sexta-feira, 8 de maio de 2009

Apego Excessivo ao Comunismo

Leiam o que vai abaixo, no Estadão.


Após defender os meios de investigação utilizados na Operação Satiagraha, o procurador da República Rodrigo de Grandis afirmou hoje que o "apego excessivo" da jurisprudência brasileira à questão dos direitos e garantias fundamentais "é fruto da época da ditadura militar". Segundo ele, pelo fato de o País ter vivenciado um longo período de supressão dos direitos e garantias fundamentais, hoje existe um "movimento pendular contrário, no sentido de que esses direitos e garantias sejam extremamente protegidos".

As declarações foram feitas em palestra na sede da Procuradoria Regional da República - 2ª Região, no Rio de Janeiro. O tema do procurador e do delegado da Polícia Federal (PF) Ricardo Saadi, também de São Paulo, era a "Visão Brasileira na coleta de provas: êxitos, dificuldades e sugestões. Balanço quanto aos meios de investigação utilizados na Operação Satiagraha (investigação sobre suposto envolvimento do banqueiro Daniel Dantas, do Grupo Opportunity, em crimes financeiros) na ótica do Ministério Público Federal e da PF".

Acusador de Dantas, o procurador reafirmou a declaração, em entrevista, e disse que essa posição hoje é adotada "principalmente nos tribunais superiores". Ele disse acreditar que no futuro a tendência é haver um equilíbrio. "É a ideia de ponderação: em alguns casos, você tem a flexibilização dos direitos e garantias fundamentais para a proteção de um outro bem jurídico às vezes maior."

Segundo de Grandis, a Constituição assegura uma série de direitos e garantias fundamentais, mas também determina a proteção de deveres fundamentais. "Pagar tributo é um dever fundamental. E acredito que em alguns anos a jurisprudência se modifique para estabelecer uma proporcionalidade em relação a deveres", afirmou. Para ele, "majoritariamente" não é essa hoje a posição do Supremo Tribunal Federal (STF). "O Superior Tribunal de Justiça (STJ) e os tribunais regionais já tratam melhor essa concepção. É uma briga árdua. Não se tem ainda muito clara a ideia dos deveres fundamentais."

por Felipe Werneck, da Agência Estado


O procurador Rodrigo de Grandis, que atuou na Operação Satiagraha, é jovem. Tem 32 anos. Dia desses, um ex-jornalista que vende serviços na Internet chegou mesmo a perder o controle e a se comover com a sua “cara de menino”. Em Menino do Rio, Caetano descobriu o “calor que provoca arrepio”. No caso em questão, devia ser uma dessas comichões provocadas pelo particular entendimento que esse moço tem da Constituição. Hora de recuar um pouco mais nas referências.


São Paulo, o apóstolo, disse que, quando menino, pensava como menino. Uma vez homem, obrigava-se a pensar como homem — como adulto, bem entendido. De Grandis e sua rima imperfeita, De Sanctis, o juiz Fausto, têm um bom pretexto para algumas de suas meninices perigosas. O nome dele é "Daniel Dantas". O banqueiro continuará a ser “o” mal do Brasil — tem-se a impressão, às vezes, de que é o único — enquanto durar o governo do PT, que fornece o caldo de cultura ideal para o desenvolvimento de uma bactéria nefasta para o estado de direito: aquela gente que pretende fazer justiça a despeito da Justiça. Daniel Dantas virou o vilão que perdoa todos os pecados. E, ontem, o “procurador com cara de menino” foi muito além da conta, muito além do razoável, muito além das suas sandálias.

Cerco
Que fique registrado. A Justiça Brasileira está sob cerco. No STF, um ministro como Joaquim Barbosa acusa um desafeto de modo irresponsável e o aconselha a ouvir as ruas, como se elas fossem determinantes da Justiça — e não as leis. Ayres Britto, outro ministro da Casa, este também presidente do TSE, justifica que se dê posse a quem não foi eleito alegando que se trata apenas de uma medida de “menor extensão democrática”. Um juiz de primeira instância, em flagrante desrespeito à lei, autoriza a invasão de escritórios de advocacia. Ontem, De Grandis, numa palestra, afirmou, com todas as letras e mais um pouco, que há, no Brasil, “um apego excessivo da jurisprudência à questão dos direitos e garantias fundamentais”. Mais ainda: disse que isso “é fruto da época da ditadura militar”.

Pobre "menino"!
Pobre Brasil!
Pobres brasileiros!

De Grandis proferia uma palestra, ao lado do delegado Ricardo Saadi, da PF, na Procuradoria Regional Federal de São Paulo. O tema: “Visão Brasileira na coleta de provas: êxitos, dificuldades e sugestões. Balanço quanto aos meios de investigação utilizados na Operação Satiagraha na ótica do Ministério Público Federal e da PF". Isso já não é uma palestra, mas uma dissertação resumida no título! Sigamos.

Assim como não sei o que é uma “solução de menor extensão democrática”, não sei o que quer dizer “apego excessivo aos direitos e garantias fundamentais”. Aos 32 anos, talvez o “menino” não tenha tido tempo de investigar o sentido das palavras — embora a idade não perdoe a tolice. Ou um direito é “direito” ou não é. Ou é “fundamental” ou não é. Ou é “direito fundamental” ou não é. Não existem nem apego excessivo nem apego precário. Ou se respeita o que está na Carta ou se faz como a rima imperfeita de De Grandis, o De Sanctis, e se diz que a Constituição “não passa de um documento”.

Então ficamos assim:

- Joaquim Barbosa quer a voz rouca das ruas.
- Ayres Britto adota soluções de “menor extensão democrática”.
- De Sanctis acha que a Carta é só um documento e diz que a Constituição é o povo.
- De Grandis inventa o apego “excessivo” aos “direitos e garantias fundamentais”.

O “menino” estava mesmo impossível. Como vocês sabem, a bobagem sempre vem acompanhada da afronta à lógica elementar. Segundo o rapaz, a responsável por esse “apego excessivo aos direitos e garantias fundamentais” é a ditadura. Ele estava querendo dizer que, ao combater o regime militar, desenvolvemos essa, sei lá como chamar, “mania” de “direitos e garantias fundamentais”. Deixe-me ver se entendi o raciocínio do grande: ENQUANTO TÍNHAMOS DITADURA, AFERRAMO-NOS A ESSAS DUAS QUESTÕES QUE, VOCÊS SABEM, SÃO O CERNE DA DEMOCRACIA. AGORA QUE TEMOS DEMOCRACIA, SERIA PRECISO ABANDONÁ-LAS, DE SORTE QUE, ENTÃO, A DEMOCRACIA NOS TIRARIA AQUILO QUE NEM A DITADURA NOS TIROU. Coisa de gênio.

Juventude nunca é problema. Ignorância sempre é. Essa rapaz não sabe o que é sair à rua com receio de ser levado por gente que não dá muita bola para “garantias e direitos fundamentais”. Não sabe porque outros haviam feito o devido trabalho de conquistá-los, enquanto ele apenas exercia o direito se borrar as fraldas.

Não! De Grandis não é tão “menino” que possa borrar a Constituição. De fato, as suas idéias nada têm de jovens. São até muito antigas. Vêm das catacumbas do estado ameaçando os direitos individuais; vêm das ditaduras; vêm das tiranias; vêm dos estados totalitários fascistas ou comunistas; vêm do mundo das sombras. As idéias de De Grandis, nesse caso, são tão velhas quanto os demônios. Ele percorreu caminhos ainda mais perigosos. Disse, por exemplo, que a Constituição assegura uma série de direitos e garantias fundamentais, mas também determina a proteção de deveres fundamentais.

De Grandis conseguiu estabelecer uma relação de oposição entre “direitos fundamentais” e “deveres fundamentais”. Onde a boa doutrina sempre pôs um conectivo — “direitos E deveres” —, ele resolveu meter uma conjunção adversativa — “mas” —, como se o exercício de um roubasse um tanto do domínio do outro. Ora, sr. De Grandis, se existe “apego excessivo aos direitos”, então existe também “apego (ou imposição) excessivo (a) de deveres”. Ocorre que o “dever excessivo” não é dever, mas arbitrariedade, e o “direito excessivo” não é direito, mas privilégio inaceitável. Essa oposição inexiste nas democracias. O estado de direito, “menino”, é o estado regido pelas leis, não pela vontade justiceira.

Não, senhores! Isso nada tem a ver com Daniel Dantas. Isso tem a ver com civilidade. Os justiceiros das favelas também acham que há, no Brasil, um “apego excessivo aos direitos e garantias fundamentais”. SERÁ QUE, AO CRIME DO COLARINHO BRANCO, VAMOS AGORA OPOR OS JUSTICEIROS DO COLARINHO BRANCO — eventualmente da toga preta?

De Grandis, insaciável, deixou claro que enxerga a existência de um movimento que converge para o seu ponto de vista. Segundo diz, esse “apego excessivo aos direitos e garantias fundamentais” ainda resiste no Supremo, mas já começa a fraquejar no Superior Tribunal de Justiça e nos Tribunais Regionais Federais. De Grandis nos informa, então, que, no STJ e nos TRFs, “direitos e garantias fundamentais” já não são tão fundamentais assim. E, se não são, então não são nem “direitos” nem “garantias”.

Devemos, pois, estar preparados para cruzar com um discípulo de Joaquim Barbosa que, antes de tomar uma decisão, vá tomar a temperatura das ruas. Ou com um seguidor de Ayres Britto que, ao decidir o nosso destino, considere com doçura: “Sei que se trata de uma solução de menor extensão democrática, mas fazer o quê?” Ou com um aprendiz de De Sanctis, que, dando de ombros para aquele “papel”, decrete: “A verdadeira Constituição é o povo, e o povo quer tal coisa”. Ou com um De Grandis mentalmente ainda mais jovem que bata o martelo: “Direitos e garantias fundamentais? Isso era coisa do tempo da ditadura”.

Sob o pretexto de caçar Daniel Dantas, essa gente está querendo jogar no lixo as instituições democráticas. Sob o silêncio cúmplice de importantes setores da imprensa, da própria Justiça e das entidades de classe ligadas aos advogados. Não por acaso, De Grandis acha que o tal “apego excessivo” vem de um tempo em que lutávamos contra a ditadura. Ele tem razão. Só mesmo o “apego excessivo a direitos e garantias fundamentais” nos livra das ditaduras. Ou se fica com eles e se fica com elas.

O “menino” parece já ter feito a sua escolha.

por Reinaldo Azevedo

O Populismo Está de Volta

O populismo e seus seguidores foram a desgraça da América Latina. Por causa deles as economias nacionais foram implodidas; as instituições e seus fundamentos, destroçados; o tecido social, esgarçado; e os valores, relativizados. Os regimes populistas foram frequentes durante todo o século 20. Despontaram em quase todas as nações e lograram cimentar de vez o enorme fosso econômico existente entre os países de origem latina e os EUA e o Canadá.

Eis que os populistas voltaram. Já estão no poder em países como Venezuela, Equador, Bolívia, Paraguai e Argentina e ameaçam galgá-lo em outras tantas nações.

No Brasil, a tentação populista se faz presente em setores do governo, da imprensa e até mesmo da Justiça. O argumento central dos populistas é o de que tudo o que fazem é em nome do "povo". Julgam-se fiéis intérpretes das vontades e das opiniões do "povo" e, assim, contam com indulgência plenária e prévia para toda sorte de injustiças e desatinos que venham a cometer. O importante, mesmo, é o que pensa o "povo". Vem daí o designativo populismo.

