quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Revista Câmbio - O Dossiê Brasil

O entardecer do sábado de 19 de julho, na fazenda Hatogrande, a casa presidencial ao norte de Bogotá, o presidente colombiano Álvaro Uribe, sorridente e despreocupado, como poucas vezes, não teve dúvidas em oferecer a seu colega brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, um copo de aguardente antioqueño para mitigar o frio que perfurava os ossos.

O copo selou a primeira parte da intensa jornada que tinha começado na sexta-feira, dia 18 de julho, e que terminaria no domingo com a celebração do Dia da Independência colombiana. Uma celebração que, como nunca, reuniu artistas do nível de Shakira e a qual participou também o presidente peruano Alan Garcia.

A agenda de Lula e Uribe, ao redor dos acordos bilaterais, foi condimentada com muitos elogios públicos. O presidente Uribe agradeceu a Lula e a seu governo de seis anos pelas relações dinâmicas e de confiança. No entanto, em uma reunião particular que mantiveram com pouquíssimas testemunhas, Uribe fez a Lula um breve resumo sobre uma série de arquivos que as autoridades colombianas encontraram nos computadores de Raúl Reyes que comprometia cidadãos e funcionários de seu governo com as Farc.

Diferente do que aconteceu com a informação relacionada aos servidores públicos do governo de Rafael Correa e cidadãos equatorianos, que o governo tornou pública, no caso do Brasil as instruções do presidente colombiano foram de mantê-las reservadas e manejá-las diplomaticamente para não deteriorar as relações comerciais e de cooperação com o governo de Lula.

O governo colombiano usou de forma seletiva os arquivos do computador pessoal de Raúl Reyes. Enquanto com o Equador e a Venezuela foram usados para colocar em proibição Chávez e Correa, hostis com Uribe, com o Brasil foi manipulado por debaixo da mesa para não comprometer Lula, que se mostrou mais hábil e menos belicoso com a Colômbia que seus outros colegas.

Ainda assim, alguns meios brasileiros tinham informação parcial sobre uns poucos arquivos e, por isso, no dia 27 de julho consultaram o ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, que em uma entrevista do jornal "O Estado de S. Paulo" confirmou que o governo colombiano havia informado Lula sobre o tema.
"Há uma série de informações de conexões que entregamos ao governo brasileiro para que possa atuar como considerar mais apropriado", disse Santos, que se absteve de comentar se havia ou não políticos e funcionários oficiais com relações com o grupo que hoje é encabeçado por Alfonso Cano. Às declarações do ministro, o assessor de política internacional do Brasil, Marco Aurélio Garcia, respondeu de forma imediata e qualificou como irrelevantes os dados fornecidos pela Colômbia.

Cura Camilo – Não se sabe com exatidão e o quão detalhada foi a informação que o presidente colombiano Uribe deu a Lula, mas o que poderia ser chamado de "dossiê brasileiro" teria implicações mais sérias que as derivadas da informação relacionada com Venezuela e Equador.

A revista Cambio teve acesso a 85 mensagens eletrônicas que, entre fevereiro de 1999 e fevereiro de 2008, circularam entre Tirofijo, Raúl Reyes, o Mono Jojoy, Oliverio Medina – delegado das Farc no Brasil – e de homens identificados como Hermes e José Luís.

A julgar pelo conteúdo das mensagens, a presença das Farc no Brasil chegou às mais altas esferas do governo Lula, o Partido dos Trabalhadores (PT), a diligência política e a administração de Justiça. Neles, são mencionados cinco ministros, um procurador-geral, um assessor especial do presidente Lula, um vice-ministro, cinco deputados, um conselheiro e um juiz superior.

A personagem central das mensagens eletrônicas é Oliverio Medina, também conhecido como "Cura Camilo", um sacerdote que ingressou nas Farc em 1983 e que teve uma rápida ascensão até tornar-se secretário de Tirofijo. Chegou ao Brasil como delegado especial das Farc em 1997 e esteve na Colômbia durante o processo da zona de Caguán, em que foi chefe de imprensa do grupo.

Por trás da ruptura das conversações em fevereiro de 2002, regressou ao Brasil, onde continuou sua missão, e sua influência chegou até altos níveis da administração Lula, que assumiu o cargo em janeiro de 2003. Mas graças à pressão das autoridades colombianas, foi capturado em agosto de 2005. A Colômbia pediu sua extradição, mas o Supremo Tribunal Federal, de Brasília, não somente a negou, em 22 de março de 2007, como reconheceu Medina como refugiado político.

Até o Curubito – O cárcere não foi obstáculo para que "O Cura Camilo" suspendesse seu trabalho proselitista e propagandista. Prova disso são as numerosas mensagens que ele enviou a Reyes e que mostraram como conseguiu chegar até a cúpula do governo brasileiro.

Quatro das mensagens às que a Revista Cambio teve acesso se referem ao presidente Lula. Em uma delas, de 17 de julho de 2004, Raúl Reyes disse a Trofijo que o governo Lula ajudaria com o acordo humanitário: "Os curas me enviaram uma carta pedindo entrevista com eles do Brasil", escreveu Reyes. Segundo dizem, falaram com Lula e ele assumiu o compromisso de ajudar no acordo humanitário, intercedendo com Uribe para efetuar uma reunião no Brasil.

Na segunda mensagem, do dia 25 de setembro de 2006, Oliverio Medina conta a Reyes: "Não lhe disse que faz alguns dias que Lula chamou o ministro Pablo Vanucchi [ministro da Secretaria Nacional de DD. HH.], indicando-lhe que telefonara para o advogado Ulises Riedel e o felicitara pelo êxito jurídico em sua brilhante defesa a favor de meu refúgio."

No terceiro e-mail, com data de 23 de dezembro de 2006, Medina informa a Reyes que "a Lula e a um de seus assessores que nos ajudaram, enviei o pôster de Aguinaldo." Os funcionários são Silvino Heck, assessor especial do presidente Lula, e Gilberto Carvalho, chefe de Gabinete, que aparecem mencionados em uma mensagem eletrônica de 23 de fevereiro de 2007, também dirigida a Reyes: "É possível que me visite um assessor de Lula chamado Silvio Heck, que, com Gilberto Carvalho, foi outro que nos ajudou bastante."

Entre os 85 e-mails a que a revista Cambio teve acesso, há um sem data, também enviado por Medina a Reyes, que diz: "Falei com a deputada federal Maria José Maminha. Combinamos que ele vai abrir caminho rumo ao presidente via Marco Aurélio Garcia." Garcia é secretário de assuntos internacionais.

Não menos comprometedoras são aquelas mensagens em que aparecem mencionados alguns ministros. Em uma delas, dirigida a Reyes o dia 4 de junho de 2005 por um tal de José Luis, figura o nome do ministro da Previdência, José Dirceu. "Chegou um jovem de uns 30 anos e se apresentou como Breno Altman (dirigente do PT) e me disse que vinha da parte do ministro da Previdência José Dirceu, que, por motivos de segurança, eles haviam acordado que as relações não passariam pela Secretaria de Relações Internacionais, senão que fizeram diretamente por meio do ministro com a representação de Breno."

Ao final da mensagem, José Luis disse que o governo brasileiro e o PT dariam proteção a Medina enquanto avança o trâmite da extradição: "Perguntei se poderíamos estar tranqüilos, que não iriam seqüestrá-lo ou deportá-lo para a Colômbia e ele me respondeu: ' Podem ficar tranqüilos' ". Em uma mensagem do dia 24 de junho de 2004, Reyes comenta com Media sobre a possível saída de José Dirceu do Gabinete e lhe disse: "Com certeza, esta medida em proveito dos detratores de Lula pode afetar a incipiente abertura das relações que eles têm conosco."

Amorim – As Farc também tentaram chegar ao escritório do Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Em uma mensagem do dia 22 de fevereiro de 2004, José Luis escreve a Reyes: "Por intermédio do legendário líder do PT, Plínio Arruda Sampaio, chegamos a Celso Amorim, atual ministro de Relações Exteriores. Plínio nos mandou falar para Albertao (conselheiro de Guarulhos) que o ministro está disposto a nos receber. Que assim que tiver espaço em sua agenda, nos receberá em Brasília."

O procurador e o juiz – O embaixador das Farc fez tão bem seu trabalho que também conseguiu chegar até o procurador Luis Francisco de Souza, que é mencionado em uma extensa mensagem eletrônica do dia 22 de agosto de 2004, que Medina e José Luis enviaram a Reyes e a Rodrigo Granda: "Ele deu o seguinte conselho: andar com uma máquina fotográfica e, se possível, com um gravador para em caso de voltar a parar um agente de informação, fotografá-lo e gravá-lo, tendo o cuidado de não deixar que ele pegue a câmera e o gravador. Que em relação ao que aconteceu, façamos uma denúncia dirigida a ele como Procurador para fazê-la chegar ao chefe da Polícia Federal e à Agência Brasileira de Informação."

Algumas mensagens foram escritas durante o processo da zona de Caguán e envolvem um prestigiado juiz e um alto ex-oficial das Forças Armadas Brasileiras. Por exemplo, em um e-mail do dia 19 de abril de 2001, Mauricio Malverde informa a Reyes: "O juiz Rui Portanova, amigo nosso, nos falou que quer ir aos acampamentos e receber instrução e conhecer a vida das Farc. Pague a viagem dele." Portanova era, então, juiz superior da Corte Estatal do Rio Grande do Sul, de Porto Alegre.

Três dias antes, em 16 de abril, Medina relata a Reyes um encontro entre Raimundo, Pedro Enrique e Celso Brand - ao que parecem, laços das Farc no Brasil – com o brigadeiro Iván Frota, ex-chefe da Força Aérea Brasileira. "O homem se interessou e disse que gostaria de ter um encontro pessoal conosco. Disse que está começando a amadurecer a tomada da base de Alcântara pelas forças nacionais para impedir que os Estados Unidos fiquem com os 600 quilômetros quadrados que estão sob seu domínio."

A pequena amostra dos 85 emails a que a Revista Cambio teve acesso revelam a importância do Brasil na agenda exterior das Farc, manejada por Raul Reyes, e não cabe dúvidas de que "O Cura Camilo", para sustentar a estratégia continental da guerrilha, aproveitou a conjuntura criada pela ascensão de poder de Lula e seu influente Partido dos Trabalhadores para chegar até as mais altas esferas do governo.

E, se os e-mails são apenas indícios de um possível compromisso do governo Lula com as Farc, pois nenhum dos funcionários enviou mensagens pessoais a algum dos membros do grupo guerrilheiro, despertam muitas interrogações que exigem uma resposta do governo brasileiro.

Os contatos das Farc – A expansão das Farc na América Latina não somente incluiu funcionários dos governos da Venezuela e Equador, como também comprometeu a destacados dirigentes, políticos e altos membros do Partido dos Trabalhadores, ao qual o presidente Lula pertence. Além disso, o grupo guerrilheiro manteve contatos com procuradores e juízes do Brasil.


A LISTA DOS CITADOS:
- José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil
- Roberto Amaral, ex-ministro da Ciência
- Erika Kokay, deputada
- Gilberto Carvalho, chefe de Gabinete
- Celso Amorim, chanceler
- Marco A. García, assessor para assuntos internacionais
- Perly Cipriano, subsecretário de Promoção DD.HH.
- Paulo Vanucci, ministro da Secretaria de DD.HH.
- Selvino Heck, assessor presidencial
Publicado pelo Diário do Comércio em 01/08/2008 e originalmente pela revista Cambio (versão on line).
Para maiores informações, recomenda-se acessar o links
http://www.dcomercio.com.br/noticias_online/1097437.htm
http://www.dcomercio.com.br/noticias_online/1097438.htm
http://www.dcomercio.com.br/noticias_online/1097449.htm

A Lei da Anistia e as Três Mentiras

Uma das falácias mais bem-urdidas pelas esquerdas é a de que os atos terroristas cometidos durante o regime militar eram a única forma de contestação política num ambiente sufocado pela ditadura. Trata-se de uma mentira histórica, de uma mentira política e de uma mentira moral, a que só se pode aderir ou por alinhamento ideológico ou por falta de bibliografia específica.

