quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Lula: Um Imbecil e Ignorante



Pouco tempo atrás, nosso guia genial, o molusco Lulovski Apedeutovich, chamou de imbecis e ignorantes os críticos do seu programa eleitoreiro e assistencialista, o bolsa-família.

Na cerimônia de formatura de turmas do Plano Setorial de Qualificação e Inserção Profissional para o Bolsa Família, em Belo Horizonte, no dia 31/07/2009, Lula disse que "alguns dizem assim: o Bolsa Família é uma esmola, é assistencialismo, é demagogia e vai por aí afora. Tem gente tão imbecil, tão ignorante, que ainda fala 'o Bolsa Família é para deixar as pessoas preguiçosas porque quem recebe não quer mais trabalhar'".

Antes da cerimônia, em entrevista à rádio Itatiaia, em Belo Horizonte, o presidente defendeu o Bolsa Família e também condenou os que criticam o benefício. Segundo Lula, a "porta de saída" do Bolsa Família é o crescimento econômico do país e a geração de emprego.

"Somente uma pessoa ignorante ou uma pessoa de má-fé ou uma pessoa que não conhece o povo brasileiro será capaz de dizer que uma pessoa que recebe o Bolsa Família vai ficar vagabundo e não quer mais trabalhar. É não conhecer a sociedade brasileira", afirmou.

Lula assumiu o Governo com a enorme bandeira do combate à fome. Logo criou a Secretaria de Segurança Alimentar, com status de ministério, para a qual nomeou o economista José Graziano. Lula, no início do Governo, era um crítico ferrenho das políticas levadas a cabo pelo Governo Fernando Henrique Cardoso. Acreditava que a distribuição de dinheiro por meio de “vales” acomodava as pessoas, tirando delas o estímulo para trabalhar. Ele mesmo disse isso, com todas as letras, em 09/04/2003, numa reunião sobre o semiárido nordestino:

"Eu, um dia desses, Ciro [Gomes, ministro da Integração Nacional], estava em Cabedelo, na Paraíba, e tinha um encontro com os trabalhadores rurais, Manoel Serra [presidente da Contag - Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura], e um deles falava assim para mim: “Lula, sabe o que está acontecendo aqui, na nossa região? O povo está acostumado a receber muita coisa de favor. Antigamente, quando chovia, o povo logo corria para plantar o seu feijão, o seu milho, a sua macaxeira, porque ele sabia que ia colher, alguns meses depois. E, agora, tem gente que já não quer mais isso porque fica esperando o vale-isso, o vale-aquilo, as coisas que o Governo criou para dar para as pessoas.” Acho que isso não contribui com as reformas estruturais que o Brasil precisa ter para que as pessoas possam viver condignamente, às custas do seu trabalho. Eu sempre disse que não há nada mais digno para um homem e para uma mulher do que levantar de manhã, trabalhar e, no final do mês ou no final da colheita, poder comer às custas do seu trabalho, às custas daquilo que produziu, às custas daquilo que plantou. Isso é o que dá dignidade. Isso é o que faz as pessoas andarem de cabeça erguida. Isso é o que faz as pessoas aprenderem a escolher melhor quem é seu candidato a vereador, a prefeito, a deputado, a senador, a governador, a presidente da República. Isso é o que motiva as pessoas a quererem aprender um pouco mais."

Lula criticava, portanto, abertamente, programas que então levavam o nome de Auxílio-Gás, Bolsa Alimentação e Bolsa Escola, que distribuíam dinheiro diretamente às populações necessitadas e previamente cadastradas. Em 27/02/2003, no fim do segundo mês de Governo, Lula modificou, por medida provisória, um programa chamado Bolsa-Renda, que dava R$ 60,00 a famílias pobres que habitassem áreas vitimadas pela seca, dando-lhe um novo nome: Cartão Alimentação. Foi em torno desse programa que se criaram muitas polêmicas. O cartão deveria permitir o saque em dinheiro vivo ou servir apenas de meio de pagamento em estabelecimentos comerciais cadastrados? O programa deveria permitir ou não a compra de bebidas alcoólicas ou produtos de higiene? Deveria exigir nota fiscal como prova de que o dinheiro foi bem-usado? Em 20/10/2003, quando a confusão em torno do assunto tinha se radicalizado, o que fez o Governo? Editou uma medida provisória criando o Bolsa Família, um programa que seria a união do Auxílio-Gás, do Bolsa Alimentação e do Bolsa Escola, severamente criticados por Lula, mais o Cartão Alimentação, recém-criado pelo Governo. O texto da medida provisória dizia o seguinte, em seu parágrafo único:

O programa de que trata o caput tem por finalidade a unificação dos procedimentos de gestão e execução das ações de transferência de renda do Governo Federal, especialmente as do Programa Nacional de Renda Mínima vinculado à Educação - “Bolsa Escola”, instituído pela Lei n.º 10.219, de 11 de abril de 2001, do Programa Nacional de Acesso à Alimentação - PNAA, criado pela Lei n.º 10.689, de 13 de junho de 2003, do Programa Nacional de Renda Mínima vinculado à Saúde - “Bolsa Alimentação”, instituído pela medida provisória n.º 2.206-1, de 6 de setembro de 2001, do Programa Auxílio-Gás, instituído pelo Decreto n.º 4.102, de 24 de janeiro de 2002, e do Cadastramento Único do Governo Federal, instituído pelo Decreto n.º 3.877, de 24 de julho de 2001.

Ou seja, em pouquíssimos meses, os programas que eram criticados por Lula porque “acomodavam” o trabalhador, foram reunidos num superprograma, que daria dinheiro vivo, para ser usado como bem entendesse o beneficiário, sem necessidade de nota fiscal: filhos menores teriam de freqüentar a escola e cumprir a tabela de vacinação prevista pelo Ministério da Saúde e mães esperando bebês teriam de fazer o pré-natal, condicionalidades que nunca foram controladas a contento. Lula, publicamente, mudou o discurso. Quando os jornais começaram a trazer reportagens mostrando que beneficiários do Bolsa Família se recusavam a trabalhar na lavoura e em outras atividades, Lula passou a criticar com veemência quem falava sobre a “acomodação” dos beneficiários, esquecendo-se de que ele fora um dos primeiros a fazê-lo.

Além disso, segundo estudo do pesquisador Maurício Canêdo Pinheiro, do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Fundação Getúlio Vargas), o programa Bolsa Família foi responsável por um aumento de cerca de três pontos percentuais na votação do presidente Lula segundo turno das eleições presidenciais de 2006. Na ocasião, Lula obteve 60,83% dos votos, ou seja, mais de 58,2 milhões. O tucano Geraldo Alckmin ficou em segundo lugar, com 39,17% dos votos.

O levantamento indica ainda que o impacto do programa nas eleições foi maior que o gerado pelo desempenho da economia.

Segundo a pesquisa, em 2002, Lula foi particularmente bem sucedido em regiões mais urbanizadas e desenvolvidas do país. Já em 2006, ocorreu uma migração da base eleitoral para regiões menos desenvolvidas - mais dependentes do Estado e mais beneficiadas pelo programa.
Segundo o estudo, o aumento de um ponto percentual no número de beneficiários do programa elevou em 0,55 ponto percentual a votação de Lula em 2006, enquanto que a mesma variação na taxa de crescimento econômico incrementou a votação em apenas 0,21 ponto percentual.

O efeito eleitoral do Bolsa Família nos Estados das regiões Norte e Nordeste foi superior ao dos demais Estados do país. Em Alagoas, por exemplo, o programa aumentou em 8,17 pontos percentuais a votação de Lula, enquanto que no Rio de Janeiro e São Paulo o incremento foi de 1,12 e 1,89 pontos percentuais, respectivamente.

Pelos números pesquisados, Alagoas foi o Estado onde o efeito do Bolsa Família mais contribuiu para a votação de Lula, seguido de Roraima (6,85%) e Acre (6,53%).

Folha de São Paulo;
Dicionário Lula, de Ali Kamel

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Resolvendo a Crise Política Brasileira


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Dez Perguntas à OEA

A União Cívica Democrática, que representa a sociedade civil de Honduras, recebeu os chanceleres da OEA, que visitam o país, com dez perguntas polêmicas, que colocam sob suspeita as verdadeiras intenções da organização regional.

Domingo, 23 de agosto de 2009

Dez perguntas para a comissão de chanceleres que visita Honduras em nome da Organização dos Estados Americanos:

Por que a OEA ...

RECUSA-SE a aceitar a sucessão constitucional em Honduras, porém, avaliza a fraude eleitoral na Nicarágua e a reeleição indefinida de Chávez?

PREGA a não ingerência nos assuntos internos das nações, mas por sua vez INTERFERE nos processos constitucionais e democráticos de Honduras?

CRITICA os órgãos de segurança hondurenhos, porém, IGNORA a feroz repressão existente na Venezuela contra a oposição?

PRETENDE ser a campeã do império das leis, quando IGNORA a Constituição de Honduras, a qual foi violada várias vezes por Zelaya?

CRITICA a suposta repressão à mídia em Honduras, porém, SILENCIA ante o fechamento em massa de emissoras de rádio na Venezuela, e SILENCIA ante a ameaça do Equador fazer o mesmo?

PREGA a defesa da democracia, quando PERMITE que governo supostamente democráticos apóiem o tráfico de drogas, que tantos prejuízos trazem às verdadeiras democracias?

CONDENA a operação Fênix, realizada pelo governo da Colômbia contra um grupo terrorista, porém, NÃO QUESTIONA o fato de foguetes vendidos à Venezuela terminaram nas mãos das Farc?

PRETENDE apoiar uma solução através da mediação, porém, PRESSIONA para que sejam aceitos termos impostos e não negociados?

QUESTIONA as medidas de segurança do governo de Honduras, porém, IGNORA os repetidos chamados de Zelaya à insurreição e à violência, que já causaram perdas de vida?