É o caso de perguntar: quem é o "povo"? O que, afinal, pensa ele? Não dá para saber. O povo, na prática, é uma massa multiforme, passional, mutável, em geral desinformada e que não tem uma opinião consensual sobre praticamente nada. Alguns anos atrás foi feita uma enquete nos EUA para descobrir o que era unanimidade por lá. Conclusão: nada. Nem mesmo Deus conseguiu chegar perto, porque mais de 10% dos americanos eram ateus. O índice mais alto, à época, foi concedido às batatas fritas, que alcançaram 93%. Hoje em dia - como se descobriu que a gordura da fritura faz mal à saúde - nem mesmo elas chegariam lá. Ora, se nada e muito menos ninguém alcançam o consenso geral, existem alguns assuntos que se aproximam disso. E é a eles que os populistas se apegam no seu afã de se identificarem com as vontades populares.

Crianças, idosos, deficientes, progresso, povo, pobres, moral: quem pode ser contra tudo isso? Por outro lado, poluição, devastação da Amazônia, inflação, desemprego, recessão, impunidade, corrupção, miséria: quem, afinal, pode ser a favor?

Esses temas - e muitos outros - são fáceis de ser explorados. E, também, de ser distorcidos. Segundo a Lei de Murphy, "para cada um dos problemas do mundo existe uma solução simples, clara e inquestionável. E essa solução é justamente a errada".

O "povo", na cabeça dos populistas, há de ter uma opinião apaixonada sobre cada um dos temas expostos acima. E sempre que surge algum assunto relacionado a eles, automaticamente busca se posicionar. Mas o "povo" quase nunca possui um grau de informação suficiente para julgar.

Assim sendo, antes de tudo o povo não deveria ser bem informado? Os populistas entendem que não. É mais fácil perfilar-se ao lado do "povo" que procurar esclarecê-lo...

Até mesmo a Justiça, no Brasil, foi maculada pelo viés populista. Recentemente, no Supremo Tribunal Federal, dois circunspectos ministros bateram boca em torno da questão. Em razão do linguajar hermético de que se valeram, poucos foram os leigos que entenderam do que se tratava. Um deles era o presidente da Casa. Defendia a tese de que os magistrados devem ater-se exclusivamente ao que dizem os autos e as leis. O outro tem uma visão diferente. Em sua opinião, os juízes devem ouvir as ruas. E julgar de acordo com os clamores populares.

Ora, cá entre nós, se um ministro de tribunal superior deve reduzir-se a ser um mero auscultador da opinião pública, para que, então, existem tribunais superiores? Por que se exige dos seus ministros que estudem, com afinco, o Direito e os seus princípios fundamentais?

Como bem afirma Reinaldo Azevedo, o papel do juiz é o de ensinar tolerância aos intolerantes, e não o de aprender com eles a intolerância. Indo além, se cabe ao juiz atender à sanha justiceira do povo, para que precisarmos de juízes? Bastariam alguns funcionários burocráticos para assinar embaixo e, assim, legitimar os linchamentos.

Mais ainda que os tribunais, é a imprensa que se tem mostrado bastante contaminada pelo vírus populista. Alguns setores dela, em vez de cumprirem seu papel de informar a opinião pública, preferem distorcer as notícias de modo a atender aos baixos instintos do "povo". Um exemplo entre inúmeros outros: publicou-se, em manchetes, que determinado parlamentar havia construído nada menos que um castelo, aqui, no Brasil. A opinião pública, escandalizada com o que entendeu ser um deboche para com as pessoas que pagam impostos, passou a exigir, de imediato, a sua cabeça. O sujeito foi expulso de seu partido e teve de renunciar a todos os cargos que tinha na Câmara dos Deputados. Só não perdeu, por enquanto, o mandato.

Pois bem, somente agora se esclarece que o tal do castelo foi construído antes que seu proprietário ocupasse qualquer cargo público. Ou seja, a obra foi custeada com dinheiro particular do cidadão. E não era apenas para seu deleite. Ele pretendia instalar ali um cassino de luxo, porque se acreditava, à época, que o jogo estava em via de ser legalizado no País. Como isso não ocorreu, o castelo perdeu a serventia e agora está nas mãos de seus filhos.

Esse, dentre tantos, é mais um caso típico de linchamento moral promovido pela imprensa, recentemente. Lembra os tempos do faroeste: enforca-se antes, julga-se depois.

Populismo já nos basta o de nossos governantes. A imprensa e os tribunais devem ficar fora disso.

Tudo isso lembra as frases atribuídas a Danton, um dos principais artífices da Revolução Francesa:

- O povo saiu às ruas! Vou até ele!
- Para ouvi-lo, monsieur?
- Não! Para liderá-lo!

por João Mellão Neto

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Bolsa Esmola: Um Antro de Corrupção!

O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou, nesta quarta-feira, 06/05/2009, uma auditoria que verificou o pagamento do Bolsa Família, tendo constatado diversas fraudes:
  • 106.329 famílias donas de veículos avaliados em mais de R$ 4.000 (carros, caminhões, tratores ou motos importadas). Dentre estes, há 713 cujo valor passa da casa dos R$ 100 mil, uma família de Sergipe que é dona de sete caminhões avaliados em R$ 756.467,00 e outra de São Paulo, em que um dos mebros tem uma moto importada no valor de R$ 63.800 ,00;

  • 20.601 políticos, entre eleitos e suplentes das eleições de 2004 e 2006 que somente em fevereiro de 2008, levaram R$ 1,6 milhão;

  • 1,1 milhão de famílias com indícios de renda acima do limite do programa, que levaram R$ 65 milhões, também em fevereiro de 2008;

  • 3.791 benefícios foram às mãos de famílias cujo recebedor já havia falecido
O cadastro contendo os nomes dos beneficiários do Bolsa Família, segundo o TCU, está envenenado pela presença de 300 mil brasileiros mortos. E ainda tinha, até há pouco tempo, um gato cadastrado e recebendo nosso suado dinheirinho - afinal o Bolsa Esmola é pago com o dinheiro dos nosso impostos! - e que vai sendo usado para pagar toda essa corja!

O Ministério do Desenvolvimento Social, dominado pelo PT - o partido da "é titica" -, divulgou uma nota contestando os dados da auditoria, na qual informa que "não há qualquer irregularidade em que sejam encontradas no cadastro famílias com renda per capita superior a meio salário mínimo". Mas admite que 172 benefícios pagos pelo Bolsa Família a políticos já estão cancelados, e que outros 404 foram bloqueados e serão alvo de fiscalização.

Hummm... Realmente é uma ação deveras empreendedora: quase 600 benefícios questionados num universo de mais de 1,2 milhões de indivíduos respeitadores da "Lei do Gerson". E o Ministério ainda contesta a auditoria feita pelo TCU. Nada como ganhar o eleitor comprando-o com uma esmolinha...

Com Dor no Coração...

Falemos um pouco mais sobre imprensa, notícia e obamismo.

Um número ainda não determinado de civis morreu num ataque das forças americanas no Afeganistão. Quantos? Ninguém sabe. Dezenas.

Façam um teste. Leiam o noticiário dos sites brasileiros — de fato, se tiverem como, passeiem também pelas agências internacionais. Sabem qual é o “lead” da notícia, a informação principal? “Obama lamenta a morte de civis”. Ou ainda: “Hillary pede desculpas”.

Não descuidem, leitores, do esforço para educar a inteligência. Recuem no tempo e vejam como esses mesmos veículos tratavam eventuais danos colaterais de ataques feitos pelas forças americanas quando o presidente era George W. Bush. Façam uma comparação.

François Mitterrand, nos primeiros anos de governo, tentou realmente empurrar a França para a esquerda, mas deu com os burros n’água. Optou, então, pelas saídas oferecidas pelo capitalismo, o que deixou a esquerda furiosa — especialmente aquela lotada na imprensa.

Perguntaram a Jacques Delors, ministro das Finanças, qual era a diferença entre o que o esquerdista Miterrand fazia e o que faria a direita. Sua resposta não poderia ter sido mais, como direi?, “progressista”. Mandou ver: “A diferença em relação à direita é que nós, da esquerda, fazemos a mesma coisa, mas com dor no coração".

Ah, agora entendi. Antigamente, como sabem, quando morriam pessoas em razão das ações dos soldados americanos, escrevia-se que “Bush matou” sei lá quantos. Por isonomia, quem mata agora é Obama, certo? Qual a diferença? Ora, como se vê, Obama “mata” com "dor no coração".

Bush, não. Bush era mau como um pica-pau.

por Reinaldo Azevedo

O Muro da Vergonha

Um perito da ONU acusa a construção de um muro em favelas no Rio de Janeiro de estar iniciando uma "discriminação geográfica" no País. Nesta quarta-feira, 6, o governo viveu um verdadeiro constrangimento na ONU ao tentar defender seus programas sociais, enquanto o Brasil era acusado de ser um "país da impunidade". Os peritos da entidade criticaram a corrupção e a falta de acesso da população a Justiça. Mas o maior constrangimento foi gerado pela falta de respostas claras do governo em relação aos problemas sociais enfrentados no País, o que deixou as Nações Unidas irritadas.

A ONU promove a sabatina com o Brasil para avaliar os direitos sociais no País. O exercício acabou se tornando um exame do próprio governo de Luiz Inácio Lula da Silva na área que o Planalto mais focou sua atenção: a área social. O governo, que enviou 13 ministérios e órgãos a sabatina em Genebra, na quinta-feira terá de dar uma resposta as questões e criticas.

Um dos principais destaques da sabatina foi a decisão do perito da ONU, Alvaro Tirado Mejiam, de denunciar a construção do muro. "Estão fazendo muros entre favelas e bairros ricos. O que está sendo feito contra esses projetos?", questionou. No total, 11 favelas devem ser cercadas por muros no Rio de Janeiro até o fim do ano. A primeira delas seria a Dona Marta, supostamente com o objetivo de frear sua expansão.

A pergunta gerou desconforto na delegação e Vannuchi prometeu que traria para hoje uma resposta sobre o muro. Ele admitiu que o muro "não é uma boa ideia" e que representa uma limitação aos direitos humanos da população mais pobre. Mas foi cauteloso e ponderou. "O Brasil não constrói muros em favelas. Não conheço os detalhes. Não sei se está em um terreno público ou privado", disse.

Ele admitiu ter ficado surpreso com o questionamento e de perceber que a questão gerava uma atenção internacional além do que o governo previa. "Estamos mais preocupados com a questão de segurança pública", disse.

Mesmo assim, Vannuchi rejeitou dar ao muro uma importância comparada ao muro que divide a fronteira americana e mexicana, ou o muro entre israelenses e palestinos. "Não é a criação de um muro emblemático, como o Muro de Berlim", disse.

Nesta quarta, os peritos saíram do primeiro dia de reuniões com uma avaliação ruim. Um deles, o russo Yuri Kolovsov, interrompeu a intervenção do ministro de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, para protestar. "Pare de nos dar lições. Vamos falar da corrupção que afeta todas as áreas no Brasil. Não precisamos de lições de sociologia e histórias. Sabemos de tudo isso", afirmou o perito do grupo considerado como sendo formado por especialistas em direito.

Vannuchi admitiu o genocídio de indígenas na história do Brasil, condenou o modelo colonizador, falou da escravidão e atacou a ditadura. O governo ainda enumerou todos os programas sociais que está adotando, as conferencias realizadas e ações adotadas. Os peritos - alguns dos quais chegaram a fechar os olhos durante as três horas de apresentação do governo - não ficaram satisfeitos. "Todos falam que estão se esforçando. Mas não é isso que queremos. Queremos saber detalhes e como os programas estão mudando o país", disse o russo.

"Vamos ter dialogo sobre pontos concretos. Não quero insultar. Mas não precisamos de explicações sobre o que é a economia, o que é a vida. Não precisamos disso", disse. Outros peritos que estavam na sala também fizeram as mesmas queixas, embora tenham pedido para não ter seus nomes revelados, temendo criar um ambiente negativo com o governo.

por Jamil Chade, no Estadão Online



Vamos fazer uma aposta?

