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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Mais uma Vez a Mídia Comunista Sequestra a Verdade

Leiam este texto com atenção! É um dos mais importantes publicados aqui. Setores engajados na defesa da descriminação das drogas são capazes de distorcer, de modo miserável, até o conteúdo de uma liminar da Justiça. Debatam! Passem o texto adiante. É longo, sim! O diabo se acoita nos detalhes.


Há muitos anos venho escrevendo sobre a derrota do sentido das palavras para a patrulha ideológica e o politicamente correto. O jornalismo — que tem como uma de suas tarefas destrinchar para o homem comum os arcanos da linguagem técnica de qualquer área —, com alguma frequência, tem sido um militante do obscurantismo, tomado que está por uma agenda. Os fatos estão sendo mandados às favas em favor de uma “leitura de mundo” que se entende “moderna” e “progressista”, mesmo quando direitos fundamentais, garantidos pela Constituição, estão sendo aviltados. É asqueroso o que vem acontecendo. Uma liminar concedida ontem pela Justiça versando sobre a atuação da Polícia Militar na antiga Cracolândia, em São Paulo, gerou no jornalismo online — vamos ver o que vem no impresso — um festival de boçalidades, mentiras e interpretações alucinadas. Eram textos escritos sob o efeito da pior de todas as drogas: a ideologia. E vou provar o que digo. Antes, reconstituo fatos e contexto para chegar ao mérito da limitar e AO QUE ESTÁ ESCRITO, QUE É DIFERENTE DO QUE MUITOS LERAM E NOTICIARAM.

A ação da Prefeitura e do governo do Estado para devolver à cidade de São Paulo uma área que tinha sido privatizada pelos traficantes e pelos consumidores de crack — a chamada Cracolândia — gerou uma forte reação contrária de sedizentes defensores dos direitos humanos, de grupo favoráveis à legalização das drogas, de políticos petistas, do Ministério Público Estadual e da Defensoria Pública. Sim, até o governo federal, que não combate uma Cracolândia existente na Esplanada dos Ministérios (viu, Dilma!?), resolveu se meter.

Durante anos, esses grupos não só se quedaram inermes diante do descalabro de uma área do centro da cidade que havia sido sequestrada pelo crime como impediram qualquer ação do Poder Público. Até que Prefeitura e governo do Estado resolveram romper com a inércia e atuar, o que contou com ampla aprovação dos moradores de São Paulo, especialmente das áreas degradadas pelo crime. A dita Cracolândia deixou, então, de ser ocupada pelo crime e foi ocupada pela lei. A Polícia passou a cumprir seus deveres legais e constitucionais, e a Prefeitura instalou na região aquele que é nada menos do que o maior centro dedicado ao tratamento de viciados em crack do país: o Complexo Prates. DESDE O INÍCIO DA OPERAÇÃO, JÁ FORAM PRESOS 489 TRAFICANTES, E 778 PESSOAS FORAM ENCAMINHADAS PARA INTERNAÇÃO. Cadê o programa do governo federal, anunciando por Dilma durante a campanha eleitoral?

Houve crítica de todos os lados. Representantes da Defensoria Pública chegaram a estimular a resistência dos ocupantes da área. Tendas foram armadas na região central para abrigar os viciados, nas quais até alguns defensores resolveram se homiziar para deixar claro de que lado estavam. E não era do lado da esmagadora maioria dos moradores de São Paulo, que trabalham, que lutam para ganhar a vida, que não consomem droga e que têm garantido o direito de ir e vir, o que era impossível na Cracolândia.

O Ministério Público Estadual fez a sua própria “investigação” sobre a operação e concluiu que ela é ineficaz, pespegou-lhe a pecha de “higienista”, o que é só ideologia, não juízo técnico, e inventou a tese de que a ação da PM e da Prefeitura está centrada apenas na valorização imobiliária da região. Ou seja: os senhores promotores acreditam que eles e os que pensam como eles têm o monopólio do bem, da virtude e das boas intenções. Já a Prefeitura e o governo do Estado, obviamente, são naturalmente maus e só por isso decidiram intervir. Uma das principais acusações que fazem é de um ridículo sem-par: afirmam que a retomada da região conhecida como Cracolândia não foi eficaz para quebrar a logística no narcotráfico, como se fosse o objetivo principal. Ora, essa é outra luta, bem mais difícil.

PAUSA PARA UMA DIGRESSÃO – Bom mesmo é governar o Rio de Janeiro, não é? Sérgio Cabral leva a sua UPP para o morro X ou Y, e uma parte da bandidagem se manda de lá. José Mariano Belatrame, secretário de Segurança, diz que o objetivo é recuperar o território, e não acabar com o tráfico ou prender bandidos. A imprensa o aplaude, o homem é tratado quase como poeta, e as reportagens terminam com crianças empinando pipas — enquanto a população de Niterói, por exemplo, se tranca dentro de casa. Em São Paulo, a recuperação do território é tratado como crime de lesa-humanidade, e a dispersão dos consumidores vira evidência de insucesso da operação. Sem essa de criança soltando pipa por aqui. FIM DA PAUSA (mas ainda volto a esse ponto).

A ação e a liminar
Os promotores de Justiça Arthur Pinto Filho (Direitos Humanos, área de Saúde Pública), Eduardo Ferreira Valério (Direitos Humanos), Luciana Bergamo Tchorbadjian (Infância e Juventude) e Maurício Antonio Ribeiro Lopes (Habitação e Urbanismo) entraram com uma ação civil pública contra a operação na Cracolândia com pedido de liminar. O que eles pediram? Isto:

“abstenha-se a Polícia Militar imediatamente de empregar ações que ensejem situação vexatória, degradante ou desrespeitosa em face do usuário de substância entorpecente, especialmente cessando qualquer ação tendente a impedi-los de permanecer em logradouros públicos ou constrangê-los a se movimentarem, isoladamente ou em grupo, salvo se houver situação de flagrante delito”.

E o juiz Emilio Migliano Neto fez o óbvio: concedeu a liminar. Sabem por quê? Porque os promotores atuaram mais ou menos como quem pede que a Lei da Gravidade seja declarada válida em São Paulo. Pode haver desvio de conduta aqui e ali? Claro que sim! Mas, no geral, os homens da PM já agem dessa maneira. E só constrangem quem circula pela Cracolândia em caso de “flagrante delito”, ora!

A falsa notícia
Imediatamente, portais, sites e blogs passaram a noticiar O QUE NÃO ESTÁ NA LIMINAR, a saber: QUE A PM ESTARIA IMPEDIDA DE ATUAR NA CRACOLÂNDIA, DE ABORDAR CONSUMIDORES DE DROGAS OU MESMO DE DISPERSAR GRUPOS QUANDO ELES IMPEDEM O LIVRE DIREITO DE IR E VIR. Afinal, também aos não viciados esse direito é reservado, não é mesmo? Calma, eu vou publicar o link com a íntegra da liminar e trechos dela. À diferença dos patrulheiros, peço que vocês acreditem nos textos legais, não em mim. Antes, no entanto, uma consideração.

O Brasil tem uma Lei Antidrogas que contribui para estimular o consumo ao mesmo tempo em que pretende reprimir o tráfico. É a quadratura do círculo. Os aloprados que defendem a descriminação das drogas querem radicalizar ainda mais: pretendem substituir a já “liberal” Lei 11.343 por outra, mais radical, que descrimine o consumo de qualquer substância hoje ilegal. Imaginem em que se transformariam nossas cidades.

Atenção! Segundo a lei, quem apenas consome droga não vai em cana. Vejam lá o Artigo 28. Fica sujeito às seguintes penas:

I – advertência sobre os efeitos das drogas;
II – prestação de serviços à comunidade;
III – medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.

Mas isso tudo é decidido pelo juiz, que quer dizer que o consumo é, sim, crime, entenderam? Cabe à Polícia Militar reprimi-lo. Pergunto aos digníssimos promotores: entendem eles ou não que consumir droga em público é um “flagrante delito”. Se entenderem que não, então estão sendo regidos por lei que não é a brasileira.

Ocupar o espaço público, impedindo o trânsito de pessoas e de veículos, constitui ou não um agravo ao direito de terceiros? Juntar-se numa área da cidade com o objetivo explícito de consumir drogas, atraindo a pletora de fornecedores — os traficantes —, constitui ou não delito? É nessas circunstâncias que a Polícia Militar tem atuado.

Conteúdo da liminar
A íntegra da liminar está aqui. Eu não escondo documentos, mas os exibo. Se tiverem tempo, leiam. Sim, sim, a PM não deve submeter ninguém ao vexame e tal (já não podia; é da lei), mas será que, como noticiaram bucefalamente (se me permitem) algumas páginas na Internet (e mal posso esperar pelo que vem escrito…), o juiz proibiu mesmo a polícia de atuar na região? Leiam o que diz o juiz:



Como se vê, o juiz lembra que cabe à PM, por dever legal, preservar a ordem pública. Atenção, caras leitoras e caros leitores, para o que vem agora:



Leram? Aqui me arrisco a uma quase ironia. O juiz fez de conta que não entendeu o que realmente queriam os procuradores. Lembra que, sim, senhores!, o consumo de drogas é crime, vamos dizer, reprimível (a pena é com a Justiça) e que a polícia tem de cumprir a sua função. E faz uma pergunta meramente retórica: “Sob que fundamento juridicamente válido determinar a omissão policial diante de uma flagrante prática delitiva?”. Eis aí, leitores, uma boa pergunta para fazer a certos setores da imprensa e ao Ministério Público Estadual. Mas o juiz foi ainda mais preciso, O QUE DESAUTORIZA INTERPRETAÇÕES ALOPRADAS, SEGUNDO AS QUAIS A POLÍCIA NÃO PODE AGIR! Leiam outra vez o trecho acima!