PROCLAMA solidariedade para com o povo hondurenho, porém, SE RECUSA A ESCUTAR os setores majoritários da sociedade hondurenha, que repudiam categoricamente a um líder corrupto e fracassado, que demonstrou repetidas vezes valorizar mais seus próprios interesses que os do povo?

Em nome da sociedade civil hondurenha, a UNIÃO CÍVICA DEMOCRÁTICA solicita aos honoráveis chanceleres que nos visitam no dia de amanhã, que dêem uma explicação pública ao povo hondurenho, para cada uma dessas perguntas. Que tais explicações sirvam para que todos os cidadãos do continente americano entendam os motivos que impulsionam o órgão que os representa.


Tegucigalpa, Honduras, América Central, 23 de agosto de 2009.


Tradução: Beth C. Costa
Fonte: http://www.heitordepaola.com/publicacoes_materia.asp?id_artigo=1191

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Eles Ainda Querem Revanche... Pelas Mãos dos Outros

No ato público que comemorou os 30 anos da aprovação da Lei da Anistia, o ministro da Justiça, Tarso Genro, pediu neste sábado que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgue procedente a ação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que reinterpreta a lei de 1979, permitindo o julgamento de militares por tortura. Após o ato, no qual o governo voltou a pedir desculpas aos presos, mortos, desaparecidos e torturados pelo regime militar, Genro disse apoiar a criação de uma Comissão de Verdade e Reconciliação.

O instrumento seria uma oportunidade para que os agentes do regime pudessem reconhecer publicamente as violências que cometeram, sem serem punidos. "Não estamos pedindo que os torturadores sejam torturados. O que pedimos é que sejam julgados e que o que fizeram seja exposto ao povo brasileiro", disse ele, durante a solenidade que reuniu cerca de 200 pessoas, entre elas 37 ex-presos políticos, no Arquivo Nacional, no Rio.

Segundo o ministro, o julgamento de militares que praticaram tortura não se trata de "revanchismo ou de reabertura de antigas feridas" - para Genro, esses são argumentos normalmente usados por torturadores ou por políticos que estiveram a serviço do regime militar na tentativa de impedir a conclusão do processo de anistia ampla, geral e irrestrita "um desejo de Justiça".

"O que houve foi uma anistia processual e limitada", afirmou, acrescentando que, na época, com o aumento do apoio da população à oposição clandestina ao regime, a Lei da Anistia "protegeu mais os torturadores do que aos que resistiam". "Ouço pessoas dizendo que houve um contrato político e, por isso, as ações do Ministério Público contra torturadores devem cessar. Isso é uma fraude jurídica e política. Qualquer pacto exige que as pessoas estejam em igualdade de condições para negociar, e grande parte dos opositores (do regime militar) estava presa", discursou Tarso.

No ano passado, a OAB entrou com uma ação no STF pedindo a reinterpretação da Lei da Anistia à luz da Constituição de 1988 e do direito internacional, que estabelecem que a tortura é um crime de lesa-humanidade e, portanto, imprescritível. Essa ação foi motivada por outras ações do Ministério Público Federal pedindo o reconhecimento civil e criminal dos militares que praticaram a tortura. Esses processos vinham sendo julgados improcedentes em primeira instância porque a lei de 1979 fala em anistia para os condenados por crimes políticos e "conexos". Essa última expressão é interpretada como extensão do benefício aos torturadores e assassinos de opositores ao regime militar.

COMISSÕES DE VERDADE
O ex-militante da Ação Libertadora Nacional Gilney Miranda, um dos participantes das greves de fome nos presídios que precederam a aprovação da Lei da Anistia no Congresso, está recolhendo a assinatura de ex-presos políticos para um manifesto que pede, entre outras reivindicações, a instituição de uma Comissão de Verdade e Reconciliação.

Além disso, os ex-guerrilheiros querem que novos depoimentos sobre os episódios dos quais participaram sejam colocados no Memorial da Anistia Política, ao lado dos colhidos na época dos acontecimentos, tomados "quase sempre sob tortura". O monumento está sendo construído em Belo Horizonte (MG). A obra deve ser inaugurada no ano que vem. "Não nos basta os pedidos de desculpas que o governo no fez hoje enquanto o governo não tiver aberto todos os arquivos do DOI-Codi, do Exército, Marinha e Aeronáutica e o Estado nos contar a verdade nua e crua de como nos combateram", disse ele.

Além de Genro, os ministros Carlos Minc (Meio Ambiente) e Orlando Silva (Esportes) e o presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, também participaram da solenidade.

por Fabiana Cimieri n'O Estado de S.Paulo


Ora, ora, ora. O Sinistro Falso Gênero atacando mais uma vez. E desta vez, no modelo "vamos de turminha, que é mais bacaninha"

Ele, que se diz formado em direito, parece não ter estudado direito (horrível a frase, não? É bem a cara daquele Sinistro!). Já falei neste blog sobre a definição e o alcance da Lei da Anistia de 1979 e a própria Advocacia Geral da União escreveu um parecer onde afirma que a anistia foi "ampla, geral e irrestrita", conceituação expressa na jurisprudência do Supremo Tribunal Militar (STM) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e na Constituição, estando a lei, portanto, de acordo com a Carta, não havendo razão para ser questionada.

Falso, que pede que os torturadores "sejam julgados e que o que fizeram seja exposto ao povo brasileiro", finge-se de morto ao dizer que isto é somente um "desejo de Justiça". Fosse assim, as ações de seus companheiros de armas, que queriam implantar o comunismo no país, também deveriam ser julgadas, pois se as ações dos torturadores da época "à luz da Constituição de 1988 e do direito internacional, que estabelecem que a tortura é um crime de lesa-humanidade e, portanto, imprescritível" podem ser punidas, as ações dos terroristas também são imprescritíveis e, portanto, devem ser julgadas - e que se revoguem todas as indenizações e todos os que assassinaram, roubaram, fizeram atentados à bomba, sequestraram etc. sejam presos e condenados.

O Sinistro Falso Gênero diz, ainda, que "a Lei da Anistia 'protegeu mais os torturadores do que aos que resistiam'". Mentira! Estes esquerdistas mentem tanto que parecem acabar crendo na própria mentira!

Conte quantos militares e policiais (e suas famílias), torturadores ou não, recebem gordas indenizações da União - ou seja, são pagos com o nosso dinheiro? E quantos ex-militantes de organizações comunistas, agindo como verdadeiros facínoras, têm as tais indenizações? Estes, ganham milhões. Àqueles primeiros, os que conseguiram, migalhas...

COMISSÕES DE VERDADE
E o tal Gilney, militante de uma das mais belicosas organizações terroristas da época, a ALN (Aliança Libertadora Nacional), da qual participava Estela Rousseff (ops, digo, Dilma)? Ele quer uma Comissão de Verdade para mostrar como "DOI-Codi, do Exército, Marinha e Aeronáutica e o Estado" os combateram?

Então que se o faça! Assim, o povo vai ver realmente como o combate era injusto: os terroristas viviam para matar qualquer um deles e usavam técnicas de guerrilha. Está até escrito no "Minimanual do Guerrilheiro Urbano", de Carlos Marighela, que dizia que os terroristas deviam promover:

"a. A exterminação física dos chefes e assistentes das forças armadas e da polícia.

b. A expropriação dos recursos do governo e daqueles que pertencem aos grandes capitalistas, latifundiários, e imperialistas, com pequenas expropriações usadas para o mantimento do guerrilheiro urbano individual e grandes expropriações para o sustento da mesma revolução.

É claro que o conflito armado do guerrilheiro urbano também tem outro objetivo. Mas aqui nos referimos aos objetivos básicos, sobretudo às expropriações. É necessário que todo guerrilheiro urbano tenha em mente que somente poderá sobreviver se está disposto a matar os policiais e todos aqueles dedicados à repressão, e se está verdadeiramente dedicado a expropriar a riqueza dos grandes capitalistas, dos latifundiários, e dos imperialistas."

Foram necessários alguns anos para que os terroristas brasileiros fossem detidos, uma vez que a maioria deles se escondia no meio da população - a mesma que eles diziam querer proteger dos "expropriadores do capital" e que, no mais das vezes, sofriam com os ataques perpetrados por eles.

Mas diga lá, Gilney, quando os terroristas, que queriam implantar um regime muitas vezes mais assassino do que foi a nossa "ditabranda", vão para de dizer-se honrados com suas ações e pedir desculpas ao povo brasileiro por terem sido a verdadeira causa da existência da ditadura - e, por consequencia, dos torturadores? Quando vocês vão "contar a verdade nua e crua" de como eram planejadas e executadas as ações que faziam: as bombas, os assassinatos, a perda de inocentes, os "justiçamentos" etc.?

À luz da nossa Constituição, promulgada anos depois da Lei da Anistia, e do direito internacional, a tortura é um crime imprescritível. Sob esta mesma luz, o terrorismo também é imprescritível. Assim, se for revogada a Lei da Anistia, que ambos, toturadores e terroristas, sejam punidos por todo o mal que cometeram no passado. Sem desculpas, sem prescrição, sem nova Anistia, com todo o rigor da Lei, como se os crimes cometidos por ambos os lados, tivessem acabado de ser cometidos! E que se cumpra!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

As Duas Caras de Lula da Silva

O recente artigo publicado em The Economist, cujo título é Do lado de quem o Brasil está?, a conceituada revista diz que "é hora de o presidente Lula da Silva defender a democracia em vez de abraçar os autocratas". Em boa hora alguém se faz a pergunta crucial, para desvelar de fato quem é e o que pretende o presidente brasileiro. Em vários artigos procurei alertar aos que ainda se iludem com a fachada e os discursos apresentados por Lula mundo afora, que esse senhor não é nem jamais foi um democrata, tampouco está interessado em acabar com os conflitos regionais - entre Venezuela e Colômbia, Equador e Colômbia - porque ele é o cérebro de toda esta patifaria como cabeça do Foro de São Paulo.