Quanto você quer valer que a culpa da construção deste Muro da Vergonha dos nossos esquerdistas será "dazelite"? Ou "dazopozissão"? Ou do "dozemprezáriu"? Quem sabe, até, da "marolinha"?

É claro que nosso ex-terrorista Vanucchi, como todo bom esquerdista, mentiu ao dizer que não conhece os detalhes, porque o "Brasil não constrói muros em favelas". Isto é exatamente o que eles querem: separar as "classes" para que haja ainda mais diferenciação, ainda mais acirramento entre elas. Já dizia Lenin em seu decálogo: "divida a população em grupos antagônicos, incitando-os a discussões sobre assuntos sociais".

Mas o ex-terrorista Vanucchi acertou numa coisa: aquele muro não é como o Muro de Berlim, construído pela extinta URSS em 1961, o qual era uma forma de separar a esquerdopatia comunista e seus cidadãos-robôs daqueles amantes da liberdade (sua queda, ocorrida em 1989, foi extremamente festejada pelos povos que eram dominados pelos soviéticos, e mostrou a decadência que o regime socialista implantou naquelas nações)
Nosso muro é apenas e tão somente mais uma forma de adiantar o processo de comunização do Brasil: os ricos ("azelite"), que moram próximos às favelas, serão, ne verdade, os grandes culpados pela sua construção, acirrando ainda mais o "ódio entre as classes", como propugnava Karl Marx.

Vanucchi e os outros esquerdinhas só não contavam que pudessem ser entrevistados, na ONU, por não esquerdistas... Ainda mais um russo!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

O que Há de Errado com as Ações de Inclusão Social

Certa vez, já faz algum tempo, assisti a um programa televisivo, destes politicamente corretos, a apresentar uma oficina na qual jovens aprendiam a construir instrumentos musicais, especialmente os de corda, tais como violões, violas e violinos. Salvo engano, a madeira de que se utilizavam era composta por desprezos de serrarias e construções.

O esmero com que os mestres e os alunos se aplicavam no uso das ferramentas e no preciosismo dos detalhes em cada curva a sofrer uma apara ou polimento sugeria, de fato, uma terna imagem aos telespectadores, simultaneamente à voz do narrador, que informava sobre a situação pregressa dos jovens, oriundos das camadas populares e que então teriam sido salvos da “exclusão social”.

Às vezes, é muito difícil lidar com certos temas, pelo fato de que os termos são postos com uma indiscutível qualidade visual e transmitidos com uma tal carga emocional que aos leigos passa como certa, e aos candidatos a questionadores, sobram-lhe apenas os apupos. Desde aquele dia em que assisti a esta reportagem sobre a questão da inclusão social os meus instintos libertários têm acionado periodicamente a luz amarela, a esperar pelo momento apropriado e pelas palavras mais cabíveis para o enfrentamento da questão.

Começo portanto com cuidado, já preventivamente me defendendo: não sou contrário a nenhuma ação, seja movida por um indivíduo ou por uma associação qualquer de indivíduos (vá lá, uma... “ong”...) que ajude jovens a adquirirem um ofício ou conhecerem alguma arte. Muito pelo contrário! Como tenho dito, o exercício da liberdade das pessoas para que, sozinhas ou em conjunto, dediquem-se a qualquer fim que aos seus olhos lhes pareça nobre, importante ou útil, é a própria essência do pensamento liberal.

O fio da meada aqui não está sobre se tal ajuda deve ser prestada, mas sim em COMO deve ser realizada. Refiro-me ao que devo chamar aqui de “via burocrática”. Eis o problema: estas oficinas, mantidas por ONG’s ou pelos governos federal, estadual ou municipal, apresentam a “via burocrática” como a solução que entendem ser a correta. Já explico.

Em tais organizações sociais adeptas da “via burocrática”, os jovens (ou qualquer categoria da população que seja o objeto dos cuidados de uma ONG ou órgão público) são ensinados conforme o modelo de uma eventual sociedade socialista. No caso da nossa fábrica de instrumentos musicais, o “gordo” do orçamento de tal instituição não provém da venda dos instrumentos, mas de doações e repasses governamentais; o resultado do trabalho, portanto, pode ser uma produção não necessariamente comprometida com o atendimento das necessidades e dos gostos da clientela, cujos produtos são por ela comprados mais com o afã de ajudar do que em adquirir algo de qualidade.

Tais produtos, na verdade, são vendidos em caráter de privilégio, sufocando as firmas comuns pela concorrência desleal, e que, as mais das vezes, gozam de isenções fiscais, podendo até mesmo ser oferecidos a preços simbólicos, somando-se assim à própria condescendência psicológica por parte dos consumidores, advinda do fato de ser um produto do qual não se esperam os padrões de qualidade normalmente exigidos.

Aproximemo-nos um pouco da vida de vários notáveis empresários brasileiros e estrangeiros. Muitos deles não tiveram tempo para ilustrar as suas vidas com uma cultura de grande erudição; porém, aprofundaram-se ao máximo naquilo que lhes fez notórios experts: o atendimento das necessidades dos seus respectivos clientes. Esta meta pessoal, a conseguiram cumprir sem muitos erros porque desde cedo, quando eram apenas vendedores, artesãos ou contínuos, já lhes eram apresentados os problemas, os desafios e as conseqüências dos seus fracassos tais como o eram em realidade, isto é, sem uma redoma que os protegesse - e isolasse – do mercado, tal como os que hoje cobrem as vidas dos inocentes aprendizes.

Atualmente, exemplos deste fenômeno são encontrados em cursos de idiomas e de direção de automóveis. Estes casos são bem-sucedidos porque, distante da questão trabalhista ou inclusionista, o governo ainda não atentou para aplicar-lhes semelhante intervenção. Note o leitor como, já no primeiro dia de aula, o aluno deve aprender a comunicar-se na língua objetivada, por mais que a desconheça, bem como sair com o carro e já ir enfrentando o trânsito comum de sua cidade, por mais que alegue jamais ter pego antes em um volante. Quem aprende a falar inglês de-va-ga-ri-nho, jamais dominará o idioma anglo-saxão, assim como correrá o risco de sofrer um grave acidente aquele que, tendo aprendido a conduzir em uma estrada deserta, for jogado no fogo de um trânsito intenso de uma grande cidade.

O mote das entidades públicas e privadas que promovem as ações de inclusão social é o de que o mercado gera os excluídos, e elas, claro, os redimem para a sociedade, o que, sabemos nós aqui, não será feito de outro jeito que não seja pela “via burocrática”. Nada mais falso. É sempre o estado (lembre-se: inicial minúscula neste safado!) que gera o que chama de “exclusão social”. A Consolidação das Leis do Trabalho, por exemplo, possui 922 artigos; nenhum deles garante um emprego, mas todos eles consistem literalmente em alguma proibição de contratar. O salário mínimo também gera este efeito, assim como farta legislação legal ou infra-legal aqui não citada.

Estas oficinas de inclusão social hoje abrangem a confecção de roupas, de sapatos, de vassouras, sabão e detergentes, de brinquedos, de informática e um sem-número de outras atividades que são executadas também pela iniciativa privada, mas com as diferenças de que nestas os “inclusos” - chamemo-los assim - precisam cumprir horários, responder por quebras ou faltas, produzir com rapidez e qualidade, recolher impostos, pensar e propor melhorias, estudar ou produzir mais para galgarem promoções e se esforçar por tratar os clientes com a maior doçura. Em compensação, recebem salários e promoções, e se sentem orgulhosos e autoconfiantes por receberem pelo suor dos próprios esforços.

Em suma, o mercado produz profissionais independentes e interessados em servir à população, enquanto as oficinas de inclusão social tendem a formar aprendizes eternos, dependentes do estado para tudo na vida; burocratas mesmo, no sentido estrito do termo.

Por Klauber Cristofen Pires

terça-feira, 5 de maio de 2009

O Embargo Deve Acabar?

A maioria dos norte-americanos parece rejeitar o embargo comercial dos EUA contra Cuba. Segundo uma pesquisa do Washington Post/ABC, 57% dos norte-americanos, atualmente, se opõem à política. E uma sondagem do Bendixen & Associates mostra que apenas 42% dos cubanos-americanos continuam a apoiá-la.

Tenho me debatido em relação a essa questão durante anos. Até não muito tempo atrás, eu era a favor do embargo. Como um defensor do livre comércio, normalmente qualificaria tal medida como uma restrição inaceitável da liberdade das pessoas em fazer comércio com quem quiser.

Mas eu pensava que negociar com um regime que matou, prendeu, exilou ou amordaçou inúmeros de seus cidadãos durante décadas não era um objetivo digno. Qualquer negociação com Cuba também favoreceria o regime. Afinal, as autoridades já estavam ficando com 20% das remessas dos cubanos-americanos e com 90% dos salários pagos aos cubanos pelos investidores estrangeiros não-norte-americanos.

Por fim, admiti que havia uma inconsistência intolerável em meu pensamento. Nenhuma democracia fundamentada na liberdade deveria dizer a seus cidadãos que país visitar ou com quem negociar, independentemente do governo sob o qual ele viva. Embora os irmãos Castro, Fidel e Raúl, obtivessem uma vitória política em curtíssimo prazo, o embargo não poderia mais ser justificado.

No entanto, esse não é o raciocínio dos críticos mais eloquentes contra as sanções dos EUA. Muitos deles não conseguem sequer mencionar a fraude de um sistema que baseia sua legitimidade na renúncia ao capitalismo e que ao mesmo tempo implora ao capitalismo que venha resgatá-lo. Há também uma hipocrisia afetuosa entre os que condenam o embargo, mas dificilmente dedicam algum momento para denunciar a tirania de meio século da ilha sob os Castro.

Outro subterfúgio risível atribui a catástrofe em que se encontra a economia cubana à decisão de Washington de cortar relações econômicas em 1962, após uma onda de expropriações contra os interesses norte-americanos.

Os amnésticos convenientemente esquecem que, em 1958, a condição socioeconômica de Cuba era igual à da Espanha e à de Portugal e que o padrão de vida de seus cidadãos vinha atrás apenas dos argentinos e dos uruguaios, na América Latina. Muitos dos críticos parecem sofrer o que o escritor francês Jean-François Revel costumava chamar de "hemiplegia moral" – uma tendência de ver falhas em apenas um lado do espectro político. Nunca ouvi os defensores de Cuba reclamarem de sanções contra ditaduras de direita.

Às vezes as sanções funcionam, outras vezes não. Um estudo feito por Gary Hufbauer, Jeffrey Schott, Kimberly Elliot e Barbara Oegg intitulado "Economic Sanctions Reconsidered" (Sanções Econômicas Reavaliadas) analisou dezenas de casos de sanções desde a Primeira Guerra Mundial. Em cerca de um terço, elas funcionaram porque ajudaram a derrubar o regime (África do Sul) ou porque forçaram o ditador a fazer concessões (Líbia).

O arcebispo Desmond Tutu disse-me há poucos meses, em San Francisco, que estava convencido de que as sanções internacionais foram cruciais para derrotar o apartheid em seu país. Nos casos em que o embargo funcionou, as sanções foram aplicadas por muitos países e afetaram regimes que já estavam gravemente desacreditados ou enfraquecidos.

Nas ocasiões em que as sanções não funcionaram – contra Saddam Hussein entre 1990 e 2003, e a Coreia do Norte atualmente – as ditaduras foram capazes de se livrar dos efeitos e se concentrar na população local. Em alguns países, uma espécie de sensação de orgulho ajudou a defender o governo contra as sanções estrangeiras – esse é o motivo por que as medidas aplicadas pela União Soviética contra a Iugoslávia, em 1948, contra a China, em 1960, e contra a Albânia, em 1966, foram na maioria das vezes inúteis.

