segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Uma Diplomacia de Erros

Completa-se mais um ano de fracassos para a diplomacia terceiro-mundista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nenhum acordo importante foi assinado pelo Itamaraty, conhecido no passado por seu pragmatismo e pelo profissionalismo de sua orientação. Como na maior parte da era petista, os diplomatas brasileiros envolveram-se numa única negociação relevante, a da Rodada Doha de liberalização comercial. Novamente a discussão empacou, emperrada principalmente, desta vez, pelos aliados estratégicos do Brasil. Na América do Sul, zona preferencial dos grandes planejadores internacionais do Planalto, o governo brasileiro colecionou mais uma série de desaforos e de ameaças. O balanço do ano só não foi pior, nessa área, porque o presidente equatoriano, Rafael Correa, decidiu pagar, no último dia do prazo, US$ 28,1 milhões devidos ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Depois de seis anos de atuação desastrosa, o Itamaraty do PT ainda poderá colher algum resultado positivo nos 24 meses finais do mandato do presidente Lula. Mas terá de correr e de esforçar-se muito. Reativar e concluir a Rodada Doha será uma prioridade evidente para os negociadores brasileiros. Mas não se sabe, ainda, como o novo governo americano cuidará do assunto, especialmente numa fase de recessão e pressões protecionistas muito fortes. O Itamaraty também deverá explorar, nos próximos meses, as possibilidades de retomar a discussão de um acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia. Não será uma tarefa simples, e não só porque os europeus serão provavelmente avaros em concessões no comércio agrícola e exigentes em benefícios para sua indústria. Brasileiros e europeus até poderão encontrar um ponto de equilíbrio nessa barganha, mas haverá resistência do principal parceiro comercial do Brasil na América do Sul, a Argentina. Esse entrave ocorreu noutras ocasiões e quase certamente voltará a ocorrer.

O governo argentino divergiu da diplomacia brasileira também nas últimas tentativas de conclusão da Rodada Doha. Pelo menos nessa frente os negociadores brasileiros trabalharam em função de resultados, até porque haviam abandonado todas as demais negociações objetivamente importantes. Mas, para negociar seriamente, os brasileiros tiveram de afastar-se de seus aliados "estratégicos", como os indianos, chineses e argentinos. Essa divergência não surpreendeu quem seguiu com realismo a atuação do Grupo dos 20 (G-20) constituído em 2003 para combater a política agrícola do mundo rico.

Novamente, em 2008, ficou evidente o equívoco das alianças "estratégicas" do petismo. Os governos da China e da Índia, como se poderia esperar, continuaram dando prioridade aos interesses nacionais e não a afinidades imaginárias com o Brasil ou outros países emergentes ou em desenvolvimento. O governo da Rússia, ao recalcular suas cotas de importação de carnes, mais uma vez deu prioridade a americanos e europeus. Nem na visita do presidente russo, Dmitri Medvedev, as autoridades brasileiras conseguiram uma cota para os exportadores brasileiros de carne suína.

Em suma, a Rússia, a China, a Índia e outros emergentes podem ser prioritários e estratégicos do ponto de vista de Brasília, mas o Brasil não é prioritário nem estratégico para eles.

Na América do Sul, o Brasil só é estratégico e prioritário por ser o maior mercado da região e porque seu governo se mostra disposto a todo tipo de generosidade sem contrapartida e a suportar os mais variados desaforos. A reação à ameaça de calote do Equador, da Bolívia, do Paraguai e da Venezuela só ocorreu quando a situação, com todos os seus aspectos mais humilhantes, havia sido exposta pela imprensa.

Na presidência rotativa do Mercosul, o governo brasileiro não conseguiu cumprir nenhum objetivo importante, a começar pela eliminação da cobrança múltipla da Tarifa Externa Comum (TEC) incidente sobre produtos originários de fora do bloco e reexportados.

A grande realização do governo brasileiro foi a convocação, combinada com os americanos, de uma reunião do G-20 financeiro, em Washington. Uma das mais importantes combinações desse encontro - evitar medidas protecionistas por um ano - foi imediatamente ignorada pelo maior parceiro regional do Brasil, a Argentina. Quem se surpreenderia?

Opinião, no Estado de São Paulo

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

O Brasil Acelerando para o Passado

Há gosto para tudo. A diplomacia petista festeja a ascensão da América Latina e do Caribe à condição de principal destino das exportações brasileiras. Festeja também a perda de importância dos Estados Unidos entre os mercados para produtos do Brasil. Em 2003, latino-americanos e caribenhos importaram mercadorias brasileiras no valor de US$ 12,92 bilhões, 17,7% do total vendido pelo País. Neste ano, até novembro, sua participação chegou a 25,7%. Os americanos compraram, há cinco anos, US$ 16,9 bilhões do Brasil, 23,1% do total. Em 2008, até o mês passado, sua fatia das vendas brasileiras ficou em 14,1%. Isso comprova, segundo os defensores do terceiro-mundismo, o sucesso da política nacional de diversificação de mercados. O País ficou menos dependente dos gringos. Mas os números permitem uma conclusão menos festiva e mais adequada para qualificar a diplomacia do fracasso.

Em primeiro lugar, o Brasil há muito tempo deixou de ser dependente de um ou dois mercados. Nos anos 80 as exportações já eram bem diversificadas quanto aos destinos. Naquele tempo, os brasileiros já se qualificavam como "global traders". A diplomacia petista não foi inovadora nesse ponto. Foi apenas tola, confundindo afinidades imaginárias com parcerias estratégicas.

Em segundo lugar, a redistribuição porcentual das exportações brasileiras não resultou somente das vendas crescentes para "novos" mercados (nem todos tão novos assim). Resultou também, e em grande parte, de uma expansão mais lenta das exportações para os Estados Unidos. O governo brasileiro esnobou o mercado americano, o maior do mundo. Com essa bobagem abriu espaço a competidores mais interessados em ganhar dinheiro do que em mobilizar um "Sul" imaginário para o confronto com o mundo rico.

Dados: entre 2003 e 2007, vários outros países, incluídos alguns da América do Sul, deixaram o Brasil para trás no esforço de ampliar as exportações para os Estados Unidos. Nesse período, as vendas brasileiras para o mercado americano cresceram 43,1%, de acordo com as estatísticas de comércio exterior do governo dos Estados Unidos. No mesmo intervalo, tiveram maior sucesso os exportadores dos seguintes países: Colômbia (47,8%), México (52,7%), Índia (84%), China (110,9%), Peru (116,2%), Vietnã (133,4%) e Chile (143%).

Seria possível ampliar a lista de exemplos, mas estes são bastante ilustrativos. O conjunto é variado. Alguns desses países pouco exportavam para os Estados Unidos. O Vietnã vendeu para o mercado americano apenas US$ 4,55 bilhões em 2003. Em 2007, embarcou para lá mercadorias no valor de US$ 10,63 bilhões. A Índia em pouco tempo alcançou o Brasil, passando de US$ 13 bilhões para US$ 24 bilhões. O México já era um grande parceiro, sócio do Acordo Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta), mas conseguiu um aumento notável mesmo partindo de uma base elevada: suas vendas cresceram de US$ 138,06 bilhões em 2003 para US$ 210,8 bilhões em 2007. O caso da China é mais espetacular, com o salto de US$ 152,44 bilhões para US$ 321,51 bilhões. O desempenho brasileiro, com o avanço de US$ 17,91 bilhões para US$ 25,65 bilhões, chega a ser melancólico, em comparação com o resultado exibido pelos concorrentes.

