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quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Para Eliane Castanhêde: E-Mails da Discórdia

6 de julio de 2005
De: 'Cura Camilo'

A: 'Raúl Reyes'


"Solidaridad recibida durante el primer semestre de 2005: diputado Paulo Tadeu US$ 833,33. Sindicato de la Empresa de Energía de Brasilia US$ 666,66. Corriente Comunista Luis Carlos Prestes US$766,66. Señora Solene Bomtempo US$ 250,00. Concejal Leopoldo Paulino US$ 433,33. Sindicato de la Empresa de Acueducto de Brasilia US$ 33,33".

Contribuição recebida durante o 1o. semestre de 2005: deputado Paulo Tadeu US$ 833,33. Sindicato da Empresa de Energia de Brasília US$ 666,66. Corrente Comunista Luís Carlos prestes US$ 766,66. Senhora Solene Bomtempo US$250,00. Conselheiro Leopoldo Paulino US$ 433,33. Sindicato da Empresa de Águas de Brasilia US$ 33,33.

12 de junio de 2005
De: 'Raúl Reyes'

A: 'José Luis'


"Al vocero de Brasil hay que invitarlo a que nos visite aquí y explicarle que en función de construir definiciones se hace imprescindible su conversación con el Secretariado. Decirle que tenemos formas seguras de recibirlo en nuestros campamento sin que sea registrado por las autoridades colombianas".

É preciso convidar o porta-voz do Brasil a nos visitar e explicar-lhe que, para chegar a algumas definições, é imprescindível sua conversa com o Secretariado. É preciso lhe dizer que temos formas seguras de recebê-lo em nosso acampamento sem que (isso) seja registrado pelas autoridades colombianas.

É um e-mail, sem dúvida, estranhíssimo:
- quem será o “porta-voz do Brasil”?
- porta-voz de quem ou do quê?
- o “nós”, em nome de quem fala Reyes, faz supor que o “porta-voz” não seja originalmente um deles, mas alguém que se associou ao grupo;
- afirmar que os terroristas podem receber “o porta-voz do Brasil” sem que as autoridades colombianas saibam faz supor duas coisas:
a) o tal entraria ilegalmente na Colômbia (menos provável);
b) ele entraria legalmente na Colômbia, mas se reuniria com o Secretariado sem que o governo legal do país soubesse;
- "o porta-voz do Brasil" não pode ser o próprio Medina porque o "padre" tinha comunicação direta, via e-mail, com Reyes.

17 de septiembre de 2005
De: 'Raúl Reyes'
A: 'Roque'


"Bastante significativa la solidaridad de los partidos comunistas de Brasil y de otros países con la lucha de las Farc en el empeño de impedir la extradición del 'cura' (Francisco Medina, 'Cura Medina'). Existe en Brasil un importante grupo de amigos solidarios con nosotros en los que hay sindicalistas, maestros, congresistas, ministros, abogados y personalidades ocupados de presionar la libertad inmediata de Camilo".

Bastante significativa a ajuda dos partidos comunistas do Brasil e de outros países com a luta das FARC no empenho de impedir a extradição do 'cura' (Francisco Medina, 'Cura Medina'). Existe no Brasil um importante grupo de amigos solidários conosco entre os quais há sindicalistas, "maestros", congressistas, ministros, advogados e personalidades ocupados em pressionar para a libertação imediata de Camilo.

Humm. Quem serão os congressistas e os ministros que Raul Reyes, o terrorista no. 2 das FARC que, já não sem tempo, foi desta para melhor - ou para pior, espero, pelo que fez em vida?

17 de enero de 2007
De: 'Cura Camilo'
A: 'Raúl Reyes'


"El lunes 15 inició 'la Mona' su empleo nuevo y para asegurarla o cerrarle el paso a la derecha por si en algún momento les da por molestar, entonces la dejaron en la Secretaría de Pesca desempeñándose en lo que aquí llaman un cargo de confianza ligado a la Presidencia de la República".