No caso de Cuba, o regime Castro tem conseguido estimular um sentimento nacionalista contra o embargo dos EUA. Mais importante, tem conseguido compensar muitos dos efeitos das restrições, durante os anos em grande parte porque os soviéticos subsidiaram a ilha por três décadas, porque o regime deu as boas-vindas ao capital canadense, mexicano e europeu após a queda do Muro de Berlim e porque a Venezuela é seu novo patrono.

Mas esses argumentos contra o embargo dos EUA são majoritariamente práticos. Fundamentalmente, o argumento contra as sanções é moral. Não é aceitável que um governo acabe com a escolha individual em questões de comércio e viagens.

A única forma aceitável de um embargo econômico é quando os cidadãos, não os governos, decidem não fazer negócios com uma ditadura, seja a de Birmânia, Zimbábue ou Cuba.

por Alvaro Vargas Llosa

segunda-feira, 4 de maio de 2009

O verdadeiro Che Guevara

Há quase 42 anos, Ernesto "Che" Guevara recebeu uma grande dose de seu próprio remédio. Sem qualquer julgamento, ele foi declarado um assassino, posto contra um paredão e fuzilado. Historicamente falando, a justiça raramente foi tão bem feita. Se o ditado "tudo o que vai, volta" expressa bem uma situação, é esta.

"Execuções?", gritou Che Guevara enquanto discursava na glorificada Assembléia Geral da ONU, em 9 de dezembro de 1964. "É claro que executamos!", declarou o ungido, gerando aplausos entusiasmados daquele venerável órgão. "E continuaremos executando enquanto for necessário! Essa é uma guerra de morte contra os inimigos da revolução!"

De acordo com O Livro Negro do Comunismo, escrito por estudiosos franceses de esquerda (ou seja, dificilmente uma mera publicação "direitista" ou de "fanáticos anticastristas de Miami"), ocorreram 14.000 execuções por fuzilamento em Cuba até o final de década de 1960. (Slobodan Milosevic, não custa lembrar, foi a julgamento por ter ordenado 8.000 execuções. A mesma ONU que aplaudiu delirantemente a orgulhosa declaração de Che Guevara condenou Milosevic por "genocídio").

"Os fatos e números são incontestáveis", escreveu ninguém menos que o New York Times, ícone da esquerda, sobre o "Livro Negro do Comunismo". Jose Vilasuso, um cubano que à época era promotor dos julgamentos comandados por Guevara, fugiu horrorizado e enojado com o que presenciou. Ele estima que Che promulgou mais de 400 sentenças de morte apenas nos primeiros meses em que comandava a prisão de La Cabaña. Um padre basco chamado Iaki de Aspiazu, que sempre estava à mão para ouvir confissões e fazer a extrema unção, diz que Che pessoalmente ordenou 700 execuções por fuzilamento durante esse período. Já o jornalista cubano Luis Ortega, que conheceu Che ainda em 1954, escreveu em seu livro "Yo Soy El Che!" que o número real de pessoas que Guevara mandou fuzilar é de 1.892.

Em seu livro, Che Guevara: A Biography, o autor Daniel James escreve que o próprio Che admitiu ter ordenado "milhares" de execuções durante o primeiro ano do regime de Fidel Castro. Felix Rodriguez, o agente cubano-americano da CIA que ajudou a caçar Che na Bolívia e que foi a última pessoa a interrogá-lo, diz que Che, em sua última conversação, admitiu "algumas milhares" de execuções. Mas fez pouco caso delas, dizendo que todas as vítimas eram "espiões imperialistas e agentes da CIA".


"Eu não preciso de provas para executar um homem", gritou Che para um funcionário do judiciário cubano em 1959. "Eu só preciso saber que é necessário executá-lo!"

As vítimas do regime fidelista, os "inimigos da revolução", foram uns dos mais empreendedores e valentes lutadores do século XX, junto com os Guerreiros da Liberdade húngaros. Eles lutaram valente e desesperadamente, mesmo sabendo que praticamente não tinham chances. Eles lutavam até a última bala; e, normalmente, lutavam até a morte. No final, eram capturados, amordaçados e fuzilados por Che e seus seguidores.

Os poucos sobreviventes vivem hoje em lugares como Miami e Nova Jersey, e podem ser considerados os prisioneiros políticos mais longevos e sofridos da história moderna. Porém, se você procurar sobre a história deles na grande mídia, sua empreitada será em vão. Afinal, eles lutaram contra a fina flor do esquerdismo chique. Sendo assim, o heroísmo deles não é considerado um drama politicamente correto.

Por outro lado, a revista Time, por exemplo, classificou honrosamente Che Guevara como uma das "100 Pessoas Mais Importantes do Século". Não satisfeitos com tão incompleto louvor, também o colocaram na seção "Heróis e Ícones", ao lado de Anne Frank, Andrei Sakharov, Rosa Parks e Madre Teresa. Daqui em diante, as ironias vão ficando mais ricas.

A mais popular versão da camiseta e do pôster de Che, por exemplo, ostenta o slogan "Lute Contra a Opressão" sob sua famosa face. Essa é a face de um homem que fundou um regime que encarcerou mais de seu próprio povo do que Hitler e Stalin, e que declarou que "o individualismo deve desaparecer!". Em 1959, com a ajuda dos agentes soviéticos da GRU, o homem celebrado naquela camiseta ajudou a fundar, treinar e a doutrinar a polícia secreta cubana. "Sempre interrogue seus prisioneiros à noite", ordenava Che a seus capangas. "A resistência de um homem é sempre menor à noite". Hoje, um mural com o retrato de Che - o maior do mundo - adorna o Ministério do Interior, que é o quartel-general da KGB cubana - a polícia secreta treinada pela STASI. Nada poderia ser mais apropriado.

O boxeador Mike Tyson costumava comemorar suas vitórias erguendo seus braços em triunfo. Em 2002, ele visitou Cuba e tatuou uma enorme imagem de Che em seu torso. Desde então, ele tem sido horrível e impiedosamente surrado em absolutamente todas as suas lutas, um processo que é uma mímica perfeita do histórico de combate de seu ídolo. Que Mike Tyson aprenda: Che era de fato muito proficiente em castigar seus inimigos, milhares deles, mas somente após estes estarem devidamente amarrados, amordaçados e vendados - e creio que a Federação Nacional de Boxe não vai permitir isso.

Quando a "intelligentsia" e todo o "beautiful people" presente no Festival de Cinema de Sundance (que incluía variedades como Al Gore, Sharon Stone, Meryl Streep e Paris Hilton) explodiu numa extasiante ovação ao filme Diários de Motocicleta, eles estavam aclamando um filme que glorificava um homem que havia encarcerado ou exilado os melhores escritores, poetas e cineastas independentes de Cuba, ao mesmo tempo em que transformava a imprensa e o cinema - tudo sob a mira de metralhadores tchecas - em agências de propaganda do regime stalinista.

O produtor executivo do filme, Robert Redford (que sempre inicia os festivais discursando longamente sobre a importância da liberdade artística), foi obrigado a exibir o filme para Fidel Castro e para a viúva de Che (que chefia o Centro de Estudos Che Guevara, em Cuba) antes de seu lançamento oficial, para ver se ambos aprovariam o resultado. Até onde se sabe, não houve gritos e protestos de "censura!" e "vendido!" para Redford.

As tietes de Che são muitas e variadas. Christopher Hitchens, por exemplo, se maravilha com a "indomável rebeldia" de Che e nos assegura em seu mesmo artigo no New York Times que "Che não era um hipócrita". "1968 na verdade começou em 1967, com a morte de Che", reconta Hitchens. "Sua morte significou muito pra mim, e para muitos como eu, na época. Ele era um modelo para todos".

Johnny Depp gosta de ostentar o rosto de Che em seus pingentes, blusas e bandanas. Tivesse ele nascido duas décadas antes em Cuba e tentasse ostentar esse estilo rebelde que lhe é peculiar, certamente teria sido enviado para um campo de concentração, onde seria obrigado a cavar fossos e túmulos - um sistema que foi criado pela primeira vez na América Latina exatamente pelo homem glorificado em seus adornos.

Já o célebre historiador Benicio Del Toro, que acaba de estrelar um filme no papel de seu herói, diz que "Che foi um daqueles caras que falavam e faziam. Era coerente. Sempre tem algo de cool em pessoas assim. Quanto mais vou conhecendo Che, mais o respeito".

Aparentemente Del Toro se entusiasmou tanto com a imagem cool de Che que esqueceu-se de examinar seu histórico, como comprova esse constrangedor vídeo em que uma jornalista cubana radicada em Miami humilha Del Toro, expondo toda sua ignorância sobre o passado de Che.

Nenhuma pessoa em seu perfeito juízo vestiria uma camiseta estampando o rosto de Che. E nenhuma pessoa decente toleraria essa camisa em seus arredores. Porém, a gravura de Che Guevara é considerada a imagem mais reproduzida do século, embelezando desde camisetas e pôsteres, até biquínis e skates, passando por celulares e fraldas. Hollywood o glorifica em grandes produções e a revista Time o celebra como um ícone da mesma grandeza de Madre Teresa.



Quem foi Che Guevara?
Mas como um sujeito horrendo, vazio, estúpido, sádico e epicamente idiota conseguiu um status tão icônico?

A resposta é que esse nômade psicótico e completamente inexpressivo chamado Ernesto Guevara teve a magnífica sorte de associar-se com o maior assessor de imprensa da história moderna, Fidel Castro, que por meio século sempre foi capaz de manter toda a imprensa mundial diligentemente à espera de diretivas, correndo para ele a cada chamado seu, como pombos treinados. Caso Ernesto Guevara De La Serna y Lynch não tivesse se juntado a Raul e Fidel Castro na Cidade do México naquele fatídico verão de 1955; caso ele não tivesse se associado, um ano antes, a um exilado cubano na Guatemala chamado Nico Lopez, que mais tarde o apresentou a Raul e Fidel Castro na Cidade do México; tudo indica que Ernesto continuaria vivendo sua vida de viajante vagabundo, mendigando e molestando mulheres, dormindo em albergues inabitáveis e escrevendo poesia ilegível.

"Estou aqui nas montanhas de Cuba sedento por sangue", escreveu Che para a sua esposa abandonada em 1957. "Querido pai, hoje descobri que realmente gosto de matar", escreveu logo depois. O detalhe é que essa matança de que ele gostava muito raramente era feita em combate; o que ele gostava mesmo era de matar à queima-roupa homens e garotos amarrados e vendados.

"Quando você via o aquele olhar extasiado em sua face, enquanto as vítimas eram amarradas aos postes e logo em seguido estouradas", disse a esse escritor um ex-prisioneiro político, "você percebia que havia algum distúrbio seriamente grave em Che Guevara". De fato, a única façanha genuína na vida de Che Guevara foi o homicídio em massa de homens e garotos indefesos. De sua própria arma, dezenas morreram. Sob suas ordens, milhares foram aniquilados. Em tudo o mais que fez, Che fracassou abismalmente, até comicamente. (Em um episódio cômico, durante a invasão da Baía dos Porcos, Che e seus homens estavam em um lugar completamente diferente da parte da ilha em que estava ocorrendo a ação. Mesmo assim, alguns exilados cubanos mandaram em sua direção um pequeno barco carregado de fogos de artifício, uma mera tática de distração. O despreparado Che, liderando seus homens para uma ofensiva contra um barco completamente vazio, conseguiu a façanha de atirar em si próprio, acertando sua mandíbula. Deve ser um caso raro de um soldado que se fere sozinho com sua arma quando não há inimigo algum por perto...)