Em resumo: a mudança da participação dos vários mercados nas exportações brasileiras é explicável apenas em parte pela expansão dos negócios com latino-americanos, africanos e asiáticos. Houve sucesso na conquista desses parceiros, mas houve também uma inegável perda de participação no comércio com os Estados Unidos. O aumento das vendas aos países da África, da Ásia e da América Latina resultou não de bons acordos, mas do esforço dos empresários empenhados em ganhar mais com exportações. Foram levados a isso até pela falta de acesso negociado aos mercados do mundo rico.

Os acordos com os sul-americanos foram muito mais vantajosos para os outros do que para o Brasil. Se os brasileiros ainda vendem mais do que compram, no comércio com esses países, não é por causa dos acordos, mas das características das pautas de exportação. Qualquer pessoa sensata e razoavelmente informada percebe esses fatos e lamenta a perda de oportunidades no mercado americano, menosprezado quando se torpedeou o projeto da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). O resto é conversa de quem vive num mundo de fantasias dos anos 50.

por Rolf Kuntz, no Estadão

Che Guevara

"É graças ao mito Che Guevara, que foi um dos maiores assassinos desta Revolução. Eu escrevi um livro, que se chama 'A Face Escondida do Che', onde há uma série de testemunhos de pessoas que passaram diante dele. O Che dirigiu centenas de execuções em Cuba. Era um matador. Eu não consigo compreender como tanta gente caiu no discurso deles todos. Eu tento, então, contar a verdade. Escrevi um outro livro, 'Memórias de um Naufrágio', que vai ser publicado justamente agora, em função do 50º aniversário. São mais testemunhos de pessoas que foram reprimidas em Cuba e que passaram 20 ou 40 anos presos apenas por discordarem do sistema. Outros são pessoas que tiveram de suportar e que sobreviveram aos massacres que aconteceram em Cuba".

Trecho da entrevista com Jacobo Machover, que saiu de Cuba com a família e nunca mais pôde voltar. Ao perceber o "caminho sem volta" em que o sonho socialista entrava, seu pai, que trabalhava como tradutor para Che Guevara, decidiu levar a mulher e os filhos para a França. No país europeu, o ex-admirador do mítico personagem da Revolução Cubana tornou-se um respeitado intelectual sobre o seu país de origem e uma das vozes mais ativas contra o regime castrista entre os exilados cubanos no exterior.

Feliz Ano Novo?

No dia primeiro de janeiro de 2009, muitos estavam celebrando a entrada do ano novo. Os cubanos, entretanto, não tiveram muito que comemorar, e ainda assim foram forçados a demonstrar em público regozijo pela data que marca também os cinqüenta anos da revolução que lançou a pequena ilha na total escravidão e miséria. Há meio século, um bando de guerrilheiros liderados por Fidel Castro tomava o poder em Cuba, e iniciava uma nova fase tão nefasta que faria os tempos de Fulgencio Batista parecerem bons. A ditadura de Fidel já sacrificou no altar da ideologia socialista quase cem mil inocentes, e deixou os demais na completa miséria. Cuba viu todos os seus indicadores econômicos despencarem, e hoje a ilha se sustenta porcamente com o turismo dos capitalistas e doações de petrodólares do caudilho Chávez.

Por mais chocante que seja, não são poucos os que ainda nutrem paixão pelo regime genocida dos irmãos Castro. Vários “intelectuais”, alguns músicos famosos, e até mesmo o mais conhecido arquiteto brasileiro derretem-se de amor quando falam da ilha-presídio. Adoram, de bem longe, o modelo que trouxe apenas terror e miséria para suas vítimas. Foi Roberto Campos quem melhor descreveu essa turma: “É divertidíssima a esquizofrenia de nossos artistas e intelectuais de esquerda: admiram o socialismo de Fidel Castro, mas adoram também três coisas que só o capitalismo sabe dar – bons cachês em moeda forte; ausência de censura e consumismo burguês. Trata-se de filhos de Marx numa transa adúltera com a Coca-Cola”. No meu dicionário, existe uma palavra que resume bem isso tudo: hipocrisia.

Quando o assunto é a Revolução Cubana, muitos deixam a razão de lado e sucumbem totalmente às emoções despertadas por décadas de lavagem cerebral ideológica. A incoerência dos defensores do regime cubano é tanta que podemos apenas concluir que são vítimas de dissonância cognitiva. Fogem dos fatos porque a realidade os machuca. Acusam o embargo americano pela miséria na ilha ao mesmo tempo em que chamam o comércio com os americanos de exploração. Atacam as ditaduras supostamente de direita enquanto não se importam em defender a mais longa e cruel ditadura da América Latina. Repetem como papagaios o mito da “maravilhosa” saúde cubana enquanto nem mesmo remédios básicos existem na ilha. Sem falar que Fidel chamou um médico da Espanha quando ficou doente! Afirmam como autômatos que não existem analfabetos em Cuba, enquanto todos sabem que há apenas doutrinação ideológica, e que o único jornal que circula por lá pertence ao governo ditatorial. E a lista de contradições não acaba aqui. Todo defensor do regime feudal dos irmãos Castro é ou um idiota útil, ou um sujeito pérfido e hipócrita em busca de poder. Não há alternativa diferente.

A característica mais marcante dos socialistas talvez seja a crença de que os fins justificam quaisquer meios. Em nome da causa, tudo é permitido. Pela utopia socialista, milhares de mortes viram apenas um detalhe estatístico. O “historiador” marxista (sic) Eric Hobsbawm chegou a dizer numa entrevista que aceitaria novamente as milhões de vítimas do comunismo se fosse para chegar à utopia que defende. Esse desvio de caráter já se mostrava presente em Fidel Castro desde muito cedo. Brian Latell, no livro Cuba Sem Fidel, faz uma análise do ditador usando sua obscura juventude como fonte: “Esse é o comportamento de um sociopata, de alguém desprovido da capacidade ou da disposição para diferenciar o certo do errado. Já com 20 anos de idade, Fidel considerava a prática de assassinatos e a provocação de situações caóticas meios justificáveis e aceitáveis para ver materializados seus interesses pessoais”. Um típico comunista é alguém que ama tanto a Humanidade, que já não se importa nem um pouco com os seres humanos ao lado. A empatia é uma das primeiras palavras riscadas do dicionário de um revolucionário comunista. Ele reverencia o regime cubano, e ignora a escravidão dos cubanos de carne e osso.

Quando o leitor comemorou a virada de ano e desejou aos outros um feliz ano novo, deveria lembrar-se de que os cubanos estavam tendo que celebrar outra coisa: o qüinquagésimo aniversário do regime opressor que são forçados a suportar. As liberdades mais básicas foram suprimidas pelos irmãos Castro no Alcatraz caribenho. Meus votos aos cubanos são pelo fim dessa ditadura genocida, e pela punição a todos aqueles que foram cúmplices das atrocidades praticadas pelo regime. Já passou da hora de jogar no lixo da história essa ideologia perversa que mantém em Cuba e na Coréia do Norte seus últimos ícones podres. E pro inferno – ou para Cuba se preferir – todos aqueles que ainda insistem em defender o socialismo!

por Rodrigo Constantivo

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Lula está quase em 100%

Partindo do pressuposto de que as pesquisas espelham a verdade e que há honestidade nos métodos empregados pelos Montenegros da vida, tentemos encontrar a explicação para essa quase unânime aceitação do governo de Luiz Inácio fazendo uma espécie de retrospectiva.

