terça-feira, 3 de junho de 2008

Ainda o Debate Sobre o Etanol

O tom das declarações sobre as causas da inflação mundial de alimentos começou a preocupar o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon. Em conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no fim da tarde de ontem, na embaixada brasileira em Roma, Ki-Moon revelou temor de que a "excessiva politização" das posições apresentadas na cúpula tome lugar das soluções práticas para a crise. Ouviu de Lula que a posição brasileira será "científica", sem paixões e emoções.
Em conversas anteriores, o secretário-geral da ONU já demonstrou simpatia pela posição brasileira e revelou não ser uma visão generalizada do órgão apontar a culpa da inflação de alimentos diretamente para os biocombustíveis, apesar de mais de um relatório ligado às Nações Unidas ter batido na tecla. No entanto, Ki-Moon pretende ver sair desse encontro do Fundo das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO, sigla em inglês) soluções práticas além do tiroteio entre as acusações ao etanol e aos subsídios agrícolas dos países ricos, a posição brasileira.
O governo brasileiro devolve a acusação de politização do debate para os acusadores. "Para nós, excessiva politização são as pessoas que esquecem os subsídios agrícolas e o impacto do preço do petróleo e buscam nos biocombustíveis um fantasma para ser condenado", disse o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, ao fim do encontro entre o presidente e Ban Ki-Moon. "Eu acho que o recado era para outros, os que ficam dizendo que os biocombustíveis causam o aumento de preços."
De acordo com Amorim, o comentário do diretor da ONU sobre politização valeu a resposta mais longa de Lula, que passou a explicar a intenção do governo brasileiro de sediar uma conferência em São Paulo, em novembro, para fazer a discussão "científica" do etanol. "O Brasil nessa questão é parte da solução, não do problema. Não tem que receber recados e lições de ninguém", disse o ministro. "Também o governo do presidente Lula ajudou muito ao assumir a liderança, sem nenhum temor, no combate aos subsídios agrícolas, principal arma de destruição em massa que mais causa fome no mundo."
Em entrevista no dia anterior a jornalistas brasileiros que o acompanham a Roma, o presidente já havia avisado que a defesa do etanol, o fim dos subsídios agrícolas e o preço do petróleo serão seus temas únicos daqui para frente nas relações internacionais - inclusive na reunião do G-8 em julho no Japão, para a qual decidiu ir.
Lula chegou a se definir como "o chato do etanol" e o tom de seu discurso hoje, na abertura da Cúpula da FAO, pretende ser "duro", especialmente no ataque aos preços do petróleo. O presidente chega a falar em "especulação no mercado futuro" do combustível e vai lembrar que, mesmo no Brasil, onde o petróleo representa apenas 46% da matriz energética, a atual cotação do barril, de US$ 145, chega a 30% do custo de produção de alimentos.
No encontro com Ban Ki-Moon, Lula informou extra-oficialmente ao diretor da ONU sobre a decisão do encontro dos países do Sistema para Integração Centro-Americana (Sica), na última semana, em El Salvador, de pedir às Nações Unidas uma reunião para debater o petróleo. De acordo com Celso Amorim, Ki-Moon mostrou interesse na idéia e pode levá-la adiante ainda este ano.
A reunião poderia ser uma tentativa de mudar o foco do ataque dos biocombustíveis para o petróleo, na guerra de acusações que se tornou a tentativa de encontrar a culpa pela inflação dos alimentos. Apesar de hoje praticamente só Brasil e Estados Unidos produzirem etanol - no caso americano, de milho - em escala industrial, boa parte da culpa passou a recair sobre os biocombustíveis desde que os alimentos começaram a subir.
A briga brasileira começou com a acusação de Jean Ziegler, então relator especial da ONU para o Direito à Alimentação, que chegou a classificar a produção de biocombustível como "crime contra a humanidade". Depois, as acusações foram secundadas por integrantes do FMI e repetidas por especialistas e parte da imprensa européia e americana.
A própria FAO aponta, em um de seus documentos, como responsabilidade dos biocombustíveis cerca de 20% da inflação de alimentos, relacionada especialmente com especulações de mercado. Um documento que está sendo preparado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e deve ficar pronto em julho quer colocar o etanol como responsável por 20% a 30% do aumento de preços.
A posição do governo brasileiro é de que as teorias serão difíceis de provar. A briga, no entanto, promete ser longa e solitária.

por Lisandra Paraguassú, no Estado de São Paulo, 03/06/2008


Vamos lá, já falei
aqui sobre o problema do etanol brasileiro e o produzido lá no "império" (como gostam de dizer os esquerdistas): esta crise está ligada diretamente às barreiras protecionistas feitas pelos governos dos outros países produtores de biocombustível - especialmente no caso dos EUA, que produzem etanol a partir do milho.
Lula está certo neste ponto - ou, pelo menos, extremamente bem assessorado - quando diz que os países devem dar fim aos fortes subsídios agrícolas existentes. Tanto que ganhou apoio do diretor-geral do Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Jacques Diouf, e do diretor-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, na abertura da reunião de Cúpula do órgão, em Roma. Em seu discurso de abertura, Ki-moon pediu o ajuste de tarifas para permitir o livre comércio e uma rápida solução da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), dizendo que "precisamos agir para uma resistência de longo termo e contribuir para uma segurança alimentar global. Isso significa eliminar taxas de comércio que distorcem os mercados".
Ban Ki-Moon afirmou ainda que "acima de tudo, ninguém pode entender como, primeiro, os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) criaram uma distorção tal no mercado mundial com US$ 372 bilhões gastos em 2006 para apoiar sua agricultura. Depois, que o desperdício de comida em um único país pode chegar a U$ 100 milhões por ano; finalmente, que em 2006 o mundo tenha gasto U$ 1,2 trilhão em compras de armas. Com esse cenário, como podemos explicar para pessoas de bom senso e boa-fé que não é possível encontrar US$ 30 bilhões por ano para permitir que 862 milhões de pessoas famintas possam ter o mais fundamental dos direitos humanos: à comida e, conseqüentemente, à vida ?", criticando explicitamente as políticas protecionaistas dos países desenvolvidos e sustentando as constantes solicitações de ajuda humanitária que têm sido feitas a todos os países desenvolvidos e em desenvolvimento.
É o que sempre digo aqui: os governos que se metem aonde não devem - leia-se aí, o livre mercado, principalmente -, metem os pés pelas mãos! Poucas áreas da economia são mais atingidas por leis protecionistas do que a agricultura - tanto nos países pobres quanto nos ricos.
Quando o governo tenta resolver o problema da fome, como o soviético e o chinês fizeram durante o comunismo, temos a fome de milhões como resultado inevitável. O mercado de produção de alimentos deve ser livre, para que os preços sirvam como instrumento de informação aos agentes, que poderão assim fazer cálculos racionais e atender a demanda. Se há mais demanda por conta do enriquecimento de milhões de chineses e indianos, os preços deverão subir mesmo, para que sirva de alerta aos produtores e os incentive a realizar maiores investimentos produtivos. Isso não ocorre, no entanto, quando os governos usam e abusam de uma panóplia de cotas, subsídios, tarifas e proibições, que tem desencorajado o muito necessário aumento na produção de alimentos e vem distorcendo a formação dos preços.
Neste ponto, faço minhas as palavras de Lula da Silva: "É sacanagem pura, malandragem pura de quem não tem competência para competir com o Brasil".

segunda-feira, 2 de junho de 2008


Notícias do Foro: Cuba, a Número 1!

Em visita oficial a Cuba, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, trouxe hoje uma singular mensagem do governo Luiz Inácio Lula da Silva: o Brasil quer suplantar a Venezuela e assumir o posto de primeiro parceiro de Havana na América Latina.
Dita literalmente a três autoridades cubanas de primeiro escalão, a mensagem foi enfatizada por dois gestos de orientação pragmática. O Itamaraty organizou uma missão com cerca de 40 executivos de empresas brasileiras interessadas em ampliar o comércio e alicerçar investimentos produtivos em Cuba e preparou o terreno para a assinatura de um acordo que permitirá a cooperação tecnológica brasileira para o cultivo da soja no país.
Amorim desembarcou em Havana na noite de ontem, pouco depois do retorno do chanceler da Venezuela, Nicolás Maduro, a seu país. O venezuelano, entretanto, recebeu um tratamento diferenciado - foi recebido em audiência pelo presidente de Cuba, Raúl Castro. Até esta noite, embora houvesse espaço em sua agenda, Amorim não havia sido agraciado com igual oportunidade.
"Quero reafirmar que o Brasil tem um desejo firme e real, mais que disposição, de participar nesse novo momento de Cuba. Sem excluir nenhum outro país, o Brasil gostaria de ser o sócio número 1 de Cuba", declarou Amorim, diante de uma platéia de empresários brasileiros e cubanos e logo depois de ter ouvido do ministro de Comércio Exterior, Raúl de La Nuez, que o Brasil era o parceiro número 2 de seu país na América Latina. "Queremos estar ao lado de Cuba nessa sua nova fase. Queremos ser o parceiro número 1", reiterou ele, duas horas depois, ao lado do ministro das Relações Exteriores de Cuba, Felipe Pérez Roque.
Suplantar a posição da Venezuela no comércio com Cuba - e sua influência econômica e política em um período de mudança no país - tornou-se um objetivo na agenda do próprio presidente Lula, que realizou uma emblemática visita de "trabalho e afeto" a Havana, em janeiro passado. Como Amorim fez questão de destacar, diante de Pérez Roque, Lula acompanha pessoalmente essa relação bilateral. Nessa estratégia de Brasília, superar o fluxo de comércio Cuba-Venezuela, de cerca de US$ 7 bilhões em 2007, pode ser um objetivo de longo prazo. Afinal, o Brasil comercializou com Cuba apenas US$ 412,6 milhões no ano passado e não pretende fazer da Petrobras uma supridora de petróleo a baixo custo a esse país.

Setores
O impulso brasileiro viria de três setores com os quais a Venezuela não poderia competir - os investimentos na produção industrial e na construção de obras de infra-estrutura e os financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a esses projetos. Representantes no Brasil da Volvo, Mercedes-Benz e Volkswagen não só participaram do seminário como também, acompanhados pelo presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Reginaldo Arcuri, reuniram-se com a diretoria da estatal Cunecamoto para tratar de possível instalação de plantas para a fabricação de ônibus e caminhões no país.