Seus escritos revelam um jovem severamente problemático. "Minhas narinas se dilatam quando aprecio o odor acre da pólvora e do sangue. Louco de fúria, mancharei de vermelho meu rifle estraçalhando qualquer inimigo que caia em minha mãos! Com a morte de meus inimigos preparo meu ser para a sagrada luta, e juntar-me-ei ao proletariado triunfante com um berro bestial!"

O termo "ódio" era uma constante em seus escritos: "Ódio como um elemento de luta"; "um ódio que é intransigente"; "um ódio que é tão violento que impulsiona um ser humano para além de suas limitações naturais, fazendo dele uma violenta e fria máquina de matar."

Dentre suas perturbadas fantasias, a mais proeminente era a implementação de um reino continental stalinista. Para atingir esse ideal, o jovem problemático almejava "milhões de vítimas atômicas".

O perturbado jovem argentino também era arredio e desprezava todos ao seu redor: "Não tenho casa, não tenho mulher, não tenho pai, não tenho mãe, não tenho irmãos. Meus amigos só são amigos quando eles pensam ideologicamente como eu".

Felizmente para ele, quando ainda era um vagabundo na Cidade do México, teve a sorte de encontrar um homem extremamente perspicaz em seu julgamento sobre a psique humana. Esse homem, um exilado cubano, diagnosticou corretamente a psicose do argentino e fez uma "intervenção" no momento certo, canalizando os talentos e anseios desse jovem problemático para fins considerados construtivos pela "intelligentsia" mundial: o estabelecimento do stalinismo.

Rapidamente o argentino se viu lucrativamente empregado em Cuba. Seu intenso desejo por sangue foi amplamente satisfeito no extermínio de cubanos anticomunistas, uma espécie mamária que os iluminados de todo o mundo consideram uma peste insuportável.

De início, o perturbado jovem argentino assumiu o papel de principal executor dos homicídios em massa de cubanos indefesos, estraçalhando os crânios de suas vítimas - que jaziam convulsionadas no chão - com tiros de sua própria pistola. Mas dado o aumento no volume de serviço, a tarefa acabou se tornando fatigante, o que fez com que o argentino designasse alguns capangas cubanos para o trabalho, facilitando dessa forma a matança em série.

Não que ele tenha se distanciado da carnificina. Na realidade, ele se deliciava tanto com o processo que uma janela especial foi construída em seu escritório, permitindo que ele visse e se regozijasse com a orgia sangrenta no campo logo abaixo de sua janela.

Em um famoso discurso em 1961, Che denunciou o "espírito de rebeldia" como sendo algo "repreensível". "A juventude deve abster-se de questionar de modo ingrato as ordens governamentais", ordenou Guevara. "Ao invés disso, ela deve se dedicar completamente aos estudos (marxistas), ao trabalho (para o governo) e ao serviço militar (para matar os desobedientes)".

E ai daqueles jovens "que ficarem acordados até tarde da noite e chegarem atrasados para o trabalho (forçado pelo governo)". Os jovens, escreveu Guevara, "devem aprender a pensar e a agir como uma massa única". "Aqueles que escolherem o próprio caminho" (como deixar o cabelo crescer e ouvir música imperialista ianque) seriam denunciados como "dejetos" e "delinquentes". Em seu famoso discurso, Che Guevara até mesmo jurou "fazer com que o individualismo desapareça de Cuba! É criminoso pensar como indivíduos!"

Dezenas de milhares de jovens cubanos aprenderam que as ameaças de Che Guevara eram mais do que mera linguagem bombástica. Centenas de soviéticos da KGB e "consultores" da STASI da Alemanha Oriental, que inundaram Cuba no início da década de 1960, encontraram em Guevara um acólito extremamente zeloso. Já em meados dos anos 60, o crime de se parecer com um "roqueiro" ou ter um comportamento efeminado fez com que a polícia secreta cubana retirasse das ruas e parques de Cuba milhares de jovens e os jogassem em campos de concentração que tinham os dizeres "O Trabalho Fará de Você um Homem" em seu portão principal, bem como homens com metralhadoras localizados estrategicamente em torres de observação. As iniciais desses campos eram UMAP, mas eles em nada diferiam de um GULAG.



Cuba antes da revolução
O mito popular é que Cuba era um país com uma economia desintegrada e que Fidel melhorou a vida dos cubanos. Será?

Nos meses seguintes à revolução cubana, por exemplo, o economista tcheco Radoslav Selucky visitou Cuba e tomou um susto: "Pensávamos que Cuba fosse um país subdesenvolvido que tivesse apenas algumas refinarias de açúcar!", escreveu quando voltou a Praga. "Mas não! Quase 25% da força de trabalho de Cuba estava empregada na indústria, onde os salários eram iguais aos salários pagos nos EUA!"

Agora eis as palavras do próprio Che Guevara em 1961, após retornar a Cuba com seus subordinados, de uma longa viagem ao Leste Europeu: "Não podemos dizer que só vimos maravilhas naqueles países", admitiu Che. (Considerando-se a natural propensão do povo cubano para o sarcasmo, é provável que Che tenha dito isso em resposta às zombarias e risadas de seus subalternos, que possivelmente ridicularizaram as - para eles - patéticas condições socioeconômicas das principais capitais do Leste Europeu - as quais Cuba deveria emular!)

"É natural que, para um cubano do século XX, acostumado a todos os luxos que o imperialismo lhe deu", escreveu Che Guevara, "muito do que ele viu (no Leste Europeu) parecesse-lhe algo típico de países subdesenvolvidos".

Mas não se intimide! Logo após se tornar ministro da economia de Cuba, Guevara já tinha planejado como tirar aquele sorriso de escárnio do rosto dos cubanos.

Como o Czar da economia cubana, Che transformou uma nação que tinha uma renda per capita maior do que metade dos países da Europa, a menor taxa de inflação do Ocidente, uma classe média maior que a da Suíça, um enorme fluxo de imigrantes e cujos trabalhadores desfrutavam a oitava maior taxa salarial do mundo, em uma nação que causa repúdio até nos haitianos. E isso mesmo após receberem abundantes subsídios dos soviéticos, cujo total foi igual a dez Planos Marshall (isso para uma nação de apenas 6,4 milhões de habitantes) - um feito econômico que desafia não somente as leis econômicas mas que também parece desafiar a física. Se tem uma coisa com que os exilados cubanos concordam inteiramente com Fidel e Che é que eles são ícones do Terceiro Mundo. Afinal, ambos certamente conseguiram o feito aparentemente impossível de converter Cuba em uma nação do Terceiro Mundo.

Utilizemos agora um estudo da ONU (ninguém menos!) sobre Cuba, de 1958. "Cuba possui uma enorme vantagem em sua integração nacional - em comparação aos outros países da América Latina - por causa de sua enorme e homogênea base de imigrantes espanhóis brancos. A pequena população negra de Cuba também é culturalmente integrada. Aqueles modos de produção feudal que existem no resto da América Latina não existem em Cuba. O camponês cubano não se parece com o camponês do resto da América Latina, que está preso à terra, é tradicionalista e se opõe às inovações que o levariam a uma economia de mercado. O camponês cubano, em todos os aspectos, é um homem moderno. Ele possui um nível educacional e uma familiaridade com métodos modernos que não é vista no resto da América Latina".

Outra verdade escondida: "os trabalhadores pobres" não tiveram participação alguma na Revolução Cubana. A rebelião anti-Batista foi liderada e composta predominantemente por membros da classe média cubana, principalmente da classe média alta. Em agosto de 1957, o movimento rebelde liderado por Fidel organizou uma "Greve Nacional" contra a ditadura de Batista - e ameaçou matar os trabalhadores que aparecessem para trabalhar. A "Greve Nacional" foi completamente ignorada.

Outra greve foi organizada para o dia 9 de abril de 1958. E novamente os trabalhadores cubanos ignoraram solenemente seus "libertadores", comparecendo em massa para trabalhar.

Eis um outro relatório, agora da UNESCO, sobre Cuba, em 1957: "Uma característica da estrutura social de Cuba é sua grande classe média", começa o relatório. "Os trabalhadores cubanos são mais sindicalizados (proporcionalmente à sua população) do que os trabalhadores americanos. O salário médio para uma jornada de 8 horas diárias em Cuba em 1957 é maior do que para os trabalhadores da Bélgica, Dinamarca, França e Alemanha. A mão-de-obra cubana recebe 66,6% da renda interna bruta. Nos EUA, esse valor é de 70% e na Suíça, 64%. 44% dos cubanos são atendidos pela legislação social, uma porcentagem maior que a dos EUA."

Em 1958, Cuba tinha uma renda per capita maior que a da Áustria e do Japão. Os trabalhadores da indústria cubana recebiam o oitavo maior salário do mundo. Na década de 50, os estivadores cubanos ganhavam mais por hora do que seus equivalentes em Nova Orleans e em São Francisco. Cuba já havia estabelecido a jornada de 8 horas diárias em 1933 - cinco anos antes de Roosevelt e seu New Deal imporem a mesma regra. E mais: um mês de férias pagas. As tão aclamadas (pela esquerda) socialdemocracias da Europa só conseguiram implementar esse sistema 30 anos depois.

A mortalidade infantil em 1958 era a 13ª mais baixa - não da América Latina ou do Ocidente, mas do mundo. O analfabetismo já estava quase erradicado (80% da população era alfabetizada). Cuba era o país que mais gastava (23% do orçamento) com educação pública em toda a América Latina. Mais ainda: os cubanos não eram apenas alfabetizados; eram também cultos. Podiam ler George Orwell e Thomas Jefferson, bem como a arrebatadora sabedoria e cintilante prosa de Che Guevara.

A rebelião anti-Batista (e não revolução), como dito, estava apinhada de universitários e profissionais liberais. Advogados desempregados abundavam (Fidel Castro, por exemplo). Observe a composição do primeiro gabinete da "revolução camponesa", composta pelos líderes do movimento anti-Batista: 7 advogados, 2 professores universitários, 3 estudantes universitários, 1 médico, 1 engenheiro, 1 arquiteto, 1 ex-prefeito e coronel que desertou do exército de Batista. Um grupo notoriamente "burguês", como poderia dizer Che.

Já em 1961, entretanto, operários e campesinos formavam a grande maioria dos rebeldes anti-Castro, principalmente as guerrilhas das montanhas Escambray. Quem é que já ouviu falar de camponeses pobres lutando contra seus benfeitores Fidel e Che?

Antes de Castro tomar o poder, Cuba recebia mais imigrantes (principalmente da Europa) em proporção à sua população do que os EUA. E mais americanos vivam em Cuba do que cubanos viviam nos EUA. Ademais, naquela época, pneus, barris e caixas de isopor eram apenas isso, e não itens estimados no mercado negro para serem utilizados como dispositivos de flutuação marítima, sujeitando seus usuários - ingratos que fogem de seus libertadores - a tubarões e intempéries da natureza.

Em 1958, Cuba passava por uma rebelião, não uma revolução. Os cubanos queriam mudanças políticas e não um cataclisma socioeconômico.

É uma questão de história o fato de que em janeiro de 1959 os EUA deram seu reconhecimento diplomático ao regime de Fidel/Che mais rapidamente do que reconheceram o de Batista em 1952. Os arquivos do Departamento de Estado americano também mostram que os EUA impuseram um embargo de armas ao governo Batista e se recusaram a enviar armas pelas quais o governo cubano já havia pagado. Os arquivos oficiais também documentam que o embaixador americano Earl T. Smith avisou pessoalmente Batista que ele não mais tinha o apoio do governo americano, que recomendava fortemente que ele deixasse Cuba. Batista teve seu asilo político negado nos EUA.

Em 2001, em uma visita a Havana para uma conferência com Fidel Castro, Roberto Reynolds, o agente da CIA para o Caribe, responsável pelo gerenciamento da Revolução Cubana entre 1957 e 1960, declarou orgulhosamente que "Eu e toda a minha equipe éramos fidelistas".