Embora fora de ordem cronológica, vamos lá:
  1. Explode o escândalo do mensalão – Lula sobe na pesquisa;

  2. Os velhinhos aposentados são taxados em 11% - Lula sobe na pesquisa;

  3. O irmão de Genoino é apanhado com 200 mil dólares na cueca – Lula sobe na pesquisa;

  4. Lula confessa em entrevista que fez uso do caixa 2 – mais alguns pontos na pesquisa;

  5. Duda Mendonça confessa que "lavava" dinheiro do PT – Lula sobe na pesquisa;

  6. Inquérito envolve gente de Lula no assassinato do prefeito Celso Daniel – mais alguns pontos na pesquisa;

  7. Ameaçada de morte, a família do ex-prefeito deixa o país – Lula sobe na pesquisa;

  8. Delúbio Soares, tesoureiro do PT, é indiciado por peculato – Lula sobe na pesquisa;

  9. O ministro Antônio Palocci viola o sigilo bancário do caseiro – Lula sobe na pesquisa;

  10. A Telemar doa 15 milhões a Lulinha, filho do Lulão, em troca de favores do governo – mais pontos na pesquisa;

  11. A revista Veja revela que os bancos foram os maiores financiadores da reeleição de Lula – mais pontos na pesquisa;

  12. CPI lista 161 ligações telefônicas de um amigo de Lula a envolvidos no mensalão – mais pontos na pesquisa;

  13. Dona Marisa renega a cidadania brasileira e adota a italiana – Lula sobe na pesquisa;

  14. O MST invade e destrói fazendas – Lula sobe na pesquisa;

  15. Mensaleiros são absolvidos na Câmara e deputada petista samba em plenário – Lula sobe na pesquisa;

  16. Sílvio Pereira, secretário do PT, ajuda a firma GDK numa negociata com a Petrobras e ganha um Land Rover – Lula sobe na pesquisa;

  17. Ministério Público Federal oferece denúncia contra 40 petistas e assemelhados por envolvimento com o mensalão – Lula fica de fora e sobe na pesquisa;

  18. Petistas aloprados falsificam documento de Furnas para incriminar políticos da oposição – Lula sobe na pesquisa;

  19. Explode o escândalo das sanguessugas – Lula sobe na pesquisa;

  20. Vem à tona a farra de milhões de reais da família Silva com os chamados cartões corporativistas – Lula sobe na pesquisa;

  21. Irmão de Lula é flagrado vendendo facilidades de órgãos do governo a empresas paulistas – mais pontos na pesquisa;

  22. Lula esnoba a Embraer e compra por 80 milhões de dólares avião de empresa estrangeira – mais pontos na pesquisa;

  23. Milhares de companheiros são nomeados e passam a mamar na teta do Tesouro - Lula sobe na pesquisa;

  24. Evo Morales invade e se apropria de usina da Petrobras - Lula bate palmas e sobe na pesquisa;

  25. Lula beija a mão de Jader Barbalho e chama usineiros de mártires - mais pontos na pesquisa.

Bem, acho que só faltam mais umas três ou quatro proezas para o Homem chegar aos 100%.

por Homero Vianna Jr.

O Paraíso Comunista

Fidel Castro tem conseguido um tratamento favorável, em nível mundial, que contrasta amplamente com o que recebem a maiorira dos tiranos. Isto é mais visível se se tem em conta que ele é o gestor do episódio mais sangrento da história republicana na América Latina e que seu regime de terror já dura cinco décadas.

Com efeito, Fidel Castro tem sido o guru de uma das campanhas propagandísticas de maior êxito da história. O elemento chave por trás da grande manipulação tem sido a ocultação de seus piores crimes e pelo profundo desconhecimento do enorme custo em vidas causado pela "dinastia" castrista.

Isso explica, ao menos em parte, por que há tal grau de ignorância sobre a essência sanguinária e implacável do regime e, por sua vez, como tem-se justificado o estado policial cubano, em função dos supostos princípios de igualdade e justiça social que muitos associam a ele. Porém, esta empulhação é facilmente desmascarada quando confrontada com a verdade que se vive na ilha.

Desde fins dos anos noventa, o
Arquivo Cuba vem rebatendo a enorme e milionária máquina de propaganda castrista, para por a descoberto os rios de sangue que o regime tem deixado para trás. Para tanto, criou um imenso registro de mortes baseado no consolidação de esforços anteriores, num trabalho de documentação de casos novos ou nãoo reconhecidos anteriormente, o que, espera-se, dificultará que se continue escondendo os piores crimes do castrismo, bem como a magnitude e o caráter da tragédia.

O Arquivo Cuba documentou mais de 8.200 vítimas dos Castro a partir de 1959, a partir da investigação realizada até 2003 por um de seus diretores, o doutor Armando Lago, para seu livro ainda inédito. Recentemente, o esfoço se voltou para a obtenção de testemunhos diretos e novas fontes de informação.

A colaboração com o
Memorial Cubano foi decisiva para aproximar-se da comunidade cubana a fim de melhorar a documentação sobre as vítimas. Até 15 de dezembro de 2008, foram documentados 5.732 fuzilamentos, assassinatos e deseparecimentos. Ademais, registraram-se 515 mortes nas prisões por negligência médica, suicídio e acidentes. Estas cifras, que representam uma soma parcial e crescente, já constituem mais de duas vezes o total oficial de todos os desaparecimentos e mortes (3.197) causadas pelo regime militar chileno de Augusto Pinochet e quase 15 vezes o número de mortos de desaparecidos dos chamados "anos de chumbo" no Brasil (1968-1974), e embora Pinochet tenha sido objeto de escárnio mundial e haja verdadeiro revanchismo promovido pelos ex-terroristas ora no governo brasileiro, Fidel e Raul Castro são recebidos como heróis em praticamente todos os países do mundo.

Somente em 2008, registraram-se 42 mortes nas prisões cubanas - 2 assassinatos causados por "guardas penais", 23 mortes por falta de cuidado médico, 11 sucídios e 2 acidentes em ciscunstâncias não espcificadas.

Entre 1º de janeiro de 1959 e 15 de dezembro de 2008, a relação parcial de mortes ocasionadas pelo triunfo da revolução socialista dos Castro alcança 8.237 se se incluírem as mortes em combate contra o governo comunista.

Fora esta cifra demolidora, estima-se que os mortos em tentativas de fuga pelo mar superem os 77.000, cálculo efetuada a partir de dados da Universidade de Harvard, do Serviço de Guarda-Costeira dos EUA e de estudos realizados nas universidades de Miami e La Habana. Porém, a cifra exata de "balseros" é impossível de ser constatada.

Quando Francisco Chaviano Gozález tentou, internamente na ilha, criar um registro de desaparecidos, principalmente por mar, foi preso, em 1994, e cumpriu 13 anos de uma sentença de 15, por revelar "segredos de Estado". Liberado em 2007, tinha a saúde totalmente debilitada. Um dos aspectos mais pavorosos desta tragédia é o assassinato, por parte das autoridades cubanas, de civis tentando escapar da ilha.

Os "guarda-fronteiras" cubanos afundam embarcações, e atiram contra civis, sem importar-se com sua idade ou condição. Os massacres de Canímar, em 1980, e de "13 de Março" de 1994, que deixaram centenas de vítimas, incluindo muitas crianças, são apenas os episódios mais conhecidos. Calcula-se que o número de vítimas chegue aos milhares, porém só se poderá ter certeza se algum dia forem recuperados os arquivos secretos do estado cubano, pois, em geral, existem somente testemunhos dos próprios sobreviventes.