Soja
O interesse direto de Raúl Castro em estimular a produção de soja, assinalado por Pérez Roque a Amorim, abriu outra oportunidade para o Brasil aprofundar sua presença em uma Cuba em transição e, desde já, preocupada em garantir o suprimento futuro de proteína animal. Atualmente, 85% dos alimentos consumidos em Cuba são importados. "Queremos ajudar na segurança alimentar de Cuba", afirmou Amorim, diante dos empresários e do ministro De La Nuez. Com base em uma primeira fase de cooperação pela Embrapa, as Forças Armadas cubanas deverão implementar um projeto piloto de produção de soja em uma área de cerca de 35 mil hectares.

reportagem publicada no Estado de São Paulo, em 31/05/2008

Ora, ora. Agora, então, o governo brasileiro quer ser a "primeira-dama" do socialismo do século XXI, apostando suas fichas numa disputa contra Chávez, como diz Amorim.
Nada disso. Ambos estão mesmo é financiando a sobrevida da múmia chamada comunismo, aquele que existia na extinta URSS e que o Foro de São Paulo quer "recuperar na América Latina o que se perdeu no Leste europeu" com a queda do muro de Berlim em 1989.
Estes acordos que estão sendo feitos entre os dois governos abrangem, entre outras questões, os setores agrícola, energético e o médico-farmacêutico e incluem créditos para o financiamento da compra de alimentos - neste momento, no valor de US$ 200 milhões -, a ampliação de uma usina de níquel e equipamentos para a piscicultura.
Segundo o ministro de Comércio Exterior, Raúl de la Nuez, o comércio bilateral ficou em torno dos US$ 450 milhões em 2007, especialmente por causa das importações cubanas de alimentos, da maquinaria agrícola e dos equipamentos de transporte.
Além disto, após participar na última sexta de um fórum empresarial, Amorim destacou a colaboração no setor de alimentos, como vimos acima, e disse a jornalistas que está em processo de estudo um crédito, que poderia chegar a US$ 600 milhões para financiar infra-estruturas e serviços em Cuba. Isto tudo após os dez acordos feitos em janeiro, quando o presiMente Lula foi pessoalmente a Cuba para emprestar, imediatamente, US$ 200 milhões de um total de US$ 1 bilhão!
E quer saber o pior: é VOCÊ, com os impostos que paga ao governo petista, que está financiando o Foro de São Paulo e sua URSAL (União das Repúblicas Socialistas da América Latina), que agora atende pelo belo nome de UNASUL.

A Servidão Voluntária

Aqueles que desistiriam da liberdade essencial para comprar um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade, nem segurança.

Benjamin Franklin

Em 1548, com apenas 18 anos de idade, o francês Étienne de La Boétie escreveu seu Discurso Sobre a Servidão Voluntária, um texto instigante e corajoso, no qual sustenta a tese de que os escravos são servos por opção. La Boétie, que foi amigo de Montaigne, foi um dos primeiros a perceber que os governados eram sempre maioria em relação aos governantes, e que, por conta disso, algum grau de consentimento deveria existir para manter a situação de servidão. O seu texto pode ser entendido como um ataque à monarquia, devido ao contexto de sua época, mas não somente isso. O próprio autor reconhece que o tirano pode ser eleito também, mudando apenas a forma de se chegar ao poder, e não seu abuso. O livro, portanto, é uma leitura essencial nos dias atuais também, onde governos democráticos avançam sobre as liberdades mais básicas dos indivíduos.
Para La Boétie, “é o povo que se sujeita, que se corta a garganta, que, podendo escolher entre ser subjugado ou ser livre, abandona a liberdade e toma o jugo, que consente no mal, ou antes, o persegue”. O pensador Edmund Burke diria algo semelhante depois, ao constatar que “tudo aquilo que é necessário para o triunfo do mal é que os homens bons nada façam”. La Boétie via no direito natural do homem aquilo que ele tem de mais caro, e compreendia que “não nascemos apenas na posse de nossa liberdade, mas com a incumbência de defendê-la”. No entanto, ele constatou que o povo estava quase sempre inclinado a abandonar esse direito, em troca de alguma sensação de segurança. O tirano, então, chega ao poder, seja pela conquista ou pelos votos. Mas La Boétie questiona: “Como tem algum poder sobre vós, senão por vós? Como ousaria atacar-vos, se não estivesse em conluio convosco?” Bastaria que o próprio povo fosse resoluto em não servir mais, para ter sua liberdade. A escravidão acaba exigindo a sanção da vítima.
O que então explicaria essa servidão consentida? Para La Boétie, “todos os homens, enquanto têm qualquer coisa de homem, antes de se deixarem sujeitar, é preciso, de duas, uma: que sejam forçados ou enganados”. Ele parte então para a tese de que, no início, o homem serve vencido pela força, mas que depois serve voluntariamente, enquanto seus antecessores haviam feito por opressão. Sem terem experimentado a liberdade, esses homens acabam escravos pelo costume. La Boétie, antecipando David Hume e Franz Oppenheimer, conclui: “É assim que os homens nascidos sob o jugo, depois alimentados e educados na servidão, sem olhar para a frente, contentam-se em viver como nasceram, sem pensar em ter outro bem, nem outro direito senão o que encontraram, tomando como natural sua condição de nascença”. Primeiro, o poder é conquistado na força; depois, o costume permite um ar de legitimidade, mantido pela ignorância e covardia dos escravos.
A revolta contra essa tirania nem sempre é amiga verdadeira da liberdade. Para La Boétie, os vários atentados realizados contra imperadores romanos, por exemplo, “não passaram de conspirações de pessoas ambiciosas, cujos inconvenientes não se deve lamentar, pois se perceber que desejavam, não eliminar, mas remover a coroa, pretendendo banir o tirano e reter a tirania”. Não foram poucos os casos na história de luta contra uma tirania estabelecida por outra tirania, muitas vezes até mais cruel. Os bolcheviques são um claro exemplo disso, mas nem de perto o único. Até a Revolução Francesa usou o nome da liberdade apenas para entregar Robespierre e seu Grande Terror em troca. No Brasil mesmo, tivemos comunistas lutando contra uma ditadura, mas desejando no fundo instaurar outra bem mais perversa, como aquela existente em Cuba.
Quando se entende que o tirano precisa do consentimento do povo, descobre-se porque todo tirano usa o ardil de embrutecer os súditos e atacar os homens de valor. A doutrinação é fundamental para os tiranos nesse aspecto. O “pão e circo” também são úteis, para desviar as atenções. La Boétie diz: “Os teatros, jogos, farsas, espetáculos, lutas de gladiadores, animais estranhos, medalhas, quadros e outros tipos de drogas, eram para os povos antigos os atrativos da servidão, o preço da liberdade, as ferramentas da tirania”. E convenhamos: como o povo se vende por pouco! Se antes era assim, nada mudou na essência, apenas na forma. O povo escravo vibra com o time campeão do mundo, trocando liberdade por um tolo “orgulho nacional”. O escravo esquece que o governo lhe toma metade dos frutos de seu trabalho, preferindo relaxar no carnaval. “Assim, os povos, enlouquecidos, achavam belos esses passatempos, entretidos por um vão prazer, que lhes passava diante dos olhos, e acostumavam-se a servir como tolos”, lamenta o autor.
As migalhas oferecidas em troca da liberdade não eram apenas jogos e distração, mas literalmente migalhas: “Os tiranos distribuíam um quarto de trigo... e então dava pena ouvir gritar: Viva o rei!” Há tanta diferença assim para um Bolsa-Família, programa assistencialista que, na verdade, são esmolas em troca de voto? La Boétie percebeu que o governo, sem produzir a riqueza, precisa tirar antes de dar: “Os tolos não percebiam que nada mais faziam senão recobrar uma parte do que lhes pertencia, e que mesmo o que recobravam, o tirano não lhes podia ter dado, se antes não o tivesse tirado deles próprios”. Não obstante, o populismo sempre rendeu poder e devoção, sentimento que todos os tiranos buscam despertar em seus súditos. La Boétie lembra que mesmo tiranos que destruíram totalmente a liberdade do povo foram homenageados pelas próprias vítimas, muitas vezes vistos como “Pai do Povo”. Que tipo de covardia faz alguém amar o próprio algoz?
Além das distrações e das migalhas, como o restaurante popular atualmente, os tiranos precisam oferecer uma rede de favores, criando cargos para sustentar a tirania com mais aliados. A lista de oportunistas batendo à porta do governo para trocar liberdade por verbas seria infindável. Desde artistas engajados, intelectuais, funcionários públicos, invasores de propriedade, até líderes do “terceiro setor” ou mesmo empresários, todos em busca de uma teta estatal para mamar. Os tiranos compram assim o apoio à tirania. “Em suma”, conclui La Boétie, “que se consigam, pelos favores ou sub-favores, que se encontrem, enfim, quase tantas pessoas às quais a tirania pareça lucrativa, como aqueles a quem a liberdade seria agradável”.
Essa troca da liberdade por favores seria trágica por si só, pelo valor intrínseco que tem a liberdade. Mas, não obstante, La Boétie questiona que tipo de vida esses “escravos voluntários” levam, concluindo que não pode ser uma vida feliz. Ele pergunta: “Qual condição é mais miserável do que viver assim, sem nada ter de seu, recebendo de outrem satisfação, liberdade, corpo e vida?” Além disso, La Boétie afirma que a amizade verdadeira é impossível nesse contexto de tirania. Ela, afinal, “só se encontra entre pessoas de bem e só existe por mútua estima; mantém-se não tanto por benefícios, senão por uma vida boa”. E acrescenta: “O que torna um amigo seguro do outro é o conhecimento que tem de sua integridade”, lembrando que “entre os maus, quando se reúnem, há uma conspiração, não mais uma companhia; não se amam mais uns aos outros, mas se temem; não são mais amigos, mas cúmplices”. Alguém poderia ter alguma dúvida da verdade dessas palavras observando o comportamento dos aliados do governo brasileiro atual? São todos cúmplices de um projeto de poder; não amigos.
Em resumo, as palavras escritas por um jovem culto de 18 anos na França, há quase cinco séculos atrás, ainda ecoam como verdade nos dias atuais. O povo parece não aprender a lição, construindo sua própria prisão, vendendo a corda usada para seu enforcamento. Nasce escravo, vive na ignorância, e não ousa desafiar seu senhor, questionando sua legitimidade. Aceita passivamente seus grilhões, que até ajuda a colocar. Enquanto os animais na natureza lutam desesperadamente contra seu domínio, o homem, justo o animal com maior capacidade de ser livre, acaba se submetendo passivamente à servidão. Enquanto uma grande quantidade de pessoas estiver disposta a sacrificar a liberdade em troca de algumas migalhas e uma falsa sensação de segurança, conviveremos com a escravidão.