Robert Weicha, ex-agente da CIA lotado em Santiago de Cuba declarou que "Todos na CIA e todos no Departamento de Estado eram pró-Castro, exceto o embaixador Earl Smith."

Não obstante, você aprendeu em seus livros de história que "Che Guevara ajudou a derrubar o ditador cubano Fulgencio Batista, que era apoiado pelos EUA".

A Cuba de Fidel
A influência que Fidel Castro exerce sobre a "intelligentsia" só pode ser descrita como mágica, o que torna qualquer avaliação pública de seu regime por esses iluminados completamente despida de lógica. A saber:
  • Ele encarcerou e torturou a uma taxa maior do que Stalin e se recusa (diferentemente da África do Sul do apartheid, do Chile de Pinochet e da Nicarágua de Somoza) a permitir que a Anistia Internacional ou a Cruz Vermelha inspecionem suas prisões. Não obstante, Cuba ocupou a cadeira do Comitê de Direitos Humanos da ONU, e quando de sua visita a Nova York como o palestrante principal em 1995, a revista Newsweek aclamou Castro como "O Ticket Mais Quente de Manhattan", e a Time disse que ele era "A Celebridade de Manhattan", em referência ao enxame de pessoas da alta sociedade que o rodeavam e bajulavam pedindo autógrafos.

  • Sua constituição ordena 2 anos de prisão para qualquer um que seja ouvido fazendo uma piada qualquer sobre ele. Não obstante, Jack Nicholson e Chevy Chase constantemente cantam-lhe glórias.

  • Ele aboliu o habeas corpus e o seu principal executor (o próprio Che Guevara) declarou que "evidências jurídicas são um arcaico detalhe burguês". Não obstante, a Escola de Direito de Harvard convidou-o como palestrante de honra e constrangedoramente irrompia em aplausos estrepitosos e ovações tumultuadas a cada três frases dele.

  • Ele expulsou uma maior porcentagem de judeus de Cuba do que o Czar Nicolau da Rússia. Entretanto, o fundador da Shoah Foundation, Steven Spielberg, considera o jantar que teve com Fidel "as oito horas mais importantes da minha vida".

  • Ele é o filho de um soldado europeu, branco como o lírio, que forçosamente derrubou um governo cubano em que negros ocupavam os cargos de presidente do Senado, ministro da Agricultura, ministro do Exército e Chefe de Estado (Fulgencio Batista, neto de escravos, nasceu em uma choupana com teto de palmeira).

  • Ele encarcerou um prisioneiro político negro pelo período mais longo da história moderna (Eusebio Penalver, que sofreu mais tempo na masmorra de Castro do que Nelson Mandela sofreu nas masmorras da África do Sul). Hoje, de toda a população presa na Cuba stalinista/apartheidiana, 90% de negros, ao passo que apenas 9% dos integrantes do partido stalinista dominante são negros.

  • Ele sentenciou outros negros (Dr. Elias Biscet, Jorge Antunez) a 20 anos de prisão apenas por terem citado frases de Martin Luther King em praça pública. Não obstante, é tido como herói por negros como Danny Glover, Jesse Jackson e Charles Rangel, que não hesitam em dar-lhes fortes abraços.

  • Apesar de ter transformado uma nação que tinha uma renda per capita maior do que metade dos países da Europa, a menor taxa de inflação do Ocidente, uma classe média maior que a da Suíça e um enorme influxo de imigrantes em uma nação que causa repúdio até nos haitianos, Colin Powell e o London Times reconhecem "as conquistas sociais da revolução fidelista".

Hoje, trata-se de um regime que prende qualquer um que tente viajar de uma província de Cuba a outra sem os devidos "papeis" fornecidos pelo estado policial, e que metralha qualquer um que tentar sair do país.

Os feitos de Che
Ernesto "Che" Guevara era o vice-comandante, o carrasco-chefe e o principal contato da KGB em um regime que proibiu eleições e aboliu a propriedade privada. A polícia desse regime, supervisionada pela KGB e empregando a tática da "visita da meia-noite" e do "ataque pela manhã", capturou e enjaulou mais prisioneiros políticos em proporção à população do que Stalin e executou mais pessoas (em uma população de apenas 6,4 milhões) em seus primeiros 3 anos no poder do que Hitler (que comandava uma população de 70 milhões) em seus primeiros 6 anos.

O regime que Che Guevara ajudou a fundar confiscou a poupança e a propriedade de 6,4 milhões de cidadãos e tornou refugiada 20% da população de uma nação até então inundada de imigrantes e cujos cidadãos haviam atingido um padrão de vida maior do que o padrão daqueles que residiam em metade da Europa. O regime de Che Guevara também destroçou - por meio de execuções, encarceramentos, expropriação em massa e exílio - virtualmente cada família da ilha cubana. Muitos oponentes do regime podem ser classificados como os prisioneiros políticos mais longevos da história moderna, tendo sofrido no Gulag guevarista - campos de concentração, trabalhos forçados e câmaras de tortura - durante um período de tempo três vezes maior do que Alexander Solzhenitsyn sofreu no Gulag stalinista.

Com apenas uma semana no poder, Che já havia abolido o habeas corpus. Além de afirmar que evidências judiciais eram detalhes burgueses arcaicos, ele complementava garbosamente dizendo que "executamos por convicção revolucionária!". Edwin Tetlow, correspondente do Daily Telegraph londrino em Havana, relatou sobre um "julgamento" em massa orquestrado por Che em que as sentenças de morte já estavam postadas em um quadro antes do julgamento começar.

Ele assinava seu nome como "Stalin II", professava que "as soluções para o mundo estão atrás da Cortina de Ferro", e dizia confiantemente que "se os mísseis nucleares tivessem permanecido em Cuba, teríamos disparado contra o coração dos EUA, incluindo Nova York". Ele também afirmava que pela vitória do socialismo era válido ter "milhões de vítimas atômicas".

Imediatamente após marchar vitorioso em Havana, Guevara saqueou e depois se mudou para aquela que provavelmente era a mais luxuosa mansão de Cuba. O proprietário dela havia conseguido fugir do país após ser caçado por um pelotão de fuzilamento, e o repórter que escreveu sobre a nova casa de Che em um jornal cubano foi ameaçado de morte por fuzilamento. Um ano depois, milhares de cubanos foram mandados para campos de trabalho forçado sob ordens de Che, tudo baseado em seu desejo de moldar "um novo homem".

Comemorou efusivamente a invasão soviética e o consequente massacre de milhões de húngaros que resistiram ao imperialismo russo. De acordo com Guevara, aqueles húngaros que lutavam pela liberdade e resistiam à escravidão eram todos "fascistas e agentes da CIA".

Apesar de seus fãs dizerem pomposamente que ele foi um médico formado, ninguém até hoje, após inúmeras tentativas, conseguiu localizar qualquer histórico sobre seu diploma de medicina. Logo após ser capturado na Bolívia, Che admitiu para o comandante da operação, o Capitão Gary Prado, que ele não era médico, mas tinha "algum conhecimento de medicina".

Dois heróis
Zoila Aguila
Em sua campanha de realocação e concentração de prisioneiros - que apequenava tudo que os britânicos fizeram aos Bôeres - os garbosos comunistas saquearam centenas de milhares de cubanos, despojando-os de suas casas e agrupando-os em campos de concentração no lado oposto de Cuba.

Uma dessas cubanas, esposa de um trabalhador rural, recusou-se a ser realocada. Após seu marido, filhos e sobrinhos terem sido todos assassinados pelo galante Che e seus capangas, ela conseguiu apoderar-se de uma submetralhadora e de um pente de balas e se refugiou nas montanhas. Ela acabou se tornando uma rebelde. Os cubanos a conhecem como La Niña Del Escambray.

Ela passou um ano embrenhada nas montanhas, fugindo dos comunistas que varreram todas as localidades à sua procura. Até que um dia seu suprimento de munição acabou e os vermelhos a capturaram. Espantosamente, ela não foi executada (Che deve ter tirado um dia de folga), porém, durante anos, La Niña sofreu horrivelmente nas masmorras de Fidel (você pode ler as descrições das torturas aqui). Após ser solta, refugiou-se em Miami (na década de 60 ainda se podia sair de Cuba).

Você acha que tal história é louvada por Oprah Winfrey? Acha que Hollywood está interessada em narrá-la, tendo Susan Sarandon no papel principal? Pense bem: temos aqui um dos temas favoritos dos produtores de Hollywood e das feministas em geral: a mulher brava e lutadora. Dificilmente uma mulher pode ser mais aguerrida do que Zoila Aguila, seu nome verdadeiro. Se ela tivesse lutado contra, digamos, Pinochet ou Somoza, certamente Hollywood e os editores de livros estariam dedicando toda atenção a ela. Mas como ela lutou contra os garotos mais fotogênicos e queridos da esquerda, naturalmente ninguém nunca ouviu falar dela.

Tony Flores
Após chegar a Havana em janeiro de 1959, Che Guevara imediatamente percebeu que o fosso ao redor da fortaleza La Cabaña era uma cova perfeita para jogar seus executados. Em Babi-Yar, em Kiev, a SS de Hitler teve de cavar suas fossas. Em La Cabaña, Che Guevara havia encontrado uma já pronta.

Em 1961, um garoto de 20 anos chamado Tony Chao Flores, utilizando muletas e mancando pesadamente, chegou ao local onde seria executado. Ele já havia tomado 17 tiros de metralhadoras tchecas quando os capangas de Fidel e Che o capturaram. No caminho para esse seu local de execução, que ficava na velha fortaleza espanhola transformada em prisão e em centro de execução por Che Guevara, Tony foi forçado a descer mancando, sem quaisquer condições físicas e utilizando apenas muletas, uma longa escada feita de pedras esquadradas.

Tony tropeçou, caiu e foi rolando a longa escadaria, até finalmente chegar ao chão, debatendo-se e gritando de dor. Uma das pernas de Tony, completamente baleada por metralhadoras, havia sido amputada, e a outra estava gangrenada e coberta de pus. Os guardas fidelistas, gargalhando, foram na direção de Tony para amordaçá-lo para que ele parasse de gritar.

Enquanto eles se aproximavam, Tony cerrou o punho de sua única mão que ainda estava boa. Quando o primeiro vermelho se aproximou dele - BASH! - Tony deu-lhe um soco bem no olho.
"Nunca consegui entender como Tony conseguiu sobreviver àquela surra", disse Hiram Gonzalez, testemunha e ex-prisioneiro político, que observou toda a cena de sua cela na prisão de La Cabaña. O aleijado Tony quase foi morto no espancamento que se originou a seguir, que envolveu chutes, socos e golpes de arma. Até que finalmente seus agressores se levantaram ofegantes, esfregando seus arranhões e machucados. Eles haviam conseguido amordaçar a boca do garoto, mas Tony conseguiu empurrar os guardas antes que eles conseguissem amarrar suas mãos. O comandante Guevara ordenou que seus capangas se mantivessem afastados de Tony, ainda no chão e com a boca amordaçada.

Tony começou a rastejar em direção ao já estilhaçado e ensanguentado poste de execução, que estava a uns 45 metros de distância. Ele foi se arrastando lentamente utilizando suas mãos, enquanto o toco do que restou da sua perna ia deixando um rastro de sangue na grama. Quando chegou perto do poste, ele parou, virou-se para seus executores e começou a bater no próprio peito. Os capangas ficaram perplexos. O garoto aleijado estava tentando dizer alguma coisa. Mas sua mensagem estava abafada pela mordaça que o ídolo de Benicio Del Toro havia tornado obrigatória para suas milhares de vítimas.