O caso de Iskander Maleras Pedraza, de 26 anos, e Luiz Angel Valverde Linfernal oferece um grau excepcional de comprovação: ambos foram metralhados por "guarda-fronteiras" cubanos ao tentar chager, por mar, à base naval de Guantánamo, em 19 de Fevereiro de 1994. Do grupo de quatro amigos, somente um chegou ao destino. Outro foi preso, julgado e enviado à prisão. Maleras, por ser de Guantánamo e seus pais serem profissionais conhecidos e respeitados, foi poupado. Porém, o governo fez uma extensa campanha publicitária sobre o caso, a fim de disseminar o medo entre possíveis imitadores: foram exibidas fotos dos cadáveres e os guardas foram condecorados publicamente por estarem cumprindo ordens.


Em outro caso, reportado oficialmente como desaparecimento, envolve Miguel Guerra Mora, Daniel Cosme Ramos e Federico Marti Jiménez. Guerra Mora, de 26 noas e pai de dois filhos, era técnico de dragas. Em 19 de Maio de 1991, durante uma obra no porto de Palo Alto, Ciego de Avila, ele e seus dois companheiros tomaram um embarcação para fugir da ilha. Nunca mais se ouviu falar deles.

Suas famílias buscaram notícias desdesperadamente, inclusive em países em que poderiam ter chegado. Ao final de cinco anos, um dos "guarda-fronteiras" se compadeceu e, secretamente, informou que os três haviam sido metralhados por terem tentado escapar.

O Arquivo Cuba tem centenas de casos registrados - tanto de assassinatos quanto de fuzilamentos, cada um mais aterrador que o outro - por tentativas de sair da ilha sem a devida "licença do governo". Hoje em dia, vários "presos políticos" cubanos cumprem penas de até 25 anos por tais "delitos"

Raúl, o sucessor de Fidel Castro, ordenou pessoalmente o fuzilamento de pelo menos 550 pessoas na província de Oriente, quando a Revolução triunfou, sendo que muitos sequer tiveram qualquer tipo de julgamento. Além disso, como Ministro da Defesa, sempre esteve diretamente ligado aos "guarda-fronteiras". E a matança alcança não somente cubanos: já foram constatados os assasinatos de 68 estrangeiros por fuzilamento ou desaparecimento.

Numa contagem parcial, feita extra-oficialmente, os Castro comandaram mais de 100.000 mortes, se levarmos em conta as baixas cubanas ocorridas em conflitos armados. Se somarmos as vítimas estrangeiras das guerras na África e a subversão internacional organizada e financiada por Cuba em nível mundial, o saldo certamente é muito maior. Tais cifras, porém, jamais farão honra ao enorme sofrimento humano que tais tragédias têm provocado.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Imposturas

O presidente da República tem, mui patrioticamente, repetido o bordão da gastança. Onde quer que vá, discursa com a narina inflamada do indignado, acusa meia dúzia de “torcer pela crise” e exorta a platéia a gastar dinheiro. “Se tem dívidas, pague. Mas se não tem, vá e faça suas compras”, é o brado do homem, nas paradas de caixeiro-viajante país afora.

Ruim de palanque, mas boa de escritório, invariavelmente a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, aparece depois do chefe para preencher as lacunas da retórica. Diz ela que as pessoas pararam de gastar porque temem perder o emprego — devido à tal crise, é claro. Ora, raciocina a ex-guerrilheira, se ninguém compra, as lojas não vendem. Se as lojas não vendem, não fazem encomendas à indústria. Que por seu lado, não produz. No fim das contas, o operário vai mesmo ser mandado embora, assim como o comerciário e daí pra frente todos os demais.

Há nas grandes linhas do comportamento da alta cúpula governamental uma ligeira impostura. E me explico. Ele transfere à chusma uma responsabilidade do comandante. Sim, pois, pelo que dizem nossos historiadores econômicos, o Brasil nunca, jamais, desde a industrialização, teve problemas quanto à propensão ao consumo por parte da população — variável decisiva de uma das equações que explicam o crescimento de um país.

Por outro lado, desde a fundação da República até hoje, passamos por crises fiscais cíclicas (quem duvida pode se certificar lendo A ordem do progresso – Cem anos de política econômica republicana, organizado por Marcelo de Paiva Abreu, Editora Campus, 445 páginas). Em geral, elas são provocadas pela ganância dos políticos, gastadores irresponsáveis do dinheiro público, sugado a tragadas cada vez mais profundas pelo Estado perdulário e corrupto.

Nos países em desenvolvimento, a despoupança do setor público gera um desequilíbrio tal que afeta os preços, a produção ou ambos. Ao chegar ao poder, em 2003, o presidente Lula encontrou o coquetel completo de inflação e baixo crescimento paridos do déficit público.

Para resolvê-lo, não só adotou, mas aprofundou uma política que passou a vida inteira xingando (na verdade, o faz até hoje), de controlar o caixa com mão de ferro. Resolveu o velho problema formando poupança pública. Provavelmente, você, leitor atento, já ouviu falar do resultado dessa política: é o superávit primário, aquele mesmo que os esquerdistas só o mencionam após um adjetivo pejorativo.

Por tê-lo feito, Lula soltou as amarras que detinham a nau. A despoupança pública virou poupança. Os investimentos privados aconteceram, a taxa de juros caiu, houve ganho de renda em todos os setores. Os brasileiros, sempre gastadores, voltaram às compras.

Como o mundo também se expandia — ou seja, havia vento a favor —, fiat lux, o neoliberalismo tocado pelo PT, mais puro que o dos tucanos, produziu um crescimento acima de 6% na economia brasileira. Melhor, sem correlação negativa nos preços. A inflação esteve domada todo esse tempo. Um lindo céu azul, até hoje devidamente refletido nos altíssimos índices de aprovação do presidente.

Mas...

E esse é o mal da hipocrisia, ainda mais nos políticos, pior naqueles que vencem eleições. O homem condenara a vida inteira as políticas das quais lançava mão depois de eleito. Reeleito, começou a duvidar delas. Diante da claudicância, seu governo rendeu-se à infinita paixão que nutre por si mesmo. O rigor fiscal dos primeiros anos anuviou-se. A permissividade quanto às despesas públicas misturou-se a interesses tacanhos e partidários. O Orçamento do próximo ano já mostra explosivo e exorbitante gasto com pessoal.

Incapaz de cortar investimentos, o Congresso fez a escolha de sofia. Ao discutir as despesas de 2009, aplicou corte sumário sobre bolsas de estudo para pesquisa e sobre os gastos correntes dos hospitais universitários. Duas temeridades, sobre as quais o próprio governo chiou. Mas tirar de onde?

O vento parou de soprar a favor e uma tormenta irresistível se avizinha. Já em meio à chuva grossa e ondas pesadas, confundidas ingenuamente com cândidas marolas, o comandante sai de sua cabine e grita: remem, a todo vapor a frente, remem. Tenha santa paciência, senhor. Já não há lastro no barco para essa aventura. Reconstrua-o ou lance a âncora. Mas, por favor, não jogue culpa e responsabilidade sobre aqueles que não as têm.

Nas Entrelinhas - Correio Braziliense

Quem é Essa Gente?

Essa gente passou da conta, acaba de avisar o presidente da República. Desde a posse, essa gente torceu dia e noite para que não desse certo o governo do torneiro-mecânico que virou estadista. Em seguida, Lula informou que, sempre sonhando com o fracasso do migrante nordestino que desde 2002 se hospeda no Palácio da Alvorada, essa gente deu de acordar e dormir orando para que o país inteiro fosse para o buraco (sifu, diria em português-pra-trabalhador-petista o médico desalmado da metáfora infame). Pois agora essa gente partiu para a radicalização. "Tem gente que vai deitar rezando: ‘Tomara que essa crise pegue o Brasil pra esse Lula se lascar’", revelou o presidente num dos improvisos da safra de dezembro. Assim já é demais.