Apesar de lançar a semente da dúvida sobre as reais intenções do presidente brasileiro, The Economist se equivoca em continuar acreditando no "torneiro" pobre que conquistou a presidência de um país continental, que tirou 13 milhões de pessoas da pobreza, ou que foi sua mediação na última cúpula do MERCOSUL que fez Chávez desistir de condenar a Colômbia pelo acordo militar com os Estados Unidos.

Bem, em primeiro lugar Lula não tirou da miséria 13 milhões de pessoas, senão que fez reféns de esmolas que ele chama de "bolsas" (de vários tipos) e que na verdade são simples e claramente compra de votos. É isso que reflete sua tão estrepitosa popularidade e que está causando a cultura do ócio entre os mais despossuídos. A mão-de-obra já começa a escassear, pois as pessoas preferem viver com a esmola governamental do que ter um trabalho digno, mesmo que seja modesto.

Um caso muito concreto disso ocorreu há pouco, no estado do Ceará. As indústrias têxteis necessitavam incrementar seus negócios e então recorreram ao governo para obter financiamento. O governo exigiu que se fizesse capacitação para as candidatas a costureiras no SENAC, desde que estas fossem beneficiárias o bolsa-família. Assim foi feito. Encerrado o curso e com o diploma na mão, as mulheres foram encaminhadas às indústrias para o processo de seleção mas nenhuma foi contratada. Qual o motivo disso? É o patrão capitalista que é mau com as operárias? Não, absolutamente. Nenhuma delas se dispôs a renunciar ao bolsa-família em troca de um emprego estável, preferindo trabalhar "por fora" o que, naturalmente, as indústrias não aceitaram. Isto pode ser conferido na edição do dia 14 de agosto passado no site do Gilberto Simões Pires, o Ponto Critico.com. Dinheiro dos contribuintes jogado na lixeira, indústrias sem pessoal capacitado e votos garantidos para o governo federal - Lula ou sua candidata, a terrorista Dilma Rousseff.

Do mesmo modo com relação à democracia e "moderação" de Lula. Desde que tomou posse em 2003, Lula não fez outra coisa que oferecer seu apoio a ditadores e a dilapidar a economia brasileira com governos da região, porém, claro, somente com os pertencentes ao Foro de São Paulo ou republiquetas africanas onde ele afirma que os brasileiros têm "dívidas históricas". O cocalero presidente boliviano pôs os tanques nas refinarias da Petrobras e Lula não disse nada, ao contrário, ainda deu razão a Morales. Foi à Venezuela e fez campanha para Chávez, com o descaramento de dizer aos venezuelanos que Chávez é o melhor presidente que a Venezuela já teve em mais de cem anos e que "nunca antes na história desse país se respirou tanta democracia", apesar de conhecer a perseguição aos opositores, aos jornalistas, aos estudantes e meios de comunicação. Há poucas semanas foi a vez do "pai da pátria" Fernando Lugo, e o Tratado de Itaipu. Mais uma vez o prejuízo vai ser pago pelos brasileiros, pois Lula cedeu aos caprichos de campanha de Lugo, apesar dos reclamos do ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, e do presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli. Neste artigo é possível conhecer o que Lula disse a respeito a Lobão e Gabrielli, e também o linguajar chulo e grosseiro usado na discussão com seus auxiliares.

No caso da morte de Raúl Reyes Lula se colocou contra a Colômbia, pois seu camarada do Foro de São Paulo foi abatido pelas Forças de Uribe. Não lhe importou nem um pouco se Correa atentava contra a Colômbia mantendo um terrorista em território equatoriano. Nem uma mísera palavra de condenação a Correa, senão apoio incondicional pela "agressão" à soberania do Equador por parte de Uribe. Do mesmo modo com Honduras, Lula - junto ao Foro de São Paulo, a OEA, a ALBA e todos os comunistas do mundo - insiste em condenar o "golpe de Estado", inclusive recebeu o ditador de meia tigela Zelaya, com honras de chefe de Estado, como se os brasileiros apoiassem esse ex presidente foragido.

Enquanto recebe Uribe e diz que "a Colômbia é soberana para fazer em seu país aquilo que melhor lhes convenha", com relação aos acordos recém feitos com os Estado Unidos, pelas suas costas - e mais uma vez estabelecido no recente encontro do Grupo de Trabalho do Foro de São Paulo - exige explicações acerca da presença norte-americana nas bases militares da Colômbia. Lula vê nessa presença uma ameaça à soberania e segurança hemisférica, mas não diz nada dos acordos militares entre a Venezuela e a Rússia recém firmados (Chávez pode?), tampouco da entrega de lança-foguetes venezuelanos às FARC. Sobre isso Lula faz vista grossa e olha para o outro lado, como se fosse rotineiro e legal entre dois Estados, e não entre um Estado e um bando terrorista e narcotraficante.

Lula, Correa e Chávez, apoiados por Fidel, Morales e Ortega, repetem como papagaios de bordel que a presença norte-americana é uma "agressão" e uma "afronta" à estabilidade na região, porém na verdade eles temem é que com os sofisticados equipamentos se acabem descobrindo onde ou em que caverna se escondem os cabeças das FARC, ou que sejam postas a descoberto as rotas do tráfico em seus países que eles sabem da existência e calam cúmplices.

O The Economist termina sua nota dizendo que Lula deve "envergonhar Chávez traçando uma linha clara, pública e a favor da democracia", porém isso não é possível por dois motivos: primeiro, porque Lula e Chávez são as duas caras da mesma moeda. Entretanto, como Lula é o cabeça do Foro de São Paulo não pode ser tão intransigente e se expor como Chávez, senão que necessita "parecer" moderado, conciliador e que joga bem em todas as frentes - sobretudo com o comunista Obama -, para poder continuar dirigindo e implantando o comunismo no continente sem que ninguém perceba. E segundo, porque ele não pode ser ao mesmo tempo comunista e democrata, e não vai largar mão de seu projeto comunista continental, pactuado com o zumbi Fidel Castro há 19 anos. Não agora, que seu sonho já é realidade, com quinze presidentes eleitos pelo Foro de São Paulo.

por Graça Salgueiro

Sim, Nós Somos Imbecis!

ENTRE OS CITADOS - Assim como muitos brasileiros inconformados, também lamentei bastante por estar incluído entre aqueles que o presidente Lula, de forma inflamada, acusou de imbecis aqueles que criticam o programa assistencialista -Bolsa Família.

Ainda que aborrecido decidi que não deveria rebater a provocação no mesmo tom. Não seria educado. Mais: seria inadequado além de não acrescentar nada de positivo. E também não ajudaria a esclarecer coisa alguma.

BOLSA DESPERDÍCIO - Como hoje é sexta-feira, dia do Grupo Pensar Econômico se manifestar neste espaço, o melhor mesmo é tratar do Bolsa Família como ele merece ser tratado: com fatos reais e irrefutáveis.

Aliás, neste momento já não é mais preciso usar de projeções e/ou expectativas de desperdício a ser colhido no futuro. A verdade já está disponível para uma total compreensão do quanto representa o Bolsa Desperdício.

COM TODA A RAZÃO - Antes de expor o descalabro informo que o fato, por si só, faz com que Lula esteja totalmente correto na sua afirmação. Vocês vão dar razão a ele. Este entendimento adquiriu sentido absoluto depois de ouvir, alto e bom som, o que me contou ABERTAMENTE o diretor do Sinditêxtil, ontem, no almoço que participei na FIEC – Federação das Indústrias do Estado do Ceará. Vejam:

CURSO PARA 500 MULHERES - Como o setor têxtil é de vital importância para a economia do Ceará, a demanda por mão de obra na indústria têxtil é imensa e precisa ser constantemente formada e preparada. Diante disso, o Sinditêxtil fechou um acordo com o governo para coordenar um curso de formação de costureiras. O governo exigiu que o curso deveria atender a um grupo de 500 mulheres que recebem o Bolsa Família. De novo: só para aquelas que recebem o Bolsa Família.

ATRIBUIÇÕES - O importante acordo foi fechado dentro das seguintes atribuições: o governo entrou com o recurso; o Senai com a formação das costureiras, através de um curso de 120 horas/aula; e, o Sinditêxtil com o compromisso de enviar o cadastro das formandas às inúmeras indústrias do setor, que dariam emprego às novas costureiras. Pela carência de mão obra, a idéia não poderia ser melhor. Pois é.

ZERO DE CONTRATAÇÕES - Pois bem. O curso foi concluído recentemente e com isto os cadastros das costureiras formadas foram enviados para as empresas, que se prontificaram em fazer as contratações. E foi nessa hora que a porca torceu o rabo, gente. Anotem aí: o número de contratações foi ZERO. Entenderam bem? ZERO, gente.

Enquanto ouvia o relato, até imaginei que o número poderia ser baixo, mas o fato é que não houve uma contratação sequer. ZERO. Sem qualquer exagero. O motivo? Simples, embora triste e muito lamentável, como afirma com dó, o diretor do Sinditêxtil.

PARA SEMPRE - Todas as costureiras, por estarem incluídas no Bolsa Família, se negaram a trabalhar com carteira assinada. Para todas as 500 costureiras que fizeram o curso, o Bolsa Família é um beneficio que não pode ser perdido. É para sempre. Nenhuma admite perder o subsidio.

SEM NEGÓCIO- Repito: de forma uníssona, a condição imposta pelas 500 formandas é de que não se negocia a perda do Bolsa Família. Para trabalhar como costureira, só recebendo por fora, na informalidade. Como as empresas se negaram, nenhuma costureira foi aproveitada.