por Rodrigo Constantino, em 30/05/2008

Saudades do Brasil

No dia primeiro de maio, a rádio MEC-FM transmitiu a seguinte mensagem:
"Na época da ditadura, o dia do trabalho era comemorado pelos governantes e pelos empresários. Hoje, quem comemora os ganhos obtidos são os trabalhadores..."
Mas, que ganhos? Talvez os vinte reais oferecidos como reajuste pelo PT... O que comemoram os trabalhadores? A falta de empregos para pessoas honestas que se desesperam ao voltarem para casa, dia após dia, com a certeza de que não poderão sustentar suas famílias por meios dignos? As balas perdidas? O subemprego? Que tristeza! Em que transformaram o nosso Brasil?
Porém, fica a dúvida... Se os tempos da ditadura foram tão ruins para os trabalhadores, se esse fato político pertence ao passado que já vai ficando longínquo, então porque os marxistas não param de repetir esse já desgastado chavão? Porque todos parecem bater na mesma tecla incessantemente? Existe alguma ameaça de implantação de qualquer ditadura que não seja a do proletariado? Quantos partidos ou candidatos com possibilidades de vitória possui a direita? Existe algum veículo de mídia de significação que defenda idéias de direita, ou mesmo de centro direita?
A explicação é bem simples: é necessário falar mal dos militares incessantemente, pois, caso contrário, as pessoas poderão se lembrar de como suas vidas eram melhores naqueles tempos... Afinal, muitas gerações que ainda estão vivas presenciaram aqueles dias em que eram felizes e não sabiam e, mesmo tendo sido submetidas a uma constante lavagem cerebral pela mídia e pelas universidades e escolas, sentem cada vez mais saudade daquele passado que já vai ficando distante. Se o governo não inundar o pensamento coletivo com meias verdades, as outras metades certamente despontarão nas mentes de todos e, nesse caso:

  • Elas poderão se lembrar, assim como fez o presidente Lula, do tempo em que existiam placas de "procura-se" na porta dos estabelecimentos comerciais, industriais e dos inúmeros canteiros de obras...
  • Elas poderão se lembrar, assim como o presidente Lula, do tempo em que existiam greves de trabalhadores do setor privado, reivindicando melhores salários...
  • Elas poderão se lembrar do tempo em que, quando se deixava um emprego, era para ir para outro melhor...
  • Elas poderão se lembrar do tempo em que a polícia não subia o morro atirando ou invadindo lares de pessoas humildes em busca de traficantes...
  • Elas poderão se lembrar do tempo em que ninguém ficava desesperado quando um filho demorava a chegar em casa...
  • Elas poderão se lembrar do tempo em que as cidades não pareciam cenários de combates de uma guerra cada vez mais desumana...
  • Elas poderão se lembrar do tempo em que arma de bandido era navalha...
  • Elas poderão se lembrar do tempo em que apenas os marginais que apregoavam o ssassinato dos burgueses tinham razões para sentirem-se inseguros ou prejudicados...
  • Elas poderão se lembrar do tempo em que os brasileiros não praticavam o auto-exílio, já que este era reservado apenas aos que se voltavam contra os valores democráticos...
  • Elas poderão se lembrar do tempo em que pessoas inocentes, tais como crianças, velhos, pais e mães de família, estudantes e trabalhadores não eram quotidianamente seqüestrados, torturados, roubados ou mortos...
  • Elas poderão se lembrar do tempo em que os que ocupavam o poder não ludibriavam o povo, vestindo a pele de democratas e omitindo descaradamente suas tentativas, em passado recente, de findarem com a família, com os valores democráticos, com as religiões, com a liberdade de ir e vir e com o direito de propriedade...
  • Elas poderão se lembrar do tempo em que pessoas como Fernandinho Beira-Mar não ocupavam o tempo de tantos governadores, juizes, policiais, advogados, pilotos de helicópteros e aviões, repórteres etc...
  • Elas poderão se lembrar do tempo em que criminosos não ordenavam assassinatos a partir de suas celas de insegurança máxima...
  • Elas poderão se lembrar do tempo em que não havia apagões e não se precisava pagar taxas de termoelétricas no país de maior potencial hidroelétrico do mundo...
  • Elas poderão se lembrar do tempo em que as estradas eram construídas e manutenidas com os impostos para isso destinados e não se precisava pagar pedágios em quaisquer estradas sem acostamento e, até mesmo, no interior de cidades...
  • Elas poderão se lembrar do tempo em que havia uma política séria para as populações indígenas; do Marechal Rondon; dos irmãos Vilas Boas e de uma FUNAI que não exportava diamantes...
  • Elas poderão se lembrar do tempo em que ONG patrocinadas por capitais inconfessáveis não eram capazes de isolarem áreas imensas (e fronteiriças) de nosso território, ricas em minerais, sob o pretexto de concederem alguns milhões de hectares a uns poucos brasileiros que muitos pensam serem índios, mas que dirigem um moderno pick-up 4X4, vestindo camisas de griffe, assistem as novelas da globo e, como 007, possuem licença para matar...
  • Elas poderão se lembrar do tempo em que chegamos a ser apontados como o segundo país do mundo em poder percebido...
  • Elas poderão se lembrar do tempo em que o Brasil crescia economicamente e chegou à oitava posição mundial...
  • Elas poderão se lembrar do tempo em que o governo brasileiro não negociava com assassinos...
  • Elas poderão se lembrar de que, hoje, continuamos socialmente injustos, todavia, somos apenas isso... Estamos decaindo e já atingimos a décima quinta posição...
  • Elas poderão se lembrar do tempo em que o Brasil tinha um plano...
  • Elas poderão se lembrar do tempo em que as FARC eram consideradas como um bando de assassinos narcotraficantes e narcoguerrilheiros...
  • Elas poderão se lembrar do tempo em que o Brasil possuía apenas padres que não pregavam o justiçamento em nome de Deus...
  • Elas poderão se lembrar do tempo em nossos projetos, por mais grandiosos que fossem, eram levados a cabo com êxito...
  • Elas poderão se lembrar do tempo em que o Brasil era amado pelos brasileiros que tinham motivos para orgulharem-se de seu país...
  • Elas poderão se lembrar do tempo em que o Brasil respeitava o direito de propriedade e não o direito de viver numa propriedade cercada por grades de ferro...
  • Elas poderão se lembrar do tempo em que o Brasil ainda não tinha sido dominado pelas idéias assassinas de Marx e pelo famigerado decálogo de Lenin. Do tempo em que os governantes não tentavam, como Marx propôs, o nivelamento por baixo, extinguindo tanto o inferno como o paraíso, transformando todo o planeta num imenso e monótono purgatório onde a esperança pereceu...

Mas, de qualquer modo, por mais que o tentem, jamais conseguirão revogar a destinação planetária imposta por Deus aos que aqui nasceram. A de galgar os sofridos degraus da evolução espiritual em meio a diversificado cenário de qualidades de vida. Essas desigualdades existem, e sempre existirão, conforme a vontade do Criador, justamente, para que possamos evoluir por mérito, exercendo nosso livre arbítrio de escolha dentre a miríade de caminhos à nossa disposição nesse mundo de diferenças, oportunidades e chamamentos.