Mentira histórica
A mentira é história porque a decisão de certas correntes de partir para a luta armada antecede em muito a decretação do AI-5, em dezembro de 1968. Pior ainda: antecede o próprio golpe militar de 1964. Vale dizer: correntes de esquerda discutiam abertamente a luta armada como opção para chegar ao poder, embaladas pela revolução cubana, embora o país fosse uma democracia. Mais: João Goulart havia levado a subversão para dentro do governo. E notem: sei que a palavra “subversão” deixa muita gente indignada. Não me refiro necessariamente à pauta da esquerda, não. Refiro-me ao desrespeito às regras do estado democrático e de direito que garantiam a legitimidade do próprio Jango.

Ora, quem rompe com as regras que garantem a sua própria legitimidade está ou não está se expondo a um golpe? Está ou não está abrindo o caminho para que outros o façam - e com pauta própria? Não são pequenas, aliás, as evidências de que Jango preparava o autogolpe. Seja como for, a Presidência da República optou pela desordem. Isso justifica o golpe? A pergunta está errada. Isso explica o golpe. O primeiro dever de um democrata é preservar as leis que garantem o seu poder e a sua legitimidade, elegendo o foro adequado para mudá-las: o Congresso. E nem ao Congresso é dado todo o poder, já que ele também não pode extinguir a base legal que o sustenta. Leis nascem de pactos. Mas, no estado de direito, já disse um jurista de primeiro time, nenhum Poder é soberano - ou se joga Montesquieu no lixo. "Mas a gente não pode jogar Montesquieu no lixo?" Pode, claro. É preciso ver o que se vai pôr no lugar.

Mentira política
Os remanescentes do esquerdismo revanchista agem como se forças absolutas, essencialmente puras - o Bem de um lado e o Mal de outro - tivessem quebrado lanças durante o regime militar, com a vitória temporária do Mal, para que o Bem pudesse, finalmente, triunfar.

Não há um só documento, um miserável que seja, produzido pelas esquerdas antes ou depois do golpe, que evidencie que elas faziam a defesa da democracia. Ao contrário, sob a inspiração marxista, e leninista em particular, a democracia era vista apenas como uma trapaça, uma forma de a burguesia e de o imperialismo imporem a sua vontade por meio de instituições fajutas. Lamento dizer: é o que pensam, até hoje, algumas correntes do PT e alguns partidos que se dizem comunistas.

Será que se trata apenas de "algumas correntes do PT?" Não acreditem em mim quando falo deles; acredite neles quando falam de si mesmos. No vídeo convocatório para o seu Terceiro Congresso, ocorrido no fim de agosto do ano passado, o partido diz com todas as letras:

"Para extinguir o capitalismo e iniciar a construção do socialismo, é necessário realizar uma mudança política radical. Os trabalhadores precisam transformar-se em classe hegemônica e dominante no poder de estado. Não há qualquer exemplo histórico de uma classe que tenha transformado a sociedade sem colocar o poder político de estado a seu serviço". E mais adiante: "Não basta chegar ao governo para mudar a sociedade. É preciso mudar a sociedade para chegar ao governo."

O vídeo está
aqui. Ora, eu sei que eles não conseguiriam reconstruir um estado soviético nem que quisessem. Mas podem muito bem corromper a democracia, como estão fazendo com seu arremedo de estado policial.

Então não venham me dizer que a opção pelo terrorismo e pela luta armada, durante o regime militar, era o caminho possível para reagir à falta de democracia porque, de fato, não queriam democracia nenhuma - como fica evidente nos remanescentes daquelas batalhas, que não a querem até hoje. A sua "democracia" corresponde ao que eles chamam, apelando a Gramsci, de construção da "hegemonia". De novo: não se trata de uma hegemonia ao velho estilo. O que procuram é tornar irrelevante o processo de alternância de poder por meio do domínio das instituições do estado. Não sou eu que os acuso disso. Eles é que o confessam.

Pré e pós-64, até o esmagamento das forças terroristas, ambicionavam o poder pela luta armada - e a democracia que se danasse. Depois da redemocratização, lutam pelo controle absoluto da burocracia do estado, usando como esbirros os tais movimentos sociais - e a democracia que se dane de novo.

Mentira moral
O vitimismo de que se fazem caudatários é uma mentira moral porque pretendem que o horror da tortura era mais condenável do que o horror do terrorismo: seqüestros, assassinatos, justiçamentos. Um torturador vagabundo que submeteu um prisioneiro a sevícias não nos livrou do comunismo e ainda corrompeu a luta de quem a ele se opunha com dignidade. Mas e o coronel da PM que teve a cabeça esmagada a coronhadas por esquerdistas? Lustra "atos revolucionários"? Temo que sim. Na verdade, tenho a certeza de que, para eles, sim. Porque aquelas esquerdas, afinal de contas, nunca se opuseram à tortura nos estados comunistas. E as remanescentes, vejam que curioso, jamais criticaram o regime cubano pela tortura de presos políticos. Pior do que isso: aplaudiram Fidel Castro quando executou três prisioneiros sem direito de defesa. Crime: tentaram fugir de Cuba. O facinoroso, aliás, é 2.700 vezes mais assassino, já provei aqui, do que os ditadores brasileiros.

Isso justifica moralmente os torturadores nativos? Não! Mas o país encontrou um caminho para sair daquela cilada: a Lei da Anistia, que decidiu ignorar os execráveis excessos de todos os porões: os do regime e dos das esquerdas. Foi uma escolha política. Inicialmente, de fato, foi negociada por um Congresso ainda não plenamente livre. Mas, depois, na prática, foi adotada pela sociedade e, de fato, no que concerne à política, pacificou o país. De tal modo passamos a encarar a democracia como um imperativo, que, três anos depois da primeira eleição direta para presidente pós-ditadura, depôs-se o eleito. E sem crise de qualquer natureza.

Mas a mentira moral não se esgota no conteúdo ideológico do que pretendiam - ou pretendem - as esquerdas. Aceitar que o terrorismo era a única forma de luta contra a ditadura implica supor que a ação pacífica para depor o regime era uma tolice, uma inutilidade ou um capricho. E, claro, tal versão é uma indignidade. O que preparou o terreno para a volta da democracia foi a resistência pacífica dos que aqui ficaram e daqueles que, não podendo voltar ao país, endossaram a boa conspiração dos pequenos atos que foram fraturando o regime - finalmente quebrado sob os auspícios de uma crise econômica.

Mistificadores e ignorantes adoram afirmar que devemos as liberdades que temos ao sangue das vítimas que tombaram... MENTIRA!!! Lamento pelas vítimas que tombaram de um e de outro lados. Lamento por aqueles que foram submetidos a sevícias depois de presos - como ocorre hoje, habitualmente, nas cadeias brasileiras, sem que Paulo Vannuchi ou Tarso Genro soltem um pio -, mas não devemos as nossas liberdades aos mortos ou torturados do PC do B, aos mortos ou torturados da ALN; aos mortos ou torturados do MR-8. Se essa gente tivesse vencido, nós lhe deveríamos, isto sim, é o paredão. Devemos a nossa liberdade a gente como Ulysses Guimarães, como Alencar Furtado, como Franco Montoro, como Mário Covas, como Fernando Henrique Cardoso. Ah, sim, como Petrônio Portella, vindo lá da ditadura. E, acreditem, até como Golbery do Couto e Silva.

Aos terroristas mortos ou vivos? Não devemos nada! Assim como não devemos aos torturadores a derrota do comunismo. Devemos às esquerdas, isto sim, a mentira, ainda em curso, de que elas queriam o nosso bem, o que dá a seus herdeiros políticos licença para trapacear, para roubar, para mentir. Tudo em nome de um novo amanhã.

Não deixem que prospere a falácia.

por Reinaldo Azevedo, na no seu blog

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Chifre em Cabeça de Cavalo - ou A Volta de Eliane Esquerdanhede

Não bastasse a bobagem escrita por Eliane Castanhede em sua coluna na Folha On-Line, que reproduzi no post anterior, em 05/08/2008 ela ataca novamente. Eis o que nos fala a "jornalista" - e, para respondê-la, um vermelho (Eliane), azul (Reinaldo Azevedo) e púrpura com negrito(Yara Chiara):

Alfredo Stroessner foi ditador do Paraguai de 1954 a 1989 e não era flor que se cheirasse -que o digam suas vítimas e descendentes. Mas, ao ser chutado do poder, veio parar no Brasil, instalado cômoda e tranqüilamente na capital da República como exilado político, até morrer em 2006 de morte morrida, aos 93 anos de idade.Isso não significa que o governo brasileiro financiasse o terror paraguaio, nem articulasse um golpe no país vizinho, nem... nem coisa nenhuma. Apenas concedeu-lhe um direito internacionalmente reconhecido: o asilo político.
Xiii... Eliane não conhece a história das Farc e acaba de obscurecer também a do Paraguai. Stroessner, de fato, ficou no Brasil: sob o compromisso de que não se envolveria em questões políticas brasileiras ou paraguaias. E não se envolveu. Olivério Medina, ao contrário, é DIRIGENTE DAS FARC, Eliane Cantanhêde. Tenha você a opinião que tiver, pare de ficar desinformando os leitores, criatura. O “Cura Camilo” é um dos membros da Coordinadora Continental Bolivariana (CCB), que é o braço internacional do terrorismo. E os e-mails provam que ele desrespeita a legislação brasileira. Ademais, Stroessner não poderia mesmo financiar o terror paraguaio pela simples e óbvia razão de que não havia terror paraguaio... O único terror paraguaio conhecido, de efeitos devastadores, é o uísque.

O ditador paraguaio era chefe do Estado do Paraguai. Era, portanto, um político. Ao sofrer um golpe, podia, legitimamente, buscar asilo político no Brasil, desde que não cometesse ilícitos que fossem puníveis no Brasil ou/e no Paraguai.
Medina nunca fez parte de uma partido político, não tem assento no Congresso nem comanda a nação: ele é dirigente de um grupo cujas ações principais são o seqüestro e o tráfico de droga. Ele é dirigente de um grupo criminoso que não tem reivindicações políticas legítimas nem representatividade junto à população colombiana, que repudia as FARC com unanimidade.
Não se trata, portanto, Eliane, de uma questão política, mas criminal, penal: ele cometeu lá crimes que são puníveis no Brasil e na Colômbia, ambos estados soberanos e democráticos que assinaram tratados em que se comprometem a punir dados delitos, independentemente da nacionalidade do perpetrador. Em sua política externa, segundo a Constituição Federal, o Brasil se pauta pelo respeito à autodeterminação dos povos — isto é, neste caso, respeito à vontade da população colombiana, representada por um Estado Democrático —, à soberania e aos direitos humanos.
O Brasil, por mandamento constitucional, tem obrigação de repudiar o terrorismo, a violação dos direitos humanos e respeitar a soberania do estado Colombiano.
As FARC seqüestram e traficam drogas: são um grupo terrorista.
Do que se conclui:
a) O Brasil deveria ou processar Medina pelos crimes de "jurisdição universal", isto é, crimes que o Brasil é obrigado a punir, independentemente da nacionalidade do perpetrador;
b) Ou devolver Medina para a Colômbia, onde ele responde por crimes puníveis no Brasil também e no contexto do devido processo legal, consagrado pela legislação brasileira.
Abrigar este sujeito é um acinte à Constituição Federal e ao povo colombiano. Ele não tem nenhum direito internacionalmente reconhecido porque não tem representatividade política alguma: é um bandido que deve ser preso onde quer que se encontre.
Entendeu, Eliane?
São regras básicas do Código Penal e de Processo Penal — aliás, no que se referem à aplicação das leis no espaço (extraterritorialidade).
c) O que é inaceitável é o Brasil ignorar a população colombiana, cuja autodeterminação se dá através do Estado Democrático da Colômbia, e negociar com um grupo terrorista. Isso significa jogar a Constituição Federal no lixo, Eliane.
Caso você não os aceite, Eliane, não há debate, mas, a meu ver, e sinto muito, querida, apenas desrespeito à população colombiana e aos fundamentos da Constituição Federal do Brasil.
Por favor. Reflita sobre isso caso venha a ler. Nem falo de e-mails ou Foro de São Paulo, algo que faço em outra ocasião.Trata-se das preliminares sem as quais o debate não faz sentido, ou faz apenas um sentido macabro.


