica. Afinal, não sabem que o aborto é um pecado mortal para a Igreja? Imaginem um judeu ou um muçulmano se sentindo confortável num banquete em que seja servido, por exemplo, carne de porco... Os cristãos de todas as denominações acreditam que há 2 mil anos Deus enviou à Terra seu filho, que nasceu de uma virgem, morreu na cruz, ressuscitou depois de três dias e prometeu voltar no dia do Juízo Final. Por que não acreditam que o aborto é um pecado que merece excomunhão?

Pode-se discordar dos dogmas cristãos, assim como das ideias católicas sobre homossexualismo e contracepção (...), mas pode-se, em nome do que quer que seja, tentar proibir as pessoas de professarem essas ideias? Pode-se, sem o risco de cairmos numa forma de ditadura mental, querer proibir um bispo de cumprir sua função eclesiástica? Pode-se querer proibir a Igreja de ser Igreja? Tão inaceitável quanto querer obrigar, pela força da lei, uma criança de nove anos a parir gêmeos - o que a Igreja, mesmo se quisesse, não pode fazer -, é querer impedir que a Igreja proclame sua opinião sobre o assunto. O Estado deve ser laico, não ateu.

Daí minha estranheza ao ver a maré de indignação contra o arcebispo. Assim como acho estranho como, nessas horas, pipocam doutores em teologia em cada esquina, dando palpite sobre a decisão da Igreja como quem opina sobre o resultado de um jogo de futebol. Outro dia vi na televisão o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, e o ministro do Meio Ambiente (?), o midiático Carlos Minc, defendendo o aborto e condenando o arcebispo com furor jesuíta. Fico imaginando o que suas excelências diriam se um bispo viesse tentar ensinar-lhes medicina ou ecologia... Lula também não perdeu a chance de tirar uma lasca do arcebispo - com toda a autoridade moral que bem sabemos que tem, ele condenou a "hipocrisia" da Igreja no caso... Pois é. Se deixassem, os "cumpanhêro progreçista" dariam aula de teologia até mesmo ao Papa. Literalmente, querem ensinar padre a rezar missa.
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Ninguém é obrigado a ser católico, assim como ninguém é forçado, em um país democrático, a seguir os preceitos dessa ou daquela religião, ou a acreditar em Deus e nos santos. E a condenação do aborto, com a excomunhão automática de quem o pratica, é, queiramos ou não, um dogma do catolicismo. Se todos fossem obrigados a seguir, por Lei, os dogmas cristãos - ou de qualquer outra religião -, seria o caso de rebelar-se, pois viveríamos em um Estado teocrático, inimigo da liberdade humana (e do livre-arbítrio). Mas, bem ou mal, vivemos em uma democracia, com separação legal entre religião e Estado, onde todos são livres para escolher seguir, ou não, a crença que quiserem. Logo, não há como interpretar os ataques à Igreja senão como uma onda de propaganda antirreligiosa, disfarçada de defesa da liberdade individual e até mesmo da vida. A defesa não do Estado laico, mas do Estado ateísta, como era a ex-URSS.

Por falar nessa última, é curioso como os ataques à Igreja tenham partido de um governo de esquerda, ideologicamente ligado a regimes como o de Cuba, onde há cinquenta anos impera a religião oficial do castrismo e onde até dez anos atrás até a festa de Natal estava proibida por lei. Sabemos que em todas as ditaduras totalitárias, sobretudo as comunistas, a religião constituiu um rival poderoso do Estado, a ser domado e, se possível, colocado a seu serviço (vejam como os ditadores comunistas da China tratam os budistas tibetanos seguidores do Dalai lama, por exemplo). Sabemos também que um dos pilares em que se assentou a fundação do PT foi a chamada teologia da libertação (que melhor seria chamada de "escatologia da escravidão"), que nada mais era do que uma forma mal-disfarçada de infiltração comunista na Igreja (alguém classificou os padres adeptos dessa aberração ideológica, muito apropriadamente, de "irmãos em Castro"). Hoje, com a auto-proclamada teologia da libertação desmoralizada e em baixa, tentam submeter a Igreja por outros meios, forçando-a a ceder à maré abortista, inclusive pela força coercitiva do Estado. Os que resistirem a essa onda "progressista", mantendo-se fiéis a seus princípios religiosos, são estigmatizados como carolas e reacionários. De certa forma, os católicos são os judeus de hoje.