por Carlos Hérnan Tercero, no Polestrare

O Homem Resigando

Acostumei-me com o conceito de que o brasileiro é um povo pacato, passivo. Acostumei-me a acreditar que a reação do brasileiro dependia de uma massiva provocação da mídia, caso contrário, se não fosse instigado a reagir, o brasileiro aceitaria qualquer coisa, qualquer desatino dos governos, afinal, ele é um desprovido de impetuosidade. Pensava assim, aliás, passivamente por anos acomodei-me com esta visão.
Mas chegou Lula e seu discurso tosco e grotesco arrebanhava multidões de fiéis como um beato qualquer que prega ser o novo Jesus Cristo. A explicação da passividade passou a não me satisfazer. Queria entender porque o brasileiro aceita um presidente que admite ter mentido, que zomba dos que querem ser honestos e dignos. Um presidente que ao caminhar deixa um enorme rastro, com companheiros suspeitos de crimes e até de assassinatos? Precisava entender. Sabia apenas que, segundo pesquisas eleitorais, a camada populacional responsável pelas eleições de Lula é a com menor grau de escolaridade.
Foi quando, numa conversa informal, soube de um grupo de médicos de uma universidade paulista que estudava a forma de raciocínio e o comportamento do cérebro em relação ao grau de escolaridade. Humm, aquilo me interessava! Conversei com os pesquisadores e, num resumo superficial, um dos médicos me explicou que, segundo o estudo, quanto menor o grau de escolaridade, mais concreto é o pensamento. Não existe o pensamento subjetivo nem de longo prazo. Há apenas o imediato, o necessário, o essencial. O pensamento de um indivíduo sem escolaridade vai do acordar ao tomar banho. Do comer ao fechar uma porta. São pensamentos concretos de ações ou tarefas a serem realizadas e necessidades fisiológicas a serem saciadas. Os projetos se limitam à refeição do dia seguinte.
Apesar desse estudo nada ter a ver com a política, concluí que o eleitor de Lula é fisiológico e como suas aspirações e necessidades são imediatas e concretas, garantir a esses indivíduos a refeição do dia seguinte era o suficiente. Não pensa no médio e longo prazo.Bem, por esse estudo o brasileiro não é pacato, é ignorante. Chocante, mas era a explicação encontrada pelos pesquisadores, e ia além do simplesmente “pacato pela própria natureza”.
O tempo passou e essa teoria que parecia tão bem se encaixar aos eleitores de Lula, não era suficiente para explicar a aceitação de tantas aberrações cometidas por políticos que roubam dinheiro público e são absolvidos pela própria população roubada.
Incomoda-me não ouvir uma única voz de indignação. Mas peraí!, o silêncio não vem dos eleitores de Lula, daquele indivíduo sem escolaridade. Não é desse indivíduo que se espera uma reação, afinal, os crimes financeiros e improbidades administrativas são complexos demais para a compreensão desse cidadão.
Elaborei algumas teorias, mas era preciso confirmá-las. Foi ai que conheci Garibaldi, um motorista de táxi de Fortaleza que me trouxe a informação para confirmar a minha suspeita.
Comentei com Garibaldi sobre o “vôo da sogra”, do governador do Ceará, que viajou para a Europa em jatinho particular pago com dinheiro público. Garibaldi disse: “coitado do governador, a oposição pegou no seu pé!”.
Para Garibaldi é normal Cid Gomes ter se encantado com o poder, é razoável que ele queira viajar em um jato fretado. É certo ele ter comprado um luxuosíssimo carro apenas para lhe atender quando está em Brasília. Garibaldi não é um cabo eleitoral de Cid Gomes, tem estudo, casa própria, seus filhos estudam e é uma pessoa bem informada que lê jornais. Essa sua postura vai além de Cid Gomes. Garibaldi elogiou e defendeu outros políticos da região, que são de grupos antagônicos ao do governador e tão ímprobos quanto.
Resolveu desviar por um caminho para me mostrar as mansões desses políticos como se fossem estrelas de cinema. Para ele pouco importava se a fortuna havia sido construída com dinheiro roubado. Eram semi deuses, merecedores de toda a honra e toda a glória.
Garibaldi tem ambições e pensa no futuro, mas não questiona a sua posição na nossa sociedade, nem a forma como aqueles tinham conseguido construir aquelas mansões. Garibaldi é o retrato de um homem resignado. O homem que eu procurava. É esse o indivíduo que suporta qualquer mal sem se revoltar, sem esboçar reação. Esse indivíduo não questiona os atos, pois para ele os detentores do poder possuem licença até para roubar, se assim desejarem.
Ele nunca se perguntou se pode ou não um dia chegar a outro patamar social, ele apenas segue a vida. Resignado. Esse é o homem brasileiro. Resignado.

por Adriana Vandoni, economista, especialista em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas/RJ. Professora universitária e articulista do Jornal Circuito Mato Grosso. Site: http://www.adrianavandoni.com.br/

Um Jovem Herói

Apesar da pouca idade – apenas 23 anos –, o estudante de direito Yon Goicoechea é hoje um dos principais líderes de oposição ao governo do presidente Hugo Chávez na Venezuela. Sua atuação à frente do movimento estudantil foi considerada pelos observadores decisiva para a derrota de Chávez no referendo que lhe teria conferido mais poder e limitado ainda mais a liberdade dos venezuelanos. Por sua luta em prol da democracia, Goicoechea recebeu, no mês passado, um prêmio de 500 000 dólares do instituto americano Cato, sediado em Washington. Ameaçado de seqüestro e até de morte pelos chavistas, ele passou a tomar algumas medidas de segurança em seu dia-a-dia. Não sai mais à rua sozinho e troca o número do celular a cada quinze dias, para evitar ser grampeado. Ainda assim, vive com medo de ser vítima de um ato violento por parte do governo. Na entrevista que concedeu a VEJA, Goicoechea se revela uma voz destoante no movimento estudantil: critica o fato de tais movimentos receberem dinheiro do governo, tal qual no Brasil, e é contra invasões de reitoria como forma de protesto.
Veja – Você acaba de ganhar um prêmio nos Estados Unidos por lutar pela liberdade em seu país. Qual foi a reação do governo?

Goicoechea –O Ministério da Comunicação usou a televisão estatal para difundir a tese de que, ao conceder o prêmio a um opositor do regime, os Estados Unidos estariam fazendo uma nova tentativa de desestabilizar os governos na América Latina. Uma baboseira ideológica que choca, antes de tudo, pelo anacronismo.

Veja – Qual é sua opinião sobre esse antiamericanismo?

Goicoechea – É inaceitável o fato de a filosofia antiamericanista ainda ter espaço num momento em que os países estão cada vez mais próximos uns dos outros. Enquanto eles se abrem e claramente se beneficiam disso, a Venezuela está isolada do mundo. Também não dá para entender de onde vem tanto ódio contra um modelo que, afinal, deu certo. Fiz palestras em Harvard e Georgetown, ambas nos Estados Unidos, e vi de perto como funcionam algumas das melhores universidades do mundo. Devemos é aprender com os americanos, em vez de repudiá-los. Repare que há muito pouco de objetivo nas críticas feitas por Chávez aos Estados Unidos – são pura retórica. Adoraria ver os venezuelanos vivendo tão bem quanto os americanos.

Veja – Você costuma ser criticado por outros estudantes ao defender tais idéias?

Goicoechea –Sim, o tempo todo. Essas críticas vêm de uma minoria de estudantes que ainda apóia Chávez. Estão motivados, basicamente, por um discurso ideológico de esquerda. Segundo esses estudantes, eu seria um típico representante da direita. Com uma discussão tão ultrapassada, eles deixam de prestar atenção na questão central: quem se opõe ao governo Chávez está lutando pela possibilidade de qualquer venezuelano defender o que bem entenda e acreditar nisso sem que seja punido, como é comum hoje. Para superar um cenário tão atrasado, é preciso pragmatismo – e a insistência no debate ideológico só atrapalha.

Veja – Líderes estudantis brasileiros, sobretudo aqueles ligadas à União Nacional dos Estudantes (UNE), já declararam apoio incondicional ao presidente Hugo Chávez. Eles também estão sendo mais ideológicos do que pragmáticos?

Goicoechea –Sem dúvida. Acho indefensável que haja no movimento estudantil brasileiro líderes que saiam em defesa das práticas autoritárias do governo venezuelano. Prefiro acreditar que eles fizeram isso por um profundo desconhecimento das reformas propostas por Chávez. Se estivessem mais bem informados, esses estudantes brasileiros não teriam tomado uma posição que vai de encontro à diversidade de opiniões e às liberdades individuais. Como ser a favor de reformas que tirariam das pessoas direitos tão básicos, como o de escolher seus governantes e até o de optar pela profissão que desejam seguir? Não faz nenhum sentido que estudantes tenham simpatia por tais idéias.

Veja – Você chegou a receber alguma manifestação de apoio de movimentos estudantis brasileiros?

Goicoechea –Nenhuma. Mas teria sido de grande ajuda. A pressão internacional contra Chávez pode exercer um papel fundamental para que a Venezuela se torne, de novo, uma democracia. Infelizmente, alguns líderes estudantis na América Latina, assim como o meio acadêmico de modo geral, estão paralisados pelo discurso ideológico. Perdem tempo discutindo Karl Marx e idéias superadas ao longo dos séculos, quando poderiam estar lutando por questões mais práticas e relevantes. Esse debate velho não faz mais sentido em nenhum lugar do mundo – muito menos na Venezuela, onde falta um artigo de primeira necessidade: a liberdade de expressão.

Veja – No Brasil, os estudantes costumam invadir reitorias como forma de protesto. Você concorda?
Goicoechea –Não. Numa democracia como a brasileira, há instituições suficientemente sólidas para resolver os impasses, e é preciso recorrer a elas. A ordem e o respeito à lei não são princípios apenas desejáveis, mas absolutamente necessários nas sociedades modernas. Até mesmo num governo autoritário como o da Venezuela, em que as instituições são menos transparentes e inoperantes, acho que manifestações tão extremas a ponto de ser ilegais devem funcionar apenas como último recurso.

Veja – Que tipo de represália você sofreu por parte do governo quando começou a liderar movimentos antichavistas?
Goicoechea –Foram tantas que perdi a conta. Recebi telefonemas em casa com ameaças de seqüestro e até de morte. Isso se estendeu à minha família. Também já apanhei no meio da rua. No ano passado, durante uma assembléia para discutir as reformas propostas por Chávez, alguns estudantes que apoiavam o governo me agrediram. O que era para ser um debate como qualquer outro se tornou uma demonstração de intolerância. Acabei no hospital com um olho roxo e o nariz machucado. Em outra ocasião, colocaram um explosivo no palco em que eu discursava. Eles fazem isso para me assustar, e às vezes conseguem. Não dá para não ter medo de morrer numa situação como a atual. Meus familiares vivem apavorados com a idéia de que algo pior possa acontecer comigo. Por mais de uma vez, minha mãe via televisão quando foi surpreendida com cenas em que eu era alvo de agressões em plena luz do dia.

Veja – Em geral, quem são os agressores?

Goicoechea –Pessoas ligadas a alguns dos grupos radicais de apoio a Chávez. Eles praticam a violação dos direitos humanos na Venezuela sem nenhuma espécie de pudor. Minha situação piora com a propaganda negativa que o governo faz contra mim em jornais, rádios e na televisão. Já me chamaram de tudo: de fascista, inimigo da pátria, colaborador da ultradireita e até de títere do império americano. Em meu país, sou tratado pelo governo como um péssimo exemplo.

Veja – Como você se protege?

Goicoechea –Jamais fico sozinho em lugares públicos. Troco o número do meu celular a cada quinze dias e não tenho mais telefone fixo, para evitar ser grampeado. Em momentos mais tensos, como nas semanas que antecederam a votação do referendo de Chávez, deixei de dormir em casa. A cada noite, pedia asilo a um amigo diferente. Viver assim não é exatamente bom, mas sei que não exagero ao tomar medidas em prol da minha segurança.

Veja – Você pensa em deixar a Venezuela e morar em outro país?