Ou por outra: o juiz está dizendo que a Polícia Militar pode, sim, continuar as suas ações na Cracolândia — as transgressões já eram proibidas antes, ora — porque é seu dever constitucional. E lembra que o Ministério Público não pode pedir à Justiça que impeça o Executivo de fazer o seu trabalho. Este texto já vai longe, mas cumpre ainda destacar outro.


O juiz concede, sim, que o problema das drogas é de saúde pública (parte da argumentação do MP) — e lembra, por isso, que o SUS deveria estar aparelhado para tratar do assunto. Mas está? Atenção, hein? Eu não concordo com isso necessariamente. Estou apenas demonstrando a leitura que o juiz faz da lei. Sendo um problema do SUS, é, pois, questão federal. Pergunto: o SUS está preparado para atender os drogados do crack? O Complexo Prates está sendo gerido pela Prefeitura!

Mas vejam ali: “é dever do Estado promover a segurança pública, restabelecendo o império da ordem nessa região (…)”. Ora, é evidente que não deve haver abuso policial; é evidente que as pessoas não podem ser humilhadas, mas também é evidente que cabe à PM — ao estado — impedir que a região volte a ser privatizada pelos consumidores e traficantes de crack.

A liminar da Justiça deixa claro, isto sim, é que a PM tem de continuar a fazer o que vem fazendo. Nada precisa mudar. Os abusos já são punidos pela lei. Os setores da imprensa que noticiaram que a PM está impedida de combater o consumo e tráfico de crack na região — ou mesmo de dispersar consumidores quando eles ameaçam a ordem pública — estão simplesmente mentindo.

Um convite
As pessoas estão obrigadas a viver segundo o seu credo nas questões que dizem respeito a políticas públicas, não? Como impor aos outros o que não quer para si? Quem acredita que lugar de viciado é ocupando o espaço público, num espetáculo horripilante de degradação humana e de clara violação do direito de ir e vir de terceiros, deve oferecer a calçada da própria casa. Os promotores, cujas moradias estão bem longe da Cracolândia, deveriam explicar por que os moradores da região devem ser sitiados pelo consumo e pelo tráfico, tendo seus direitos sequestrados.

Eu acho, sim, que o vício é também um problema de saúde. Isso não impede que seja um problema de polícia.

À diferença do que se noticiou, a liminar da Justiça diz o óbvio: as leis continuam a valer em São Paulo. Policiais não podem cometer abusos. É o que diz a lei. Policiais têm de reprimir o crime. É o que diz a lei. A turma do miolo mole perdeu. O lobby em favor da descriminação das drogas saiu derrotado desta vez.

NÃO SOU EU QUE QUERO ASSIM. É O QUE ESTÁ ESCRITO!

FIQUEM ATENTOS À CAMPANHA DE DIFAMAÇÃO DA POLÍCIA E DA SEGURANÇA PÚBLICA DE SÃO PAULO. Enquanto, nesta cidade e neste estado, não se matar ao menos o que se mata na média nacional, eles não vão sossegar. Porque são maus? Não necessariamente! Porque têm uma pauta política e ideológica, de que setores da imprensa se tornaram procuradores. Falo em setores da imprensa, de maneira genérica, porque, nesta fase, identifico o fenômeno. Mas é claro que sempre chega a hora de chamar as coisas e as responsabilidades por seus devidos nomes.

Não se deixe sequestrar pelo lobby pró-drogas nem pelo mau jornalismo, capaz de inverter de maneira miserável o conteúdo de uma liminar.

por Reinaldo Azevedo

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Querem Acabar com o "Racismo" Impondo Mais "Racismo"

Uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do deputado Luiz Alberto (PT-BA) prevê a reserva de vagas na Câmara, nas assembléias legislativas e na Câmara Legislativa do Distrito Federal para parlamentares negros. Segundo a proposta, o número de vagas seria definido com base no percentual de pessoas que tenham se declarado negras ou pardas no último censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Esse número não poderá ser menor que 1/5 do total das vagas no Parlamento ou maior que a metade das vagas. A proposta prevê ainda a prorrogação da reserva por mais cinco legislaturas, por intermédio de uma lei complementar.

"Para ter uma idéia do impacto disso, hoje nós temos cerca de 30 deputados negros na Casa. Com essa proposta, iriam para 150. Evidentemente que os partidos teriam interesse em disputar essas vagas. Não tenho nenhuma ilusão de que é fácil aprovar essa proposta, mas queremos fazer o debate público, com os movimentos sociais, com a sociedade, para que isso repercuta no Parlamento e possamos aprovar essa PEC", disse o deputado.

A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Casa vai analisar a admissibilidade da PEC. Caso aprovada, uma comissão especial será criada para avaliar a proposta. Depois, o texto precisará ser votado em dois turnos no plenário da Câmara.

da Agência Câmara



Comecemos pelos números do Censo (2010), do IBGE. Eis os brasileiros, segundo a cor de sua pele, registrada com base na autodeclaração.


Antes que entre propriamente no mérito democrático dessa proposta estúpida, chamo atenção para o fato de que a proposta do deputado já traz embutida uma das cerejas do racialismo, que é a expressão do suposto “racismo do bem”, a saber: os pardos podem e devem ser agrupados com os negros, mas não com os brancos.

Nunca entendi, e nunca ninguém se atreveu a me explicar — porque explicação não há —, o motivo pelo qual o filho de um(a) branco(a) com negra(o) é negro. A exemplo dos brancos do apartheid, também esses militantes acham que, para ser branco, é preciso ser 100% branco? Isso é ridículo! Um mestiço é um mestiço, ora vejam! Alguém já me disse certa feita: “O que faz um mestiço ou pardo negro é sua condição social”. Ah é? Então um branco muito pobre pode ser considerado um negro, ou esse é um privilégio só assegurado aos pardos?

No quadro acima, eu calculo o número de cada bancada na Câmara, que passaria, vejam que espetáculo!, a se definir pela COR!!! Não entendi por que o deputado prevê, no mínimo, 150 deputados negros — sempre supondo que ele está chamando “negros” também os mestiços. E as demais cores, deputados? Ora, então sejamos exatos, não é?

O deputado teria de declarar a sua cor e disputar os votos dispensados aos brancos e aos negros. Os amarelos e indígenas entrariam na cota dos brancos? Suponho que o petista considere que, assim, mais leis favoráveis aos negros poderiam ser votadas. Digam-me cá: aos deputados brancos seria facultado propor benefícios aos de “sua cor”, ou isso seria considerado discriminação racial contra os negros? O nobilíssimo parlamentar quer dividir o Congresso brasileiro em bancadas raciais (se raça existisse…), pensando exatamente no quê? Na harmonia do povo brasileiro?

A democracia
As cotas raciais nas universidades já são um mimo da inconstitucionalidade. Ao aplicá-las, aceita-se o fundamento de que os homens não são iguais perante a lei coisa nenhuma! O Brasil deve lutar para assegurar a todos uma educação digna, por exemplo, mas é um escândalo que um candidato seja preterido ou beneficiado em razão da cor da sua pele. Nem mesmo a reparação das injustiças históricas abona moral e legalmente o procedimento. Se é, vá lá, aceitável que descendentes recebam alguma reparação por conta do sofrimento dos ancestrais (eu não acho, mas não debato isso agora), é um escárnio que indivíduos brancos possam ser punidos, com a perda de uma vaga na universidade, por exemplo, porque outros brancos “como ele” cometeram a atrocidade da escravidão. O QUE É ISSO? A LEI RETROAGE PARA PUNIR OS BRANCOS DO PASSADO? NA IMPOSSIBILIDADE DE FAZÊ-LO, PUNEM-SE OS BRANCOS DE AGORA? Ai dirá alguém: “Mas só se reparam injustiças tratando desigualmente os desiguais”. É? Então é preciso pensar em direitos suplementares para os tais “excluídos” em vez de cassar direitos fundamentais dos supostamente incluídos. Digo “supostamente” porque um branco pobre, afinal de contas, é, sociologicamente falando (como querem), um “negro”, certo?

Cotas violam a Constituição. “Ah, o Supremo não acha”. Ok, eu me dou o direito de acatar a decisão, mas de não mudar de pensamento. Sigamos. Ainda que violem a Carta, como digo, essas cotas, no entanto, encontram uma justificativa ao menos plausível: tratar-se-ia de garantir a todos acesso a bens públicos, como educação, por exemplo.

Ora, no que concerne ao voto, esse direito já é amplamente assegurado a todos, inclusive aos analfabetos, que só não podem ser votados. Não há grupo social no Brasil que esteja impedido de votar ou que tenha seu voto condicionado a essa ou àquela circunstância. A composição da Câmara, dentro do modelo proporcional — que não acho o melhor (como sabem) — reflete a vontade dos brasileiros. Há distorções, sim! Ao se estabelecer uma bancada mínima (8 deputados) e uma bancada máxima (70), a população do Amapá acaba super-representada, e a de São Paulo, sub-representada.

Essa distorção — ou aquela outra, que acaba elegendo o deputado sem voto por causa da proporcionalidade — nada, rigorosamente nada!, tem a ver com a questão racial. Brancos, pardos, negros, indígenas, amarelos votam em quem bem entenderem, sem qualquer patrulha ou restrição. Esse é o fundamento do voto universal e da democracia.

O que o deputado Luiz Alberto (PT-BA) pretende, isto sim, é subordinar metade do Congresso brasileiro aos movimentos que têm a pretensão de dividir o Brasil em raças. Somos da raça humana. Se a cor da pele nos distingue e se isso ainda traz prejuízos para muitos brasileiros, precisamos investir mais na integração e menos no confronto.