A RAZÃO DE LULA - O que sobrou nisso tudo? Muita coisa. O custo alto para formar as costureiras foi desperdiçado. E pelo que foi dito no ambiente da FIEC, casos idênticos do mesmo horror estão se multiplicando em vários setores. Considerando que a região nordeste do país contempla o maior número de beneficiados com o Bolsa Família, aí está a razão para sermos todos imbecis e idiotas. Lula tem razão. Toda razão.

por Gilberto Simões Pires, no PontCritico.com

Como Tornar-se um Idiota (e Ainda Ser Louvado por Isso)

O que vem a seguir é uma série de recomendações, elaboradas após anos de atento estudo e observação, que visam a servir de manual ou receituário para quem quiser tornar-se um autêntico exemplar do que já se convencionou chamar de perfeito idiota latino-americano (ou europeu, ou asiático etc.). Trata-se de um conjunto de regras básicas para quem deseja fazer parte dessa crescente grei, que espero seja útil aos prováveis candidatos ao troféu de maior idiota do ano - especialmente aos estudantes e professores de Filosofia e de Ciências Sociais nas universidades brasileiras, entre os quais se pode encontrar facilmente alguns de seus espécimes mais ilustres.


A primeira e mais importante regra de todas, e a qual o aspirante a idiota não pode jamais esquecer, é que ele ou ela deve, em primeiríssimo lugar, dividir a humanidade em duas categorias: os bons e os maus. Os bons são todos aqueles classificados no vago e abrangente rótulo de "esquerda"; os maus, obviamente, são os de "direita". Pode-se ainda refinar essa classificação, trocando esquerda por "revolucionário" ou, se esse termo parecer muito radical, "progressista", em contraposição a "conservador" e "reacionário", que dá na mesma. Desse modo, ter-se-á encontrado a maneira perfeita de definir o bem e o mal, o certo e o errado, em qualquer ramo do conhecimento: diante de um autor que não lhe agrada, mesmo que o que ele diga seja a verdade mais cristalina, basta tascar-lhe o rótulo de "direitista" e ele será imediatamente desacreditado; ante um autor de sua preferência, ainda que seja um notório charlatão e que só diga babatadas, diga que ele é de esquerda e que está do lado das classes populares, e tudo que ele disser virá revestido da verdade mais absoluta. Assim, não sendo mais necessário o exercício cansativo de pensar, tudo poderá ser resumido a essa fórmula extremamente complexa: "É de direita? Então não presta. É de esquerda? Então é bom."


Jamais seja modesto: tenha em mente que, assim como os mutantes do mal da série X-Men, você é um deus entre insetos: saiba que você pertence a um tipo superior de indivíduos, acima do restante da humanidade, como dizia um dos maiores ídolos da idiotia esquerdista mundial, Che Guevara. Apresente-se sempre como o verdadeiro e legítimo defensor da ética e da democracia, e seus adversários como trogloditas autoritários, além de ladrões e corruptos. Com a repetição sistemática desses epítetos, mediante slogans berrados ad nauseam, estará consolidada no imaginário coletivo a idéia de esquerdista como sinônimo de tudo de bom e positivo existente na espécie humana, com a contraparte inevitável do direitista associado automaticamente a tudo que não presta. Nem precisa ser de esquerda para isso: basta seguir o que dizia o dr. Goebbels.


Se você tem por volta de 60 anos e tiver a sorte de ter feito parte, um dia, de algum grupelho ou organização de extrema-esquerda adepta da luta armada durante os "anos de chumbo" do regime militar, e se você for pego em flagrante fazendo alguma coisa pouco republicana como um mensalão ou dossiês, faça questão de esfregar na cara de seu interlocutor que você tem uma “história", em nome da qual todos os meios se justificam. Ignore se alguém lembrar o fato inconveniente de que a organização a que você pertencia praticava assaltos e assassinatos não para que o País se tornasse uma democracia, mas para substituir a ditadura dos generais por outra ditadura, certamente pior. Se você tiver a boa fortuna de poder apresentar um atestado de ex-preso político ou torturado, ainda que tenha passado apenas algumas horas no DOPS depois de ter sido preso em alguma manifestação estudantil, então é a glória: além de "herói da resistência democrática", você poderá requerer uma gorda indenização dos cofres públicos pelos anos de perseguição política, e por não ter podido transformar o Brasil numa nova Cuba.


Se um jornal tiver a ousadia de publicar um editorial chamando de "ditabranda" um regime que matou 424 pessoas, a maioria terroristas, em 21 anos, faça um escarcéu: chame o jornal de "golpista" e outras coisas do gênero, deixando claro seu repúdio a essa tentativa de relativizar a ditadura. Só não cometa o erro de mostrar a mesma indignação contra ditaduras nada brandas, como a de Cuba, que já matou quase cem mil e continua matando depois de 50 anos. Se alguém lhe chamar a atenção para esse detalhe, desconverse: decrete a proibição de comparar, e pronto.


Use e abuse de termos como "fascista" para se referir a todos aqueles que, por qualquer motivo, discordam de você e acham que você não é a parte boa da humanidade. Afirme que todo direitista é fascista, e que o comunismo é o contrário do fascismo. Se alguém lhe recordar fatos como o pacto Hitler-Stálin de não-agressão e o massacre dos oficiais poloneses em Katyn, mude de assunto.


Culpe o capitalismo (ou o neoliberalismo, ou a globalização...) por todos os males do mundo: da pobreza na África ao aquecimento global e à extinção dos ursos polares. Não se importe com o fato de que você não pode viver sem celular e internet, e que essas facilidades são frutos do capitalismo. Quanto ao aquecimento global provocado pelo homem, não tenha dúvidas: é um dogma científico. Afinal, foi Al Gore quem disse, e ele até ganhou um Oscar por isso.


Ataque o capitalismo, onde quer que ele esteja, e também onde não esteja (como na maioria dos países da África). Deixe claro que você defende a “função social da propriedade” – como se o lucro já não cumprisse uma função social importante - e que, quanto mais Estado, mais bem-estar social - embora, se dependesse do tamanho do Estado e da carga tributária, países como o Brasil seriam de primeiríssimo mundo. Condene como ganância e egoísmo o enriquecimento pelo esforço próprio, mas não o uso dos cofres públicos para beneficiar os “companheiros”.


Junte ao anticapitalismo uma boa dose de ressentimento racial, colocando a culpa pela crise financeira muncial nos "brancos de olhos azuis". Aliás, o verdadeiro idiota torce para que a crise atual seja o início do fim do sistema capitalista, pois acredita que o capitalismo está sempre em sua fase final de crise e degeneração, desde, pelo menos, o crash da Bolsa de Nova York em 1929.


Se você passou anos vociferando contra a política econômica “neoliberal”, as privatizações etc., e está agora no governo, defenda a mesma política, a ponto de reivindicar sua paternidade. Reivindique para si as glórias da estabilidade econômica na época de vacas gordas, e culpe os outros (os EUA, os especuladores) em tempos de crise, ou de marolinha que virou tsunami. O importante é não reconhecer jamais, nunca, que quem botou ordem na casa foi outro, e não você.


Condene sem hesitar o capitalismo e o imperialismo, mas silencie, ou se diga pelo menos "neutro" em relação ao comunismo ou ao terrorismo islamita. Se não for possível tomar partido abertamente em favor destes, pregue a "moderação" e exalte as virtudes da "imparcialidade". Deixe de lado qualquer isenção, porém, quando se tratar do governo Bush ou de algum seu aliado. Declare-se neutro em relação às FARC ou ao conflito Israel-Hamas na Faixa de Gaza, sem se importar com o fato de que você está igualando narcoterroristas a um governo constitucional e um país democrático a fanáticos que juraram varrê-lo do mapa. Isso, lembre, é uma posição "equilibrada".


Como bom idiota, você acredita que ser "isento" é a suprema aspiração do jornalista, menos quando se trata de desancar a direita. É por isso que você, caro idiota, odeia revistas como a VEJA e adora a Carta Capital, esse modelo de revista "imparcial" e "independente". Ao mesmo tempo, não se esqueça de vociferar, sempre que tiver oportunidade, contra a "mídia burguesa", mas faça questão de dizer que defende a liberdade de expressão - desde que seja a favor, claro.


Demonstre que é um antiimperialista e defensor da democracia e dos direitos humanos: o verdadeiro progressista dos tempos atuais foi contra a invasão do Iraque e do Afeganistão que, como sabemos, eram as duas Suíças do Oriente Médio, governadas antes da invasão americana por pacatos democratas. Ao mesmo tempo, não esqueça de se mostrar revoltado e horrorizado diante das cenas de soldados americanos torturando prisioneiros em Abu Ghraib e em Guantánamo, mas não diga uma palavra, a não ser em defesa, sobre a ditadura de Saddam Hussein ou a dos irmãos Castro em Cuba, onde existem umas 300 guantánamos. Se tiver de fazê-lo, diga que em Cuba ou na Venezuela existe democracia “até demais”. Lembre-se: você é um ardente defensor dos direitos humanos, menos em Havana ou em Pyongyang. Defenda com veemência o fim do embargo dos EUA a Cuba, não se esquecendo de chamar o embargo de "bloqueio" e de acrescentar-lhe os adjetivos "criminoso e genocida", mas não diga uma palavra sobre os presos políticos e a censura à imprensa na ilha-presídio. O perfeito idiota esquerdista é um inimigo ferrenho de ditaduras passadas, como a de Pinochet, mas não das ditaduras presentes como a cubana. Em relação a esta última, ele é, no máximo, "equilibrado" e "imparcial". Pelo mesmo motivo, denuncie como genocídio o que os EUA fazem no Iraque e o que Israel faz com os palestinos, não o que o governo islamita do Sudão faz em Darfur. Aproveite e tente minimizar o massacre de opositores à teocracia do Irã como uma mera rixa entre vascaínos e flamenguistas.


Não se contente em se dizer um paladino da luta pela liberdade e pela democracia: tente reescrever a História. Tente, por exemplo, revogar uma Lei que anistiou terroristas e torturadores, de modo a que estes últimos sejam punidos, mas não os primeiros. Aliás, sempre que se colocar diante da questão, diga que o que você e seus companheiros praticaram quarenta anos atrás não foi terrorismo, e que aquele vigia de banco ou aquela dona de casa que levou uma bala na cabeça ou teve a perna estraçalhada por uma bomba foram apenas danos colaterais da heróica luta armada que queria instalar por estas plagas uma ditadura totalitária. Deixe ainda mais claro seu compromisso com a democracia e com a liberdade, repatriando, na calada da noite, fugitivos de regimes como o de Cuba e concedendo refúgio e status de perseguido político a assassinos da própria grei condenados pela Justiça de ditaduras como a Itália.