Agora, há um deus-nos-acuda porque o Brasil acolhe o cidadão colombiano Olivério Medina, ex-padre que se apresenta como "embaixador" das Farc e cuja mulher, uma brasileira, trabalha no Ministério da Pesca. Entonces, pergunta-se: 1) o país que acolheu Stroessner por 17 anos não pode fazê-lo com Medina por quê? 2) nem ele nem sua mulher podem trabalhar e devem morrer de fome?
Como Eliane é singela! Despertou em mim a vontade de levar uma marmita para Angela Slongo, a mulher do terrorista. Olivério Medina não é um “cidadão colombiano”: é um homem processado por terrorismo em seu país e que, no Brasil, como provam os e-mails, continua vinculado ao terror. Não! O país que acolheu Stroessner há 17 anos não pode acolher Medina se ele vier, como veio, na condição de emissário de um grupo armado. Eliane quer enganar-se ou quer enganar os leitores? O ex-ditador paraguaio aqui chegou porque, como ela disse muito bem, foi chutado do Paraguai. Não estava no Brasil para conspirar contra o seu país de origem, com o qual mantemos relações diplomáticas. Medina aqui está, como ele próprio revelou, para conseguir o passaporte brasileiro e ganhar mobilidade. Para quê? Para fazer o que as Farc fazem: traficar, seqüestrar, matar.Quanto ao casal morrer de fome... Confesso-me comovido. De fato, se a mulher de um terrorista não trabalhar no governo, vai trabalhar onde, não é mesmo? Coitada! Morre de fome! E o detalhe que torna tudo mais encantador: ela defende a pesca brasileira em... Brasília!!! Os únicos peixes fartos em Brasília são tubarão — no Congresso — e piranha ali nos arredores da rodoviária.
O que o terrorista faz, eu não sei. Pelo visto, Eliane acha que ele também mereceria um carguinho público.


Essa discussão está fora de controle.
Não. Há algo fora de controle, mas não é a discussão...

A crítica que se deve fazer ao governo Lula é outra, por ter sido tão rápido e tão eficiente ao entregar os dois boxeadores cubanos de bandeja (ou melhor, de avião venezuelano) para o regime nada amistoso de Fidel Castro. Não por dar a Medina um status de asilado.
Huuummm... Calma, Eliane. Respire.Quem deu a Medina o status de refugiado nem foi o governo, mas o STF — com o apoio do Planalto. De resto, todos aqueles que agora censuram as folias dos petistas com as Farc também criticaram Tarso Genro por ter entregado os boxeadores ao facinoroso cubano — aqui, então, nem se diga. Fui o primeiro, o que uma pesquisa na Internet pode comprovar. Mas o que uma coisa tem a ver com outra? Alguém, por acaso, elogiou o comportamento do governo naquele caso?

É como os e-mails das Farc citando brasileiros: isso não prova nada, muito menos participação na guerrilha, em contrabando de armas e cocaína, exportação de revoluções e articulações para derrubar Uribe.
Só faltava haver gente no governo brasileiro diretamente envolvida com todos esses crimes — incluindo o que seria uma declaração de guerra: tentar derrubar o presidente de um outro país. Estou um pouco espantado com o texto de Eliane. Só pode ser desespero de quem embarcou numa canoa furada e se pega sem argumentos. ATÉ PORQUE ELA DEVERIA SER MAIS CAUTELOSA. Nem mesmo sabe se os 85 e-mail reúnem tudo o que se tem sobre o Brasil... Intuo que não.Se, no entanto, Eliane estiver se referindo a Medina, a coisa muda de figura. Ele é dirigente das Farc e da CBR — logo, está envolvido, SIM, com o terrorismo, o contrabando de armas, a produção e a venda de cocaína, os campos de concentração e os assassinatos.

Estamos carecas de saber das antigas ligações de setores da esquerda brasileira com as Farc, mas as Farc mudaram, o PT mudou, a turma do Planalto está feliz da vida com o poder.
Não! Eu, infelizmente, estou careca. Eliane continua loura. Não me consta que ela tenha perdido cabelos escrevendo sobre as vinculações de petistas com as Farc. E que historia é essa de que elas mudaram? Não ao mesmos desde que o PT existe. As ligações do grupo com o narcotráfico já caminham para três décadas. Quando Lula e Marco Aurélio Garcia fundaram o Foro de S. Paulo junto com aqueles bandoleiros, sabiam muito bem a que atividade eles se dedicavam. Há membros no Diretório Nacional do PT que fazem a defesa escancarada dos narcoterroristas — e, por incrível que pareça, o governo brasileiro não aceita o que um dirigente da organização já admitiu em entrevista à própria Folha: sim, eles se dedicam ao tráfico de drogas. Mesmo assim, o Brasil sempre preferiu se declarar “neutro” quanto ao real caráter das Farc.Dizer que o PT mudou, lamento dizer, é não conhecer nem o PT de antes nem o PT de agora. Os petistas nunca foram partidários da luta armada. Suas escolhas para desmoralizar a democracia sempre obedeceram a uma outra receita. Não vou tratar disso aqui porque seria me alongar demais — até porque tenho tratado disso há muito tempo.

Ninguém mais fala em reformas, quanto mais em revolução em país alheio!
Huuummm... Que revolução em país alheio??? Quando é que alguém acusou o governo brasileiro de estar promovendo revolução na Colômbia? Que tática é esta de negar o que ninguém afirma? Mas esta única linha chega a ser involuntariamente engraçada porque:- nenhum crítico das Farc as considera revolucionárias; são terroristas;- afirmar que “ninguém mais fala em reformas, quanto mais em revolução” trai a idéia estúpida de que a reforma é um degrau inferior da revolução. Há momentos em que a falta de formação política faz... falta!!! A reforma, Eliane, é, acredite, a contradição da revolução. Mais não explico. Aí só em livro.

No máximo, pode-se falar em saídas negociadas entre Uribe e Farc, para evitar um mar de sangue.
Como eu suspeitava, é uma coluna inspirada pelas teses de Marco Aurélio Top Top Garcia. Que saída negociada? Surtou? São cinco mil terroristas contra 45 milhões de colombianos. A cúpula da guerrilha foi liquidada. Seus espaços são cada vez menores. A única “negociação” se dá para libertar os reféns. Não há que se falar em “saída negociada” porque não há impasse. A democracia colombiana venceu: contra a vontade da Venezuela, do Equador e do Brasil, que tentou esmagar diplomaticamente a Colômbia e dá abrigo a um dirigente terrorista. Mais do que isso: dá emprego à sua mulher — ou a coitadinha morre de fome...

E daí? Com tantos problemas reais, é pouco para a gente ficar botando chifre em cabeça de cavalo.
Eliane acha pouco que autoridades brasileiras tenham sido flagradas em negociações com um grupo que mata, que seqüestra e que mantém centenas de pessoas em campos de concentração. Acha que isso é buscar chifre em cabeça de cavalo. O clichê, como todo clichê, só desinforma. Se preciso, chama touro de cavalo só para lhes esconder os chifres...Eliane, nessa historia, lembra Franklin Martins, ainda fora do governo — mas já bastante dentro —, a negar a existência do mensalão.


Para melhorar a situação - ou, ao menos, não piorá-la -, Bárbara Gancia acordou do sonho esquerdista. Em 01/08/2008, escreveu na mesma Folha de São Paulo:

MEA culpa, mea culpa... Eu achava que o jornalista, filósofo e escritor Olavo de Carvalho fosse um tarado delirante. Não que eu não respeite sua inteligência, o cara é simplesmente brilhante. Mas a obsessão que ele tem em apontar, lá da Virgínia, onde mora, comunistas comedores de criancinhas em todas as esquinas do Brasil sempre me causou um certo desconforto.

Depois da queda do Muro de Berlim, pensava esta imbecil que vos fala, a esquerda caiu na real e o próprio PT entendeu de uma vez por todas que o eleitor brasileiro não é afeito a radicalismos. Que a grande maioria das pessoas não pretende resolver o problema da distribuição de renda ateando fogo aos ônibus da periferia ou incitando a guerra no campo.

Há anos, Olavo de Carvalho vem batendo na tecla do Foro de São Paulo e, há anos, eu venho dizendo que ele não passa de um alarmista. Que não tem nada de mais o ex-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Luiz Dulci, ou o assessor especial do presidente Lula, Marco Aurélio Garcia, sentirem vontade de rever velhos amigos tupamaros, sandinistas ou, sei lá, do Sendero Luminoso, duas vezinhas ao ano, em confraternização que reúne a esquerda moribunda da América Latina e do Caribe.

Afinal, o mundo mudou, não é mesmo? O que os caras podem estar tramando, se reorganizarem num ente político-partidário para reviver ideais marxistas? Montar uma guerrilha no quintal? Voltar à clandestinidade levando o Genoino? Todas as vezes em que vi Olavo de Carvalho alertar sobre o Foro de São Paulo e dizer que a turma que lá se reúne tinha segundas intenções, e que eles mentiam deslavadamente quando negavam a que vinham, eu achava que fosse alguma forma de senilidade precoce sua, um cacoete de quem está fora do país há tempo demais e não percebe que, aqui na terrinha, a democracia prevaleceu e se consolidou.

Pois, a julgar pela extensa reportagem publicada na revista colombiana "Cambio", sobre o envolvimento de autoridades petistas com as Farc, Olavo de Carvalho esteve certo todos esses anos.

Pensando bem, como pude ser tão tola? Só porque agora aluga todos os vôos disponíveis de jatinho no país, não quer dizer que José Dirceu tenha virado um John Maynard Keynes, não é mesmo? Pelo que a gente sabe, ele continua a chorar emocionado a cada vez que pisa em Cuba. E não é preciso ser nenhum gênio da lâmpada para saber que Marco Aurélio Garcia, o ex-ministro Roberto Amaral (aquele termocéfalo que fez uma trapalhada atrás da outra quando passou pelo Ministério da Ciência e Tecnologia) e o ministro Celso "Doha-a-Quem-Doer" Amorim (por falar em trapalhada...) também não mudaram de lado da noite para o dia, né não? Assim como Olavo de Carvalho, Lula também sabia o que estava acontecendo. Mesmo que seu chefe-de-gabinete, Gilberto Carvalho, não tenha lhe fornecido detalhes da proximidade que ele e seus colegas mantinham com os guerrilheiros das Farc, diz a "Cambio" que Álvaro Uribe se encarregou de contar tudo ao presidente no encontro que os dois tiveram no dia 19 de julho.

Alô, presidente Lula! Agora que a vaca foi pro brejo, o que eu quero mesmo saber é: o dinheiro das Farc acaba indo parar na mão do PCC?