Trata-se de uma proposta delirante, que duvido que prospere. De todo modo, não deixa de ser emblemático que tenha sido apresentada nestes dias. Há quem queira transformar a democracia brasileira num ajuntamento de grupos que se engalfinham em busca de reparações e benefícios para os seus, eliminando o seu caráter universal. Seria a “civilização” da guerra de todos contra todos.

por Reinaldo Azevedo

quinta-feira, 10 de março de 2011

Parda é Parda. Negra é Outra Parada...

Ultimamente ando praticamente sem tempo para fazer meus posts. Muito trabalho. Mas sempre arrumo um tempinho para responder alguns comentários - os que valem a pena ser respondidos.


Um leitor, chamado Guilherme, fez um comentário a respeito do post Cotas Raciais: Parda Não é Negra. E Não Odeia. Diz ele:


Ótimo post, contudo discordo quando diz que somente 6% da população é negra e a respeito das críticas sobre a estudante. Imagino que à fenótipo, realmente, só 6% são negros, mas e a questão de sangue? ter sangue de negro o considera negro!


Esse sistema de cotas foi criado com o propósito de equiparar as raças brasileiras, mas quem hoje em dia não tem sangue negro?


Logo, não vejo de forma alguma o motivo de crítica à estudande que se autodeclarou parda, pois se ela vem de descendência negra, ela tem a mesma condição social de outro negro.


O Guilherme parece ter boa fé, mas também aderido à desinformação reinante nestes tempos esquerdistas tão vermelhos... A politicagem socialista descendente dos dez mandamentos leninistas corre solta: dividir a população em grupos antagônicos, incitando-os a discussões sobre "assuntos sociais", como maiores direitos para "minorias desprivilegiadas pelo infame sistema capitalista" - desde estas minorias sejam compostas por "quadros" que se encaixem no que os socialistas querem, o que, definitivamente, não era o caso da Tatiana naquele post (veja como verdadeiramente são estas políticas no site da Nação Mestiça. Eles entendem bem como os esquerdistas tratam aqueles que não querem se enquadra em sua política de dissenção social).


Na verdade, Guilherme, o fenótipo pouco diz a respeito da "negritude" da Tatiana. O que a define como parda é sua miscigenação: seu genótipo, sua genética. E, também por isto, somente 6% da população brasileira poderia ser considerada realmente negra! Segundo estudos recentes (na Folha, para assinantes), inclusive, mesmo quem se diz "preto" ou "pardo" nos censos nacionais traz forte contribuição da Europa em seu DNA.


Este trabalho foi coordenado por Sérgio Danilo Pena, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), indicando que, apesar das diferenças regionais - que indicam mais a fenotipia do indivíduo - a ancestralidade dos brasileiros acaba sendo relativamente uniforme: de Belém (PA) a Porto Alegre (RS), a ascendência europeia nunca é inferior, em média, a 60%, nem ultrapassa os 80%. Há doses mais ou menos generosas de sangue africano, enquanto a menor contribuição é a indígena, só ultrapassando os 10% na região Norte do Brasil.


Então, Guilherme, eu lhe pergunto: e o sangue? Ter sangue negro o considera negro? Eu tenho ascendência negra! Mas veja na foto do meu perfil minha "branquitude"... Poderia eu autodeclarar-me um "negão" e solicitar uma cotinha prá chamar de minha? Afinal, preste bem atenção, beiçola grande eu já tenho, hehehe.


Quanto à sua afirmação sobre o sistema de cotas equipar as raças brasileiras... Pfuuu... Que dizer, não é? Somos 180 milhões de cachorros - ou gatos, se for de sua preferência. Afinal, quem tem raça é cachorro - ou gato.


Já foi provado cientificamente que, apesar das pequenas diferenças genéticas, somos uma única raça: a humana. Estas pequenas diferenças são causados por um grupo de 40 variantes de DNA, que os geneticistas chama de "indels" (sigla de “inserção e deleção”) e são exatamente o que o nome sugere: pequenos trechos de "letras" químicas do genoma que às vezes sobram ou faltam no DNA. Cada região do planeta tem seu próprio conjunto de indels na população - alguns são típicos da África, outros da Europa, outros, ainda, da Ásia - e, com eles, dependendo de sua combinação no genoma de um indivíduo, é possível estimar a proporção de seus ancestrais que vieram de cada continente.


Porém, o que mais me espantou em seu comentário foi a conclusão: que crítica foi feita à Tatiana, que se autodeclarou parda para tentar uma boquinha naquela "ação afirmativa" racista chamada cota racial? A crítica foi feita à política exercida pelos grupos esquerdistas que dominam a coordenação - e, no caso dela, a condenação - do racismo neste sistema! E tudo porque ela disse que nunca sofreu preconceito!


Quantos "brancos de olhos azuis" - os culpados pela crise de 2008, como vociferou Lula - pobres existem nos recantos da região Sul e que não tem uma política de cotas para poder estudar numa faculdade? Discriminação você diz? Veja o comentário de um leitor neste post e poderá ter o gostinho da discriminação. E vá ao site do Nação Mestiça, como eu já disse.


E não, Guilherme! O fato de ela ter ascendência negra não a faz ter "a mesma condição social de outro negro". Este tipo de ligação de causa e efeito é uma barca furada sem lógica alguma. Eu conheço muitos negros bem ascendidos socialmente e que fizeram o que muita gente faz, independente de sua cor (lembre-se, a raça é única!): estudaram muito, trabalharam e trabalham muito, fizeram sua parte para crescer como indivíduos.


O que é necessário entender é que não existe igualdade racial absoluta, nem ela é desejável. Há diferenças entre negros e brancos, homens e mulheres, japonese e brasileros. E isso não absolutamente é um problema. A única igualdade desejável é que todos sejamos iguais perante a lei - aliás, uma garantia constitucional muitíssmo esquecida nestes tempos tão "esquerdiotizados".


Perante a lei, devemos ser iguais, mas totalmente diferentes na vida, por sermos INDIVÍDUOS, cada um com seus sonhos, suas vontades, suas agruras, suas perseveranças. Quantas pessoas você mesmo deve conhecer que nada querem: não estudam, satisfazem-se com qualquer trabalho, não se preocupam em crescer como pessoas? Eu conheci centenas.


A melhor coisa que se poder fazer é garantir educação básica de qualidade, para que as todas as Tatianas do país possam concorrer igualmente numa instituição superior: o mérito é uma das melhores coisas da vida, Guilherme. Faz-nos saber que vale a pena lutarmos por aquilo que queremos. Cotas raciais no Brasil, um país mais miscigenado que os Estados Unidos, por exemplo, são um despropósito. Além disso, forçam uma identificação racial que não faz parte da cultura brasileira. E forçar classificações raciais é um mau caminho, porque, como já disse, não somos de raças diferentes.


Como diz o pessoal da Nação Mestiça, o PL do Estatuto da Igualdade Racial oficializa o fim dos mulatos, caboclos e de todos os mestiços do Brasil: ESTE É O ESTATUTO DA LIMPEZA ÉTNICA DOS MESTIÇOS! E as cotas raciais só vem contribuindo com esta limpeza.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Dúvida: Como Votar Certo no Brasil de Hoje?

Um leitor anônimo enviou o comentário abaixo - na verdade uma inquirição - no post Terrorismo Ambiental:

"Duvida:
Se o comunismo e socialismo é tão ruim, porque é ensinado nas escola para os alunos do ensino médio de todo Brasil? Na sua opinião qual o ponto negativo deste sistema, para que eu vote certo.
"

Bem, anônimo, vou ignorar o português e partir direto para uma resposta bem sucinta.

Acho que há nada que impeça o aprendizado, nas escolas, a respeito do socialismo - e, consequentemente, do comunismo, uma vez que este é filho daquele. O problema é COMO esta ideologia é ensinada: basicamente fala-se do socialismo como um caminho para o paraíso, onde não haveria diferenças entre as pessoas, onde todos seriam iguais e repartiriam tudo entre si - o "novo mundo" para o "novo homem".

Mas este aparente bem-estar, advogado por seus admiradores, é apenas uma das muitas mentiras do socialismo. Basta vermos o que ocorreu em todos os países onde o socialismo foi implantado: miséria, povo famélico, morticínio bárbaro, prisões de consciência (ou seja, a prisão daqueles que são contra o regime, como ocorre até hoje em Cuba, China e Coréia do Norte), desrespeito flagrante aos mais básicos direitos humanos.

O socialismo é, na verdade, uma ideologia assassina, pois procura matar tudo o que o homem tem: vontades, paixões, ambições etc. tornando-o nada mais que um cupim, uma formiga, um mero agente trabalhador, sem quaisquer vontades, para o bem estar da colônia.

A ideologia socialista, conforme definida por Karl Marx, avalizada por Engels e aprimorada por diversos "intelectuais" esquerdistas - que eu costumo chamar de "burritzia" -, deve ser implantada em diversos estágios, a fim de parir a "sociedade ideal" - a sociedade comunista -, como vemos no esquema abaixo.


No pensamento socialista, há dois caminhos que podem ser trilhados para a transformação da sociedade capitalista em sociedade comunista - e a consequente tomada do poder: o uso da violência (ou luta armada) e a via pacífica. E, embora possa parecer paradoxal, os socialistas iniciam a doutrinação das massas falando em respeito à democracia, porém minando-a à medida que seus objetivos começam a ser atingidos.