Na segunda-feira, dia 15, a "Mona" começou em seu novo emprego e para garanti-la ou impedir que a direita em algum momento a hostilize, a colocaram na Secretaria da Pesca, trabalhando no que chamam aqui de cargo de confiança ligado à Presidência da República.

"Mona" é como Olivério Medina - o tal Cura Camilo - se refere à sua mulher, Ângela Maria Slongo, que foi contratada, como evidencia o e-mail, pela política governamental de Lula, que adora proteger terroristas, ex-terroristas e seus asseclas. A contratação da "Mona" na Secretaria da Pesca, hoje Ministério, foi assinada pela própria Dilma Roussef.
Eu já escrevi sobre isso.

E Reinaldo Azevedo alerta: quando Olivério Medina enviou o e-mail ao pançudo, o segundo homem na hierarquia do terror, ele estava em prisão domiciliar e poderia ainda ser extraditado. O STF houve por bem lhe dar “asilo” político. Já revelei aqui que uma das táticas das Farc é fazer com que seus representantes consigam asilo nos mais variados países.

"Não há nenhuma cooperação do governo brasileiro com as Farc, nenhuma. Basta ler os documentos para ter isso claro. Isso parece provocação, não há nenhuma cooperação. É questão de perguntar ao presidente Uribe”. A afirmação é de Marco Aurélio Top Top Garcia à BBC Brasil.
O e-mail acima demonstra a seriedade da fala de Marco Aurélio.

15 de febrero de 2007
De: 'Cura Camilo'
A: 'Raúl Reyes'


"Los responsables de organizar la gira del camarada Carlos Lozano son: Albertao y Pietro Lora en Guarulhos, São Pablo y Río. En Brasilia: Paulo Tadeo, Erica Kokay. Para la actividad de Río se apoyarán en el ex diputado Federal Milton Temer, del Partido Socialismo y Libertad. Y en Florianópolis un diputado estadual que ellos ayudaron y está dispuesto a ayudar"

Os responsáveis pela viagem do camarada Carlos Lozano são: Albertão e Pietro Lora em Guarulhos, são Paulo e Rio. Em Brasília: Paulo Tadeo, Érika Kokay. Para a atividade do Rio tiveram apoio do ex-deputado federal Milton Temer, do Partido Socialismo e Liberdade. E em Florianópolis um deputado estadual que eles ajudaram e está disposto a ajudar.

14 de abril de 2007
De: 'Cura Camilo'
A: 'Raúl Reyes'


"Debo actuar con cautela para no facilitar al enemigo argumentos que lleven a cuestionar el refugio. En ese sentido, el haber conseguido el traslado de 'la Mona' y 'la Timbica' para la capital del país, ha sido importante. Ese bajo perfil lo mantendré hasta la neutralización. Obtenida esta, tendré pasaporte brasileño y lo primero que debo pensar es en irlos a ver".

Devo atuar com cautela para não facultar ao inimigo argumentos que levem a questionar o refúgio. Nesse sentido, ter conseguido a transferência de “La Mona” e “La Timbica” para a capital do país foi importante. Manterei essa discrição até a neutralização. Obtida esta, terei passaporte brasileiro, e a primeira coisa que devo pensar é ir vê-los.

Fala, Reinaldo:
Conforme já contei aqui, uma das táticas dos terroristas das Farc é obter refúgio em vários países, mas sempre ligados ao terror. Segundo o jornal El Tiempo, uma das funções de Medina, no Brasil, é recrutar pessoas e traficar armas. Pois bem: como se vê, ele está prometendo ficar bem quietinho até conseguir o passaporte. E volta a falar na transferência de sua mulher (“La Mona”) para Brasília. Parece que não foi a única: “La Timbica” foi junto. Quem será essa?