A Dura Vida das Esquerdas II

A presença das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) no Brasil "chegou até as mais altas esferas" do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao Partido dos Trabalhadores (PT), aos líderes políticos brasileiros e ao Poder Judiciário, publicou nesta quinta-feira a revista colombiana "Cambio".

No último dia 5, a Folha de S. Paulo publicou uma reportagem afirmando que as Farc haviam buscado diálogo com o governo brasileiro (a
reportagem está disponível somente para assinantes do jornal e do Uol).

A conclusão foi tirada de supostos e-mails encontrados no computador do ex-porta-voz internacional das Farc Raúl Reyes, afirma a última edição da revista, que entrou em circulação hoje.
Leia a matéria da "Cambio" na íntegra, em espanhol.

O governo colombiano, no entanto, "usou seletivamente os arquivos do computador de Raúl Reyes".

A publicação acrescenta que com "Equador e Venezuela, (os arquivos) foram usados para colocar em contradição (o presidente venezuelano Hugo) Chávez e (o presidente equatoriano Rafael) Correa, hostis a (o chefe de Estado colombiano Álvaro) Uribe".

Com o Brasil, "a articulação foi feita embaixo da mesa para não comprometer Lula, que se mostrou mais hábil e menos combativo com a Colômbia", afirma a revista. A publicação diz que Uribe conversou sobre o assunto no último dia 19 com Lula, quando o brasileiro esteve na Colômbia.

E-mails
Nos e-mails de Reyes - cujo nome verdadeiro era Luis Edgar Devia e que foi morto por tropas colombianas em solo equatoriano em primeiro de março - são mencionados "cinco ministros, um procurador-geral, um assessor especial da Presidência, um vice-ministro, cinco deputados, um vereador e um juiz superior" brasileiros, acrescentou a revista.

Algumas mensagens foram escritas durante o processo de paz da Colômbia entre 1998 e 2002 em San Vicente del Caguán, durante o governo do então presidente colombiano Andrés Pastrana, "e envolvem um prestigioso juiz e um alto ex-oficial das Forças Armadas brasileiras".

A mesma reportagem diz que "a expansão das Farc na América Latina não incluiu apenas funcionários dos governos de Venezuela e Equador, mas também comprometeu importantes dirigentes, políticos e altos membros do PT".

A "Cambio" cita o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, o ex-ministro de Ciência e Tecnologia Roberto Amaral, a deputada distrital Erika Kokay e o chefe de Gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho.

Também são mencionados nesses e-mails o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, o assessor especial de Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, o subsecretário de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Perly Cipriano, o secretário de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, e o assessor presidencial Selvino Heck.

A "Cambio" disse que teve acesso aos 85 e-mails de Reyes entre fevereiro de 1999 e fevereiro de 2008 enviados e respondidos pelo líder máximo das Farc, Manuel Marulanda ou Tirofijo, cujo nome verdadeiro era Pedro Antonio Marín e que morreu este ano.

Ainda segundo a "Cambio", há mensagens de Reyes para o chefe militar das Farc, Mono Jojoy --cujo nome verdadeiro é Jorge Briceño--, e para Francisco Antonio Cadena Collazos --conhecido como padre Olivério Medina e "Cura Camilo" e que atua como delegado das Farc no Brasil-- e de todos eles com dois homens identificados como Hermes e José Luis.

Cura Camilo, preso em São Paulo em agosto de 2005, vivia no Brasil há oito anos e foi beneficiado com uma proteção especial por ser casado com uma brasileira.

Cura Camilo
Em 2006, o Comitê Nacional para Refugiados (Conare) concedeu a Cura Camilo o status de refugiado, decisão que pesou bastante para o Supremo Tribunal Federal (STF) negar seu pedido de extradição para a Colômbia.

Cura Camilo foi "chefe de imprensa" da guerrilha colombiana no início dos frustrados diálogos de paz em San Vicente del Caguán.

O chamado "dossiê brasileiro" diz que estas mensagens "revelam a importância do Brasil na agenda externa das Farc (...) para dar suporte à estratégia continental da guerrilha".

As Farc, acrescenta a "Cambio", aproveitaram "a conjuntura criada pela chegada de Lula e do influente PT ao poder para chegar até as mais altas esferas do governo".

A revista também disse que, "apesar de os e-mails serem apenas indícios de um possível comprometimento do Governo Lula com as Farc - pois nenhum dos funcionários enviou mensagens pessoais a algum dos membros do grupo guerrilheiro - despertam muitas dúvidas que exigem uma resposta do governo" brasileiro.

Em depoimento à Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados em abril, Garcia disse repudiar os métodos usados pelas Farc, como seqüestros, ataques terroristas e uso de dinheiro do narcotráfico.

Naquela oportunidade, Garcia afirmou que o Brasil tem que assumir uma posição de não interferir no conflito colombiano, mas que também não pode ficar indiferente.

Recentemente, Garcia classificou como "irrelevantes" as mensagens encontradas no computador periciado pelo governo colombiano.

Consultada pela agência Efe, a assessoria da imprensa da Presidência da República disse que desconhecia o conteúdo da matéria da Cambio.

na
Folha de São Paulo, em 30/07/2008
Ai, ai, ai... É o que eu sempre digo: é dura a vida das esquerdas, pobres coitadas. Agora que não mais é possível desmentir as ligações Governo-PT-FARC, que eu já escrevi aqui em vários posts, nem é possível dizer que tais e-mails são apenas "supostos" documentos, pois a Interpol já verificou sua autenticidade, os PeTralhantras (como diz, Reinaldo Azevedo, uma mistura de Petista com Irmão Metralha e Pilantra) agora atacam as mensagens como sendo "irrelevantes".

E sai a tal colunista-esquerdista Eliane Castanhede, da Folha de São Paulo, em defesa dos "frascos e comprimidos" esquerdopatas, com a singela manchete de "
E-mails da Discórdia":

Logo após crise ocorrida depois da prisão de Daniel Dantas, com acusações de supostos envolvimentos do banqueiro com deputados do PT, Lula se vê às voltas com uma polêmica internacional. Trata-se dos e-mails trocados por integrantes das Farc citando petistas e integrantes do governo.

"Sinceramente, se você espremer tudo que tem sido publicado em torno destes e-mails, não sobra muita coisa. As pessoas podem citar o 'A', o 'B', o 'C', e isso não significa nada. Se você olhar os e-mails, não tem nenhuma ação, nenhum ato, nenhum gesto citado ali que pudesse comprometer de fato o partido e o presidente, os ministros, enfim, o governo Lula", constata a colunista.
A menos que surja algum fato novo, as mensagens serviriam apenas para constranger o governo, na opinião da jornalista.
"Sua maior gravidade, portanto, é política. É saber quem e com que interesse está jogando o governo brasileiro e o partido do presidente nessa fogueira", questiona Cantanhêde.
Segundo a jornalista, os brasileiros citados não sabem ao certo o que está acontecendo e respostas devem ser buscadas na própria Colômbia.


Humm. Vamos ver: quando Olivério Medina, o "embaixador" das Farc, escrevia e-mails a Raul Reyes - alguns dos quais publicarei num próximo post -, estava em prisão domiciliar no Brasil e aguardava decisão judicial sobre uma possível extradição. Seus defensores queriam evitá-la, pois afirmavam que ele corria risco de morte na Colômbia, além de sustentar que ele havia abandonado as Farc.

Os "irrelevantes" e-mails, porém, demonstram que ele, Medina, o Cura Camilo, não havia deixado - e nem poderia - a organização terrorista. À muitos, como para a esquerdista Eliane Castanhede, pode ser irrelevante que uma organização terrorista - que trafica drogas e mantém campos de concentração, na selva, com mais de 700 pessoas, sendo que a maioria destas nada tem a ver com a política colombiana - tenha um "embaixador" no Brasil com uma impressionante lista de contatos no governo e nos partidos de esquerda que estão no poder.

Ademais, esta história de que qualquer um pode citar "'A', 'B' ou 'C' e isso não significa nada" é uma tremenda "farofice", um verdadeiro acinte à língua portuguesa e à verdade, pois é uma negação de uma negação (NÃO significa NADA) e, portanto, significa algo: que os tais citados não somente têm contatos, mas são aliados das FARC, pois tanto estas quanto o partido onde militam aqueles são membros do Foro de São Paulo, fundado pelo PT e por Fidel Castro em 1990!

O maior problema é que, à moda de Eliane, o governo não se constrange com os fatos - mesmo porque ele é o causador destes. Os e-mails provam que o governo de Lulovski Apedeutovich já estava - e continua - contaminado por uma rede de simpatizantes de um grupo que seqüestra e mata às centenas, ou milhares, além de ser o principal fomentador do narcotráfico. Portanto, se tais mensagens estão jogando o governo na fogueira, é porque os próprios membros do governo e do partido do presidente a acenderam, e não mais tem como apagá-la.

Rentistas e Rentistas

Uma das palavras mais utilizadas – e estigmatizadas – pela esquerda é a famigerada “rentista”. Usam-na a torto e a direito para designar aqueles indivíduos, ou grupos, que auferem renda fora do trabalho, ou seja, através de investimentos em ativos que gerem retorno financeiro. Não raro, referem-se à “classe rentista” de forma pejorativa, especialmente em relação aos indivíduos “maus” que possuem investimentos nos mercados financeiros e de capitais. Será que este estigma é justo?

Existem três formas legítimas de obter rendimentos: lucros, salários e rendas. A característica principal do lucro é o risco envolvido, ou seja, o investidor aplica seu capital na expectativa de obter retorno positivo, porém indeterminado, e sem que haja qualquer garantia de que isso realmente irá acontecer. Quanto aos salários, estes não envolvem riscos (exceto os relacionados a aspectos não econômicos, como a fraude), uma vez que são a contraprestação – pré-estabelecida – de um serviço determinado. Geralmente, os salários são proporcionais à produtividade do trabalho realizado. Já a renda é a remuneração pelo uso de um ativo, seja ele um imóvel, um automóvel, uma bicicleta, ou mesmo o próprio dinheiro. O direito legal de recuperar o bem dado em arrendamento é o que difere a renda do lucro, cuja obtenção envolve o risco da perda do próprio capital, como vimos acima.

Um trabalhador que poupe um pedaço do seu salário, todos os meses, e, depois de um certo tempo, resolva adquirir um imóvel para fins de aluguel, torna-se automaticamente um rentista. Como ele, qualquer outro indivíduo que acumule algum capital (via poupança) e o empreste a alguém, tornar-se-á também um rentista.

Até mesmo os aposentados são rentistas, que todo mês, durante anos, contribuíram com uma parte do seu salário para ganhar o direito de auferir uma renda vitalícia no futuro. Há ainda aqueles que obtêm renda de propriedades herdadas, porém mesmo estas propriedades foram adquiridas através da poupança de alguém – no caso os antepassados desses felizardos. Podemos notar, entretanto, que, por trás da aquisição do direito legítimo à renda, está o direito de propriedade e seu conseqüente usufruto.

As rendas são a forma mais segura de obtenção de rendimentos e, por esta razão, é natural que a maioria das pessoas dêem preferência a ela, especialmente as mais conservadoras. Na verdade, não há nada de errado nisso; pelo contrário, ao visarem essa forma de renda, as pessoas estarão sempre buscando manter e valorizar os ativos (capitais) em seu poder.
Portanto, como se vê, a poupança – própria ou de terceiros – transformada em investimento, é a única forma legal – e legítima – de obter renda. Infelizmente, porém, há outras formas de adquiri-la: algumas legais, porém injustas, e outras tanto ilegais quanto injustas. No último caso estariam o roubo, o furto, a fraude e outros crimes correlatos, em que alguém se apropria, pelo uso da força ou não, de propriedades alheias, sem o consentimento do dono. Sobre esta, não pretendo aprofundar-me, uma vez que sai da esfera econômica para a policial.

