segunda-feira, 18 de julho de 2011

O Semestre Perdido

Depois de resolver que a obra mais importante de um presidente da República é eleger o sucessor, Lula dispensou-se de questões administrativas, abandonou o local de trabalho e passou seis meses fazendo um comício por dia. Ou dois. De 1° de julho a 31 de dezembro de 2010, o palanqueiro ambulante acampou nas cercanias de quadras esportivas já em funcionamento, creches inacabadas e buracos de pedras fundamentais, para induzir a plateia a acreditar que contemplava mais uma etapa da construção do Brasil Maravilha. Muito barulho por nada, avisa o balanço dos últimos seis meses do governo Lula. Além da eleição de Dilma Rousseff, não foi concluída nenhuma obra efetivamente importante. Administrativamente, foi um semestre perdido.

Tão perdido quanto o primeiro semestre do governo Dilma. Mãe do PAC e Madrinha do Pré-Sal, a candidata apresentou-se durante a campanha eleitoral como parteira do país mais que perfeito que Lula concebeu. Tinha tanta intimidade com a máquina administrativa que os retoques finais no Brasil Maravilha começariam já no dia da posse. Pura tapeação. Passados seis meses, continuam nos palanques de 2010 as 500 Unidades de Pronto Atendimento, as 8 mil Unidades Básicas de Saúde, as 800 Praças do PAC, os 2.800 postos de polícia comunitária e as escolas de educação infantil, fora o resto.

A transposição das águas do São Francisco não tem prazo para ficar pronta. O leilão do trem-bala será adiado pela terceira vez. Os canteiros de obras da Copa e da Olimpíada estão despovoados. Há seis anos no Palácio do Planalto, a superexecutiva acaba de descobrir que só a privatização livrará os aeroportos do completo colapso. A compra dos caças reivindicados pela Aeronáutica ficará para quando Deus quiser. As fronteiras seguem desprotegidas. Das 6 mil creches prometidas na campanha, apenas 54 foram entregues. Menos de 500 casas populares ficaram prontas. E os flagelados da Região Serrana do Rio não deixarão tão cedo os abrigos onde sobrevivem desde as tempestades de janeiro.

A diferença entre o primeiro semestre da afilhada e o último do padrinho é que o ilusionista teve de deixar o palco em que esgotou o estoque inteiro de truques. Livres da discurseira atordoante, os brasileiros puderam contemplar a paisagem mais atentamente. O que estão vendo não rima com o que ouviram durante oito anos. Milhões já sabem que o paraíso só existe no cartório. Descobriram que o governo Dilma é a continuação do governo Lula, mas sem som e sem efeitos especiais. Disso resulta a sensação de que a coisa conseguiu ficar pior. Mesmo que sejam ambos bisonhos, a versão falada parecerá sempre melhor que o filme mudo.

por Augusto Nunes

Um comentário:

Laguardia disse...

Há anos o Supremo Tribunal Federal tem um suas mãos o processo do mensalão, o maior esquema de corrupção já montado neste pais.

O STF indiciou por unanimidade, 40 políticos ligados ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O Ministros indiciaram estes corruptos com base em provas levantadas pela Policia Federal, pelas Comissões Parlamentares Mistas de Inquérito e pela Procuradoria Geral da Republica.

O caso está ficando esquecido. O PT montou um esquema bem montado para desacreditar os relatórios e provas levantados.

Este caso não pode acabar em pizza como acontece tantas vezes em nosso Brasil. Dinheiro público foi desviado para beneficiar os detentores do poder.

Não podemos permitir que este caso caia no esquecimento. Precisamos relembrar o povo dos acontecimentos.

Lutamos com o que podemos, com nossos computadores e com a internet. Para isto criamos um site, Mensalão – Nunca antes na história deste pais - http://mensalao.ning.com/

Convidamos os amigos a participar deste esforço se juntando a nós neste site.

Contamos com a ajuda de todos os que querem ver um Brasil onde se valorizem os princípios de ética, honestidade e moral.