O uso da violência foi muito usado desde os primórdios do socialismo, tendo sido preconizado por Marx e Engels em seu Manifesto Comunista: China, Coréia do Norte, Vietnã do Norte, Cuba etc. foram países tomados violentamente pela "revolução do proletariado" (na verdade, por um grupo que dizia falar em nome dos trabalhadores, como faz, por exemplo, o PT, no Brasil). A Rússia, o primeiro país a tornar-se socialista com a revolução bolchevique, acabou por tornar-se um verdadeiro império, dominando diversos outros países ao redor, vindo a tornar-se a URSS.

E foi através do uso da violência que nossos comunistas tentaram implantar esta ideologia no Brasil, durante os anos 60 do século passado. Dilma, Franklin Martins, Carlos Minc e muitos outros que hoje estão no poder são terroristas notórios daquela época! Mataram, roubaram, sequestraram, "justiçaram", tudo em nome da "ditadura do proletariado".

Hoje, dizem que eram contra a ditadura e a favor da democracia. Mas nunca houve um único documento, produzido pelos quadros comunistas, que sequer citasse a democracia. Pelo contrário, sempre falavam na implantação dos seus ideais comunistas.

Hoje, muitos deles, usam a via pacífica, conforme os ditâmes de Antônio Gramsci - socialista italiano que expandiu o conceito da passagem pacífica para o socialismo exposto por Lenin em seu famoso livro "O Estado e a Revolução" (muito embora, o próprio Lenin preferisse a revolução sangrenta, onde o proletariado assassinaria, a sangue frio, toda a "burguesia").

A via pacífica, conforme Gramsci, trata de abarcar toda a sociedade doutrinando-a pacificamente através do politicamente correto e da dominação, pelos socialistas, dos pilares da chamada "sociedade burguesa": a educação, a política, a legislação, a comunicação etc. Se você clicar, no alto deste blog, no link para o decálogo de Lenin, começará a ter uma pálida ideia do que os socialistas são capazes para a tomada do poder - e, de quebra, passará a entender muitas coisas que tem acontecido em nossa sociedade desde que o PT entrou no governo do nosso país.

Assim, o que se faz, hoje, é o trabalho de massas, a doutrinação, a dependência das pessoas daquilo que o governo parece dar - quando dá, é apenas a uns poucos para, como dizia meu pai, "adoçar a boca das crianças". E o restante é a alma do négócio: propaganda massiva, como forma de doutrinação - a aplicação da psicopolítica de Beria, ministro do Interior e marechal da União Soviética, antecessor de Gramsci e de Goebbels.

Neste trabalho de doutrinação das massas, temos, hoje, a direita como sendo uma espécie de lixo político e a esquerda como o supra sumo da existência.

Todos os nossos candidatos atuais são de esquerda - uns mais radicais, outros menos. Os mais radicais, toleram a democracia apenas e tão somente porque ainda não conseguem impor seu desejo de implantar uma ditadura nos moldes cubanos; os menos, os ditos sociais-democratas, respeitam a democracia, embora por vezes tenham seus surtos ditatoriais. E existe o PT: até pouco tempo radical, hoje posa de moderado, embora deseje ardentemente a mesma ditadura dos radicais, porém sendo ele o "moderno príncipe" descrito por Gramsci.

Assim, a única resposta que posso lhe dar é: uma vez que não temos uma democracia completa, já que não temos um único partido de direita para contrapor as esquerdas, pese muito bem o que você deseja antes de votar: democracia ou ditadura do proletariado, "capitalismo" ou comunismo à moda cubana, liberdade ou escravidão, radicalismo ou respeito ou falsidade.

Essa é a decisão que cada brasileiro tem que tomar até as eleições.

P.S.: Se você quiser saber mais sobre esta ideologia assassina, veja mais nos posts abaixo:
Como Se Decompõe Uma Nação;O Controle da Cultura;Continuamos Camaradas;Nazismo = Socialismo = Totalitarismo;Direita ou Esquerda?;Como Tornar-se um Idiota (e Ainda Ser Louvado por Isso);Democracia Esquerdista: Uma Mentira Conveniente;As Vítimas Esquecidas;O Livro Negro do Comunismo;Que é Ser Socialista?

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A História Resgatada

Ignorância é não saber de algo; estupidez é não admitir sua ignorância.

Daniel Turov

Há nos Estados Unidos uma série de livros que começam com o título “guia politicamente incorreto” e depois o assunto em questão. São diversos temas, como o aquecimento global, a Grande Depressão e a história da Constituição. A idéia é desmistificar certas abordagens fantasiosas dos fatos passados. Os mitos históricos acabam exercendo mais influência que os fatos em si, e resgatar a verdade – ou pelo menos lançar questionamentos sobre algumas “verdades” – passa a ser fundamental para uma compreensão mais acurada dos eventos importantes, que acabam manipulados pela ditadura do “politicamente correto”.

Eis porque o livro do jornalista Leandro Narloch, Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, merece ser celebrado. Sem medo de mexer em tabus para os nacionalistas e de ir contra a visão “politicamente correta” ensinada nas escolas, Narloch resgata inúmeros fatos históricos ignorados pelo povo brasileiro em geral. Após tantas décadas de verdadeira lavagem cerebral por parte de professores e “intelectuais” marxistas, algumas obviedades relatadas no livro certamente poderão chocar o leitor mais desavisado. Entretanto, fugir dos fatos não ajuda. Afinal, como disse Aldous Huxley, os fatos não desaparecem porque são ignorados.

Um dos primeiros alvos de Narloch é a visão idílica dos nativos brasileiros, criada com base em Rousseau. Os índios ainda são vistos por muitos como aqueles “bons selvagens” idealizados pelo filósofo, e tão longe da realidade. Essa visão, de que os índios viviam em harmonia entre si e com a natureza, ainda produz crenças e políticas equivocadas. No fundo, os índios travavam guerras eternas entre eles, destruíam florestas, animais, pessoas e culturas. A mentalidade marxista de que os pobres índios eram explorados pelos brancos malvados, que ofereciam quinquilharias em troca de recursos preciosos, também não se sustenta. Para aqueles povos isolados da civilização por tanto tempo, que nem mesmo tinham a roda ainda, ter acesso a anzóis, machados e espelhos fazia muito mais sentido do que manter tanto pau-brasil sem utilidade clara. Além disso, vários índios quiseram se aculturar, ao contrário do que ensinam os professores. Eles viam com fascinação as novidades trazidas da Europa. Por fim, o que Narloch mostra é que, além das doenças então desconhecidas trazidas involuntariamente pelos europeus, o grande responsável pelo extermínio de tantos índios foram os próprios índios. As tribos não se viam como esse grupo homogêneo chamado “índios”, criado pelos europeus depois, mas sim como inimigos das demais tribos, tão estrangeiras para eles como os próprios portugueses. Muitas tribos viram na chegada dos europeus uma oportunidade para aliança militar contra velhos inimigos. Essas são coisas que parecem bastante evidentes após um pouco de reflexão, mas que ofendem a versão “politicamente correta” tão disseminada pelo país.

Outro vespeiro que Narloch sacode é a questão da escravidão. Quando os marxistas resolveram reescrever a história com seu viés maniqueísta de luta de classes, não tinha como ser diferente: criou-se a imagem de brancos malvados de um lado, e negros oprimidos do outro. Mas a coisa não ocorreu bem assim. O hábito de atacar povos inimigos e vendê-los era comum na África há muito tempo. De fato, a escravidão era uma prática comum no mundo todo em quase todas as épocas, sem fazer distinção de cor. Os negros africanos foram os maiores traficantes de escravos negros. Além disso, ex-escravos que conseguiam a liberdade logo partiam para a aquisição de escravos próprios, símbolo de status na época. Zumbi dos Palmares, personagem que virou sinônimo da luta contra o racismo no país, tinha escravos também. O fim desta prática nefasta se deve basicamente ao poder das idéias iluministas, assim como ao movimento abolicionista inglês, calcado em bases ideológicas, e não econômicas, como os marxistas alegam. Os países africanos seriam os últimos a abolir a escravidão.

Após outros mitos nacionalistas derrubados, Narloch encerra o livro com o resgate dos fatos históricos sobre os comunistas, que sempre lutaram para implantar no país uma ditadura, enquanto hoje posam como bastiões da democracia. Narloch mostra como a Coluna Prestes não passava de um bando de vândalos e criminosos, que aproveitavam a ausência da polícia em determinadas áreas para espalhar o terror - algo análogo ao MST de hoje. Inspirados no carniceiro Stalin, os seguidores de Carlos Prestes adotavam as práticas mais abjetas para tentar importar o regime totalitário ao país. Fracassaram por suas próprias trapalhadas, e outros guerrilheiros comunistas tentariam novamente um golpe na década de 1960, inspirados e financiados pelo ditador cubano Fidel Castro. Os integrantes desses grupos terroristas seriam os grandes responsáveis pela nossa ditadura, assim como por sua fase mais dura, representada pelo Ato Institucional número 5. O AI-5 só foi assinado em 1968, e antes disso os guerrilheiros praticaram dezenas de assaltos, execuções, seqüestros, atentados a bomba etc. Atualmente no poder, muitos desses comunistas se fazem de vítimas inocentes, como se estivessem lutando pela democracia nessa época. É “politicamente incorreto” falar a verdade sobre isso.

Em resumo, o livro de Narloch é um raio de luz em meio a tanta escuridão. Os brasileiros parecem ter perdido a capacidade de questionar, de alimentar o ceticismo e ir buscar os fatos de maneira mais imparcial e racional, sem tanta emoção. Aqui predomina o culto aos falsos heróis, uma postura nacionalista que mais parece uma xenofobia infantil, uma mentalidade anticapitalista desprovida de razão. O livro é dedicado à mãe do autor, porque ela o levou a “discutir idéias”. Eis justamente o que faz tanta falta nesse país: discutir idéias! Sem as amarras do “politicamente correto”, e sim com um desejo genuíno de buscar a verdade. Doa a quem doer.

por Rodrigo Constantino

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Direita ou Esquerda?