E vejam que curioso. Ele ficará quietinho, posando de vítima, até conseguir o passaporte. Depois disso, como se vê, promete se encontrar com os terroristas. Eis aí: este é Olivério Medina, a quem o STF, sob a pressão de petistas e esquerdistas os mais variados, concedeu asilo. Segundo se argumentou, ele corria o risco de assassinato em seu país.

Entendi. O Brasil fez a opção pelo assassino.

23 de febrero de 2007
De: 'Cura Camilo'
A: 'Raúl Reyes'

"La defensora pública le está organizando a 'la Mona' un encuentro con el Ministro, el Viceministro y el principal asesor de la Secretaría de Derechos Humanos vinculada a la Presidencia, en su orden Paulo Vannuchi, Perly Cipriano y Dalma de Abreu Dalasi, que es un prestigioso jurista al que el ministro relator le tiene pavor. El viceministro Perly hablará con el presidente de la Comisión de Derechos Humanos de la Cámara Federal. Serán visitadas entidades importantes que nos apoyaron, comenzando por la Comisión Brasileña de Justicia y Paz".

A Defensoria Pública está organizando um encontro com o Ministro, o Vice-Ministro e o principal assessor da Secretaria de Direitos Humanos, vinculada à Presidência, respectivamente Paulo Vannuchi, Perly Cipriano e "Dalma de Abreu Dalasi", que é um prestigioso jurista, do qual o ministro relator tem pavor. O Vice-Ministro Perly falará com o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal. Serão visitadas importantes entidades que nos apoiarão, começando pela Comissão Brasileira de Justiça e Paz.

Fala, Reinaldo:
Não me perguntem por que partre do jornalismo, em vez de investigar se o encontro aconteceu ou não, prefere a postura “negocionista”. Não me perguntem porque a resposta é tristemente óbvia: misto de simpatia pelos petistas e pelas... Farc!!! Afinal, boa parte dos valentes companheiros acredita que o verdadeiro bandido da Colômbia é Álvaro Uribe.

Vejam lá. A “Mona” — a “fofa” ou a “macaca” — é a mulher de Medina, aquela que foi alojada no governo federal por Dilma Rousseff. A companheira está se mobilizando para falar com os esquerdofrênicos do poder, dois deles com sólidos vínculos passados com o terrorismo no Brasil — no momento, Vannuchi se ocupa de tentar rever a Lei da Anistia: quer, agora, vencer no cartório a luta que perdeu de trabuco na mão e que a sociedade brasileira venceu com a anistia.

Ah, sim, a “Dalma” do e-mail é só uma confusão, né? Trata-se obviamente do petista Dalmo de Abreu Dallari, freqüentemente tratado como "jurista".

O mais encantador de tudo é que Medina representa no Brasil uma organização que mata; Medina representa no Brasil uma organização que se dedica ao tráfico de drogas; Medina representa no Brasil uma organização que mantém 800 prisioneiros em campos de concentração. E, no entanto:

- as Farc tinham um canal na Secretaria Nacional de Direitos Humanos;
- as Farc tinham um canal no STF;
- as Farc tinham um canal na Casa Civil;
- as Farc tinham um canal na Comissão de Direitos Humanos da Câmara;
- as Farc tinham um canal na Comissão Justiça e Paz.

Órgãos e pessoas supostamente dedicados aos direitos humanos se tornaram parceiros de facínoras, de assassinos, de bandoleiros, de vagabundos que respondem, em parte, pelo caos que o narcotráfico causa na sociedade brasileira, com seus 50 mil mortos por ano.

Só falta às Farc chegar ao jornalismo. Ou não falta mais?

Revista Câmbio - O Dossiê Brasil

O entardecer do sábado de 19 de julho, na fazenda Hatogrande, a casa presidencial ao norte de Bogotá, o presidente colombiano Álvaro Uribe, sorridente e despreocupado, como poucas vezes, não teve dúvidas em oferecer a seu colega brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, um copo de aguardente antioqueño para mitigar o frio que perfurava os ossos.