A expressão de dor e os olhos brilhantes de Tony diziam tudo. Mas ninguém conseguia entender os murmúrios do garoto. Tony continuava batendo no peito, fechando seus olhos com força por causa da dor intensa oriunda de seu esforço. Seus executores ficaram nervosos, sem saber o que fazer. Levantaram e abaixaram seus rifles seguidas vezes. Olharam para seu comandante, que deu de ombros. Finalmente Tony levou a mão à sua face e arrancou a mordaça que o garoto propaganda de Del Toro havia mandado pôr nele.

A voz do guerreiro de 20 anos saiu num grito forte: "Atire BEM AQUI!", urrou Tony para seus boquiabertos carrascos. Sua voz foi um estrondo e sua cabeça se inclinou para trás como consequência do esforço. "Bem aqui no PEITO!", gritou Tony. "Como um HOMEM!" Tony rasgou sua blusa, bateu em seu peito e com uma forte expressão de dor gritou para seus embasbacados executores: "Bem AQUI!".

Em seu último dia de vida, quando estava na prisão, Tony recebeu uma carta de sua mãe: "Meu querido filho, quantas vezes havia lhe falado para não se envolver com essas coisas... Mas eu sabia que minhas súplicas eram em vão. Você sempre lutou por sua liberdade, Tony, mesmo quando ainda era uma criança. Portanto eu sabia que você jamais toleraria o comunismo. Castro e Che enfim pegaram você. Meu filho, amo você do fundo do meu coração. Minha vida agora está em pedaços e nunca mais será a mesma. A única coisa que resta agora, Tony... é morrer como um homem".

"FUEGO!!!", gritou Che. As balas despedaçaram o corpo mutilado de Tony, logo após ele ter chegado ao poste, se erguido por conta própria e encarado resolutamente seus assassinos. Mas o pelotão de fuzilamento de Che estava acostumado a matar pessoas que estavam de pé. Por estar sem uma perna, Tony era um alvo mais difícil. Assim, boa parte da saraivada de balas não acertou o jovem. Ainda vivo, era a hora do golpe de misericórdia.

Normalmente, um projétil de .45 é suficiente para esmagar um crânio. De acordo com testemunhas, três foram despejadas no crânio de Tony. Parece que a mão do carrasco estava tremendo muito. Mas finalmente conseguiram matá-lo. O homem que a revista Time aclama como sendo um dos "heróis e ícones do Século" adicionava mais uma vítima à sua coleção. Mais um inimigo despachado - amarrado e amordaçado, como de costume.

Fidel e Che tinham por volta de 35 anos quando mataram Tony. De acordo com o Livro Negro do Comunismo, seu pelotão de fuzilamento matou outros 14.000 guerreiros da liberdade, todos devidamente amarrados e amordaçados. Muitos (talvez a maioria) de suas vítimas eram jovens por volta de 20 anos. Alguns eram ainda mais novos.

O fim de Che
Durante todo esse processo, o argentino estava ajudando seu mentor cubano a estabelecer um controle feudal e pessoal que se comprovaria bastante duradouro. Porém, o que pouco se comenta é que a utilidade do argentino para seu mentor não era absolutamente nada duradoura - e logo seu "martírio" passou a ser habilmente planejado.

Pena que Del Toro e Steven Sorderbergh, diretor de seu novo filme Che - O Argentino, não tenham entrevistado os ex-funcionários da CIA que revelaram a esse escritor como o próprio Fidel Castro, por meio do Partido Comunista Boliviano, constantemente informava a CIA sobre os paradeiros de Che na Bolívia. As diretivas de Fidel para os comunistas bolivianos em relação a Che e seu bando eram claras. "Nem mesmo uma aspirina", instruiu o líder máximo de Cuba a seus camaradas bolivianos, o que significa que os comunistas da Bolívia estavam proibidos de auxiliar Che de qualquer forma - "nem mesmo com uma aspirina", caso Che reclamasse alguma dor de cabeça.

Ainda antes da Revolução, quando estavam em um barco decrépito navegando nas águas turbulentas que ligam Yucatán até a província Oriente, em Cuba, um dos rebeldes encontrou Che caído inconsciente na cabine do barco. Ele correu para avisar o Comandante: "Fidel, parece que Che está morto!"

"Bom, se ele está morto", respondeu Castro, "então joguem-no ao mar". Na verdade, Guevara estava sofrendo dos efeitos combinados de um enjôo marítimo e um ataque de asma. Che nunca foi considerado um membro inestimável por Fidel.

Mais do que sua crueldade, megalomania e estupidez épica, o que mais distinguia Ernesto "Che" Guevara de seus companheiros era sua manhosa covardia. Suas tietes podem ficar zangadas o quanto quiserem, bater a porta do quarto, cair na cama, espernear e chorar abraçadinhas com o travesseiro, mas o fato é que Che se entregou voluntariamente ao exército boliviano e a uma distância segura. Foi capturado em ótimas condições físicas e com sua arma completamente carregada.

Um dia antes de sua morte na Bolívia, Che Guevara, pela primeira vez em sua vida, finalmente enfrentou algo que podia ser adequadamente chamado de combate. Então ele ordenou a seus guerrilheiros que não cedessem um milímetro, que lutassem até o último suspiro e até a última bala.

Com seus homens fazendo exatamente o que ele ordenou (lutando e morrendo até a última bala), um Che ligeiramente ferido evadiu-se do tiroteio e se entregou com um pente cheio de balas em sua pistola, enquanto choramingava manhosamente para seus capturadores: "Não atirem! Sou Che! Valho mais para vocês vivo do que morto!"

E então ele rebaixou-se desavergonhadamente, tentando desesperadamente se engraçar: "Qual é o seu nome, meu jovem?", perguntou Che a um de seus capturadores. "Ora, mas que nome bonito para um soldado boliviano!"

E mais tarde: "E então, o que eles vão fazer comigo?", perguntou Che ao capitão boliviano Gary Prado. "Não creio que irão me matar. Certamente sou muito mais valioso vivo... E o senhor, capitão Prado", adulou Che, "o senhor é uma pessoa muito especial... Andei conversando com alguns de seus homens. Todos lhe têm em alta estima, capitão! E não se preocupe, tudo isso aqui acabou. Nós fracassamos." E então, para adular ainda mais, "seu exército nos perseguiu muito obstinadamente ... agora, será que o senhor por favor poderia descobrir o que eles planejam fazer comigo?"

O prazer que Che Guevara tinha em matar cubanos só era possível porque esses cubanos estavam completamente indefesos no momento. Amarrados e vendados, de preferência. E dessa forma eles eram alinhados de frente para o pelotão de fuzilamento e executados. Porém, quando o cenário se alterou e as armas de fogo estavam em posse de outros, o argentino tremeu de medo.

Compare a morte de Tony Chao Flores - "Atire bem aqui! Como um homem!" - com a captura de Guevara: "Não atirem! Sou Che! Valho mais para vocês vivo do que morto!"

E então pergunte a si próprio: quem deveria ter sua face exposta em camisetas vestidas por jovens que gostam de fantasiar, imaginarem-se rebeldes, bravos e adoradores da liberdade? Quem merece um filme de Hollywood?

por Humberto Fontova, o autor de Fidel: Hollywood's Favorite Tyrant e Exposing the Real Che Guevara and the Useful Idiots Who Idolize Him.

BB do PT

Desde a sua fundação por alvará do Príncipe Regente Dom João VI, em 12 de outubro de 1808, o Banco do Brasil, inegavelmente, prestou bons serviços à economia do Brasil, especialmente naquelas épocas remotas, em que o sistema bancário privado não possuía a força e a agilidade que os tempos modernos lhe impuseram. Mas também é irrefutável que a instituição já viveu períodos de enormes dificuldades e que só não foi à bancarrota naquelas ocasiões porque os governos nela injetavam recursos dos contribuintes para salvá-las dos prejuízos provocados por diretorias nomeadas politicamente, sem qualquer compromisso com as mais rudimentares práticas de administração bancária.


Para nos atermos a um período mais recente, no governo Fernando Henrique o dinheiro de nossos impostos foi utilizado para sanear o BB que – diziam – seria privatizado. Mas o banco, juntamente com a Petrobras, a Caixa Econômica e outras instituições, é um fetiche ao qual se atribui poder sobrenatural e se presta culto e, assim sendo, as pressões contra a sua venda, aliadas à falta de determinação do governo tucano para concretizá-la, impediram que fosse privatizado e que pudesse, assim, ganhar vida própria, livre das restrições impostas por ditames políticos e populistas, como ocorreu, por exemplo, com a Vale. Desta, diziam os adoradores das empresas estatais que a sua privatização provocaria desemprego e seria uma ofensa a um ente misterioso denominado “patrimônio público”. Ora, quando foi vendida, a empresa de mineração tinha cerca de 11.000 funcionários; hoje, é a segunda maior mineradora do mundo, possui cerca de 50.000 empregados e expandiu-se pelo planeta e, se houve queima de “patrimônio“, certamente foi uma salutar queimada de patrimonialismo – que nada tem de “público” -, representado pelas indicações que os políticos faziam para a sua diretoria, que passou a ser exclusivamente técnica.


É incrível o mal provocado à nossa economia por esses fetiches e manipanços cultuados pela esquerda. Recentemente, o presidente da Petrobras, empresa que tem ações negociadas em bolsa, afirmou categoricamente que os preços praticados pela estatal eram determinados “politicamente”, ou seja, para quem sabe como se formam preços em qualquer mercado, o que ele disse foi que não eram preços, mas pseudo-preços. E quem não se recorda do debate entre Lula e Alkmin, no segundo turno das últimas eleições para presidente, em que o candidato tucano, acusado pelo petista de querer privatizar o Banco do Brasil, recuou intimidado e jurou de pés juntos que, caso fosse eleito, não o faria?


Ainda no primeiro mandato do presidente Lula, descobriu-se que um diretor do BB tinha usado recursos do banco para comprar ingressos para um show que seria realizado para arrecadar fundos para o Partido dos Trabalhadores. E a recente substituição do presidente da bicentenária instituição, a pretexto de reduzir os spreads, é uma indicação de que a secular tendência ao seu uso político ganha forças revigoradas no governo atual. Estivessem o presidente da República e o ministro da Fazenda de fato preocupados com o spread, deveriam, ao invés de politizar o banco, empenhar-se por medidas como a redução dos impostos diretos e indiretos incidentes sobre as operações financeiras, do IOF, da Cofins, do PIS, da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (que subiu de 9% para 15% em 2008), do Imposto de Renda e, principalmente, preocupar-se em promover a diminuição imediata do maior percentual de depósito compulsório sem remuneração do mundo. Mas não querem reduzir impostos, ou melhor, não podem, porque o Estado inchado que defendem precisa saciar incessantemente seu apetite inexaurível e crescente.


Com a mudança o BB passou a ter, além do novo presidente, seis dos nove vice-presidentes também ligados ao PT. O sétimo é funcionário de carreira do banco (assim como alguns dentre os seis primeiros), mas ligado ao PMDB e, segundo os jornais, “próximo do PT” e apenas dois dos vice-presidentes não têm ligações partidárias... Eis um horrível exemplo de como o banco – conhecido tradicionalmente pela excelência de seu quadro de funcionários – volta a ser “partidarizado”, fato lamentável sob qualquer ótica, inclusive a dos nacionalistas bem intencionados. É mais um exemplo de que no Brasil o princípio da profissionalização da burocracia não é mesmo levado a sério, embora possa aparentar o oposto. O fato de um funcionário público, que ingressou na carreira por concurso, filiar-se a qualquer partido político e exercer por razões políticas cargo de direção na instituição a que pertence é algo que, sob o ponto de vista ético, não cai bem, embora não haja ilegalidade nesse fato. Pode ser legal, mas não é exemplo de ética, especialmente se o referido funcionário passa a ocupar postos de decisão. Uma vez lá, por melhor que seja sua formação moral, passa a ser atormentado pela bíblica questão: de que lado está, a que exército pertence e a que patrão serve? Ao bem público ou aos interesses de seu partido? Dou um doce para quem adivinhar o critério adotado para a nomeação: que escolhido por ser funcionário de carreira ou por ser membro do partido? Quem acreditar na primeira opção, certamente deve crer também que o Saci Pererê é uma realidade de cachimbo...