Uma certa universitária cursava o sexto semestre da Faculdade. Como é comum no meio universitário, ela estava convencida de que era de esquerda e estava a favor da distribuição da riqueza. Tinha vergonha de que o seu pai fosse empresário e conseqüentemente de direita, portanto, contrário aos programas socialistas e seus projetos que davam benefícios aos que mais necessitavam e cobrava impostos mais altos dos que tinham mais dinheiro.

A maioria dos seus professores e colegas de classe defendiam a tese de distribuição mais justa das riquezas do país.

Por tudo isso, um dia, ela decidiu enfrentar o pai. Falou com ele sobre o materialismo histórico e a dialética de Marx, procurando mostrar que ele estava errado ao defender um sistema tão injusto e perverso como a direita pregava. Seu pai ouviu pacientemente, como só um pai consegue fazer, todos os argumentos da filha e no meio da conversa perguntou:

- Como você vai na faculdade ?

- Vou bem, respondeu ela. Minha média de notas é 9, estudo muito mas vale a pena. Meu futuro depende disso, eu sei! Não tenho vida social, durmo pouco, mas vou em frente.

O pai prosseguiu:
- E aquela tua amiga Sônia, como vai?

E ela respondeu com muita segurança:

- Muito mal. A sua média é 3, ela passa os dias no shopping e namora o dia todo. Pouco estuda e algumas vezes nem sequer vai às aulas. Acho até que ela é meio burra. Com certeza, repetirá o semestre.

O pai, olhando nos olhos da filha, aconselhou:

- Que tal se você sugerisse aos professores ou ao coordenador do curso para que sejam transferidos 3 pontos das suas notas para as da Sônia. Com isso, vocês duas teriam a mesma média. Não seria um bom resultado para você mas, convenhamos, seria uma boa e democrática distribuição de notas para permitir a futura aprovação de vocês duas.

Ela indignada retrucou:

- Porra nenhuma! Trabalhei muito para conseguir essas notas, enquanto a Sônia buscava o lado fácil da vida. Não acho justo que todo o trabalho que tive seja, simplesmente, dado a outra pessoa.

Seu pai, então, a abraçou carinhosamente dizendo:

- BEM-VINDA À DIREITA!!!

Eu Não Acredito!

Lembrei-me de Woody Allen. Num dado momento do filme Manhattan, a namorada que o abandona cobra-lhe um sinal de indignação. Mas Woody, em tom desanimado, se proclama incapaz disso. E conclui: “Em compensação, desenvolvo tumores”.


É para evitar tumores que escrevo este artigo. Trata-se de uma questão de saúde. Ou desabafo aqui ou vou para a quimioterapia. A coisa foi assim. No dia 3 de dezembro, ZH publicou matéria sobre o caso da vice-diretora que mandou um aluno repintar estragos feitos por ele em paredes da escola. O texto, que eu lia em voz alta para a família, informava que a professora, ao fim e ao cabo, tivera de pagar multa de meio salário mínimo. Nesse ponto, meu neto interrompeu-me com a exclamação que dá título a este artigo: “Eu não acredito!”. E enfiou o nariz no jornal para confirmar o que escutara. Tinha razão ele. De ouvir contar, ninguém acreditaria. Era preciso botar o dedo na notícia que o jornal estampava como chaga aberta.


A informação saiu no dia 3 e já no dia seguinte 347 leitores haviam expressado sua indignação no clicRBS. Penso que tais protestos da comunidade deveriam ser lidos, também, pelos que expuseram a professora à persecução penal. O povo entendeu perfeitamente o caso:


a) a família, primeira e principal educadora, havia descumprido seu papel;
b) a escola, segunda educadora, exercera, e bem, sua função;
c) levar pequenas questões disciplinares de milhares de colégios para serem resolvidas nas promotorias de justiça ou nas delegacias de polícia, conduta que foi prescrita à moça e à escola, inverte as precedências (e tem uma lógica que me escapa);
d) o Estatuto da Criança e do Adolescente não deveria ser usado para coibir a esse ponto o exercício da função educadora;
e) agir, em pequenas infrações de estudantes, como foi recomendado ao caso (registrar BO e intimar alunos à delegacia para possíveis medidas socioeducativas!) é muito mais agressivo e menos educativo do que o procedimento adotado na escola.


Depois de tudo que transborda deste caso, não nos surpreendamos com policiais que viram as costas a um adolescente infrator e com professores que fogem dos alunos para não apanhar. Afinal, vivemos no país onde as leis habitam as estrelas e a realidade ocupa o fundo do poço da permissividade.


Nesta terra dos processos lentos e sonolentos, onde o caso Mensalão rola desde 2005 (e mal começou a andar), a professora de Viamão, que educou, que defendeu o patrimônio público, que fez cumprir o regimento escolar, cuja conduta foi apreciada por todos, acabou posta de joelhos. Em dois meses (só em Cuba se julga e fuzila em menos tempo) teve de enfrentar a Justiça. E desistiu de obtê-la! Não foi dito, mas todos entenderam o recado: “Que isso não se repita, professores!”. Impuseram-lhe condenação pública, expedita e exemplar. “Eu não acredito!”, exclamou meu neto, em uníssono com a população gaúcha. O Estado precisa retomar o apreço e o respeito pelas naturais autonomias da sociedade.


Se o Estatuto da Criança e do Adolescente pode ser interpretado como foi, pobre Estatuto! Se o Ministério Público cumpriu seu dever, triste dever! Aplicaram à professora multa ridícula. Fizeram de conta que não a condenavam. Mas a condenaram. Encerraram o processo e dormiram em paz. E a indisciplina ganhou um extraordinário suporte institucional.


por Percival Puggina

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Há Mais Gelo no Ártico!

Como é provável que ninguém conte isto pra vocês, então conto eu. Há uma ONG especializada em medir o gelo do Ártico, medição quase diária mesmo. Trata-se da National Snow and Ice Data Center (NSIDC). Não, eles não fazem parte dos céticos. Ao contrário: estão empenhadíssimos em combater o aquecimento global.

A boa notícia, talvez um indício de que o mundo não vai acabar, é que o gelo, em novembro deste ano, está bem acima da medição de novembro de 2006, por exemplo: 10,26 milhões de quilômetros quadrados, o que significa 1,05 milhão de quilômetros quadrados abaixo do que havia entre 1979 e 2000, mas 420 mil quilômetros quadrados a mais do que o recorde negativo para o mês de novembro, que se deu em 2006.

Por alguma razão que os crentes da religião do Aquecimento Global dos Santos dos Últimos dias devem explicar, mesmo com o dedicado esforço da humanidade para destruir o planeta, o gelo resolveu crescer… Não é só no mês de novembro: vejam que o gelo nos últimos quatro meses deste ano está acima de igual período do ano passado.

Melhor assim, né? Quem sabe a gente não tenha mais urso branco navegando solitário, até a morte, num pedaço errante de gelo… Uma coisa que realmente parte o coração. E que paralisa a inteligência!

por Reinaldo Azevedo

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Para Servir de Exemplo

O episódio é recente e ocorreu em Viamão. Certa escola local fez mutirão para pintar o prédio. Toda a comunidade se envolveu nele. Serviço pronto, escola rejuvenecida, apareceram pixações nas paredes. Durante uma semana a direção investigou o fato. O principal suspeito, ouvido, denunciou outros alunos. Finalmente, foi identificado como sendo ele próprio o responsável. Além de pixador, agira como tremendo mau-caráter. Punição estabelecida e cumprida: diante dos colegas, o rapaz teve que repintar o que havia borrado e que fazer pequenos retoques em outras salas, dado que se havia omitido durante o mutirão da pintura.
Você não imagina, leitor, a confusão que isso gerou. Os pais do aluno, que não haviam mexido uma palha, ou, melhor dizendo, um pincel, na pintura da escola, saíram do sofá e denunciaram a professora à Secretaria da Educação. O assunto ganhou páginas de jornal e foi tema dos principais programas de entrevistas e de debates em rádio e tevê.

Até aí tudo à moda nacional: pais sem critérios, incompetentes para educar os filhos, produzindo cidadãos inadequados à vida civilizada e uma direção de escola que, ao resolver pôr ordem no seu terreiro, contrastou tanto com o contexto vigente que chamou a atenção da mídia estadual.

O que me leva a este artigo foi o que, com os raros cabelos em pé, ouvi de muitos entrevistados sobre o episódio. Estou falando de gente grande. Estou falando de gente da Promotoria da Infância e da Juventude. Estou falando de doutos pedagogos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e por aí afora. Estou falando de pessoas qualificadas, portanto, exceções feitas às autoridades educacionais do Estado, que rapidamente extinguiram o processo direcionado contra a professora. Mas a indignação de um eminente promotor com a “humilhação” a que fora exposto o aluno, a sorridente tolerância de um mestre de professores da nossa universidade federal, para quem a transgressão é saudável para o adolescente, etc. e tal, não me saem da cabeça.

Foi durante esses debates que fiquei sabendo de algo surpreendente: desde a vigência do Estatuto da Criança e do Adolescente não existem mais, nos regimentos escolares, punições prescritas para atos que contrariem o que neles esteja estabelecido. Não há mais pena de expulsão. Não há mais pena de suspensão. Não há mais punição alguma! Nestes assuntos, os Conselhos Tutelares mandam nas direções das escolas. Eduque-se alguém nessa bagunça.