O copo selou a primeira parte da intensa jornada que tinha começado na sexta-feira, dia 18 de julho, e que terminaria no domingo com a celebração do Dia da Independência colombiana. Uma celebração que, como nunca, reuniu artistas do nível de Shakira e a qual participou também o presidente peruano Alan Garcia.

A agenda de Lula e Uribe, ao redor dos acordos bilaterais, foi condimentada com muitos elogios públicos. O presidente Uribe agradeceu a Lula e a seu governo de seis anos pelas relações dinâmicas e de confiança. No entanto, em uma reunião particular que mantiveram com pouquíssimas testemunhas, Uribe fez a Lula um breve resumo sobre uma série de arquivos que as autoridades colombianas encontraram nos computadores de Raúl Reyes que comprometia cidadãos e funcionários de seu governo com as Farc.

Diferente do que aconteceu com a informação relacionada aos servidores públicos do governo de Rafael Correa e cidadãos equatorianos, que o governo tornou pública, no caso do Brasil as instruções do presidente colombiano foram de mantê-las reservadas e manejá-las diplomaticamente para não deteriorar as relações comerciais e de cooperação com o governo de Lula.

O governo colombiano usou de forma seletiva os arquivos do computador pessoal de Raúl Reyes. Enquanto com o Equador e a Venezuela foram usados para colocar em proibição Chávez e Correa, hostis com Uribe, com o Brasil foi manipulado por debaixo da mesa para não comprometer Lula, que se mostrou mais hábil e menos belicoso com a Colômbia que seus outros colegas.

Ainda assim, alguns meios brasileiros tinham informação parcial sobre uns poucos arquivos e, por isso, no dia 27 de julho consultaram o ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, que em uma entrevista do jornal "O Estado de S. Paulo" confirmou que o governo colombiano havia informado Lula sobre o tema.
"Há uma série de informações de conexões que entregamos ao governo brasileiro para que possa atuar como considerar mais apropriado", disse Santos, que se absteve de comentar se havia ou não políticos e funcionários oficiais com relações com o grupo que hoje é encabeçado por Alfonso Cano. Às declarações do ministro, o assessor de política internacional do Brasil, Marco Aurélio Garcia, respondeu de forma imediata e qualificou como irrelevantes os dados fornecidos pela Colômbia.

Cura Camilo – Não se sabe com exatidão e o quão detalhada foi a informação que o presidente colombiano Uribe deu a Lula, mas o que poderia ser chamado de "dossiê brasileiro" teria implicações mais sérias que as derivadas da informação relacionada com Venezuela e Equador.

A revista Cambio teve acesso a 85 mensagens eletrônicas que, entre fevereiro de 1999 e fevereiro de 2008, circularam entre Tirofijo, Raúl Reyes, o Mono Jojoy, Oliverio Medina – delegado das Farc no Brasil – e de homens identificados como Hermes e José Luís.

A julgar pelo conteúdo das mensagens, a presença das Farc no Brasil chegou às mais altas esferas do governo Lula, o Partido dos Trabalhadores (PT), a diligência política e a administração de Justiça. Neles, são mencionados cinco ministros, um procurador-geral, um assessor especial do presidente Lula, um vice-ministro, cinco deputados, um conselheiro e um juiz superior.

A personagem central das mensagens eletrônicas é Oliverio Medina, também conhecido como "Cura Camilo", um sacerdote que ingressou nas Farc em 1983 e que teve uma rápida ascensão até tornar-se secretário de Tirofijo. Chegou ao Brasil como delegado especial das Farc em 1997 e esteve na Colômbia durante o processo da zona de Caguán, em que foi chefe de imprensa do grupo.

Por trás da ruptura das conversações em fevereiro de 2002, regressou ao Brasil, onde continuou sua missão, e sua influência chegou até altos níveis da administração Lula, que assumiu o cargo em janeiro de 2003. Mas graças à pressão das autoridades colombianas, foi capturado em agosto de 2005. A Colômbia pediu sua extradição, mas o Supremo Tribunal Federal, de Brasília, não somente a negou, em 22 de março de 2007, como reconheceu Medina como refugiado político.