Que essa propaganda antirreligiosa seja orquestrada e dirigida para atingir um objetivo político-ideológico determinado, é algo que fica claro quando se contrastam os ataques à Igreja com a forma como são tratadas outras religiões. Os mesmos que se enchem de fúria santa contra as ideias católicas sobre aborto e camisinhas costumam ser bem mais condescendentes em relação ao Islã, por exemplo. Outro dia eu citei aqui uma fatwa, ou decreto religioso, de uma autoridade muçulmana do Marrocos defendendo o casamento com meninas de nove anos de idade, mesma idade da menina pernambucana, pois, "elas dão um resultado melhor na cama do que mulheres de 20". Não me lembro de ter vistio nenhuma onda de protesto e indignação semelhante.

Os críticos da Igreja afirmaram que o aborto era necessário, usando argumentos médicos, pois a vida da menina estuprada corria risco caso viesse a ter os gêmeos. É, pode ser que tenham razão nesse ponto. Mas não há como negar que a gritaria geral não foi tanto por isso, mas porque a Igreja considera o aborto um pecado, e agiu conforme dita a doutrina católica. Na verdade, não era a vida da menina que estava em jogo, mas um dogma da Igreja que muitos querem ver revogado, substituído por sua própria visão "progressista". Em outras palavras: para os companheiros lulistas no poder, a Igreja só é boa, só defende uma boa causa, quando fica de seu lado. Quando deixa de ser Igreja para virar também um aparelho partidário ou governamental, portanto. Se depender de Lula e companhia, não duvidem: os padres deveriam pregar em seus sermões as virtudes do aborto e distribuir camisinhas, como um dia muitos deles distribuíam - alguns ainda o fazem, embora menos - cartilhas marxistas defendendo o socialismo.

Por trás de todo o barulho e de todo o escarcéu sobre o caso da excomunhão dos médicos e da mãe da menina de nove anos em Pernambuco, o que os inimigos da Igreja católica querem mesmo é destruí-la, e fundar uma nova Igreja. Uma Igreja sem Deus, cujos principais sacerdotes seriam Lula, Carlos Minc e José Gomes Temporão. Dessa Igreja, podem me considerar excomungado.

Não há dúvida de que, a pretexto de combater uma visão obscurantista e inquisitorial, o que os abortistas desejam é impor uma nova Inquisição. Uma Inquisição feita de patrulhas ideológicas e de pensamento politicamente correto. Sob o pretexto de defenderem nossos corpos, o que querem mesmo é controlar nossas mentes. Na minha, pelo menos, eles não mandam.

terça-feira, 10 de março de 2009


Um Anônimo e os Boxeadores Cubanos

Um anônimo escreveu num comentário do post "E o Boxeador Cubano Queria Refúgio...":
Passou no Globo Esporte, hoje [o comentário é de 01/03/2009], uma matéria interessante sobre o caso dos boxeadores cubanos. Convém você dar uma pesquisada e rever suas idéias a respeito. Parece que o governo brasileiro falava a verdade.
Bem, anônimo é anônimo e mentira é mentira. Se você pesquisar na internet, irá encontrar diversas reportagens sobre a primeira fuga, à época do Pan, e a segunda fuga de ambos os boxeadores, mais recentemente.
Ambos, após a segunda fuga, afirmaram que haviam sido detidos e enviados sumariamente de volta à ilha-cárcere - inclusive num avião venezuelano, no dia seguinte àquele em que foram presos. Lá, ficaram sem emprego e não puderam, sequer, treinar novamente.
Mudaram a versão para o Globo Esporte? Talvez porque seja de uma rede de televisão muito conhecida mundo afora, cuja sede é num país onde governa Lula, um dos amigos de Esteban*, os quais, juntos, fundaram o Foro de São Paulo, a fim de transformar toda a Améirca Latina numa imensa Cuba!
* Esteban é como os "cubanos descalços" - aqueles desprovidos de algumas benesses dadas pelo governo cubano aos delatores que moram nos bairros - chamam Fidel Castro. É uma contração de "ESTE BANdido".