Chegava a ser engraçado. Os programas de debate, interativos, ouviam os entendidos e estes, com raras exceções, condenavam a conduta da direção da escola. A opinião pública, por sua vez, a aplaudia de pé, com a aprovação de mais de 95% de ouvintes e telespectadores. Milhares de telefonemas! Eis por que, então, trago o assunto aos meus leitores. Que o episódio sirva de exemplo.

Como assim – “de exemplo”? – perguntará o leitor. Sim, de exemplo para bem compreendermos a origem da esbórnia que se instalou no país. Assistimos ao efeito corrosivo do pensamento marxista que, inspirando as pedagogias dominantes no ambiente acadêmico nacional, conseguiu seu objetivo e virou tudo de cabeça para baixo. E que isso sirva de exemplo, por fim, aos que pensavam estar tudo perdido. Não, não está. O processo em curso corre de rédeas frouxas, é verdade, mas corre contra a imensa maioria da opinião pública. O mais notável nisso tudo é que a minoria ínfima, quando fala, limpa a garganta, estufa o peito, sobe o tom e garante que representa o povo. O povo não é burro nem mal intencionado.

por Percival Puggina

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Como Tornar-se um Idiota (e Ainda Ser Louvado por Isso)

O que vem a seguir é uma série de recomendações, elaboradas após anos de atento estudo e observação, que visam a servir de manual ou receituário para quem quiser tornar-se um autêntico exemplar do que já se convencionou chamar de perfeito idiota latino-americano (ou europeu, ou asiático etc.). Trata-se de um conjunto de regras básicas para quem deseja fazer parte dessa crescente grei, que espero seja útil aos prováveis candidatos ao troféu de maior idiota do ano - especialmente aos estudantes e professores de Filosofia e de Ciências Sociais nas universidades brasileiras, entre os quais se pode encontrar facilmente alguns de seus espécimes mais ilustres.


A primeira e mais importante regra de todas, e a qual o aspirante a idiota não pode jamais esquecer, é que ele ou ela deve, em primeiríssimo lugar, dividir a humanidade em duas categorias: os bons e os maus. Os bons são todos aqueles classificados no vago e abrangente rótulo de "esquerda"; os maus, obviamente, são os de "direita". Pode-se ainda refinar essa classificação, trocando esquerda por "revolucionário" ou, se esse termo parecer muito radical, "progressista", em contraposição a "conservador" e "reacionário", que dá na mesma. Desse modo, ter-se-á encontrado a maneira perfeita de definir o bem e o mal, o certo e o errado, em qualquer ramo do conhecimento: diante de um autor que não lhe agrada, mesmo que o que ele diga seja a verdade mais cristalina, basta tascar-lhe o rótulo de "direitista" e ele será imediatamente desacreditado; ante um autor de sua preferência, ainda que seja um notório charlatão e que só diga babatadas, diga que ele é de esquerda e que está do lado das classes populares, e tudo que ele disser virá revestido da verdade mais absoluta. Assim, não sendo mais necessário o exercício cansativo de pensar, tudo poderá ser resumido a essa fórmula extremamente complexa: "É de direita? Então não presta. É de esquerda? Então é bom."


Jamais seja modesto: tenha em mente que, assim como os mutantes do mal da série X-Men, você é um deus entre insetos: saiba que você pertence a um tipo superior de indivíduos, acima do restante da humanidade, como dizia um dos maiores ídolos da idiotia esquerdista mundial, Che Guevara. Apresente-se sempre como o verdadeiro e legítimo defensor da ética e da democracia, e seus adversários como trogloditas autoritários, além de ladrões e corruptos. Com a repetição sistemática desses epítetos, mediante slogans berrados ad nauseam, estará consolidada no imaginário coletivo a idéia de esquerdista como sinônimo de tudo de bom e positivo existente na espécie humana, com a contraparte inevitável do direitista associado automaticamente a tudo que não presta. Nem precisa ser de esquerda para isso: basta seguir o que dizia o dr. Goebbels.


Se você tem por volta de 60 anos e tiver a sorte de ter feito parte, um dia, de algum grupelho ou organização de extrema-esquerda adepta da luta armada durante os "anos de chumbo" do regime militar, e se você for pego em flagrante fazendo alguma coisa pouco republicana como um mensalão ou dossiês, faça questão de esfregar na cara de seu interlocutor que você tem uma “história", em nome da qual todos os meios se justificam. Ignore se alguém lembrar o fato inconveniente de que a organização a que você pertencia praticava assaltos e assassinatos não para que o País se tornasse uma democracia, mas para substituir a ditadura dos generais por outra ditadura, certamente pior. Se você tiver a boa fortuna de poder apresentar um atestado de ex-preso político ou torturado, ainda que tenha passado apenas algumas horas no DOPS depois de ter sido preso em alguma manifestação estudantil, então é a glória: além de "herói da resistência democrática", você poderá requerer uma gorda indenização dos cofres públicos pelos anos de perseguição política, e por não ter podido transformar o Brasil numa nova Cuba.


Se um jornal tiver a ousadia de publicar um editorial chamando de "ditabranda" um regime que matou 424 pessoas, a maioria terroristas, em 21 anos, faça um escarcéu: chame o jornal de "golpista" e outras coisas do gênero, deixando claro seu repúdio a essa tentativa de relativizar a ditadura. Só não cometa o erro de mostrar a mesma indignação contra ditaduras nada brandas, como a de Cuba, que já matou quase cem mil e continua matando depois de 50 anos. Se alguém lhe chamar a atenção para esse detalhe, desconverse: decrete a proibição de comparar, e pronto.


Use e abuse de termos como "fascista" para se referir a todos aqueles que, por qualquer motivo, discordam de você e acham que você não é a parte boa da humanidade. Afirme que todo direitista é fascista, e que o comunismo é o contrário do fascismo. Se alguém lhe recordar fatos como o pacto Hitler-Stálin de não-agressão e o massacre dos oficiais poloneses em Katyn, mude de assunto.


Culpe o capitalismo (ou o neoliberalismo, ou a globalização...) por todos os males do mundo: da pobreza na África ao aquecimento global e à extinção dos ursos polares. Não se importe com o fato de que você não pode viver sem celular e internet, e que essas facilidades são frutos do capitalismo. Quanto ao aquecimento global provocado pelo homem, não tenha dúvidas: é um dogma científico. Afinal, foi Al Gore quem disse, e ele até ganhou um Oscar por isso.


Ataque o capitalismo, onde quer que ele esteja, e também onde não esteja (como na maioria dos países da África). Deixe claro que você defende a “função social da propriedade” – como se o lucro já não cumprisse uma função social importante - e que, quanto mais Estado, mais bem-estar social - embora, se dependesse do tamanho do Estado e da carga tributária, países como o Brasil seriam de primeiríssimo mundo. Condene como ganância e egoísmo o enriquecimento pelo esforço próprio, mas não o uso dos cofres públicos para beneficiar os “companheiros”.


Junte ao anticapitalismo uma boa dose de ressentimento racial, colocando a culpa pela crise financeira muncial nos "brancos de olhos azuis". Aliás, o verdadeiro idiota torce para que a crise atual seja o início do fim do sistema capitalista, pois acredita que o capitalismo está sempre em sua fase final de crise e degeneração, desde, pelo menos, o crash da Bolsa de Nova York em 1929.


Se você passou anos vociferando contra a política econômica “neoliberal”, as privatizações etc., e está agora no governo, defenda a mesma política, a ponto de reivindicar sua paternidade. Reivindique para si as glórias da estabilidade econômica na época de vacas gordas, e culpe os outros (os EUA, os especuladores) em tempos de crise, ou de marolinha que virou tsunami. O importante é não reconhecer jamais, nunca, que quem botou ordem na casa foi outro, e não você.


Condene sem hesitar o capitalismo e o imperialismo, mas silencie, ou se diga pelo menos "neutro" em relação ao comunismo ou ao terrorismo islamita. Se não for possível tomar partido abertamente em favor destes, pregue a "moderação" e exalte as virtudes da "imparcialidade". Deixe de lado qualquer isenção, porém, quando se tratar do governo Bush ou de algum seu aliado. Declare-se neutro em relação às FARC ou ao conflito Israel-Hamas na Faixa de Gaza, sem se importar com o fato de que você está igualando narcoterroristas a um governo constitucional e um país democrático a fanáticos que juraram varrê-lo do mapa. Isso, lembre, é uma posição "equilibrada".


Como bom idiota, você acredita que ser "isento" é a suprema aspiração do jornalista, menos quando se trata de desancar a direita. É por isso que você, caro idiota, odeia revistas como a VEJA e adora a Carta Capital, esse modelo de revista "imparcial" e "independente". Ao mesmo tempo, não se esqueça de vociferar, sempre que tiver oportunidade, contra a "mídia burguesa", mas faça questão de dizer que defende a liberdade de expressão - desde que seja a favor, claro.