Até o Curubito – O cárcere não foi obstáculo para que "O Cura Camilo" suspendesse seu trabalho proselitista e propagandista. Prova disso são as numerosas mensagens que ele enviou a Reyes e que mostraram como conseguiu chegar até a cúpula do governo brasileiro.

Quatro das mensagens às que a Revista Cambio teve acesso se referem ao presidente Lula. Em uma delas, de 17 de julho de 2004, Raúl Reyes disse a Trofijo que o governo Lula ajudaria com o acordo humanitário: "Os curas me enviaram uma carta pedindo entrevista com eles do Brasil", escreveu Reyes. Segundo dizem, falaram com Lula e ele assumiu o compromisso de ajudar no acordo humanitário, intercedendo com Uribe para efetuar uma reunião no Brasil.

Na segunda mensagem, do dia 25 de setembro de 2006, Oliverio Medina conta a Reyes: "Não lhe disse que faz alguns dias que Lula chamou o ministro Pablo Vanucchi [ministro da Secretaria Nacional de DD. HH.], indicando-lhe que telefonara para o advogado Ulises Riedel e o felicitara pelo êxito jurídico em sua brilhante defesa a favor de meu refúgio."

No terceiro e-mail, com data de 23 de dezembro de 2006, Medina informa a Reyes que "a Lula e a um de seus assessores que nos ajudaram, enviei o pôster de Aguinaldo." Os funcionários são Silvino Heck, assessor especial do presidente Lula, e Gilberto Carvalho, chefe de Gabinete, que aparecem mencionados em uma mensagem eletrônica de 23 de fevereiro de 2007, também dirigida a Reyes: "É possível que me visite um assessor de Lula chamado Silvio Heck, que, com Gilberto Carvalho, foi outro que nos ajudou bastante."

Entre os 85 e-mails a que a revista Cambio teve acesso, há um sem data, também enviado por Medina a Reyes, que diz: "Falei com a deputada federal Maria José Maminha. Combinamos que ele vai abrir caminho rumo ao presidente via Marco Aurélio Garcia." Garcia é secretário de assuntos internacionais.

Não menos comprometedoras são aquelas mensagens em que aparecem mencionados alguns ministros. Em uma delas, dirigida a Reyes o dia 4 de junho de 2005 por um tal de José Luis, figura o nome do ministro da Previdência, José Dirceu. "Chegou um jovem de uns 30 anos e se apresentou como Breno Altman (dirigente do PT) e me disse que vinha da parte do ministro da Previdência José Dirceu, que, por motivos de segurança, eles haviam acordado que as relações não passariam pela Secretaria de Relações Internacionais, senão que fizeram diretamente por meio do ministro com a representação de Breno."

Ao final da mensagem, José Luis disse que o governo brasileiro e o PT dariam proteção a Medina enquanto avança o trâmite da extradição: "Perguntei se poderíamos estar tranqüilos, que não iriam seqüestrá-lo ou deportá-lo para a Colômbia e ele me respondeu: ' Podem ficar tranqüilos' ". Em uma mensagem do dia 24 de junho de 2004, Reyes comenta com Media sobre a possível saída de José Dirceu do Gabinete e lhe disse: "Com certeza, esta medida em proveito dos detratores de Lula pode afetar a incipiente abertura das relações que eles têm conosco."

Amorim – As Farc também tentaram chegar ao escritório do Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Em uma mensagem do dia 22 de fevereiro de 2004, José Luis escreve a Reyes: "Por intermédio do legendário líder do PT, Plínio Arruda Sampaio, chegamos a Celso Amorim, atual ministro de Relações Exteriores. Plínio nos mandou falar para Albertao (conselheiro de Guarulhos) que o ministro está disposto a nos receber. Que assim que tiver espaço em sua agenda, nos receberá em Brasília."