Há, no entanto, uma outra forma de rentismo extremamente injusta, embora muitas vezes perfeitamente legal, cuja principal característica é estar sempre associada à ingerência do Estado e sua insistente vocação para tomar – através do uso legal da força – propriedades de uns e as entregar a outros.

Tudo o que o Estado nos toma, pela via dos tributos, e não nos dá de volta através de serviços públicos, é, sem meias-palavras ou eufemismos, espoliação. Por outro lado, o produto desse esbulho possessório não se derrete ou evapora no ar, vindo a ser, portanto, apropriado de maneira espúria (sem o consentimento dos legítimos donos) por alguém.

O caso clássico desse tipo espúrio de rentismo são os chamados programas de redistribuição de renda, onde os governos retiram de A e repassam a B – além de cobrar, é claro, uma certa comissão pelo serviço sujo. Entretanto, há outros casos de rentismo ilegítimo, muito pouco comentados. Por exemplo: qualquer funcionário público que, valendo-se de sua situação peculiar de estabilidade empregatícia, receba um salário maior do que a respectiva produtividade. ONGs, sindicatos e demais organizações que vivem de receber verbas do governo – não raro exercendo atividades criminosas, como é o caso do MST e congêneres – idem.

Há, ainda, os casos mais difíceis de enxergar, como os de empresários beneficiados com incentivos fiscais, proteção contra a concorrência estrangeira, concessão de serviços públicos, subsídios, isenções de impostos, patrocínios e publicidade estatais, verbas para obras públicas ou para os ditos "projetos sociais", financiamentos com juros subsidiados, etc. Enfim, é infinita a quantidade de "bondades" que se pode pleitear dos governos, sempre à custa dos contribuintes, ou melhor, dos legítimos donos do dinheiro. No frigir dos ovos, entretanto, a principal característica desse rentismo espúrio consiste em, através do poder arbitrário concedido ao Estado, tirar alguma coisa de A e entregá-la a B.
Portanto, caro leitor, da próxima vez que você ouvir alguém criticar os famigerados “rentistas”, pare e pense um pouco, pois muitas vezes se tratam de rentistas ilegítimos a falar dos legítimos, numa completa inversão de valores.

por João Luiz Mauad, empresário e formado em administração de empresas pela FGV/RJ, no Mídia Sem Máscara

O Que Fizeram Conosco

Periodicamente, o Datafolha realiza investigação sobre o pensamento político do brasileiro. A última pesquisa foi realizada há exatos dois anos. Para expressar sua posição no arco ideológico, o eleitor é posto diante de um gráfico com sete possibilidades, sendo que as posições 1,2 e 3 correspondem à esquerda, as posições 5, 6 e 7 à direita e a posição 4 ao centro. Resultado? Quarenta e sete por cento se colocam na direita, 23% no centro e 30% na esquerda. Surpreso, leitor? Pois saiba que a juventude não deixa por muito menos. O Datafolha acaba de divulgar pesquisa realizada nesse específico segmento, com o seguinte resultado: 37% à direita, 28% à esquerda e 23% no centro. Os dados ainda estão no site do instituto.

Mas se é assim, por que a imensa maioria dos políticos gosta de se exibir com discurso de esquerda? “Ah! - responderão eles - é que a cabeça da sociedade, o senso comum das pessoas é progressista. Se você fizer perguntas objetivas, sobre temas concretos, verá que a maioria tem conceitos de esquerda”. Pois saiba, leitor, que isso é totalmente falso, como mostra a matéria daquele jornal paulista publicada em 13 de agosto de 2006. Textualmente. “Apesar de menos da metade se definir como de direita, é esmagadora a maioria que adota posições geralmente associadas ao conservadorismo, como a condenação ao aborto, às drogas e a defesa de medidas mais duras de combate ao crime. A pesquisa mostra que são contra a descriminalização da maconha 79%. Do aborto, 63%. Outros 84% defendem a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos e 51% querem a instituição da pena de morte”.

Na pesquisa, recentíssima, feita entre jovens, sobre temas objetivos, fica ainda mais evidente a posição conservadora. No conjunto dos pesquisados, os valores mais apreciados estão radicados na família e na religião. E os objetivos majoritários estão postos no estudo, no trabalho e na aquisição de bens. A imensa maioria é contra a descriminalização das drogas. E acrescento eu: embora a pesquisa não indague sobre posições a respeito do direito de propriedade, invasões de terra, greve no setor público e por aí afora, tenho certeza de que as convicções dominantes estariam diametralmente opostas àquelas assumidas pela esquerda.

Ora, com um eleitorado majoritariamente de direita e com perfil ainda mais acentuadamente conservador, como entender o tom monocórdio do atual discurso político? Aí é preciso ler Antônio Gramsci e compreender o modo através do qual se alcança a hegemonia fazendo as cabeças dos fazedores de cabeça. Isso vai evidenciar que estamos sob a ditadura do “politicamente correto”, imposta pela mídia, pela maior parte do clero católico, pelo ambiente universitário e pelo sistema de ensino em geral. É admirável a resistência e o discernimento revelados pela sociedade brasileira em suas convicções doutrinárias e ideológicas quando submetida a tamanha dominação cultural!

Dias atrás, numa reunião com amigos, conversávamos sobre estes assuntos e eu indaguei: “Se nós, que somos leigos, fôssemos criar uma escola, admitiríamos no corpo docente professores ateus, comunistas, favoráveis ao aborto, materialistas, anticlericais ou inimigos declarados da Igreja?”. A resposta de todos foi a mais óbvia possível. “Não!”. Como admitir, então, que tradicionais ordens religiosas, fundadas para ensinar segundo os valores do cristianismo, implantem universidades e redes de escolas de vários níveis e graus onde vale tudo, inclusive ridicularizar a própria instituição e as crenças que alega esposar?

Veja leitor, o que fizeram conosco! Nós, conservadores, que no mundo inteiro respondemos pelos valores que conduzem ao progresso e ao Bem, nos deixamos submeter e conduzir pelos tais “progressistas” de araque, sabotadores do templo e seus fazedores-de-cabeça. Em número cada vez maior lhes concedemos posições de comando nas instâncias do Poder Judiciário, na mídia e na política nacional.

por Percival Puggina, no
Mídia Sem Máscara

Massa de Manobra

Morei ali no albergue São Francisco, que ficava na esquina da rua Santo Amaro, com o viaduto Jacareí, bem em frente à Câmara Municipal de São Paulo. Ele foi desativado há 15 dias, da noite para o dia, por força de um abaixo-assinado dos moradores, pois o local se transformou em um ponto de albergados e marginais de todo o tipo, e retornou para a baixada do Glicério que estava sendo fechado. Antes o São Francisco chama-se Cireneu e era administrado por uma Ong de quinta categoria, com verba liberada pela Prefeitura, por meio da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social.

Pois bem. Em abril, os padres franciscanos assumiram o comando do albergue e o que era ruim ficou pior. Acho muito estranho que o padre Júlio Lancelotti e outros religiosos liderem uma passeata com moradores de rua, usando albergados como massa de manobra para conseguir, talvez, mais recursos da Prefeitura.

Maus tratos
Ali , no albergue São Francisco, os padres, que zelam tanto pela fraternidade, tratavam os albergados de forma desumana. Éramos mais de 400 pessoas amontoadas num imenso porão-dormitório sujo, que alagava quando chovia. Era um depósito de seres humanos, com um cheiro insuportável. Senhores com mais de 80 anos misturavam-se a jovens alcoólatras, drogados, crianças, mulheres, deficientes físicos e mentais, tuberculosos, portadores do vírus da aids, ex-presidiários e outros ainda cumprindo pena condicional, sem nenhum tipo de assistência.
Aquilo se assemelhava mais a um campo de concentração nazista. Durante cinco anos, o albergue funcionou ali, debaixo do viaduto, sob um estridente barulho, o "dum-dum" dos veículos que passam pelas emendas sobre o viaduto. Esse incômodo barulho martelava nossos ouvidos a noite toda. Nunca se tomou uma providência.

Com raríssimas exceções, os monitores, contratados pela igreja sem a mínima qualificação profissional, sentiam prazer em nos humilhar, deixando-nos na fila, debaixo de chuva e frio, à espera da hora de entrar. As regras são draconianas. Entra-se após às 17h30 e acorda-se às 5h. Até as 7h, todos têm que ir para a rua, inclusive aos domingos e feriados. As assistentes sociais explicavam que eram ordens da Prefeitura e não podiam fazer nada. Assim, todos, até mesmo as senhoras e outras pessoas com idade avançada tinham de sair, fizesse sol ou chuva.
Sem camas – Um dia, com princípio de pneumonia, pedi para ficar lá dentro, pois chovia e fazia frio. Me sentia muito mal. Solicitei a um dos monitores que me deixasse ficar e ouvi:
"Não enche o saco, meu. Você não sabe que os padres não querem ninguém aqui dentro? Vá embora".

No dia seguinte, muito mal, me escondi na biblioteca e não saí. Era começo de maio, fazia um frio insuportável. Foi então que presenciei uma cena lamentável: o coordenador dos franciscanos dentro do albergue mandou retirar centenas de camas (são beliches) do dormitório para colocá-las nos porões daquele fétido lugar. Ele dizia aos outros monitores: "Quanto menos camas, melhor. Agora vem o frio, a Prefeitura vai querer mandar mais gente para cá e, desse jeito, podemos dizer que não há lugar". Depois, espaçou as camas que restaram para dar a impressão de que não havia mais lugar.

"Há uma indústria da miséria"
No albergue São Francisco, que funcionava sob o viaduto Jaceguai, muitos dos idosos que lá dormiam não conseguiam mais fazer suas necessidades fisiológicas no banheiro. E sujavam na roupa, na cama, no chão. Não havia fralda geriátrica para eles.

Muitas vezes vi albergados mais novos ajudando os mais velhos a tomar banho. Vi vários deles caídos no chão, pedindo ajuda. O pior de tudo é que o albergue São Francisco foi desativado, mas na Baixada do Glicério (seu novo endereço) a situação continua a mesma, segundo relatos dos albergados que foram removidos para lá. Outros foram encaminhados para um hotel social (a Prefeitura o chama de Centro de Recolhimento), na rua Francisca Michelina, na região central da cidade. A comida é razoável, mas costuma provocar indisposições estomacais.

Monopólio da Igreja
Depois disso tudo, cheguei à conclusão de que deve existir "uma indústria da miséria". Em São Paulo, o monopólio dos moradores de rua está nas mãos da Igreja. Ela usam a verba da Prefeitura, mas gasta muito pouco na melhoria dos serviços do albergue.

Na época em que se chamava Cireneu (nome de um empresário ligado ao grupo Copagaz) a coisa era ruim, mas só aceitavam pessoas com mais de 40 anos. Depois que a Igreja assumiu o albergue, abriu as portas para todo mundo. Então, jovens, líderes de facções criminosas, assaltantes, e até traficantes passaram a almoçar e morar lá. Eram comuns os princípios de tumulto.

"Muquiranas"
Para se conseguir almoçar era preciso esperar, em média, 3 horas, debaixo de chuva ou de sol. Os padres se recusavam a abrir os portões para que pudéssemos entrar e nos abrigar. Um papel colado na parede interna do dormitório indicava que a dedetização estava vencida havia 3 meses.