Se alguém lhe exigir coerência, rebata dizendo que democracia e direitos humanos são, na verdade, conceitos ocidentais impostos pelo colonialismo europeu aos demais povos do planeta, e que tais conceitos são relativos - jogando no lixo, assim, a Declaração Universal dos Direitos do Homem. Mas atenção: só use esse argumento relativista quando o regime em questão for o de Cuba ou da China comunista, ou do Irã ou da Coréia do Norte. Nunca, jamais, use o mesmo argumento para se referir a ditaduras como a de Pinochet no Chile ou a dos militares brasileiros após 1964.


Se você for petista (um dos tipos mais numerosos de idiota), afirme até se convencer que o mensalão foi uma invenção da mídia golpista e das elites-que-há-quinhentos-anos-governam-o-Brasil, que querem derrubar o governo-que-mais-fez-pelos-pobres-na-História-do-Universo, proclamando que o PT é o partido mais ético do Brasil. Se não der certo, repita o discurso do chefe, e diga que não sabia de nada, que se sente "traído", ou que "todos fazem igual". Apegue-se principalmente a esse último discurso, sacando da manga a seguinte frase: "Ninguém presta na política, inclusive eu". Não ligue para o fato de que, alguns anos atrás, você estava com um discurso completamente diferente, dizendo "Ninguém presta, só eu".


Se você, por algum motivo, não estiver se sentindo bem no PT, não tem problema: você pode pular do barco que está afundando, e fundar um novo partido, afirmando que a o governo atual traiu os trabalhadores e o socialismo e voltando ao mesmo discurso moralizante que levou o PT ao governo. Sempre haverá quem caia nessa.


Há outras regras que caracterizam o perfeito idiota esquerdista. Por motivo de espaço, vou resumi-las aqui:


- Emocionar-se com os discursos “históricos” de Barack Obama, antes mesmo de eles serem pronunciados;


- Descartar o Foro de São Paulo como uma fantasia de teóricos conspiracionistas de extrema-direita, mas dar crédito a quem diz que os atentados de 11 de setembro foram uma conspiração da CIA;


- Negar de pés juntos que o Bolsa-Família seja um programa assistencialista e eleitoreiro e chamar de "imbecil" e "ignorante" quem diz isso;


- Ler os livros de Emir Sader e de Marilena Chauí, “as maiores cabeças da intelectualidade brasileira”;


- Comover-se até as lágrimas com os livros de Frei Betto e Leonardo Boff, duas almas elevadas;


- Acreditar que As VÉIAS abertas da América Latina, de Eduardo Galeano, é um livro de História;


- Considerar Oscar Niemeyer e José Saramago dois gênios da humanidade;


- Acreditar que os filmes de Michael Moore são documentários, e não peças de ficção;


- Considerar a China e o Vietnã de hoje exemplos de sucesso do “socialismo”, embora haja mais comunistas hoje na USP do que em Pequim ou em Hanói;


- Idolatrar Che Guevara, Fidel Castro, Lênin, Trotsky, Mao ou Stálin, e ignorar quem foram Edmund Burke, John Stuart Mill, Ludwig von Mises, Jean-François Revel, Alexander Soljenitsin e Raymond Aron.


- Denunciar o “pensamento único ‘neoliberal’”, muito embora o esquerdismo seja há décadas o pensamento único nas escolas e universidades, até na vida quotidiana;


- Acreditar que não ser “alienado” e ter “senso crítico” é repetir slogans em passeatas;


- Crer que apontar a ignorância do presidente é “preconceito”, pois afinal ele é “do povo” – mesmo tendo deixado de sê-lo há uns trinta anos, pelo menos, e não tendo estudado porque náo quis;


- Afirmar que a oficialização do racismo por meio das cotas é o caminho para acabar com o... racismo – e isso no Brasil, um país, como se sabe, tão racista quanto era a África do Sul na época do apartheid;


- Pregar a tolerância com todas as religiões, menos com o cristianismo (e especialmente com a Igreja Católica, a menos que seja a teologia da libertação);


- Ser a favor do aborto, dos direitos dos gays e das minorias, em nome do "politicamente correto" – ainda que seja preciso proibir pastores evangélicos de citarem a Bíblia e humoristas de fazerem "piada de bicha";


- Achar que a solução para o problema da violência é o desarmamento – menos dos bandidos;


- Ser contra a redução da maioridade penal, uma “medida fascista” em vigor em países como Inglaterra e Suiça, e ser a favor da liberalização da maconha ("porque assim não haverá mais tráfico ilegal nem criminalidade");


- (Se for radical): Achar que Lula e Hugo Chávez não são de esquerda e se venderam ao capital;


- (Se for moderado): Achar que Lula é a esquerda "vegetariana", um antídoto ao "carnívoro" Chávez;


- (Se for nos países ricos): Consumir-se de complexo de culpa por ser branco, homem, rico, escolarizado e cristão;


- (Se for no Brasil): Posar de vítima por ser não-branco, mulher (ou gay), pobre, iletrado e torcedor do Olaria;


- Acreditar que o desenvolvimento é uma questão de vontade política, via decisão governamental;


- Achar que a Guerra Fria foi travada por um lado apenas, os EUA;


- Achar que são “políticas sociais”, e não leis mais duras e repressão policial, a solução para a criminalidade (ou seja: todos os pobres são bandidos em potencial);


- Não ver problema algum em consumir drogas ilícitas à noite e fazer passeata “pela paz” de manhã.


Ah sim, outra coisa importantíssima: sempre que se colocar diante da necessidade de emitir uma opinião sobre qualquer assunto, nunca se esqueça de se certificar que seu ponto de vista coincide com o da maioria, ou, mais especificamente, com o que pensam a respeito os medalhões de nossa intelligentsia nacional e internacional. Consulte antes os sábios. Se não tiver o que dizer, repita as palavras dos mestres: eles estão sempre certos, assim como a maioria. Jamais - nunca, em hipótese alguma - cometa o erro crasso de pensar com os próprios neurônios. Tenha sempre em mente o velho ditado comunista: "Melhor errar com o Partido do que acertar fora dele".


Finalmente, se de repente você se vir sem argumentos (o que ocorre com certa freqüência), não se acanhe e apele para o velho recurso da argumentação ad hominem, cobrindo quem não se coloca de seu lado com adjetivos como "agente da CIA", "lacaio do imperialismo" ou, então, "massa de manobra de Reinaldo Azevedo e de Olavo de Carvalho". Funciona sempre: dá a impressão de que seu adversário não tem pensamento próprio e se limita a servir de correia de transmissão desses autores. Exatamente o contrário de você, claro.


Pronto! Se você seguir direitinho as regras acima, garanto que se tornará, em pouco tempo, mais um exemplar da fauna dos perfeitos idiotas esquerdistas. Em breve, terá aposentado de vez a massa cinzenta existente dentro de seu crânio, a qual logo entrará em desuso, e estará agindo como um robô apatetado e repetidor de slogans, seguindo a manada. Asseguro ainda que você jamais se sentirá sozinho e desamparado, pois, se há algo que caracteriza os membros dessa espécie em contínua expansão, é a incrível capacidade gregária, sendo eles vistos quase sempre em grupo, conforme o velho ditado latino: Asinus asinum fricat. Fique certo de que, uma vez aceito como parte do "coletivo", as oportunidades se abrirão, e você terá um futuro brilhante pela frente, seja em alguma repartição oficial, em algum cargo comissionado, seja como professor em algum departamento de Filosofia ou Ciências Sociais em alguma universidade pública brasileira.


Se algum dia alguém lhe vier cobrar que preste contas de suas posições político-ideológicas, não se preocupe: acima de tudo, ser de esquerda - e ser idiota - é nunca ter de pedir perdão.


por Gustavo Bezerra

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Lula e a Poesia da Miséria

Lula discursou ontem na inauguração de uma escola técnica federal em Campina Grande, na Paraíba (ver post) e afirmou que “o papel do governo federal é o de uma mãe”. Até outro dia, ele diria que é o de um “pai”. Mas quer Dilma Rousseff como sua sucessora, daí a mãe. Não dá ponto sem nó. Voltamos no tempo bem uns 60 anos. Aí o presidente decidiu fazer um pouco de poesia da miséria, mas agora em sua versão exitosa, virtuosa: escolheu uma garota, Isabela de Oliveira Araújo, como símbolo do “Bolsa Família”, que ele e quase toda a imprensa chamam de “programa de transferência de renda”.

No governo FHC, que atendia a cinco milhões de famílias com assistência direta — na abastança, Lula ampliou para 11 milhões —, as ações do que agora se chama Bolsa Família eram classificadas pelos petistas (e pela imprensa) como “medidas compensatórias para minimizar os efeitos do reajuste neoliberal da economia”. Hoje, transformaram-se em programa de “transferência de renda”.

E Lula mandou bala naquela sua poesia meio chinfrim. “Como a gente pode esperar que uma criança que não toma café da manhã seja inteligente, se ela levanta e vai dormir com a lombriga menor querendo comer a maior? Dê comida para essa criança, para chegar a uma escola”. Ou ainda: “Vamos ver o que vai ser dessa menina, que estava predestinada a ser mais uma menina sem futuro em Campina Grande. Ela vai ter uma profissão e vai poder construir sua vida independente. Essa menina é mais um exemplo daquilo que é a força motora do que me faz fazer política.”

Ai, ai. O assistencialismo é uma droga pesada. Vicia não só aqueles que são atendidos por seus “programas” como também os analistas, que não conseguem pensar. Até outro dia, um programa de “transferência de renda” só seria assim denominado se fosse sustentável - vale dizer, se criasse condições para que as pessoas pudessem andar sobre as próprias pernas e se provocassem mudanças estruturais na sociedade. Vocês sabem: é aquela metáfora-clichê do peixe — dar o dito-cujo ou ensinar a pescar? O Bolsa Família não mudou a sociedade brasileira e, sobretudo, não criou nem mesmo a semente para que, um dia, deixe de ser necessário. Ao contrário: o governo só o expandiu.