Goicoechea –Não. Depois da II Guerra, meu avô fugiu do caos em que estava a Espanha para tentar uma vida melhor na Venezuela. Com o passar dos anos, a Espanha se tornou próspera e meu avô sofreu muito com o fato de não ter estado lá para ver essas mudanças e participar delas. Guardadas as devidas diferenças históricas, a Venezuela é hoje, também, uma espécie de terra arrasada. Posso soar idealista, mas não quero jamais sentir a mesma frustração de meu avô, ainda que toda essa repressão me atinja tão diretamente.

Veja – O governo interfere nas universidades da Venezuela?

Goicoechea –Ele tenta o tempo todo. Algumas universidades já são diretamente controladas pelo governo. Nelas, todos os reitores e diretores são pró-Chávez e chegaram lá por indicação política. É o caso da Universidade Bolivariana, uma invenção do próprio Chávez, e da Unefa, comandada pelas Forças Armadas. Essas instituições sofrem pressão do governo. Alunos e professores têm medo de emitir opiniões que possam ser mal interpretadas pelas autoridades e resultem em expulsões, demissões e outras represálias. Fazer oposição a Chávez numa dessas universidades é algo impensável. Felizmente, elas ainda são a minoria na Venezuela. Mas o número pode aumentar.

Veja – Por que você diz isso?

Goicoechea – O governo lançou recentemente uma proposta inacreditável. Chávez quer que o processo de seleção nas universidades passe a ser comandado pelo Ministério da Educação. Na prática, isso significa que só os estudantes alinhados com o governo teriam acesso à educação superior. Não acredito que os chavistas consigam emplacar esse projeto. De todo modo, é assustador. O governo também tentou implantar uma cartilha própria nas escolas, mas fracassou.

Veja – Como era exatamente essa cartilha?

Goicoechea – Profundamente ideologizada e xenófoba. O objetivo declarado da cartilha era formar "o novo homem socialista", nas palavras do próprio Chávez. Ela incentivava as crianças a entoar canções a Simon Bolívar, o herói da independência nacional, e a odiar os colonizadores europeus. Também apagava alguns capítulos da história desfavoráveis a Hugo Chávez e alimentava a admiração aos movimentos que resultaram em ditaduras comunistas, como os da Coréia do Norte e de Cuba. Um absurdo atrás do outro. Mas essa Chávez não conseguiu levar adiante.

Veja – Você conhece muita gente que vive com medo do governo na Venezuela?

Goicoechea –Isso é muito comum. No serviço público, por exemplo, é preciso dar a toda hora manifestações explícitas de apoio ao governo para manter o emprego. Isso acontece de diversas maneiras. Conheço pessoas que já foram várias vezes forçadas a participar de atos públicos em favor de Chávez. Nessas ocasiões, elas sabem que, caso não compareçam, acabarão demitidas. Vão, portanto, porque precisam do trabalho. Essa é uma forma de coerção brutal. Quem recebe benefícios sociais do governo sofre algo parecido. O pré-requisito básico para ter acesso a qualquer um deles é o mesmo: apoiar incondicionalmente Hugo Chávez. Hoje, quem faz oposição ao governo na Venezuela paga um preço alto por isso.

Veja – De onde vem o dinheiro para manter o movimento estudantil que você comanda?

Goicoechea –Da contribuição mensal dos estudantes e de empresas do setor privado. Elas dão dinheiro por meio de uma fundação mantida pelo próprio movimento estudantil. Do governo, evidentemente, não vem nem um centavo. É claro que isso tem uma relação direta com o fato de o movimento ser de oposição a Chávez. Mas, mesmo que o governo quisesse nos ajudar financeiramente, eu seria absolutamente contra.

Veja – Por quê?

Goicoechea –Não acho apropriado para um movimento estudantil manter uma relação tão estreita com o governo. Por definição, uma organização dessa natureza precisa ser independente. Do contrário, dificilmente fará um trabalho sério. Às vezes, os estudantes precisam se colocar contra o governo, como acontece hoje na Venezuela. Com uma relação financeira estabelecida entre as duas partes, a isenção fica naturalmente comprometida.

Veja – No Brasil, uma parte do orçamento da UNE vem do governo...

Goicoechea –Para mim, está claro que esse é um modelo fadado ao fracasso. Se fosse estudante no Brasil, faria uma reflexão sobre isso.

Veja – Você está pessimista em relação à situação na Venezuela?

Goicoechea –É preciso fazer um esforço diário para renovar o otimismo. Enxergo, no entanto, alguns sinais positivos no horizonte. Estudantes que antes não se manifestavam têm me procurado dizendo que, diante de tanto obscurantismo, resolveram protestar ativamente. Isso fortalece o movimento. Outro dado bom diz respeito ao surgimento de lideranças no governo dispostas a respeitar as leis e a dialogar com a oposição. É, pelo menos, um começo.

Veja – O que você vai fazer com o prêmio de 500 000 dólares que acaba de receber?

Goicoechea –Investir numa escola em Caracas para capacitar líderes. A idéia é ajudar a formar uma juventude com a mentalidade mais aberta e, antes de tudo, voltada para temas minimamente relevantes. É o contrário do que se passa na Venezuela e em tantos outros países da América Latina – todos com uma forte inclinação para assuntos já sepultados pela própria história. Fico angustiado ao ver como questões tão ultrapassadas e ideológicas impedem as pessoas, ainda hoje, de aspirar a uma sociedade mais moderna.

por Camila Pereira, na Veja Online

Golpe de Morte na Lei Fiscal

A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), sancionada pelo presidente Fernando Henrique em 2000, foi feita para obrigar o governante a manter os gastos de sua administração dentro dos limites orçamentários. Antes da vigência da lei, Estados e municípios gastavam à vontade e, esgotados os recursos fiscais, emitiam títulos, acumulando dívidas imensas que oneravam as futuras administrações por gerações. Quando o estoque da dívida ficava elevado a ponto de as amortizações comprometerem a rotina administrativa, governadores e prefeitos pressionavam a União para que fosse feita a recomposição do débito - e tudo começava de novo. A última repactuação, concluída dias antes de a LRF entrar em vigor, beneficiou 25 Estados e 180 cidades de portes médio e grande. Tribunais de Justiça, Assembléias Legislativas e Câmaras de Vereadores, por sua vez, tinham suas próprias políticas de gastos, principalmente com pessoal, sem se importar com o impacto que elas pudessem ter sobre as finanças do Estado ou do município.
A Lei de Responsabilidade Fiscal atacou frontalmente esses dois pontos. Estabeleceu limites para os gastos de pessoal de todos os entes e poderes estatais, proibiu a contratação de empréstimos que ultrapassem o limite legal de endividamento de Estados e municípios e vedou qualquer tipo de novação das dívidas já consolidadas. Além disso, impôs severas sanções administrativas aos infratores dessas normas, agravadas depois por uma lei que transformou em crimes puníveis com cadeia os casos de irresponsabilidade fiscal.
Graças à LRF, nos últimos oito anos os governantes comportaram-se de uma maneira que antes era inimaginável: só gastaram o que tinham e podiam, ajustaram as despesas de pessoal do Executivo aos limites legais - com a exceção de Alagoas - e pagaram pontualmente a sua parcela da dívida pública, que permaneceu dentro dos limites fixados pelo Senado.
Também nesses oito anos não faltaram políticos a pregar a “flexibilização” da LRF, a pretexto de aumentar limites de endividamento ou de aliviar o serviço da dívida consolidada - mas sempre para ter mais dinheiro para gastar livremente, sem a preocupação de pagar as despesas já contratadas. Pregaram em vão, parecendo, assim, que estava consolidada, nos meios políticos mais responsáveis, a crença de que a base de uma boa administração é a responsabilidade fiscal.
Mas, no ano passado, por iniciativa da Secretaria do Tesouro Nacional, o governo enviou ao Congresso um projeto para corrigir o que parecia ser um excesso da LRF. A lei, hoje, não permite que Estados e municípios contratem empréstimo ou façam operações para reestruturar dívidas velhas, se qualquer dos Poderes estiver gastando com pessoal mais do que o permitido. Todos os Executivos estaduais, menos o de Alagoas, estão no limite, mas os Legislativos e Judiciários de 12 Estados, usando o (no caso) falacioso argumento da independência dos Poderes, não ajustaram suas despesas.
O governo federal, alegando que considera injusto que, por causa da irresponsabilidade do Legislativo ou do Judiciário, um Estado não possa levantar empréstimos, inclusive internacionais, para custear obras de infra-estrutura, decidiu revogar a proibição.
Na quarta-feira, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto do governo, mas com modificações que praticamente demolem as fundações da Lei de Responsabilidade Fiscal. A menos nociva das emendas - por si só devastadora - permite a contratação de créditos, mesmo que o Executivo, além do Judiciário e do Legislativo, não cumpram os limites com pessoal. O projeto, acrescido dessa emenda, foi aprovado pelos 342 deputados presentes.
Em seguida, 324 deputados, contra o voto solitário do deputado paulista Arnaldo Madeira, aprovaram emenda do líder do governo, Henrique Fontana, autorizando operações de reestruturação e recomposição do principal de dívidas, mesmo quando excedidos os limites com gastos com pessoal e os limites de endividamento fixados pelo Senado.
A primeira emenda não estabelece punições administrativas para os gestores, que assim ficam à vontade para aumentar salários e contratar pessoal. A segunda escancara as portas para o endividamento descontrolado de Estados e municípios. Se o Senado não brecar essa insensatez, a Lei de Responsabilidade Fiscal terá sido golpeada de morte.