Demonstre que é um antiimperialista e defensor da democracia e dos direitos humanos: o verdadeiro progressista dos tempos atuais foi contra a invasão do Iraque e do Afeganistão que, como sabemos, eram as duas Suíças do Oriente Médio, governadas antes da invasão americana por pacatos democratas. Ao mesmo tempo, não esqueça de se mostrar revoltado e horrorizado diante das cenas de soldados americanos torturando prisioneiros em Abu Ghraib e em Guantánamo, mas não diga uma palavra, a não ser em defesa, sobre a ditadura de Saddam Hussein ou a dos irmãos Castro em Cuba, onde existem umas 300 guantánamos. Se tiver de fazê-lo, diga que em Cuba ou na Venezuela existe democracia “até demais”. Lembre-se: você é um ardente defensor dos direitos humanos, menos em Havana ou em Pyongyang. Defenda com veemência o fim do embargo dos EUA a Cuba, não se esquecendo de chamar o embargo de "bloqueio" e de acrescentar-lhe os adjetivos "criminoso e genocida", mas não diga uma palavra sobre os presos políticos e a censura à imprensa na ilha-presídio. O perfeito idiota esquerdista é um inimigo ferrenho de ditaduras passadas, como a de Pinochet, mas não das ditaduras presentes como a cubana. Em relação a esta última, ele é, no máximo, "equilibrado" e "imparcial". Pelo mesmo motivo, denuncie como genocídio o que os EUA fazem no Iraque e o que Israel faz com os palestinos, não o que o governo islamita do Sudão faz em Darfur. Aproveite e tente minimizar o massacre de opositores à teocracia do Irã como uma mera rixa entre vascaínos e flamenguistas.


Não se contente em se dizer um paladino da luta pela liberdade e pela democracia: tente reescrever a História. Tente, por exemplo, revogar uma Lei que anistiou terroristas e torturadores, de modo a que estes últimos sejam punidos, mas não os primeiros. Aliás, sempre que se colocar diante da questão, diga que o que você e seus companheiros praticaram quarenta anos atrás não foi terrorismo, e que aquele vigia de banco ou aquela dona de casa que levou uma bala na cabeça ou teve a perna estraçalhada por uma bomba foram apenas danos colaterais da heróica luta armada que queria instalar por estas plagas uma ditadura totalitária. Deixe ainda mais claro seu compromisso com a democracia e com a liberdade, repatriando, na calada da noite, fugitivos de regimes como o de Cuba e concedendo refúgio e status de perseguido político a assassinos da própria grei condenados pela Justiça de ditaduras como a Itália.


Se alguém lhe exigir coerência, rebata dizendo que democracia e direitos humanos são, na verdade, conceitos ocidentais impostos pelo colonialismo europeu aos demais povos do planeta, e que tais conceitos são relativos - jogando no lixo, assim, a Declaração Universal dos Direitos do Homem. Mas atenção: só use esse argumento relativista quando o regime em questão for o de Cuba ou da China comunista, ou do Irã ou da Coréia do Norte. Nunca, jamais, use o mesmo argumento para se referir a ditaduras como a de Pinochet no Chile ou a dos militares brasileiros após 1964.


Se você for petista (um dos tipos mais numerosos de idiota), afirme até se convencer que o mensalão foi uma invenção da mídia golpista e das elites-que-há-quinhentos-anos-governam-o-Brasil, que querem derrubar o governo-que-mais-fez-pelos-pobres-na-História-do-Universo, proclamando que o PT é o partido mais ético do Brasil. Se não der certo, repita o discurso do chefe, e diga que não sabia de nada, que se sente "traído", ou que "todos fazem igual". Apegue-se principalmente a esse último discurso, sacando da manga a seguinte frase: "Ninguém presta na política, inclusive eu". Não ligue para o fato de que, alguns anos atrás, você estava com um discurso completamente diferente, dizendo "Ninguém presta, só eu".


Se você, por algum motivo, não estiver se sentindo bem no PT, não tem problema: você pode pular do barco que está afundando, e fundar um novo partido, afirmando que a o governo atual traiu os trabalhadores e o socialismo e voltando ao mesmo discurso moralizante que levou o PT ao governo. Sempre haverá quem caia nessa.


Há outras regras que caracterizam o perfeito idiota esquerdista. Por motivo de espaço, vou resumi-las aqui:


- Emocionar-se com os discursos “históricos” de Barack Obama, antes mesmo de eles serem pronunciados;


- Descartar o Foro de São Paulo como uma fantasia de teóricos conspiracionistas de extrema-direita, mas dar crédito a quem diz que os atentados de 11 de setembro foram uma conspiração da CIA;


- Negar de pés juntos que o Bolsa-Família seja um programa assistencialista e eleitoreiro e chamar de "imbecil" e "ignorante" quem diz isso;


- Ler os livros de Emir Sader e de Marilena Chauí, “as maiores cabeças da intelectualidade brasileira”;


- Comover-se até as lágrimas com os livros de Frei Betto e Leonardo Boff, duas almas elevadas;


- Acreditar que As VÉIAS abertas da América Latina, de Eduardo Galeano, é um livro de História;


- Considerar Oscar Niemeyer e José Saramago dois gênios da humanidade;


- Acreditar que os filmes de Michael Moore são documentários, e não peças de ficção;


- Considerar a China e o Vietnã de hoje exemplos de sucesso do “socialismo”, embora haja mais comunistas hoje na USP do que em Pequim ou em Hanói;


- Idolatrar Che Guevara, Fidel Castro, Lênin, Trotsky, Mao ou Stálin, e ignorar quem foram Edmund Burke, John Stuart Mill, Ludwig von Mises, Jean-François Revel, Alexander Soljenitsin e Raymond Aron.


- Denunciar o “pensamento único ‘neoliberal’”, muito embora o esquerdismo seja há décadas o pensamento único nas escolas e universidades, até na vida quotidiana;


- Acreditar que não ser “alienado” e ter “senso crítico” é repetir slogans em passeatas;


- Crer que apontar a ignorância do presidente é “preconceito”, pois afinal ele é “do povo” – mesmo tendo deixado de sê-lo há uns trinta anos, pelo menos, e não tendo estudado porque náo quis;


- Afirmar que a oficialização do racismo por meio das cotas é o caminho para acabar com o... racismo – e isso no Brasil, um país, como se sabe, tão racista quanto era a África do Sul na época do apartheid;


- Pregar a tolerância com todas as religiões, menos com o cristianismo (e especialmente com a Igreja Católica, a menos que seja a teologia da libertação);


- Ser a favor do aborto, dos direitos dos gays e das minorias, em nome do "politicamente correto" – ainda que seja preciso proibir pastores evangélicos de citarem a Bíblia e humoristas de fazerem "piada de bicha";


- Achar que a solução para o problema da violência é o desarmamento – menos dos bandidos;


- Ser contra a redução da maioridade penal, uma “medida fascista” em vigor em países como Inglaterra e Suiça, e ser a favor da liberalização da maconha ("porque assim não haverá mais tráfico ilegal nem criminalidade");


- (Se for radical): Achar que Lula e Hugo Chávez não são de esquerda e se venderam ao capital;


- (Se for moderado): Achar que Lula é a esquerda "vegetariana", um antídoto ao "carnívoro" Chávez;


- (Se for nos países ricos): Consumir-se de complexo de culpa por ser branco, homem, rico, escolarizado e cristão;


- (Se for no Brasil): Posar de vítima por ser não-branco, mulher (ou gay), pobre, iletrado e torcedor do Olaria;


- Acreditar que o desenvolvimento é uma questão de vontade política, via decisão governamental;


- Achar que a Guerra Fria foi travada por um lado apenas, os EUA;


- Achar que são “políticas sociais”, e não leis mais duras e repressão policial, a solução para a criminalidade (ou seja: todos os pobres são bandidos em potencial);


- Não ver problema algum em consumir drogas ilícitas à noite e fazer passeata “pela paz” de manhã.


Ah sim, outra coisa importantíssima: sempre que se colocar diante da necessidade de emitir uma opinião sobre qualquer assunto, nunca se esqueça de se certificar que seu ponto de vista coincide com o da maioria, ou, mais especificamente, com o que pensam a respeito os medalhões de nossa intelligentsia nacional e internacional. Consulte antes os sábios. Se não tiver o que dizer, repita as palavras dos mestres: eles estão sempre certos, assim como a maioria. Jamais - nunca, em hipótese alguma - cometa o erro crasso de pensar com os próprios neurônios. Tenha sempre em mente o velho ditado comunista: "Melhor errar com o Partido do que acertar fora dele".


Finalmente, se de repente você se vir sem argumentos (o que ocorre com certa freqüência), não se acanhe e apele para o velho recurso da argumentação ad hominem, cobrindo quem não se coloca de seu lado com adjetivos como "agente da CIA", "lacaio do imperialismo" ou, então, "massa de manobra de Reinaldo Azevedo e de Olavo de Carvalho". Funciona sempre: dá a impressão de que seu adversário não tem pensamento próprio e se limita a servir de correia de transmissão desses autores. Exatamente o contrário de você, claro.


Pronto! Se você seguir direitinho as regras acima, garanto que se tornará, em pouco tempo, mais um exemplar da fauna dos perfeitos idiotas esquerdistas. Em breve, terá aposentado de vez a massa cinzenta existente dentro de seu crânio, a qual logo entrará em desuso, e estará agindo como um robô apatetado e repetidor de slogans, seguindo a manada. Asseguro ainda que você jamais se sentirá sozinho e desamparado, pois, se há algo que caracteriza os membros dessa espécie em contínua expansão, é a incrível capacidade gregária, sendo eles vistos quase sempre em grupo, conforme o velho ditado latino: Asinus asinum fricat. Fique certo de que, uma vez aceito como parte do "coletivo", as oportunidades se abrirão, e você terá um futuro brilhante pela frente, seja em alguma repartição oficial, em algum cargo comissionado, seja como professor em algum departamento de Filosofia ou Ciências Sociais em alguma universidade pública brasileira.


Se algum dia alguém lhe vier cobrar que preste contas de suas posições político-ideológicas, não se preocupe: acima de tudo, ser de esquerda - e ser idiota - é nunca ter de pedir perdão.


por Gustavo Bezerra

quarta-feira, 6 de maio de 2009

O que Há de Errado com as Ações de Inclusão Social

Certa vez, já faz algum tempo, assisti a um programa televisivo, destes politicamente corretos, a apresentar uma oficina na qual jovens aprendiam a construir instrumentos musicais, especialmente os de corda, tais como violões, violas e violinos. Salvo engano, a madeira de que se utilizavam era composta por desprezos de serrarias e construções.