Nordeste na mesma
Estudo da Fundação Getúlio Vargas, por exemplo, prova que renda maior não mudou o Nordeste. Isso significa que os efeitos positivos do programa, especialmente no consumo, existem enquanto a doação de recursos continuar. É simples assim. Pode-se até falar, se alguém quiser insistir na idéia, em doação de renda — assim como podemos doar o que não nos faz falta ou nos é supérfluo. Mas transferência de renda??? Lembro os três primeiros parágrafos de reportagem do Estadão a respeito, com base num estudo da Função Getúlio Vargas:

A renda da população do Nordeste, região mais carente do Brasil, cresceu nos últimos anos impulsionada pelo fortalecimento da economia nacional e pelos programas de transferência de recursos como o Bolsa-Família. O dado negativo é que isso não refletiu em melhora na qualidade de vida das pessoas que apenas sobrevivem nesses Estados e nem contribuiu para um desenvolvimento local sustentável.

Serviços essenciais a que todos deveriam ter acesso como saúde de qualidade, educação universal, moradia adequada e segurança apresentaram crescimento bem abaixo da média do aumento de renda.

Os dados são de uma pesquisa inédita feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) Projetos, que apresenta amplo diagnóstico das mazelas e conquistas socioeconômicas dos nove Estados nordestinos, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe, entre os anos de 2001 e 2007.

O levantamento traça um retrato detalhado do atraso da região Nordeste com base em 36 microindicadores oficiais agrupados em oito temas: saneamento básico, qualidade de moradia, educação, segurança pública, renda, emprego, desigualdade e pobreza.

Muito bem. As ações do governo contra as condições estruturais do atraso foram muito modestas, especialmente no Nordeste, que, não obstante, virou palco preferencial do Bolsa Família. O programa é uma espécie de crack da assistência social: tem efeito imediato, vicia rapidamente e transforma os consumidores em zumbis dependentes dos fornecedores de pedra. “Ah, mas Lula é adorado no Nordeste”! Outros benfeitores já o foram antes dele. O fato de eu reconhecer a democracia como valor inegociável não implica que eu tenha de adotar os juízos da maioria. De jeito nenhum!

Digamos que um governo tenha de se preocupar, sim, em matar a fome das Isabelas do Brasil, tomadas em sua individualidade. A pergunta que interessa é como o país vai parar de criar as condições para que a miséria prospere, formando a horda de estado-dependentes do país. E, nesse caso, Lula dá uma escandalosa resposta prática.

Enquanto o discurso da miséria se traduz na miséria do discurso, com sua fanfarra assistencialista, ele dá apoio integral a José Sarney (aquele do Maranhão, ONDE EXISTE UMA ISABELA A CADA CANTO), a Renan Calheiros e, literalmente, ao que há de pior na política brasileira. Mais do que isso: esses progressistas, evidentemente, têm Schopenhauer Lula da Silva nas mãos, atado sabe-se lá a quantas chantagens políticas. O que sabemos é que o PMDB ameaçou Lula com a CPI da Petrobras e com o risco de não se alinhar com a candidatura Dilma. Imaginem, então, quais são os termos da negociação que não conhecemos.

Inteligentes que são, os meus caros leitores já chegaram sozinhos à síntese necessária. É o Brasil dos Sarneys e Renans, aliados de Lula, que dão à luz as condições miseráveis em que nascem as Isabelas, que serão, então, socorridas pelo assistencialismo de Lula, que, por sua vez, dá os braços aos Sarneys e aos Renans… Não! A síntese das sínteses ainda não é essa, mas esta: nesse Brasil, as Isabelas precisam, certamente, de Lula (o pai) e de Dilma (a mãe). Mas os dois precisam desesperadamente das Isabelas.

Sem as Isabelas, a dupla fica sem poesia.

por Reinaldo Azevedo

No Novo Tempo

"No novo tempo, apesar dos perigos
De todos os pecados, de todos enganos, estamos marcados
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver
"
Ivan Lins - Victor Martins



Estamos num novo tempo.

Um novo tempo em que já não se fazem mais revoluções para dar golpes de Estado e implantar o comunismo e que o stalinismo, apesar de muito querido, ainda, nos meios esquerdistas, é somente relembrado com orgulho pelos terroristas de outros tempos.

Mas é um novo tempo em que o decálogo de Lenin está atualizadíssimo. Em que os escritos de Antônio Gramsci são seguidos à risca.

Um novo tempo em que a chamada mídia está apinhada de esquerdistas como jornalistas, comentaristas, leitores... E aquela parte que ainda resiste, o faz de forma acanhada, porque apanha, e expõe um grande relativismo moral.

Um novo tempo em que os governos esquerdistas, apoiados, inclusive por aquele país que outrora foi o bastião das liberdades - hoje é apenas o país e Barack Hussein -, estão cada vez mais próximos de derrotar a democracia e o Estado de Direito.

Um novo tempo em que vemos a pobre Honduras ser duramente acuada no "corner" do ringue político internacional por estes mesmos governos - e muitos outros ditos democráticos - porque zelou por sua Constituição, ameaçada que estava pelo ex-presidente, mas que dão vivas à volta de Cuba e seu ditador à OEA, rasgando a Carta daquela instituição.

Um novo tempo em que sataniza-se a divergência e banaliza-se conceitos que durante milênios foram formados, deturpando os caminhos de liberdade e convivência que a sociedade trilhou em sua Evolução à custa de uma utopia que, sempre que foi implantada, massacrou, humilhou, assassinou, encarcerou e deixou uma legião de famélicos.

Um novo tempo em que falsos profetas, travestidos de padres, freis e pastores, preferem espalhar a palavra do demônio Marx à do Deus de Israel, crido pela maioria das sociedades ocidentais - e que, até então, fora o pilar para a construção das relações entre as pessoas.

Um novo tempo que as esquerdas utilizam-se de todos os estratagemas de diferenciação entre as pessoas - classes, raças, condições sócio-econômicas etc. - para estabelecer e aferrar-se ao poder; porém, quando diante da contestação lógica, voltam a usar da violência verbal ou física contra aqueles que os contestaram.

Um novo tempo em que aquele que outrora condenou veementemente governantes passados por atos de corrupção, é, agora, o mais corrupto de todos, protegendo e apoiando vergonhosamente os atos destes mesmos governantes, já em outros cargos públicos.

É também um novo tempo em que este mesmo governante compra o apoio e os votos das pessoas menos abastadas e menos educadas com a moeda podre do assistencialismo barato, como faziam os chamados "coronéis" de sua terra outrora, que distribuíam dentaduras, espelhos, colchões etc. próximo ao período eleitoral.

Mais do que tudo, é um novo tempo em que há ativistas de direitos humanos tão bandidos quanto os piores vilões que atacam a sociedade: defendem os marginais, as agressões às pessoas, as invasões de terras e propriedades privadas, a derrocada dos grandes produtores e grandes empresas, que empregam, constroem, alimentam e sustentam milhares de pessoas. Mas estes mesmos ativistas não se movem quando as vítimas destes facínoras fazem qualquer reclamação.

Precisamos voltar aos velhos tempos e fazer calar a voz destes que tem implantado este novo tempo - ou seremos enviados aos velhos gulags soviéticos e suas valas comuns serão nossa última morada.

Oposição Golpista

terça-feira, 28 de julho de 2009

Fome de Justiça?

O texto a seguir foi publicado n'O Globo do dia 24/07/2009. Comento em seguida.


Somam hoje 950 milhões as pessoas ameaçadas pela fome crônica. Eram 800 milhões até 2007. De lá para cá o número aumentou, devido à expansão do agronegócio, cujas tecnologias encarecem os alimentos, e à maior extensão de áreas destinadas ao cultivo de agrocombustíveis, produzidos para saciar a fome de máquinas e não de gente.

A fome é o que há de mais letal inventado pela injustiça humana. Causa mais mortes que todas as guerras. Elimina cerca de 23 mil vidas por dia; quase 1.000 pessoas por hora! As crianças são as principais vítimas.

Quase ninguém morre por falta de alimentos. O ser humano suporta quase tudo: políticos corruptos, humilhações, agressões, indiferenças, a opulência de uns poucos. Até o prato vazio. Por isso ninguém morre da falta completa de alimentos. Os famélicos, quando nada têm para comer, levam à boca, para enganar a fome, restos catados no lixo, lagarto, rato, gato, tanajura e variados insetos. A falta de vitaminas, carboidratos e outros nutrientes essenciais debilita o organismo, torna-o vulnerável às enfermidades. Crianças raquíticas morrem de simples resfriado, privadas de defesas.

Há apenas quatro fatores de morte precoce: acidentes (de trabalho ou trânsito); violência (assassinato, terrorismo ou guerra); enfermidades (aids ou câncer); e fome. Esta produz o maior número de vítimas. No entanto, é o fator que menos suscita mobilizações. Há sucessivas campanhas contra o terrorismo ou pela cura da aids, mas quem protesta contra a fome?

Os miseráveis não fazem protestos. Só quem come entra em greve, vai às ruas, manifesta em público descontentamento e reivindicações. Como essa gente não sofre ameaça da fome, os famintos são ignorados.

Agora, os líderes das nações mais ricas e poderosas do mundo, reunidos no G-8, em L'Aquila, Itália, no início de julho, decidiram liberar US$15 bilhões para aplacar a fome mundial.

Como o G-8 é cínico! Ele é o responsável pelos famintos serem multidão. Eles não existiriam se as nações metropolitanas não adotassem políticas protecionistas, barreiras alfandegárias, transnacionais de agrotóxicos e de sementes transgênicas. Não morreriam de fome cerca de 5 milhões de crianças por ano se o G-8 não manipulasse a OMC, não incentivasse a desigualdade social e tudo isso que a aprofunda: o latifúndio, a especulação dos preços dos alimentos, a apropriação privada da riqueza.