Editorial do Estado de São Paulo, em 01/06/2008

A Nova Gestapo de Chávez

Com o início da vigência da Lei do Sistema Nacional de Inteligência e Contra-inteligência venezuelana, promulgada na última quarta-feira pelo presidente Hugo Chávez, todo cidadão, empresa ou organização governamental - venezuelana ou estrangeira-, está obrigada a "cooperar" com o governo quando necessário. Segundo a edição desta sexta-feira, 30, do jornal venezuelano El Universal, os que não cumprirem a determinação atentarão "contra a segurança, a defesa e o desenvolvimento integral da nação" e ainda podem cumprir prisão de até 6 anos.
O recém-aprovado texto contém 29 artigos e determina que "órgãos de apoio às atividades de inteligência e contra-inteligência, as pessoas naturais e jurídicas, de Direito público ou privado, nacionais ou estrangeiras, assim como órgãos e organismos da Administração Pública nacional, estatal, municipal, as redes sociais, de organizações de participação popular e comunidades organizadas" devem atender quando for solicitada a sua cooperação "para a obtenção de informação ou apoio técnico por parte dos órgãos de competência social".
Quem não cumprir a medida pode ser penalizado com prisão de 2 a 4 anos nos casos de civis e de 4 a 6 anos para funcionários públicos, segundo aponta a Lei Orgânica de Segurança Nacional, sancionada em 2002. Um dos artigos da medida promulgada por Chávez, segundo o jornal, destaca a "obrigação especial" de todos os funcionários do "sistema de Justiça" em coadjuvar com o exercício de suas atividades. Além disso, as pessoas que "colaborarem" com os procedimentos exigidos pelo Estado deverão manter a confidencialidade de sua ação.
Diante da necessidade de se "articular ações" que garantam a segurança venezuelana, o Executivo ainda desativará a Direção do Serviço de Inteligência e Prevenção (Disip) e a Direção da Inteligência Militar (DIM) para criar o Sistema Nacional de Inteligência e Contra-inteligência, submetido ao Ministério do Interior, no âmbito civil, e ao da Defesa, em caráter militar.
Entre as competências do novo órgão, está "identificar, prevenir e neutralizar toda a atividade interna e externa executada por qualquer fator que pretenda atentar contra a ordem constitucional e instituições democráticas". Segundo o ministro do Interior, Ramón Rodríguez Chacín, entre elas está combater a ingerência dos Estados Unidos nos assuntos internos venezuelanos.

Matéria veiculada no Estado de São Paulo, em 30/05/2008

Eis aí mais uma parte da estratégia para a derrocada da democracia como conhecemos - e não como dizem os esquerdistas, para quem a verdadeira democracia é só um dos "meios que justificam os fins" para a implantação do comunismo.
Mediante decreto publicado na "Gaceta Oficial 38940", o executivo venezuelano, através da figura do presidente Hugo Chávez, assumiu-se como "única potência para a busca, processamento e divulgação de informações sobre temas classificados como estratégicos" - e a semelhança com o que faz o governo do PT, no caso do dossiê FHC, querendo tornar públicos os gastos dos ex-presidentes, mas classificando os de Lula como secretos não é apenas mera coincidência.
Veja a matéria completa no site Notícias 24.

A Direita se Perdeu

Os 20 anos de ditadura militar e os reflexos do período na sociedade brasileira, somados a uma seqüência de governos auto-intitulados "de esquerda" - em especial os dois mandatos consecutivos de Luiz Inácio Lula da Silva, marcados pela alta popularidade do chefe de governo e pela bandeira dos programas sociais - provocaram um radical encolhimento no espaço ocupado pela direita no espectro partidário do país.

Nos Estados Unidos pós-11 de setembro e na União Européia o conservadorismo voltou ao poder, quatro décadas depois do emblemático ano de 1968, auge da resistência ao regime militar, em nível nacional, e dos protestos ligados a movimentos de esquerda, em todo o mundo. No Brasil, esse mesmo pensamento murchou. E empobreceu o debate político. Ao menos no que diz respeito à representação partidária, à sua presença dentro do Congresso.

"De repente, ninguém é de direita, todo mundo é 'centro'" - ironiza o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), ele mesmo um dos raros baluartes da chamada extrema-direita no Parlamento.

Pejorativo
A carga pejorativa sobre a direita em comparação à celebração da esquerda seria, em parte, reflexo da ditadura militar, acredita o deputado. Direita era quem estava a favor do regime autoritário e anti-democrático. Já a esquerda ficou identificada com quem se opôs ao comando implementado pelo golpe de 1964, defendeu os direitos humanos e filosofou sobre programas sociais. Muito embora esse bloco tenha pegado em armas para lutar pela ditadura do proletariado, observa Bolsonaro.

" Esse pormenor, entretanto, é esquecido e a idéia que se passa é que os esquerdistas, na época, defendiam a democracia. Nada mais incorreto" - reclama o deputado.

A mudança de nome do Partido da Frente Liberal (PFL) que, no ano passado, mudou seu nome para Democratas (DEM), ilustra a resistência que políticos brasileiros têm, hoje, em assumir uma orientação mais inclinada à direita do espectro ideológico. Mesmo mantendo intactos a estrutura partidária, ideário e principais líderes, a legenda antes conhecida como PFL mudou para se livrar da imagem ligada à direita - mais particularmente com a Arena, partido que serviu de sustentáculo do regime militar, nos anos de chumbo - e com o liberalismo. Expurgado do nome da legenda, mas ainda defendido por ela.

Para Dom Bertrand de Orleans e Bragança, membro da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Prosperidade (TFP) e coordenador do movimento Paz no Campo, contraponto ruralista ao Movimento dos Sem Terra (MST), a transformação do PFL em DEM dá a medida do vácuo que existe na representação política do pensamento conservador.

"Não há no Congresso, hoje, nenhum parlamentar que possa ser considerado como um expoente do pensamento de direita" – acredita Dom Bertrand.

Segundo ele, muito dessa ausência do pensamento conservador no Parlamento é reflexo do que seria uma tática da esquerda de colar na direita a identificação com movimentos como o nazismo e o fascismo.

"O que é uma total inverdade" – argumenta.

"O nazismo sempre foi uma expressão do socialismo, do comunismo. Este sim um regime que matou milhões de pessoas em todo o mundo. O resultado dessa contra-propaganda de esquerda foi o gradual esvaziamento da direita na representação partidária. Os políticos hoje podem até defender a livre iniciativa, a propriedade privada e o Estado mínimo. Mas tem vergonha em assumir essas bandeiras como pensamento conservador".

por Karla Correia, no JB Online, em 01/06/2008


É. Esta é a mais pura verdade, como disse Marcos Pinho de Escobar, no Alameda Digital: "A Direita mole é a Direita que convém à Esquerda. É a Direita que não serve." Vejamos lá o que ele nos diz:
Esquerda, Direita…

Nunca é demais recordar que a clivagem esquerda-direita tem origem histórica na Assembléia Constituinte da França revolucionária (1789-1791). Reunida pela primeira vez na sala retangular do Manège, no palácio das Tuileries, os deputados adotaram uma distribuição espacial em função de sua posição relativamente à questão do veto real. À direita do presidente colocaram-se os partidários do veto; à esquerda os seus opositores. A partir de então as diferentes tendências políticas passaram a agrupar-se segundo esta clivagem inicial. A revolução da liberdade, da igualdade e da fraternidade dava os seus primeiros passos. Mais adiante coube a uma afiada guilhotina definir com precisão cirúrgica a trilogia revolucionária e aplicá-la com decisão ao Trono, ao Altar e aos defensores da Tradição.

Há mais de dois séculos que esta “grande dicotomia”, como lhe chama Bobbio, vem sendo utilizada para classificar as posições ideológicas que habitam o mundo – necessariamente conflituoso – do pensamento e da ação. O fim da Grande Guerra em 1945 levou à criminalização da Direita autêntica, contra-revolucionária, se se quer, enquanto a Esquerda, em todas as suas vertentes, era premiada com garantias de eterna respeitabilidade. Estava aberto o caminho para a criação de uma falsa Direita tolerada pela verdadeira Esquerda. Trata-se da Direita Mole.

A Direita mole é aquela que sucumbiu à Revolução e aceita todos os seus “dogmas”. Da defesa do Trono e do Altar, da Ordem e da Tradição, a Direita mole passa à defesa da República. É a Direita que alinha com a vigarice democrática. É a Direita embevecida com a falsa trilogia liberdade-igualdade-fraternidade. É a Direita encantada com a ditadura da aritmética a substituir a noção da Verdade e do Erro. É a Direita que colabora direta ou indiretamente com a destruição da Lei Natural. É a Direita para quem os chavões demo-liberais valem mais do que a integridade do corpo nacional. A Direita mole é aquela que deixou para trás o princípio da unidade e passou a crer firmemente na fragmentação nacional operada pelo sistema de partidos – e no clima de permanente guerra civil daí resultante.

Complexada e covarde a Direita mole curva-se à hegemonia da Esquerda e permite que essa lhe defina o espaço e a atuação. É a Direita que endossa a demagogia. É a Direita que aceita a agenda imposta pela Esquerda e que se limita a questionar – com pezinhos de lã, já se vê – temas de segundo ou terceiro plano. É a Direita que se apressa a incorporar as posições da Esquerda, com alguma variação de matiz, é certo, para não perder o comboio da modernidade, ganhar pontos de popularidade, ficar de bem com os media.

A Direita mole sente imenso pavor diante da possibilidade de ser rotulada “Direita” e experimenta um dulcíssimo alívio quando é tratada por “Centro”. Por vezes, quando alguma figura da Direita mole ousa pisar fora dos carris que lhe foram assignados, basta que a Esquerda ameace com a variante “Extrema-Direita” – logo igualada ao fascismo e ao nazismo – e o atrevido recolhe-se. É a Direita que tem medo da Esquerda e que não ousa dizer em alto e bom som as coisas que uma grande parte da população – quiçá a sua maioria – pensa, mas não se atreve a dizer.