O procurador e o juiz – O embaixador das Farc fez tão bem seu trabalho que também conseguiu chegar até o procurador Luis Francisco de Souza, que é mencionado em uma extensa mensagem eletrônica do dia 22 de agosto de 2004, que Medina e José Luis enviaram a Reyes e a Rodrigo Granda: "Ele deu o seguinte conselho: andar com uma máquina fotográfica e, se possível, com um gravador para em caso de voltar a parar um agente de informação, fotografá-lo e gravá-lo, tendo o cuidado de não deixar que ele pegue a câmera e o gravador. Que em relação ao que aconteceu, façamos uma denúncia dirigida a ele como Procurador para fazê-la chegar ao chefe da Polícia Federal e à Agência Brasileira de Informação."

Algumas mensagens foram escritas durante o processo da zona de Caguán e envolvem um prestigiado juiz e um alto ex-oficial das Forças Armadas Brasileiras. Por exemplo, em um e-mail do dia 19 de abril de 2001, Mauricio Malverde informa a Reyes: "O juiz Rui Portanova, amigo nosso, nos falou que quer ir aos acampamentos e receber instrução e conhecer a vida das Farc. Pague a viagem dele." Portanova era, então, juiz superior da Corte Estatal do Rio Grande do Sul, de Porto Alegre.

Três dias antes, em 16 de abril, Medina relata a Reyes um encontro entre Raimundo, Pedro Enrique e Celso Brand - ao que parecem, laços das Farc no Brasil – com o brigadeiro Iván Frota, ex-chefe da Força Aérea Brasileira. "O homem se interessou e disse que gostaria de ter um encontro pessoal conosco. Disse que está começando a amadurecer a tomada da base de Alcântara pelas forças nacionais para impedir que os Estados Unidos fiquem com os 600 quilômetros quadrados que estão sob seu domínio."

A pequena amostra dos 85 emails a que a Revista Cambio teve acesso revelam a importância do Brasil na agenda exterior das Farc, manejada por Raul Reyes, e não cabe dúvidas de que "O Cura Camilo", para sustentar a estratégia continental da guerrilha, aproveitou a conjuntura criada pela ascensão de poder de Lula e seu influente Partido dos Trabalhadores para chegar até as mais altas esferas do governo.

E, se os e-mails são apenas indícios de um possível compromisso do governo Lula com as Farc, pois nenhum dos funcionários enviou mensagens pessoais a algum dos membros do grupo guerrilheiro, despertam muitas interrogações que exigem uma resposta do governo brasileiro.

Os contatos das Farc – A expansão das Farc na América Latina não somente incluiu funcionários dos governos da Venezuela e Equador, como também comprometeu a destacados dirigentes, políticos e altos membros do Partido dos Trabalhadores, ao qual o presidente Lula pertence. Além disso, o grupo guerrilheiro manteve contatos com procuradores e juízes do Brasil.


A LISTA DOS CITADOS:
- José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil
- Roberto Amaral, ex-ministro da Ciência
- Erika Kokay, deputada
- Gilberto Carvalho, chefe de Gabinete
- Celso Amorim, chanceler
- Marco A. García, assessor para assuntos internacionais
- Perly Cipriano, subsecretário de Promoção DD.HH.
- Paulo Vanucci, ministro da Secretaria de DD.HH.
- Selvino Heck, assessor presidencial
Publicado pelo Diário do Comércio em 01/08/2008 e originalmente pela revista Cambio (versão on line).
Para maiores informações, recomenda-se acessar o links
http://www.dcomercio.com.br/noticias_online/1097437.htm
http://www.dcomercio.com.br/noticias_online/1097438.htm
http://www.dcomercio.com.br/noticias_online/1097449.htm

quarta-feira, 28 de maio de 2008

As FARC no Brasil: Celso Amorim na Mira

Uma troca de mensagens entre membros das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) revela que a guerrilha esperava ter a proteção da cúpula do governo Lula para evitar a prisão do padre Olivério Medina, seu "embaixador" no Brasil. A mensagem cita o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

Segundo fonte da inteligência colombiana, o texto fazia parte dos arquivos de computador de Raúl Reyes - o dirigente do grupo morto em 1º de março, em ataque da Colômbia em território equatoriano.