Apenas US$15 bilhões! Sabem quanto esses senhores e senhoras do G-8 destinaram para salvar — não a humanidade — mas o mercado financeiro, de setembro de 2008 a junho de 2009? Mil vezes esta quantia! US$15 bilhões servem apenas para oferecer uns caramelos a alguns famintos. Sem contar que boa parte desses recursos irá para o bolso dos corruptos ou servirá de moeda de troca eleitoral. Dou-lhe um pão, dá-me um voto!

Se o G-8 tivesse de fato intenção de erradicar a fome no mundo, promoveria mudanças nas estruturas mercantilistas que regem a produção e o comércio mundiais, e canalizaria mais recursos às nações pobres que aos agentes do mercado financeiro e à indústria bélica.

Se os donos do mundo quisessem realmente acabar com a fome, eles tornariam o latifúndio um crime de lesa-humanidade e permitiriam a livre circulação de alimentos, assim como ocorre com o dinheiro. Do mesmo modo, se tivessem mesmo o propósito de erradicar o narcotráfico, em vez de prender uns poucos traficantes, poriam suas máquinas de guerra para destruir definitivamente os campos de plantação de maconha, de coca, de papoula e de outros vegetais, transformando-os em áreas de agricultura familiar. Sem matérias-primas, não há traficante capaz de produzir droga.

Dizer que o G-8 intenciona acabar com a fome ou salvar o planeta da degradação ambiental equivale a esperar que, no próximo Natal, Papai Noel traga de presente uma vida digna a todas as crianças pobres. O cinismo é tanto que os líderes mundiais prometem estabelecer bases de sustentabilidade ambiental a partir de 2050. Ora, se a natureza algo ensina de óbvio é que, a médio prazo, estaremos todos mortos! Se a Terra já perdeu 25% de sua capacidade de autorregeneração, o que acontecerá se a humanidade tiver que esperar mais 40 anos para que se tomem medidas eficazes?

Se aqueles que não passam fome tivessem, ao menos, fome de justiça, virtude qualificada por Jesus como bem-aventurança, então a esperança em um futuro melhor não seria vã.

por Frei Betto, no O Globo


O "frei" Betto, codinome atual de Carlos Alberto Libânio Christo, é um ex-frei da ordem dos dominicanos, que atualmente, junto com Leonardo Boff, é adepto da "Escatologia da Libertação", corrente marxista dita teológica - ou seja, ele usa de seu parco conhecimento teológico para pregar a implantação do comunismo.

Assim sendo, como todo esquerdista doutrinado nos escritos marxistas, prega muito bem a mentira, já que esta não faz parte dos dez mandamentos da Lei Divina, nem é um dos sete pecados capitais!

Veja como começa o "frei": números! E qualquer um pode tê-los. Basta uma busca rápida na internet.

Depois: mentira deslavada! E garanto: o "frei" nem vermelho-comunista ficou! Ele afirma categoricamente que o aumento do número de famélicos no mundo se deve à expansão do agronegócio! e que o mundo deveria ser entregue ao MST e suas invasões e enxadas!

Acompanhou a lógica distorcida dos esquerdistas? O agronegócio, que faz com que, por exemplo, o Brasil bata todos os anos o recorde de produção de alimentos, é o culpado pela fome!

Ou seja: quanto mais alimentos o agronegócio produz, mais famintos existem (no Brasil e no mundo).

E, pasmem!, as tecnologias utilizadas pelo agronegócio, que ajudam a produzir mais e - eis a aula básica de Massinha I em economia -, consequentemente, baratear o custo da produção, na verdade encarecem os alimentos.

Ó luminar da sabedoria, desejo-vos perguntar, então: se entregarmos os campos à produção dos "enxadistas" do MST, conforme vosso sapientíssimo conselho, teremos, quase que automaticamente, a erradicação da fome no mundo?

Ah! "frei" Betto, como o senhor é cínico! Não é primeira vez que um ou mais governos do mundo se juntam para ajudar a aplcara a fome do mundo - os páaíes da África, como Uganda, Ruanda, Congo e especialmente Zimbábue do seu amigo Robert Mugabe, que o digam.

Mas o que faz aquele e tantos outros governos: toma para si toda e qualquer ajuda, quer em dinheiro quer em espécie. E contra isto, o senhor nada fala. Afinal, a grande maioria dos governos destes países são - ou foram até passado recente - comunistas.

Mas, ah!, contra estes governos, nenhum "ai!, pobre povo dominado por ditadores!", como o é o povo cubano. Este, aliás, é dominado por seu ídolo, Fidel Castro, de quem o senhor já tomou a benção por várias vezes.

É claro que isto não é, para o senhor, nenhum depreciativo, não é mesmo? Afinal, o senhor acobertava os terroristas da ALN - dentre eles, o assassino Marighela!

É... dizer que o "frei" Betto deseja acabar com a fome do mundo é o mesmo que acreditar em Papai Noel transando com o Coelhinho da Páscoa em frente ao Saci Pererê. Ele só quer, como todo comunista, acabar com o "capitalismo" para que todos sejam "iguais" - desde que ele seja "mais igual que os outros", fazendo parte da "nomenklatura", aqueles iluminados que guiam o resto da manada e ficam com todas as benesses que a manada nunca teve, nem terá, onde o comunismo foi implantado.

Se o "frei" Betto tivesse realmente fome de justiça, lutaria não contra o "capitalismo", mas contra os governos que sempre deixaram o povo abandonado.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

A Revolução dos Bichos da UNEE

Garrafas de bebidas alcoólicas, preservativos, drogas e muito lixo. Nada disso combina com escola. Mas, a uma semana do retorno das aulas, foi esse o cenário encontrado pela Secretaria de Educação do Distrito Federal nos 10 centros de ensino usados pelos mais de 6 mil universitários que ficaram hospedados na cidade em virtude do Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE [mas deveria ser UNEE - União Nacional dos Estudantes Esquerdistas]), entre quarta-feira da semana passada e domingo. “A gente viu uns jovens tomando banho na horta das crianças e eles ainda fizeram as necessidades em cima das plantações”, lamentou a diretora do Centro de Ensino Fundamental 01, do Lago Norte, Claudia Regina Justino Fernandes.

A horta tinha sido preparada em seis meses de trabalho com os alunos de 1ª a 6ª série do ensino fundamental. E agora, de acordo com Cláudia, com a volta às aulas, o monitor responsável pela horta, Leandro Nunes, vai ter que replantar tudo. “Não podemos permitir que as crianças comam as verduras nem mexam na terra contaminada”, completa. Cláudia conta ainda que esse foi apenas um dos problemas da presença dos estudantes na escola. “Esperávamos 400 alunos e vieram mais de 600. Muitos tomaram banhos nus no pátio da escola e constrangeram os funcionários e vizinhos. Além disso, nunca vi tanta sujeira. E a escola estava pronta para a volta às aulas”, lamenta.

Problema semelhante ocorreu na Escola Classe do Varjão. Lá, estudam crianças de cinco a 12 anos. “Foi uma pena ver tudo sujo e alguns projetos danificados. As plantas do Ciência em Foco, por exemplo, foram todas destruídas”, conta o servidor administrativo Éder da Silva. Ele chegou a chamar os coordenadores da escola quando notou que havia consumo de drogas no ambiente. “Escola não é para isso”, completa.

“Isso ocorreu em todas as escolas que eles usaram. Foi lamentável e preocupante porque deu para ver que eles não valorizam o patrimônio público”, observa a funcionária da Regional de Ensino de Brasília responsável pela acomodação dos alunos da UNE, Isabelmille Costa Militão Carneiro. De acordo com ela, a secretaria esperava receber 4 mil alunos e, no decorrer do congresso, mais de 6 mil foram alojados. “Além disso, no termo de compromisso assinado pela entidade, havia a determinação de que eles providenciariam toda a estrutura, inclusive banheiros químicos e chuveiros, e que devolveriam as escolas do mesmo jeito que encontraram”, afirma.

Não foi o que ocorreu, por exemplo, no Setor Leste, na Asa Sul. Lá, os alunos também tomaram banho de mangueira nus no pátio para surpresa da diretora, Ana Lúcia Marques. Ela chegou a chamar a polícia por causa da baderna.

por Erika Klingl, no Correio Braziliense

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Por que Zelaya Foi Deposto

Atenção: Este post foi modificado.

E por uma razão simples: o vídeo aqui postado, tomado da Secretaria de Relações Exteriores de Honduras, explicando o motivo pelo qual Zelaya foi deposto, era muito pesado para esta página.

Assim, este post foi modificado e passará a conter apenas o link para o vídeo: http://www.sre.hn/notas%202009/videos/videos.html.

Monstros Tristonhos

Tatiana de Oliveira teve sua matrícula cancelada na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) menos de um mês após o início do curso de Pedagogia, no qual ingressou pelo sistema de cota racial. A instituição inscreve candidatos cotistas com base na autodeclaração de cor/raça negra, mas depois, com base numa entrevista, pode rejeitar a matrícula. O pai da estudante se define como "pardo" e o avô paterno, como "preto", mas uma comissão da UFSM que funciona como tribunal racial pespegou-lhe o rótulo de "branca".


Juan Felipe Gomez, cotista ingressante na Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), conheceu sorte similar. A instituição impugnou sua declaração racial, recusando uma declaração cartorial na qual a mãe do jovem se identificou como "parda" e "afrodescendente", uma certidão de nascimento que identifica a avó materna de Juan como "negra" e um prontuário civil em que a mãe é classificada como "parda". Ele não está só: na UFSCAR, um quarto dos candidatos aprovados pelo sistema de cotas raciais neste ano teve sua matrícula cancelada em razão de impugnações do tribunal racial.


Segundo a lenda divulgada pelos arautos da doutrina racialista, a "raça negra" é constituída pela soma dos que se declaram censitariamente "pretos" com os que se declaram "pardos". Em tese, o sistema de cotas raciais está destinado a esses dois grupos. Então, por que os tribunais raciais instalados nas universidades impugnam mestiços como Tatiana, Juan e tantos outros?