Os dormitórios ficavam infestados de baratas e de outros insetos, principalmente de "muquiranas", uma espécie de piolho que dá no corpo de quem não toma banho, produzindo uma coceira insuportável. É muito fácil ficar infestado. São os moradores de rua que os trazem.
Com auto-estima muito baixa, mas com alguma dignidade, suportávamos todo tipo de humilhação que nos era imposta, com medo de sofrer represálias: ser cortado e ir para rua. Era fila para entrar, fila para pegar alguma roupa no bagageiro, fila para tomar banho (quando os chuveiros funcionavam) e fila para jantar. Não adiantava muito tomar banho, porque éramos obrigados a vestir a mesma roupa, que cheirava mal.

Vícios
Pude constatar que a maioria dos albergados já está, de alguma forma, mentalmente comprometida com os vícios adquiridos e não existe uma política específica para tratar dessa questão social. Não há tratamento diferenciado para cada tipo de problema, curso técnico, suporte jurídico, assistência médica. Enfim, não há nada. Entra-se no final da tarde, só toma banho quem quer, dorme-se e, às 5h da manhã, todo mundo acorda.

No café da manhã é servido um pão (de hot-dog) com manteiga e café com leite de soja (mais dor de barriga em todo mundo). Depois, dez horas passadas na rua. Essa é a rotina. Do jeito que funcionam, esses albergues não contribuem para nada. Dali, a maioria sai e passa o dia bebendo e se drogando até a hora de voltar. Poucos trabalham ou fazem bicos. Estão todos abaixo da linha da pobreza. Dificilmente conseguem se reintegrar à sociedade.

Chá com política
Quem mora em albergue ou pelas ruas da cidade conhece muito bem o que é uma "boca de rango". É aquele lugar que oferece comida de graça aos pobres. Em São Paulo existem várias delas e uma das mais conhecidas, e bastante freqüentada, é a do "chá do padre". De segunda a sexta-feira, as 14h, a igreja de São Francisco, com entrada pela rua Riachuelo, oferece chá com dois pãezinhos com manteiga. O salão fica lotado e é nessa hora que os religiosos aproveitam para fazer suas pregações políticas, incitando os moradores de rua e albergados a se organizarem em movimentos políticos para reivindicar seus direitos junto ao governo. Até um terceiro mandado do Lula já foi questionado lá.

Quando não é no chá, essa doutrinação política é feita nos albergues, por meio das assistentes sociais. Mas os albergados são avessos a esses movimentos. As assistentes sociais também convocaram todo mundo para protestar no dia 1º de Maio, a pedido da Igreja. Disseram que era importante a presença dos albergados nessas manifestações. A Igreja mandou confeccionar vários cartazes e distribuíram farto material para que fossem feitas faixas e cartazes. Todos deveriam estar reunidos na praça da Sé. Mas ninguém deu a menor importância a isso.
A Prefeitura, por sua vez, faz propaganda enganosa, espalhando pelas principais praças da cidade peruas Kombi azuladas, com os dizeres "São Paulo Protege". Existem cerca de 13 mil moradores de rua em São Paulo, mas só a metade deles mora em albergue. Essas peruas só recolhem as pessoas da rua no final da tarde. E nem sempre existem vagas nos albergues. Cheguei a ver gente entrando às 2h da manhã para sair logo depois, às 5h.

Prefeitura diz que vai apurar
O supervisor de Assistência Social da Região da Sé, Luiz Fernando Franceschini, afirmou que vai apurar as denúncias feitas. "São denúncias fortes, graves, mas temos de apurar com cuidado, porque o problema é muito complexo", afirmou.


Falando em nome do secretário da Assistência e Desenvolvimento Social, Franceschini admitiu que não existe, de fato, uma política pública que dê amparo a esse tipo de população. "Estamos nos esforçando para melhorar os serviços, readequar os albergues, a fim de evitar que problemas mais graves aconteçam".
O supervisor, porém, fez questão de ressaltar que a falta de assistência aos idosos (como a doação de fraldas geriátricas, por exemplo) é um problema da Secretaria da Saúde que, por meio das Unidades Básicas de Saúde e dos Ambulatórios Médicos, deveriam se responsabilizar por isso. Franceschini também admitiu que não existem asilos suficientes para acolher todos os idosos em situação de rua.


O albergue situado no Glicério também será desativado, anunciou o supervisor. Ele disse que a Prefeitura está procurando dois imóveis para abrigar os albergados. Disse ainda que, por se tratar de um assunto sério e complicado, a Prefeitura encontra uma série de dificuldades para resolver o problema: "Em princípio, nós confiamos no Serviço Franciscano de Fraternidade, que entende da questão de moradores de rua e albergados".

por Rubens Marujo, no Diário do Comércio

Justiça Volta a Enquadrar o MST

Graças a duas decisões judiciais, a estratégia do Movimento dos Sem-Terra (MST), de se negar a ter existência jurídica para evitar controles de órgãos oficiais e a responsabilização civil e penal por suas invasões e depredações, pode estar com os dias contados. A primeira decisão foi tomada há duas semanas pelo juiz federal Carlos Henrique Haddad, de Marabá (PA). A segunda acaba de ser anunciada pela juíza estadual Marcela Papa, da 1ª Vara de Martinópolis (SP).

Os dois magistrados condenaram o MST e entidades a ele vinculadas ao pagamento de multas por descumprimento de determinações judiciais. O juiz Carlos Haddad condenou três integrantes da entidade a pagarem R$ 5,2 milhões por terem liderado uma manifestação que bloqueou parte da Estrada de Ferro Carajás, pertencente à Vale, em abril deste ano. No incidente, houve corte de cabos de fibra ótica e de energia e levantamento de trilhos. Haddad também proibiu os réus de voltarem a praticar qualquer ato que ameace a ferrovia, sob pena de multa diária individual de R$ 3 mil, e decidiu que, na fase de liquidação da sentença, serão definidos valores para pagamento das perdas e danos sofridos pela empresa.

Por sua vez, a juíza Marcela Papa condenou o MST e o Mast ao pagamento de multa de R$ 150 mil por descumprimento de determinação judicial de reintegração de posse numa fazenda localizada no Pontal do Paranapanema. A propriedade foi ocupada pela terceira vez no período de um ano e os invasores, desacatando a Justiça, negaram-se a cumprir a ordem de desocupação. Além da multa, a novidade está no fato de que a titular da 1ª Vara do Fórum de Martinópolis expediu ofício ao Banco Central impondo o bloqueio online dos valores encontrados nas contas da entidade e dos órgãos a ela vinculados.

Apesar de não ter personalidade jurídica, o MST conseguiu abrir uma conta no Banco do Brasil, cujo número se encontra em seu site, para receber o dinheiro da venda de bandeiras, camisetas, bonés, lenços, chaveiros, buttons, livros, cartões-postais e outros materiais de propaganda. Os valores arrestados serão utilizados para cobrir o valor da multa. "Há de se frisar o reconhecimento de um dever de pagamento (por parte dos integrantes do MST), já que descumpriram ordem judicial, pelo período de cinco dias, e se mostraram despreocupados com as ordens judiciais", disse a magistrada em sua sentença.

Os líderes do MST alegaram que a sentença foi política, e não jurídica, afirmaram que a conta bancária está negativa e prometeram impetrar recurso na segunda instância. Independentemente do desfecho desse processo, o fato é que a Justiça finalmente abriu um precedente para enquadrar os sem-terra nas regras e procedimentos do Estado de Direito. Como é sabido, para contornar a falta de existência legal, abrir contas bancárias, receber dinheiro público por meio de convênios firmados com órgãos governamentais e ficar imune ao controle dos Tribunais de Contas, o MST há muito tempo vem recorrendo a entidades de fachada, legalizadas e sem fins lucrativos.

São entidades "laranjas", beneficiadas por duvidosos contratos de prestação de serviço, como alfabetização de assentados, e que sistematicamente desviam os recursos oficiais recebidos para financiar as atividades notoriamente ilícitas que o MST pratica e pelas quais não podia ser acionado judicialmente, por não ter existência jurídico-formal. Essa esperteza sempre garantiu a impunidade do movimento, ao mesmo tempo que lhe permitiu se expandir à custa de dinheiro dos contribuintes. A estratégia foi por diversas vezes denunciada pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas da União, mas a magistratura, por excesso de rigor lógico-formal ou por receio do patrulhamento ideológico, jamais a acolheu.

Com as recentes decisões da Justiça federal, em Marabá, e da Justiça estadual, em Martinópolis, o MST começa finalmente a ser enquadrado pela Justiça. Quando outros juízes também passarem a aplicar multas por descumprimento de ordem judicial, bloqueando contas da entidade e de seus órgãos "laranjas", atingindo com isso seu coração financeiro, o MST deixará de continuar agindo como se estivesse acima das instituições e da ordem jurídica.
Opinião, do Estado de São Paulo, em 05/08/2008

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Odeio Política. Por Isso Escrevo Sobre Ela.

"Political language — and with variations this is true of all political parties, from Conservatives to Anarchists — is designed to make lies sound truthful and murder respectable, and to give an appearance of solidity to pure wind." - George Orwell, "Politics and the English Language" (1946)

Numa tradução meio literal, a frase acima quer dizer o seguinte: "A linguagem política - e com variações isso é verdade para todos os partidos políticos, dos conservadores aos anarquistas - destina-se a fazer mentiras soarem verdadeiras e o assassinato respeitável, e a dar uma aparência de solidez ao puro vento". Escolhi-a para iniciar este texto pois ela traduz, como poucas, o verdadeiro sentido da política, e serve para explicar uma questão que vez ou outra me fazem: por que, afinal de contas, com tanta coisa mais amena e interessante sobre a qual pensar, este blogueiro perde seu (pouco) tempo de ócio escrevendo sobre política e seus atores?

Quem quiser saber de verdade a resposta para a pergunta formulada acima deve ler O Príncipe, de Maquiavel. Toneladas de papel foram gastas para tentar explicar se o pequeno livro do sábio florentino era imoral ou não - a Igreja Católica, pelo menos, não teve dúvidas, e tratou de colocá-lo em um lugar de destaque em seu índice de livros proibidos, o Index Librorum Prohibitorum. Há quem admire sinceramente o autor, e há quem o abomine completamente. Basta dizer que, em inglês, o apelido "Old Nick" (velho Nick, diminutivo de "Nicolas") passou a designar, na linguagem cotidiana, o Diabo, o rabudo, o cramulhão, o coisa ruim. O termo "maquiavélico", também, passou ao vocabulário com o significado de mal, imoral, diabólico etc., enfim, de tudo que há de ruim e perverso na alma humana. Mas o fato é que, goste-se ou não de Maquiavel e de sua obra, é impossível ignorá-la. Ainda mais nos tempos em que vivemos. Ainda mais no governo Lula. Ainda mais em época de eleição.

Há pelo menos duas maneiras de interpretar o que diz Maquiavel em O Príncipe: uma, mais tradicional, é como um manual de maldades. Esse é o sentido que geralmente se dá ao livro, como se ele fosse nada mais do que uma coletânea de perversidades cometidas pelos governantes, e como se deve praticá-las sem correr o risco de ser desmascarado e pagar por isso. Coisas como democracia, liberdade, verdade, moral, segundo essa visão, não seriam mais do que palavras vazias, que deveriam ser usadas pelos governantes apenas como uma forma de enganar os trouxas e garantir o poder. De acordo com essa visão, o livro teria sido escrito para os governantes da época, na Florença do Século XVI, e desde então tornou-se um manual para os políticos ou para executivos gananciosos.