O esmero com que os mestres e os alunos se aplicavam no uso das ferramentas e no preciosismo dos detalhes em cada curva a sofrer uma apara ou polimento sugeria, de fato, uma terna imagem aos telespectadores, simultaneamente à voz do narrador, que informava sobre a situação pregressa dos jovens, oriundos das camadas populares e que então teriam sido salvos da “exclusão social”.

Às vezes, é muito difícil lidar com certos temas, pelo fato de que os termos são postos com uma indiscutível qualidade visual e transmitidos com uma tal carga emocional que aos leigos passa como certa, e aos candidatos a questionadores, sobram-lhe apenas os apupos. Desde aquele dia em que assisti a esta reportagem sobre a questão da inclusão social os meus instintos libertários têm acionado periodicamente a luz amarela, a esperar pelo momento apropriado e pelas palavras mais cabíveis para o enfrentamento da questão.

Começo portanto com cuidado, já preventivamente me defendendo: não sou contrário a nenhuma ação, seja movida por um indivíduo ou por uma associação qualquer de indivíduos (vá lá, uma... “ong”...) que ajude jovens a adquirirem um ofício ou conhecerem alguma arte. Muito pelo contrário! Como tenho dito, o exercício da liberdade das pessoas para que, sozinhas ou em conjunto, dediquem-se a qualquer fim que aos seus olhos lhes pareça nobre, importante ou útil, é a própria essência do pensamento liberal.

O fio da meada aqui não está sobre se tal ajuda deve ser prestada, mas sim em COMO deve ser realizada. Refiro-me ao que devo chamar aqui de “via burocrática”. Eis o problema: estas oficinas, mantidas por ONG’s ou pelos governos federal, estadual ou municipal, apresentam a “via burocrática” como a solução que entendem ser a correta. Já explico.

Em tais organizações sociais adeptas da “via burocrática”, os jovens (ou qualquer categoria da população que seja o objeto dos cuidados de uma ONG ou órgão público) são ensinados conforme o modelo de uma eventual sociedade socialista. No caso da nossa fábrica de instrumentos musicais, o “gordo” do orçamento de tal instituição não provém da venda dos instrumentos, mas de doações e repasses governamentais; o resultado do trabalho, portanto, pode ser uma produção não necessariamente comprometida com o atendimento das necessidades e dos gostos da clientela, cujos produtos são por ela comprados mais com o afã de ajudar do que em adquirir algo de qualidade.

Tais produtos, na verdade, são vendidos em caráter de privilégio, sufocando as firmas comuns pela concorrência desleal, e que, as mais das vezes, gozam de isenções fiscais, podendo até mesmo ser oferecidos a preços simbólicos, somando-se assim à própria condescendência psicológica por parte dos consumidores, advinda do fato de ser um produto do qual não se esperam os padrões de qualidade normalmente exigidos.

Aproximemo-nos um pouco da vida de vários notáveis empresários brasileiros e estrangeiros. Muitos deles não tiveram tempo para ilustrar as suas vidas com uma cultura de grande erudição; porém, aprofundaram-se ao máximo naquilo que lhes fez notórios experts: o atendimento das necessidades dos seus respectivos clientes. Esta meta pessoal, a conseguiram cumprir sem muitos erros porque desde cedo, quando eram apenas vendedores, artesãos ou contínuos, já lhes eram apresentados os problemas, os desafios e as conseqüências dos seus fracassos tais como o eram em realidade, isto é, sem uma redoma que os protegesse - e isolasse – do mercado, tal como os que hoje cobrem as vidas dos inocentes aprendizes.

Atualmente, exemplos deste fenômeno são encontrados em cursos de idiomas e de direção de automóveis. Estes casos são bem-sucedidos porque, distante da questão trabalhista ou inclusionista, o governo ainda não atentou para aplicar-lhes semelhante intervenção. Note o leitor como, já no primeiro dia de aula, o aluno deve aprender a comunicar-se na língua objetivada, por mais que a desconheça, bem como sair com o carro e já ir enfrentando o trânsito comum de sua cidade, por mais que alegue jamais ter pego antes em um volante. Quem aprende a falar inglês de-va-ga-ri-nho, jamais dominará o idioma anglo-saxão, assim como correrá o risco de sofrer um grave acidente aquele que, tendo aprendido a conduzir em uma estrada deserta, for jogado no fogo de um trânsito intenso de uma grande cidade.

O mote das entidades públicas e privadas que promovem as ações de inclusão social é o de que o mercado gera os excluídos, e elas, claro, os redimem para a sociedade, o que, sabemos nós aqui, não será feito de outro jeito que não seja pela “via burocrática”. Nada mais falso. É sempre o estado (lembre-se: inicial minúscula neste safado!) que gera o que chama de “exclusão social”. A Consolidação das Leis do Trabalho, por exemplo, possui 922 artigos; nenhum deles garante um emprego, mas todos eles consistem literalmente em alguma proibição de contratar. O salário mínimo também gera este efeito, assim como farta legislação legal ou infra-legal aqui não citada.

Estas oficinas de inclusão social hoje abrangem a confecção de roupas, de sapatos, de vassouras, sabão e detergentes, de brinquedos, de informática e um sem-número de outras atividades que são executadas também pela iniciativa privada, mas com as diferenças de que nestas os “inclusos” - chamemo-los assim - precisam cumprir horários, responder por quebras ou faltas, produzir com rapidez e qualidade, recolher impostos, pensar e propor melhorias, estudar ou produzir mais para galgarem promoções e se esforçar por tratar os clientes com a maior doçura. Em compensação, recebem salários e promoções, e se sentem orgulhosos e autoconfiantes por receberem pelo suor dos próprios esforços.

Em suma, o mercado produz profissionais independentes e interessados em servir à população, enquanto as oficinas de inclusão social tendem a formar aprendizes eternos, dependentes do estado para tudo na vida; burocratas mesmo, no sentido estrito do termo.

Por Klauber Cristofen Pires

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Como se Decompõe Uma Nação

Em seu relatório de 2008, a International Transparency situa o Brasil em 80º lugar, com nota 3,5 sobre 10, no ranking da corrupção. Estamos nivelados com Burkina Faso, Marrocos, Arábia Saudita e Tailândia. Perdemos até para a Namíbia, Tunísia e Gana, países onde as práticas são consideradas mais corretas do que aqui. É constrangedor o que o mundo pensa de nós! Estou convencido, caro leitor, de que temos a obrigação moral de enfrentar essa pauta, refletindo sobre a realidade que os números refletem. É intenção deste artigo, portanto, identificar o que nos conduz a tão lamentável reconhecimento mundial.

Em contradição com a opinião de muitos, penso que o povo brasileiro é de boa índole. Nossa gente, em sua imensa maioria, tende a agir bem. Mas vem sendo submetida, essa boa gente, de modo sistemático, a uma estratégia perversora, cujo longo e tenebroso roteiro pode ser agrupado nos quatro conjuntos de ações que exemplifico a seguir, sem esgotar a pauta:
  1. Ações pelo império do “politicamente correto”. Elas envolvem tolerar tudo, sempre, exceto a opinião do Papa. Combater a disciplina e jamais dizer “não” a si mesmo. Rejeitar a noção de limites. Inibir o exercício da autoridade nas famílias, escolas, instituições públicas e privadas. Abrandar as penas, tornar morosos os processos. Instaurar o império da impunidade. Assumir, como critério de juízo, a ideologia segundo a qual as vítimas da criminalidade são socialmente culpadas, ao passo que os bandidos são inocentes porque a sociedade os obriga a ser como são (tese do Marcola que coincide com o espírito da última Campanha da Fraternidade). Matreiro, Macunaíma, o herói sem caráter, piscará o olho.
  2. Ações contra a identidade nacional. Elas envolvem reescrever a história do Brasil de modo a promover a cultura do ajuste de contas, da vingança e do resgate imediato de dívidas caducas. Denegrir o passado, borrar a imagem dos nossos grandes vultos, construir estátuas para bandidos e exibir, como novos modelos da nacionalidade, os peitos e bundas dos heróis e heroínas do BBB. Macunaíma esboçará um sorriso.
  3. Ações contra a alma e a consciência das pessoas. Elas envolvem rejeitar, combater e, quando isso for inútil, tornar irrelevante a idéia de Deus. Sustentar que pecado é conceito medieval e que coisas como bem e mal são muito relativas, dependentes dos pontos de vista e da formação de cada um. Declarar obsoletos o exame de consciência, a coerência com a verdade e a retificação das condutas. Aceitar como válido que o erro de um sirva para justificar o erro de outro. Canonizar o deboche e debochar da virtude. Combater a Igreja desde fora, pela via do ateísmo militante, e desde dentro, invadindo os seminários com literatura marxista. Macunaíma rirá seu riso desalmado.
  4. Ações contra a virtude. Elas envolvem atacar a instituição familiar, ambiente essencial à transmissão dos valores e assemelhá-la a uma coisa qualquer. Tornar abundante a vulgaridade. Servir licenciosidade e erotismo à infância e colocar a maior autoridade do país a distribuir camisinhas no carnaval. Evidenciar a inutilidade da Lei, tornando nítido, por todos os meios, que uns estão acima dela, que outros, sem quaisquer consequências, vivem fora dela e que outros, ainda, são credores do direito de a descumprir. Macunaíma, o herói sem caráter, rolará no chão, às gargalhadas.
por Percival Puggina