No e-mail, datado de 29 de julho de 2005, Medina demonstra estar informado do pedido de captura encaminhado pela Procuradoria da Colômbia à Interpol (polícia internacional).

"Os amigos daqui me advertiram que deveria ficar atento, pois há uma comissão da Procuradoria que tem uma ordem de captura", escreveu. Ele acrescentou que, segundo os mesmos amigos, não deveria se preocupar, pois "a cúpula do governo com apoio de Celso Amorim estavam a par. Eles não apoiariam uma captura por crimes políticos".

O padre guerrilheiro, representante da Comissão Internacional da guerrilha, acabou preso pela Polícia Federal, no dia 24 de agosto de 2005. Em abril do ano passado, ele conseguiu status de refugiado político e foi libertado.

A assessoria de imprensa do Itamaraty negou a existência de qualquer "participação pessoal" do chanceler no caso. "A referência ao ministro no suposto e-mail não faz o menor sentido", afirmou.

Por Claudio Dantas Sequeira, na Folha de São Paulo



Parece que a coisa começou - e não poderia deixar de começar, hora ou outra - a pegar fogo para o esquerdismo tupiniquim: a exemplo de Palocci, dentre tantos outros petistas e pecebistas, agora, é a vez de Celso Amorim - aquele que só criticou as ações das FARC depois que a resolução da OEA condenou a Colômbia pela invasão do território do Equador, na ação que matou o guerrilheiro número 2 das FARC, porém não lhe aplicou sanções duras, como ele defendia - estar na mira dos documentos dos equipamentos de Reyes.

E sim, o "suposto" e-mail, assim como o "suposto" dossiê contra FHC (aliás, tudo que envolve qualquer documentação que prove a "mao invisível" das esquerdas agindo é tratado por eles como "suposto"), existe. A INTERPOL já verificou os dados existentes nos equipamentos recolhidos no acampamento das FARC pela Colômbia e atestou a veracidade de seu conteúdo.

Rafael Correa e Hugo Chávez já tentaram essa mesma tática: desqualificar o conteúdo ali existente, dizendo que a INTERPOL fora paga pelo "império", entre outros impropérios à qualificação daquela polícia internacional.

Já vimos noutro post que a ação das FARC no Brasil não é novidade alguma e que as FARC fazem parte do Foro de São Paulo, que congrega partidos e organizações de esquerda da América Latina, fundado pelo PT, na figura de Lula, e pelo PC Cubano, na figura de Fidel Castro, em 1990.

As FARC (Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia), também conhecidas como Fuerzas Armadas Revolucionárias de Colombia - Ejército del Pueblo (FARC-EP), eram inicialmente apoiadas pela antiga União Soviética e se estabeleceram a partir do início dos anos de 1960 como braço armado do Partido Comunista Colombiano.

No auge dos atentados terroristas, atuava em todo o país chegou a ter mais de 17.000 combatentes bem armados, inclusive mulheres e crianças. Os ataques e seqüestros visam principalmente alvos militares e políticos do país. Calcula-se que atualmente existem cerca de 700 a 800 reféns nas mãos dos bandidos, como a antiga candidata a presidenta da Colômbia, Ingrid Betancourt.

De ligação estreita com narcotraficantes, durante o governo do presidente Andrés Pastrana as FARC se estabeleceram em uma área autônoma no país, a “Farclândia”, de 42.000 km², cedida para "negociações da paz". Foi um erro crucial do governo colombiano, que apenas permitiu que o grupo narcoterrorista se reorganizasse e ampliasse o terror em toda a Colômbia.