O Ataque dos Clones

Quais as implicações dessa formação de opinião de caráter socialista e anticapitalista?
Há quem possa dizer que tal visão não conduz a prejuízos ou atraso em si. A própria realidade do mundo se encarregaria de colocar as coisas em ordem. Mais cedo ou mais tarde nossos revolucionários românticos têm que se prover e entrar no mercado de trabalho de uma forma ou de outra. O mundo da exploração da mais-valia de Marx, rapidamente se transforma no mundo das trocas voluntárias de Adam Smith.
Também a doutrinacão ideológica em sala de aula tem seu alcance limitado. Alguns só se lembram do be-a-bá anticapitalista até a prova final, depois tudo se torna chato e aborrecido. A maioria dos alunos só considera os professores de discurso marxista uns comunistas chatos, mas alguns levam a sério suas palavras, esses vão demorar até mudar de pensamento.
Pode ser que não estejamos na iminência de nenhuma revolução (talvez só da capitalista), nem mesmo da revolução Gramcista (Gramsci, o comunista italiano, é um dos autores mais citados nos ambientes acadêmicos. Sua estratégia era a de tomar o poder modificando o senso comum, ou seja, a opinião das pessoas, via aparato cultural e midiático), mas sem dúvida sofremos influência dessa formação crítica de viés socialista. E ela está permeada em livros, filmes, revistas, etc.
O maior prejuízo penso eu, seria para a própria pessoa altamente crédula na ideologia e que entra em angústia de viver num mundo que dificilmente mudará da forma que ela pensa que seria ideal. Parece exagero e eu mesmo não acreditei, mas recentemente ouvi fortuitamente a conversa entre dois jovens professores de História. Um falou que convocava claramente seus alunos para militância anticapitalista. Pelo vocabulário dos dois me senti em plena Moscou de 1917.
O que um sujeito como esse vai conseguir? Nada, obviamente. Somente frustração ou talvez pior, algum tipo de incitação à violência. Sinceramente, não tive professores tão exagerados assim, ainda bem.
Quais as outras implicações? Daria uma nova lista, mas sucintamente cito algumas:
-não prepara-se a juventude para a realidade de um mundo competitivo e pior, não estimula-se uma mentalidade de caráter empreendedor, haja visto a satanização das relações entre empregador e empregado
-não criamos uma sociedade com pessoas responsáveis, pró-ativas e conscientes de deveres e direitos, mas apenas de exploradores e explorados, vítimas e vitimizadores, incentivando o “coitadismo”.
-desvia-se o foco das reais soluções para os problemas sociais.-oportunistas montam movimentos pseudo-sociais desviando dinheiro público.
- a mentalidade anticapitalista ocasiona mais atraso e exclusão social.
-favorece-se a demagogia política.-criam-se burocracias e até perseguição à atividade produtiva, principalmente de âmbito jurídico.
-pouca pluralidade de pensamento acadêmico, surgimento da “unanimidade burra”.
Haveriam muitos outros que se listar. Neste texto, findo por aqui.
Qual a solução para isso? Acho que nenhuma. Tenho a impressão que daqui a 50 anos se entrarmos num curso destes que estou criticando vamos ouvir as mesmas bazófias de hoje. Acho pior ainda que cursos como Administração e Economia que poderiam entrar no debate, de certa forma “defendendo” o capitalismo, não fazem isso, apenas assistem a espoliação verbal, quando não consentem ou até endossam as críticas negativas.
Mas vá lá, vou deixar algumas sugestões, principalmente para os que estiverem adentrando a área de Humanas ou para os que, como eu, se sentirem caluniados ao serem vítimas das acusações dessa turma.
Procurem algumas leituras diferentes. Basicamente estuda-se o quarteto Marx-Kant-Hegel-Gramsci, todos de um viés semelhante. A fonte alternativa mais fácil seria a Internet, com certeza. Mas algumas obras literárias são altamente indicadas. Os dois livros de Álvaro Vargas Llosa e outros, intitulados “Manual do perfeito idiota latinoamericano” e “A volta do Idiota”, seriam bons iniciadores. Na segunda obra há até uma lista de livros para desidiotizar-se, o que já serve de boa sugestão para os que quiserem se servir de um pouco mais de pluralidade de pensamento.
Para adiantar aos curiosos sugiro a leitura de autores como: Mises, Hayek, Milton Friedman, Alexis de Tocqueville, Max Weber, Bohm-Bawerk, Joseph Schumpter, Jean François-Revel, Carlos Rangel, Karl Popper, George Orwell, Guy Sorman, Roberto Campos e Meira Penna. Há outros autores brasileiros mais atuais, alguns polemistas entre eles, de modo que basta interagir um pouco no meio da área para se conhecê-los.
Boa parte dos autores citados acima são liberais, dos poucos considerados social-democratas que conheço recomendaria John Maynard Keynes e John Kenneth Galbraith. Independente de rótulos, todos autores fornecem mais subsídios e críticas para os lugares-comum do pensamento socialista e das críticas anticapitalistas arraigadas no meio acadêmico.
Também deve-se conhecer devidamente as barbáries dos regimes comunistas (mais genocidas que o nazismo), através do Livro Negro do Comunismo.
Os debates nas universidades, como disse Roberto Campos, parece que geram mais calor do que luz, de forma que infelizmente não parecem ser meios tão eficazes numa mudança de paradigmas.
Retomo o lembrete então. Acessem os blogs e comunidades políticas da Internet, eles provirão muito material, sem dúvida.O que espero com essa série de textos? Sou um pouco mais realista do que o professor que citei. Não espero nada. Apenas os fiz para matar a minha própria curiosidade. Elementar meu caro.


por Augusto Araújo, no blog DMM

As FARC no Brasil: Governando com o PT

A mulher de Olivério Medina, o representante das Farc no Brasil, foi contratada pelo governo Lula. Agora só falta arranjar um emprego para a mulher de Fernandinho Beira-Mar, outro criminoso ligado às Farc.
Em 29 de dezembro de 2006, Angela Maria Slongo foi nomeada pelo ministro da Pesca, Altemir Gregolin, para o cargo de oficial de gabinete II, com um salário de DAS 102.2. Angela Maria Slongo é mulher de Francisco Antonio Cadena Collazos, também conhecido como Olivério Medina, ou Padre Medina, ou Camilo López, ou El Cura Camilo. Quando Angela Maria Slongo foi nomeada pelo Palácio do Planalto - sim, o Ministério da Pesca é ligado diretamente ao gabinete do presidente da República -, Olivério Medina estava preso em Brasília, a pedido da Colômbia, seu país de origem, onde era acusado de atos terroristas e assassinatos.
Pausa. Respire fundo. É melhor repetir o que acabei de dizer. Pode ser que alguém tenha passado batido. É o seguinte: enquanto uma fatia do estado brasileiro cumpria a lei, prendendo um criminoso internacional, uma outra fatia - mais especificamente, Lula e seus ministros - o protegia, oferecendo à sua mulher um salário de apaniguada, a fim de que ela pudesse permanecer perto dele, numa chácara em Brasília, à espera do julgamento do STF, que iria decidir sobre sua extradição. Ele só saiu da prisão domiciliar no fim de março de 2007. Angela Maria Slongo até hoje continua aparelhada no Ministério da Pesca, recebendo seu salário de apaniguada, que acumula com o salário pago pelo governo do Paraná. VEJA pediu esclarecimentos sobre a escolha de seu nome para o cargo de confiança. O Ministério da Pesca informou que ela apenas mandou um currículo e foi selecionada por critérios profissionais. Simples? Simples.
Publicamente, Lula tenta se afastar da companhia das Farc. Às escondidas, seu governo dá cada vez mais sinais de irmandade com o grupo terrorista, como nesse caso da mulher de Olivério Medina. Nos computadores de Raúl Reyes, o terrorista morto pelos soldados colombianos, foi encontrada uma mensagem de Olivério Medina em que ele dizia poder contar com o apoio da "cúpula do governo" brasileiro, em particular com o ministro Celso Amorim. O papel de Olivério Medina no Brasil, de acordo com o jornal colombiano El Tiempo, era "trocar cocaína por armas e fazer o recrutamento de simpatizantes". O recrutamento de simpatizantes podia ser feito até mesmo no Ministério da Pesca. Já a troca de cocaína por armas passava por outros canais. Numa de suas mensagens sobre o tema, Olivério Medina referiu-se a um certo "Acácio", identificado como o Negro Acácio, sócio de Fernandinho Beira-Mar no narcotráfico.
Um relatório oficial da Abin acusou Olivério Medina de ter oferecido dinheiro das Farc à campanha eleitoral de candidatos petistas. Quando VEJA fez uma reportagem sobre o assunto, um monte de gente chiou. Para os agentes da Abin, os membros do PT que receberiam o dinheiro eram aqueles das correntes mais esquerdistas do partido, como a do ministro da Pesca, que contratou a mulher de Olivério Medina. Sempre que alguém morre no Brasil por um crime relacionado ao tráfico de drogas, pode-se dizer que há um dedo das Farc. O grupo terrorista está perdendo terreno na floresta colombiana. Mas chegou ao poder nos morros brasileiros e na Esplanada dos Ministérios.