É impressionante como este governo está aparelhando a máquina pública e as estatais com levas de “companheiros”, em clara demonstração de que confunde as coisas de governo, que sempre são passageiras, com as de Estado, que são permanentes por definição. O que estou escrevendo sobre o Banco do Brasil aplica-se, evidentemente, às dezenas de empresas estatais. É a politização do que deveria ser estritamente empresarial ou de compromisso efetivo com o bem comum, sob os falsos argumentos oportunistas da “função social” e dos objetivos “estratégicos”... Ora, a Vale, a CSN e o setor de telecomunicações também eram “estratégicos”, mas foram privatizados e, claramente, a economia do país ganhou e nossa soberania não foi afetada.


Um trecho do alvará de fundação do BB diz que: “Em todos os pagamentos que se fizerem à minha Real Fazenda, serão contemplados e recebidos como dinheiro os bilhetes do dito Banco Público, pagáveis ao portador ou mostrador à vista; e da mesma forma se distribuirão pelo Erário Régio nos pagamentos das despesas do Estado: e ordeno que os Membros da Junta do Banco e os Diretores dele sejam contemplados pelos seus serviços com as remunerações estabelecidas para os Ministros e Oficiais da minha Real Fazenda, e Administração da Justiça, e gozem de todos os privilégios concedidos aos Deputados da Real junta do Comércio”.


Vejam que interessante a ordem que sublinhei acima, escrita em 1808! Estamos em 2009, passaram-se duzentos e um anos e o que mudou? É o velho - e ao que parece imortal - patrimonialismo latino-americano, com todas as suas tintas: tudo para os amigos de El-Rei, ou do coronel, ou, no caso presente, do “partido” e, para o povo, apenas a obrigação patriótica de pagar impostos, taxas e contribuições!


Há pouco tempo, o marketing – muito bem feito, por sinal – dizia que o BB era o “banco da Maria, da Ana, do José, do Antônio”, etc. Mentira deslavada. Propaganda enganosa. Hoje, o banco é do PT, como no passado já foi de outros partidos que ocupavam transitoriamente o poder. A única solução para impedir essa apropriação partidária é a privatização pura e simples. O Estado não precisa ser dono do Banco do Brasil, da Petrobras, da ECT (recordemo-nos do “Mensalão”), da Caixa, da Eletrobrás e de tantas outras empresas. Deve vendê-las. Será melhor para a economia do país, porque elas passarão a ser geridas por critérios empresariais e técnicos e imunizadas contra as influências políticas. Cairá a burocracia e subirá a eficiência. E sobrarão recursos para que o Estado os aplique em áreas em que sua presença é importante e nas quais tem atuado de maneira pífia. Alguém pode duvidar disso? Por que, por exemplo, as correspondências que recebemos precisam ser entregues por um funcionário público (incluindo os Darfs para pagamento de tributos)?


Quando vamos acordar da anomia em que estamos mediocremente mergulhados e exigir de nossos representantes que atentem concretamente para o fato de que, no mundo de hoje, o Estado não precisa ser dono de bancos? Deve desfazer-se deles e passar a cuidar de servir aos cidadãos – e não de servir-se deles para dar vazão a suas aspirações políticas. Mas cuidar dos cidadãos, o que significa atuar com eficácia em suas funções básicas – educação, saúde, infraestrutura, segurança e justiça – é algo que parece não passar pela cabeça dos que detêm o poder no Brasil... Afinal, são poucos os políticos que não desejam colocar seus afilhados e parentes em postos influentes, muito bem remunerados e sustentados pelos exauridos contribuintes. Que, ainda por cima, pagam os seus ternos e as suas passagens aéreas...


por Ubiratan Iorio

Capitalismo Estatal

As 13 maiores empresas de petróleo do mundo são estatais. O Estado, na Rússia, controla da telefonia fixa às fábricas de armas. No Brasil, ele é dono de 40% do mercado bancário, da produção de petróleo e de 70% da geração de energia. A China é quase toda estatal. Empresas privadas vivem das benesses do Estado. Nos países emergentes e pobres, o Estado sempre foi o dono do jogo.

Esta é a tese do artigo publicado na revista “Foreign Affairs” por Ian Bremmer, presidente do grupo Eurásia. Uma tese que merece reflexão nestes tempos em que se diz que houve no mundo um exagero liberal e em que governos, como o brasileiro, acham que a intervenção dos governos dos países ricos para enfrentar a crise é uma rendição à ideia de que o Estado é que deve gerir a economia.

Segundo o economista, a diferença é que nos países de economia madura, como os Estados Unidos e a Inglaterra, os governos sabem que qualquer controle estatal deve ser revertido tão logo passe a crise. Mas em muitos países emergentes e em desenvolvimento, a mão pesada do Estado nunca saiu da economia e há, em vários desses países, uma rejeição doutrinaria à economia de mercado. Rejeição que deve, agora, se fortalecer.

O mais impressionante é o inventário que ele faz da presença existente do Estado na economia, anterior até à crise econômica, quando era um bordão muito repetido — no Brasil inclusive — a ideia de que a privatização tinha ido longe demais. Começa pelos fundos soberanos, que mesmo tendo perdido US$ 1 trilhão, continuam tendo US$ 3 trilhões de patrimônio.

Ao contrário do nosso, que é pequeno, feito na undécima hora e constituído com endividamento, os fundos soberanos de inúmeros outros países foram formados pelo excesso de poupança com a alta dos preços das commodities nos últimos anos. A alocação desse dinheiro é toda feita pelo Estado. “Hoje, os emergentes já emergiram e funcionários estatais em Abu Dhabi, Ancara, Pequim, México, Moscou, Nova Délhi, tomam decisões econômicas — sobre investimento estratégico, propriedade estatal e regulação — que se refletem no mundo inteiro”.

Um dos maiores empregadores do mundo na área não militar é a empresa ferroviária da Índia. Tem um milhão e meio de empregados.Na China, são as estatais que controlam o monopólio do alumínio, as maiores empresas de telecomunicações, a transmissão de energia e as companhias aéreas, por exemplo. Medidas pelas reservas que controlam, as 13 maiores empresas de petróleo do mundo são estatais, entre elas a nossa Petrobras. A Aramco, da Arábia Saudita, a Companhia Iraniana, a Petróleos da Venezuela, a Gazprom e Rosneft, da Rússia, a Petronas, da Malásia, a Corporação Nacional de Petróleo da China. Empresas estatais controlam 75% das reservas globais de petróleo e a sua produção. O governo ficou sócio em outras indústrias e ativos do setor de tal forma que empresas totalmente privadas controlam só 10% da produção mundial, diz Bremmer.

E tem mais, ele explica.

“Uma tendência recente complicou mais o fenômeno.Em alguns países em desenvolvimento, grandes companhias que continuam em mãos privadas dependem do patrocínio governamental em termos de crédito, contratos e subsídios”. Esse patrocínio governamental para as grandes empresas, que são tratadas como “campeãs nacionais”, o Brasil conhece bem e tem se aprofundado nos últimos tempos, a pretexto da crise econômica. Na Rússia, esses “campeões nacionais” são “controlados por pequenos grupos de oligarcas, que são pessoalmente favorecidos pelo Kremlin”, como os grupos que controlam a mineração, a metalurgia e a siderurgia.

Na China, entre várias empresas mais favorecidas pelo governo e dirigidas por pessoas bem conectadas com os poderosos do regime, o autor inclui a Lenovo. Entre os “campeões nacionais”, empresas que as autoridades tratam como estratégicas, o autor inclui a Vale, no Brasil. Se for da perspectiva de receber dinheiro subsidiado, a lista brasileira é extensa, e ficou maior ainda durante o atual governo.

O artigo deixa claro que nunca houve um exagero de privatização, como se apontou. Houve um movimento nos anos 80 e 90 que reduziu a força do capitalismo de Estado nos países desenvolvidos, como a Inglaterra, por exemplo, mas que nem alcançou completamente a Europa.

A França ainda tem estatais em áreas como energia.

Nos países emergentes, o capitalismo de Estado continua forte, vigoroso e se fortalecendo à sombra das dramáticas decisões que os governos dos Estados Unidos e de diversos países europeus estão tomando na esteira da atual crise econômica.

O argumento contra o capitalismo estatal perdeu força quando se vê o campeão da economia de mercado virando sócio de fabricantes de automóveis, de seguradoras e de bancos, como é o caso dos Estados Unidos.

A diferença é que, nos Estados Unidos, o custo político de manter o Estado controlando empresas será tão alto que todos sabem que é um período transitório.

Mas em países como o Brasil, o que se vive é um retrocesso mesmo no aumento da presença do Estado na economia, e também na mistura de interesses partidários com as empresas estatais.

Certos desafios à frente, como, por exemplo, os desastres ambientais, diz o autor, podem provar que burocratas, ou militantes partidários, não são os melhores gestores da economia.

por Miriam Leitão - O Globo, 03/04/2009

Um Outro Pará é Impossível

Enquanto centenas de agentes da Polícia Federal e membros da Força de Segurança Nacional apoiados pelo Exército expulsam meia dúzia produtores de arroz da Raposa Serra do Sol, a guerrilha rural age impunemente no estado-símbolo do PT, o estado do Pará, governado por Ana Júlia Carepa, petista das mais radicais e grande dançarina de carimbó.


Lá o que sobrou daquele "outro mundo possível", tão cantado e decantado no Forum Social Mundial, recentemente realizado em Belém, é a ação de uma guerrilha rural composta por 15.000 integrantes do MST, que desafia a lei, a ordem e a justiça, com total impunidade.


Os guerrilheiros já tomaram 15 fazendas apenas neste ano, que são mantidas com o uso de armamento pesado e trincheiras montadas à entrada das propriedades. Os mandatos de reintegração de posse não são cumpridos pela polícia da governadora petista.


Tarso Genro, ministro da Justiça, afirmou, recentemente, que iria enviar "vinte ou trinta homens da FSN para aliviar a tensão" no Pará. Quanta eficiência!


O ministro também declarou: "Não vejo nenhum índice de aumento de violência [na atuação do MST]. O que ocorre é a mobilização dos movimentos sociais e em determinadas circunstâncias de maneira mais arrojada. Quando eles violam a lei e a Constituição os estados têm que operar”.


Para o Forum Social Mundial, lá realizado em janeiro, Tarso Genro enviou 220 homens da FSN para fazer a segurança de hippies, maconheiros, índios de calção Adidas, padres comunistas, bolivarianos e outros bichos-grilo que dançaram pelados e transformaram o Acampamento da Juventude em motel a céu aberto. O ministro da Justiça mandou um esquadrão anti-bomba, sinófilos (atuam com cães farejadores), e equipe de inteligência. Além disso, foram utilizadas 50 viaturas e dois helicópteros, além de farta munição para os fuzis 556 e pistolas ponto 40, utilizadas pela corporação. Lula doou em patrocínios e investimentos a quantia de 338 milhões para o Forum.


Para conter 15.000 guerrilheiros do MST, Lula e Tarso Genro mandam 30 homens. Para fazer a segurança presidencial, em qualquer deslocamento, é usado um contigente maior do que este. Com Lula, Tarso e Ana Júlia Carepa, um outro Pará é impossível. Que o sangue dos inocentes corra impunemente. Vermelho como as bandeiras do PT e do MST.


no Coturno Noturno