Servos da Gleba

Para começar, acho ridícula essa afirmação segundo a qual regimes ditatoriais não podem ser comparados entre si, afirmação que se revela especialmente hipócrita quando parte de gente que, há dois meses e pouco, usava 60 vezes por minuto a expressão “proporcionalidade” no contexto da escaramuça de Gaza. Afinal, se é imoral comparar o número de vítimas, então o que conta mesmo é quem é o agressor (o Hamas) e quem o agredido (Israel).

Deixando essa história de lado, porém, vale a pena lembrar que mesmo a justiça criminal comum tenta dimensionar comparativamente os crimes e atribuir-lhes penas proporcionais, de modo que, mantido todo o resto igual, quem tenha assassinado duas pessoas merece e recebe pena mais severa do que quem assassinou uma.

Descartada a possibilidade de compararmos imperfeitamente coisas imperfeitas num mundo de imperfeições, resta-nos apenas dividir a humanidade entre anjos (que, por definição, não são humanos) e os demais, todos igualmente falhos, eu tanto quanto o Fábio Konder Comparato, e nós dois tanto quanto o Geisel, Pinochet, Che, Franco, Pol Pot que, aliás, sob a espécie da eternidade e do absoluto, não se diferenciam em nada de São Francisco de Assis ou de outros santos, como os que inventaram a penicilina e as vacinas.

Daí que, sim, ditaduras podem – e devem — ser comparadas entre si, e, se alguém tem os nervos tão à flor da pele e ouvidos tão sensíveis que não agüenta ouvir falar de ditaduras melhores ou piores sem soltar uns gritinhos histéricos e depois desmaiar, talvez possamos lhe fazer uma concessão e, ofendendo em vez disso a última flor do Lácio, discorrer antes sobre ditaduras piores, mais piores e menos piores. Se é possível compararmos ditaduras a democracias e, inclusive, democracias entre si, por que não cotejarmos ditaduras? Todos vamos morrer, mas, ainda assim, é preferível que isso ocorra aos 90, não aos 20 anos de idade. Da mesma forma, faz muita diferença para cada indivíduo saber quais as chances que ele ou ela terá de ser morto, preso, torturado num regime: 0,01% não é igual a 10%.

Mas, até aqui, tenho visto ditaduras sendo comparadas de uma maneira quase exclusivamente quantitativa: qual delas matou mais. É um padrão importante, mas nem de longe o único.

O fato é que, qualitativamente, os regimes comunistas foram muitíssimo piores do que os regimes militares latino-americanos. Em última instância, caso alguém não quisesse viver no Brasil do AI-5, nada o/a impedia de fazer as malas e se mudar para o Uruguai ou para a França, para os EUA ou Cuba, para a URSS ou a China. Escolhas semelhantes estavam à disposição de quem vivesse no Chile ou na Argentina etc. Mas nada disso se aplicava à própria URSS, aos países do Pacto de Varsóvia (Polônia, Romênia, Hungria, Alemanha Oriental etc.), à China e assim por diante. E segue não se aplicando seja a Cuba, seja à Coréia do Norte, os dois maiores campos de concentração e/ou de trabalhos forçados do planeta.