Outra maneira de ler o clássico de Maquiavel é enxergar o pequeno tratado de política não como um manual, mas como uma advertência. Essa é a minha leitura preferida. Segundo ela, o livro não foi escrito para os políticos, mas para o vulgo, o povo, os mortais comuns. Em outras palavras: para quem não suporta a política, nem os políticos. A descrição feita por Maquiavel das técnicas para tomar e manter o poder, do mau-caratismo dos governantes, seria, assim, uma forma de denúncia, uma maneira de tirar o véu da política, vista até então como uma atividade sagrada, revelando toda sua fétida e terrível humanidade. Com Maquiavel, a política, entendida pela primeira vez como uma atividade humana, perdeu o caráter sagrado que lhe dava a filosofia cristã medieval. Desde então, a imagem do político, do sujeito que dedica sua vida a conquistar poder e angariar cargos estatais, mudou completamente, e definitivamente, sofrendo um rebaixamento drástico e radical: do "rei iluminado" da Idade Média, passou aos espertalhões e vigaristas de hoje, aos zé dirceus e Lulas da vida.

É por isso que escrevo sobre política, e não sobre poesia ou literatura: porque, apesar de gostar dessas atividades, ao contrário da política, escrever sobre esta última é algo imperioso, um dever de consciência. É por isso também que pego tanto no pé das esquerdas: porque ninguém, na atualidade, se encaixa tão perfeitamente no modelo maquiaveliano do político quanto eles, os bambambãs, os gostosões, os companheiros donos da verdade e salvadores do mundo. Em sua capacidade de enganar e de mentir, os esquerdistas superam qualquer um, deixam os collors e os malufs no chinelo. Não somente por terem se atribuído um papel messiânico e convencido a muitos disso, mas principalmente por encarnarem aquilo que George Orwell tentou denunciar: juntamente com a inversão moral, com a desconstrução de todos os valores tradicionais como meras "convenções burguesas", o esquerdismo resultou na perversão da linguagem, de fato na invenção de uma nova língua (a "novilíngua" orwelliana), em que as palavras adquirem um sentido completamente diferente de seu significado do dicionário, de acordo com as conveniências políticas do momento. Daí o lema do partido no romance mais conhecido de Orwell, 1984: "liberdade é escravidão/guerra é paz/ignorância é força".

Vejam o uso que os petistas fazem das palavras, por exemplo. Em 2005, todos assistiram estarrecidos a um desfile interminável de acusações envolvendo o governo Lula. O que fizeram os petistas na hora de se explicarem? "Caixa dois", na boca dos petistas, virou "recursos não-contabilizados". "Mensalão" e "corrupção" tornou-se "complô da mídia e das elites". "Crime" virou "erros de alguns companheiros" e assim por diante. No auge do escândalo, o próprio Lula veio à TV dizer que "todos fazem igual" (antes, dizia-se diferente dos outros). Forçado a se explicar, o Apedeuta descobriu um novo uso para uma palavra da língua portuguesa, inventando a traição sem traidor, dizendo-se "traído" (por quem? até hoje não respondeu). Agora que querem revisar a Lei de Anistia para punir apenas um lado do conflito dos anos 60 e 70, essa novilíngua e esse duplipensar esquerdistas ficam ainda mais evidentes: terrorista é "guerrilheiro"; assalto a banco é "expropriação"; assassinato é "justiçamento", e por aí vai... (os que participaram ou colaboraram com a repressão, por sua vez, serão sempre criminosos e torturadores, não importa se isso for verdade ou não).

Este ano teremos eleições. Nessa época, a novilíngua aparece de forma redobrada. Podem apostar o quanto quiserem. Haverá uma enxurrada de candidatos, de todos os partidos, maltratando a lingua pátria. E não falo em termos puramente gramaticais, como o Molusco já se tornou useiro e vezeiro em fazer, mas nos termos da perversão lingüística denunciada por Orwell. Os candidatos, como sói acontecer, usarão e abusarão de frases feitas como "é preciso redistribuir renda", "mais saúde", "mais escolas", "mais educação","justiça social" etc. etc. Não se enganem: quando um esquerdista, ou qualquer outro político, fala esse tipo de coisa, quer dizer, na verdade, "vou aumentar os impostos", "quero me dar bem" ou "o poder, o poder". É claro que, por serem políticos, eles jamais vão admitir isso. Não podem fazê-lo, pois deixariam de ser políticos.

Pode não parecer, mas eu detesto a política. Detesto mais ainda os que se metem em política. Os que vivem para ela, ou melhor, para o poder. Aliás, detesto não é a palavra: eu os desprezo. Acho uma prova da maior canalhice usar as esperanças dos miseráveis e a incultura do povão para atingir o que se quer. Para mim, os políticos são todos - todos - uns pilantras e uns farsantes. Quem quiser perder minha amizade, que se candidate nas eleições. Acho a política uma coisa suja e porca, a mais degradante das atividades humanas. É exatamente por isso que eu a estudo.

Não conheço nenhuma obra política importante escrita por um deputado ou governador brasileiro, nem mesmo por um presidente da República (desnecessário dizer que o atual presidente, que jamais leu um livro na vida e que é louvado por muita gente por causa disso, não vai se dar, um dia, a esse trabalho). Para eles, que amam o "pudê", não convém confessar suas verdadeiras intenções; estão muito mais preocupados em fazer política do que em pensar sobre ela. Daí porque a frase de Orwell que abre este texto, assim como a referência a Maquiavel, ajusta-se perfeitamente ao que penso sobre política, e por que escrevo sobre política.

Os que gostam da política viram políticos. Os que a detestam, como eu, escrevem sobre ela.


por Gustavo Bezerra

A Dura Vida das Esquerdas I

Como é dura a vida de um esquerdista, não? O tempo todo mentindo, mentindo, mentindo e querendo culpar os outros por aquilo que fez a vida toda: tortura, seqüestro, roubo, extorsão, assassinato... E quando a sociedade não aceita que ele se vingue por terem feito o mesmo com ele e seus "companheiros de quadro", tenta um revanchismo descalabroso - e, para isso, usa os "jornalistas" a soldo do governo para atacar todos aqueles que não professam seu credo no comunismo.

Tarso Genro, o ex-terrorista que militava em 1966 no PC do B e em 1968, atraído pela luta armada, na Ala Vermelha, agora, quer rasgar a Lei da Anistia, que perdoou ambos os lados causadores dos "anos de chumbo" - pelo menos, a parte que fala sobre o perdão aos "torturadores".
Vamos ver. Comento depois.

O ministro Tarso Genro (Justiça) e Paulo Vanucchi (Secretaria Especial de Direitos Humanos), defenderam nesta quinta-feira, 31/07/2008, a punição aos torturadores durante o regime militar (1964-1985). Para ambos, as discussões devem ser realizadas sob as óticas jurídica e política. Tarso e Vanucchi classificaram os crimes cometidos na época da ditadura como comuns, uma vez que envolveram torturas, estupros e demais tipos de violência física e psicológica e, portanto, não poderiam ser beneficiados pela Lei da Anistia.

Tarso fez as declarações no Ministério da Justiça ao abrir uma audiência pública que tem por objetivo analisar a definição de responsabilidades civis e criminais, de agentes do Estado que mataram e praticaram torturas no período governado pelos militares. Para ele, os violadores dos direitos humanos agiram fora da ordem do próprio regime. "A partir do momento em que o agente do Estado pega o prisioneiro e o tortura num porão, ele sai da legalidade do próprio regime militar e se torna um criminoso comum. Não foi um ato político. Ele violou a ordem jurídica da própria ditadura e tem que se responsabilizado", explicou.

Segundo Tarso, a anistia brasileira, ao contrário da África do Sul e outras partes do mundo, não resultou de uma ruptura, mas de uma "transição conservadora". Por isso, a seu ver, a nossa anistia "não foi um ponto de chegada, mas um ponto de partida do processo de reconciliação nacional". A idéia da audiência, que tem por tema "Limites e Possibilidades para Responsabilização Jurídica dos Agentes Violadores de Direitos Humanos durante o Estado de Exceção no Brasil", é reavaliar os marcos legais da medida.

Ele disse que a punição dos torturadores e assassinos não é "revanchismo" do governo, e sim parte de uma discussão democrática e necessária. "O povo e o governo que têm vergonha têm de fazê-la (a discussão), sem se incomodar com insinuações de pequenos blogs que nos acusam de revanchismo. É uma discussão de fundo sobre as instituições da República e o futuro da democracia", declarou. "É uma análise que deve ser balizada na visão universal da responsabilização do agente que extravasa o mandato que o estado lhe confere e comete tortura", explicou.

Segundo Tarso, os agentes que sujaram as mãos devem ser tratados sem nenhum privilégio. "Essa agente, que entrou em uma casa à noite cumprindo um mandato superior, que realizou uma prisão ilegal mas que a realizou dentro das normas do regime autoritário, e levou o prisioneiro para um local de interrogatório, até esse momento, estava de acordo com o regime vigente e, por esse ato, não pode ser responsabilizado.

Mas, a partir do momento em que esse agente pega o prisioneiro, leva para um porão e o tortura, ele saiu da própria legalidade do regime militar", condenou.

Para Tarso Genro, o debate acerca da responsabilização de agentes públicos é "muito significativo" pois, durante todo o período do regime militar, não havia nenhuma norma legal que permitisse atos de tortura. "Essa discussão é democrática. Não são as Forças Armadas que estão em jogo aqui. Não é a postura dos comandantes, dos presidentes ou dos partidos que apoiaram o regime militar. Estamos discutindo o comportamento de um agente público dentro de uma estrutura jurídica."

Na tentativa de encerrar o impasse e buscar consenso, Vanucchi afirmou que a discussão sobre a possível punição aos torturadores não envolve exclusivamente militares, mas todos os que violaram os direitos humanos na época da ditadura. Diplomaticamente, o secretário disse que indivíduos militares não devem ser tomados como uma representação das Forças Armadas como um todo.

Vanucchi lembrou episódios recentes, como o que envolveu os três jovens mortos no morro da Providência (no centro do Rio de Janeiro), depois de serem entregues por um grupo de militares do Exército a traficantes da favela vizinha, e o do assassinato do menino João Roberto, que envolveu supostamente um policial militar, também no Rio de Janeiro.
"É preciso que a gente deixe de colocar que não pode pesar sobre os ombros de um militar honrado aquilo que o tenente Vinícius fez no morro da Providência", disse o secretário, referindo-se ao oficial que chefiou a operação no morro carioca. "É preciso separar, não apenas de revanchismos, mas de ação de direitos humanos."

Em seguida, Vanucchi disse: "É fundamental evitar falácias, muitas vezes presentes, de que ao fazer a responsabilização [defender a punição de torturadores] judicial ou política dos criminosos estejam atacando as Forças Armadas. Estamos defendendo as Forças Armadas porque elas não pertencem ao general-chefe, mas a nós a cada cidadão e cidadã brasileira, que tem orgulho das Forças Armadas".

O presidente da comissão, Paulo Abrão, afirmou nesta quinta-feira que os debates servirão para definir posições, mas que a última palavra caberá ao Judiciário. Abrão disse ainda que o fato de o Estado pagar indenizações e reconhecer as vítimas não significa que deve haver responsabilização dos culpados.

"Cabe promover um processo de reparação que não concorre com o processo de responsabilização", disse Abrão. Segundo ele, é necessário desfazer "falácias" sobre o tema, como as posições que afirmam que o assunto é "um tema do passado" e debater a questão seria "ruim para democracia".

A audiência pública causou furor nos meios castrenses, que reagiram à altura, como vemos a seguir:

Os militares decidiram dar o troco ao ministro da Justiça, Tarso Genro, por causa da audiência pública convocada por ele na semana passada para debater a punição de "agentes do Estado" que tenham praticado tortura, assassinatos e violações dos direitos humanos durante o regime militar. Revoltados com o que consideram "conduta revanchista" do ministro, oficiais da reserva, com o apoio de comandantes da ativa, patrocinarão uma espécie de anti-seminário no Clube Militar do Rio de Janeiro, na próxima quinta.