Tudo bem que um punhado de maus brasileiros torça contra Lula. Até que o Datafolha e o Sensus anunciem que a avaliação da performance do campeão chegou a 100% de ótimo ou bom (talvez 102%, já que a margem de erro é de 2% para cima e 2% para baixo), até que dê traço no Ibope o balaio de gatos pingados que insistem em fazer reparos a uma performance perfeita, Lula tem de aturar invejosos incuráveis e os demais inconformados com o desempenho do maior dos governantes desde a chegada das caravelas.

Tudo bem que essa gente viva exibindo olheiras de galã de cabaré por sonhar acordado com o fiasco daquele que se mostrou mais esperto que Getúlio Vargas, mais sedutor que JK, melhor que todos os antecessores desde a chegada das caravelas, incluídos os três governadores-gerais e os dois imperadores. O que não se pode tolerar é essa gente rezando pelo triunfo da crise econômica. Coisa de traidor da pátria, inimigo da nação, quinta-coluna de quinta categoria. Quem topa até morrer afogado desde que o timoneiro também afunde com o barco não merece o anonimato concedido por Lula.

Quem é essa gente?, perguntam milhões de brasileiros ao detentor do segredo. Só o presidente, pelo jeito, sabe o nome completo, data e local do nascimento, estado civil e signo de cada sócio do clube do contra. Publicamente, só parecem contentes com a crise ministros de Estado, figurões do PT e oficiais da tropa revolucionária bolivariana. Mas não torcem contra Lula, nem contra o país. Torcem contra o imperialismo ianque em particular e o capitalismo em geral, ambos condenados pela crise a morrer por afogamento.

Essa gente também não inclui os banqueiros, todos felizes com os lucros obtidos ou por obter e com o pronto-socorro montado pelo governo. Tampouco os empresários da indústria automobilística, cada vez mais animados com o gentil patrocínio dos cofres federais. Nem os chefões da telefonia, que Lula tem tratado com cuidados de pai. Muito menos os grandes comerciantes, satisfeitos com os sucessivos pedidos do presidente para que a freguesia gaste até o que não tem neste Natal.

Os pobres que ainda esperam a vez de subir para a classe média não enxergam uma só nuvem no céu de brigadeiro. Acham que 2009 será ainda melhor que 2008, que foi ótimo. A velha classe média nem quer ouvir falar em crise. Teme o desemprego, a inflação, a erosão do poder de compra, sobretudo a suspensão das viagens anuais a Buenos Aires. Os reacionários golpistas e os grã-finos paulistas estão concentrados em salvar o que restou de aplicações desastradas. Os suspeitos de sempre desta vez estão fora. Só Lula pode dizer quem é essa gente.

Num dos discursos da semana, o orador infatigável tornou a explicar que a economia brasileira cresceu nos últimos anos porque era ele o presidente, não porque o mundo andou bem, mas a economia brasileira está sujeita a abalos não porque é ele o presidente, mas porque o mundo anda mal. Noutro improviso, evocou de novo a misteriosa entidade: essa gente continua ajoelhada no altar dos santos milagreiros, à espera do desastre tremendo. Se algo der errado, os queixosos que procurem o guichê dessa gente. Não é muita, reiteram as pesquisas. Mas é poderosa. Consegue até transformar marolinha em tsunâmi.

Se descobrissem seu endereço, os brasileiros que pensam tratariam de pedir, no minuto seguinte, um presente de Natal. Em vez de usar tanta força para piorar o Ano-Novo (e castigar tanto culpados quanto inocentes), essa gente poderia melhorar 2009 com um pequeno milagre: obrigar o presidente a parar de dizer tanta bobagem.

em Coisas da Política - Jornal do Brasil

Ainda o Mensalão

O processo do mensalão – que começou a correr no Supremo Tribunal Federal em agosto do ano passado, com o acolhimento da denúncia contra 40 réus, à frente o ex-ministro José Dirceu – vai entrar em 2009, numa outra longa fase: a inquirição das testemunhas da defesa. Na última terça-feira, o ministro-relator da ação penal (nº 470), Joaquim Barbosa, proferiu despacho em ofício à juíza da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, Maria de Fátima Pessoa Costa, que informava estar tomando o depoimento das últimas testemunhas de acusação domiciliadas em Brasília, constantes da lista de 41 pessoas apresentada, em junho último, pelo procurador-geral da República.

No despacho – ao determinar a “extração de cartas de ordem para a oitiva das testemunhas de defesa, que deverão ser realizadas, por delegação deste relator, pelos juízos federais com competência no lugar de residência das testemunhas” – o ministro Joaquim Barbosa solicita “máxima urgência e empenho na realização da diligência, tendo em vista o grande número de testemunhas arroladas e o perigo de esta fase da ação penal se arrastar excessivamente no tempo, comprometendo o bom andamento do feito”.

O ministro Joaquim Barbosa não confirma nem desmente ter ficado insatisfeito com a marcha lenta da tomada dos depoimentos das testemunhas de acusação, sobretudo no que se refere às domiciliadas em Brasília. O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, informou-lhe que havia ainda um obstáculo à conclusão das inquirições por ele requeridas.

O deputado Virgílio Guimarães (PT-MG) – que teria feito a apresentação dos parlamentares do PT ao publicitário-empresário Marcos Valério – tem, como congressista, a prerrogativa de marcar o dia e a hora para ser ouvido. Enquanto não o fizer, o ministro-relator não pode dar seguimento ao processo.

por Giulio Sanmartini

Sobre Esquimós e Larápios

Dizem que os esquimós têm 32 diferentes palavras para descrever a neve, elemento onipresente em sua vida. Não sei quantas temos, no Brasil, para falar de desonestidade, mas – para início de conversa – além de ladrão e corrupto, me ocorrem meliante, gandaia, bandalheira, larápio, picareta, maracutaia, batedor de carteira, gatuno, trambicagem, safadeza, bandido e malandro.

Curiosidades etimológicas à parte, isso certamente confirma que a questão vem de longe, e que não por acaso permeia a vida e a língua que hoje une mais de 180 milhões de brasileiros.

É evidente que a desonestidade não é um fenômeno nativo nem recente. Existe desde que os homens desenvolveram o conceito da honestidade e seu oposto e se encontra em todas as culturas e línguas desde o início da civilização – inclusive nas leis e religiões que há tantos milênios visam a reprimi-la e puni-la.

É aí que fico fascinado com o que me parece ser uma das principais e mais urgentes questões da nossa vida pública: a impunidade. Pois, se é verdade que na vida real somos todos permanentemente tentados a cometer uma ou outra desonestidade, é também verdade que a grande maioria consegue resistir às tentações correspondentes por uma mistura de ensinamentos, princípios éticos ou religiosos e – certamente – receio de alguma punição.

Como múltiplas reportagens (...) vêm mostrando ao longo do tempo, o que diferencia o Brasil dos países mais avançados e desenvolvidos do planeta não é o número de casos em que nossos governantes desviam recursos públicos ou se aproveitam de seu cargo para obter vantagens ilícitas. Isso, infelizmente, parece ser uma constante planetária. O que varia muito de um país para outro é o que acontece aos transgressores quando descobertos. É o que lhes acontece em seguida.