A resposta encontra-se na introdução de um livro de Eneida dos Reis devotado a investigar o lugar social do mulato. O autor da introdução é o antropólogo Kabengele Munanga, professor titular na USP e um dos ícones do projeto de racialização oficial do Brasil. Eis o que ele escreveu: "Os chamados mulatos têm seu patrimônio genético formado pela combinação dos cromossomos de 'branco' e de 'negro', o que faz deles seres naturalmente ambivalentes, ou seja, a simbiose (...) do 'branco' e do 'negro'. (...) os mestiços são parcialmente negros, mas não o são totalmente por causa do sangue ou das gotas de sangue do branco que carregam. Os mestiços são também brancos, mas o são apenas parcialmente por causa do sangue do negro que carregam."


O charlatanismo acadêmico está à solta. Cromossomos raciais? Sangue do branco? Sangue do negro? Seres naturalmente ambivalentes? Munanga quer dizer seres monstruosos? Do ponto mais alto da carreira universitária, o antropólogo professa a crença do "racismo científico", velha de mais de um século, na existência biológica de raças humanas, vestindo-a curiosamente numa linguagem decalcada da ciência genética.


Mas ele vai adiante, saltando dos domínios da biologia para os da engenharia social: "Se no plano biológico, a ambiguidade dos mulatos é uma fatalidade da qual não podem escapar, no plano social e político-ideológico eles não podem permanecer (...) 'branco' e 'negro'; não podem se colocar numa posição de indiferença ou de neutralidade quanto a conflitos latentes ou reais que existem entre os dois grupos, aos quais pertencem, biológica e/ou etnicamente."


É o horror - científico, acadêmico e moral. Mas, desgraçadamente, nessas frases abomináveis, que representam um cancelamento do conceito de cidadania, está delineada uma visão de mundo e exposto um plano de ação. De acordo com elas, a mola propulsora da história é o conflito racial e, no Brasil, para que a história avance é preciso suprimir a mestiçagem, propiciando um embate direto entre as duas raças polares em conflito. O imperativo da supressão da mestiçagem exige que os mestiços - esses monstros tristonhos condenados pela sua natureza à ambivalência - façam uma escolha política, decidindo se querem ser "brancos" ou "negros" no novo mundo organizado pelo mito da raça.


No veredicto do Grande Inquisidor que ocupa o cargo de reitor da UFSM, Tatiana foi declarada "branca" porque, em audiência diante de um tribunal racial, ela não testemunhou ser vítima de discriminação racial. A estudante, tanto quanto Juan Felipe e os demais rejeitados pelo Brasil afora, teve cassado o direito à autodeclaração de cor/raça por um punhado de inquisidores, que são professores racialistas e militantes de ONGs do movimento negro. Mas, antes disso, essa turma tomou de assalto as chaves de acesso ao ensino superior e, desafiando as normas constitucionais, cassou o direito de centenas de milhares de jovens da cor "errada" de ingressar na universidade pelo mérito demonstrado em exames objetivos. A massa dos sem-direito é formada por estudantes de alta, média ou baixa renda, com diferentes tons de pele, que compartilham o azar de não funcionarem como símbolos úteis a uma ideologia.


Esquece-se com frequência que a pedra fundamental dos Estados baseados no princípio da raça é a proibição legal da miscigenação. A Lei Antimiscigenação da Virginia, de 1924, que sintetizava o sentido geral da legislação segregacionista nos EUA, definiu como "negros" todos os que tinham uma gota de "sangue negro". A Lei para a Proteção do Sangue Germânico, de 1935, na Alemanha nazista, criminalizava casamentos e relações sexuais entre judeus e arianos. A Lei de Proibição de Casamentos Mistos, de 1949, na África do Sul do apartheid, proibiu uniões e relações sexuais entre brancos e não-brancos. Raça é um empreendimento de higiene social: a busca da pureza.


Mestiçagem se faz na cama e na cultura. É troca entre corpos e intercâmbio de ideias. Os arautos brasileiros do mito da raça talvez gostassem de ter uma lei antimiscigenação, mas concentram-se na missão mais realista de higienizar as mentes, expurgando de nossa consciência a imagem de uma nação misturada. Cada um dos jovens mestiços pré-universitários terá de optar entre as alternativas inapeláveis de ser "branco" ou ser "negro". Para isso, e nada mais, servem as cotas raciais.


por Demétrio Magnoli

O Proselitismo da UNE

Desde sua criação na década de 1930, a União Nacional dos Estudantes tem participado de forma ativa do debate político no país, quase sempre abraçando bandeiras ditas “progressistas”. A entidade está tão impregnada de ideologia marxista, que atualmente a UNE mais parece um braço partidário do PSOL, e poderia muito bem mudar o significado de sua sigla para União Nacional dos Esquerdistas. Com a chegada ao poder do PT, a UNE deixa de lado suas duras críticas ao governo, e adota um constrangedor silêncio em relação aos escândalos de corrupção. Ela demonstra, com isso, seguir literalmente a máxima de dois pesos e duas medidas. Para os socialistas, afinal, os fins sempre justificaram quaisquer meios.

Basta lembrar o barulho ensurdecedor que os estudantes da UNE faziam no passado contra o governo, quando o PT ainda era oposição. O caso dos “caras pintadas” pedindo o impeachment do presidente Collor, mobilizados pela UNE, representa um excelente exemplo. Ou a pressão que a UNE exerceu para instalar CPIs durante o governo tucano, além da campanha “Fora FHC” disseminada pela entidade. Agora que o PT é governo, a UNE condena o desejo da oposição de instalar uma CPI para investigar os escândalos da Petrobrás. Quem te viu; quem te vê.

Como os jornais mostraram, a UNE recebeu quase um milhão de reais de órgãos públicos federais para realizar seu 51º Congresso, sendo R$ 100 mil da própria Petrobrás. O cão não morde a mão que o alimenta. E a UNE é como os cachorros raivosos alimentados pelo porco Napoleão no livro A Revolução dos Bichos, de George Orwell. Parece um cão treinado para latir quando o governo precisa desviar a atenção de algum novo escândalo. A UNE mostra não seguir princípios e valores imparciais, mas sim interesses atrelados à sua ideologia socialista. Seria o caso de questionar: quais estudantes ela realmente representa?

Nenhuma palavra da UNE contra os infindáveis escândalos envolvendo José Sarney, que o presidente Lula agora tanto defende. Nenhuma palavra contra a nova e estranha amizade entre Collor e Lula. Onde estão aqueles jovens com caras pintadas? Trocaram a tinta pela peroba e viraram agora “caras-de-pau”? Nada da UNE sobre os escândalos envolvendo a Petrobrás, uma das principais patrocinadoras do congresso. Ao contrário: defender a CPI para investigar a corrupção na estatal passou a ser coisa de “neoliberal”. A UNE, pelo visto, não condena a corrupção do governo, se este governo for de esquerda, e de preferência liberar verbas gordas para a entidade. Como no livro de Orwell, existe apenas um mandamento para os membros da UNE: “Todos os bichos são iguais, mas alguns bichos são mais iguais que outros”. Os porcos ligados a Napoleão passaram a negociar com os homens de granjas vizinhas, e aprenderam a andar em duas patas. Tudo faz parte do “jogo democrático”. Até mesmo beijar a mão de um ícone da oligarquia nordestina! Agora já é impossível distinguir porco de homem. É espantosa a capacidade que os principais líderes do movimento estudantil têm para “esquecer” o passado recente. Parece até mesmo alguma patologia cognitiva. Caso contrário, teria que ser falta de caráter mesmo.

A verdade é que muitos jovens percebem desde cedo que há no Brasil um futuro promissor para “estudantes” que trocam o estudo pelos discursos sensacionalistas. Em vez de se dedicar arduamente aos estudos e depois competir no mercado por um emprego produtivo, esses jovens observam que pegar microfones durante as aulas e condenar o “sistema”, gritando bravatas e oferecendo soluções utópicas, costuma trazer recompensas melhores e mais rápidas. Como disse o economista William Easterly em O Espetáculo do Crescimento, “criar pessoas com elevada qualificação em países onde a atividade mais rentável é pressionar o governo por favores não é uma fórmula de sucesso”. A via política acaba rendendo mais que a via econômica num país como o Brasil, onde o governo concentra poder econômico demais.

A UNE virou um trampolim para jovens com ambições políticas. Por que batalhar duro para criar riqueza, quando basta colocar uma camisa vermelha e gritar chavões socialistas para expropriar riqueza alheia através do governo? É análogo ao que se passa no campo com o MST. Em vez de trabalhar pesado sob o sol nas plantações, os “camponeses” aprendem rápido que basta pegar uma foice, colocar um boné vermelho e invadir propriedades alheias, para que o governo libere verbas milionárias para o movimento “social”. Não devemos esperar que os homens produzam riqueza, quando a produção é punida com crescentes impostos e a extorsão é remunerada. Um país desses terá cada vez mais parasitas, e menos hospedeiros. Alguém ainda se espanta com tanta miséria no Brasil?

A lamentável verdade é que a UNE tem contribuído para esta situação, através da doutrinação ideológica dos alunos. Como atrativo para os jovens, a UNE oferece um privilégio: uma carteira que garante desconto em eventos “culturais” como shows de rock e jogos de futebol. Os jovens são vítimas mais fáceis para os oportunistas de plantão. Afinal, costumam ser mais românticos e sonhadores, guiados pelas emoções e o desejo de “consertar o mundo”. Talvez por isso os esquerdistas defendam o direito ao voto de um jovem de 16 anos, enquanto condenam a redução da maioridade penal. Ou seja, o jovem responsável que pode votar acaba se tornando uma criança indefesa e inimputável, vítima da “sociedade”, quando pratica algum crime. Eis a “lógica” esquerdista. Eis a mentalidade predominante na União Nacional dos Esquerdistas, quer dizer, dos Estudantes.

por Rodrigo Constantino