Que uma pessoa fosse proibida de deixar a Alemanha Oriental (milhares morreram tentando saltar um muro construído para encarcerar a população) e continue, ainda hoje, proibida de abandonar o paraíso tropical de Fidel Castro, isso é mais do que um detalhe circunstancial. É, de fato, o elemento central, definidor desses regimes. Os habitantes desses países não são, de modo algum, cidadãos submetidos a uma ou outra restrição arbitrária de suas liberdades básicas. O que lhes é cassado é o direito humano fundamental de ir e vir, de escolher onde viver. Repito: eles não são cidadãos de verdade, eles são propriedade do Estado, e este, por seu turno, é propriedade privada de uma malta de ladrões, assassinos e pervertidos.

Quem diz que o comunismo (ou socialismo) aboliu a propriedade privada mente: ele transformou, isto sim, o grosso da população em propriedade privada, ou seja, em servos de gleba, em escravos. Os regimes, que se proclamam pós-capitalistas, são, a rigor, pré-capitalistas, feudais mesmo, pois re-instituíram a escravidão.

No capitalismo, como se diz, tudo que o trabalhador tem para vender é sua força de trabalho. Bom, no comunismo ele não dispõe livremente nem sequer disso, porque ele, sua família e a força de trabalho de todos pertencem aos mesmos latifundiários (algumas poucas famílias) que detêm igualmente a propriedade da terra e demais meios de produção. Diga-se de passagem, aliás, que os mais de 10 milhões de escravos cubanos (para nem falar dos norte-coreanos) têm menos direitos do que os servos na Europa medieval ou mesmo os escravos do século 19 no Brasil ou nos EUA. A diferença é que, na esquerda contemporânea, não há ninguém tentando abolir essa nova escravidão. (Mas a anterior tampouco foi abolida pela esquerda.)

Muitos falam das supostas conquistas sociais cubanas que, para todos os efeitos, justificariam o resto (como se um escravo no Alabama não tivesse acesso a mais calorias do que um nômade do Kalahari). As “conquistas” mais citadas são a saúde (e o grosso do que se diz a seu respeito é mentira pura e simples) e a educação (que se resume em alfabetizar a criadagem para que ela possa seguir direito as instruções dos amos e ser doutrinada por escrito pelo resto da vida). Se levarmos, no entanto, em consideração que esses milhões de escravos são propriedade privada da família Castro, de seus agregados e capitães-de-mato, constataremos que eles estão somente cumprindo suas obrigações mínimas — alimentar (muito mal) e cuidar (pior ainda) daquilo que, afinal, é seu grande capital. Se um pecuarista, um criador de gado de corte cuida direito de seu rebanho, alimenta-o, vacina-o etc., ele não o está fazendo por altruísmo, generosidade ou porque ame os bovinos. Ele está apenas tentando produzir carne que valha mais no mercado.

Podemos, então, dizer que Cuba é uma ilha caribenha dividida em duas prisões. Uma delas, Guantánamo, abriga algumas centenas de terroristas fanáticos e desvairadamente homicidas capturados nos campos de batalha onde se enfrentam a civilização e a barbárie. Desses facínoras, que recebem alimentação farta e adequada a suas exigências religiosas, cuidados médicos de primeira e cujos exemplares do Corão (cortesia do contribuinte norte-americano) são respeitosamente tratados pelos guardas, nem um sequer foi ainda executado, muitos já foram soltos, e é provável que os demais logo o sejam também.

A outra prisão, que ocupa a quase totalidade da ilha, encarcera mais de dez milhões de inocentes subnutridos, incessantemente doutrinados, proibidos de saber o que ocorre no resto do mundo e que não têm escolha exceto a de viverem num cortiço que não é sequer renovado ou reparado há meio século. Qualquer tentativa de fuga é punível com a morte. De resto, enquanto aos prisioneiros de Guantánamo se garante o direito elementar de reclamarem, queixarem-se e exigirem advogados, os cubanos propriamente ditos são obrigados a louvar e agradecer os seus grilhões. Nisso, nem o mais abjeto de nossos coronéis escravagistas, donos de gado e de gente, teria pensado.

por Nelson Ascher