A progressiva – e muito bem-vinda – institucionalização do país vem resultando em crescente número de investigações e denúncias nessa frente por parte da Polícia Federal, do Ministério Público e da grande imprensa. Mas o que vem acontecendo em seguida? As ações entre amigos no âmbito legislativo, o corporativismo, o nosso tortuoso sistema jurídico e os intermináveis recursos de muitos competentes e bem remunerados advogados vêm se juntando para frustrar praticamente todas as tentativas de punir os governantes que – em todos os níveis da vida pública nacional – abusam da sua autoridade, traindo a confiança dos seus eleitores, desviando recursos públicos e se locupletando impunemente.

Sei que é virtualmente impossível esperar que todos os nossos prefeitos, vereadores, deputados, senadores, governadores e outros dirigentes políticos sejam íntegros e dedicados apenas à boa gestão da coisa pública e ao bem comum. E é exatamente por isso que urge acelerar as mudanças indispensáveis para garantir que todos os que violarem a lei sejam não apenas julgados e condenados, mas – quando assim for determinado – que também passem a cumprir sua pena na prisão. Pois um bom sinônimo de desonesto é indigno. E servidor do povo indigno não pode e não deve escapar incólume.

Somente quando virmos cada vez mais corruptos atrás das grades é que poderemos finalmente festejar o fim da impunidade que tantos males tem trazido ao país.

por Roberto Civita

terça-feira, 23 de dezembro de 2008


Formando Perfeitos Idiotas

De um total de 96 cursos superiores de instituições particulares que obtiveram nota um – a mais baixa possível – no último Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), 67% deles estão credenciados pelo Ministério da Educação para oferecer bolsas de estudo a alunos de baixa renda no Programa Universidade para Todos (ProUni). É o que aponta levantamento feito pela Agência Brasil. Da lista dos 127 cursos com nota 1 foram excluídas 31 universidades públicas que, por sua natureza, não fazem parte do programa.

Segundo o Ministério da Educação (MEC), o problema acontece porque, de acordo com a lei do ProUni, a instituição só pode ser descredenciada após dois resultados ruins no Enade. Mas como cada área é avaliada de três em três anos, há a possibilidade de os cursos mal avaliados receberam alunos pelo ProUni durante esse período.

“Como o ciclo [avaliativo] foi iniciado com uma portaria em fevereiro de 2007, ele precisa se completar. Essa exigência de qualidade na educação superior ainda está passando por uma transição, mas com um ou dois anos estará sendo aplicada de maneira irreversível. Por enquanto, nós trabalhamos nos limites do marco estabelecido pelo Poder Legislativo”, afirma a secretária de Ensino Superior do ministério, Maria Paula Dallari Bucci.

Para o professor da Universidade de São Paulo (USP) Romualdo Oliveira, especialista em ensino superior, a lei que regula o programa é falha por não apresentar nenhuma exigência de desempenho mínimo dos cursos credenciados. Em troca da oferta de bolsas integrais e parciais, as instituições privadas de ensino recebem incentivos fiscais por parte do governo. Romualdo defende que o acesso a cursos de má qualidade, por meio do ProUni, pode prejudicar o futuro dos bolsistas.

“É uma contradição porque o governo está financiando cursos de baixa qualidade, o que provavelmente vai resultar em uma exclusão do aluno no futuro em termos de mercado. Você protela o desemprego”, avalia.

A secretária Maria Paula ressalta que as bolsas adicionais que não recebem contrapartida do governo, previstas em portaria do MEC, não podem ser oferecidas por cursos de nota 1 e 2. “A leitura que deve ser feita não é a de que vamos esperar dois ciclos avaliativos de braços cruzados. Ao longo desse tempo, todas as medidas previstas na lei já estão sendo implementadas. Os cursos estão sendo chamados para assumir termos de saneamento e, em alguns casos, com corte de vagas. A exigência de qualidade virá por todos os instrumentos e todas as oportunidades que a lei faculta”, justifica Maria Paula.

Na opinião do professor Oliveira, sem uma cláusula de barreira para garantir a qualidade do ensino oferecido aos alunos, o programa “vende gato por lebre”. “Eu tenho uma crítica ao próprio programa, não acho que seja uma alternativa de viabilização de acesso ao ensino superior justamente porque subsidia cursos de má qualidade. Seria mais eficiente usar esses recursos para a expansão do ensino superior público, porque nesse há garantia de uma boa educação”, defende.

A secretária recomenda aos candidatos de bolsas no ProUni que procurem saber mais sobre a qualidade do curso antes de se inscrever. "Já que a questão econômica está equacionada, o bolsista, ao fazer a sua escolha, não precisa escolher o curso olhando se ele poderá ou não pagar a mensalidade. Ele deve observar se o curso atende à demanda dele e se é qualificado, se informar para saber se aquele é um bom curso, porque é a formação dele que está em jogo", indica.

Desde a criação do ProUni, em 2005, já foram distribuídas mais de 430 mil bolsas. Para concorrer, o aluno precisa ter cursado todo o ensino médio em escola pública. As bolsas parciais, que custeiam 50% do valor da mensalidade, podem ser pleitadas por estudantes cuja renda per capita familiar é de até três salários mínimos. Já as bolsas integrais são restritas a alunos com renda familiar de até um salário mínimo e meio por pessoa.

Na última edição do programa, cujas inscrições encerraram-se na segunda-feira (15) da semana passada, foram oferecidas 56 mil bolsas. A uma semana do término das inscrições, os candidatos passavam de 320 mil.

por Amanda Cieglinski, da Agência Brasil



Tenho muitos conhecidos que, embora não freqüentem meu bloig, acham que eu torço prá que tudo dê errado no país.

Não. Eu não torço prá que tudo dê errado; torço, isso sim, prá que tudo dê certo da forma certa. O que não está ocorrendo. Assim, torço prá que a crise pegue bem mais do que pegou até agora, prá ver se o "comandante" Mula tem realmente todo esse aparato que diz ter no controle da marolinha.

E não torço prá que a educação piore mais do já está. Fico-me perguntando, inclusive: onde estão aqueles esquerdistas que, até antes do apedeuta nos (des)governar, ficavam bradando contra o que chamavam de "privatização" da educação e pediam a melhoria do ensino? Onde está a UNE? Brigando pela posse da emissão das carteirinhas para pagar meia-entrada em cinemas e espetáculos e ajudando o MST e a Força Sindical a fazer baderna no sociedade?

Aliás, as esquerdas - inclusive essa massa de manobra ignara do PT/PSOL/PSTU/PC do B -, que tanto invocam a Declaração Universal dos Direitos Humanos, deveriam prestar mais atenção no que esta diz a respeito de ensino:

Artigo XXVI.
1. Todo ser humano tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito.

Viram? A instrução superior deve estar baseada no mérito! O que isto quer dizer? Ora, os melhores, aqueles que realmente tem preparo para passar num vestibular de uma instituição de ensino qualificada, deverão cursar tais cursos. E estes devem preparar os acadêmicos para o mercado de trabalho, a fim de continuem sendo os melhores.

Mas o que vem fazendo "noço guia" e seus palermas? Sucateando ainda mais o ensino. E erram aqueles que dizem que políticas como estas, ditas de afirmação e inclusão, são somente populistas ou eleitoreiras. Na verdade, elas têm um outro fim: a cubanização do Brasil.

Lembrem-se que Cuba é considerada, pelas esquerdas, como o paraíso, inclusive do saber.

Quantas vezes não nos deparamos com comentários de que os médicos cubanos estão entre os melhores do mundo (embora Fidel tenha preferido um médico espanhol que não estudou em Cuba para operá-lo, talvez por conhecer a realidade da ilha-cárcere).