Com a ascensão do presidente Álvaro Uribe, as ações militares das Forças Armadas contra as FARC foram sendo ampliadas, com importante participação de militares dos EUA, que fornecem ainda dinheiro e apoio em aeronaves para o combate contra os bandidos vermelhos e o narcotráfico. Após quatro décadas de combate, as FARC estão sendo empurradas de volta para as florestas, de onde se originaram, com sua organização "quebrada", segundo afirmação de Nelly Avila.

Foi numa dessas ações que morreu Raúl Reyes, em ataque nas matas do Equador, em região de fronteira, o que levou este país a quase entrar em guerra com a Colômbia, insuflado pelo candidato a tiranete da Venezuela, Hugo Chávez. Naquela ocasião, Lula chamou Chávez de "o pacificador".

Junto com o ELN, as FARC, que já ocasionaram a morte de cerca de 40.000 pessoas na Colômbia, chegaram a ter 6.000 menores de 18 anos e 2.000 menores de 15 anos, ocasião em que, de cada 10 subversivos mortos, 4 eram menores de idade. Até o início do ano 2000, as FARC já haviam matado 70 pastores evangélicos e, segundo seu então porta-voz, Mono Jojoy, pretendiam matar ainda todos os outros.

Olivério Medina, um ex-padre e agora militante das FARC, foi preso em Foz do Iguaçu em 22 de setembro de 2000, mas logo foi libertado, por causa dos protestos de representantes do Movimento Tortura Nunca Mais (Vitória Grabois), do ressuscitado PCB (Zuleide Faria de Mello), do MST (Anselmo Joaquim), da CUT (Antônio Carlos de Carvalho) e da UNE (Vladimir Morcilo), entre outros.

Em julho de 2006, o Comitê Nacional para Refugiados (Conare), órgão vinculado ao Ministério da Justiça, decidiu conceder a Olivério Medina, o status de refugiado político. O governo colombiano pediu que a decisão fosse revista e o pedido de extradição foi reiterado, mas os advogados do colombiano sustentaram que ele corria risco de morte se fosse entregue às autoridades do país. Vários partidos políticos do Brasil criaram um movimento pela libertação de Medina, que assumiu em carta, o compromisso de afastar-se do conflito político da Colômbia. No dia 21 de março de 2007, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu arquivar o pedido de extradição do governo colombiano. Os ministros entenderam que a decisão do governo brasileiro de conceder status de refugiado ao acusado, impedia o prosseguimento do processo. Foi uma decisão política e não técnica.

Em tempo: o único risco de morte que Medina corria é através das prórpias FARC, já que o governo de Uribe tem negociado com vários guerrilheiros sua rendição, garantindo-lhes a vida e o perdão.

O PT chegou a desmentir os vínculos com as Farc, mas solidarizou-se com a guerrilha como ficou claro na Resolução número 9 do X Foro de São Paulo, de 7 de dezembro de 2001.

O documento condena a repressão à guerrilha por parte do governo colombiano classificando-a como "terrorismo de Estado" e "verdadeiro plano de guerra contra o povo".

Desta forma, a assembléia decidiu: "Ratificar a legitimidade, justeza e necessidade da luta das organizações colombianas e solidarizar-nos com elas.
"Trata-se de uma promessa de solidariedade que poucos meses depois, por temores eleitorais foi negada pelo PT. O texto é assinado por representantes de 39 organizações, entre as quais o Partido dos Trabalhadores.

A principal fachada das Farc, hoje, é a CCB — ou Coordinadora Continental Bolivariana. Olivério Medina, ainda segundo o El Tiempo, é peça graúda. Ele integrava o comando da CCB em companhia de Raúl Reyes, o terrorista pançudo morto no Equador, e de Orlay Jurado Palomino, ou "Hermes", que está na Venezuela.