por Diogo Mainardi, na Veja

Como disse o Mainardi: Pausa. Respiremos fundo (e temos tido que respirar cada vez fundo). Comentemos:
Já vimos quem é Olivério Medina num outro posto que fiz aqui sobre a ação das FARC no Brasil e a conivência dos petistas, principalmente, com estas. Amorim, que agora está negociando apoio ao regime ditatorial, e contra o povo, cubano, tem o rabo preso com o "padre" que intermedia os negócios das FARC no Brasil.
O deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) disse que vai pedir, hoje, informações ao governo Lula sobre a contratação de Angela Maria Slongo, mulher do terrorista colombiano Olivério Medina ("Precisamos saber se a mulher do representante das Farc forma parte da administração pública federal, e, se a resposta for 'sim', quais as funções delegadas a ela pelo governo do presidente Lula").
Bem, a primeira parte da pergunta de Maia já foi respondida no artigo de Diogo Mainardi, acima: sim, o governo Lula contratou a mulher do representante das FARC no Brasil. A nomeação está no Diário Oficial de 2 de janeiro de 2007, assinado por Altemir Gregolim.
Neste quesito, faço minhas as palavras de Reinaldo Azevedo, em seu blog de hoje: "Peço vênia para fazer um reparo ao título da reportagem a Folha: 'Governo Lula contratou mulher de ex-integrante de guerrilha'. Ele não é 'ex-integrante' da guerrilha. Ao contrário. Os documentos do computador de Raúl Reyes provam que ele continua membro das Farc. Conforme noticiou o próprio jornal, a guerrilha contava com a ajuda de Celso Amorim para que o terrorista conseguisse a condição de refugiado no Brasil. Documentos já revelados pelo jornal El Tiempo, da Colômbia, mostram que uma das estratégias dos narcobandoleiros e fazer com que seus representantes no exterior passem por exilados políticos." Já vimos isto
aqui!
Como já comentei, estamos nos acostumando aos absurdos deste (des)governo: agora, dá guarida a narco-bandoleiros, como se fossem refugiados políticos, e emprega as mulheres dos mesmos nas entranhas de um ministério que serve sabe lá Deus prá quê! Refugiado político de onde? Para sê-lo, o país de origem do "padreco" deveria, ao menos, classificar as FARC como uma força política, coisa que não o faz; pelo contrário, dá-lhe o nome correto: terroristas, narco-traficantes, bandoleiros.
E Reinaldo continua a comentar magistralmente, como lhe é peculiar: "Já antevejo a resposta: a contratação é regular, e Medina goza do status de exilado político, que lhe foi concedido pelo Supremo Tribunal Federal.
Aliás, não sei qual é o rito do tribunal nesses casos. Vou procurar me informar. A menos que o STF tenha sobre os arquivos de Raúl Reyes certezas distintas daquelas da Interpol, os registros são verdadeiros. E, ali, Medina é tratado segundo o que é: membro das Farc. Em seu país, é procurado por terrorismo e assassinato.
Não adianta tapar o sol com a peneira com que Gregolim pesca seus lambaris: a contratação da mulher de Medina é emblemática da, quando menos, simpatia dos petistas pelas Farc. Eles devem saber por que dar proteção a Olivério Medina, não é mesmo? Para quem não se lembra: nos arquivos da Abin, há um relatório em que um agente registra que o dito-cujo ofereceu US$ 5 milhões para a campanha do Apedeuta em 2002.
Outra figuraça ligada às Farc, entre nós, é Fernandinho Beira-Mar, que traficava a mercadoria que esses valentes 'guerrilheiros' produzem (além de ideologia vagabunda): cocaína. Aquela mesma que, segundo El Tiempo, Medina troca por armas, protegido pela condição de exilado, tendo a mulher contratada pelo governo. Não dá para tratar isso como um evento menor.
Esse é o vínculo que se descobre lendo uma nomeação no jornal. Imaginem, então, o que não sai no Diário Oficial. O próximo passo é chamar Beira-Mar para dividir a assessoria especial com Marco Aurélio Garcia.
Nunca se desceu tão baixo. Mas ainda não é o fundo do poço, aposto."
Achou pouco? Quer mais? Então vamos lá ver o que dizia, numa matéria publicada no "Centro de Mídia Independente" - ou como eu chamo "Associação da Imprensa Comunista" -, em Outubro de 2005, feita pela tal "Liga Bolchevique Internacionalista" (os apatetados de sempre):
"REALIZADO IMPORTANTE ATO POLÍTICO PELA LIBERTAÇÃO DE OLIVÉRIO MEDINA NA ABI DO RIO DE JANEIRO
No dia 11 de outubro, o Comitê pela libertação de Olivério Medina do Rio de Janeiro, impulsionado pela Liga Bolchevique Internacionalista, pelo PCML e PCB realizaram na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) um ato contra a extradição e pela liberdade imediata de Olivério, membro da Comissão Internacional das FARC no Brasil, preso desde o dia 24 de agosto por uma operação conjunta entre a Polícia Federal e a Interpol. O ato no auditório da ABI contou com a presença de mais de cinqüenta ativistas e foi posterior a uma atividade de rua ocorrido à tarde da mesma terça (11/10) na Cinelândia, ponto tradicional de concentração do ativismo de esquerda carioca. Ambas manifestações denunciaram o governo Lula como o agente do imperialismo ianque que, a pedido do governo assassino colombiano de Alvaro Uribe, outro lacaio de Bush, encarcerou Olivério e prepara-se para extraditá-lo para a Colômbia.
Na ABI, o escritor e educador Vito Gianotti fez uma exposição sobre a orquestração entre o imperialismo, a grande mídia burguesa nacional, tendo como principal porta-voz da demonização das FARC a revista Veja, e o aparato repressivo do governo Lula, a PF, para a esta prisão política.
O dirigente da LBI no Rio de Janeiro, Guilherme Giacome, defendeu que independente das divergências programáticas e táticas que sua organização tem com as FARC, a luta contra esta prisão política do governo Lula, sob as ordens da CIA faz parte do mesmo combate antiimperialista que os trotskistas revolucionários travam contra a ALCA, pela expulsão das tropas brasileiras do Haiti, contra o pagamento da dívida externa e pela unidade revolucionária e socialista dos povos latino americanos.
As organizações políticas presentes, somadas a um representante da Conlutas no evento e ao Comitê pela libertação do Povo Palestino, deliberaram por manter permanentemente a faixa “Liberdade já para Olivério Medina, preso político do governo Lula!” na Cinelândia, centro do Rio de Janeiro, além de impulsionar a campanha nacional com atos em São Paulo e Brasília e em todas as assembléias de trabalhadores, como os bancários em greve para através da mobilização dos trabalhadores, derrotar o governo Lula e arrancar Olivério das garras do imperialismo e seus lacaios.
Rio de Janeiro, 11 de outubro de 2005.
LIGA BOLCHEVIQUE INTERNACIONALISTA"
Vamos lá: viram as palavras de ordem de sempre, que eles, os doutrinados, repetem qual papagaio de pirata? "imperialismo ianque", "governo assassino colombiano de Alvaro Uribe, outro lacaio de Bush", "orquestração entre o imperialismo, a grande mídia burguesa nacional, tendo como principal porta-voz da demonização das FARC a revista Veja", "parte do mesmo combate antiimperialista que os trotskistas revolucionários travam", "unidade revolucionária e socialista dos povos latino americanos" e "arrancar Olivério das garras do imperialismo e seus lacaios".
Pfuuuu! Quantos neurônios será que foram gastos nestas frases de efeito, aprendidas com os chefões da "nomenklatura"? Os rapazolas sequer lêem livros de História! Ficam somente olhando a "ixtória" contada pelas esquerdas. Coitadinhos dos terroristas das FARC, não? Combatê-los só porque seqüestram, torturam, matam e traficam drogas? Que pequenez, fazem isso há pouco mais de quarenta anos e os "imperialistas" querem-lhes mal.
Hein? Você disse que as FARC fazem nada disso? Que no encontro do Foro de São Paulo em Montevidéu, que terminou em 25 do mês passado, estava à venda um livro chamado "Debates e propostas da esquerda para o século XXI", que contém o conteúdo das principais discussões ocorridas no sétimo e no oitavo encontros do foro, e que continha o conteúdo de uma oficina com o tema "O narcotráfico na América Latina e no Caribe", em que os representantes das Farc conseguiram que fosse incluído, no documento final do debate, um texto de Raúl Reyes, do Secretariado do Estado Maior Central das Farc que dizia que "é necessário repetir que as Farc-EP não compartilha, não negocia, não tem relação com o narcotráfico, que rechaçamos por princípio e por ética, porque é incompatível com a democracia e a convivência cidadã"?
Sou obrigado, moralmente a lhe responder: Reyes, como todos os outros esquerdistas, é mentiroso, aprendeu com os ensinamentos stalinistas. Ele mesmo, numa entrevista ao repórter Fábio Maisonnave da Folha de São Paulo, em 2003 afirmou que "as Farc cobram imposto desses comerciantes [traficantes que compram droga dos camponeses], que compram dos camponeses. Não apenas dos que vendem coca(...)". Bem, se elas "cobram imposto" de traficantes e não os combatem, como o fazem os órgãos legalizados dos governos legítimos, é porque estão em conluio com os mesmos e, portanto, são também traficantes. Afinal, em qualquer lei de qualquer país do mundo, conivência com o crime é crime na mesma medida.

Um Futuro Cada Vez Mais Negro!

Começamos junho com notícias cada vez mais preocupantes! A democracia em nosso Brasil, como a conhecemos, está prestes a ruir. Cada vez mais os movimentos e partidos de esquerda provocam a ruptura da nação chamada Brasil: a "Pátria Amada, Idolatrada" está cada vez mais para a "Pátria Grande Bolivarianista" pregada abertamente por Chávez, com sua tirania à moda Fidel Castro, formada pelos países onde estes néscios estão dominando - não, não é governando, pois isto exigiria que soubessem gerenciar, no sentido clássico, ao menos, da administração empresarial.

Estão nos tomando tudo: dinheiro, saúde, cultura, segurança. E, cada vez mais, a "elite" sendo cooptada pelo pensamento escabroso da "justiça social" pregada por tais esquerdistas, que se infiltram, à maneira propalada por Gramsci, em todo e qualquer buraco de agulha deixado pelas pessoas de bem do país.

Esta "elite", agora dominada pelo pensamento esquerdista, tem-se mostrado cada vez mais adepta da máxima totalitária exposta em "Animal's Farm" (A Revolução dos Bichos): "Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros".

É a "nação esquerdista", separatista e golpista, dentro da nação brasileira, querendo tomar-nos a liberdade todos os dias:

- índios com legislação própria, como se não pertencessem à população brasileira;
- "negros" (afro-descendentes auto-declarados?) com cotas especiais em universidades, que, devido às discrepâncias sociais que sempre existiram, em todas as sociedades - em maior ou menor grau -, inclusive atingindo "brancos", "amarelos" e "vermelhos", tornam-se protegidos por uma legislação diferenciada;
- indenizações escorchantes e vitalícias para ex-guerrilheiros que queriam implantar no país, através da matança, do seqüestro, do roubo e da extorsão, como preconizada por Marx e Engels, em seu "Manifesto Comunista", a ditadura do proletariado - sendo eles os novos "comandantes em chefe" da "revolução contra a burguesia" e aboletando-se nestes novos gulags.

Onde estão os verdadeiros valores morais que aprendi em minha FAMÍLIA (esta palavra tão desconhecida destes atoleimados)? Onde estão o verdadeiro amor à Pátria, à moral, à família? Onde está o respeito ao próximo - aquele onde o seu direito termina onde começa o direito de outrem? Onde está o valor da propriedade adquirida ao custo, no mais das vezes, de muito suor?

Invadem a propriedade, o saber, o pensamento: todos iguais, na miséria da mente, esquecidos de seus valores, desrespeitando o indivíduo, tal qual nos fez a natureza, em benefício de uma comuna que somente poderá ficar com os restos mortais daquilo que um dia ousou-se chamar LIBERDADE, esta que já não mais "abre as asas sobre nós".