Sabemos que a prisão dos Castro está cheia de taxistas-advogados, médicos-garçons, administradores de empresa-porteiros, entre outros tipos "formados" em Universidades cubanas.

E todos ficam quietinhos, porque "Esteban", como os "cubanos descalços" o chamam, sempre foi um ótimo governante.

Assim, "noço guia" investe em "universidades", prounis, enades, cotas de inclusão e outras mendácias e não faz qualquer alusão em melhorar o ensino básico para que o cidadão possa enfrentar um vestibular numa faculdade de qualidade e passar por seus próprios méritos, como cita a Declaração Universal dos Direitos Humanos, como já disse acima, e que os petralhas adoram ficar citando e usando como se fosse, com o perdão da palavra, "pano de bunda".

Mas ora, onde está o mérito destas "assões afirmativas", que irão trazer, para o mundo real, pessoas completamente desqualificadas profissionalmente? Em lugar nenhum. Sequer em Cuba.

Pensando, porém, como um liberal, surge a pergunta: todo brasileiro tem o direito de fazer um curso ruim? Sim, claro. Desde que com seu (dele) dinheiro. Com dinheiro público, não pode. É como credenciar um médico-açougueiro para atender pacientes pelo SUS.

É importante acabar com essa mistificação em torno dos "dipromas". Pessoas com formação universitária tendem a ganhar mais porque, regra geral, as profissões que exigem curso superior são mais bem-remuneradas. Mas, para tanto, precisam estar na profissão. E, para que atuem na área do curso que escolheram, têm de estar muito bem capacitadas.

Como disse Reinaldo Azevedo em sua coluna, "há um certo laxismo que supõe que a expansão de faculdades e estudantes universitários acabe trazendo, em algum momento, um salto de qualidade — e o mercado se encarregaria de fazer a seleção: os melhores acabariam nas melhores escolas e empregos, e os piores, nas piores. Assim seria se a grana oficial não estivesse metida nessa

"Se 30% dos cursos pagos pelo governo estivessem entre os piores, já seria uma lástima. Mas estamos falando de quase 70%. Se o Estado dá o dinheiro, a contrapartida tem de ser a qualidade. Nada menos. E o governo Lula golpeou esse princípio de dois modos:

- quando mudou as regras do antigo provão; o atual Enade já faz uma avaliação muito menos eficaz do que o exame anterior; tanto é assim que as instituições particulares pararam de brigar para ter 'doutores' no corpo docente;

- quando fez do ProUni um mero programa de preenchimento de vagas ociosas nas piores faculdades e universidades do país".

Diferentemente de Cuba que, logo após a Revolução de 1959, exterminou 10% de sua população mais qualificada (médicos, advogados, policiais, administradores de empresas etc.) à bala, nossos governantes querem eliminar toda a população através do emburrecimento progressivo. Mas todos com "dipromas de faculdade". Assim, poderemos trocar "profiçonais" com a ilha-prisão sem temor algum. Assim, o grande gulag que irá se tornar a América Latina poderá intercambiar qualquer "perfeito idiota" entre seus estados.

Já pensou, que beleza? O Brasilistão poderá enviar médicos-lixeiros para o Venezuelistão, que por sua vez trocará analistas de sistemas-costureiras com o Chilestão, que enviará sociólogos-porteiros para o Bolivistão. Tudo sob a supervisão dos Castro e seus comparsas do Foro de São Paulo.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Os Perfeitos Idiotas

Conheço o complexo de hotéis da Costa do Sauípe, na Bahia, onde se deu a tal Cúpula da América Latina e do Caribe. Há áreas com extensos gramados. Depois será preciso verificar o estado das gramíneas. É possível que boa parte tenha sido consumida até a terra nua. As palavras “perfeito idiota” que abrem o título deste post estão no livro “Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano”, de Álvaro Vargas Llosa (filho do romancista peruano), Plinio Apuleyo Mendonza e Carlos Alberto Montaner. No Brasil, foi publicado há 11 anos, antes ainda da tal “onda vermelha” na América Latina. Trata-se de uma crítica severa às esquerdas do continente, que centravam a sua política no ataque “ao imperialismo” — com forte sotaque, como não poderia deixar de ser, antiamericano. Pois é... Boa parte delas chegou ao poder. E agora explico a referência à grama.

Llosa chegou a criar uma distinção entre as esquerdas latino-americanas: haveria a “carnívora”, como a dos irmãos homicidas Fidel e Raúl Castro e do bandoleiro Hugo Chávez, e a “vegetariana”, do Estimado Apedeuta, entre outros. Jorge Castañeda, intelectual mexicano, ex-esquerdista, hoje moderado (ajudou Vicente Fox a derrotar o PRI no México e foi seu chanceler), também vê as diferenças entre a “boa” e a “má” esquerdas latino-americanas. Lamento. Tanto o conservador como o ex-esquerdista estão errados neste particular. E, no dia 13 de janeiro, expliquei por quê.

Esquerda vegetariana? Data venia, isso não passa de besteira. Até porque a esquerda lulista, se for o caso, deve ser chamada de “herbívora”. E do tipo ruminante.

A diferença não é ideológica ou de essência. A diferença está na história. Explico-me. Os “carnívoros” de Llosa — ou “esquerda má”, na definição de Castañeda — chegaram ao poder à esteira de severas crises institucionais em seus respectivos países. A “esquerda boa” (dita “vegetariana”) assumiu o poder num quadro de estabilidade institucional. Foi assim com Bachelet, no Chile, e com Lula no Brasil.

Para ficar no exemplo doméstico, note-se que Lula não é Chávez porque não pode, não porque não queira. Quem o impede são as instituições fortalecidas, que herdou de FHC e que não conseguiu, embora tenha tentado, enfraquecer. Basta lembrar quantas vezes essa gente tentou botar canga na imprensa. Observe-se, também, que Lula tem sido, sim, um aliado incondicional — INCONDICIONAL, repito — de Hugo Chávez e Evo Morales. No ambiente internacional, a agenda brasileira é, sem tirar nem pôr, a da esquerda.

O que estou dizendo é que essas diferenças a que aludem tanto Castañeda como Llosa são absolutamente irrelevantes. Lula leva o desprestígio das instituições, no Brasil, até onde é possível levar. Se mais não faz, é porque mais não pode.

E hoje...Pois é... Vejam que a “esquerda vegetariana” — NA VERDADE, HERBÍVORA — acaba de incluir Cuba na tal Cúpula da América Latina e do Caribe (CALC). E que exigência se fez àquela tirania? Nenhuma! Ao contrário: Raúl Castro, com 95 mil mortos nas costas, foi tratado como herói e resistente. Sob o comando de Lula, o encontro pediu o fim do embargo americano à ilha (irrelevante, insisto, para a miséria em que vive o povo). E, de novo, sem quaisquer condicionantes.

Castañeda e Llosa não se davam conta, então, que a dita esquerda “vegetariana” (herbívora) era só uma espécie de veículo da esquerda “carnívora”. Alguém poderia perguntar: “Mas que mal tem isso, Reinaldo?” O avanço de regimes que flertam abertamente com a ditadura, como se dá na Venezuela, no Equador e na Bolívia, e a admissão de uma ditadura descarada no grupo dos países respeitáveis — segundo Lula, essa foi a maior conquista da reunião na Costa do Sauípe.

A confusão é gigantesca. Alexei Barrionuevo, do The New York Times, escreve sobre a cúpula: “Apesar de toda a popularidade do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, aliado dos EUA, o Brasil não conseguiu impedir os líderes de celebrar a inclusão do presidente cubano, Raúl Castro, nesse encontro. Lula também não pôde impedir que os outros presidentes aproveitassem a ocasião para atacar os Estados Unidos e a Europa por seu papel na crise econômica global, que também afeta a região.”