Em recente conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, disse que é preciso "pôr uma pedra sobre este assunto", até porque o tema está saturado e o objetivo da Lei da Anistia foi encerrar um debate que "abre feridas e provoca indignação". Um general da ativa que acompanha a movimentação dos colegas reformados disse ao Estado que os militares vão se manter calados, mas avisa que a reserva se manifestar.

Segundo este general, o objetivo do seminário de 7 de agosto é debater o que consideram "passado terrorista" de autoridades do governo Lula e de personalidades do PT, discutindo, inclusive, se não seria o caso de puni-los pelos excessos cometidos na luta armada. O que mais irrita oficiais das três Forças é o fato de a maioria deles ter recebido indenizações. A queixa geral é de que eles também mataram e seqüestraram e agora querem provocar os militares.

No seminário, uma das idéias é aproveitar a estrutura do Clube Militar, como agremiação que desde a República Velha vem funcionando como uma espécie de porta-voz do setor, para exibir uma série de slides com fotos e uma biografia resumida de ministros de Estado e petistas ilustres. A lista começa pelo ex-ministro José Dirceu e tem o próprio Tarso Genro em quinto lugar. O segundo posto é dado à ministra da Casa Civil, Dilma Roussef. O ministro da Comunicação, Franklin Martins, aparece em quarto, logo atrás do deputado José Genoino (PT-SP). Mais atrás, estão os ministros do Meio Ambiente, Carlos Minc, e da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi.

"Será que quem seqüestrou o embaixador norte-americano e o prendeu, dizendo todo dia que ia matá-lo, não cometeu ato de tortura igualmente condenável?", questionou o presidente do Clube Militar, general da reserva Gilberto Barbosa de Figueiredo, em recente entrevista ao Estado. Ele não mencionou Franklin como um dos idealizadores do seqüestro, mas antecipou o tom do seminário.

LULA "CERCADO"
O general defende a tese de que, se for para julgar quem torturou, como sugeriu Tarso, o julgamento deve ser estendido a todos, incluindo os que estão na cúpula do governo. A lista já circula entre oficiais da ativa e da reserva por meio de mensagens pela internet. Nela, os militares se queixam de que o presidente Lula governa "cercado por remanescentes da luta armada".

Um dos mais criticados é o secretário de Direitos Humanos, acusado no texto de "agir com muita liberdade e desenvoltura na defesa de posições revanchistas" no desempenho de suas funções. A mensagem conclui que a Secretaria dos Direitos Humanos "foi criada para promover o revanchismo político, afrontar as instituições militares e defender organizações de esquerda".


Na biografia de Dilma, a mensagem diz que ela "participou da organização de assaltos a bancos e quartéis, foi condenada em três processos e ficou presa no presídio Tiradentes". Em tom irônico, lembra o depoimento dela ao Tortura Nunca Mais, em que ela relatou ter sido torturada por 22 dias. "Um caso raro que não se sabe por que não foi incluído até hoje no Guinness, pois conseguiu sobreviver durante 528 horas aos diferentes tipos de tortura a que alega ter sido submetida."

por Christiane Samarco, no Estado de São Paulo

E o Ministro Jobim, tratou de por panos quentes, no dia seguinte, 01/08/2008:

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou hoje no Recife que os "fatos que estão sendo levantados" pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, que defende punição de militares, policiais e agentes do Estado que tenham torturado, matado e violado direitos humanos na época da ditadura militar, cabem exclusivamente ao Poder Judiciário, nada tem a ver com o Executivo. "Essa é uma questão exclusivamente da área do Poder Judiciário, de interpretação da lei", frisou ele, ao destacar que a Lei da Anistia, de 1979, já atendeu a seus objetivos, já realizou seus efeitos e não pode ser alterada.

"Mudar essa legislação seria a mesma coisa de revogar aquilo que já foi decidido anteriormente, que foi uma pacificação nacional". Para Genro, os crimes de tortura são crimes comuns e não políticos e por isso quem os praticou não poderia se beneficiar da anistia. "Estamos discutindo o futuro, não estamos mais discutindo o passado", disse Jobim, ao adiantar que a postura de Tarso Genro não provocou inquietação nas Forças Armadas. "Não há responsabilidade histórica do Exército em relação a isso, o Exército continua com seu prestigio nacional intocável", disse o ministro da Defesa, que participou, no Recife, da posse do general de Exército Marius Teixeira Neto no Comando Militar do Nordeste, em substituição ao general de Exército Jarbas Bueno da Costa.

Jobim reforçou que não há ação do governo, mas do Ministério Público, "uma ação judicial, no âmbito do Judiciário" visando a acionar os acusados de crimes contra a humanidade (coronéis reformados Carlos Alberto Brilhante Ustra e Audir Santos Maciel) a pagar as indenizações a familiares de vítimas de tortura pagas pelo governo federal. "Não é um problema do Poder Executivo", repetiu, em entrevista no Palácio do Governo, depois de encontro com o governador Eduardo Campos (PSB).

por Angela lacerda, no Estado de São Paulo


Viram? Como eu disse: é dura a vida dos esquerdistas! A coisa "tá pegando" pro lado deles, por causa do escândalo da venda da VARIG, e eles inventam um imbróglio para tapar este buraco e fazer com que a população se esqueça da mer...cadoria que o Governo do PT e seus apaniguados está fazendo.

Mas vamos nos ater somente ao que nos fala o boçal "Sinistro Falso Gênero". Quem acompanha um pouco a história sabe que o contra-golpe militar só ocorreu porque os animais adestrados pelas flatulências marxistas e treinados em guerrilha em Cuba e na China, instalados aqui no Brasil, queriam implantar uma nova URSS, devidamente remunerada pela matriz como já era Cuba à época - inclusive, a Mãe Rússia sustentava muitos deles que estavam no PC do B.

Nosso Sinistro, que inclusive
se gaba de seu passado terrorista, era um deles: foi do PC do B, da Ala Vermelha, como já disse, ficou preso por TRÊS DIAS no DOPS, em 1970, e, quando libertado, fugiu para o Uruguai e, ao voltar na década de 80, antes de entrar no PT, foi membro do clandestino Partido Revolucionário Comunista (PRC). Acho que não preciso dizer qual o senso de justiça que tem tal pessoa: o senso comunista, aquele que rouba, assassina, seqüestra, implanta bombas que ferem inocentes, tudo em nome da causa "socialista" - e força seus concidadãos a irem para um gulag trabalhar para ele, que faz parte da Nomenklatura, como Stalin, seu ídolo, o assassino de mais de 30 milhões de pessoas.

Mas já fugi à fala do beócio. Então, a sociedade deve discutir a punição dos agentes considerados "torturadores"? E quem vai dizer quem são eles? Os "terroristas" que hoje ocupam as cadeiras de Ministro no governo do sr. Luiz Inácio Lula "Foro de São Paulo" da Silva? Hum. Vai babar...

O sr. Sinistro Falso Gênero quer dois pesos, duas medidas. A Lei de Anistia de 1979, perdoou os crimes políticos e conexos e abriu caminho para a redemocratização. Se é o caso de revê-la, então que seja para todo mundo, pois, afinal, se o estado de exceção implantado em 1964 não previa a tortura, mas também não previa o terrorismo. Aliás, nem aquele nem este, democrático.

Não fosse esse detalhe de punir só um dos lados, também eu aderiria à revisão da Lei de Anistia: seria um bem enorme para o país punir todos os ex-torturadores e TODOS OS QUE ADERIRAM AO TERRORISMO querendo implantar, à base de bombas, justiçamentos, assassinatos e torturas, o comunismo em nosso país. Os primeiros, aqueles que, no passado, se comprometeram com a ditadura, ainda que nos porões - e o torturador, de fato, está no último degrau da "cadeia alimentar da civilização" -, hoje, desistiram do horror. Já alguns esquerdistas que, no passado, aderiram à luta armada e ao terrorismo, continuam a namorar com o totalitarismo até hoje. Um grupo de anistiados acatou a democracia. O outro ainda não. E justamente os que não acataram querem, agora, se vingar. Faz sentido! Jamais quiseram democracia: nem antes nem depois de 1964, nem antes nem depois do fim do regime militar.Eu não tenho dúvida de que teríamos, certamente, punindo ambos os lados, um Brasil muito mais decente e com muito menos escândalos na administração pública.

Falso Gênero, o Sinistro, não podendo punir seus adversários segundo o estado que temos hoje, democrático e de direito, apela ao estado que tínhamos então, de direito também, mas ditatorial. O homem tenta ressuscitar a "metafísica do estado de exceção" para promover uma tentativa de vingança.

Mas, novamente, pergunto: e qual Estado suporta o terrorismo que ele e tantos outros faziam? Não o abrigava aquele, como não o abriga este de agora. Depreende-se da fala do ministro que os que agiram em nome das leis de exceção estão anistiados, mas ficam fora do perdão os que não encontravam naquela legislação abrigo para seus desatinos. E quem seqüestrou, assaltou bancos e matou civis e soldados? Alguns dos criminosos de então estão hoje no poder. Que lei os anistiou? Não é a mesma que, segundo ele, exclui os “torturadores”? Com isso, ele pretende que declaremos a tortura inaceitável e imprescritível — como se alguém a aceitasse hoje em dia. Quer dizer que devemos supor que aquela mesma lei estava, sem que soubéssemos, sendo leniente com o terrorismo? O espírito da Lei de Anistia declarava a superoridade moral do terrorista sobre o torturador?

A imbecilidade em torno da discussão sobre a reabertura de processos da época da ditadura está (também) no fato de que, naquele tempo, não existia juridicamente o crime de tortura, que só foi criado no Brasil por meio da Lei n.º 9.455/97. Alguém precisa lembrar que as leis penais que criam novos crimes no cenário jurídico não são retroativas?

Os atos de tortura praticados antes desta Lei podiam ser punidos a título de abuso de autoridade (Lei n.º 4.898/65) e, conforme os resultados físicos dos atos de agressão, também a título de lesões corporais (art. 129 do Código Penal) e/ou homicídio (art. 121 do Código Penal).

Ocorre que a lei brasileira não prevê um prazo de prescrição maior do que 20 (vinte) anos (art. 109, inciso I, do Código Penal), seja o crime qual for. Assim, se alguns pretendem discutir a possibilidade de punição a atos criminosos ocorridos até o ano de 1979, estão discutindo a (im)possibilidade de aplicação de sanções a fatos já prescritos até, no máximo, o ano de 1999.


Por fim, o governo faz chegar à imprensa a informação de que o Planalto está preocupado com a ação de Tarso Genro, Vannuchi e companhia. Mais: Lula não endossaria a ação. Não? Pois, então, que chame e os dois e ordene que parem. E, se não pararem, que sejam demitidos. É simples.

Lula é o comandante-em-chefe das Forças Armadas e é também o chefe de Tarso e de Vannuchi. Se permite que continuem na sua militância arruaceira, então é cúmplice. Os dois aloprados devem pôr as barbas de molho. Esforçam-se para (re)encruar o passado. O pior que pode lhes acontecer é serem bem-sucedidos, pois, como diz o ditado "é bom ter cuidado com o que você deseja; afinal, você pode conseguir".

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Voltando...

Ah! Nada como merecidas férias....
Após duas semanas, estou de volta. Foram três anos e meio sem férias. Como muitos na categoria, sou consultor em uma empresa - um terceirizado, como se diz por aí.
Duas semanas inteirinhas sem sequer acompanhar - ou quase isso - jornais, revistas e TV. Às vezes uma olhadinha no "Jornal da Globo" ou uma lida rápida no Estadão, tomando o café da manhã no "Pão de Maçã" em Peruíbe e nada mais.
O duro é voltar e ver que nada mudou! Os esquerdistas continuam querendo derrocar a democracia e o Estado de Direito. Vamos começar tudo outra vez...