Viram só? Barrionuevo, coitado!, não entendeu nada. Em primeiro lugar, não sei por que a popularidade de Lula teria alguma interferência numa reunião de chefes de estado. Em segundo, notem que, para ele, o brasileiro estaria algo contrariado com a “celebração” a Raúl Castro e com os discursos antiamericanos. Epa! Calma lá! Ele foi o chefe da torcida — não tão caricato quanto um Chávez ou um Evo Morales. Mas é fato que pôs o indiscutível peso do Brasil na região a serviço de um discurso jurássico. Ou como ler o que publica hoje o Estadão? “Lula afirmou ontem no encerramento da CALC que, para enfrentar a crise financeira internacional, os países da região devem reforçar a intervenção do Estado na economia. Lula também recomendou que as economias regionais evitem optar pelo ajuste fiscal. "O Estado, que não valia nada, passou a ser o salvador da pátria", afirmou Lula, referindo-se às medidas adotadas pelos países desenvolvidos e por nações latino-americanas, que vêm investindo dinheiro do governo em bancos privados e no setor produtivo.”

Num daqueles momentos em que a sua retórica assombra o mundo, o brasileiro mandou ver: “Éramos um continente de surdos, que não nos enxergávamos". Não entendi se a cegueira se juntava à surdez ou se o Apedeuta citava, indiretamente, Elias Canetti e prometia escrever o seu “Uma Luz em Meu Ouvido”... Mais compatível com a reunião, lembrei-me também da figura dos três macaquinhos, mas com uma diferença: a América Latina até podia tapar os olhos e os ouvidos, ser cega e surda, mas tinha e tem uma língua imensa, fala pelos cotovelos — e sempre culpando terceiros pelos seus próprios desastres.

Sei... Há muita gente entusiasmada com tudo isso etc e tal. Bom divertimento. Da formidável jornada de Lula no que pretendem seja a nova política externa brasileira, já podemos colher alguns resultados. Quando o Apedeuta assumiu, o país respondia por 1,1% do comércio mundial. Antes da crise, já estava em 1,1%... Antes de ele assumir, o Brasil guardava prudente distância de ditadores de qualquer viés. Hoje em dia, avançamos muito: já aprendemos a tratar bem os ditadores e candidatos a tanto. Um avanço espetacular.

Ontem, a Câmara aprovou o ingresso da Venezuela no Mercosul — que também TINHA a “democracia” como critério de inclusão (e de exclusão). Ora, Lula já afirmou que o país do bandoleiro é democrático até demais...

Quem disse que não pode haver harmonia entre herbívoros e carnívoros?

por Reinaldo Azevedo

Cuba Lançando - Ainda

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira, 18, que os embargos econômicos a Cuba não têm sustentação política, ética e moral. Em discurso de recepção ao presidente cubano Raúl Castro, no Itamaraty, Lula voltou a defender a revogação do ato de exclusão de Cuba da Organização dos Estados Americanos (OEA) e pedir o fim do bloqueio à ilha imposto pelos Estados Unidos. "É por isso que o Brasil vai se empenhar para a volta de Cuba à OEA", disse Lula.

Lula, em seu discurso, lembrou que a revolução cubana de 1959 serviu de fonte de inspiração para uma geração brasileira durante o regime militar brasileiro (1964-85). "O patrimônio desse povo revolucionário (cubano) nos inspirou nos tempos terríveis da opressão e continua a nos motivar na construção de um mundo melhor", disse. "Muitas gerações de brasileiros, inclusive a minha, celebraram as transformações sociais que Cuba realizou, nesses últimos 50 anos, e estas mudanças colocaram o seu país na condição de nação extremamente desenvolvida em matéria de saúde e educação", completou.

No discurso, Lula pediu mudanças no sistema econômico e político internacional. "Quando a ganância de uns poucos ameaça as legítimas aspirações de bem-estar de muitos, torna-se inadiável uma profunda revisão no sistema financeiro internacional", afirmou o presidente. "Isso exige que os países em desenvolvimento tenham a voz mais ativa nas decisões que afetam toda a humanidade", completou. Lula ainda elogiou Raúl Castro pela adesão de Cuba a tratados internacionais nas áreas de direitos civis, políticos, econômicos e sociais e culturais. "Isso demonstra que o caminho é o da negociação e não apenas o enfrentamento", disse. O presidente observou que a balança comercial entre os dois países se multiplicou cinco vezes desde 2002. No ano passado, a corrente de comércio somou US$ 412 milhões. Ele defendeu parcerias comerciais e tecnológicas, principalmente nas áreas de agricultura, saúde e exploração de petróleo e gás em águas profundas.

Após o discurso de Lula, Raúl Castro agradeceu o governo brasileiro pela "permanente rejeição" ao bloqueio econômico imposto a Cuba pelos Estados Unidos. Ele defendeu a integração dos países do continente. "Nós, os latinos americanos, somos maiores de idade e já podemos ter voz própria e dizer para os vizinhos do norte do nosso continente, da Europa, da Ásia, do mundo inteiro que podemos dar passos que nos conduzam a outra situação", disse. Ele lembrou que o irmão, o ex-presidente Fidel Castro, tem muito afeto pelo povo brasileiro e por Lula.

Raúl Castro disse que Cuba e Brasil trabalham para que os países do continente não tenham intermediários e possam lutar pelo multilateralismo e pela livre determinação dos seus povos. O presidente cubano ainda agradeceu a Lula pela ajuda do governo brasileiro às vítimas de furacões que, neste ano, causaram danos à ilha. Segundo ele, essas perdas representaram 20% do PIB cubano.

Por Leonencio Nossa, no Estadão Online
discurso feito por Lula em 2005 tecendo loas aos membros da entidade.

Agora, os esquerdistas, enriquecidos pelo dinheiro que tiram dos governos, fazem cada vez mais foros (UNASUL, CALC, Mercosul etc.), mas todos eles são apenas mesas diversas para a mesma conversa: a dominação completa da América Latina e a fundação da URSAL (União das Repúblicas Socialistas da América Latina), a fim de "recuperar aquilo que se perdeu no Leste Europeu".

Precisamos URGENTEMENTE nos unir à recém fundada UnoAmérica, dando-lhe apoio para que possamos rechaçar esta estratégia de dominação das esquerdas, antes que terminemos num gulag, numa prisão, como em Cuba, ou num "paredón".

É nosso dever começar a tentar convencer as pessoas menos esclarecidas de que, apesar da aparente calmaria econômica e das bolsas-migalha, o que nosso governante e seus apaniguados, juntamente com os governantes participantes do Foro de São Paulo, querem-nos apenas como escravos, e que, em breve, vão tirar-nos toda e qualquer liberdade que ainda nos resta!



Estamos chegando lá! Em 1990, quando Lula/PT e Fidel/PC Cubano fundaram o Foro de São Paulo, congregando partidos e entidades de esquerda da América Latina - incluindo as FARC -, houve grande interesse em esconder as relações entre todo este pessoal.Várias denúncias foram feitas durante todos estes anos, mas até hoje, muitas pessoas ou desconhecem do que se trata esta entidade ou pensam tratar-se de alguma "teoria da conspiração".

A partir de algumas reportagens feitas por alguns veículos nacionais sérios da mídia (Veja e Estadão), muitas pessoas passaram a acreditar na existência do Foro, principalmente a partir do